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Eclética Química, 38, 166-175, 2013. 166
CONCENTRAÇÃO DE MATERIAL PARTICULADO E COMPOSIÇÃO
ELEMENTAR NO AEROSSOL ATMOSFÉRICO DE UMA REGIÃO DE
PRODUÇÃO DO AÇO NO ESTADO DE MINAS GERAIS-BRASIL
Viviane Macedo Reis Araújo
1
, Gabriela von Rückert
1
, Maria Ângela de B. C. Menezes
2
, Humberto Lopes
Santos
3
, Adriana Rocha de Souza Drumond
1
1
Programa de Mestrado em Engenharia Industrial do Centro Universitário do Leste de Minas Gerais (UNILESTE). Coronel
Fabriciano, MG, Brasil viviane.macedoreis@gmail.com gruckert@homail.com.br adrianarochadrumond@hotmail.com.
2
Centro de
Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear/Comissão Nacional de Energia Nuclear (CDTN)/CNEN) Laboratório de Ativação
Neutrônica,Belo Horizonte, MG, Brasil menezes@cdtn.br.
3
Coordenação de Meio Ambiente e Qualidade – Celulose Nipo-
Brasileira (CENIBRA S.A) Belo Oriente, MG, Brazil humberto.santos@cenibra.com.br
Os municípios de Ipatinga (IPA) e Coronel Fabriciano (FAB) estão inseridos na Região Metropolitana do
Vale do Aço (RMVA). Nesta região estão localizadas duas indústrias siderúrgicas e uma indústria de
extração de celulose. Neste estudo, foram obtidas as concentrações de Partículas Totais em Suspensão
(PTS), Partículas Inaláveis com tamanho aerodinâmico de até 10 μm (MP10) por gravimetria, utilizando
amostradores manuais HI-VOL (AGV), além da concentração de elementos químicos no material
particulado em IPA e FAB de maio a novembro de 2010. A concentração de elementos no material
particulado amostrado foi obtida por meio das técnicas de Análise por Espectrometria de Absorção Atômica:
Al, Ca, Cu, Cd, Mg, Mn, Ni, Pb, Sn, Ti, Zn, Ativação Neutrônica Instrumental (método k0): As, Br, Ce, Co,
Cr, Cs, Fe, Hf, La, Sb, Sc, Sr, Th, K, Zn, Zr, e o Na por Espectrofotometria de Emissão de Chama. A
qualidade do ar foi avaliada com base nas concentrações de PTS e MP10 de acordo com a Resolução
CONAMA 03/1990 e elementos pelos padrões da Organização Mundial da Saúde (OMS). Observou-se que
em FAB a concentração de PTS e principalmente MP10 se apresentou com maior variação e alcançou valores
superiores ao limite estabelecido pela Resolução CONAMA mais frequentemente se comparado ao ponto em
IPA. A qualidade do ar se apresentou em geral BOA para PTS e MP10 em ambos os locais amostrados. Os
elementos Sn, Ca, Fe, Pb, Na, K, Zn e Al nas PTS e MP10 em ambos os municípios foram os mais
abundantes. Fe e Sn se apresentaram acima do limite estabelecido pela norma OMS, assim como Cr, Pb e
As. As concentrações mais elevadas de PTS, MP10 e elementos foram registradas nos meses secos e frios. De
acordo com os resultados apresentados, verificou-se uma forte correlação entre a composição e
concentrações de elementos e as atividades siderúrgicas e de tráfego de veículos na região.
Palavras-chave: elementos tóxicos, material particulado, qualidade do ar, vale do aço.
ABSTRACT
Ipatinga (IPA) and Coronel Fabriciano (FAB) cities are located in Vale do Aço, a metropolitan area and the
largest industrial area in Minas Gerais state, where there are two steel mills and one pulp mill, as well as
other micro and small factories. Due to industrialization, population growth, technological development and
intense vehicle traffic in the region, the air pollution has been increasing. Air pollution can result in public
health problems, thus it is necessary to quantify the particulate matter concentration and the toxic metals and
trace elements associated in this region. This study evaluated the concentration of the total suspended
particles (TSP), inhalable particles with aerodynamic size up to 10 µm (PM10) by HI-VOL manual samplers
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in IPA and FAB, from May to November 2010. Metals and trace elements were determined in the PM10 and
TSP samples. Neutron Activation Analysis, k0-method,was applied and determined the elements As, Br, Ce,
Co, Cr, Cs, Fe, Hf, La, Sb, Sc, Sr, Th, K, Zn, Zr; Atomic Absorption Spectrophotometry, Al, Ca, Cu, Cd,
Mg, Mn, Ni, Pb, Sn, Ti, Zn, and Flame Emission Photometry, Na. The air quality was assessed based on the
concentrations of TSP and PM10 according to CONAMA Resolution 03/1990 and elements by the standards
of the World Health Organization (WHO). It was observed that in the FAB concentration of TSP and PM10
mainly performed with greater variation and reached the upper limit established by CONAMA figures most
often compared to the point in IPA. Air quality is generally presented GOOD for TSP and MP10 in both
sampling sites. The Sn, Ca, Fe, Pb, elements Na, K, Zn and Al in TSP and PM10 in both counties were the
most abundant. Fe and Sn were above the limit set by the WHO standard, as well as Cr, Pb and As The
highest concentrations of TSP, PM10 and elements were observed during the dry and cold months.The high
concentration results of Fe and Sn suggested that the sources of emissions were hematite transport and steel
mill. It was found a strong correlation between elements concentrations and the steel factory activities and
the vehicle traffic in this region.
Key-words: toxic elements, particulate matter, air quality, steel mill.
INTRODUÇÃO
A RMVA é um pólo industrial de Minas
Gerais, onde estão localizadas duas indústrias
siderúrgicas (Usiminas e APERAM) e uma indústria
de extração de celulose (Cenibra), além de micro e
pequenas empresas.
Os municípios Ipatinga (IPA) e Cel.
Fabriciano (FAB), juntamente com Timóteo e
Santana do Paraíso, constituem a RMVA [1]. Trata-
se de uma aglomeração urbana com
aproximadamente 468.378 habitantes. Somadas as
populações dos outros 11 municípios, que formam o
colar metropolitano, a região atinge mais de 600 mil
habitantes [2].
A economia de IPA baseia-se principalmente
na siderurgia. IPA passa por um processo de
diversificação econômica, com a implantação de um
distrito industrial que vem estimulando o
empreendedorismo e a abertura de novas plantas
industriais.
Já a economia de FAB está ligada ao
comércio. Por se localizar entre os municípios de
Timóteo e IPA, onde existem as principais indústrias
siderúrgicas de Minas Gerais (MG). Mesmo não
possuindo instaladas indústrias de grande porte em
sua área de abragência, FAB pode apresentar uma
elevada poluição atmosférica, que pode ser
representada pela carga de material particulado (MP)
advindo das indústrias siderúrgicas das outras
cidades e do crescente tráfego de veículos.
As principais fontes de poluição atmosférica
na RMVA são siderurgia, indústrias de
transformação, queimadas e tráfego de veículos, o
que torna importante a quantificação de elementos
químicos que se aglomeram no MP. Os mesmos
podem ser classificados em partículas totais em
suspensão (PTS) e partículas inaláveis (MP10) (≤ 10
µm). Os MP10, quando inalados, podem se alojar nos
alvéolos pulmonares, causando doenças
respiratórias, cardiovasculares, alergias e câncer.
Com isso, o número de internações nos hospitais da
região, pode estar relacionado à quantidade de MP
oriundo de atividades industriais e de deslocamento.
No Brasil o padrão legal para poluição
atmosférica é baseado na Resolução CONAMA n°
03 de 1990, ou seja, valores máximos de 150 µg.m
-3
para MP em 24 horas de amostragem, assim como o
Índice de Qualidade do Ar (IQar)
(Quadro 01).
Entretanto, a Organização Mundial da Saúde (OMS)
estabelece limites máximos para ambos de 50 µg.m
-
3
. Associados a essas partículas podem ser
encontrados elementos tóxicos na forma de óxidos.
O objetivo deste estudo foi avaliar e
classificar a qualidade do ar em termos das
concentrações de MP: PTS, MP10 e elementos
agregados aos mesmos, nos dois municípios
supracitados do estado de MG.
MATERIAIS E MÉTODOS
O monitoramento foi realizado por meio da
instalação temporária de dois kits de amostradores
ativos de grande volume (AGV – HI-VOL) por
gravimetria [3, 4, 5].
Um dos kits foi instalado dentro da área do
Centro Universitário do Leste de Minas Gerais
(UNILESTE) em FAB (campus Caladinho) e outro
em IPA (campus Bom Retiro), dentro da esfera de
influência das possíveis fontes de emissão.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Tim%C3%B3teo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Santana_do_Para%C3%ADso
http://pt.wikipedia.org/wiki/Munic%C3%ADpio
http://pt.wikipedia.org/wiki/Siderurgia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Empreendedorismo
Eclética Química, 38, 166-175, 2013. 168
As técnicas utilizadas na determinação da
concentração de elementos químicos no MP foi
espectrometria de absorção atômica para Al, Ca, Cu,
Cd, Mg, Mn, Ni, Pb, Sn, Ti, Zn, ativação neutrônica
instrumental (método k0) para As, Br, Ce, Co, Cr,
Cs, Fe, Hf, La, Sb, Sc, Sr, Th, K, Zn, Zr e
espectrofotometria de emissão de chama para o Na
[6, 7, 8, 9, 10, 11, 12].
As coletas consistiram em três amostras
semanais de cada parâmetro, no ano de 2010 nos
meses de maio, junho, julho e agosto. Nos meses de
setembro, outubro e novembro, as amostras foram
coletadas uma vez em cada semana, ambas com 24
horas de exposição. As coletas foram realizadas nos
dois pontos simultaneamente.
Os tratamentos estatísticos foram média
aritmética e desvio padrão, a partir dos valores
diários das concentrações. As diferenças estatísticas
entre os meses de estação seca e de transição e entre
os pontos de amostragem foram avaliadas utilizando
TESTE-T ou Wilcoxon com grau de significância a
5% [10].
A comparação das concentrações dos
elementos em ambos os municípios foi realizada por
Wilcoxon. A relação entre as concentrações de PTS
e MP10 foram avaliadas por correlação de Pearson
[8].
Para a classificação da qualidade do ar e
cálculo do IQAR foram utilizados os dados brutos
diários [13].
RESULTADOS E DISCUSSÕES
Concentração de PTS e MP10
Observou-se que em FAB a concentração de
PTS e MP10 se apresentou com maior variação e
alcançou valores superiores ao limite estabelecido
pela Res. CONAMA mais frequentemente do que no
ponto em IPA. Foram observadas altas
concentrações de PTS em FAB no dia 09 de junho
(165 µg.m
-3
) e em IPA no dia 26 de julho (141 µg.m
-
3
) e para MP10 em FAB (167 µg.m
-3
) neste mesmo
dia.
Esta concentração mais elevada nestes dias,
pode ter ocorrido por influência de incêndio florestal
numa área de preservação próxima aos pontos
amostrados. Incêndios florestais se enquadram em
fontes naturais de material particulado [14].
As concentrações mais elevadas de PTS,
MP10 e elementos foram registradas nos meses secos
e frios (junho a agosto), devido aos baixos índices de
precipitação úmida e ocorrência de calmaria [15, 16,
17].
Em FAB as médias das concentrações de
PTS se apresentaram com maior variação e média
mais elevada nos meses entre maio e agosto (estação
seca) se comparado com o período de transição
(setembro a novembro) (Teste-T, N= 21; p=0,0108).
Já em IPA, apesar da ligeira variação, as médias das
concentrações não mostraram diferenças
significativas entre os períodos de seca e transição
(Teste-T, N= 18; p=0,0714), ou seja, neste ponto os
valores das concentrações foram mais homogêneos
do que FAB durante os dois períodos (TAB. 01).
Apesar de não apresentar diferença
significativa entre os valores médios de PTS entre
FAB e IPA (Teste-T , N=39; p=0,4852), FAB foi o
único ponto onde o padrão secundário do CONAMA
foi excedido. Esta concentração mais elevada
pode
ter sido devida à influência do tráfego de veículos
próximo ao local de amostragem em FAB. A menos
de 200 m deste ponto há uma rodovia importante
para o transporte da região, onde pode haver
significativa ressuspensão de poeira de caminhões
pesados, escapamentos de gases nos canos dos
veículos, os quais são caracterizados como uma
forma de fonte móvel de emissão atmosférica [10,
18].
As concentrações de MP10 em FAB variaram
entre 12 a 167 µg.m
-3
,
apresentando média de
concentração maior do que IPA, 43,95 e 25,11 µg.m
-
3
, respectivamente (Teste de Wilcoxon, N=39;
p=0,0171) durante todo o período (TAB. 02).
Também em FAB a concentração MP10
apresentou valores maiores no período de estação
seca se comparado com o período de transição
(Teste-T, N= 21; p=0,0002). Isto pode ser explicado
pelas variações nas condições metereológicas [19].
Em IPA os padrões (150 µg.m
-3
) da Res.
CONAMA, não foram excedidos durante o período
de amostragem. Além disso, os valores de
concentração foram relativamente baixos e não
apresentaram diferenças estatisticamente
significativas entre as estações de seca e transição
(Teste-T, N= 18; p=0,1891). Isto indica uma maior
estabilidade nas concentrações de MP10 em IPA
(TAB. 02). Esta maior estabilidade pode ser devido
à menor quantidade de fontes de emissão neste
ponto. Sobretudo, o tráfego de veículos próximo a
este ponto de amostragem foi relativamente menor
do que FAB.
Eclética Química, 38, 166-175, 2013. 169
Concentração de elementos nas PTS e MP10
As concentrações significativas foram para
os elementos Fe (77,3 μg.m
-3
), Ca (25,7 μg.m
-3
), Na
(24,0μg.m
-3
) e Sn (12,1 μg.m
-3
) em FAB. Em IPA,
estas foram para Fe (35,7 μg.m
-3
) e Sn (17,2 μg.m
-3
).
Isto podem ser devido às emissões no transporte de
hematita, decorrente da proximidade com as usinas,
ressuspensão do solo e tráfego de veículos
[10].
Foram observadas as correlações
significativas entre as PTS e os elementos em FAB
(TAB. 03). Entre as boas correlações evidenciadas
neste estudo (r > 0,70), foram observadas
correlações altamente significativas entre PTS e os
elementos Cu, Mn, Zn, Ca, Mg, Sn e Al. Em IPA,
foram observadas correlações de PTS entre os
elementos Cu, Fe, Mn, Zn, Mg, Cr, Na, Sc, Th, As e
Br (TAB. 04). Isto evidencia que mesmo
apresentando variações de concentração ou fontes
distintas, as PTS estão fortemente associadas a estes
elementos.
A correlação elevada entre PTS/Fe (r = 0,79)
em IPA pode ser explicado pela proximidade de sua
fonte de emissão, se apresentando como poluente
primário associado às partículas maiores [12].
A influência de fontes móveis para emissão
de PTS é predominante em FAB, pois também
foram encontradas correlações positivas entre
PTS/Ca (r=0,89), Al (r=0,84) e Sn (r=0,83).
Entretanto, em IPA as boas correlações das PTS com
Sc, Fe, Na, Br, Cr, As e Th, fortalece hipótese de
este ponto sofrer mais influência das fontes fixas do
que de fontes móveis, pois os elementos traços Sc,
Cr, As e Th podem ser advindos exclusivamente da
indústria siderúrgica próxima ao ponto de
amostragem.
A quantidade de correlações dos elementos
nas PTS se torna um problema, pois estudos
indicaram que 70 % nas PTS são MP10 [12].
Nas MP10 de IPA foram observadas menores
quantidades de correlações significativas entre os
elementos analisados em relação a FAB. Esse ponto
apresenta uma menor quantidade de fontes de
emissões e as concentrações de MP10 nos filtros
também foram menores (Wilcoxon, N=39;
p=0,0171). Isto pode ser devido à predominância de
fontes distintas de emissão de partículas em FAB.
Em IPA, os elementos mais fortemente
correlacionados com as partículas são
principalmente provenientes de fontes fixas
(siderúrgica), enquanto que em FAB, os elementos
que se correlacionam melhor são provenientes de
fontes móveis e estacionárias.
Ao se confrontar as concentrações de
elementos com as concentrações de MP10, foram
encontradas fortes correlações em FAB (r > 0,90)
(TAB. 05) e IPA (r > 0,80) (TAB. 06), entre MP10 e
Mn, Ca, Mg, K. Foi possível observar também boas
correlações (r > 0,75) entre MP10 e Cu, Fe, Zn, Cr,
Sn, Na, La, Sb, As e Br em FAB. A presença de tais
elementos se apresentaram associada com as
partículas que compõem o MP10 na área de estudo,
pode ser explicado pelo fato dos mesmos
apresentarem alta capacidade de se agregar as
partículas menores que 10 µm, assim eles podem ser
inalados em diferentes formas químicas, dependendo
de suas características, principalmente na forma de
óxidos [11].
As fortes correlações entre MP10 e Fe em
FAB (r=0,92) (TAB. 05) e com Sn (r > 0,80) este
também com PTS apenas em FAB, pode ser em
decorrência do transporte de minério de ferro pela
rodovia e ferrovia que cortam o município, a
correlação significativa entre MP10/Fe para este
ponto pode ser explicado pela presença de Fe em
diversas fontes e em partículas menores, ou seja,
estas com presença de óxido de ferro agregadas
podem ter sido transportadas por longas distâncias
em decorrência das interpéries [18].
Embora alguns deles sejam essenciais ao
corpo humano (Zn e Fe) se inalados em altas
concentrações, ou mesmo na forma de vapor, podem
ser prejudiciais à saúde da população [11].
Sendo assim é importante destacar a boa
correlação entre PM10/Cr (r=0,84) em FAB (TAB.
05), pois este elemento é altamente tóxico,
principalmentes nos estados de oxidação +3 e +6. O
Cr
+3
tem ocorrência natural, enquanto que o Cr
+6
,
Cr
+2
e Cr
0
advém de processos industriais. A forma
bivalente é facilmente oxidada para a forma
trivalente pelas reações atmosféricas [20].
Além disso, o Cr, excedeu o limite de
exposição segura da OMS (2,5 ng.m
-3
) em FAB em
alguns períodos, assim como Fe, Sn, Pb e As.
Os elementos tóxicos são encontrados
geralmente em baixas concentrações devido à
mobilidade biogeoquímica natural, através das
fontes de emissão de poeiras fugitivas não
canalizadas de origem natural como a influência
eólica, contudo, as atividades antrópicas podem
aumentar significativamente a concentração destes
elementos pela emissão de poeira canalizada ou não
[21], que é o que parece ocorrer na região de estudo.
Com base na presença dos elementos, pode-
se prédizer que a qualidade do ar em IPA encontra-
se sobre grande influência de fontes estacionárias de
Eclética Química, 38, 166-175, 2013. 170
poluentes atmosféricos (setor industrial), seguindo
pelo desgaste de peças de veículos e, finalmente, por
fontes naturais. Em FAB, a qualidade do ar parece
ser influenciada principalmente pelo tráfego de
veículos e emissões industriais na mesma proporção.
Índice da Qualidade do Ar em FAB e IPA
A qualidade do ar se apresentou como BOA
tanto para PTS, quanto para MP10 em ambos os
locais durante o período amostrado (FIG. 01 e 02).
No dia 26 de julho, a classificação se
apresentou INADEQUADA para o parâmetro MP10
em FAB (IQAR=111%) e em IPA para PTS a
classificação foi REGULAR (IQAR=59%) [13].
Houve outros dias em que a qualidade esteve
REGULAR no mês de junho em FAB, para PTS, 09
e 22 de junho IQAR=69% e IQAR=56%,
respectivamente. A qualidade do ar se apresentou
BOA nos dias 11 e 31 de maio, 27 de julho, 06 de
outubro e em todos os dias amostrados de novembro
em FAB.
Vale destacar que esta realidade seria
diferente se os índices da qualidade do ar para a
região fossem baseados nos limites estabelecidos
pela OMS, onde o limite máximo de concentração
para MP é de 50 µg.m
-3
[20]. Se assim fosse, para
FAB e IPA a qualidade do ar se apresentaria como
INADEQUADA na maioria dos dias [13].
Quadro 01: Classificação dos parâmetros da qualidade do ar.
Fonte: US EPA, 2009
Tabela 1: Resumo estatístico das concentrações de PTS (µg.m
-3
) nos pontos em FAB e IPA.
Estação
FAB IPA
Média (SD) Min-Max Média (SD) Min-Max
Seca 82,29 (37,16) 7 - 165 70,11 (24,51) 44 - 141
Transição 52,40 (19,55) 25 - 81 52,60 (12,63) 33 - 72
Total 73,5 (35,5) 7 – 165 63,4 (22,5) 33 – 141
Tabela 2: Resumo estatístico das concentrações de MP10 (µg.m
-3
) nos pontos em FAB e IPA
Estação
FAB IPA
Média (SD) Min-Max Média (SD) Min-Max
Seca 61,00 (37,37) 37 - 167 22,63 (8,3) 7 - 33
Transição 25,20 (10,96) 12 - 46 27,10 (5,53) 20 - 38
Total 43,95 (32,98) 12– 167 25,11 (7,05) 7 – 38
Eclética Química, 38, 166-175, 2013. 171
Tabela 3: Coeficiente de Correlação entre as concentrações dos elementos obtidos nas PTS em FAB
Tabela 4: Coeficiente de Correlação entre as concentrações de elementos obtidos nos PTS em IPA
Eclética Química, 38, 166-175, 2013. 172
Tabela 5: Coeficiente de Correlação entre os níveis de concentrações de elementos obtidos nos MP10 em
FAB.
Tabela 6: Coeficiente de Correlação entre os níveis de concentrações de elementos obtidos nos MP10 em
IPA.
Eclética Química, 38, 166-175, 2013. 173
Figura 01: Distribuição percentual das classes de acordo com o IQAr quanto a PTS e MP10 em FAB.
Figura 02: Distribuição percentual das classes de acordo com o IQAr quanto PTS e MP10 em IPA.
Eclética Química, 38, 166-175, 2013. 174
CONCLUSÕES
Em ambos os pontos, foram encontradas
concentrações significativas de MP, mas em sua
maioria se apresentaram em concordância com a
Resolução CONAMA nº 03/90, enquanto que em
relação à OMS, a qualidade do ar seria classificada
como REGULAR ou INADEQUADA por várias
vezes. A atmosfera na RMVA mostrou quantidade
significativa de elementos tóxicos e oligo-elementos
que podem ser advindos de indústrias,
principalmente do seguimento siderúrgico, bem
como tráfego de veículos.
AGRADECIMENTOS
Agradecemos à CAPES, ao Sr. Leandro
Coelho Dalvi do Departamento de Meio Ambiente e
Qualidade de CENIBRA S.A, ao Laboratório de
Análise por Ativação Neutrônica, CDTN / CNEN -
BH/MG e ao UNILESTE.
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dezembro de 1998 do Estado de Minas Gerais.
Institui a Região Metropolitana do Vale do Aço,
dispõe sobre sua organização e funções e dá outras
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