www.scielo.br/eq Volume 34, número 4, 2009 37 Otimização da produção de biodiesel a partir de óleo de coco babaçu com aquecimento por microondas Ulisses Magalhães Nascimento*, Antônio C. S. Vasconcelos e Eduardo Bessa Azevedo Núcleo de Biodiesel. Departamento de Química, Centro de Ciências Exatas e Tecnologia, Universidade Federal do Maranhão, CEP 65080-040. São Luís – MA. Fernando Carvalho Silva Laboratório de Desenvolvimento de Tecnologias Ambientais. Instituto de Química de São Carlos, Universidade de São Paulo, CEP 13560-970. São Carlos – SP. Resumo:As reações sob aquecimento por microondas geralmente apresentam significativa re- dução no tempo de reação e elevados rendimentos. Portanto, o objetivo desse trabalho foi adap- tar um forno de microondas doméstico de forma adequada e segura para realização de reações de transesterificação, e otimizar o processo de produção de biodiesel por microondas usando óleo de coco babaçu como matéria prima. Para este fim, foi usado um planejamento composto central no qual se variou o tempo de irradiação, concentração de KOH e razão óleo:metanol. Análises estatísticas foram feitas para avaliarem a significância do modelo usado. As condi- ções experimentais ótimas foram: razão óleo:metanol, 8,59, concentração de KOH, 2,19%, tempo de irradiação, 70 segundos, dando rendimento de aproximadamente 100%. Palavras-chave: Biodiesel, Microondas, Transesterificação, Babaçu. Introdução O óleo de coco babaçu possui característi- cas interessantes para produção de biodiesel, con- siderando que a sua composição é predominan- temente de ácido láurico. Este fato simplifica a reação para produção de biodiesel, pois esse ácido tem cadeia curta [1]. O Biodiesel é um biocombustível obtido a partir de óleos vegetais, gorduras animais ou óleos de frituras usados. Comumente é produzido pelo processo de transesterificação, no qual o óleo reage com um álcool de cadeia curta (metanol ou etanol), na presença de um catalisador homogêneo básico ou ácido. A transesterificação pode ser efe- tuada em batelada ou em fluxo contínuo utilizando aquecimento convencional. Outras metodologias para produção de biodiesel empregam fluidos su- percríticos, craqueamento térmico e aquecimento por microondas [2,3,4]. Na produção de biodiesel sob aquecimento convencional, o calor é transferido ao meio rea- cional a partir da sua superfície por condução e convecção. Sendo assim, os métodos convencio- nais de aquecimento consomem mais energia e um tempo de produção de biodiesel na faixa de 5 a 30 minutos, para obter cerca de 90% de rendimento em ésteres [5,6]. Há alguns anos tem-se observado o cres- cimento do interesse na aplicação de microondas para digestão de amostra para análises inorgâni- cas e biológicas. Além disso, tem havido esforços crescentes para aumentar a taxa de reação de sín- teses orgânicas sob aquecimento por microondas [7]. Os reatores de microondas são muito úteis em laboratórios de Química, existindo no mercado Artigo/Article Ecl. Quím., São Paulo, 34(4): 37 - 48, 2009 Ecl. Quím., São Paulo, 34(4): 37 - 48, 200938 Artigo Article uma grande variedade desses reatores para diver- sas finalidades, porém ainda com custos elevados, o que inviabiliza seu uso como equipamento de rotina em laboratório. Sendo assim, muitos pes- quisadores têm optado por desenvolver projetos próprios de fabricação desses reatores ou utilizar fornos domésticos para fins laboratoriais, com ou sem adaptações [8]. O objetivo deste trabalho é adaptar um for- no de microondas doméstico para reações de tran- sesterificação e otimizar as condições do processo de produção de biodiesel a partir do óleo de coco babaçu com aquecimento por microondas. Parte Experimental Adaptação do forno de microondas O forno de microondas utilizado em to- dos os experimentos foi um Panasonic, modelo NN-S65BK, 220 V, 60 Hz, 35 litros, com gerador de microondas na faixa de freqüência de 2.450 MHz. Como ilustra a Figura 1, para execução dos experimentos de transesterificação sob irra- diação de microondas foi necessário adaptar um balão de vidro de duas bocas e um condensador de alta eficiência acoplados entre si por conec- tores de PTFE (politetrafluoretileno — Teflon®), entre os quais foi inserida uma grade de aço inox 304 com pequenos furos de 1,0 mm de diâmetro, de forma a permitir a passagem de vapores e blo- quear vazamentos de microondas. Além disso, foi inserido um termopar através de um furo de 3,0 mm de diâmetro até a segunda boca do balão. Para o controle de temperatura do forno de microon- das, o termopar foi conectado a um controlador de temperatura com um adaptador eletrônico de acionamento das teclas liga e desliga de forma a automatizar o acionamento e interrupção da irra- diação de microondas. O prato giratório e seu motor de rotação fo- ram retirados do forno. Ecl. Quím., São Paulo, 34(4): 37 - 48, 2009 39 Artigo Article Figura 1 - (a) Forno de microondas doméstico adaptado para produção de biodiesel e (b) Parte interna do forno de microondasDeterminação da potência do forno A determinação da potência do forno de microondas adaptado foi realizada indiretamente pela medida da temperatura da água destilada por um tempo estabelecido, contida em um erlenmeyer po-erlenmeyer po- po- sicionado no centro da cavidade do forno, local onde posteriormente seria posicionado o balão com o meio reacional. O aquecimento foi realizado por 60,0 segundos, nas potências disponíveis no aparelho (P1 a P10). A potência (P) foi determinada pela razão entre a energia absorvida pela água (n . CP ∆T)e o tempo de irradiação conforme a Equação 1, onde n é a quantidade de matéria de água, neste caso 55,6 mols; CP é a capacidade calorífica molar da água (75,3 J K–1 mol–1); ∆T é a variação de temperatura observada em K; e t é o tempo de irradiação (60 s). Todos os experimentos foram feitos em triplicada e calculada a média aritmética [7] P= n . CP ∆T t (1) Ecl. Quím., São Paulo, 34(4): 37 - 48, 200940 Artigo Article Análises físico-químicas do óleo de coco babaçu O óleo de coco babaçu utilizado nas reações de transesterificação foi obtido no comércio local e caracterizado seguindo metodologias normalizadas, segundo a Tabela 1. Tabela 1. Propriedades e métodos para a especificação do óleo de babaçu. Propriedades Métodos Índice de Acidez (mg KOH/g óleo) SMAOFD1 2.201 Índice de Saponificação (mg KOH/g) SMAOFD 2.202 Percentual dos ácidos graxos SMAOFD 2.301 Matéria insaponificável (%) SMAOFD 2.401 Índice de peróxido (meq/kg) SMAOFD 2.501 Umidade e matéria volátil (%) SMAOFD 2.602 Viscosidade Cinemática a 40ºC (mm2/s) ASTM2 D 445 Massa específica a 20ºC (kg/m3) ASTM D 4052 Caracterização do biodiesel a partir do óleo de coco babaçu O biodiesel produzido em condições otimizadas foi submetido a alguns ensaios físico-químicos empregados no controle de qualidade do biodiesel, segundo a Tabela 2. Tabela 2. Algumas propriedades e métodos para a especificação do Biodiesel. Propriedades Métodos Viscosidade Cinemática (mm2/s) a 40ºC ASTM D 445 Massa específica a 20ºC (kg/m3) ASTM D 4052 Ponto de Fulgor (ºC) ASTM D 93 Enxofre Total (% massa), máx. ASTM D 4294 Teor de Ésteres (% massa), máx. CEN* EN 14103 *CEN – Comité Européen de Normalisation Análise cromatográfica Para a quantificação cromatográfica da conversão dos ácidos graxos do óleo de babaçu em és- teres metílicos, utilizou-se um cromatógrafo a gás, marca VARIAN, modelo CP-3800, acoplado a um detector de ionização em chama (CG-DIC). O cromatógrafo possui um injetor com divisão de fluxo (1:50) e uma coluna capilar de sílica fundida VARIAN (5% fenil e 95% dimetilpolisiloxano) com di- mensões de 30 m × 0,25 mm × 0,25 µm. As seguintes condições cromatográficas foram utilizadas: 1,0 µL de volume de injeção; hélio com 99,95% de pureza, como gás de arraste, com um fluxo de 1,2 Ecl. Quím., São Paulo, 34(4): 37 - 48, 2009 41 Artigo Article mL min–1; temperaturas no detector e no injetor de 300 e 290ºC, respectivamente; programação de temperatura no forno de 150oC por 1 min, rampa de 150 a 240oC a 10oC min–1 e 240oC por 2 min; rampa de 240 a 300oC a 15oC min-1 e 300oC por 5 min. Inicialmente injetou-se um padrão de mistura de ésteres metílicos utilizando o mesmo método, para a identificação dos picos nos cromatogramas de cada amostra de biodiesel. Produção do biodiesel com aquecimento por mi- croondas O processo de produção de biodiesel metí- lico a partir de óleo de coco babaçu (BMB) con- sistiu nas etapas descritas pelo fluxograma apre- sentado na Figura 2. SECAGEM (90ºC, 5 h) ÓLEO DE COCO BABAÇU (50 g) ADIÇÃO DO CATALISADOR PREPARAÇÃO DO CATALISADOR (metóxido de potássio) TRANSESTERIFICAÇÃO SOB MICROONDAS DECANTAÇÃO (12 h) E REMOÇÃO DA GLICERINA LAVAGEM ÁCIDA (HCl a 1%) NEUTRALIZAÇÃO (água destilada) P U R I F I C A Ç Ã O SECAGEM (110°C, 5 h) Figura 2 - Fluxograma do processo de produção do BMB. Planejamento experimental Para uma avaliação mais precisa da influ- ência das variáveis sobre o rendimento da reação de transesterificação do óleo de coco babaçu, uti- lizou-se um planejamento composto central com três fatores, sendo os resultados avaliados através da aplicação de Metodologia de Superfície de Res- posta (MSR) e Análises de Resíduos [9,10]. Para tratamento dos dados e obtenção dos gráficos es- tatísticos foi utilizado o programa Statistica® 7.0, utilizando-se o módulo de estimação não-linear para se obter uma equação empírica que represen- tasse os dados experimentais obtidos. A partir des- sa equação empírica, utilizou-se o pacote Solver do Excel® para a obtenção do ponto de máximo rendimento em teor de ésteres. Como apresentado na Tabela 3, as variá- veis avaliadas foram: razão óleo/metanol, concen-razão óleo/metanol, concen- tração de KOH e tempo de reação. A massa do óleo de coco babaçu, a potência e a temperatura usadas em todos os experimentos foram mantidos constantes em 50,0 g, 255 W (P9) e 60,0 ± 10ºC, respectivamente. Ecl. Quím., São Paulo, 34(4): 37 - 48, 200942 Artigo Article Tabela 3. Planejamento Composto Central realizado. Níveis Variáveis –1,68 –1 0 +1 +1,68 Razão óleo:MeOH 1:3,6 1:5 1:7 1:9 1:10,4 Teor de KOH (%) 0,66 1,0 1,5 2,0 2,34 Tempo de reação (s) 26,4 40 60 80 93,6 Resultados e discussão Adaptação do forno de microondas doméstico O condensador de alta eficiência adaptado ao forno para evitar a perda de álcool por eva- poração, e os furos feitos com diâmetros de 1,0 mm, menores que o comprimento de onda mínimo possível para as microondas [11,12], foram efi- cazes, não tendo sido detectado em nenhum dos experimentos o vazamento de álcool e nem de mi- croondas. O controlador de temperatura com o adap- tador eletrônico apresentou um bom funciona- mento na faixa de temperatura utilizada. Não foi adaptado nenhum tipo de sistema de agitação no forno, porque foi percebido em testes pré-liminares que seria possível fazer as re- ações sem necessidade de agitação. A determinação da potência no forno mos- trou que, nos diferentes níveis (P1 a P10), ela per- manece praticamente a mesma, sendo o nível de potência P9 (255 W de potência, em média) o que mostrou o menor desvio-padrão. Caracterização do óleo de coco babaçu Análises físico-químicas Embora não exista uma especificação ofi- cial para os óleos vegetais utilizados na produção de biodiesel, estudos revelaram que elevados ín- dices de acidez e umidade, por exemplo, reduzem o rendimento da reação [3]. Os resultados obtidos e mostrados na Tabela 4 apresentaram um índice de acidez e um teor de umidade dentro das faixas consideradas aceitáveis para produção de biodie- sel: 2,00 mg de KOH por grama de óleo e 0,50%, respectivamente [13]. O índice de acidez indica a quantidade em massa de hidróxido de potássio necessária para neutralizar os ácidos graxos livres (AGL) não- esterificados. Em meio básico, os AGL formam os sais de ácidos graxos (sabões) responsáveis pela formação de emulsão durante a lavagem do bio- diesel, reduzindo assim o rendimento da reação [14]. O óleo de coco babaçu apresentou índice de peróxido de 1,14 meg kg–1, indicando uma baixa deterioração oxidativa, pois nos óleos este índice não deve ultrapassar o valor de 10 meg kg–1 de amostra [15]. A viscosidade aumenta com o com- primento das cadeias dos ácidos graxos dos tri- glicerídeos e diminui quando aumenta o número de insaturações [14]. A viscosidade relativamen- te alta dos óleos, superior à da água, deve-se às atrações intermoleculares das grandes cadeias dos ácidos graxos, que constituem os triglicerídeos. A Tabela 4 demonstra que a viscosidade do óleo de coco babaçu foi de 34,84 mm2 s–1 a 40ºC, carac- terístico de oleaginosa constituída principalmente de ácidos graxos saturados. Ecl. Quím., São Paulo, 34(4): 37 - 48, 2009 43 Artigo Article Tabela 4. Análises físico-químicas do óleo de coco babaçu. Parâmetros Óleo de coco babaçu Índice de Acidez (mg KOH / g óleo) 0,530 Umidade e matéria volátil (%) 0,034 Índice de peróxido (meq/kg) 1,136 Matéria insaponificável (%) 0,200 Índice de Saponificação (mg KOH/g) 119,9 Viscosidade Cinemática (mm2/s) 34,84 Massa específica a 20 ºC (kg/m3) 0,923 Análise cromatográfica Os ésteres obtidos foram analisados por cromatografia gasosa (CG-DIC), através da qual obser- vou-se que a composição em ácidos graxos do óleo de coco babaçu utilizado estava próxima da compo- sição teórica para esse óleo [1], como apresentado na Tabela 5. Tabela 5. Percentuais de ácidos graxos no óleo de coco babaçu. Ácidos Graxos Massa Molar % Simbologia Tipo C 08:0 Ácido Caprílico 144 1,04 C 10:0 Ácido Cáprico 172 4,97 C 12:0 Ácido Láurico 200 27,32 C 14:0 Ácido Mirístico 228 19,13 C 16:0 Ácido Palmítico 256 14,35 C 18:0 Ácido Esteárico 284 24,87 C 18:1 (9) Ácido Oléico 282 C 18:2 (9,12) Ácido Linoléico 280 7,61 Outros — 0,61 Planejamento Composto Central para a produção do biodiesel de óleo de coco babaçu A matriz do planejamento experimental para o BMB foi o fatorial 23 com 4 pontos centrais e 6 pon- tos axiais. Utilizaram-se como variáveis independentes a razão de quantidade de matéria óleo:metanol (x1), o teor de KOH (x2) e o tempo de irradiação (x3); e como variável dependente o teor de ésteres, conforme apresentado na Tabela 6. A metodologia de produção de biodiesel a partir do óleo de coco babaçu aplicada nesse trabalho foi eficiente, e ainda, obteve-se uma considerável redução no tempo de reação, já que foram obtidos rendimentos acima de 90,0% em teor de ésteres em tempos de irradiação menores que 30 segundos, enquanto que, em métodos que utilizam aquecimento convencional obtêm-se tempos de reação maiores que 5,0 minutos [5,6]. É possível que essa drástica redução no tempo de reação ocorra devido alta taxa Ecl. Quím., São Paulo, 34(4): 37 - 48, 200944 Artigo Article de aquecimento, causada pela excelente capacidade do metanol em absorver as microondas irradiadas e converter essa energia em calor (tan ∂ = 0,941), ou ainda, pela presença de íons no meio reacional proveniente do KOH que, poderão movimentar-se no meio por influência do campo elétrico, resultando na conversão da energia produzida pelo aumento na taxa de colisões em calor [12]. Tabela 6. Matriz do Planejamento realizado Ensaios Variáveis dependentes (%) Ésteresx 1 x 2 x 3 1 –1 –1 –1 93,66 2 –1 –1 +1 92,27 3 –1 +1 –1 97,20 4 –1 +1 +1 98,22 5 +1 –1 –1 97,88 6 +1 –1 +1 94,53 7 +1 +1 –1 98,52 8 +1 +1 +1 98,79 9 –1,68 0 0 95,49 10 +1,68 0 0 96,19 11 0 –1,68 0 95,31 12 0 +1,68 0 99,07 13 0 0 –1,68 97,81 14 0 0 +1,68 97,53 15 0 0 0 97,58 16 0 0 0 98,03 17 0 0 0 97,44 18 0 0 0 98,31 Metodologia de Superfície de Resposta O Método da Superfície de Resposta (MSR) é uma técnica estatística muito útil para a mode- lagem e a análise de problemas nos quais as respostas são influenciadas por várias variáveis e que o objetivo é a otimização da resposta [10,16]. A partir do módulo de estimação não-linear, obteve-se um polinômio com o maior coeficiente de determinação possível que representasse os pontos experimen- tais, mostrado na Equação 2. 6 influência do campo elétrico, resultando na conversão da energia produzida pelo aumento na taxa de colisões em calor [12]. (Tabela 6) Metodologia de Superfície de Resposta O Método da Superfície de Resposta (MSR) é uma técnica estatística muito útil para a modelagem e a análise de problemas nos quais as respostas são influenciadas por várias variáveis e que o objetivo é a otimização da resposta [10,16]. A partir do módulo de estimação não-linear, obteve-se um polinômio com o maior coeficiente de determinação possível que representasse os pontos experimentais, mostrado na Equação 2. 2 3 2 2 2 1122331 2 2221 2 2 1112 2 222 2 1113223311321123322110 xxxxx xxxxxxxxxxxxxy 1  (2) A Figura 3 mostra o gráfico de contorno da interação das variáveis KOH  óleo:MeOH, para um tempo de irradiação de 60 s, onde a partir de uma avaliação isolada dessa interação observa-se uma ampla faixa em que pode-se obter rendimento de 100% em teor de ésteres, demonstrando uma boa robustez do processo de produção biodiesel testado. (Figura 3) Ainda na Figura 3, mostra-se o ponto ótimo para a produção de BMB com aquecimento por microondas que foi estimado pelo Solver a partir da Equação 2: razão óleo/MeOH, 8,59; KOH, 2,19%; e tempo, 70 s, como pode ser percebido, todos os valores estão dentro da faixa estudada nesse trabalho o que denota um modelo robusto e preditivo. Análise de resíduos A análise de resíduos é imprescindível para avaliar o ajuste de qualquer modelo. Um modelo que deixe muitos resíduos é um modelo ruim. Em um modelo ideal não haveria resíduos, ou seja, os resultados observados seriam iguais aos previstos [10,16]. A Tabela 7 demonstra que todos os parâmetros utilizados no modelo não-linear, são estatisticamente significativos, pois nenhum destes tem um limite de confiança que o anule. A partir da análise de variância (ANOVA) determinou-se o valor da estatística F, que consiste na razão da média quadrática devido à regressão sobre a média quadrática devido ao erro, conforme a Tabela 8. A análise de regressão foi significativa, visto que o valor calculado de F11,6 (13,54) é maior que o FR,r tabelado (4,03) e para a falta de ajuste, o valor calculado de F3,3 (0,14) foi menor que o Ffaj,ep tabelado (9,28), mostrando que o modelo é preditivo e significativo no nível de confiança de 95%, além de não apresentar falta de ajuste dentro da faixa avaliada [10,16,6]. (2) Ecl. Quím., São Paulo, 34(4): 37 - 48, 2009 45 Artigo Article A Figura 3 mostra o gráfico de contorno da interação das variáveis KOH × óleo:MeOH, para um tempo de irradiação de 60 s, onde a partir de uma avaliação isolada dessa interação observa-se uma am- pla faixa em que pode-se obter rendimento de 100% em teor de ésteres, demonstrando uma boa robustez do processo de produção biodiesel testado. Figura 3 - Gráfico de contorno da interação KOH × óleo:MeOH para o tempo de irradiação de 60 s (variáveis codificadas). Ainda na Figura 3, mostra-se o ponto ótimo para a produção de BMB com aquecimento por mi- croondas que foi estimado pelo Solver a partir da Equação 2: razão óleo/MeOH, 8,59; KOH, 2,19%; e tempo, 70 s, como pode ser percebido, todos os valores estão dentro da faixa estudada nesse trabalho o que denota um modelo robusto e preditivo. Análise de resíduos A análise de resíduos é imprescindível para avaliar o ajuste de qualquer modelo. Um modelo que deixe muitos resíduos é um modelo ruim. Em um modelo ideal não haveria resíduos, ou seja, os resul- tados observados seriam iguais aos previstos [10,16]. Ecl. Quím., São Paulo, 34(4): 37 - 48, 200946 Artigo Article A Tabela 7 demonstra que todos os parâmetros utilizados no modelo não-linear, são estatistica- mente significativos, pois nenhum destes tem um limite de confiança que o anule. Tabela 7. Estimativa dos parâmetros para o modelo para o BMB. Parâmetros Coeficientes Limite de Conf. β0 97,780 ± 0,164 β1 0,208 ± 0,169 β2 1,118 ± 0,169 β3 -0,287 ± 0,109 β12 -0,574 ± 0,142 β13 -0,339 ± 0,142 β23 0,754 ± 0,142 β11 -0,687 ± 0,116 β22 β112 β221 β112233 -0,210 0,681 0,838 -0,503 ± 0,116 ± 0,221 ± 0,221 ± 0,207 A partir da análise de variância (ANOVA) determinou-se o valor da estatística F, que consiste na razão da média quadrática devido à regressão sobre a média quadrática devido ao erro, conforme a Tabela 8. Tabela 8. Análise de Variância do modelo para produção de Biodiesel a partir de óleo de coco babaçu com aquecimento por microondas. Fonte de variação S. Q. G. L. M. Q. Fcalc. Ftab. Regressão 60,40 11 5,49 13,54 4,03 Resíduos 1,11 6 0,18 Falta de ajuste 0,62 3 0,21 0,14 9,28 Erro puro 0,48 3 0,16 Total 61,51 17 % de variação explicada: % máxima de variação explicável: 0,982 0,992 A análise de regressão foi significativa, visto que o valor calculado de F11,6 (13,54) é maior que o FR,r tabelado (4,03) e para a falta de ajuste, o valor calculado de F3,3 (0,14) foi menor que o Ffaj,ep tabelado (9,28), mostrando que o modelo é preditivo e significativo no nível de confiança de 95%, além de não apresentar falta de ajuste dentro da faixa avaliada [10,16,6]. Ecl. Quím., São Paulo, 34(4): 37 - 48, 2009 47 Artigo Article O ajuste do modelo também foi expres- so pelo coeficiente de determinação (R2), igual a 0,982 para o rendimento em teor de ésteres do BMB; demonstrando que esse modelo explica 98,2% dos 99,2% de variação explicável. Como o valor de R2 está próximo ao teórico, pode-se dizer que a modelagem mostrou-se adequada. O gráfico do valor observado versus valor previsto pelo modelo é outra forma de se analisar a qualidade do ajuste do modelo estudado. A Fi- gura 4 confirma que o modelo tem um bom ajuste, sendo que os valores previstos e observados são semelhantes, e ainda, que os resíduos estão nor- malmente distribuídos. Previsto = 1,7444+0,982*x 91 92 93 94 95 96 97 98 99 100 Observado 91 92 93 94 95 96 97 98 99 100 P revisto (a) -0,6 -0,5 -0,4 -0,3 -0,2 -0,1 0,0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 Resíduos -2,5 -2,0 -1,5 -1,0 -0,5 0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 V alor N orm al E sperado 0.01 0.05 0.15 0.30 0.50 0.70 0.85 0.95 0.99 (b) Figura 4 - Gráfico dos resíduos: valores previstos × valores observados; (b) Gráfico da probabilidade normal dos resíduos.Conclusão As adaptações no forno de microondas para produção de biodiesel de óleo de coco baba- çu foram realizadas com sucesso, funcionando de forma eficiente e segura. O tempo de reação foi reduzido no mínimo em 10 vezes em relação aos métodos convencionais e sem detecção de vaza- mentos de irradiação de microondas. O óleo de coco babaçu demonstrou ser uma boa alternativa como matéria-prima para produ- ção de biodiesel, considerando que a qualidade desse óleo é adequada para a transesterificação e que foram obtidos elevados rendimentos de bio- diesel dentro dos padrões de qualidade exigidos pelas legislações vigentes. O modelo de regressão, no nível de 95% de confiança, mostrou que dos 99,2% de variação explicável para o rendimento em teor de ésteres do BMB, foi possível explicar 98,2% dessas va- riações com a equação empírica estimada. O ponto ótimo para produção de BMB com aquecimento por microondas encontrado foi: ra- zão óleo/MeOH, 8,59; KOH, 2,19%; e tempo, 70 s. Agradecimentos Agradecemos a FAPEMA pelo financia- mento da bolsa e ao CNPq pelo fomento desta pesquisa. Ecl. Quím., São Paulo, 34(4): 37 - 48, 200948 Artigo Article ABSTRACT: Reactions under microwave heating present reduced reaction times and larger yields. Therefore, this work is aimed at adapting a domestic microwave oven and optimizing the transesterification reaction used in biodiesel production with microwave heating, using ba- baçu coconut oil as raw material. It was used a central composite design for varying irradiation time, KOH concentration, and oil:methanol ratio. Statistical analyses were performed in order to assess the significance of the model used. The optimized experimental conditions were: oil:methanol ratio, 8.59; KOH concentration, 2.19 %; and irradiation time, 70 seconds, giving an yield of approximately 100% regarding esters formation. Keywords: Biodiesel, Microwave, Transesterification, Babaçu. Referências [1]. http://www.anvisa.gov.br/, acessada em agosto de 2007. [2]. Lertsathapornuk, V.; Ruangying, P.; Pairintra, R.; Kris-Lertsathapornuk, V.; Ruangying, P.; Pairintra, R.; Kris- nangkura, K.; Chindaruksa, S.; Proceedings of the 1st Interna- tional conference on sustainable energy and green architec- ture, Bangkok, Thailand, 2003. [3]. Ferrari, R. A.; Oliveira, V. da S.; Scabio, A.; Quím. Nova 2005, 28, 19. [4]. Urioste, D.; Castro, M. B. A.; Biaggio, F. C.; de Castro, H. F.; Quím. Nova 2008, 31, 407. [5]. Froehner, S.; Leithold, J.; Lima-Junior, L. F.; Quím. Nova 2007, 30, 2016. [6]. de Moura, J. M. L. N.; Gonçalves, L. A. G.; Grimaldi, R.; Soares, M. da S.; Ribeiro, A. P. B.; Quím. Nova 2006, 29, 956. [7]. Jeyashoke, N.; Krisnangkura, K.; Chen, S.; J. Chromato- graphy A 1998, 818, 133. [8]. da Silva, F. de C.; Ferreira, V. F.; de Souza, M. C. B. V.; Quím. Nova 2006, 29, 376. [9]. Rodrigues, M. I.; Iemma, A. F.; Planejamento de experi- mentos. 1ª ed., Campinas - SP, 2005. [10]. Neto, B. de B.; Scarminio, I. S.; Bruns, R. E.; Como fazer experimentos. 3ª ed., Unicamp: Campinas-SP, 2007. [11]. Sanseverino, A. M.; Quím. Nova 2002, 25, 660. [12]. Lindstrom, P.; Tierney, J.; Wathey, B.; Westman, J.; Tetrahedron 2001, 57, 9225. [13]. Canakci, M.; Gerpen, J.; Van, J.; Transactions of the ASAE 2001,44, 1429. [14]. Moretto, E.; Fett, R.; Óleos e Gorduras vegetais - Na indústria de alimentos, Varela: São Paulo-SP, 1998. [15]. Malacrida, C. R.; Braz. J. Food. Technol. 2003, 6, 245. [16]. Montgomery, D. C.; Design and Analyses of Experi- ments, Wiley: New York, 2001.