TOWARDS AN OBJECTIVE EVALUATION OF TEACHER PERFORMANCE Página web: http://epaa.asu.edu/ojs/ Artigo recebido: 26/07/2017 Facebook: /EPAAA Revisões recebidas: 19/12/2017 Twitter: @epaa_aape Aceito: 29/12/2017 arquivos analíticos de políticas educativas Revista acadêmica, avaliada por pares, independente, de acesso aberto, e multilíngüe Arizona State University Volume 26 Número 39 19 de março de 2018 ISSN 1068-2341 Acesso à Educação Superior: o ProUni em Foco Vera Lucia Felicetti Universidade La Salle Brasil & Alberto F. Cabrera Maryland University Estados Unidos Citação: Felicetti, V. L. & Cabrera, A. F. (2018) Acesso à Educação Superior: O ProUni em foco. Arquivos Analíticos de Políticas Educativas, 26(39). http://dx.doi.org/10.14507/epaa.26.3289 Resumo: O foco deste artigo é o acesso à Educação Superior (ES) no Brasil e o Programa Universidade para Todos (ProUni). A pesquisa teve por objetivos identificar se o ProUni está cumprindo com o propósito de oportunizar o acesso à ES a estudantes de grupos vulneráveis, e se há diferenças nas características iniciais dos egressos ProUni e não ProUni quando do ingresso na ES. Foi usada abordagem quantitativa com objetivo explicativo e estatística descritiva e de inferência na análise. Os participantes foram 57 bolsistas e 140 não bolsistas ProUni já egressos de uma Instituição Comunitária do Sul do Brasil ingressantes nela em 2005. Os resultados mostram que: o ProUni proporcionou o acesso a estudantes de uma faixa etária mais jovem à dos que não foram bolsistas; oportunizou o ingresso de um contingente maior de mulheres e teve uma proporção maior de não brancos em relação aos não bolsistas; entre os bolsistas ProUni, 12,28% tinham renda per capita mensal superior a três salários mínimos; ingressantes ProUni tiveram propensão maior a escolherem cursos de licenciatura; e os egressos não ProUni tenderam a ser mais motivados por fatores intrínsecos e os ProUni por fatores extrínsecos quando da escolha do curso. Palavras-chave: Educação Superior; Acesso; Egresso; ProUni http://epaa.asu.edu/ojs/ http://dx.doi.org/10.14507/epaa.26.3289 Acesso à Educação Superior: O ProUni em foco 2 Access to higher education: ProUni in focus Abstract: The focus of this article is the access to Higher Education in Brazil and the University for All Program (ProUni). The research aimed to understand if ProUni is complying with its objective of creating opportunities to students from vulnerable groups for accessing Higher Education, and if there are differences in the baseline characteristics of ProUni graduates and non-ProUni graduates when admitted in a Higher Education. Using a quantitative approach with explanatory goal, data were analyzed via descriptive and inference statistics. Survey participants included 57 ProUni and 140 non-ProUni graduates; all were already Higher Education graduates from a non-profit institution in Southern Brazil and had accessed this level of education in 2005. The results show that ProUni provided access to Higher Education to a younger group of students than the non-ProUni group. The ProUni group also contained a larger number of women and a higher proportion of non- whites than the other group. Among ProUni scholarships, 12.28% had a per capita income higher monthly to three minimum wages and had a higher probability of choosing a licentiate/undergraduate degree. The graduates of the non-ProUni group tended to be more motivated by intrinsic factors, while the ProUni group is motivated by extrinsic factors when choosing courses. Keywords: Higher Education; Access; Graduate; ProUni El acceso a la Educación Superior: ProUni en foco Resumen: El eje de este artículo es el acceso a la Educación Superior (ES) en Brasil y el Programa Universidad para Todos (ProUni). El estudio dirigido a identificar si ProUni está cumpliendo con el objetivo de crear oportunidades de acceso a la ES para estudiantes de grupos vulnerables, y si hay diferencias en las características basales entre los graduados que tuvieron e aquellos que no tuvieron la beca ProUni cuando ingresaron en la universidad. Fue utilizado enfoque cuantitativo con el objetivo explicativo. Los datos fueron analizados a través de estadística descriptiva e inferencia. Los participantes fueron 57 becarios y 140 compañeros no ProUni ya graduados de la ES de una institución comunitaria del sur de Brasil que ingresaron en ella en 2005. Los resultados muestran que ProUni proporciona acceso a los estudiantes de un grupo de edad más joven de los que no tenían la beca; ha proporcionado una oportunidad a la entrada de un mayor número de mujeres y tenían una mayor proporción de los no blancos en comparación con los no becarios; entre los compañeros ProUni, 12.28% tenían un ingreso per cápita mensual más alto de tres salarios mínimos; estudiantes de primer año ProUni tienen una mayor propensión a elegir los cursos de grado; graduados no ProUni tendían a estar más motivados por factores intrínsecos que ProUni mientras éstos estaban más motivados por factores extrínsecos al elegir el curso. Palabras-clave: Educación Superior; Acceso; Graduado; ProUni Introdução A Educação Superior tem papel fundamental na transformação da sociedade, uma vez que contribui, ou pelo menos deveria contribuir, em todas as áreas profissionais e âmbitos da população, com pessoas preparadas a exercerem com competência diferentes funções e/ou atividades para as quais foram preparadas. Nesta acepção, Felicetti (2011, p. 223) cita, em uma de suas pesquisas, as falas de egressos da Educação Superior que foram bolsistas ProUni: “[...] pessoas com formação superior ajudam a cidade a ficar melhor, modificam o meio onde vivem, as pessoas ficam mais educadas”, principalmente, segundo a autora, porque um bom número de egressos desse grau de ensino atua nos demais âmbitos educacionais, como professores, por exemplo (Felicetti, 2012), denotando, assim, um caminho cíclico no ínterim educacional. Arquivos Analíticos de Políticas Educativas Vol. 26, No. 39 3 Não se está aqui, entretanto, querendo remeter toda a responsabilidade de desenvolvimento ou melhorias necessárias a um país aos egressos da Educação Superior, tampouco aos professores nela formados, mas o que se quer conjecturar é que pessoas mais bem-educadas podem contribuir positivamente para mudanças na sociedade. Isso pode ocorrer, pois se espera dos graduados o aumento da capacidade de crítica, de análise e sentido de justiça social. Espera-se que saibam não somente exercer com competência o ofício para o qual foram preparados, muito menos apenas identificar o certo ou errado, mas, principalmente, fazer o certo: ser justo, responsável e coerente com os valores e princípios norteadores de qualquer formação educacional. Supõe-se que pessoas com maior capacidade argumentativa e conhecimento possam ser seres humanos, cidadãos e profissionais melhores, embora isso, muitas vezes, não aconteça. Presume-se que uma formação em âmbito superior possa abrir portas não somente para o conhecimento, mas também para a cidadania; que o conhecimento adquirido, bem que ninguém pode tirar, possa fazer a pessoa sentir-se valorizada, confiante e motivada a enfrentar as dificuldades e fazer-se respeitada pelas classes mais favorecidas (Felicetti, 2011; Felicetti; Morosini & Somers, 2013). Sabe-se, historicamente, que para estudantes oriundos de classes mais favorecidas economicamente o acesso à Educação Superior não foi e ainda não é problema em virtude das “características iniciais” que os contemplam, entre elas as socioeconômicas. Estas têm papel preponderante quando se trata de Educação Superior, uma vez que o poder aquisitivo está associado às oportunidades de preparo no que concerne ao ingresso nesse grau de ensino, tais como o acesso às melhores escolas e diferentes cursos preparatórios. Por outro lado, estudantes pertencentes às classes menos favorecidas economicamente estão à mercê do oferecido pela educação pública, em questão aqui a brasileira, a qual vem provando ao longo dos anos não estar respondendo aos anseios da sociedade, e muito menos preparando seus estudantes para competir igualitariamente com seus pares ao acesso universitário e ao mercado de trabalho. Diante da fragilidade na base da formação educacional oferecida na rede pública nos níveis que precedem a universidade, o acesso a ela tem sido um desafio para uma boa parcela da população brasileira, em especial àquela com as piores “características iniciais”; estas correspondem às dificuldades ou barreiras que uma pessoa tem, independente do seu querer. Roemer (1998) identifica as “características iniciais” como sendo sexo, idade, raça/etnia, deficiências, família ou aspectos socioeconômicos. No contínuo da relevância da formação em nível superior, tem-se o Plano Nacional de Educação (PNE), decênio 2014-2024 (Brasil, 2014). Este objetiva, na sua Meta 12, elevar a taxa bruta de matrícula na Educação Superior para 50% e a taxa líquida para 33% da população de 18 a 24 anos, assegurando a qualidade da oferta. Para tanto, a Meta 12 do PNE tem, entre suas 21 estratégias, a de número 5, que visa a ampliar as políticas de inclusão e de assistência estudantis voltadas aos estudantes de instituições públicas, aos bolsistas de instituições privadas de Educação Superior, bem como aos beneficiários do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Com isso, objetiva-se reduzir as desigualdades étnico-raciais e ampliar as taxas de acesso e permanência na Educação Superior de estudantes oriundos da escola pública, indígenas, afrodescendentes e estudantes com deficiência, altas habilidades ou superdotação e transtornos globais do desenvolvimento (Brasil, 2014). A Meta mencionada é justificável, pois dos 28,6% da população brasileira com idade entre 18 e 24 anos, que encontravam-se estudando em 2013, apenas 15,7% pertenciam ao Ensino Superior (IBGE, 2013). Diante do pretendido na Meta 12 e do percentual apresentado, observa-se a relação entre o objetivado na Meta e a realidade brasileira, ou seja, há necessidade do aumento do acesso a esse grau de ensino, associando a ele a igualdade de oportunidades. Evidencia-se, assim, que a distribuição dos gastos educativos quanto ao acesso a esse nível de ensino deve vir a compensar as Acesso à Educação Superior: O ProUni em foco 4 possíveis “características iniciais” dos candidatos à Educação Superior. A variação da renda, portanto, é um aspecto importante a ser considerado quando da formulação de programas e políticas que objetivam a ampliação do acesso às classes mais altas de escolaridade (Andrade, 2012). Nesta direção, o Programa Universidade para Todos (ProUni), Lei Nº 11.096, de 13 de janeiro de 2005, é destinado à concessão de bolsas1 integrais ou parciais a brasileiros sem diploma, para estudarem em instituições privadas de Educação Superior, sendo estas com ou sem fins lucrativos. Conforme o artigo 1º, §§ 1º e 2º, da Lei Nº 11.096, a bolsa integral é concedida a brasileiros com renda familiar mensal per capita que não exceda o valor de até um salário-mínimo e meio. Para as bolsas parciais (50% ou 25%), a renda familiar mensal per capita não deve exceder ao valor de até três salários-mínimos, mediante critérios definidos pelo Ministério da Educação (Brasil, 2005). O ProUni surge ante a demanda pelo acesso à Educação Superior, bem como pelas vagas ociosas nesse nível de ensino em instituições não públicas, uma vez que estas correspondiam a 89,3% das 2.165 Instituições de Ensino Superior (IES) existentes no Brasil em 2005 (INEP, 2005). As Instituições de Educação Superior privadas brasileiras têm importante papel no cenário educacional do país, e, junto a elas, o ProUni, pois este proporciona a uma parcela populacional o acesso à universidade que, sem ele, não teria. Diante da tríade Educação Superior, acesso e ProUni, este artigo tem as seguintes questões de pesquisa: o ProUni está cumprindo com o objetivo de criar oportunidades de acesso ao Ensino Superior a estudantes oriundos de grupos vulneráveis? Existem diferenças nas “características iniciais” dos egressos ProUni e não ProUni quando do ingresso na Educação Superior? Respostas a tais questões correspondem aos resultados da primeira2 parte das análises realizadas junto a um banco de dados proveniente das respostas de egressos da Educação Superior ingressantes em uma IES Comunitária do Rio Grande do Sul em 2005. Aporte Teórico A temática do acesso à Educação Superior vem sendo estudada no contexto brasileiro sob diferentes perspectivas. Entre elas, perspectivas históricas relacionadas à legislação federal acerca da temática (Almeida, 2006); estudos envolvendo grupos específicos, tais como deficientes visuais (Carvalho, 2001), classe operária (Barbosa, 2012), minorias étnicas (Maia, 2007; Gianezini, 2014); acesso via Educação a Distância (Carneiro, 2006; Lordsleem, 2011); programas de avaliação para o acesso – como o Sistema de Avaliação do Ensino Médio (Saem) de Santa Catarina (Schlichting, 2002), o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) (Santos, 2013), vestibulares (Baroni, 2010; Russo, 2015); programa de Financiamento Estudantil (Fies) para estudantes matriculados em cursos superiores não gratuitos (Corcini, 2007); sistemas de cotas (Maia, 2007) – e estudos que abordam o Programa Universidade para Todos. Este Programa, que entrou no seu 13º aniversário em 2017, vem, ao longo de sua existência, gerando inúmeros debates e diferentes pontos de vista. Para diversos autores, o ProUni promove mais do que o acesso e inclusão à Educação Superior de uma camada da população que, sem ele, não teria como ingressar (Carvalho, 2011; Feldman, 2010; Lima, 2007; Reis, 2008; Silva, 2006); ele também contribui para que jovens brasileiros alcancem suas metas de vida, ampliem seus conhecimentos, consigam crescimento pessoal e profissional e uma boa inserção no mercado de 1 Bolsa de estudo refere-se às semestralidades ou anuidades escolares fixadas com base na Lei no 9.870, de 23 de novembro de 1999. 2 Este artigo corresponde a primeira análise realizada com os dados do projeto intitulado Bolsistas ProUni e Não ProUni ingressantes no Ensino Superior em 2005 em uma IES: Onde e como estão os egressos? Arquivos Analíticos de Políticas Educativas Vol. 26, No. 39 5 trabalho. Além disso, proporciona o desenvolvimento do capital social e amplia redes de relacionamento, uma vez que convivem no meio acadêmico com pessoas de outras classes sociais (Ferreira, 2009). Se, por um lado, o ProUni é destacado por estar proporcionando o acesso à Educação Superior, por outro ele é criticado por não ser suficiente para a permanência do estudante no meio acadêmico até a integralização do curso (Rodrigues, 2008). Autores como Oliveira (2012) e Silva (2011) apontam a necessidade de políticas públicas e diretrizes voltadas às instituições de Ensino Superior aderentes ao Programa, de modo a proporcionar a permanência dos bolsistas na instituição. Mello (2007) ainda ressalta a necessidade de políticas voltadas à Educação Básica pública para melhorar a qualidade do ensino nesse nível, possibilitando aos alunos oriundos dela a competirem igualitariamente com seus pares das escolas privadas a uma vaga em IES pública. Também há estudos que sinalizam o Programa como uma operação de salvamento de IES privadas, como modo de redução do financiamento público em detrimento do privado como uma alternativa geradora de lucros, e ainda destacam ser uma forma de mascarar os interesses internacionais (Almeida, 2006; Benitez, 2007). O ProUni ainda é estudado sob diferentes perspectivas, algumas envolvendo uma diversidade de sujeitos, focos de investigação, como bolsistas (Mongim, 2010; Pereira Filho, 2011), gestores (Krames, 2010), professores (Rodrigues, 2008), egressos (Costa, 2012; Felicetti, 2011; Oliveira, 2012) e outros de cunho documental (Carvalho, 2011; Gonçalves de Sousa, 2008; Marinelli, 2010; Oliveira, 2007; Rocha 2009). Estudos envolvendo aspectos relacionados às “características iniciais” dos ingressantes na Educação Superior, entretanto, são incipientes no Brasil, em extensão estudos envolvendo ingressantes ProUni (Felicetti, 2011), bem como comparando estes com ingressantes não ProUni. Em países como os Estados Unidos, por exemplo, os aspectos voltados às “características iniciais” dos estudantes universitários vêm sendo estudados por diferentes autores ao longo do tempo, e têm mostrado que o resultado de uma formação acadêmica é afetado por uma série de características que envolvem o acesso à universidade, não somente a prova de admissão (Astin, 1977, 1993; Feldman & Newcomb, 1969; Pascarela & Terenzini, 1991). Segundo esses autores, muitas das características referentes ao acesso estão relacionadas ao ambiente no qual os estudantes estão. Deste modo, há necessidade de avaliar o ambiente tanto interno quanto externo à universidade durante o percurso acadêmico do aluno, assim como as “características iniciais” de sua entrada, para poder, então, avaliar os resultados da Graduação. Estudar o impacto da Graduação requer uma estrutura conceitual, a qual é fornecida pelo Modelo Input, Environment, Outputs – I.E. O de Astin (1991), que envolve acesso, ambiente e saída. O modelo de Astin descreve o aluno no ponto de acesso, observa aspectos ambientais e experiências educacionais do estudante após o ingresso na faculdade e avalia resultados após o percurso acadêmico. Nesta direção, este artigo apresenta uma análise envolvendo aspectos voltados às “características iniciais” de egressos da Educação Superior que ingressaram em uma IES Comunitária do Rio Grande do Sul em 2005. Metodologia Este estudo teve abordagem quantitativa com objetivo explicativo, e procurou responder os seguintes questionamentos: O ProUni está cumprindo com o objetivo de criar oportunidades de acesso ao Ensino Superior a estudantes oriundos de grupos vulneráveis? Existem diferenças nas “características iniciais” dos egressos ProUni e não ProUni quando do ingresso na Educação Superior? Acesso à Educação Superior: O ProUni em foco 6 A abordagem quantitativa se justifica pelo caráter dos problemas aqui delineados, que visam, por intermédio dos dados numéricos, a identificar, no perfil dos sujeitos pesquisados, aspectos capazes de contribuir e aprofundar o entendimento da realidade, explicando a razão e o “porquê” dos questionamentos supra-apresentados. Para Silva e Menezes (2001), estudos desse tipo normalmente assumem formas de pesquisa experimental e ex post-facto, sendo esta última a usada aqui, ou seja, esta investigação foi realizada com egressos da Educação Superior abordando aspectos quando do ingresso dos mesmos na universidade em 2005. Estudos do tipo ex post facto tentam entender e/ou esclarecer os aspectos que envolveram as variáveis em análise, possibilitando, assim, o desencadeamento de novos estudos (Kerlinger, 1984). Os sujeitos participantes desta pesquisa são egressos de uma Instituição de Educação Superior Comunitária do Rio Grande do Sul – Brasil –, ingressantes nos diferentes cursos da Instituição em 2005. Ingressaram 3.967 alunos em 2005, dos quais 1.473 (37,13%) encontravam-se graduados em junho de 2014, quando esta pesquisa teve início. Informações acerca do endereço de contato dos egressos foram fornecidas pela Instituição, como e-mails e telefones, sendo respeitados todos os critérios éticos de sigilo e respeito aos participantes. Não foi possível contatar 822 (55,8%) egressos,3 restando, assim, 651 (44,2%) possíveis participantes. Destes, com 186 (28,57%) sem registro de e-mail na IES, foram contatados inicialmente por telefone e convidados a responder o instrumento de pesquisa via e-mail. Dos contatados inicialmente por telefone, 75 (40,32%) forneceram seus e-mails e responderam ao instrumento. Dos 465 (71,43%) que tinham e-mail válido fornecido pela IES, somente 122 (26,24%) responderam ao instrumento de pesquisa, embora o mesmo tenha sido enviado diversas vezes. Assim, obteve-se o total de 197 questionários respondidos (30,28% dos 651 contatados). O procedimento de ligações telefônicas e (re)envio de e-mails ocorreu de agosto de 2014 a março de 2015, quando já esgotadas todas as possibilidades de contato. Esse percentual de respostas obtido está, de acordo com Marconi e Lakatos (2003), acima da média esperada de respostas a questionários enviados via correio eletrônico, a qual, segundo as autoras, gira em torno de 25%, sendo um percentual maior nos inicialmente contatados por telefone. O instrumento de pesquisa correspondeu a um questionário que foi gerado no programa Google Drive, o qual fornece um link a cada instrumento produzido. Cada link foi associado ao código enviado aos egressos. Isto foi necessário, pois, muitas vezes, o respondente, na dúvida, envia o questionário mais de uma vez. Além disso, os pesquisadores puderam ter o controle de quem já havia respondido, evitando o envio de e-mail repetido, permitindo contatar por telefone quem ainda não havia respondido. O questionário teve questões de caráter sociodemográfico e outras que envolviam as razões para a escolha do curso. As sociodemográficas envolveram sexo, idade, raça/etnia, ser bolsista ProUni ou não, a categoria administrativa da escola e o tempo nela estudado antes do ingresso na faculdade, o grau de estudo dos pais e a renda per capita mensal. A variável tempo e o tipo de escola onde os egressos concluíram a Educação Básica, ou seja, se a mesma foi pública ou privada, foi agrupada em dois valores: o primeiro, denominado “aplicável para ambos os grupos”, corresponde aos critérios exigidos pela Lei Nº 11.096, de 13 de janeiro de 2005 (Brasil, 2005), que determina o critério de elegibilidade à bolsa ProUni: ter estudado o Ensino Médio somente em instituição pública ou com bolsa de estudos em instituição privada; o segundo – o valor “Não aplicável para ProUni” – corresponde aos respondentes que não preenchem os critérios da referida lei. A variável renda per capita quando do ingresso na Universidade foi agrupada em três valores, de modo a contemplar a mesma Lei Nº 11.096: renda per capita de até um salário mínimo e meio, codificada com 3; renda até 3 Telefones ou e-mails inválidos e sem telefones ou e-mails. Arquivos Analíticos de Políticas Educativas Vol. 26, No. 39 7 três salários mínimos, codificada com 2, e renda superior a três salários mínimos por mês, codificada com 1. As variáveis que envolveram aspectos que influenciaram na escolha do curso foram referentes à: oportunidade de aprender coisas novas, enfrentar novos desafios, fazer algo útil para a sociedade, oportunidades oferecidas pelo mercado de trabalho, perspectivas profissionais, estabilidade profissional, reconhecimento profissional e remuneração salarial. Para estas foram atribuídos valores de acordo com as opções de formato de respostas na Escala Likert, envolvendo grau de concordância. Assim, discordo totalmente foi substituído por 1; discordo parcialmente por 2; nem concordo nem discordo por 3; concordo parcialmente por 4 e concordo totalmente por 5. Estas atribuições foram necessárias para poder calcular a média e desvio padrão quando necessário. Considerou-se, então, média máxima 5 em cada grupo de análise. Como os questionários enviados corresponderam a links individuais, as respostas também foram salvas em arquivos individuais pelo Google Docs. Deste modo, as respostas foram exportadas e organizadas inicialmente na planilha Excel e, após, importadas pelo Stata/IC13.1 – Statistics/Data Analysis, pelo qual realizou-se análises estatísticas e de inferência pertinentes a este estudo (Acock, 2014). Foi calculado o χ2 (qui-quadrado) para testar a associação entre ser ou não ProUni e os níveis das variáveis presentes no instrumento de pesquisa. Para as questões que envolveram as razões para a escolha do curso, foi examinada a relativa contribuição de cada componente (cada questão) por meio da análise fatorial, que agrupa as variáveis latentes conforme o grau de consistência interna. O nível de confiabilidade da consistência interna de cada fator foi classificado em 5 escalas do Alpha de Cronbach assim distribuídas: muito baixa (α≤0,30), baixa (0,30<α≤0,60), moderada (0,60<α≤0,75), alta (0.75<α≤0,90) e muito alta (α>0,90; Cronbach & Shavelson, 2004; Freitas & Rodrigues, 2005). O T-test foi usado após a identificação dos fatores para testar as possíveis diferenças nas médias dos mesmos entre os dois grupos ProUni e não ProUni. Os níveis de significância menores que 5% (p<0,05) foram considerados significativos, e entre 5% e 10% (0,05 e 0,1) considerados indicativos de significância de acordo com Bós (2012). Análise e Discussão dos Dados Os resultados da análise do teste Qui-quadrado da relação entre os dois grupos, bolsistas e não bolsistas ProUni, com as variáveis sexo, idade, raça e renda per capita mensal quando do ingresso na universidade em 2005, constam na Tabela 1. Os dados acerca da variável sexo indicam que a maioria dos ingressantes, em ambos os grupos, corresponde ao sexo feminino. No grupo de não ProUni o percentual foi de 57,14% (80), e entre os ProUni o percentual foi maior, com 63,10% (36). Não houve relação estatisticamente significativa para o sexo entre ser ProUni ou não, com p=0,437. Nesta direção, os dados apresentados pelo Sisprouni (2015), referente a bolsistas por sexo, apontam o maior percentual de bolsistas para as mulheres, o qual correspondeu a 53% do total até o segundo semestre de 2014. As matrículas na Educação Superior brasileira em 2005 também indicam as mulheres com o maior número (INEP, 2005). A participação feminina na Educação Superior tem aumentado nos últimos anos, fato que pode estar relacionado às mudanças que permeiam as representações femininas ocorridas no Brasil (Romanelli, 2010). Tais representações proporcionaram às mulheres maior participação no mercado de trabalho, na política e em outros âmbitos da sociedade, o que demanda maior qualificação, e, por extensão, a busca pela educação universitária (Aguiar et al., 2011). Acesso à Educação Superior: O ProUni em foco 8 Tabela 1 Sexo, idade, raça e renda per capita mensal quando da entrada na faculdade pelos egressos respondentes ProUni e não ProUni Variável Valores Não ProUni ProUni Total Associação entre ser ProUni ou não ProUni Fr. (%) Fr. (%) Fr. (%) χ2, df Sexo Masculino 60 (42,86) 21 (36,84) 81 (41,12) 0,437 Feminino 80 (57,14) 36 (63,10) 116 (58,88) Total 140 (100) 57 (100) 197 (100) Idade Menos de 25 anos 86 (61,43) 48 (84,21) 134 (68,02) 0,003 Mais de 25 e menos de 35 24 (17,14) 7 (12,28) 31 (15,74) Mais de 35 30 (21,43) 2 (3,51) 32 (16,24) Total 140 (100) 57 (100) 197 (100) Raça Não branco 17 (12,14) 9 (15,79) 26 (13,20) 0,493 Branco 123 (87,86) 48 (84,21) 171 (86,80) Total 140 (100) 57 (100) 197 (100) Renda per capita mensal quando do acesso à Universidade Até um salário mínimo e meio 15 (10,71) 24 (42,11) 39 (19,80) 0,001 Até três salários mínimos 44 (31,43) 26 (45,61) 70 (35,53) Mais de três salários mínimos 81 (57,86) 7 (12,28) 88 (44,67) Total 140 (100) 57 (100) 197 (100) Com relação à variável idade, pode-se observar, na Tabela 1, que a maioria dos egressos tinha idade menor que 25 anos quando do ingresso na universidade em ambos os grupos, cujos percentuais correspondem a 61,43% (86) aos não ProUni e 84,21% (48) aos ProUni. Em extensão, o percentual total foi de 68,02% (134). Houve relação estatisticamente significativa entre a idade de acesso e os grupos de graduados, com p=0,003. Isto significa que o ProUni proporcionou, na Instituição estudada, o acesso à Educação Superior de um grupo de alunos com idade menor de 25 anos, uma vez que o esperado, para esse grupo, era de 68,02% e o encontrado foi de 84,21%. Tais dados vão ao encontro dos dados apresentados no Censo da Educação Superior de 2013,4 o qual indica a maioria ingressante na faixa etária menor de 25 anos. Além disso, tais dados contemplam a Meta 12 do Plano Nacional de Educação (PNE), Lei nº 13.005, de 25 de junho de 2014 – decênio 2014-2024 –, que objetiva aumentar a taxa bruta de matrícula na Educação Superior para 50% e a taxa líquida para 33% da população de 18 a 24 anos (BRASIL, 2014). Para a variável raça/etnia, embora o número de respondentes seja maior para o valor raça branca em ambos os grupos, o grupo ProUni apresentou uma proporção de não brancos maior, não havendo relação estatisticamente significativa entre a raça e os grupos de egressos, com p=0,493. O 4 No Censo de 2005 tal informação não consta. Arquivos Analíticos de Políticas Educativas Vol. 26, No. 39 9 percentual para não brancos no grupo ProUni foi de 15,78% (15) e no grupo não ProUni de 12,14% (17). Esse percentual no grupo ProUni é mais próximo ao encontrado entre a população adulta alfabetizada do Rio Grande do Sul identificada pelo censo populacional de 2010, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que foi de 16,2% de não brancos5. De acordo com os dados apresentados no Sisprouni (2015) referentes ao total nacional de bolsistas, o maior percentual por raça, até o segundo semestre de 2014, correspondia a 45,8% para brancos, seguido por pardos com 38,2%. O Censo de 2010 do IBGE identificou na população adulta alfabetizada 49,1% de brancos e 41,5% de mulatos. Assim, em ambos os estudos o percentual de não brancos é mais similar à população identificada pelo Censo do IBGE, mas talvez não seja o suficiente para compensar os números favoráveis existentes de brancos na Educação Superior. Quanto à renda per capita mensal dos egressos quando do ingresso na universidade em 2005, percebe-se que houve relação estatisticamente significativa entre essa variável e os grupos estudados, com p=0,001. A maioria do grupo não ProUni (57,86% ou 81 participantes) apresentava renda superior a três salários mínimos. Já entre os bolsistas ProUni somente 12,28% (7) dos respondentes assinalaram ter renda per capita mensal superior a três salários mínimos. Mesmo com proporção bem menor esse fato chama a atenção, pois tais respondentes não contemplariam as condições de concessão da bolsa ProUni, as quais regem, para a concessão integral, uma renda per capita mensal de até um salário mínimo e meio, e, para a bolsa parcial, a renda per capita de até três salários mínimos mensais. Tal fato pode ser explicado por diferentes situações, entre elas: o sentimento de inferioridade em admitir uma renda mínima; a não atenção ao responder à questão, pois a mesma se referia à renda quando do ingresso; ou terem uma renda informal a qual não foi declarada quando do acesso à universidade. Também se observa, acerca da renda per capita de acesso, que há, em ambas as possibilidades de concessão da bolsa ProUni, graduados que não foram bolsistas e encontravam- se em condições de tê-la. Da mesma maneira havia, na Instituição em foco, estudantes com as mesmas características salariais dos bolsistas ProUni que concluíram a Graduação sem a bolsa, mesmo sendo merecedores dela: 10,71% (15) bolsa integral e 31,43% (44) bolsa parcial. Na Tabela 2 consta o grau de estudo dos pais e das mães dos egressos ProUni e não ProUni. Como pode ser observado, o maior valor percentual para a variável escolaridade do pai entre os que não foram bolsistas ProUni está no Ensino Médio, com 33,57% (47). Entre os que foram bolsistas ProUni, o maior percentual ficou para até o Ensino Fundamental (1ª a 4ª séries) com 47,37% (27). Para a variável escolaridade da mãe, o maior percentual, entre os não ProUni, ficou para até o Ensino Fundamental (1ª a 4ª séries) ou menos, com 35,71% (50). Já entre os proUnistas o maior valor ficou para o Ensino Médio, com 38,60% (22). Não houve relação estatisticamente significativa entre o grau de escolaridade do pai e da mãe e os grupos de egressos, com p=0,280 para a escolaridade do pai e p=0,654 para a da mãe. Embora não tenha havido relação estatisticamente significativa entre a escolaridade dos pais e os grupos de egressos, destaca-se que tanto para os pais quanto para as mães o maior percentual encontra-se na escolaridade até o Ensino Fundamental (1ª a 4ª séries) ou menos. Autores como Pascarella e Terenzini (1991, 2005) trazem em suas pesquisas que estudantes com pais graduados têm quase cinco vezes mais probabilidades de ter um diploma universitário do que os estudantes de primeira geração, ou seja, aqueles em que os pais ou irmãos não possuem a formação universitária. 5 Disponível em: . Acesso à Educação Superior: O ProUni em foco 10 Tabela 2 Nível de estudo do pai e da mãe dos egressos ProUni e não ProUni Variável Valores Não ProUni ProUni Total Associação entre ser ProUni ou não ProUni Fr. (%) Fr. (%) Fr. (%) χ2, df PAI Até Ensino Fundamental (1ª a 4ª séries) ou menos 46 (32,86) 27 (47,37) 73 (37,06) 0,280 Até Ensino Fundamental (5ª a 8ª séries) 28 (20,0) 9 (15,79) 37 (18,78) Ensino Médio 47 (33,57) 16 (28,07) 63 (31,98) Educação Superior ou mais 19 (13,57) 5 (8,77) 24 (12,18) Total 140 (100) 57 (100) 197 (100) MÃE Até Ensino Fundamental (1ª a 4ª séries) ou menos 50 (35,71) 18 (31,58) 68 (34,52) 0,654 Até Ensino Fundamental (5ª a 8ª séries) 26 (18,57) 9 (15,79) 35 (17,77) Ensino Médio 41 (29,99) 22 (38,60) 63 (31,98) Educação Superior ou mais 23 (16,43) 8 (14,03) 31 (15,74) Total 140 (100) 57 (100) 197 Na Tabela 3 consta o tipo de escola onde os egressos realizaram a Educação Básica, ou seja, pública ou privada, e, se privada, se foi com bolsa ou não. Isto dá elegibilidade quanto aos critérios exigidos pelo ProUni no que diz respeito à escolaridade de Ensino Médio do bolsista. É possível observar nos percentuais atribuidos às respostas na Tabela 3, que um bolsista ProUni indicou ter estudado integralmente em intituição privada sem bolsa de estudos. Tal fato merece atenção, uma vez que esse mesmo respondente assinalou, na questão referente à renda per capita, ser a mesma maior que três salários mínimos mensais. A atenção e o rigor na documentação dos contemplados com a bolsa necessita, portanto, ter um forte acompanhamento, tanto quando do ingresso quanto durante o percurso acadêmico. Tal acompanhamento tem de ser realizado por ambos os responsáveis pela concessão, ou seja, governo e universidade. A esse respeito, uma auditoria realizada pela Controladoria Geral da União (CGU) acerca das bolsas concedidas de 2005 a 2012, identificou diferentes irregularidades, entre elas o não cumprimento da renda per capita mensal (Brasil, 2015). Não houve relação estatisticamente significativa entre os grupos de egressos e a variável “critérios de elegibilidade quanto à escolaridade anterior”, com p=0,135. Arquivos Analíticos de Políticas Educativas Vol. 26, No. 39 11 Tabela 3 Distribuição dos respondentes quanto ao Critério de Elegibilidade em relação à escolaridade anterior e curso de ingresso dos graduados ProUni e não ProUni Variável Valores Não ProUni ProUni Total Associação entre ser ProUni ou não ProUni Fr. (%) Fr. (%) Fr. (%) χ2, df Critério de elegibilidade quanto à escolaridade anterior Aplicável para ambos os grupos 130 (92,86) 56 (98,25) 186 (94,42) 0,135 Não aplicável para ProUni 10 (7,14) 1 (1,75) 11 (5,58) Total 140 (100) 57 (100) 197 (100) Curso de ingresso Não Licenciatura 87 (62,14) 27 (47,37) 114 (57,87) 0,057 Licenciatura 53 (37,86) 30 (52,63) 83 (42,13) Total 140 (100) 57 (100) 197 (100) Ainda na Tabela 3 tem-se a variável curso de ingresso, cujo maior percentual, nos cursos de não licenciatura, está entre os não ProUni, com 62,14% (87). Já para os cursos de licenciatura, o maior percentual está para os ProUni, com 52,63% (30). O Censo de 2013, referente à Educação Superior do Brasil, indica maior número de estudantes matriculados em cursos de não licenciatura (INEP, 2013). Tais resultados são esperados, pois a maior quantidade de cursos oferecidos na Educação Superior é de não licenciatura, o mesmo ocorrendo na IES em questão, que ofereceu, em 2005,6 o montante de 17 cursos de não licenciatura7 e 9 de licenciatura.8 O Qui-quadrado realizado apresentou um indicativo de significância estatística entre os grupos de egressos e a variável curso de ingresso, com p=0,057. Isto se justifica pelo fato de se esperar um percentual médio de ingressantes nos cursos de não licenciatura de 57,87% (114), e o encontrado entre os bolsistas foi de 47,37% (27), isto é, 10,5% menor que o esperado, com consequente maior proporção de bolsistas nos cursos de licenciatura. Tais resultados podem indicar uma propensão de ingressantes ProUni em cursos de licenciatura. Na Tabela 4 encontram-se os resultados das análises das variáveis que envolveram as razões para a escolha do curso, analisadas pelo Alpha de Cronbach. Nessa análise, as variáveis (questões) apresentaram clusters, ou seja, agruparam-se em dois fatores relacionados à escolha do curso: extrínsecos (relacionados às necessidades primárias da pessoa – maintenance factors) e intrínsecos (relacionados às necessidades de realização pessoal – motivating factors). Tais resultados podem ser considerados emergentes desta análise. Assim, buscou-se na teoria de Herzberg, a Two-Factor Theory (Herzberg, 1971; Herzberg, Mausner; Peterson & Capwell, 1957; Herzberg; Mausner & Snyderman, 1959, 2005), o apoio ao resultado emergido. Como podem ser observadas, as questões referentes à escolha de o curso se dar pela oportunidade de novas aprendizagens, pela possibilidade de enfrentar 6 O Censo de 2005 não apresenta os dados por cursos de licenciatura e outros, mas, sim, por Áreas Gerais, Áreas Detalhadas e Programas e/ou Cursos. 7 Administração, Agronomia, Arquitetura e Urbanismo, Ciências Sociais, Ciências Contábeis, Comunicação Social, Direito, Enfermagem, Engenharia Civil, Farmácia, Fisioterapia, Informática, Medicina Veterinária, Nutrição, Psicologia, Sistema de Informação e Transações Imobiliárias. 8 Artes Plásticas, Artes Visuais, Ciências Biológicas, Educação Física, História, Letras, Matemática, Pedagogia, Programa de Formação de Professores em Serviço (P.F.P.S.). Acesso à Educação Superior: O ProUni em foco 12 novos desafios e pelo interesse em fazer algo útil para a sociedade, correspondem a fatores intrínsecos (de realização pessoal). O Alpha de Cronbach encontrado para os fatores intrínsecos foi de 0,7680, o qual é considerado uma consistência interna alta (0.75<α≤0.90; Cronbach & Shavelson, 2004; Freitas % Rodrigues, 2005). As variáveis (questões) referentes aos fatores extrínsecos à escolha do curso são: o desejo do reconhecimento profissional, as perspectivas de trabalho, as necessidades do mercado de trabalho, a estabilidade no trabalho e o retorno econômico (salário). O Alpha de Cronbach encontrado para essas variáveis foi alto, correspondendo a uma consistência interna de 0,8742. Tabela 4 Distribuição dos fatores componentes no teste Alpha de Cronbach Indicadores de escolha do curso DIMENSÃO TEÓRICA Variáveis Contribuição de cada fator componente no teste Fatores extrínsecos (maintenance factors) Fatores intrínsecos (motivating factors) Novas aprendizagens 0,1622 0,8046 Enfrentar novos desafios 0,2235 0,8271 Fazer alguma coisa útil para a sociedade 0,0583 0,8181 Reconhecimento profissional 0,8159 0,1959 Perspectivas de trabalho 0,8313 0,2013 Necessidade do mercado de trabalho 0,6319 0,2150 Estabilidade no trabalho 0,8824 0,1642 Retorno econômico 0,8435 0,0133 Consistência Interna (Alpha) 0,8742 0,7680 Ainda referente aos fatores extrínsecos e intrínsecos, foram verificadas as médias para ambos os grupos de egressos acerca dos clusters formados. Para os fatores intrínsecos, a média geral foi de 4,25, com desvio padrão de 0,813, sendo 4,30 a média e o desvio padrão de 0,785 para o grupo não ProUni, e a média de 4,13 e desvio padrão de 0,875 para o grupo ProUni. A diferença entre as respostas dos dois grupos de egressos foi de 0,171, que obteve um nível indicativo de significância com p=0,09 no T-test. Desta forma, observa-se que os egressos do grupo não ProUni tendem a ser mais motivados do que os ProUni, por fatores intrínsecos. Para os fatores extrínsecos, a média geral foi de 3,5107 com desvio padrão de 1,055, sendo 3,5100 a média e o desvio padrão de 1,04 para o grupo não ProUni, e a média de 3,5123 e desvio padrão de 1,10 para o grupo ProUni. A diferença das médias entre os dois grupos foi de 0,0023, não havendo diferença estatisticamente significativa entre os dois grupos de respondentes, com p=0,50 no T-test. Conclusão O percurso e, por consequência, a formação acadêmica, podem ser considerados duas fases relevantes ao desenvolvimento social, cultural, cognitivo e profissional de uma pessoa. O primeiro pelo desenvolvimento e/ou transformação proporcionados ao ser e fazer da pessoa durante o período na universidade, que a prepara para o contínuo em sociedade. O segundo pelo perfil de indivíduos inseridos no contexto social, ou seja, um egresso com um perfil capaz de melhor intervir na sociedade, contribuindo no desenvolvimento social e econômico da nação. Anterior a isso, Arquivos Analíticos de Políticas Educativas Vol. 26, No. 39 13 entretanto, há a questão do acesso à Educação Superior de pessoas oriundas de todas as camadas sociais, não somente das privilegiadas por “características iniciais”, mas, principalmente, das não privilegiadas. Nesta direção, os dados aqui analisados evidenciam que o ProUni vem criando oportunidades de acesso à Educação Superior a estudantes oriundos de grupos vulneráveis, entre eles aqueles desprovidos de condições socioeconômicas ou segregados por raça ou sexo, respondendo, assim, ao objetivo do Programa. O estudo em questão evidenciou que o ingresso foi proporcionado a estudantes de uma faixa etária mais jovem em relação aos ingressantes que não foram bolsistas do Programa. Também observou o ingresso de um contingente maior de mulheres. Embora os percentuais quanto à raça tenham sido maiores para a raça branca em ambos os grupos de egressos, destaca-se que o ProUni teve uma proporção maior de não brancos ingressando na universidade em relação aos não bolsistas. Apesar de o Programa Universidade para Todos estar cumprindo com o objetivo de acesso, destaca-se que houve respondentes que assinalaram ter uma renda per capita mensal superior a três salários mínimos, não contemplando a exigência do ProUni referente à renda mensal per capita. Este fato merece atenção tanto da universidade em questão quanto do órgão responsável pelo ProUni no Ministério da Educação, tanto no que diz respeito à concessão como à manutenção, uma vez que todo Programa necessita, ao longo de sua existência, de ajustes e aprimoramentos de modo a melhor contemplar seu objetivo. Tal situação é reforçada pelo achado nesta análise acerca de um egresso bolsista com renda, assinalada por ele, acima do estabelecido nas normativas do ProUni, bem como a realização do Ensino Médio, integralmente e sem bolsa, em instituição privada de ensino. Observa- se, ainda, acerca da renda, que houve um número considerável de ingressantes não bolsistas que estavam no mesmo patamar de renda per capita mensal de seus colegas prounistas e que, mesmo assim, conseguiram se graduar. Tais evidências remetem a alguns questionamentos: Como melhor controlar e distribuir as bolsas ProUni? O que move e mantêm não bolsistas ProUni, que se encontram na mesma faixa salarial exigida pelo Programa, na universidade até a integralização do curso? Até que ponto as críticas voltadas ao Programa Universidade para Todos, no que diz respeito à permanência na universidade, são consistentes, visto a também conclusão da universidade, por um universo de ingressantes, que se encontravam nas mesmas condições financeiras que os bolsistas? Estudos pertinentes a respeito são necessários. Com relação a diferenças entre egressos que foram bolsistas e aqueles que não foram, observa-se, no quesito escolha do curso, que houve maior proporção de escolha a cursos de licenciatura por bolsistas ProUni quando comparada aos seus pares não bolsistas. Quais as razões que levaram os bolsistas a essa escolha? Novamente evidencia-se a necessidade de estudos capazes de sinalizar os por quês de tal escolha. Aponta-se, também, embora a escolaridade dos pais não tenha se mostrado estatisticamente significante entre os grupos de egressos, que tanto as mães quanto os pais tiveram o maior percentual na escolaridade até o Ensino Fundamental (1ª a 4ª séries) ou menos. Ainda com respeito às “características iniciais”, pode-se considerar como resultados emergentes a esta análise fatores extrínsecos e intrínsecos relacionados às variáveis que envolveram as razões para a escolha do curso. As análises evidenciam que os egressos do grupo não ProUni tendem a ser mais motivados do que os ProUni, por fatores intrínsecos. Logo, os prounistas são mais motivados por fatores extrínsecos. Necessidades intrínsecas estão relacionadas a fatores mais pessoais, tais como realização pessoal ou a contribuição à sociedade, enquanto as extrínsecas estão relacionadas a aspectos de manutenção da vida, ou seja, aspectos primários de sobrevivência, tais como trabalho e remuneração. Diante disto, conjectura-se a relação das necessidades extrínsecas emergidas nesta análise e a escolha do curso pelos egressos ProUni. Isto é curioso e nos remete ao seguinte Acesso à Educação Superior: O ProUni em foco 14 questionamento: Se os bolsistas ProUni apresentaram maior índice às necessidades extrínsecas, por que escolheram cursos de licenciatura, posto que os mesmos não lhes dariam alto padrão salarial na atual conjuntura social brasileira? Novamente evidencia-se a necessidade de novos estudos abrangendo um contingente maior de egressos de diferentes universidades, cidades e Estados. Somente estudos em âmbito nacional poderão responder tais questionamentos, bem como confirmar ou não os resultados até aqui encontrados acerca do universo de egressos ProUni. Estudos envolvendo aspectos relacionados às “características iniciais”, ao percurso acadêmico e aos resultados de uma formação em nível superior com abordagens comparativas entre egressos bolsistas ProUni ou não bolsistas, poderão indicar em que medida o Programa Universidade para Todos, e em extensão a Educação Superior, vêm contribuindo para melhorias na vida da população e no contínuo do desenvolvimento do país. Para tanto, é imprescindível o apoio do governo federal no que diz respeito ao desenvolvimento de pesquisas voltadas a tais temáticas, em especial o ProUni, uma vez que somente faz sentido um Programa de Ação Afirmativa existir se é possível entender o quanto ele está tendo efeito na e para a sociedade. Referências Acock, A. C. A. (2014). Gentle Introduction to Stata (4th ed.). TX: Stata Press. Aguiar, C. C. de, Esteves, C. S., Mello, M. M. de, Itaquy, G. W. de, Iatchac, F. O., & Lopes, R. M. F. (November, 2011). Mulher, mercado de trabalho e construção do núcleo familiar. 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Cabrera Universidade de Maryland- College Park – Estados Unidos cabrera@umd.edu http://orcid.org/0000-0002-7451-8983 Professor no Departamento de Aconselhamento, Educação Superior e Educação Especial da Faculdade de Educação da Universidade de Maryland- College Park – Estados Unidos. Ph.D. em Administração Educacional pela Universidade de Wisconsin-Madison – Estados Unidos. http://bdtd.ibict.br/vufind/Search/Results?lookfor=acesso+a+educa%C3%A7%C3%A3o+superior&type=AllFields&limit=20&sort=relevance http://bdtd.ibict.br/vufind/Search/Results?lookfor=acesso+a+educa%C3%A7%C3%A3o+superior&type=AllFields&limit=20&sort=relevance http://bdtd.ibict.br/vufind/Search/Results?lookfor=acesso+a+educa%C3%A7%C3%A3o+superior&type=AllFields&limit=20&sort=relevance http://bdtd.ibict.br/vufind/Search/Results?lookfor=acesso+a+educa%C3%A7%C3%A3o+superior&type=AllFields&limit=20&sort=relevance http://prouniportal.mec.gov.br/images/pdf/Representacoes_graficas/bolsistas_por_sexo.pdf http://prouniportal.mec.gov.br/images/pdf/Representacoes_graficas/bolsistas_por_sexo.pdf mailto:vera.felicetti@unilasalle.edu.br mailto:verafelicetti@ig.com.br http://orcid.org/0000-0001-6156-7121 mailto:cabrera@umd.edu http://orcid.org/0000-0002-7451-8983 Arquivos Analíticos de Políticas Educativas Vol. 26, No. 39 19 arquivos analíticos de políticas educativas Volume 26 Número 39 19 de março de 2018 ISSN 1068-2341 O Copyright e retido pelo/a o autor/a (ou primeiro co-autor) que outorga o direito da primeira publicação à revista Arquivos Analíticos de Políticas Educativas. Más informação da licença de Creative Commons encontram-se em http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5. Qualquer outro uso deve ser aprovado em conjunto pelo/s autor/es e por AAPE/EPAA. AAPE/EPAA é publicada por Mary Lou Fulton Institute Teachers College da Arizona State University . Os textos publicados em AAPE são indexados por CIRC (Clasificación Integrada de Revistas Científicas, Espanha) DIALNET (Espanha),Directory of Open Access Journals, Education Full Text (H.W. Wilson), EBSCO Education Research Complete, ERIC, QUALIS A1 (Brasil), SCImago Journal Rank; SCOPUS, SOCOLAR (China). Curta a nossa comunidade EPAA’s Facebook https://www.facebook.com/EPAAAAPE e Twitter feed @epaa_aape. http://www.doaj.org/ http://www.doaj.org/ https://www.facebook.com/EPAAAAPE Acesso à Educação Superior: O ProUni em foco 20 arquivos analíticos de políticas educativas conselho editorial Editor Consultor: Gustavo E. Fischman (Arizona State University) Editoras Associadas: Kaizo Iwakami Beltrao, (Brazilian School of Public and Private Management - EBAPE/FGV, Brazil), Geovana Mendonça Lunardi Mendes (Universidade do Estado de Santa Catarina), Gilberto José Miranda, (Universidade Federal de Uberlândia, Brazil), Marcia Pletsch, Sandra Regina Sales (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro) Almerindo Afonso Universidade do Minho Portugal Alexandre Fernandez Vaz Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil José Augusto Pacheco Universidade do Minho, Portugal Rosanna Maria Barros Sá Universidade do Algarve Portugal Regina Célia Linhares Hostins Universidade do Vale do Itajaí, Brasil Jane Paiva Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Brasil Maria Helena Bonilla Universidade Federal da Bahia Brasil Alfredo Macedo Gomes Universidade Federal de Pernambuco Brasil Paulo Alberto Santos Vieira Universidade do Estado de Mato Grosso, Brasil Rosa Maria Bueno Fischer Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil Jefferson Mainardes Universidade Estadual de Ponta Grossa, Brasil Fabiany de Cássia Tavares Silva Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, Brasil Alice Casimiro Lopes Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Brasil Jader Janer Moreira Lopes Universidade Federal Fluminense e Universidade Federal de Juiz de Fora, Brasil António Teodoro Universidade Lusófona Portugal Suzana Feldens Schwertner Centro Universitário Univates Brasil Debora Nunes Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Brasil Lílian do Valle Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Brasil Flávia Miller Naethe Motta Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Brasil Alda Junqueira Marin Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Brasil Alfredo Veiga-Neto Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil Dalila Andrade Oliveira Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil Arquivos Analíticos de Políticas Educativas Vol. 26, No. 39 21 archivos analíticos de políticas educativas consejo editorial Editor Consultor: Gustavo E. Fischman (Arizona State University) Editores Asociados: Armando Alcántara Santuario (Universidad Nacional Autónoma de México), Jason Beech (Universidad de San Andrés), Angelica Buendia (Metropolitan Autonomous University), Ezequiel Gomez Caride (Pontificia Universidad Católica Argentina), Antonio Luzon (Universidad de Granada), José Luis Ramírez Romero (Universidad Autónoma de Sonora, México) Claudio Almonacid Universidad Metropolitana de Ciencias de la Educación, Chile Ana María García de Fanelli Centro de Estudios de Estado y Sociedad (CEDES) CONICET, Argentina Miriam Rodríguez Vargas Universidad Autónoma de Tamaulipas, México Miguel Ángel Arias Ortega Universidad Autónoma de la Ciudad de México Juan Carlos González Faraco Universidad de Huelva, España José Gregorio Rodríguez Universidad Nacional de Colombia, Colombia Xavier Besalú Costa Universitat de Girona, España María Clemente Linuesa Universidad de Salamanca, España Mario Rueda Beltrán Instituto de Investigaciones sobre la Universidad y la Educación, UNAM, México Xavier Bonal Sarro Universidad Autónoma de Barcelona, España Jaume Martínez Bonafé Universitat de València, España José Luis San Fabián Maroto Universidad de Oviedo, España Antonio Bolívar Boitia Universidad de Granada, España Alejandro Márquez Jiménez Instituto de Investigaciones sobre la Universidad y la Educación, UNAM, México Jurjo Torres Santomé, Universidad de la Coruña, España José Joaquín Brunner Universidad Diego Portales, Chile María Guadalupe Olivier Tellez, Universidad Pedagógica Nacional, México Yengny Marisol Silva Laya Universidad Iberoamericana, México Damián Canales Sánchez Instituto Nacional para la Evaluación de la Educación, México Miguel Pereyra Universidad de Granada, España Ernesto Treviño Ronzón Universidad Veracruzana, México Gabriela de la Cruz Flores Universidad Nacional Autónoma de México Mónica Pini Universidad Nacional de San Martín, Argentina Ernesto Treviño Villarreal Universidad Diego Portales Santiago, Chile Marco Antonio Delgado Fuentes Universidad Iberoamericana, México Omar Orlando Pulido Chaves Instituto para la Investigación Educativa y el Desarrollo Pedagógico (IDEP) Antoni Verger Planells Universidad Autónoma de Barcelona, España Inés Dussel, DIE-CINVESTAV, México Paula Razquin Universidad de San Andrés, Argentina Catalina Wainerman Universidad de San Andrés, Argentina Pedro Flores Crespo Universidad Iberoamericana, México José Ignacio Rivas Flores Universidad de Málaga, España Juan Carlos Yáñez Velazco Universidad de Colima, México javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/819') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/820') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/4276') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/1609') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/825') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/797') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/823') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/798') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/555') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/814') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/2703') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/801') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/826') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/802') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/816') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/3264') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/804') Acesso à Educação Superior: O ProUni em foco 22 education policy analysis archives editorial board Lead Editor: Audrey Amrein-Beardsley (Arizona State University) Executive Editor: Gustavo E. Fischman (Arizona State University) Associate Editors: David Carlson, Lauren Harris, Eugene Judson, Mirka Koro-Ljungberg, Scott Marley, Iveta Silova, Maria Teresa Tatto (Arizona State University) Cristina Alfaro San Diego State University Gene V Glass Arizona State University Susan L. Robertson Bristol University, UK Gary Anderson New York University Ronald Glass University of California, Santa Cruz Gloria M. Rodriguez University of California, Davis Michael W. Apple University of Wisconsin, Madison Jacob P. K. Gross University of Louisville R. Anthony Rolle University of Houston Jeff Bale OISE, University of Toronto, Canada Eric M. Haas WestEd A. G. Rud Washington State University Aaron Bevanot SUNY Albany Julian Vasquez Heilig California State University, Sacramento Patricia Sánchez University of University of Texas, San Antonio David C. Berliner Arizona State University Kimberly Kappler Hewitt University of North Carolina Greensboro Janelle Scott University of California, Berkeley Henry Braun Boston College Aimee Howley Ohio University Jack Schneider College of the Holy Cross Casey Cobb University of Connecticut Steve Klees University of Maryland Noah Sobe Loyola University Arnold Danzig San Jose State University Jaekyung Lee SUNY Buffalo Nelly P. Stromquist University of Maryland Linda Darling-Hammond Stanford University Jessica Nina Lester Indiana University Benjamin Superfine University of Illinois, Chicago Elizabeth H. DeBray University of Georgia Amanda E. Lewis University of Illinois, Chicago Adai Tefera Virginia Commonwealth University Chad d'Entremont Rennie Center for Education Research & Policy Chad R. Lochmiller Indiana University Tina Trujillo University of California, Berkeley John Diamond University of Wisconsin, Madison Christopher Lubienski Indiana University Federico R. 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