TOWARDS AN OBJECTIVE EVALUATION OF TEACHER PERFORMANCE Página web: http://epaa.asu.edu/ojs/ Artigo recebido: 5/9/2017 Facebook: /EPAAA Revisões recebidas: 3/11/2017 Twitter: @epaa_aape Aceito: 19/11/2017 arquivos analíticos de políticas educativas Revista acadêmica, avaliada por pares, independente, de acesso aberto, e multilíngüe Arizona State University Volume 26 Número 23 26 de fevereiro de 2018 ISSN 1068-2341 Intervenção Mediada por Pares: Implicações Para a Pesquisa e as Práticas Pedagógicas de Professores com Alunos Com Autismo Fabiane dos Santos Ramos Daniele F.C. Denardin de Bittencourt Síglia Pimentel Höher Camargo & Carlo Schmidt Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Brasil Citação: Ramos, F. dos S., de Bittencourt, D. D., Camargo, S. P. H., & Schmidt, C. (2018). Intervenção mediada por pares: Implicações para a pesquisa e as práticas pedagógicas de professores com alunos com autismo. Arquivos Analíticos de Políticas Educativas, 26(23). http://dx.doi.org/10.14507/epaa.26.3367 Resumo: A inclusão de alunos com autismo tem sido um desafio para os educadores que apontam carências em sua formação, especialmente quanto a alternativas de intervenção no contexto escolar. A literatura internacional destaca evidências de efetividade de uma modalidade de intervenção ainda ausente na literatura nacional, conhecida como Intervenção Mediada por Pares (IMP). Este estudo tem por objetivo revisar a IMP na educação de alunos com autismo e suas implicações para a pesquisa e para a prática pedagógica. Os pressupostos teóricos do desenvolvimento infantil que fundamentam esta intervenção foram examinados para descrevera evolução dos diferentes procedimentos e metodologias historicamente utilizados. As pesquisas evidenciam a efetividade http://epaa.asu.edu/ojs/ http://dx.doi.org/10.14507/epaa.26.3367 Intervenção Mediada por Pares 2 desta intervenção para as habilidades sociais de alunos da Educação Especial, mais recentemente, para a aprendizagem acadêmica de crianças com autismo. A abrangência de implementação em ambientes naturalísticos a controlados, o baixo custo e a complexidade favorecem sua utilização como prática pedagógica por professores de escolas da Educação Infantil no contexto inclusivo. No entanto, identifica-se a necessidade de pesquisas que investiguem a eficácia da IMP no cenário educacional brasileiro. Palavras-chave: intervenção; mediação de pares; educação especial; inclusão escolar; autismo Peer-mediated intervention: Implications for the research and pedagogical practices of teachers of students with autism Abstract: Inclusion of students with autism has been a challenge for educators who indicate gaps in professional training, especially regarding interventions in the school context. The international literature shows evidence of effectiveness of a type of intervention not found in the national literature, called Peer Mediated intervention (PMI).This study aims to review the PMI in the education of students with autism and its implications for research and pedagogical practice. The theoretical principles of child development behind this intervention are examined to describe the evolution of different procedures and methodologies historically used. Researches show effectiveness of this intervention for improving social skills of special education students and, more recently, for academic learning of children with autism. The broad use from naturalistic to controlled environments, the low cost and complexity favor its use as a pedagogical practice by kindergarten teachers in inclusive settings. However, the need of future studies addressing this topic in the Brazilian educational context is identified. Keywords: intervention; peer mediation; special education; school inclusion; autism Intervención de mediación entre pares: Implicaciones para la investigación y las prácticas pedagógicas de profesores de alumnos con autismo Resumen: La inclusión de alumnos con autismo ha sido un desafío para los educadores que apuntan carencias en su formación, especialmente con alternativas de intervención en el contexto escolar. La literatura internacional destaca evidencias de efectividad de una modalidad de intervención aún ausente en la literatura nacional, conocida como Intervención de Mediación entre Pares (IMP). Este estudio tiene por objetivo revisar la IMP en la educación de alumnos con autismo y sus implicaciones para la investigación y para la práctica pedagógica. Los supuestos teóricos del desarrollo infantil que fundamentan esta intervención se examinaron para describir la evolución de los diferentes procedimientos y metodologías históricamente utilizados. Las investigaciones evidencian la efectividad de esta intervención para las habilidades sociales de alumnos de la Educación Especial, más recientemente, para el aprendizaje académico de niños con autismo. El alcance de la implementación en ambientes naturales a controlados, el bajo costo y la complejidad favorecen su utilización como práctica pedagógica por profesores de escuelas de Educación Infantil en el contexto inclusivo. Sin embargo, se identifica la necesidad de investigaciones que investiguen la eficacia de la IMP en el escenario educativo brasileño. Palabras-clave: Intervención; mediación entre pares; educación especial; inclusión escolar; autismo Arquivos Analíticos de Políticas Educativas Vol. 26, No. 23 3 Introdução: Definições e Pressupostos da IMP A inclusão escolar1 tem se mostrado um desafio à realidade brasileira. Apesar dos avanços crescentes nos marcos legais (Brasil, 2008, 2015), uma das principais dificuldades relatadas pelos professores reside no desenvolvimento e implementação de intervenções (Martins, 2007; Miranda, 2015; Silva, 2011), que devem cumprir com os objetivos educacionais e ir ao encontro das especificidades do público-alvo da Educação Especial2. As pesquisas revelam um desconhecimento docente sobre o autismo e as práticas pedagógicas para atender a demandas educacionais específicas destes alunos em sala de aula (Lima & Laplane, 2016; Nunes, Azevedo & Schmidt, 2013; Schmidt et al., 2016). Este desconhecimento é explicado, em parte, pelopouco suporte oferecido em termos de formação continuada sobre práticas pedagógicas para engendrara organização e a consolidação do processo inclusivo (Nascimento, Cruz & Braun, 2016; Terra & Gomes, 2013). Sendo o autismo uma deficiência que afeta essencialmente a área social, uma das justificativas mais relevantes para a inclusão desses educandos é a possibilidade de interação com pares para o desenvolvimento de habilidades sociais (Brasil, 2012; Camargo & Bosa, 2009). Assim, a promoção de interação social tem conquista do espaço entre as práticas pedagógicas. Não é recente o destaque que diversos autores da área da Educação conferem ao papel das interações sociais na promoção do desenvolvimento cognitivo, afetivo e das competências sociais infantis (Bruner, 1978; Gibson, 1973; Piaget & Cook, 1952; Vigotsky, 1962). No caso da IMP, os pressupostos teóricos que a fundamentam postulam que o desenvolvimento infantil depende fundamentalmente das interações sociais com colegas socialmente mais competentes. Uma pessoa é considerada socialmente competente conforme ela consegue resolver demandas sociais levando em consideração seu ambiente social, e somente a partir desta competência é que podem se desenvolver interações sociais harmônicas e bem-sucedidas (Nijs & Maes, 2014). A competência social, por sua vez, se desenvolve pela combinação entre interações adulto-criança (verticais) e criança-criança (horizontais; Hartup, 1989). Toda criança, independentemente de sua condição, se beneficia destes dois tipos de interações. As interações verticais, por envolver um parceiro com mais conhecimento e habilidade social, forjam habilidades básicas, como a segurança e a proteção ao longo do primeiro ano de vida, para que a criança consiga desempenhar-se de modo mais evoluído e independente. Por exemplo, o apego seguro entre a mãe e seu filho é desenvolvido por meio das interações verticais, e constitui a base para o comportamento exploratório do ambiente, o que permitirá o surgimento de habilidades mais complexas como a linguagem, a cognição, o conhecimento de si e do outro (Hartup, 1989). Já as interações horizontais ocorrem em contextos nos quais a criança pode elaborar as habilidades básicas já adquiridas nas relações verticais no convívio com outras crianças socialmente parecidas com ela, para alcançar níveis mais complexos de interação. Por exemplo, nas relações com os pares, as crianças aprendem a dominar desde habilidades como a colaboração, competição, resolução de conflitos, iniciativa e manutenção das trocas até a construção de relacionamentos subsequentes na vida adulta (Hartup & Moore, 1990). Portanto, o desenvolvimento de habilidades sociais mais sofisticadas, que forma a base dos relacionamentos interpessoais, somente pode ocorrer entre pares, 1 O termo “inclusão escolar” é utilizado para referir-se ao atendimento das necessidades escolares dos alunos com deficiência, conforme definido por Neres e Kassar (2016) 2“Público-alvo da Educação Especial” são os alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação (Brasil, 2008), sendo o autismo considerado uma deficiência a partir de 2012 (Brasil, 2012). Intervenção Mediada por Pares 4 o que confere relevo ao papel das interações sociais que acontecem nas escolas (Sanini, Sifuentes & Bosa, 2013). Considerando que a quantidade de tempo que os alunos brasileiros permanecem no ambiente escolar varia entre 20 e 35 horas semanais, e a relevância das trocas sociais que lá ocorrem, o processo de escolarização se mostra um espaço propício para intervenções com foco nas habilidades sociais (Nunes & Araújo, 2014). Nesse contexto, a Intervenção Mediada por Pares (Peer- Mediated Intervention) tem se destacado no cenário internacional, não apenas por ser uma intervenção de eficácia comprovada para proporcionar o desenvolvimento de habilidades sociais, mas também por sua aplicabilidade para o desenvolvimento acadêmico de crianças com deficiência. Os precursores desta modalidade de intervenção a define como: “Situação em que uma criança, ou um grupo de crianças, que está próximadas crianças-alvo em termos de idade ou nível de desenvolvimento é ensinadaa realizar uma intervençãopor instruções, sem a participação direta de um adulto” (Odom & Strain, 1984, p. 545) 3. Fundamentada em princípios comportamentais e na teoria da aprendizagem social (Bandura, 2008), a intervenção se vale da mediação de/entre pares ou de/entre uma rede de pequenos grupos com desenvolvimento típico, em que estes são instruídos por um adulto a mediarem as habilidades sociais e/ou acadêmicas de crianças com alguma deficiência. Os pares exercem o papel de agentes de intervenção, atuando como modelo de comportamentos e mediadores da aprendizagem para os colegas. As crianças que recebem tal mediação, por sua vez, são estimuladas a desenvolver e incrementar seu repertório de habilidades tanto sociais quanto acadêmicas. A escolha dos colegas para a intervenção geralmente é realizada pelo professor regente da turma, levando em consideração critérios como empatia, domínio de habilidades-alvo que serão mediadas, faixa etária, presença regular na escola, entre outros (Kamps et al., 2014; Kasari, Rotheram‐Fuller, Locke & Gulsrud, 2012). Com relação às habilidades, é necessário que o par não possua um nível de desenvolvimento muito acima da criança que recebe a intervenção, para não ocorrer a desmotivação de uma ou outra criança. A faixa etária deve ser a mais próxima possível da criança-alvo, já que ambas devem estar presentes na mesma classe e possuir alguns interesses comuns, como brincadeiras, personagens etc. A assiduidade regular na escola também é essencial na escolha do par, pois é necessário que ele esteja frequentemente presente para participar das atividades em grupo, a fim deque a mediação seja estável, contínua e efetiva. A instrução dos pares para a intervenção envolve o ensino de estratégias sociais ou acadêmicas específicas, como convite para jogar, assistência e demonstração de afeto, direcionamento de atividades, sempre utilizando momentos de interação e buscando a aproximação com a criança-alvo em atividades lúdicas. Os estudos sobre IMP utilizam diferentes abordagens para ensinar as estratégias a serem desenvolvidas pelas crianças com autismo. Alguns fazem uso de instruções verbais, em que o par indica oralmente à criança-alvo como a atividade/jogo/ação deve ser desenvolvida (Carter, Cushing, Clark & Kennedy, 2005; Goldstein, Kaczmarek, Pennington & Shafer, 1992; Kamps, Barbetta, Leonard & Delquadri,1994; Kamps et al., 2014; Katz & Giralometto, 2013; Laushey & Helfin, 2000). Outros utilizam princípios de modelação,que consiste na observação de como o par típico executa a atividade, para posteriormente o aluno-alvo realizar/imitar sozinho (Kamps et al., 2002; Pierce & Shreibman, 1995), ou ainda técnicas de role-play ou feedback corretivo, para auxiliar no entendimento dos procedimentos (Battaglia & Radley, 2014). Além da utilização de instrução prévia sobre as habilidades a serem desenvolvidas (como agir, o que dizer), observa-se também a estratégia do professor utilizar-se dos estímulos dos pares, no contexto das trocas 3 Tradução dos autores. Arquivos Analíticos de Políticas Educativas Vol. 26, No. 23 5 estabelecidas, para maximizar os recursos que o aluno já apresenta naturalmente na interação (Hundert, 2009). No meio acadêmico, a IMP tem sido reconhecida como uma Prática Baseada em Evidências4. Há pelo menos 27 estudos experimentais que revelam evidências suficientes que permitem indicar a IMP como estratégia efetiva para alunos com autismo na escola (Neitzel, Boyd, Odon & Edmondson Pretzel, 2008). Uma das principais vantagens dessa intervenção é a versatilidade de ser passível de implementação em ambientes naturalísticos, como a sala de aula, o recreio, o lanche coletivo e o parque infantil (Nunes & Araujo, 2014; Zagona & Mastergeorge, 2016). Ambientes estes, onde o professor atua diariamente e que fazem parte da rotina da criança, locais onde ocorrem as trocas espontâneas e lúdicas, permeadas por oportunidades de ensino vivenciadas cotidianamente. Neste sentido, a IMP se diferencia de outras práticas clínicas, controladas e estruturadas, por ser uma Prática Baseada em Evidência com aplicação direta no campo escolar e educacional (Neitzel et al., 2008). Em um contexto de inclusão escolar, um conteúdo frequentemente presente no relato dos professores se refere à dificuldade em dar contadas demandas da turma somadas às do aluno com autismo (Lima & Laplane, 2016; Schmidt et al. 2016). No caso da IMP, essa intervenção descentraliza o tempo de atenção que o professor dedica exclusivamente ao aluno com deficiência, o qual passa a contar com a atenção e auxílio dos colegas, compartilhando a responsabilidade da inclusão com toda a turma (Chan et al., 2009). Embora o professor esteja à frente da intervenção, tanto no treinamento dos pares quanto no acompanhamento direto do aluno, ele não é o único ensinante deste processo, pois tem à disposição o contexto como um todo, incluindo os colegas de classe. Esta intervenção tem sido ampla e continuamente utilizada no contexto da Educação Especial, mostrando resultados promissores, especialmente para o desenvolvimento de habilidades sociais de alunos com autismo (Chang & Locke, 2016; Girolametto, Weitzaman & Earle, 2013; Kamps et al., 2014; Mason et al., 2014; Watkins et al., 2015). Isso porque o comprometimento social é um déficit central para estas crianças, o que restringe a interação com pares em ambientes de aprendizagem e constitui-se uma das principais barreiras à aprendizagem e participação. Conforme a quinta edição do Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais (APA, 2013), o Transtorno do Espectro Autista se caracteriza por alterações nas áreas da comunicação social e a presença de comportamentos, atividades e interesses restritos e estereotipados. A utilização de pares como forma de intervenção na sala de aula mostra resultados positivos não somente para a o aluno com autismo, mas também para seus colegas (Kamps et al., 2014; Koegel, Vernon, Koegel, Koegel & Paullin, 2012). Há evidências de que os colegas que participaram das intervenções também aumentaram seu conhecimento sobre autismo e incrementaram atitudes positivas para com colegas com deficiência (Kasari et al., 2012; Mason et al., 2014; Thiemann & Goldstein, 2004). Outra vantagem da IMP é sua utilização com aqueles que possuem pouca ou nenhuma habilidade verbal, já que nesta intervenção a iniciativa para interagir e as instruções às crianças com diagnóstico partem dos pares típicos, que servem como modelos de interações verbais e não verbais aos pares com autismo. As trocas resultantes da intervenção são refletidas no aumento do tempo de engajamento na interação, consequentemente diminuindo os períodos de isolamento do aluno com autismo na escola (Camargo & Bosa, 2009; Rotheram‐Fuller, Kasari, Chamberlain & Locke, 2010). 4 Práticas Baseadas em Evidências são intervenções relatadas através de pesquisas cuja eficácia é comprovada conforme uma criteriosa avaliação científica por centros de excelência. Alguns desses centros são o National Autism Center (http://www.nationalautismcenter.org/) e o National Professional Developmental Center (http://autismpdc.fpg.unc.edu/). http://www.nationalautismcenter.org/ Intervenção Mediada por Pares 6 Embora a IMP tenha amplo reconhecimento e utilização internacionais, ainda é pouco conhecida no Brasil. Há escassez na literatura nacional de relatos sobre intervenções que utilizam pares na escola e que partem do mesmo princípio teórico desenvolvimentista de interação para favorecer aquisição de habilidades sociais ou aprendizagem. Poucos estudos nacionais sobre o tema utilizam a terminologia “tutoria de pares” (Matos, 2014; Ribela, Reis & Gioia, 2009; Santos & Mendes, 2008). Conceitualmente, este tipo de IMP pode ser definido como um sistema de ensino em que os alunos ajudam mutuamente (Goodlad & Hirst, 1989), no qual os pares auxiliam os colegas a aprender, o que está sendo ministrado, através de estratégias de cooperação, repetição e instrução (Fernandes & Costa, 2015). Matos (2014) buscou investigar se a IMP facilitava e/ou aumentava as interações sociais e comunicativas entre crianças com autismo e seus pares, por meio de um estudo de caso único, tendo como análise uma abordagem mista. Participou do estudo uma criança de 10 anos com autismo, matriculada no 5oano, e dois colegas de classe com desenvolvimento típico, da mesma faixa etária. Para isso, utilizaram como base uma estratégia denominada “Vamos jogar juntos”, que consistia no convite ao aluno-alvo, e posteriormente na modelagem, para iniciar e participar do jogo. Os jogos utilizados na intervenção foram jogos de bola e jogo de palmas (com imitação). Os instrumentos de coleta registraram a frequência de comportamentos (iniciação, resposta e interação), tendo como critério definido a contagem do número de vezes que os comportamentos ocorriam e a duração dos comportamentos registrada em tempo (segundos). Os resultados do estudo apontaram que durante a implementação do programa houve um aumento tanto da frequência como da duração das interações sociais entre o jovem com autismo e os seus pares. Ribela, Reis e Gioia (2009) analisaram um procedimento para aumentar a ocorrência de interações sociais e melhorar a natureza das interações entre jovens com desenvolvimento atípico e seus pares. Participaram do estudo, dois jovens com síndrome de Down, com 18 anos, e dois pares típicos, da mesma sala de aula. O momento escolhido para a realização da intervenção foram as aulas de educação física, que duravam 45 minutos. Inicialmente, foram avaliados os repertórios iniciais de interação social dos alunos participantes, seguidos de instruções e formação do professor antes das aulas e, posteriormente, dicas orais e feedback imediatamente antes e depois de suas aulas. Após esta etapa, os pesquisadores retiraram todas as instruções ao professor, para verificar se este mantinha os comportamentos direcionados à melhoria das interações sociais entre seus alunos. Os resultados sugeriram que este procedimento se mostrou eficaz para aumentar a quantidade de interações sociais, como também possibilitou melhorar a sua qualidade. Já Santos e Mendes (2008) investigaram o efeito dessa intervenção sobre o desempenho acadêmico em duas turmas de uma escola regular, com e sem a tutoria de pares. Por meio de um delineamento experimental de linhas de base múltiplas, foram utilizados três pares para cada um dos dois alunos com deficiência, os quais receberam treinamento duas vezes por semana para ensinar reconhecimento e nomeação de vogais do alfabeto. Melhoras foram identificadas em ambos os grupos. No entanto, um dos participantes que atuou como controle no estudo obteve queda gradual do seu desempenho, contrapondo-se aos achados da literatura sobre IMP, na medida em que indica que a tutoria dos pares pode nem sempre ser efetiva, ao que os autores indicam a necessidade de mais estudos para determinar as condições que favorecem ou dificultam a efetividade da intervenção. Destaca-se ainda, que a intervenção de tutoria de pares utilizada nestes estudos não seguiu o mesmo protocolo da IMP, o que pode ser observado na ausência de um instrumento com critérios para seleção dos tutores, sendo estes escolhidos por apreciação, entre outros procedimentos. O protocolo de intervenção IMP tem por função garantir que a implementação atenda fidedignamente o modo como foi desenvolvida a pesquisa, cujos resultados evidenciam sua eficácia como Prática Arquivos Analíticos de Políticas Educativas Vol. 26, No. 23 7 Baseada em Evidência. Além disso, as crianças do estudo não tinham diagnóstico de autismo uma delas apresentava deficiência intelectual associada à síndrome de Down e, a outra, sem a condição identificada. Diante deste contexto, o objetivo deste estudo é apresentar uma revisão sobre a Intervenção Mediada por Pares na educação de alunos com autismo, destacando suas origens e implicações para a pesquisa e para a prática pedagógica. Origens, Tipos e Implicações da IMP O reconhecimento de que o comportamento dos pares influencia profundamente o comportamento individual não é atual (Rubin, Bukowski, Parker & Bowker, 2008). Porém, sua utilização sistematizada como forma de intervenção com crianças surge na literatura a partir dos anos 1970. Um dos trabalhos pioneiros foi de autoria dos americanos Samuel Odom e Philip Strain, em uma revisão de estudos sobre abordagens mediadas por pares, publicado entre 1960 e 1980 (Odon & Strain, 1984). Neste trabalho, sãodescritas as bases do que constitui essa intervenção, organizando uma taxonomia das principais tipologias de IMP e suas evidências empíricas. As instruções na IMP, como ponto central dessa abordagem, não são padronizadas para todas as intervenções, mas determinadas de modo personalizado a partir do objetivo inicial estabelecido, o que acaba resultando em uma variedade de modelos que podem ser seguidos pelo par e orientados pelo adulto. Odom e Strain (1984) destacaram três tipos principais de abordagens da IMP: 1) intervenção por proximidade; 2) intervenção por reforço; e 3) intervenção por iniciativas. Na Intervenção por proximidade, as crianças com desenvolvimento típico, socialmente mais competentes, são colocadas lado a lado com a criança-alvo em um contexto de brincadeira. Apesar das crianças com desenvolvimento típico não receberem um treinamento prévio sobre como se comportar para ampliar as interações sociais da outra criança, esse encontro, por si só, possibilita a brincadeira compartilhada. O ensino e a aprendizagem ocorrem através dessa troca natural e espontânea entre as crianças. Esta abordagem da IMP teve origem em um estudo de Suomi e Harlow (1972), por meiode um rigoroso delineamento experimental. Os autores partiram de achados anteriores de que macacos criados isoladamente até seis meses de idadeapresentam dificuldades sociais importantes, como comportamentos estereotipados e autoagressivos. Em seu experimento, macacos que passaram os primeiros seis meses de vida isolados foram colocados em convivênciacom “macacos terapeutas” (como chamados pelo autor) visando à reabilitação social. Quando em convíviocom a mãe ou com macacos mais velhos, poucas mudanças de comportamentos sociais foram observadas. No entanto, quando colocados com macacos três meses mais jovens e/ou da mesma faixa etária, ocontato físicofoi mais frequente e a interação entre eles aumentou rapidamente.Os resultados mostraram diminuição dos comportamentos estereotipados e agressivos que chegaram praticamente à extinção, ao passo que os comportamentos sociais foram aumentando gradualmente em complexidade até o ponto de não se distinguir mais entre aqueles macacos privados precocemente de interações e seus pares. Este experimento mostrou que astrocas entre pares de idades aproximadas resulta em ganhos maiores no desenvolvimento social porque estes insistem mais na proximidade e trocas do que aquelescom idade mais avançada ou adultos. Os primeiros estudos com esta modalidade de intervenção mostraram resultados animadores com crianças com autismo (McHale, 1983). Seis alunos com com o transtornoforam agrupados com outros sem deficiência em episódios lúdicos diários durante dez semanas. Com isso,os primeiros aumentaram a frequência de interações sociais com seus pares e diminuíram o tempo de isolamento. O mesmo não ocorreu quando os alunos com autismo foram agrupados com crianças mais novas Intervenção Mediada por Pares 8 (Lord, 1984), corroborando os achados anterioressobre a importância de os pares terem idades aproximadas Estudos mais recentes (Camargo Rispoli, Ganz, Hong, Davis & Mason, 2016; Gutierrez, Hale, Gossens-Archuleta, & Sobrino-Sanchez, 2007; Scattoni, 2007) têm enfatizado que, pela própria natureza do autismo, a simples proximidade entre os colegas de idades semelhantes, sem que haja uma intervenção planejada e treinamento com os pares, pode não alcançar os resultados desejados. Isso por que a ausência de um planejamento específico que ofereça fontes de motivação e assistência pode fazer com que os pares típicosse frustrem com a falta de resposta dos colegas com autismo e diminuamsuas solicitações para interação. O segundo tipo de abordagem de IMP é de natureza teórica comportamental, denominada IMP por reforço (Odon & Strain, 1984). Neste caso,as crianças com desenvolvimento típico são instruídas a solicitar determinado comportamento social da criança com autismo, reforçando subsequentemente as respostasrecebidas para aumentar sua frequência. Os pares típicos utilizam instruções verbais para envolver a criança-alvo em alguma atividade social e, posteriormente, se utilizam de um reforço, normalmente verbal, para manter ou aumentar a frequência do comportamento desejado. Este tipo de abordagem pode utilizar apenas o reforço,separadamente (caso o comportamento desejado já esteja presente), ou então a instrução e o reforço conjuntamente. Dentre os primeiros estudos envolvendo a IMP porreforço, destaca-se a pesquisa de Wahler (1967), em que um grupo de cinco crianças da pré-escola foitreinado para responder comatenção quandoas crianças-alvo eram expostas a comportamentos sociais.Como a atenção tinha a função de reforçador para o comportamento pró-social, mandos verbaisforam utilizados como incentivo para aumento da frequênciadestes comportamentos. O início do uso do IMP por reforço eramais frequente em estudos envolvendo crianças com atrasos cognitivos, como a deficiência intelectual (Wiesen, Hartley, Richardson & Roske, 1967; Young & Kerr, 1979). Nestas pesquisas, os pares típicos receberam treinamento para desenvolver o aumento de verbalizações ede jogo social através da modelagem.No entanto, os resultados positivos foram evidenciadosmais claramente quando foi utilizada atenção social positiva, pelo par típico,como reforço verbal. Poucos registros são encontrados sobre estudos envolvendo este tipo de IMPcom alunos com autismonas décadas de1960 e 1970, ao passo que diversos estudos empregam o reforço verbal como estratégia—por exemplo, elogios e feedback positivo (Carter et al., 2005; Dugam et al., 1995; Kamps et al., 2002; Laushey & Heflin, 2000; Lee, Odom & Loftin, 2007). Em alguns casos, o reforço verbal é associado a reforços primários como, por exemplo, pequenas porções de um lanche favorito. Em outras situações, são utilizados reforçadores secundários,comoo acesso a um brinquedo ou atividade preferidos. Estas estratégias se justificam pelo fato de queoutras fontesde motivação paralelas podem ser necessárias até que as habilidades sociais sejam adquiridas,realizando uma transição gradual para formas mais naturais de reforçamento, até que a própria interação com os pares seja possível (Camargo et al., 2016). O terceiro tipo da abordagem da IMP é chamado Intervenção por Iniciativa. Neste caso,os pares são instruídos a tomarem a iniciativa nas interações, ou seja, criam eventos para obter respostas sociais da criança. Essas iniciativas podem ser o alcance de um brinquedo ou a sugestão de um jogo. As primeiras intervenções de IMP por iniciativa foram realizadas por Strain, Shores e Timm (1977), com o objetivo de promover o comportamento positivo de seis meninos em idade pré- escolar com problemas comportamentais.Melhorias foram observadas em cinco dos seis meninos participantes. Em seguida, Ragland, Kerr e Strain (1978) utilizaram este mesmo tipo de IMP com três crianças com autismo em idade escolar. Os autores realizaram o treinamentocom um colega de classe para iniciar a interação social com as crianças, o que resultouem um aumento da interação Arquivos Analíticos de Políticas Educativas Vol. 26, No. 23 9 social nas atividades realizadas em sala de aula e ganhos positivos para todas as crianças envolvidas. Embora este tipo de IMP seja mais comum de ser utilizado com crianças (Odon & Strain, 1984), ele já foi empregadocom eficáciacom adultos, inclusive idosos (Dy, Strain, Fullerton & Stowitschek, 1981). Ao inter-relacionar as diferentes modalidades de IMP, percebe-se que,em virtude da naturezade sua intervenção, todas têm mostrado resultados positivos, em grande partepor serem desenvolvidas em ambientes onde as trocas e as interações sociais são constantes, como na escola. No entanto, ao pensar na educação de crianças com autismo, devemos levar em consideração as idiossincrasias do transtorno, quando asinterações não dirigidas ou muito amplas pouco influenciam o comportamento do aluno e, consequentemente, os resultados mostram-se menos consistentes. Observa-se que os três tipos de IMP utilizam técnicas instrucionais distintas. Enquanto a IMP por proximidade baseia-se nos princípios de modelação, ou seja, a criança com autismo deve aprender as habilidades por imitação do par, a IMP por reforço utiliza um treinamento direto dos pares sobre quais habilidades devem ser reforçadas no aluno-alvo. Embora a literatura sobre IMP não identifique claramente mais eficácia de uma sobre outra, há de se considerar que o ensino direto e tangível (reforços) seria mais indicado para alunos com autismo que o ensino por observação (aprendizagem vicária), dadas as dificuldades de imitação e identificação de estímulos salientes no ambiente tipicamente associado a esse alunado (Murphy et al., 2017). Não obstante a potencial efetividade da aprendizagem por modelação como estratégia de aprendizagem, a simples inserção de um aluno entre seus colegas sem incorporar outros procedimentos de intervenção não é suficiente para prover ganhos significativos à criança com menor habilidade social (Gutierrez et al., 2007; Hartup, 1989). Atualmente, novas abordagens e configurações de IMP têm sido estudadas, combinandoe mesclando os tipos acima descritos.Modificações incluem, por exemplo, a utilização de estratégias de reforço positivo não apenas para a criança-alvo, mas também para os pares com desenvolvimento típico (Fetig, 2013), bem como estímulo e feedback ao longo das atividades para mantera motivaçãodos pares para interação, a qual pode ser ameaçada pelas dificuldades de engajamento em trocas recíprocas do colega com autismo (Kaya, Blake & Chan, 2015). Dentre os formatos atuais de IMPque integram esses procedimentos, o Ensino Incidental porPares (Peer Incidental Teaching), Colegas de Recreio (Reccess Budies)e Redes de Pares (Peer Networks) têm recebido atenção na literatura. O Ensino Incidental por Pares caracteriza-se por não se fixar auma sequência predeterminada de estratégias para as interações do início ao fim da intervenção, como o modelo tradicional. Sua diferença apoia-se na utilização de arranjos ambientais (objetos, brinquedos) para tornar o ambiente atraente para a criança, usando indicações, ou as próprias iniciativas dela, para iniciar, manter e incrementar as trocas entre os pares (Hundert, 2009). Estudos que utilizaram esta modalidade de IMP para a promoção e desenvolvimento da fala mostraram ganhos tanto para as crianças típicas (Owen-DeSchryver, Carr, Cale & Blakeley-Smith, 2008) quanto para as crianças com autismo (McGee, Almeida & Sulzer-Azaroff, 1992; McGee, Krantz, Mason & McClannahan, 1983) em função da mediação acontecer de forma mais espontânea, não seguindo estratégias preestabelecidas. Outra abordagem de IMP pode ser traduzida como Colegas de Recreio, a qual se caracteriza por não determinar a escolha de pares fixos para a intervenção (Hundert, 2009; Mason et al., 2014). Consiste em um sistema de revezamento entre os colegas para participarem da intervenção com o aluno-alvo. A turma toda recebe orientações sobre inclusão, diferença/deficiência e a importância das interações e do brincar juntos. A cada dia um colega da sala é sorteado para intervir com o aluno-alvo e realizar as atividades propostas, tais como jogos com mapas, basquete ou pega-pega (Fettig, 2013). Intervenção Mediada por Pares 10 Já a abordagem por Redes de Pares possui muitas características em comum com a de Colegas de Recreio. Inclusive, podem ser utilizadas de forma combinada (Mason et al., 2014). Ambas envolvem crianças com autismo recebendo mediação por um grupo de crianças com desenvolvimento típico e o treinamento prévio dos pares para esta intervenção (Garrison-Harrel, Kamps, & Kravits, 1997; Kamps, Potucek, Lopez, Kravits & Kemmerer, 1997). No entanto, esta abordagem envolve um grupo menor de crianças típicas, geralmente de três a cinco, que realizam a interação em momentos predeterminados do período escolar, escolhidos individualmente, conforme cada criança com autismo. Esta modalidade também apresenta resultados positivos sobre a interação social, apesar da desvantagem de demandar muito tempo em treinamento específico a este pequeno número de crianças, geralmente fora da sala de aula, tempo que poderia ser gasto em intervenção (Hundert, 2009). Independentemente do tipo de abordagem de IMP utilizado, as evidências da sua eficácia se sustentam, justificando o fato de ser considerada uma prática baseada em evidência (Fettig, 2013). Mas o que chama a atenção é seu potencial aproveitamento para a inclusão de alunos com autismo, campo carente de práticas efetivas, especialmente para o desenvolvimento das habilidades sociais. Kamps et al. (2014), por exemplo, avaliaram o impacto desta intervenção utilizando o modelo de Redes de Pares para promover as habilidades sociais, mais especificamente a frequência de atos comunicativos de alunos do Ensino Fundamental com TEA. Foi empregado um delineamento experimental de estudo de caso único com linhas de base múltiplas entre os participantes. Os agentes de intervenção foram os funcionários da escola, a qual ocorreu em dois ambientes: na sala de recursos e na sala de fonoterapia. Participaram deste estudo quatro crianças com autismo e oito pares típicos. A equipe da escola acompanhou os pares, que foram anteriormente treinados pelo pesquisador do estudo. A intervenção aconteceu em um período de três meses, durante aproximadamente 30 minutos, três vezes por semana. Nesses momentos, a criança com autismo sentava-se à mesa entre os dois pares com desenvolvimento típico e o agente de intervenção (funcionário da escola) sentava-se junto somente quando direcionava as sessões de instrução aos pares. Foram utilizados jogos de caráter cooperativo (memória, quebra-cabeças e livros), um quadro com a programação visual da lição e um roteiro de ensino ao funcionário. Cada sessão era dividida em 10 minutos, em que o adulto conduzia as instruções sobre cada habilidade a ser mediada, 10 a 15 minutos de jogo livre e cinco minutos de feedback. Os resultados mostraram aumento de iniciativas a respostas e relacionadas ao total de atos comunicativos para todos os quatro participantes durante as sessões de mediação por pares, sendo observado um aumento da frequência de iniciativas em dois e de respostas em três dos quatro participantes. A IMP também foi a intervenção escolhida por Katz e Girolametto (2013) para estudar as interações sociais de três crianças com autismo, entre quatro e cinco anos de idade, na educação infantil. Foi desenvolvido um estudo experimental que utilizou linha de base múltipla intras sujeitos para verificar o nível de participação e tempo de duração das interações. Para participar do estudo, os pares típicos deveriam demonstrar interesse prévio de interagir com as crianças com autismo, ter a linguagem e as habilidades sociais desenvolvidas e estarem inseridos na mesma sala de aula que as crianças-alvo. Já os professores deveriam ter, no mínimo, cinco anos de experiência em escolas com crianças dessa faixa etária e seis meses com uma criança que tivesse necessidades especiais. Foram utilizados materiais lúdicos disponíveis na pré-escola, como livro de histórias, fantoches e placas de comunicação. Os procedimentos consistiam em quatro etapas consecutivas ao longo de quatro meses de intervenção: 1) treinamento de dois professores da Educação Infantil, 2) treinamento de habilidades sociais a todas as crianças participantes (criança-alvo e pares), 3) 12sessões de jogos de 20 minutos, três vezes por semana durante quatro semanas; e 4) acompanhamento e sessão de apoio aos educadores. A primeira etapa ocorreu em duas sessões informando os professores sobre os Arquivos Analíticos de Políticas Educativas Vol. 26, No. 23 11 procedimentos e objetivos, e a segunda foi composta por cinco sessões de meia hora com cada criança. A terceira etapa envolveu jogos de blocos e massinha de modelar (sendo 10 minutos para cada material), e na quarta etapa, através de contato por telefone, o educador explanou suas dúvidas referentes à intervenção, as quais foram respondidas pelo pesquisador, visando oferecer apoio ao profissional que estava na escola. A eficácia da intervenção foi confirmada por inspeção visual dos dados que foram coletados por meio de filmagens, e calculada a porcentagem de duas variáveis: participação interativa, ou seja, interação que deveria se estender além da iniciativa de resposta, e a duração dessas interações, que deveriam ser mais prolongadas. Foram observados resultados importantes e encorajadores, como a ampliação em 100% da frequência nas sessões de jogo tanto para o engajamento social quanto para a promoção das habilidades sociais das três crianças participantes. Além disso, a intervenção foi considerada apropriada e viável para ser desenvolvida em ambientes naturalísticos, como escolas, onde o controle sobre as variáveis é menor. Na mesma linha de investigação, Koegel et al. (2012) avaliaram se a socialização melhoraria os interesses de interação das crianças com autismo quando mediadas por seus pares. O estudo utilizou um delineamento experimental com linha de base múltipla, em que participaram três crianças com autismo,com média de idade entre quatro e cinco anos, matriculados na pré-escola. Seguindo a abordagem de Colegas de Recreio, o período escolhido para as intervenções foi o intervalo das aulas no pátio, quando as crianças se sentavam em mesas de piquenique, para lanchar com seus pares,por aproximadamente 15 minutos, seguidos por 30 a 45 minutos de jogo livre. As mediações pelos pares ocorriam nos dois momentos. As intervenções foram realizadas sistematicamente com um participante de cada vez, no início do período do lanche. Foram avaliados tanto o engajamento com os pares quanto a espontaneidade nas iniciativas verbais. A pontuação era atribuída pelo avaliador quando a criança com autismo respondia à mediação, falando, jogando, criando situações de interação com seu par, discutindo a atividade ou ouvindo um colega ao fazer contato visual sustentado. Os resultados mostraram que nenhuma das crianças se engajou com os seus pares na fase pré-intervenção, em que a linha de base se manteve nula. Após o início da intervenção, o engajamento aumentou gradativamente, chegando, em um dos casos, a 100% no final das intervenções. A espontaneidade das iniciativas verbais das crianças com autismo seguiu o mesmo padrão, ou seja, partiu de uma estabilidade em 0% na fase pré e aumentou ao longo da intervenção. Os dados discriminaram que aquelas atividades que centraram no interesse das crianças com autismo, quando mediadas pelos pares, resultaram em ganhos tanto na frequência do engajamento social quanto das iniciativas verbais. Para verificar os efeitos de um programa de habilidades sociais mediadas por pares sobre a frequência de atos comunicativos de alunos com autismo, Mason et al. (2014) utilizaram professores de uma escola para implementar a IMP do tipo Colegas de Recreio.O critério para seleção dos pares teve como base o fato de os alunos com autismo estarem na mesma sala de aula que a criança- alvo.Os agentes de intervenção, treinados pelos pesquisadores, atuaram em sessões que ocorreram de duas a três vezes por semana no espaço do recreio, intercaladas por períodos de instruções aos pares. A orientação aos colegas envolveu o uso de recursos visuais para responder e dar início às interações durante uma atividade de jogo estruturado. Crianças com desenvolvimento típico foram orientadas para interagir e solicitar respostas e/ou iniciativas de comunicação aos participantes com autismo. Os resultados mostraram um aumento da frequência dos atos comunicativos nas crianças- alvo logo após a introdução da intervenção, comprovando sua eficácia. Além de estudos empíricos, pesquisas de revisão sistemática também se propuseram a analisar os resultados das intervenções mediadas por pares. Chan et al. (2009)realizaram uma análise sistemática dos estudos que utilizaram IMP com alunos com autismo. A busca foi realizada nas Intervenção Mediada por Pares 12 bases de dados Psyc INFO e Educational Resources Information Center (Eric) utilizando os descritores: deficiências de desenvolvimento, autismo, atraso mental, deficiente, mediação de pares, formação de colegas, intervenção mediada por pares e suporte de pares. Apesar de não haver um recorte temporal delimitado, a pesquisa restringiu-se a incluir apenas estudos em língua inglesa e revisados por pares. Além disso, os estudos deveriam ter como participantes da intervenção pessoas diagnosticadas com Autismo, Síndrome de Asperger ou Transtorno Global do Desenvolvimento (TGD). Os 42 estudos selecionados contaram com um total de 172 participantes e 396 pares treinados. Os resultados relatados foram positivos (91% de todos os estudos analisados), mas a revisão apontou que a maioria dos estudos é limitada quanto à avaliação da fidelidade, comumente ausente. Apenas dois estudos foram considerados de boa magnitude, por incluir15participantes cada, cinco estudos tiveram apenas um participante, 29com dois ou três participantes e oito estudos de quatro a dez participantes. A idade dos participantes com autismo variou de2 a 13 anos, sendo 138 do sexo masculino e apenas 34 do sexo feminino. Uma variedade de métodos foi usada para treinar os pares típicos na implementaçãodas intervenções, como orientações verbais, modelagem, feedback contínuo, pistas visuais, manuais de instruções e instruções por vídeo.De forma geral, o principal resultado apontado é que a implementação da IMP é compatível com uma rotina típica de sala de aula, ou seja, apropriada para ser utilizada em um ambiente naturalístico, o que indica a potencialidade dessa intervenção nas escolas. De forma mais específica, os resultados apontam que, em relação aos métodos utilizados para a instrução de pares, 28 estudos fizeram uso de instrução verbal, 25 estudos, de modelagem, 11 estudos, de feedback contínuo e,como as menos utilizadas,são citadas as ajudas visuais. Quanto às variáveis, a maioria dos estudos analisados incluiu habilidades sociais (atenção, comunicação, interação) e um mínimo de habilidades acadêmicas (fluência e compreensão de leitura, ensino de estudos sociais, matemática). Outra revisão recente investigou a IMP para crianças e adolescentes com autismo (Chang & Locke, 2016). Esta revisão sistemática também selecionou estudos através da busca nas bases de dados PsycINFO, Educational Resources Information Center (Eric) e Pub Med, abrangendo os campos da educação, psicologia e medicina. Foram encontrados 1.343 artigos utilizando as palavras-chave autismo, habilidades sociais, intervenção mediada por pares e escola. Deste total, apenas cinco preencheram os critérios de inclusão, ou seja, tinham delineamentos com desenho de grupo experimental (todos os estudos com caso único foram excluídos),os participantes tinham diagnóstico de autismo, utilizavam a IMP para desenvolvimento de uma habilidade social (por exemplo, o engajamento de pares, iniciações, respostas) e descreviam o treinamento dos pares. Os resultados mostraram que quatro dos cinco estudos foram conduzidos em ambiente escolar, enquanto apenas um ocorreu em um acampamento. Todos os estudos concluíram que os participantes incrementaram as habilidades sociais-alvo após a intervenção (por exemplo, iniciações sociais, respostas sociais, comunicação social), embora a IIMP seja promissora para abordar as habilidades sociais,ainda há muitas áreas que não são contempladas com esta abordagem (por exemplo, crianças com comprometimentos em níveis diferentes e faixas etárias distintas, e alunos do Ensino Fundamental e Médio, cujos interesses estão mais focados na aprendizagem), e sugeriram ainda que pesquisas futuras envolvendo a IIMP devem medir a fidelidade da implementação da intervenção. A revisão sistemática de Watkins et al. (2015) buscou avaliar os estudos sobre o uso da IMP para desenvolvimento de habilidades sociais em ambientes inclusivos entre 2008 e 2014. Dos 36 artigos encontrados, foram analisados apenas 14, que preencheram os critérios de inclusão, ou seja, estudos experimentais com alunos com autismo que recebiam a intervenção em contexto inclusivo (salas com terapia isolada foram excluídas). A generalização e a manutenção das habilidades desenvolvidas, bem como a sua validade social, verificadas nos estudos analisados são indicadores importantes da eficácia da intervenção. Esses autores concluem que as características dos Arquivos Analíticos de Políticas Educativas Vol. 26, No. 23 13 participantes (relacionadas à falta de capacidade, de interesse ou motivação) e o tipo de déficit social dos sujeitos (relacionado a um comportamento desejado ou ao aumento de iniciativa)são considerações importantes na escolha de uma intervenção IMP.Isto é, a escolha deve levar em consideração as características dos participantes e como essas características podem afetar ou interagir com uma determinada abordagem de tratamento. As revisões apresentadas, tanto as teóricas quanto as empíricas, concluíram que a IMP é uma intervenção válida para desenvolver habilidades sociais com alunos com autismo, porém não está restrita a esta área do desenvolvimento. AIMP que é utilizada especificamente para o desenvolvimento da aprendizagem formal tem sido chamada de Estratégias de Aprendizagem Assistidas por Pares – EAAP (Peer-Assisted Learning Strategies – PALS). Há quase vinte anos, a EAAP vem sendo estudada em salas de aula, mostrando-se apropriada a alunos com diferentes níveis de dificuldades, razão pela qual é reconhecida pelo Departamento de Educação Americano como uma prática Baseada em Evidência (McMaster, Fuchs & Fuchs, 2006). McMaster et al. (2006) revisaram as pesquisas com a EAAP para melhor descrever sua efetividade, incluindo os benefícios e as limitações do programa. Apesar da efetividade comprovada em estudos de larga escala, os autores sugerem que nem todas as crianças com deficiência mostram ganhos nas habilidades de leitura por meio desta intervenção. Nesse grupo se enquadram aqueles alunos com déficits cognitivos, baixos níveis de consciência fonológica e atenção ou em situação de vulnerabilidade social. Quanto aos benefícios, é atribuída a importância da viabilidade da EAAP no contexto escolar, utilizando professores como agentes de intervenção. Para os alunos, somam-se as evidências de ganhos na ampliação de vocabulário, o aumento do reconhecimento de palavras, a fluência da leitura (velocidade e precisão), a compreensão da leitura, o desenvolvimento da consciência fonológica, entre outros. Apesar dos benefícios da EAAP e da IMP, não há ainda estudos experimentais identificando sua eficácia em relação à construção de aprendizagem (habilidades pré-acadêmicas e formais) de alunos com autismo. No entanto, ambas se mostram como intervenções adequada para serem empregadas no contexto de inclusão escolar destes alunos. Considerações Finais A partir das discussões tecidas e dos estudos analisados, percebe-se a potencial contribuição da IMP para as práticas pedagógicas e para a inclusão escolar de alunos com autismo. Muitos estudos já apontam sua eficácia em ambientes naturalísticos e tecem importantes pontos a serem considerados no desenvolvimento de habilidades desse alunado. Assim, a Intervenção Mediada por Pares oferece uma importante contribuição tanto para a pesquisa quanto para as práticas pedagógicas. Quanto à primeira, a escassez de pesquisas nacionais sobre o tema, somada às evidências de efetividade em estudos internacionais, destaca a importância do investimento em estudos sobre IMP no Brasil. Sua viabilidade de implementação no espaço escolar preenche uma lacuna no cenário da inclusão escolar nacional, colocando-a como uma alternativa importante. Para tanto, é necessário investigar como essa intervenção pode ser utilizada com os professores e alunos brasileiros, ajustando e adequando o protocolo utilizado nas pesquisas americanas para a realidade brasileira. Neste sentido, é importante manter a equivalência entre os resultados registrados nas pesquisas e sua implementação nas escolas através de medidas de fidelidade que garantem a acurácia da intervenção, aspecto apontado consistentemente nas pesquisas internacionais como pouco reportado nos estudos e fundamental para a validade e confiabilidade dos resultados obtidos (Wollery, 2011). Quanto às práticas pedagógicas, a possibilidade de o apoio ao aluno com autismo ser provido não somente pelos professores, mas também pelos colegas de sala, pode auxiliar em uma Intervenção Mediada por Pares 14 mudança de paradigma, ou seja, de que o professor deve ser o único responsável pela inclusão e desenvolvimento da criança com autismo na sala de aula (Schmidt et al., 2016). A IMP e a EAAP oferecem uma mudança de perspectiva quando propõem que os próprios colegas possam auxiliar o professor na mediação de habilidades de seus alunos em sala de aula. De modo geral, a IMP e a EAAP surgem na literatura como uma possível prática pedagógica eficaz para os professores que trabalham com inclusão escolar,em termos de intervenção especialmente para crianças com autismo em processo de escolarização. Sua implementação em larga escala pode auxiliar o desenvolvimento das habilidades acadêmicas e sociais dos alunos com autismo, preenchendo uma das lacunas na formação docente frequentemente relatada pela literatura nacional (Nascimento et al., 2016; Nunes et al., 2013; Schmidt et al., 2016; Terra & Gomes, 2013). A IMP envolve outras dimensões importantes a serem consideradas no trabalho desenvolvido pela escola. Esta revisão identificou evidências de avanços não só relacionados à promoção de habilidades do aluno-alvo, mas também em relação a aspectos que contemplam a própria inclusão escolar em um amplo sentido. Desloca a centralização do atendimento do professor em sala de aula para a intervenção em vários contextos da escola, como o pátio, por exemplo. Tem na mediação entre pares seu ponto mais forte, o que avança das interações verticais (interação com o professor) para as horizontais (apoio de colegas da mesma faixa etária), permitindo acesso às habilidades mais complexas do desenvolvimento. Minimiza o isolamento social na escola, consistentemente relatado na inclusão de alunos com autismo, aumentando o tempo que o aluno se dedica à tarefa. Além do aluno com deficiência, a IMP também mostra contribuições para o desenvolvimento social e emocional dos pares típicos que estão relacionados ao aluno-alvo, afetando o clima da sala de aula como um todo. Esta revisão destaca a relevância que tal intervenção vem apresentando ao longo dos últimos anos, sobretudo no campo da educação inclusiva. Grande parte das intervenções com alunos com autismo é descrita em contextos clínicos ou laboratoriais, sendo a IMP e a EAAP passíveis de serem implementadas em escolas. Assim, apesar de estarem sendo desenvolvidas, sobretudo em cenário internacional, a ampla variedade de contextos em que podem ser realizadas, somada ao baixo custo e à possibilidade de efetivá-las em ambientes naturalísticos, as tornam promissoras na realidade brasileira. No entanto, se faz necessário ressaltar que apesar da IMP ser uma estratégia favorável, a variedade de tipos que envolvem esta intervenção deve ser analisada cuidadosamente. Sua escolha e implementação deverão considerar o contexto da escola, as características do aluno-alvo e do professor, bem como os objetivos específicos que se quer alcançar (Lubas, Mitchell, & Gianluca, 2016). É a partir destas variáveis que o educador direcionará as ações a serem desenvolvidas tanto em relação ao par típico (que estará à frente da intervenção) quanto em relação à escolarização do aluno com deficiência (que receberá a intervenção). Além disso, deve-se planejar, para evitar potenciais limitações de intervenções mediadas por pares como o risco de exposição da criança com deficiência por atenção excessiva às suas limitações, prejuízo ao alcance de objetivos de aprendizagem dos pares típicos por inadequação do tempo dedicado a auxiliar o colega com deficiência e a fragilidade da fidelidade da intervenção por ser implementada por crianças e não por profissionais (Chan et al., 2009). Cabe ressaltar novamente que tanto os estudos internacionais quanto os nacionais pouco exploram a utilização dessas intervenções para o desenvolvimento de habilidades acadêmicas de alunos com autismo, as quais são essenciais como objetivos no processo de escolarização. Apesar dos resultados da IMP sobre a aprendizagem acadêmica, utilizando mais especificamente a EAAP, ainda se mostrarem incipientes, sugere-se a realização de estudos que contemplem e aprofundem esta temática na realidade brasileira. Arquivos Analíticos de Políticas Educativas Vol. 26, No. 23 15 Referências Associação Psiquiátrica Americana [APA]. (2013) DSM-5: Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. Porto Alegre: Artmed. Bandura, A. (2008). A evolução da teoria social cognitiva. In A. Bandura, R. G. Azzi, & Polydoro, S. Teoria social cognitiva: conceitos básicos, (p. 15-41). Porto Alegre: Artmed. Battaglia, A. A., & Radley, K. C. (2014). Peer-mediated social skills training for children with autism spectrum disorder. Beyond Behavior, 23(2), 4-13. https://doi.org/10.1177/107429561402300202 Brasil. (2008). Política Nacional de Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva. Ministério da Educação. Brasília: MEC/SEESP. 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Professora Adjunta da Faculdade de Educação e do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e Coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisa em Autismo e Inclusão (GEPAI/UFPel). Carlo Schmidt Universidade Federal de Santa Maria carlo.schmidt@ufsm.br Professor do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Departamento de Educação Especial. Coordenador do Grupo de Pesquisa Educação Especial e Autismo (EdEA/UFSM). mailto:fabi.sramos@hotmail.com mailto:danieledenardinbittencourt@yahoo.com.br mailto:sigliahoher@yahoo.com.br mailto:carlo.schmidt@ufsm.br Arquivos Analíticos de Políticas Educativas Vol. 26, No. 23 21 arquivos analíticos de políticas educativas Volume 26 Número 23 26 de fevereiro 2018 ISSN 1068-2341 O Copyright e retido pelo/a o autor/a (ou primeiro co-autor) que outorga o direito da primeira publicação à revista Arquivos Analíticos de Políticas Educativas. Más informação da licença de Creative Commons encontram-se em http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5. Qualquer outro uso deve ser aprovado em conjunto pelo/s autor/es e por AAPE/EPAA. AAPE/EPAA é publicada por Mary Lou Fulton Institute Teachers College da Arizona State University . Os textos publicados em AAPE são indexados por CIRC (Clasificación Integrada de Revistas Científicas, Espanha) DIALNET (Espanha),Directory of Open Access Journals, Education Full Text (H.W. Wilson), EBSCO Education Research Complete, ERIC, QUALIS A1 (Brasil), SCImago Journal Rank; SCOPUS, SOCOLAR (China). Curta a nossa comunidade EPAA’s Facebook https://www.facebook.com/EPAAAAPE e Twitter feed @epaa_aape. http://www.doaj.org/ http://www.doaj.org/ https://www.facebook.com/EPAAAAPE Intervenção Mediada por Pares 22 arquivos analíticos de políticas educativas conselho editorial Editor Consultor: Gustavo E. Fischman (Arizona State University) Editoras Associadas: Kaizo Iwakami Beltrao, (Brazilian School of Public and Private Management - EBAPE/FGV, Brazil), Geovana Mendonça Lunardi Mendes (Universidade do Estado de Santa Catarina), Gilberto José Miranda, (Universidade Federal de Uberlândia, Brazil), Marcia Pletsch, Sandra Regina Sales (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro) Almerindo Afonso Universidade do Minho Portugal Alexandre Fernandez Vaz Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil José Augusto Pacheco Universidade do Minho, Portugal Rosanna Maria Barros Sá Universidade do Algarve Portugal Regina Célia Linhares Hostins Universidade do Vale do Itajaí, Brasil Jane Paiva Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Brasil Maria Helena Bonilla Universidade Federal da Bahia Brasil Alfredo Macedo Gomes Universidade Federal de Pernambuco Brasil Paulo Alberto Santos Vieira Universidade do Estado de Mato Grosso, Brasil Rosa Maria Bueno Fischer Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil Jefferson Mainardes Universidade Estadual de Ponta Grossa, Brasil Fabiany de Cássia Tavares Silva Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, Brasil Alice Casimiro Lopes Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Brasil Jader Janer Moreira Lopes Universidade Federal Fluminense e Universidade Federal de Juiz de Fora, Brasil António Teodoro Universidade Lusófona Portugal Suzana Feldens Schwertner Centro Universitário Univates Brasil Debora Nunes Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Brasil Lílian do Valle Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Brasil Flávia Miller Naethe Motta Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Brasil Alda Junqueira Marin Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Brasil Alfredo Veiga-Neto Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil Dalila Andrade Oliveira Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil Arquivos Analíticos de Políticas Educativas Vol. 26, No. 23 23 archivos analíticos de políticas educativas consejo editorial Editor Consultor: Gustavo E. Fischman (Arizona State University) Editores Asociados: Armando Alcántara Santuario (Universidad Nacional Autónoma de México), Jason Beech (Universidad de San Andrés), Angelica Buendia (Metropolitan Autonomous University), Ezequiel Gomez Caride (Pontificia Universidad Católica Argentina), Antonio Luzon (Universidad de Granada), José Luis Ramírez Romero (Universidad Autónoma de Sonora, México) Claudio Almonacid Universidad Metropolitana de Ciencias de la Educación, Chile Ana María García de Fanelli Centro de Estudios de Estado y Sociedad (CEDES) CONICET, Argentina Miriam Rodríguez Vargas Universidad Autónoma de Tamaulipas, México Miguel Ángel Arias Ortega Universidad Autónoma de la Ciudad de México Juan Carlos González Faraco Universidad de Huelva, España José Gregorio Rodríguez Universidad Nacional de Colombia, Colombia Xavier Besalú Costa Universitat de Girona, España María Clemente Linuesa Universidad de Salamanca, España Mario Rueda Beltrán Instituto de Investigaciones sobre la Universidad y la Educación, UNAM, México Xavier Bonal Sarro Universidad Autónoma de Barcelona, España Jaume Martínez Bonafé Universitat de València, España José Luis San Fabián Maroto Universidad de Oviedo, España Antonio Bolívar Boitia Universidad de Granada, España Alejandro Márquez Jiménez Instituto de Investigaciones sobre la Universidad y la Educación, UNAM, México Jurjo Torres Santomé, Universidad de la Coruña, España José Joaquín Brunner Universidad Diego Portales, Chile María Guadalupe Olivier Tellez, Universidad Pedagógica Nacional, México Yengny Marisol Silva Laya Universidad Iberoamericana, México Damián Canales Sánchez Instituto Nacional para la Evaluación de la Educación, México Miguel Pereyra Universidad de Granada, España Ernesto Treviño Ronzón Universidad Veracruzana, México Gabriela de la Cruz Flores Universidad Nacional Autónoma de México Mónica Pini Universidad Nacional de San Martín, Argentina Ernesto Treviño Villarreal Universidad Diego Portales Santiago, Chile Marco Antonio Delgado Fuentes Universidad Iberoamericana, México Omar Orlando Pulido Chaves Instituto para la Investigación Educativa y el Desarrollo Pedagógico (IDEP) Antoni Verger Planells Universidad Autónoma de Barcelona, España Inés Dussel, DIE-CINVESTAV, México Paula Razquin Universidad de San Andrés, Argentina Catalina Wainerman Universidad de San Andrés, Argentina Pedro Flores Crespo Universidad Iberoamericana, México José Ignacio Rivas Flores Universidad de Málaga, España Juan Carlos Yáñez Velazco Universidad de Colima, México javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/819') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/820') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/4276') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/1609') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/825') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/797') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/823') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/798') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/555') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/814') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/2703') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/801') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/826') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/802') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/816') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/3264') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/804') Intervenção Mediada por Pares 24 education policy analysis archives editorial board Lead Editor: Audrey Amrein-Beardsley (Arizona State University) Executive Editor: Gustavo E. Fischman (Arizona State University) Associate Editors: David Carlson, Lauren Harris, Eugene Judson, Mirka Koro-Ljungberg, Scott Marley, Iveta Silova, Maria Teresa Tatto (Arizona State University) Cristina Alfaro San Diego State University Gene V Glass Arizona State University Susan L. Robertson Bristol University, UK Gary Anderson New York University Ronald Glass University of California, Santa Cruz Gloria M. Rodriguez University of California, Davis Michael W. Apple University of Wisconsin, Madison Jacob P. K. Gross University of Louisville R. Anthony Rolle University of Houston Jeff Bale OISE, University of Toronto, Canada Eric M. Haas WestEd A. G. Rud Washington State University Aaron Bevanot SUNY Albany Julian Vasquez Heilig California State University, Sacramento Patricia Sánchez University of University of Texas, San Antonio David C. Berliner Arizona State University Kimberly Kappler Hewitt University of North Carolina Greensboro Janelle Scott University of California, Berkeley Henry Braun Boston College Aimee Howley Ohio University Jack Schneider College of the Holy Cross Casey Cobb University of Connecticut Steve Klees University of Maryland Noah Sobe Loyola University Arnold Danzig San Jose State University Jaekyung Lee SUNY Buffalo Nelly P. Stromquist University of Maryland Linda Darling-Hammond Stanford University Jessica Nina Lester Indiana University Benjamin Superfine University of Illinois, Chicago Elizabeth H. DeBray University of Georgia Amanda E. Lewis University of Illinois, Chicago Adai Tefera Virginia Commonwealth University Chad d'Entremont Rennie Center for Education Research & Policy Chad R. Lochmiller Indiana University Tina Trujillo University of California, Berkeley John Diamond University of Wisconsin, Madison Christopher Lubienski Indiana University Federico R. Waitoller University of Illinois, Chicago Matthew Di Carlo Albert Shanker Institute Sarah Lubienski Indiana University Larisa Warhol University of Connecticut Sherman Dorn Arizona State University William J. Mathis University of Colorado, Boulder John Weathers University of Colorado, Colorado Springs Michael J. Dumas University of California, Berkeley Michele S. Moses University of Colorado, Boulder Kevin Welner University of Colorado, Boulder Kathy Escamilla University of Colorado, Boulder Julianne Moss Deakin University, Australia Terrence G. Wiley Center for Applied Linguistics Melissa Lynn Freeman Adams State College Sharon Nichols University of Texas, San Antonio John Willinsky Stanford University Rachael Gabriel University of Connecticut Eric Parsons University of Missouri-Columbia Jennifer R. Wolgemuth University of South Florida Amy Garrett Dikkers University of North Carolina, Wilmington Amanda U. Potterton University of Kentucky Kyo Yamashiro Claremont Graduate University