Ensino de ciências na aldeia: Uma experiência com alunos da Etnia Aikanã sobre as plantas frutíferas da aldeia Página web: http://epaa.asu.edu/ojs/ Artigo recebido: 4/23/2019 Facebook: /EPAAA Revisões recebidas: 5/1/2020 Twitter: @epaa_aape Aceito: 3/2/2020 Dossiê Especial Educação e Povos Indígenas: Identidades em Construção e Reconstrução arquivos analíticos de políticas educativas Revista acadêmica, avaliada por pares, independente, de acesso aberto, e multilíngue Arizona State University Volume 28 Número 155 26 de outubro de 2020 ISSN 1068-2341 Ensino de Ciências na Aldeia: Uma Experiência com Alunos da Etnia Aikanã sobre as Plantas Frutíferas da Aldeia Luzia Aikanã Secretaria Estadual de Educação de Rondônia – SEDUC/RO Brasil & Reginaldo de Oliveira Nunes & Iuri da Cruz Oliveira Universidade Federal de Rondônia - UNIR Brasil Citação: Aikanã, L., Nunes, R. O., & Oliveira, I. C. (2020). Ensino de ciências na aldeia: Uma experiência com alunos da etnia Aikanã sobre as plantas frutíferas da aldeia. Arquivos Analíticos de Políticas Educativas, 28(155). https://doi.org/10.14507/epaa.28.4654 Este artigo faz parte do dossiê especial, Educação e Povos Indígenas - Identidades em Construção e Reconstrução, editado por Juliane Angnes e Kaizo Iwakami Beltrao. Resumo: Os grupos indígenas brasileiros buscam formas de resgatar sua cultura, mas muitas vezes enfrentam dificuldades que incluem a educação e, mais especificamente, o ensino de Ciências. Tendo como base, esse fator de subsídio a essa discussão, este trabalho teve o objetivo http://epaa.asu.edu/ojs/ https://doi.org/10.14507/epaa.28.4654 Ensino de Ciências na Aldeia 2 de identificar e discutir as percepções de estudantes indígenas da etnia Aikanã sobre as plantas frutíferas da sua terra indígena. Os dados foram obtidos por meio de questionário, aplicado a alunos de 6º a 9º ano do Ensino Fundamental, da Escola Municipal Multisseriadaa Indígena Capitão Aritimon, localizada na Aldeia Gleba Tubarão, Terra Indígena Tubarão Latundê. Observa-se as frutas podem vir a garantir uma sustentabilidade alimentícia na aldeia, sendo conhecidas pelos alunos, mas na maioria das vezes estão distantes das proximidades da aldeia, dificultando assim o seu consumo. A utilização da pesquisa no ensino de Ciências faz com que os alunos levantem um conhecimento prévio que os mesmos já possuem. Neste sentido, trabalhos como este são importantes ferramentas de ensino e construção de conhecimento. Palavras-chave: Plantas Frutíferas; Educação Indígena; Aikanã; Ensino de Ciências Science teaching in the village: An experience with Aikanã students and native fruit plants Abstract: Brazilian indigenous groups are looking for ways to rescue their culture, but they often face difficulties within education, and more specifically, science education. The aim of this study was to identify and discuss the perceptions of Aikanã indigenous students about the fruit plants of their native land. The data were obtained through a questionnaire, applied to 6th to 9th grade elementar school students, from the Municipal School Multisseriada Indígena Capitan Aritimon, located in the Gleba Tubarão Village, Tubarão Latundê Indigenous Land. It was observed that these fruits guarantee food sustainability in the village, and are known by the students. Most of the time, however, the fruits are distant from the village, thus making their consumption difficult. Research use in teaching science helps students access a prior knowledge that they already have about these native fruits, and. thus are important tools for teaching and building knowledge. Keywords: Fruit plants; Indigenous Education; Aikanã; Science teaching Enseñanza de ciencias en la aldea: Una experiencia con alumnos de la etnia Aikanã sobre las plantas frutales de la aldea Resumen: Los grupos indígenas brasileños buscan formas de rescatar su cultura, pero a menudo enfrentan dificultades que incluyen la educación y, más específicamente, la enseñanza de las ciencias. Con base en este factor de subsidio a esta discusión, este trabajo tuvo el objetivo de identificar y discutir las percepciones de los estudiantes indígenas de la etnia Aikanã sobre las plantas frutales de su tierra indígena. Los datos fueron obtenidos por medio de un cuestionario, aplicado a alumnos de 6º a 9º año de la Enseñanza Fundamental, de la Escuela Municipal Multiserial Indígena Capitão Aritimon, ubicada en la Aldea Gleba Tubarão, Tierra Indígena Tubarão Latundê. Se observa que las frutas pueden venir a garantizar una sustentabilidad alimenticia en la aldea, siendo conocidas por los alumnos, pero la mayoría de las veces están distantes de las cercanías de la aldea, dificultando así su consumo. La utilización de la investigación en la enseñanza de las ciencias hace que los alumnos levante un conocimiento previo que los mismos ya poseen. En este sentido, trabajos como éste son importantes herramientas de enseñanza y construcción de conocimiento. Palabras clave: Plantas Frutales; Educación Indígena; Aikanã; Enseñanza de Ciencias Arquivos Analíticos de Políticas Educativas Vol. 28, No. 155 3 Introdução Sabe-se que a Amazônia possui uma importância fundamental para a sobrevivência, não se restringindo apenas às espécies animais e vegetais, mas também à uma riqueza de conhecimento popular acerca da utilização das plantas, que tem sua origem tanto da necessidade medicinal pela dificuldade de acesso aos serviços de saúde e atenção médica, como da influência cultural indígena na região, que é muito diversa (Di-Stasi & Hiruma-Lima, 2002). O Brasil, segundo Viani e Rodrigues (1998), é denominado pelos cientistas como o país da “megadiversidade”, contendo aproximadamente 20% das espécies conhecidas do Planeta e apresentando em sua flora, ainda por parte, desconhecida pelos botânicos, uma quantidade de espécies com potencial de uso, as quais são destinadas aos mais diversos fins. Dentre essas finalidades, destaca-se um que, embora histórico, ainda é pouco explorado: a utilização de espécies frutíferas nativas. Além dos importantes serviços prestados ao homem, é possível destacar o papel fundamental que as espécies frutíferas nativas desempenham na manuten ção e preservação da biodiversidade das florestas. Desde tempos remotos, em diversas épocas e culturas, o homem vem buscando, no ambiente natural, os recursos visando sua sobrevivência e melhoria da qualidade de vida. Sendo assim, Amorozo (1996), destaca que “toda a sociedade acumula um acervo de informações a respeito do ambiente em que está inserida, incluindo os conhecimentos relativos ao mundo vegetal com o qual está em contato”. No entanto, se essa sociedade detém conhecimento sobre as espécies de su a região, como obter informações sobre as espécies frutíferas utilizadas pelo povo indígena Aikanã? Segundo Santomé (1995), a escola é um dos principais meios, ou até mesmo o principal para que essas informações cheguem aos alunos de maneira clara e objeti va, pois o ensino e a aprendizagem que ocorrem nas salas de aula representam uma das maneiras na construção de significados, reforçando e conformando interesses sociais, de experiência, que possuem um significado político e cultural. Além desse conhecimento científico inserido nos currículos das escolas, se faz necessário destacar, a importância do conhecimento que os alunos já detêm baseado em suas experiências diárias e acumulados durante gerações. Nesse sentido, Chassot (2006) destaca que a escola não pode ser visualizada somente como repetidora ou reprodutora de conhecimentos, devendo assumir uma postura mais crítica em relação à educação. Entre os vários temas que podem ser trabalhados na escola baseado nos conhecimentos já construídos pelos alunos no seu cotidiano, podemos citar a temática plantas frutíferas, destacando a importância de se estabelecer associação entre os diferentes saberes que fazem parte deste conteúdo. Segundo Costa (2008), essa construção de conhecimento feita pelo diálogo entre as diferentes formas de conhecimento pode levar a uma aprendizagem significativa sobre o tema. Autores como Brandão (2003), Chassot (2006), Lopes (1999), Santomé (1995) e Perrelli (2008) defendem a ideia de que os saberes tradicionais devem fazer parte do currículo escolar, uma vez que fazem parte da vida dos estudantes e precisam ser reconhecidos e explorados pela escola. Para Lopes (1999), o conhecimento cotidiano, como todos os demais saberes sociais, faz parte da cultura e é construído pelos homens das gerações adultas, que o transmitem às gerações sucessivas, sendo a escola um dos canais institucionais dessa transmissão. Trabalhos como o de Perrelli (2008), realizados com grupos indígenas Kaiowá/Guarani, apontam para a elaboração de currículos pluriculturais, não só nas escolas indígenas, mas em todas as escolas brasileiras. A autora discute, também, a necessidade de se pensar, em práticas pedagógicas Ensino de Ciências na Aldeia 4 renovadas, culturalmente orientadas, que respeitem as diferenças, as lógicas e os estilos de aprendizagem de cada cultura, e que estejam comprometidas com a elaboração de projetos coletivos. Segundo Krasilchik (2004), no ensino de ciências, as metodologias e estratégias didáticas são variadas, e possibilitam aos professores, planejarem inúmeras atividades que permitam a compreensão dos alunos acerca dos conteúdos curriculares, de maneira a instiga-los a participarem das aulas. Neste sentido, o ensino de ciências por meio da pesquisa é importante pois desperta nos alunos o interesse pelo tema estudado, neste caso, as plantas frutíferas da aldeia, que são conhecidas pelos alunos da escola, e esse conhecimento precisa ser sistematizado e divulgado. Portanto, este trabalho é de fundamental importância visando a sistematização desse conhecimento sobre as plantas frutíferas existentes no território do povo Aikanã. Assim, no que se refere ao ensino de Ciências na escola indígena, é importante destacarmos que o Referencial Curricular Nacional da Educação Indígena (RCNEI) é um dos documentos mais completos, no âmbito nacional, em termos de orientação curricular para as escolas indígenas. Ele é referência na área de Ciências, afinal, no próprio texto o RCNEI, se questiona: Por que ensinar Ciências nas escolas indígenas? Como ensinar Ciências? Que conteúdos poderão ser abordados pela escola indígena? Perguntas feitas e respondidas pelo RCNEI (1998), ressaltando que nas Ciências Naturais deve-se levar em conta que há muito a descrever e observar em relação ao meio, pois "desde seu surgimento sobre a terra, o ser humano, em interação com os diversos ambientes, busca respostas para seus problemas, ensaia explicações e cria instrumentos de intervenção sobre os fenômenos humanos e da natureza". Fazer ciência e tecnologia é parte da atividade humana. As sociedades indígenas, em sua longa e diversificada trajetória, vêm produzindo, dessa forma, conhecimentos sobre o ser humano e a natureza (RCNEI, 1998). A área de Ciências está diretamente ligada aos temas transversais “Terra e Conservação da Biodiversidade” e “Auto-sustentação”. A maneira de organizar as atividades produtivas no território indígena, ou seja, a sua gestão territorial, passa pela visão do universo, do planeta, da vida, do ser humano e da produção humana, integrando várias áreas do conhecimento. “O estudo das Ciências, dessa forma, pode contribuir para a garantia dos direitos dos grupos indígenas à conservação e utilização dos recursos do seu território” (RCNEI, 1998). No ensino de Ciências, é consenso a importância de se valorizar e resgatar os saberes que os alunos trazem de suas vivências e experiências exteriores à escola. Assim, estudos e pesquisas que procuram investigar estratégias e metodologias de ensino que visam resgatar o conhecimento tradicional, num processo de diálogo com o saber científico, são fundamenta is para a valorização da cultura tradicional dos povos indígenas, representado aqui pelos alunos envolvidos na pesquisa. Partindo destas informações, o presente trabalho teve como objetivo fazer um levantamento sobre as espécies frutíferas existentes na aldeia e conhecidas pelos alunos da Escola Municipal Multisseriada Indígena Capitão Aritimon, em uma experiência educacional envolvendo o ensino de Ciências na escola. Afinal, resgatar os conhecimentos tradicionais de utilização dos recursos naturais que atualmente são conhecidos pelas novas gerações, leva a uma interação articulada entre escola- comunidade-família, divulgando as espécies frutíferas da Aldeia a fim de preserva-las. Arquivos Analíticos de Políticas Educativas Vol. 28, No. 155 5 Percurso Metodológico da Pesquisa O trabalho foi realizado na Terra Indígena Tubarão Latundê (Fig. 1), do povo Aikanã. O povo Aikanã vive na região conhecida do Guaporé, nas chamadas "terras baixas" da Amazônia. Essa área é de terreno arenoso e corroído pela erosão, localizada no sudeste do estado de Rondônia, a cerca de 160 km da cidade de Vilhena e em torno de 100 km da fronteira do Brasil com a Bolívia, especificamente em território do município de Chupinguaia. Os rios mais próximos da Terra Indígena são o Chupinguaia e o Pimenta Bueno, mas o acesso a eles é grandemente prejudicado. O povo Indígena Aikanã habita a Terra Indígena Tubarão Latundê juntamente com os povos Kwaza, Latundê e Sabanê. Fig. 1 Mapa da Terra Indígena Tubarão Latundê Fonte: Laboratório de Geomática e Estatística- LABGET. Desenvolveu uma experiência educacional no Ensino de Ciências na Escola Municipal Multisseriada Indígena Capitão Aritimon (Fig. 2), localizada na Terra Indígena Tubarão Latundê, na aldeia Gleba Tubarão, com alunos do Ensino Fundamental de 6º a 9º ano. Ensino de Ciências na Aldeia 6 Fig. 2 Escola Municipal Multisseriada Indígena Capitão Aritimon Fonte: Aikanã (2017) A Escola Municipal Multisseriada Indígena Capitão Aritimon, conta atualmente com 24 alunos matriculados, em dois turnos de funcionamento (matutino e vespertino), sendo 15 alunos de 1º ao 5º ano, no período matutino e 09 alunos de 6º ao 9º ano, no período vespertino. O trabalho foi desenvolvido com os alunos do 6º ao 9º ano, através da aplicação de um questionário. No questionário, os alunos tiveram a oportunidade de falar se conhecia as plantas da aldeia; as experiências dos pais em fazer roça e que plantas produziam no roçado; se conheciam plantas que davam frutos e se essas plantas estavam longe ou perto da Aldeia; as plantas que dão frutos e que têm no território da aldeia; plantas que gostariam que tivessem na aldeia e não tem; se existem plantas que servem de alimento tanto para os seres humanos quanto para os animais, e ao final que desenhassem a planta frutífera que mais gostassem. A todas as plantas citadas, tentou-se nomear conforme descrito na língua materna e também o nome científico com auxílio de consultas bibliográficas em Lorenzi (2002), Mendonça et al. (1998), e Viana & Rodrigues (1998). Resultados da Pesquisa Segundo informações de Justo (2012), a pedagogia educacional do povo Aikanã se dá no convívio com os mais velhos e no ambiente familiar onde as crianças os imitam. As crianças convivem em todos os ambientes, acompanham todos os afazeres e participam de todas as situações vividas pela comunidade. Neste sentido, acredita-se na importância de uma aprendizagem participativa, significativa e autonomizante, que proporcione ao aluno buscar novos conhecimentos e reorganizar conhecimentos anteriores, experienciando e transformando suas ações e a realidade em que está inserido (neste caso, o estudo das plantas frutíferas existentes no território indígena). Para Arquivos Analíticos de Políticas Educativas Vol. 28, No. 155 7 Alarcão (2000), é dessa forma que o aluno emerge no seu papel de pesquisador e o professor assume o papel de coordenador da aprendizagem na pesquisa. Tanto a pesquisa como as experiências vivenciadas pelos alunos assumem papel importante para a formação docente. Trazer as questões do dia a dia escolar para serem analisadas pelos alunos, segundo André (2000), além de favorecer a aproximação entre a teoria e a prática, permite, também, que os problemas didáticos sejam examinados dentro de um contexto escolar específico, contextualizando-os e historicizando-os. Baseado nas experiências vivenciadas e o conhecimento prévio já adquirido pelo aluno em seu contexto familiar diário, o presente trabalho foi desenvolvido com 09 alunos de 6º a 9º ano do Ensino Fundamental, sendo 03 matriculados no 6º ano, 02 no 7º ano, 01 no 8º ano e 03 do 9º ano. A faixa etária dos alunos varia de 11 a 37 anos, com uma média de 18,22 anos, conforme ilustrado na Tabela 1. Tabela 1 Demonstrativo da faixa etária dos alunos participantes da pesquisa Idade Nº de Alunos 11 anos 01 12 anos 02 13 anos 01 14 anos 01 15 anos 01 24 anos 01 26 anos 01 37 anos 01 Total 09 Fonte: Dados da Pesquisa As populações indígenas por meio de suas interações com o meio ambiente construíram historicamente conhecimentos tradicionais sobre os elementos da natureza, como propriedades naturais de plantas (Lima, 2011). Nesse sentido, abordou com os alunos se eles conheciam as plantas existentes na aldeia, sendo que 100% afirmam conhecer, conhecimento esse primordial para o desenvolvimento da pesquisa. Baseado em tais informações, o segundo questionamento aos alunos foi se os pais faziam roças, visando assim a utilização desses recursos em sua alimentação. Dos entrevistados, 08 alunos (88,89%) afirmaram que os pais faziam roça e 01 aluno (11,11%), disse que não. Após tal afirmação, foi questionado aos alunos que os pais faziam roças, o que era plantado por eles. A Tabela 2 traz as informações referentes ao conhecimento dos alunos sobre o que os pais plantam em suas roças. Foram citadas 25 plantas, sendo Banana e Mandioca as plantas mais citadas, com 08 citações cada, seguido de Amendoim, Inhame e Pupunha, com sete indicações e, Abacaxi, Abobora e Batata com 06 indicações cada. Das 25 plantas citadas como fazendo parte das roças indígenas, 13 plantas são frutíferas, representado 52% do total. Ensino de Ciências na Aldeia 8 Tabela 2 Plantas produzidas nas roças indígenas citadas pelos entrevistados Plantas Nome na Língua Nome Científico Nº de citações Abacaxi Irüi Ananas comosus (L.) Merr. 06 Abobora Patezãu Cucurbita spp. 06 Amendoim Vikere Arachis hypogaea L. 07 Banana Dipara Musa sp. 08 Batata Wɨira Solanum tuberosum L. 06 Batata doce Wɨira Ipomoea batatas L. 02 Café Kape Coffea arabica L. 01 Caju Harapure Anacardium occidentale L. 05 Cana de açúcar Kanha Saccharum officinarum L. 03 Cará Nῦna Dioscorea alata L. 03 Cupuaçu * Theobroma glandiflorum Schum 02 Fava Kumada Dimorphandra mollis Benth. 01 Feijão Kumadara’i Phaseolos vulgaris L. 04 Goiaba * Psidium guayava L. 01 Ingá Zῦriri Inga edulis Mart. 01 Inhame Nῦna Colocasia esculeta (L.) Schott 07 Laranja * Citrus aurantium L. 01 Limão * Citrus limonium L. 01 Mamão Wãzãu Carica papaya L. 01 Mandioca Nhapuri Manihot esculenta Crantz 08 Manga * Mangifera indica L. 03 Melancia Sarezãu Citrullus lanatus Matsum 02 Milho Haki Zea mays L. 03 Pocãn * Citrus reticulata L. 03 Pupunha Kemuke Bactris gasipaes Kunth. 07 * Não possui tradução para a língua materna. Fonte: Dados da Pesquisa A sabedoria dos povos indígenas, segundo Beltz e Januário (2011), vem sendo cada vez mais reconhecida e valorizada através dos mais diferentes estudos desses saberes tradicionais. Essa relação ser humano/natureza nas comunidades indígenas fica evidente nas suas formas de manejo das suas roças. As frutas da Aldeia são importantes produtos naturais, saudáveis, ricos em nutrientes, auxiliando num elo de sustentabilidade ecológica, econômica e social. Partindo dessa importância das espécies frutíferas representada nas roças indígenas, o próximo questionamento foi se os alunos conheciam as plantas que dão frutos, sendo que 100% do total de entrevistados responderam que sim. Ao responderem que conheciam, a próxima pergunta se referia a distribuição dessas plantas frutíferas na aldeia, sendo representado pela pergunta - Onde estão essas plantas? Como resposta, 11,11% responderam que as plantas frutíferas estão perto da aldeia e 88,89%, afirmaram que estão longe da aldeia. Esse questionamento é importante pois nos faz refletir sobre a importância dos recursos naturais existentes na aldeia, e a forma de acesso que dispusemos de tais recursos. Como a maioria Arquivos Analíticos de Políticas Educativas Vol. 28, No. 155 9 dos alunos afirmam que as plantas frutíferas se encontram longe da aldeia, isso pode nos fazer afirmar, que esses recursos muitas vezes não são aproveitados, devido principalmente ao fator limitante distância. Após perceber que muitas plantas estão distantes da aldeia, mas existem no território indígena, fez-se o questionamento sobre as plantas frutíferas que não tem no território e que eles gostariam que tivesse. Na Tabela 3, encontram-se os dados desse questionamento. Tabela 3 Espécies frutíferas que não tem nas proximidades da aldeia Plantas Nome na Língua Nome Científico Nº de citações Abacate * Persea americana C. Bauh 02 Açaí Henizãu Euterpe oleracea Mart. 06 Bacaba Hüzãu Oenocarpus distichus Mart. 03 Cacau Ara Theobroma cacao L. 05 Cajá Wɨinezãu Spondias dulcis Parkinson 04 Caju do mato Harapure Curatella americana L. 02 Castanha Virü Bertholletia excelsa H.B.K. 02 Jabuticaba * Myrciaria cauliflora Berg. 01 Mamão do Mato Wa Papaya digilata L. 03 Pama Hiri Pseudolmedia multinervis 06 Patuá Hukurunezãu Jessenia bataua (Mart.) Burr 05 * Não possui tradução para a língua materna. Fonte: Dados da Pesquisa As plantas mais representativas foram Acaí e Pama, com 06 citações, seguidas de Cacau e Patuá, com 05 citações e Cajá com 04 citações. Nesse sentido, observa-se que plantas que foram citadas como existentes no território foram citadas como que não tem na aldeia e eles gostariam que tivessem. A explicação para esse fator pode estar relacionada como não existente aos redores da aldeia e sim no território. Uma maneira de aproximar essas espécies da aldeia seria o plantio dessas espécies nos arredores da aldeia. O último questionamento se referia ao conhecimento dos alunos das plantas frutíferas que servem de alimento tanto para seres humanos quanto para os animais. A Tabela 4 abaixo aponta os resultados obtidos através desse questionamento. As espécies frutíferas garantem a sobrevivência de animais, e estes podem ser consumidos pelos seres humanos, assim como para a sua própria alimentação. As espécies mais representativas foram Seringa, com 09 citações, seguida de Cajá, Pama e Pequi, com 07 citações cada, Açaí, Buriti, Patuá e Tucumã, com 06 indicações cada. Observa-se que a seringa apesar de ser a mais citada, não representa alimento para o ser humano, e pode ter sido citada como a principal fonte de alimento somente para os animais. Ensino de Ciências na Aldeia 10 Tabela 04 Espécies frutíferas que servem de alimento tanto para humanos quanto para os animais Plantas Nome na Língua Nome Científico Nº de citações Açaí Henizãu Euterpe oleracea Mart. 06 Bacaba Hüzãu Oenocarpus distichus Mart. 01 Buriti Hürüzãu Mauritia flexuosa L. 06 Cajá Wɨinezãu Spondias dulcis Parkinson 07 Caju do mato Harapure Curatella americana L. 01 Castanha Yirü Bertholletia excelsa H.B.K. 01 Coco Dikare Cocos nucifera L. 03 Inajá Hizãu Maximiliana maripa Aublet Drude 01 Jambo Kazazãu Syzygium malaccense L. 04 Pama Hiri Pseudolmedia multinervis 07 Patuá Hukurunezãu Jessenia bataua (Mart.) Burr 06 Pequi Harezãu Caryocar brasiliense Cambess 07 Seringa Hutu Hevea brasiliensis H.B.K. 09 Tucumã Dikare Astrocaryum aculeatum G.F.W. Meyer 06 Fonte: Dados da Pesquisa Os estudos sobre as espécies frutíferas do território indígena são importantes para conhecer quais são estas espécies e também seus potenciais de uso. Observa-se que as frutas podem vir a garantir uma sustentabilidade alimentícia na aldeia, no entanto, são conhecidas pelos alunos, mas na maioria das vezes estão distantes das proximidades da aldeia, dificultando assim o seu consumo. A utilização da pesquisa no ensino de Ciências faz com que os alunos levantem um conhecimento prévio que os mesmos já possuem. Neste sentido, trabalhos como este são importantes ferramentas de ensino e construção de conhecimento. Possivelmente, a escola como ambiente institucional formador, aparece com elemento fundamental para promover esse tipo de conhecimento. A escola deve ser uma ferramenta que serve para caminhar lado a lado com a comunidade. Ela é o lugar onde a comunidade procura dialogar com os temas de instrução e orientação para ajudar a pensar o que é importante e fundamental para a vida da comunidade. Então, a escola tem o papel de circular dentro da aldeia. Se a comunidade não vai até a escola, por dever, a escola deve ir até a comunidade (Pataxó et al., 2012). Considerações Finais Por meio dos dados obtidos, o próximo passo após realização dessa pesquisa é a realização de um projeto de plantio de mudas de espécies frutíferas nos arredores da aldeia, próximos a escola. Sabe-se que cada espécie tem seu período de frutificação, então buscaremos o plantio de espécies que estejam disponíveis durante todo o ano, como formas de termos frutas disponibilizadas a alimentação nesse período e próximas da aldeia, evitando assim a não utilização de recursos naturais tão importantes para a saúde alimentar do povo indígena. Além disso, também, temos que ter o conhecimento que as espécies frutíferas, não deve ser considerada apenas como uma fonte de alimentação, pois, sua contribuição ecológica no ambiente é Arquivos Analíticos de Políticas Educativas Vol. 28, No. 155 11 maior que simplesmente saciar a forme humana. A conservação destas espécies contribui para a manutenção do ecossistema local. Referências Alarcão, I. (2000.) Contribuição da didática para a formação de professores: Reflexões sobre o seu ensino. In: S. G. Pimenta (Org.). Didática e formação de professores: Percurso e perspectivas no Brasil e em Portugal. (3. ed.; pp. 159-190). Cortez. Amorozo, M. C. M. (1996). A abordagem etnobotânica na pesquisa de plantas medicinais. In: L. D. Di-Stasi (Org.).Plantas medicinais: Arte e ciência - um guia de estudo interdisciplinar (pp. 47-68). Editora da Unesp. André, M. E. D. A. (2000). Tendências no ensino de didática no Brasil. In: S. G. Pimenta (Org.). Didática e formação de professores: Percurso e perspectivas no Brasil e em Portugal (3 ed.; pp. 191- 204). Cortez. Beltz, L., & Januário, E. R. S. (2011). A sustentabilidade das roças de toco indígenas. 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Reginaldo de Oliveira Nunes Universidade Federal de Rondônia – UNIR reginaldonunes@unir.br https://orcid.org/0000-0003-4287-9036 Professor do Departamento de Ciências Humanas e Sociais – DCHS; Líder do Grupo de Pesquisa em Etnoconhecimento e Pesquisa em Educação – GPEPE; Pós-doutorado em Educação – Universidade de Lisboa; Mestre e Doutor em Fitotecnia – UFV; Especialista em Didática do Ensino Superior – FACIMED; Graduado em Ciências Biológicas – UNEMAT e em Pedagogia – FAEL. Iuri da Cruz Oliveira Universidade Federal de Rondônia – UNIR iuricruzmpf@gmail.com https://orcid.org/0000-0003-2396-0541 Integrante do Grupo de Pesquisa em Etnoconhecimento e Pesquisa em Educação – GPEPE; Mestrado em Ensino de Física – UNIR; Especialização em Educação Matemática – FACIMED e em Gestão, Orientação e Supervisão com ênfase em Psicologia Educacional – FAROL; Graduação em Matemática – UNITINS e em Pedagogia – FAEL. Sobre o Editores Juliane Sachser Angnes Universidade Estadual do Centro-Oeste do Paraná (UNICENTRO) Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE UNICENTRO) Programa de Pós-Graduação em Administração (PPGADM UNICENTRO) julianeangnes@gmail.com https://orcid.org/0000-0002-4887-7042 Graduação em Secretariado Executivo Bilíngue e em Letras - Português/Inglês pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE). Especialista em Linguística Aplicada e Mestre em Letras - Linguagem e Sociedade também pela UNIOESTE. Doutora em Educação pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), linha de Cognição, Desenvolvimento Humano e Aprendizagem. Realizou estágio pós-doutoral no Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Estadual de Maringá (UEM) no Grupo de Pesquisas em Estudos Organizacionais. É professora da Universidade Estadual do Centro-Oeste (UNICENTRO) vinculada ao Departamento de Secretariado Executivo e ao Programa de Pós-Graduação em Administração (Mestrado Profissional). Tem experiência na docência e pesquisa nas áreas de Educação e Administração, atuando principalmente nas seguintes áreas temáticas: comunicação organizacional; redes solidárias; economia do bem-estar social; gestão escolar; planejamento e organização de eventos; cerimonial e mailto:luziaaikana@gmail.com https://orcid.org/0000-0002-6815-5119 mailto:reginaldonunes@unir.br https://orcid.org/0000-0003-4287-9036 mailto:iuricruzmpf@gmail.com https://orcid.org/0000-0003-2396-0541 mailto:julianeangnes@gmail.com https://urldefense.proofpoint.com/v2/url?u=https-3A__orcid.org_0000-2D0002-2D4887-2D7042&d=DwMFaQ&c=l45AxH-kUV29SRQusp9vYR0n1GycN4_2jInuKy6zbqQ&r=LjMqjl4R-2qm1usoNnGI1mF7F_j_WN6lRbuxHej1Xg8&m=QJhTA6TjAonzMKJYP6hPRBkTX6hIAyREjpQcDdkhyMQ&s=ck5MLolMmMSKRJOD8B_ByweD9lSzSjDTB3bELd-Uhrk&e= Arquivos Analíticos de Políticas Educativas Vol. 28, No. 155 13 protocolo; etiqueta social e comportamental; redação técnica oficial e empresarial; responsabilidade social; pesquisa qualitativa em Ciências Sociais Aplicadas. É Líder do Grupo de Pesquisas em Gestão do Conhecimento da Universidade Estadual do Centro-Oeste do Paraná. É líder do grupo de pesquisa em Gestão do Conhecimento. Kaizô Iwakami Beltrão EBAPE FGV - - Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas Kaizo.beltrao@fgv.br http://orcid.org/0000-0002-3590-8057 Graduação em Engenharia Mecânica pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (1974), mestrado em Matemática Aplicada pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (1977) e doutorado em Estatística pelo Departamento de Estatística da Princeton University (1981). Atualmente é Pesquisador/Professor da EBAPE/FGV-RJ e responsável técnico pelos relatórios técnicos do ENADE junto ao INEP através da Fundação Cesgranrio. Tem experiência na área de População e Políticas Públicas, com ênfase em Previdência Social e Educação, atuando principalmente nos seguintes temas: bases de dados para políticas públicas, avaliações educacionais, diferenciais por sexo/raça, condições de saúde, demografia (modelagem estatística) e mortalidade. Dossiê Especial Educação e Povos Indígenas: Identidades em Construção e Reconstrução arquivos analíticos de políticas educativas Volume 28 Número 155 26 de outubro 2020 ISSN 1068-2341 Los/as lectores/as pueden copiar, mostrar, distribuir, y adaptar este articulo, siempre y cuando se de crédito y atribución al autor/es y a Archivos Analíticos de Políticas Educativas, los cambios se identifican y la misma licencia se aplica al trabajo derivada. Más detalles de la licencia de Creative Commons se encuentran en https://creativecommons.org/licenses/by- sa/4.0/. Cualquier otro uso debe ser aprobado en conjunto por el autor/es, o AAPE/EPAA. La sección en español para Sud América de AAPE/EPAA es publicada por el Mary Lou Fulton Teachers College, Arizona State University y la Universidad de San Andrés de Argentina. Los artículos que aparecen en AAPE son indexados en CIRC (Clasificación Integrada de Revistas Científicas, España) DIALNET (España), Directory of Open Access Journals, EBSCO Education Research Complete, ERIC, Education Full Text (H.W. Wilson), PubMed, QUALIS A1 (Brazil), Redalyc, SCImago Journal Rank, SCOPUS, SOCOLAR (China). Por errores y sugerencias contacte a Fischman@asu.edu Síganos en EPAA’s Facebook comunidad at https://www.facebook.com/EPAAAAPE y en Twitter feed @epaa_aape. mailto:Kaizo.beltrao@fgv.br https://urldefense.proofpoint.com/v2/url?u=http-3A__orcid.org_0000-2D0002-2D3590-2D8057&d=DwMFaQ&c=l45AxH-kUV29SRQusp9vYR0n1GycN4_2jInuKy6zbqQ&r=LjMqjl4R-2qm1usoNnGI1mF7F_j_WN6lRbuxHej1Xg8&m=QJhTA6TjAonzMKJYP6hPRBkTX6hIAyREjpQcDdkhyMQ&s=fJ8Wn8IPBi9gKKPgQSHPkvrRblNB558B6BzLQJO4YsI&e= https://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0/ https://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0/ http://www.doaj.org/ https://www.facebook.com/EPAAAAPE Ensino de Ciências na Aldeia 14 arquivos analíticos de políticas educativas conselho editorial Editor Consultor: Gustavo E. Fischman (Arizona State University) Editoras Coordenadores: Marcia Pletsch, Sandra Regina Sales (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro) Editores Associadas: Andréa Barbosa Gouveia (Universidade Federal do Paraná), Kaizo Iwakami Beltrao, (EBAPE/FGVl), Sheizi Calheira de Freitas (Federal University of Bahia), Maria Margarida Machado, (Federal University of Goiás / Universidade Federal de Goiás), Gilberto José Miranda, (Universidade Federal de Uberlândia) Almerindo Afonso Universidade do Minho Portugal Alexandre Fernandez Vaz Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil José Augusto Pacheco Universidade do Minho, Portugal Rosanna Maria Barros Sá Universidade do Algarve Portugal Regina Célia Linhares Hostins Universidade do Vale do Itajaí, Brasil Jane Paiva Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Brasil Maria Helena Bonilla Universidade Federal da Bahia Brasil Alfredo Macedo Gomes Universidade Federal de Pernambuco Brasil Paulo Alberto Santos Vieira Universidade do Estado de Mato Grosso, Brasil Rosa Maria Bueno Fischer Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil Jefferson Mainardes Universidade Estadual de Ponta Grossa, Brasil Fabiany de Cássia Tavares Silva Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, Brasil Alice Casimiro Lopes Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Brasil Jader Janer Moreira Lopes Universidade Federal Fluminense e Universidade Federal de Juiz de Fora, Brasil António Teodoro Universidade Lusófona Portugal Suzana Feldens Schwertner Centro Universitário Univates Brasil Debora Nunes Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Brasil Lílian do Valle Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Brasil Geovana Mendonça Lunardi Mendes Universidade do Estado de Santa Catarina Alda Junqueira Marin Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Brasil Alfredo Veiga-Neto Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil Flávia Miller Naethe Motta Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Brasil Dalila Andrade Oliveira Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil Arquivos Analíticos de Políticas Educativas Vol. 28, No. 155 15 archivos analíticos de políticas educativas consejo editorial Editor Consultor: Gustavo E. Fischman (Arizona State University) Coordinador (Español / Latinoamérica): Ignacio Barrenechea, Axel Rivas (Universidad de San Andrés Editor Coordinador (Español / Norteamérica): Armando Alcántara Santuario (Universidad Nacional Autónoma de México) Editor Coordinador (Español / España): Antonio Luzon (Universidad de Granada) Editores Asociados: Felicitas Acosta (Universidad Nacional de General Sarmiento), Jason Beech ( Universidad de San Andrés), Angelica Buendia, (Metropolitan Autonomous University), Alejandra Falabella (Universidad Alberto Hurtado, Chile), Veronica Gottau (Universidad Torcuato Di Tella), Carolina Guzmán-Valenzuela (Universidade de Chile), Cesar Lorenzo Rodriguez Uribe (Universidad Marista de Guadalajara María Teresa Martín Palomo (University of Almería), María Fernández Mellizo-Soto (Universidad Complutense de Madrid), Tiburcio Moreno (Autonomous Metropolitan University-Cuajimalpa Unit), José Luis Ramírez, (Universidad de Sonora), Maria Veronica Santelices (Pontificia Universidad Católica de Chile) Claudio Almonacid Universidad Metropolitana de Ciencias de la Educación, Chile Ana María García de Fanelli Centro de Estudios de Estado y Sociedad (CEDES) CONICET, Argentina Miriam Rodríguez Vargas Universidad Autónoma de Tamaulipas, México Miguel Ángel Arias Ortega Universidad Autónoma de la Ciudad de México Juan Carlos González Faraco Universidad de Huelva, España José Gregorio Rodríguez Universidad Nacional de Colombia, Colombia Xavier Besalú Costa Universitat de Girona, España María Clemente Linuesa Universidad de Salamanca, España Mario Rueda Beltrán Instituto de Investigaciones sobre la Universidad y la Educación, UNAM, México Xavier Bonal Sarro Universidad Autónoma de Barcelona, España Jaume Martínez Bonafé Universitat de València, España José Luis San Fabián Maroto Universidad de Oviedo, España Antonio Bolívar Boitia Universidad de Granada, España Alejandro Márquez Jiménez Instituto de Investigaciones sobre la Universidad y la Educación, UNAM, México Jurjo Torres Santomé, Universidad de la Coruña, España José Joaquín Brunner Universidad Diego Portales, Chile María Guadalupe Olivier Tellez, Universidad Pedagógica Nacional, México Yengny Marisol Silva Laya Universidad Iberoamericana, México Damián Canales Sánchez Instituto Nacional para la Evaluación de la Educación, México Miguel Pereyra Universidad de Granada, España Ernesto Treviño Ronzón Universidad Veracruzana, México Gabriela de la Cruz Flores Universidad Nacional Autónoma de México Mónica Pini Universidad Nacional de San Martín, Argentina Ernesto Treviño Villarreal Universidad Diego Portales Santiago, Chile Marco Antonio Delgado Fuentes Universidad Iberoamericana, México Omar Orlando Pulido Chaves Instituto para la Investigación Educativa y el Desarrollo Pedagógico (IDEP) Antoni Verger Planells Universidad Autónoma de Barcelona, España Inés Dussel, DIE-CINVESTAV, México José Ignacio Rivas Flores Universidad de Málaga, España Catalina Wainerman Universidad de San Andrés, Argentina Pedro Flores Crespo Universidad Iberoamericana, México Juan Carlos Yáñez Velazco Universidad de Colima, México javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/819') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/820') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/4276') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/1609') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/825') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/797') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/823') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/798') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/555') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/814') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/2703') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/801') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/826') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/802') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/3264') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/804') Ensino de Ciências na Aldeia 16 education policy analysis archives editorial board Lead Editor: Audrey Amrein-Beardsley (Arizona State University) Editor Consultor: Gustavo E. Fischman (Arizona State University) Associate Editors: Melanie Bertrand, David Carlson, Lauren Harris, Danah Henriksen, Eugene Judson, Mirka Koro-Ljungberg, Daniel Liou, Scott Marley, Molly Ott, Iveta Silova (Arizona State University) Madelaine Adelman Arizona State University Amy Garrett Dikkers University of North Carolina, Wilmington Gloria M. Rodriguez University of California, Davis Cristina Alfaro San Diego State University Gene V Glass Arizona State University R. Anthony Rolle University of Houston Gary Anderson New York University Ronald Glass University of California, Santa Cruz A. G. Rud Washington State University Michael W. Apple University of Wisconsin, Madison Jacob P. K. Gross University of Louisville Patricia Sánchez University of Texas, San Antonio Jeff Bale University of Toronto, Canada Eric M. Haas WestEd Janelle Scott University of California, Berkeley Aaron Benavot SUNY Albany Julian Vasquez Heilig California State University, Sacramento Jack Schneider University of Massachusetts Lowell David C. Berliner Arizona State University Henry Braun Boston College Kimberly Kappler Hewitt University of North Carolina Greensboro Noah Sobe Loyola University Casey Cobb University of Connecticut Aimee Howley Ohio University Nelly P. Stromquist University of Maryland Arnold Danzig San Jose State University Steve Klees University of Maryland Jaekyung Lee SUNY Buffalo Benjamin Superfine University of Illinois, Chicago Linda Darling-Hammond Stanford University Jessica Nina Lester Indiana University Adai Tefera Virginia Commonwealth University Elizabeth H. DeBray University of Georgia Amanda E. Lewis University of Illinois, Chicago A. Chris Torres Michigan State University David E. DeMatthews University of Texas at Austin Chad R. Lochmiller Indiana University Tina Trujillo University of California, Berkeley Chad d'Entremont Rennie Center for Education Research & Policy Christopher Lubienski Indiana University Federico R. Waitoller University of Illinois, Chicago John Diamond University of Wisconsin, Madison Sarah Lubienski Indiana University Larisa Warhol University of Connecticut Matthew Di Carlo Albert Shanker Institute William J. Mathis University of Colorado, Boulder John Weathers University of Colorado, Colorado Springs Sherman Dorn Arizona State University Michele S. Moses University of Colorado, Boulder Kevin Welner University of Colorado, Boulder Michael J. Dumas University of California, Berkeley Julianne Moss Deakin University, Australia Terrence G. Wiley Center for Applied Linguistics Kathy Escamilla University of Colorado, Boulder Sharon Nichols University of Texas, San Antonio John Willinsky Stanford University Yariv Feniger Ben-Gurion University of the Negev Eric Parsons University of Missouri-Columbia Jennifer R. Wolgemuth University of South Florida Melissa Lynn Freeman Adams State College Amanda U. Potterton University of Kentucky Kyo Yamashiro Claremont Graduate University Rachael Gabriel University of Connecticut Susan L. Robertson Bristol University Miri Yemini Tel Aviv University, Israel