Reconhecer e Valorizar os Saberes e Práticas Indígenas Página web: http://epaa.asu.edu/ojs/ Artigo recebido: 16/4/2020 Facebook: /EPAAA Revisões recebidas: 21/4/2020 Twitter: @epaa_aape Aceito: 21/4/2020 Dossiê Especial Educação e Povos Indígenas: Identidades em Construção e Reconstrução arquivos analíticos de políticas educativas Revista acadêmica, avaliada por pares, independente, de acesso aberto, e multilíngue Arizona State University Volume 28 Número 70 4 de maio de 2020 ISSN 1068-2341 Reconhecer e Valorizar os Saberes e Práticas Indígenas Kaizô Iwakami Beltrão Fundação Getulio Vargas Brasil & Juliane Sachser Angnes Universidade Estadual do Centro-Oeste do Paraná Brasil Citação: Beltrão, K. I., & Angnes, J. S. (2020). Reconhecer e valorizar os saberes e práticas indígenas. Arquivos Analíticos de Políticas Educativas, 28(70). https://doi.org/10.14507/epaa.28.5511 Este artigo faz parte do dossiê especial, Educação e Povos Indígenas - Identidades em Construção e Reconstrução, editado por Juliane Sachser Angnes e Kaizo Iwakami Beltrão. Resumo: Este dossiê apresenta resultados de estudos que vislumbram experiências dos povos indígenas na tarefa de satisfazer suas necessidades específicas na educação escolar indígena e da educação indígena, incorporando a partir disso, sua história, crenças, sistema de valores e cultura organizacional. A trajetória sócio-histórica para que os povos indígenas possam conquistar sua autonomia pedagógica envolve a apropriação dos processos educativos que se encontram vinculados tanto a educação escolar indígena, quanto a educação indígena (processos próprios de aprendizagem). Para os povos indígenas, este caminho poderia parecer simples, em um primeiro momento, em razão do novo paradigma da educação escolar indígena que privilegia a diversidade cultural. Entretanto, à medida que os indígenas avançam em direção à consecução dos seus próprios projetos de conquista esbarram em várias questões de ordem burocráticas e dificultosas. Neste sentido, as orientações aqui apresentadas não traduzem toda a complexidade dos cenários em que se encontram as populações indígenas do Brasil e da América Latina, tampouco as múltiplas facetas que podem assumir. Todavia, esperamos que os estudos aqui socializados http://epaa.asu.edu/ojs/ https://doi.org/10.14507/epaa.28.5511 Reconhecer e Valorizar os Saberes e Práticas Indígenas 2 possam auxiliar e ampliar as reflexões, além de servir como um convite para que cada vez mais as populações indígenas tenham visibilidade nos meios acadêmicos científicos. Palavras-chave: reconhecimento; valorização; educação indígena; educação escolar indígena Recognizing and valuing indigenous knowledge and practices Abstract: This dossier presents results of studies that glimpse the experiences of indigenous peoples in the task of satisfying their specific needs in indigenous school education and indigenous education, incorporating from that, their history, beliefs, value system and organizational culture. The socio-historical trajectory for indigenous peoples to achieve their pedagogical autonomy involves the appropriation of educational processes that are linked to both indigenous school education and indigenous education (own learning processes). For indigenous peoples, this path might seem simple, at first, due to the new paradigm of indigenous school education that privileges cultural diversity. However as the indigenous people advance towards the achievement of their own conquest projects, they come across several bureaucratic and difficult issues. In this sense, the guidelines presented here do not reflect all the complexity of the scenarios in which the indigenous populations of Brazil and Latin America find themselves, nor the multiple facets that they can assume. However we hope that the studies socialized here can help and expand the reflections, in addition to serving as an invitation for more and more indigenous populations to have visibility in academic scientific circles. Keywords: recognition; recovery; indigenous education; indigenous school education Reconociendo y valorando los conocimientos y prácticas indígenas Resumen: Este compilado presenta los resultados de estudios que vislumbran las experiencias de los pueblos indígenas en la tarea de satisfacer sus necesidades específicas en la educación escolar indígena y la educación indígena, incorporando a partir de esto, su historia, creencias, sistema de valores y cultura organizacional. La trayectoria sociohistorica para que los pueblos indígenas logren su autonomía pedagógica implica la apropiación de procesos educativos que están vinculados tanto a la educación escolar indígena como a la educación indígena (procesos de aprendizaje propios). Para los pueblos indígenas, este camino puede parecer simple, al principio, debido al nuevo paradigma de la educación escolar indígena que privilegia la diversidad cultural. Sin embargo, a medida que los pueblos indígenas avanzan hacia el logro de sus propios proyectos de conquista, se encuentran con varios problemas burocráticos y difíciles. En este sentido, las pautas presentadas aquí no reflejan toda la complejidad de los escenarios en los que se encuentran las poblaciones indígenas de Brasil y América Latina, ni las múltiples facetas que pueden asumir. Sin embargo, esperamos que los estudios socializados aquí puedan ayudar y ampliar las reflexiones, además de servir como una invitación para que más y más poblaciones indígenas tengan visibilidad en los círculos científicos académicos. Palabras-clave: reconocimiento; valoración; educación indígena; educación escolar indígena Introdução Agradecemos o interesse da comunidade em participar do dossiê “Educação e Povos Indígenas - Identidades em Construção e Reconstrução”. O interesse na área foi grande, e a procura foi muito maior do que esperávamos originalmente, o que de alguma forma atrasou todo o processo de revisão e seleção, já que os pareceristas habilitados eram limitados. Pedimos desculpas aos autores que submeteram manuscritos pela demora na publicação do dossiê. Recebemos originalmente 45 propostas, das quais 22, numa primeira avaliação, foram consideradas elegíveis a serem analisadas por pareceristas. Os pareceristas foram favoráveis a publicação de 11 destas num primeiro dossiê, mas temos ainda 11 já autorizadas em processo de segundo dossiê. Arquivos Analíticos de Políticas Educativas Vol. 28, No. 70 Dossiê Especial 3 Por isso como foram muitos os manuscritos considerados para a publicação deste dossiê, o corpo editorial decidiu dividi-lo. Assim mesmo, considerando que números da revista com muitos artigos não são bem assimilados pelos leitores, este primeiro volume deverá ser publicado em duas partes. Por sua vez, o segundo volume deve ser publicizado também em duas partes em outubro de 2020. O tema é deveras relevante, e, aparentemente, havia uma demanda reprimida para divulgação de pesquisa na área. O Censo de 2010 registrou uma população indígena de 896.917 indivíduos, sendo que 57,7% residiam em terras indígenas. A população indígena apresentou em 2010 uma taxa de alfabetização e nível educacional abaixo do resto da população. O Censo de 2010 levantou também a informação de etnia e, foram contabilizadas 305 (considerou-se etnia ou povo a comunidade definida por afinidades linguísticas, culturais e sociais), ainda que somente cerca de 3/4 soubesse informar o nome da etnia. Neste mesmo censo, foram contabilizadas 274 línguas faladas no Território Nacional, excluindo aquelas originárias de outros países como o Quéchua e o Aymará. Somado a isso, o Censo escolar levanta informações sobre “Materiais didáticos específicos para atendimento à diversidade sociocultural”, inclusive para as populações Indígenas. O censo informa que: A educação escolar indígena é oferecida exclusivamente para estudantes indígenas, por professores prioritariamente indígenas oriundos das respectivas comunidades. As escolas indígenas estão localizadas em terras ocupadas por comunidades indígenas, independentemente da situação de regularização fundiária, que podem se estender por territórios de um ou mais estados, ou em municípios contíguos. As atividades de aprendizagem são desenvolvidas nas línguas maternas das comunidades, sejam estas línguas indígenas ou língua portuguesa (Resolução CNE/CEB nº 5/2012). As escolas indígenas são consideradas pelo CNE (Resolução CNE/CEB nº 3/1999) uma categoria específica de estabelecimento escolar de ensino e, por isso, possuem autonomia pedagógica, organizativa e gerencial. Com esta autonomia pedagógica, no entanto, cada etnia, em consonância com os Art. 7, 27 e 28 da Convenção 169 da OIT, deve se encarregar de conceber o seu próprio projeto educacional. O Censo da Educação Básica, lista 310 línguas que poderiam ser utilizadas nas salas de aula. Com tanta diversidade, observa-se que ainda faltam profissionais indígenas capacitados, com algumas exceções, para desenvolver os projetos. Um outro problema recorrente é o material escrito. Como estas línguas são principalmente de tradição oral, não existe, na maioria dos casos, material didático, regras estabelecidas de ortografia para a transliteração, dicionários, gramáticas e um corpus literário. Todavia, com o avanço da tecnologia, os alunos esperam um corpus literário e outras funções como jogos, websites de venda e de interação social, acessível e disponível na internet, para lhes reforçar com a visibilidade, a utilização e aplicabilidade da língua. Neste sentido, este dossiê (dividido em dois volumes) se propõe a reunir artigos e estudos que vislumbrem experiências dos povos indígenas na tarefa de satisfazer suas necessidades específicas na educação escolar indígena e da educação indígena, incorporando a partir disso, sua história, crenças, sistema de valores e cultura organizacional. A trajetória sócio- histórica para que os povos indígenas possam conquistar sua autonomia pedagógica envolve a apropriação dos processos educativos que se encontram vinculados tanto a educação escolar indígena, quanto a educação indígena (processos próprios de aprendizagem). Para os povos indígenas, este caminho poderia parecer simples, em um primeiro momento, em razão do novo paradigma da educação escolar indígena que privilegia a diversidade cultural. Entretanto, à medida que os indígenas avançam em direção à consecução dos seus próprios projetos de conquista esbarram em várias questões de ordem burocráticas e dificultosas. Reconhecer e Valorizar os Saberes e Práticas Indígenas 4 Sendo assim, este primeiro volume (dividido em duas partes) em particular, prioriza textos teóricos, relatos, vivências e análises de experiências em escolas e outras organizações indígenas, dando preferência para resultados que envolvam alunos utilizando material específico e não específico, bem como, de programas para relatar a história dos diferentes povos/nações indígenas (para indígenas e não indígenas), análises de políticas públicas relacionadas, experiências de consolidação de registros escritos, de transliteração, de gramáticas, literatura em línguas nativas, materiais didáticos, formação de professores, impactos de eventuais políticas nos conflitos e nas identidades de lideranças, entre outros, numa perspectiva mais decolonial da realidade. A partir disso e considerando que outros países da América Latina têm uma vasta contribuição sobre o tema, foram também selecionados textos sobre estas experiências. Parte I – Volume 1 Na primeira parte do volume I abrimos com texto de Marcos José de Aquino Pereira que se trata de revisão bibliográfica de dissertações e teses publicadas entre 2012 a 2018, o passado recente, versando sobre a Educação Escolar Diferenciada Indígena. O artigo reflete sobre no que tem consistido e como vem sendo realizada a aplicação do direito a uma educação diferenciada aos povos originários nas escolas, oferecendo um panorama sobre como tem sido entendida e implementada. O objetivo foi identificar a sua implantação ou não, buscando observar a presença de elementos culturais tradicionais de cada etnia nos conteúdos e nas práticas educativas realizadas nessas escolas. O autor faz uma reflexão sobre o que esta revisão desvela sobre as realidades estudadas, bem como as dificuldades ali identificadas e propõe novas perspectivas para tornar a construção de uma educação escolar indígena diferenciada mais efetiva. Por sua vez, o segundo texto de Miguel Julio Zadoreski Junior & Suzana Feldens Schwertner coloca traz uma discussão que tenta esclarecer por que, mesmo tendo escolas indígenas disponíveis, alguns pais do povo Rikbatksa optam por escolas não-indígenas. O resultado da pesquisa indica que, talvez, as escolas indígenas devessem também preparar os jovens indígenas para o mundo não indígena e para uma profissão. Já o terceiro texto de Kelly Russo & Edson Araújo Diniz artigo tem por objetivo discutir o acesso e a permanência de estudantes indígenas no ensino superior, a partir de um trabalho de campo realizado com jovens de diferentes etnias, universitários de instituições públicas e privadas no estado do Rio de Janeiro. Estes autores trazem contribuições importantes na compreensão do ensino formal, discutindo o acesso e a permanência de estudantes indígenas no ensino superior. Em particular tratam de jovens de diferentes etnias, universitários de instituições públicas e privadas no estado do Rio de Janeiro, mas obviamente esta experiência, apesar de ser um recorte no território nacional, tipifica experiências exitosas e dificuldades de estudantes indígenas no ensino superior no Brasil. O quarto texto deste volume é escrito por Silvia Castillo Sánchez, Carlos Bustos, Simona Mayo, Jorge Soto & Cristian Vargas problematizando a relação entre a Universidade, os Povos Indígenas e o Estado a partir de uma experiência comunitária orientada para revitalizar as quatro línguas indígenas de maior vitalidade no Chile (aimará, quéchua, rapa nui e mapudungun). As vozes de estudantes e docentes indígenas, funcionários (as) do Estado e acadêmicos (as), nesta ocasião, reúnem-se e encontram, desde sua diferença, tensões e aproximações em um projeto colaborativo, que coleta as reflexões e aprendizados em torno a esta experiência educativa. O objetivo principal deste artigo foi analisar as percepções dos três agentes mencionados sobre esta iniciativa conjunta, enfatizando as seguintes dimensões: a) propósitos e sentidos; e b) características da relação entre os agentes. Os principais descobrimentos evidenciaram obstáculos problemáticos e aspectos fundamentais a respeito da ação conjunta, em particular, oportunidades e desafios para a configuração de novos espaços relacionais. Arquivos Analíticos de Políticas Educativas Vol. 28, No. 70 Dossiê Especial 5 O quinto texto escrito por Luana Barth Gomes, Denise Regina Quaresma da Silva & Cledes Antonio Casagrande, da Universidade La Salle de Canoas, discute a representação dos povos indígenas pela sociedade e pelo poder público no Brasil, em particular concepções prévias equivocadas de quem produz esses artefatos culturais. Embora haja avanços nas políticas públicas que visibilizam o indígena na sociedade brasileira, ainda há muito a ser melhorado na retratação dos ameríndios nos livros didáticos, visando a constituição de sua identidade na contemporaneidade livre de estereótipos, invisibilidades e eurocentrismos. A imagem dos povos indígenas advém de ideias distorcidas que desde crianças aprendemos na escola, a seu respeito. Essa projeção estereotipada permanece por não se ter contato com materiais que retratem esses povos de forma correta, mas também por concepções prévias equivocadas de quem produz esses artefatos culturais. Parte 2 – Volume 1 Na segunda parte do volume I, temos o sexto texto escrito por Danielle Bastos Lopes que apresenta resultados de pesquisas antropológicas realizadas entre os Mbyá – Guarani, provenientes das regiões Sudeste do Brasil e Norte da Argentina. Baseada no método etnográfico analisa a escolarização indígena pelo plano do xamanismo e as diferentes concepções de corpo, conhecimento e a noção de pessoa indígena. O estudo traz os conflitos da escola e a relação com as alteridades, humanas e não humanas, entendendo que a escolarização, atravessada por seres cósmicos e lógicas sensíveis, desconstroem os sentidos normativos e racionais dos modelos de educação indígena que tem povoado a América Latina e o Caribe. Conclui que existe um mundo invisível e cosmológico que subsume os processos de escolarização. Os mundos invisíveis são entendidos, nesse contexto, como condições essenciais e indivisíveis ao entendimento de currículo, organização e alteridade guarani. Já o sétimo texto de Eliane Boroponepa Monzilar, analisa os processos educativos, tradicionais e o não tradicional, do povo Balatiponé-Umutina, sob o ponto de vista do próprio, por meio de observação participante, com relatos da comunidade: anciãos, jovens e dos professores da escola de educação indígena Jula Paré. O espaço da escola é um locus de atividades para a comunidade, praticando fazeres da ancestralidade como as danças, os cânticos, a língua, a pintura corporal, as histórias, os rituais e a comidas típicas, confecção de artesanatos, festa tradicional, etc. Conclui que no espaço escolar há uma rede de diálogo, uma interação entre os docentes, estudantes, pais, cacique, lideranças, anciãos e comunidade praticando fazeres da ancestralidade sendo o lugar que conecta o fazer e o aprender o conhecimento, bem como fomenta questões sobre a espiritualidade e a concepção da juventude da atualidade comparada com a geração passada. Os anciãos também são o ponto de partida do oitavo texto, escrito por de Alberto Pariu Moritu & Jarina Rodrigues Fernandes sobre a Pedagogia A’uwê Uptabi, denominada pelo não indígena como Pedagogia Xavante. Os autores realizaram a análise de conteúdo das falas de seis anciãos. Identificaram três eixos: sonhos para a educação dos adolescentes; conselhos para adolescentes e educadores xavantes e conselhos para adolescentes e educadores não indígenas. Em contraponto ao texto de Miguel Julio Zadoreski Junior & Suzana Feldens, os anciãos destacaram as preocupações com as influências da cultura não indígena (produtos tecnológicos, bebidas alcoólicas, drogas, individualismo) e com o esvaziamento da tradição que podem provocar a destruição da cultura A’uwê Uptabi. Além disso, três são os textos neste dossiê que interligam saberes tradicionais com a matemática. O nono texto, denominado “A geometria presente nos formatos das roças e hortas do povo Pataxó Hãhãhãe”, serve para Amagilda Pereira Souza, Keli Cristina Conti & Diogo Alves de Faria Reis teve como objetivos revisitar um trabalho de conclusão de curso da Licenciatura em Formação Intercultural para Educadores Indígenas, na habilitação Matemática. A pesquisa foi desenvolvida na aldeia Indígena Caramuru do Povo Pataxó Hãhãhãe, pesquisando Reconhecer e Valorizar os Saberes e Práticas Indígenas 6 de forma histórico-bibliográfica e utilizando como instrumentos de coleta documentos, livros e registros que contavam a história do povo. Utilizaram ainda, fotografias das práticas do povo Pataxó Hãhãhãe, destacando as roças e hortas, além de entrevista com dois membros da aldeia. Salientam com este estudo o destaque a ser dado na geometria presente nos formatos das roças e hortas, para que esses saberes fossem registrados e lembrados, tanto pela escola como na comunidade. Com isso, os autores procuraram dar visibilidade aos conhecimentos tradicionais que o povo ensina com a vivência na comunidade. Já o décimo texto deste primeiro dossiê, escrito por Mariane Dias Araújo & Vanessa Sena Tomaz analisa tensões que ocorrem quando, ao desenvolver pesquisas sobre questões emergentes de sua comunidade, uma estudante indígena busca estabelecer relações entre práticas da tradição indígena e práticas matemáticas escolares, no contexto da licenciatura intercultural. Situa-se nos estudos sobre interculturalidade, na perspectiva decolonial e sobre etnomatemática, formulada a partir da obra tardia de Wittgenstein e do pensamento de Michel Foucault. A análise mostra que as tensões emergem das relações de poder entre a matemática escolar ocidental e outras formas de produzir matemáticas, neste caso, tomando o conhecimento tradicional das pinturas corporais Pataxó como referência. Dada à variedade de usos, funções e papeis da linguagem, com referências em diferentes epistemologias, torna-se impossível aceitar a existência de uma linguagem matemática universal, legitimando outras matemáticas que não dissociam a prática escolar do modo próprio de ser e viver do povo Pataxó. Finalizando o primeiro dossiê temos décimo primeiro texto escrito por Elisângela Aparecida Pereira de Melo, Gerson Ribeiro Bacury, Pedro Ferreira da Silva & Domingos Anselmo Moura da Silva abordando as práticas matemáticas no Curso de Licenciatura em Formação de Professores Indígenas da Universidade Federal do Amazonas/Campus de Benjamin Constant, num contexto de diversidade cultural e linguística. Assim, o estudo realizado por eles objetivou descrever as distintas abordagens metodológicas quanto ao ensino e a aprendizagens de alguns conceitos no âmbito da Geometria Plana, junto aos estudantes indígenas do Curso de Licenciatura em Formação de Professores Indígenas/UFAM. Suas reflexões evidenciaram, dentre outras coisas, a aquisição de novos conhecimentos, a criação, a elaboração e a proposição de distintas atividades e práticas matemáticas para as ações docentes futuras nas escolas de suas comunidades. Finalizamos, destacando que as orientações aqui apresentadas não traduzem toda a complexidade dos cenários em que se encontram as populações indígenas do Brasil e da América Latina, tampouco as múltiplas facetas que podem assumir. Esperamos que os estudos aqui socializados possam auxiliar nossas reflexões e servir como um convite para que sejam sempre ampliadas e aprimoradas, adaptando sua utilização em cada contexto. Boa leitura a todos(as)! Referências Brasil. (1999). Resolução CNE/CEB nº 3, de 10 de novembro de 1999. Fixa Diretrizes Nacionais para o funcionamento das escolas indígenas e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília. Brasil. (2012). Resolução CNE/CEB, nº 05, de 22 de dezembro de 2012. Define as diretrizes Nacionais para a Educação Escolar Indígena na Educação Básica. Diário Oficial da União, Brasíia. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística [IBGE]. (2011). Censo Demográfico 2010: Sinopse do Censo Demográfico 2010. Rio de Janeiro. Organizacão Internacional do Trabalho [OIT]. (2019). Convenção sobre Povos Indígenas e Tribais em Países Independentes [Convenção 169]. 27 jun. 1989. Disponível em: . http://www.ilo.org/ilolex/cgi-lex/convds.pl?C169 Arquivos Analíticos de Políticas Educativas Vol. 28, No. 70 Dossiê Especial 7 Sobre o Editores Kaizô Iwakami Beltrão EBAPE FGV - Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas Kaizo.beltrao@fgv.br http://orcid.org/0000-0002-3590-8057 Graduação em Engenharia Mecânica pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (1974), mestrado em Matemática Aplicada pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (1977) e doutorado em Estatística pelo Departamento de Estatística da Princeton University (1981). Atualmente é Pesquisador/Professor da EBAPE/FGV-RJ e responsável técnico pelos relatórios técnicos do ENADE junto ao INEP através da Fundação Cesgranrio. Tem experiência na área de População e Políticas Públicas, com ênfase em Previdência Social e Educação, atuando principalmente nos seguintes temas: bases de dados para políticas públicas, avaliações educacionais, diferenciais por sexo/raça, condições de saúde, demografia (modelagem estatística) e mortalidade. Juliane Sachser Angnes Universidade Estadual do Centro-Oeste do Paraná (UNICENTRO) Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE UNICENTRO) Programa de Pós-Graduação em Administração (PPGADM UNICENTRO) julianeangnes@gmail.com https://orcid.org/0000-0002-4887-7042 Graduação em Secretariado Executivo Bilíngue e em Letras - Português/Inglês pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE). Especialista em Linguística Aplicada e Mestre em Letras - Linguagem e Sociedade também pela UNIOESTE. Doutora em Educação pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), linha de Cognição, Desenvolvimento Humano e Aprendizagem. Realizou estágio pós-doutoral no Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Estadual de Maringá (UEM) no Grupo de Pesquisas em Estudos Organizacionais. É professora da Universidade Estadual do Centro-Oeste (UNICENTRO) vinculada ao Departamento de Secretariado Executivo e aos Programas de Pós-Graduação em Administração (Mestrado Profissional) e Pós-Graduação em Educação (Mestrado e Doutorado). Tem experiência na docência e pesquisa nas áreas de Educação e Administração, atuando principalmente n as seguintes áreas temáticas: educação escolar indígena; comunicação organizacional; redes solidárias; economia do bem- estar social; gestão escolar; planejamento e organização de eventos; cerimonial e protocolo; etiqueta social e comportamental; redação técnica oficial e empresarial; responsabilidade social; pesquisa qualitativa em Ciências Sociais Aplicadas. mailto:Kaizo.beltrao@fgv.br https://urldefense.proofpoint.com/v2/url?u=http-3A__orcid.org_0000-2D0002-2D3590-2D8057&d=DwMFaQ&c=l45AxH-kUV29SRQusp9vYR0n1GycN4_2jInuKy6zbqQ&r=LjMqjl4R-2qm1usoNnGI1mF7F_j_WN6lRbuxHej1Xg8&m=QJhTA6TjAonzMKJYP6hPRBkTX6hIAyREjpQcDdkhyMQ&s=fJ8Wn8IPBi9gKKPgQSHPkvrRblNB558B6BzLQJO4YsI&e= mailto:julianeangnes@gmail.com https://urldefense.proofpoint.com/v2/url?u=https-3A__orcid.org_0000-2D0002-2D4887-2D7042&d=DwMFaQ&c=l45AxH-kUV29SRQusp9vYR0n1GycN4_2jInuKy6zbqQ&r=LjMqjl4R-2qm1usoNnGI1mF7F_j_WN6lRbuxHej1Xg8&m=QJhTA6TjAonzMKJYP6hPRBkTX6hIAyREjpQcDdkhyMQ&s=ck5MLolMmMSKRJOD8B_ByweD9lSzSjDTB3bELd-Uhrk&e= Reconhecer e Valorizar os Saberes e Práticas Indígenas 8 Dossiê Especial Educação e Povos Indígenas: Identidades em Construção e Reconstrução arquivos analíticos de políticas educativas Volume 28 Número 70 4 de maio 2020 ISSN 1068-2341 Los/as lectores/as pueden copiar, mostrar, distribuir, y adaptar este articulo, siempre y cuando se de crédito y atribución al autor/es y a Archivos Analíticos de Políticas Educativas, los cambios se identifican y la misma licencia se aplica al trabajo derivada. Más detalles de la licencia de Creative Commons se encuentran en https://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0/. Cualquier otro uso debe ser aprobado en conjunto por el autor/es, o AAPE/EPAA. La sección en español para Sud América de AAPE/EPAA es publicada por el Mary Lou Fulton Teachers College, Arizona State University y la Universidad de San Andrés de Argentina. Los artículos que aparecen en AAPE son indexados en CIRC (Clasificación Integrada de Revistas Científicas, España) DIALNET (España), Directory of Open Access Journals, EBSCO Education Research Complete, ERIC, Education Full Text (H.W. Wilson), PubMed, QUALIS A1 (Brazil), Redalyc, SCImago Journal Rank, SCOPUS, SOCOLAR (China). Por errores y sugerencias contacte a Fischman@asu.edu Síganos en EPAA’s Facebook comunidad at https://www.facebook.com/EPAAAAPE y en Twitter feed @epaa_aape. https://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0/ http://www.doaj.org/ http://www.doaj.org/ https://www.facebook.com/EPAAAAPE Arquivos Analíticos de Políticas Educativas Vol. 28, No. 70 Dossiê Especial 9 arquivos analíticos de políticas educativas conselho editorial Editor Consultor: Gustavo E. Fischman (Arizona State University) Editoras Associadas: Andréa Barbosa Gouveia (Universidade Federal do Paraná), Kaizo Iwakami Beltrao, (Brazilian School of Public and Private Management - EBAPE/FGVl), Sheizi Calheira de Freitas (Federal University of Bahia), Maria Margarida Machado, (Federal University of Goiás / Universidade Federal de Goiás), Gilberto José Miranda, (Universidade Federal de Uberlândia, Brazil), Marcia Pletsch (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro), Maria Lúcia Rodrigues Muller (Universidade Federal de Mato Grosso e Science), Sandra Regina Sales (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro) Almerindo Afonso Universidade do Minho Portugal Alexandre Fernandez Vaz Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil José Augusto Pacheco Universidade do Minho, Portugal Rosanna Maria Barros Sá Universidade do Algarve Portugal Regina Célia Linhares Hostins Universidade do Vale do Itajaí, Brasil Jane Paiva Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Brasil Maria Helena Bonilla Universidade Federal da Bahia Brasil Alfredo Macedo Gomes Universidade Federal de Pernambuco Brasil Paulo Alberto Santos Vieira Universidade do Estado de Mato Grosso, Brasil Rosa Maria Bueno Fischer Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil Jefferson Mainardes Universidade Estadual de Ponta Grossa, Brasil Fabiany de Cássia Tavares Silva Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, Brasil Alice Casimiro Lopes Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Brasil Jader Janer Moreira Lopes Universidade Federal Fluminense e Universidade Federal de Juiz de Fora, Brasil António Teodoro Universidade Lusófona Portugal Suzana Feldens Schwertner Centro Universitário Univates Brasil Debora Nunes Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Brasil Lílian do Valle Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Brasil Geovana Mendonça Lunardi Mendes Universidade do Estado de Santa Catarina Alda Junqueira Marin Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Brasil Alfredo Veiga-Neto Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil Flávia Miller Naethe Motta Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Brasil Dalila Andrade Oliveira Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil Reconhecer e Valorizar os Saberes e Práticas Indígenas 10 archivos analíticos de políticas educativas consejo editorial Editor Consultor: Gustavo E. Fischman (Arizona State University) Editores Asociados: Felicitas Acosta (Universidad Nacional de General Sarmiento), Armando Alcántara Santuario (Universidad Nacional Autónoma de México), Ignacio Barrenechea, Jason Beech ( Universidad de San Andrés), Angelica Buendia, (Metropolitan Autonomous University), Alejandra Falabella (Universidad Alberto Hurtado, Chile), Carmuca Gómez-Bueno (Universidad de Granada), Veronica Gottau (Universidad Torcuato Di Tella), Carolina Guzmán-Valenzuela (Universidade de Chile), Antonia Lozano-Díaz (University of Almería), Antonio Luzon, (Universidad de Granada), María Teresa Martín Palomo (University of Almería), María Fernández Mellizo-Soto (Universidad Complutense de Madrid), Tiburcio Moreno (Autonomous Metropolitan University-Cuajimalpa Unit), José Luis Ramírez, (Universidad de Sonora), Axel Rivas (Universidad de San Andrés), César Lorenzo Rodríguez Uribe (Universidad Marista de Guadalajara), Maria Veronica Santelices (Pontificia Universidad Católica de Chile) Claudio Almonacid Universidad Metropolitana de Ciencias de la Educación, Chile Ana María García de Fanelli Centro de Estudios de Estado y Sociedad (CEDES) CONICET, Argentina Miriam Rodríguez Vargas Universidad Autónoma de Tamaulipas, México Miguel Ángel Arias Ortega Universidad Autónoma de la Ciudad de México Juan Carlos González Faraco Universidad de Huelva, España José Gregorio Rodríguez Universidad Nacional de Colombia, Colombia Xavier Besalú Costa Universitat de Girona, España María Clemente Linuesa Universidad de Salamanca, España Mario Rueda Beltrán Instituto de Investigaciones sobre la Universidad y la Educación, UNAM, México Xavier Bonal Sarro Universidad Autónoma de Barcelona, España Jaume Martínez Bonafé Universitat de València, España José Luis San Fabián Maroto Universidad de Oviedo, España Antonio Bolívar Boitia Universidad de Granada, España Alejandro Márquez Jiménez Instituto de Investigaciones sobre la Universidad y la Educación, UNAM, México Jurjo Torres Santomé, Universidad de la Coruña, España José Joaquín Brunner Universidad Diego Portales, Chile María Guadalupe Olivier Tellez, Universidad Pedagógica Nacional, México Yengny Marisol Silva Laya Universidad Iberoamericana, México Damián Canales Sánchez Instituto Nacional para la Evaluación de la Educación, México Miguel Pereyra Universidad de Granada, España Ernesto Treviño Ronzón Universidad Veracruzana, México Gabriela de la Cruz Flores Universidad Nacional Autónoma de México Mónica Pini Universidad Nacional de San Martín, Argentina Ernesto Treviño Villarreal Universidad Diego Portales Santiago, Chile Marco Antonio Delgado Fuentes Universidad Iberoamericana, México Omar Orlando Pulido Chaves Instituto para la Investigación Educativa y el Desarrollo Pedagógico (IDEP) Antoni Verger Planells Universidad Autónoma de Barcelona, España Inés Dussel, DIE-CINVESTAV, México José Ignacio Rivas Flores Universidad de Málaga, España Catalina Wainerman Universidad de San Andrés, Argentina Pedro Flores Crespo Universidad Iberoamericana, México Juan Carlos Yáñez Velazco Universidad de Colima, México javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/819') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/820') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/4276') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/1609') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/825') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/797') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/823') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/798') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/555') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/814') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/2703') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/801') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/826') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/802') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/3264') javascript:openRTWindow('http://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeamBio/804') Arquivos Analíticos de Políticas Educativas Vol. 28, No. 70 Dossiê Especial 11 education policy analysis archives editorial board Lead Editor: Audrey Amrein-Beardsley (Arizona State University) Editor Consultor: Gustavo E. Fischman (Arizona State University) Associate Editors: Melanie Bertrand, David Carlson, Lauren Harris, Eugene Judson, Mirka Koro- Ljungberg, Daniel Liou, Scott Marley, Molly Ott, Iveta Silova (Arizona State University) Cristina Alfaro San Diego State University Amy Garrett Dikkers University of North Carolina, Wilmington Gloria M. Rodriguez University of California, Davis Gary Anderson New York University Gene V Glass Arizona State University R. Anthony Rolle University of Houston Michael W. Apple University of Wisconsin, Madison Ronald Glass University of California, Santa Cruz A. G. Rud Washington State University Jeff Bale University of Toronto, Canada Jacob P. K. Gross University of Louisville Patricia Sánchez University of University of Texas, San Antonio Aaron Bevenot SUNY Albany Eric M. Haas WestEd Janelle Scott University of California, Berkeley David C. Berliner Arizona State University Julian Vasquez Heilig California State University, Sacramento Jack Schneider University of Massachusetts Lowell Henry Braun Boston College Kimberly Kappler Hewitt University of North Carolina Greensboro Noah Sobe Loyola University Casey Cobb University of Connecticut Aimee Howley Ohio University Nelly P. Stromquist University of Maryland Arnold Danzig San Jose State University Steve Klees University of Maryland Jaekyung Lee SUNY Buffalo Benjamin Superfine University of Illinois, Chicago Linda Darling-Hammond Stanford University Jessica Nina Lester Indiana University Adai Tefera Virginia Commonwealth University Elizabeth H. DeBray University of Georgia Amanda E. Lewis University of Illinois, Chicago A. Chris Torres Michigan State University David E. DeMatthews University of Texas at Austin Chad R. Lochmiller Indiana University Tina Trujillo University of California, Berkeley Chad d'Entremont Rennie Center for Education Research & Policy Christopher Lubienski Indiana University Federico R. Waitoller University of Illinois, Chicago John Diamond University of Wisconsin, Madison Sarah Lubienski Indiana University Larisa Warhol University of Connecticut Matthew Di Carlo Albert Shanker Institute William J. Mathis University of Colorado, Boulder John Weathers University of Colorado, Colorado Springs Sherman Dorn Arizona State University Michele S. Moses University of Colorado, Boulder Kevin Welner University of Colorado, Boulder Michael J. Dumas University of California, Berkeley Julianne Moss Deakin University, Australia Terrence G. Wiley Center for Applied Linguistics Kathy Escamilla University ofColorado, Boulder Sharon Nichols University of Texas, San Antonio John Willinsky Stanford University Yariv Feniger Ben-Gurion University of the Negev Eric Parsons University of Missouri-Columbia Jennifer R. Wolgemuth University of South Florida Melissa Lynn Freeman Adams State College Amanda U. Potterton University of Kentucky Kyo Yamashiro Claremont Graduate University Rachael Gabriel University of Connecticut Susan L. Robertson Bristol University Miri Yemini Tel Aviv University, Israel