Internacionalização do ensino superior por descrição bibliométrica com suporte em 76 anos de investigações Indexadas na Web of Science Página web: http://epaa.asu.edu/ojs/ Artigo recebido: 30/8/2021 Facebook: /EPAAA Revisões recebidas: 6/12/2021 Twitter: @epaa_aape Aceito: 13/12/2021 arquivos analíticos de políticas educativas Revista acadêmica, avaliada por pares, independente, de acesso aberto, e multilíngüe Arizona State University Volume 30 Número 92 5 de julho 2022 ISSN 1068-2341 Internacionalização do Ensino Superior por Descrição Bibliométrica com Suporte em 76 anos de Investigações Indexadas na Web of Science Fabiana Pinto de Almeida Bizarria Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, Faculdade Luciano Feijão, Programa de Pós-Graduação em Gestão Pública – Universidade Federal do Piauí Brasil Márcia Zabdiele Moreira Universidade Federal do Ceará – UFC Brasil & Lucas Alves do Nascimento Universidade Federal do Ceará – UFC Brasil Citação: Bizarria, F. P. de A., Moreira, M. Z., & Nascimento, L. A. do. (2022). Internacionalização do ensino superior por descrição bibliométrica com suporte em 76 anos de investigações indexadas na Web of Science. Arquivos Analíticos de Políticas Educativas, 30(92). https://doi.org/10.14507/epaa.30.7162 Resumo: O presente estudo tem como objetivo explorar a pesquisa sobre Internacionalização do Ensino Superior a partir de estudo bibliométrico com dados oriundos da Web of Science. O levantamento foi realizado em 20 de julho de 2021, buscando-se o termo “internationalization of higher education” no título do documento. Foram analisados 430 textos na pesquisa, no lapso http://epaa.asu.edu/ojs/ https://doi.org/10.14507/epaa.30.7162 Internacionalização do ensino superior 2 temporal de 1945 a 2021. Considerando Zupic & Cater (2014), analisaram -se citação, co-citação, acoplamento bibliográfico, co-autoria e co-ocorrência de palavras-chave, além dos 10 artigos mais citados e dos mais atuais. Van Damme (2001), Guo & Chase (2011), Seeber et al. (2016), Bennell & Pearce (2003), Byun & Kim (2011), Teichler (2004), são mais referenciados entre os textos selecionados. Das palavras-chave, observa-se a presença de: mobilidade, globalização, conhecimento, cultura, currículo. Ressaltam-se referências à Teichler (2004, 2009), Svenja Bendelier, Hans de Wit, Vidya Rajiv Yeravdekar, Shib ao Guo. Da rede de co-citação, Knight (2003, 2004, 2008), Altbach (2004, 2007), De Wit (1995, 2002), Horta (2009), Teichler (2004) e Hudzik (2011) são os mais citados. Dos artigos de 2021, observam -se problemáticas como desigualdade, racismo, colonialidade, como pautas importantes de investigação. Palavras-chave: internacionalização; ensino superior; estudo bibliométrico Internationalization of higher education by bibliometric description supported by 76 years of research indexed in the Web of Science Abstract: The study explores the internationalization of higher education from the bibliometrics of data collected in the Web of Science (WoS). The survey conducted on July 20, 2021, with the term “internationalization of higher education” in the document title, the research analyzes 430 texts, from 1945 to 2021. Considering Zupic & Cater (2014), it analyzed citation, co -citation, bibliographic coupling, co-authorship and co-occurrence of keywords, in addition to the 10 most cited texts and the most current ones. Van Damme (2001), Guo & Chase (2011), Seeber et al. (2016), Bennell & Pearce (2003), Byun & Kim (2011), Teichler (2004), are most referenced among the selected texts. From the keywords, it is observed the presence of: mobility, globalization, knowledge, culture, curriculum. It is highlighted references to Teichler (2004, 2009), Svenja Bendelier, Hans de Wit, Vidya Rajiv Yeravdekar, Shibao Guo. From the co - citation network, Knight (2003, 2004, 2008), Altbach (2004, 2007), De Wit (1995, 2002), Horta (2009), Teichler (2004) and Hudzik (2011) are the most cited. From the articles of 2021, we observe issues such as inequality, racism, coloniality, as important research agendas. Keywords: internationalization; higher education; bibliometric study La internacionalización de la educación superior a través de la descripción bibliométrica basada en 76 años de investigación indexada en la Web of Science Resumen: El estudio explora la Internacionalización de la Educación Superior a partir de la bibliometría de los datos recogidos en la Web of Science (WoS). La encuesta realizada el 20 de julio de 2021, con el término "internacionalización de la educación superior" en el título del documento, la investigación analiza 430 textos, de 1945 a 2021. Teniendo en cuenta a Zup ic & Cater (2014), se analizó la citación, la co-citación, el acoplamiento bibliográfico, la co-autoría y la co-ocurrencia de palabras clave, además de los 10 textos más citados y los más actuales. Van Damme (2001), Guo & Chase (2011), Seeber et al. (2016), Bennell & Pearce (2003), Byun & Kim (2011), Teichler (2004), son los más referenciados entre los textos seleccionados. A partir de las palabras clave, se observa la presencia de: movilidad, globalización, conocimiento, cultura, currículo. Se destacan las referencias a Teichler (2004, 2009), Svenja Bendelier, Hans de Wit, Vidya Rajiv Yeravdekar, Shibao Guo. De la red de citación, Knight (2003, 2004, 2008), Altbach (2004, 2007), De Wit (1995, 2002), Horta (2009), Teichler (2004) y Hudzik (2011) son los más citados. En los 2021 artículos se observan problemas como la desigualdad, el racismo, la colonialidad, como importantes agendas de investigación. Palabras-clave: internacionalización; educación superior; estudio bibliométrico Arquivos Analíticos de Políticas Educativas Vol. 30, No. 92 3 Internacionalização do Ensino Superior por Descrição Bibliométrica com Suporte em 76 Anos de Investigações Indexadas na Web of Science As universidades sempre tiveram dimensões internacionais na realização de suas pesquisas, no ensino e nas atividades de extensão, mas essas dimensões eram, em geral, mais ad hoc, fragmentadas, e implícitas do que explícitas e abrangentes. Na década de 1990, a crescente globalização e regionalização das economias e sociedades, combinadas com os requisitos da economia do conhecimento e o fim da Guerra Fria, surgiu um contexto para uma abordagem mais estratégica da internacionalização da Educação (De Wit, 2020). Nos últimos 25 anos, a internacionalização evoluiu de um componente marginal e secundário a um global, fator estratégico e convencional no ensino superior (Knight & De Wit, 2018). Com a ascensão da era atual da globalização na década de 1990, mudanças importantes ocorreram no imaginário global. Simultaneamente à expansão do livre comércio e da financeirização do capitalismo, muitos estados-nação adotaram oficialmente o multiculturalismo e a celebração despolitizada do aumento da interconexão global, que obscureceu os modos contínuos e até intensificados de dominação e expropriação (Stein, 2017). Olson (1981), foi um dos primeiros autores a discutir a internacionalização do ensino superior. Para ele, a universalização dessa etapa da educação está relacionada ao crescimento da compreensão de comunidade mundial, com a interdependência de seu povo e sistemas sociais, culturais, linguísticos, tecnológicos e ecológicos (Finardi & Guimarães, 2021). É justamente a partir da década de 1980 que no Brasil, por exemplo, começa-se a pensar em iniciativas voltadas para a internacionalização das universidades. Um dos reforçadores desse movimento foi a Declaração Mundial sobre a Educação Superior no Século XXI (UNESCO, 1998), que evidencia o papel das universidades, não apenas em serem reativas ao cenário de globalização, mas no protagonismo de ações para a internacionalização (Cusati et al. 2021). O conhecimento é produzido coletivamente no século XXI. A bolsa de estudos não surge mais de fontes singulares e isoladas de conhecimento profundo, mas de parcerias internacionais, comunidades de intercâmbio e conversas interdisciplinares. A imagem de uma teorização acadêmica isolada sozinha foi substituída pelo trabalho coletivo de cientistas de todo o mundo (Kahn & Agnew, 2017). A internacionalização refere-se ao processo intencional de integrar dimensões internacionais, interculturais ou globais com os propósitos, funções e formação superior, para desenvolver qualidade no ensino e pesquisa para estudantes e staff das instituições de ensino, além de fazer uma contribuição significativa para a sociedade (Guo & Guo, 2017). Susan & Colleen (2020) tratam sobre o conceito de Internacionalização consciente, que se refere a práticas relacionadas a valores e a processos (institucionais, estruturais e organizacionais) guiados por princípios éticos que apoiam a equidade na formação de relacionamento e na provisão de apoios e recursos no desenvolvimento do programa de universalização do ensino. Dessa forma, a internacionalização consciente seria um desejo de mudar o foco e a prática da internacionalização no ensino superior, da quantidade à qualidade das relações (práticas e éticas) e dos programas pedagogicamente informados. Organizações internacionais, como a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e organizações de ensino superior, como a Associação Internacional de Universidades (AIU) colocaram a internacionalização no topo da agenda das reformas. A internacionalização tornou-se um agente chave de mudança no ensino superior, nos países desenvolvidos, mas também em nações emergentes e em desenvolvimento (De Wit, 2020). Internacionalização do ensino superior 4 Morley et al. (2018) explicam que a internacionalização é um discurso político dominante no campo do ensino superior na atualidade, impulsionado por um conjunto de interesses econômicos, sociais e educacionais. Com frequência é apresentada como uma intervenção política ideologicamente neutra, coerente e orientada para o conhecimento, um bem incondicional. A mobilidade é um dos principais mecanismos para subsidiar a internacionalização, e, portanto, percebido como a principal forma de capital profissional e de identidade no mercado de trabalho acadêmico. Contudo, os autores destacam que ainda permanecem questionamentos, principalmente ponderando se as estruturas de oportunidade para mobilidade são distribuídas de forma desigual entre diferentes grupos sociais e espaços geopolíticos. O papel da internacionalização das instituições de ensino superior está atrelado a atender demandas sociais, tais como: comunicação, informação, trabalho e relações sociais (Altbach, 2003; López et al. 2006). Nesse sentido, Corbella & Marcos (2020), ampliam essa visão ao mostrar que internacionalização dessas instituições tem o papel de responder aos novos desafios sociais e econômicos impostos pela globalização. Além disso, os autores também relacionam esse processo ao desenvolvimento de habilidades, como proficiência em outras línguas e uma visão de mundo mais ampla, fatores que ajudam os estudantes a se adaptarem melhor à economia global. A internacionalização das instituições de ensino superior gera um efeito positivo para os estudantes, visto que proporciona o desenvolvimento de habilidades importantes para o cenário de mercado globalizado, e para a sociedade, ao fomentar o espírito de comunidade global, como já mencionado; para as próprias instituições o efeito também é positivo, pois as coloca em posição de destaque no cenário mundial, inclusive, como observado por Sá & Serpa (2020), influenciando no Ranking Global de Instituições de Ensino Superior, publicado anualmente pelo QS World University Rankings. Além dessa perspectiva, os autores chamam a atenção que esse processo de internacionalização também interfere nas iniciativas de financiamento dessas instituições. Segundo Sá & Serpa (2020), a internacionalização representa um processo profundo que considera fatores políticos, econômicos e socioculturais. Como conceito e agenda estratégica, é um fenômeno relativamente novo, mas, amplo e variado, impulsionado por uma combinação dinâmica de lógicas e componentes políticos, econômicos, socioculturais e acadêmicos. Seu impacto em regiões, países e instituições varia de acordo com seus contextos particulares. Isso significa que não existe um modelo único de internacionalização que sirva para todos (De Wit, 2019). Nesse sentido, Khoo (2011) classifica a internacionalização a partir de duas perspectivas: (i) orientada para o mercado, em que visa promover o desempenho econômico e a competitividade das instituições de ensino superior e a (ii) perspectiva orientada para a ética, relacionando-se a questões de caridade para melhorar a qualidade de vida de alunos desfavorecidos financeiramente. No sentido operacional, o processo de internacionalização pode ser compreendido como um conjunto de práticas que visam aumentar o volume de atividades no âmbito internacional e o trânsito de estudantes e membros do corpo docente entre instituições de diferentes partes do mundo (intercâmbios). Vale ressaltar ainda que esse processo pode ocorrer com diferentes categorias de instituições de ensino, não se limitando apenas às de educação superior (Sá & Serpa, 2020). Sobre esse aspecto, Rizvi (2020) dá destaque a experiência australiana para o ensino superior internacional que é fortemente moldada por uma orientação comercial, focada na mobilidade internacional de estudantes. Para tanto, os governos locais ajudaram as universidades do país a desenvolver uma tecnologia de recrutamento de alunos estrangeiros, que captam alunos, principalmente vindos da China, que promovem o desenvolvimento das universidades com o pagamento de mensalidades. O autor ainda destaca que 30% das receitas dessas instituições são oriundas das movimentações de internacionalização. Arquivos Analíticos de Políticas Educativas Vol. 30, No. 92 5 Sá & Serpa (2020) ampliam as reflexões a respeito dos processos percorridos pelas universidades para a universalização. Nesse sentido, eles listam alguns dos principais problemas enfrentados por essas organizações, dentre os quais são citados: (1) relação entre os conteúdos vistos na educação superior e as necessidades da realidade (economia, política, sociedade), (2) diferenciação entre os níveis de formação nos diversos países do mundo, (3) o uso dos conhecimentos e das habilidades que o estudante adquire em países diferentes, (4) assistência para o desenvolvimento de instituições de ensino superior em países menos desenvolvidos, (5) incentivo a ações que reduzam a evasão de alunos do ensino superior. Além de chamar a atenção para os desafios, os autores refletem também sobre fatores que influenciarão o processo de internacionalização nos próximos 30 anos e como eles podem afetar as perspectivas futuras gerais das universidades: fatores (1) políticos, (2) econômicos, (3) social e (4) tecnológico (Sá & Serpa, 2020). A internacionalização tem se tornado um conceito amplo e variado, incluindo novos fundamentos, abordagens e estratégias, que se manifestam de forma diferente, em contextos diferentes e em constante mudança. É revelador ver como a terminologia usada para descrever a dimensão internacional do ensino superior evoluiu nas últimas cinco décadas (Knight & De Wit, 2018). Com as possibilidades de desenvolvimento das instituições de ensino superior, dos estudantes, colaboradores e da sociedade por meio da internacionalização da educação superior, esse artigo objetiva: explorar a pesquisa sobre Internacionalização do Ensino Superior a partir de estudo bibliométrico com dados oriundos da Web of Science. Trata-se de um estudo elaborado a partir de discussões e atividades de um grupo de pesquisa, vinculado a um programa de pós-graduação, sobre internacionalização de instituições de ensino superior, com o intuito de serem identificadas novas lacunas de pesquisa sobre o tema e direcionar a realização de estudos futuros pertinentes. Na seção a seguir são apresentados os procedimentos metodológicos utilizados nesse estudo bibliométrico. Método da Pesquisa Quanto à abordagem, a pesquisa caracteriza-se como quantitativa e quanto ao objetivo, tem caráter exploratório-descritivo. Utilizou-se o método bibliométrico de análise, que se trata de método de mapeamento científico, de abordagem quantitativa, como proposto por Zupic e Cater (2014). A pesquisa bibliométrica tem sido cada vez mais utilizada para mapear a estrutura e o desenvolvimento de campos e disciplinas científicas. Realizou-se mapeamento científico com métodos bibliográficos seguindo-se as 5 fases do fluxo de trabalho, conforme Zupic e Cater (2014): (i) Design da pesquisa: definição do problema de pesquisa e o(s) método(s) adequado(s) para solucioná-lo; (ii) Compilação dos dados bibliométricos: seleção da base de dados adequada e filtrar e exportar os dados dos documentos bibliográficos; (iii) Análise: escolha do software de análises bibliométricas e limpeza dos dados para análise; (iv) Visualização: escolha do método de visualização; e (v) Interpretação: descrição e interpretação dos achados. Para levantamento dos artigos sobre Internacionalização de Instituições de Ensino Superior, seleciou-se a base de dados Web of Science (WoS), vinculada ao Institute for Scientific Information (ISI)/Thompson Reuters. O levantamento bibliográfico na Web of Science foi realizado no dia 20 de julho de 2021. A estratégia de busca dos artigos indexados nessa base orientou-se pelo rastreio dos seguintes termos de busca: ‘internationalization of higher education” nos títulos dos artigos, que resultou Internacionalização do ensino superior 6 em um total de 430 textos científicos, proceeding papers, artigos de revisão entre outras categorias de publicações, no lapso temporal de 1945 até o dia da coleta no WoS. Foram utilizados métodos híbridos para análise bibliométrica dos dados a partir dos estudos dos seguintes elementos: citação, co-citação, acoplamento bibliográfico, co-autoria e co- ocorrência de palavras-chave, conforme classificação de Zupic & Cater (2014). Os autores destacam a possibilidade de desenvolver as análises focando em uma categoria de método ou com a análise integrada de dois, ou mais métodos. Nessa pesquisa foram utilizados esses cinco métodos por serem os mais utilizados em estudos de gestão, como salientam Zupic & Cater (2014). Cada um dos métodos bibliométricos escolhidos tem uma finalidade específica: (i) a análise da citação indica quem são os autores com perícia na temática pesquisada; (ii) co-citação apresenta os pesquisadores centrais e periféricos na área pesquisada; (iii) o acoplamento bibliográfico destaca como a estrutura intelectual sobre a temática se desenvolveu temporalmente. Grácio (2016) também destaca que o acoplamento bibliográfico é configurado quando há uma conexão entre dois artigos por utilizarem as mesmas referências; (iv) a co-autoria demonstra a estrutura social dos artigos sobre a temática, e a co-ocorrência de palavras- chave indica a dinâmica da estrutura conceitual do campo de estudo pesquisado. Van Eck e Waltman (2010) explicam que existem duas categorias de mapas bibliométricos: (i) os mapas baseados em distância; e (ii) as representações baseadas em gráficos. Os mapas baseados em distância são mapas nos quais a distância entre dois itens reflete a força entre os itens. Quanto menor a distância, maior a força da relação. Já os mapas baseados em gráficos são mapas nos quais a distância entre dois itens não precisa refletir a força entre itens. Linhas são desenhadas entre itens para mostrar a existência de uma relação, mas não define a intensidade dessa relação. Visto que o mapa foi construído, diferentes análises podem ser aplicadas para extrair conhecimento útil, como: análise das networks, análises temporais e geoespaciais, na visão de Cobo et al. (2012). A partir dos 430 artigos obtidos no levantamento bibliográfico na Web of Science para o estudo da bibliometria, foram analisados os seguintes elementos: (i) as áreas de concentração dos estudos: (ii) o volume de publicações por ano, (iii) a quantidade de citações por ano, (iv) o ranking dos 10 artigos mais citados, (v) a co-ocorrência de palavras-chave, (vi) o acoplamento bibliográfico por artigo, (vii) o acoplamento bibliográfico por autor, (viii) a co-citação por referência, (ix) a co- citação por autor. Complementar a essas análises, para descrição dos temas recentes de investigação sobre internacionalização de instituições de ensino superior, analisaram-se também os artigos publicados em 2021. Para análise bibliométrica dos artigos, utilizou-se o software VOSviewer, versão 1.6.17., disponibilizada a partir do dia 22 de julho de 2021. O programa foi criado por Van Eck e Waltman em 2010, está disponível gratuitamente e que pode ser utilizado para a construção e visualização de mapas bibliométricos. Ao contrário da maioria dos softwares usados para mapeamento bibliométrico, o VOSviewer disponibiliza representação gráfica de mapas bibliométricos, como explicam Van Eck & Waltman (2010). Cobo et al. (2012) ressaltam que o VOSviewer é um software projetado especificamente para construção e visualização de mapas bibliométricos, com destaque para a representação gráfica de tais mapas. É apropriado para representar grandes mapas, visto que a funcionalidade de zoom, algoritmos de rotulagem especiais e metáforas de densidade são usados. O VOSviewer constrói um mapa baseado em uma matriz de co-ocorrência. A construção do mapa é um processo composto de três etapas: (i) a matriz de similaridade, é calculada baseada na matriz de co-ocorrência; (ii) um mapa, é elaborado aplicando a técnica de mapeamento VOS à matriz de similaridade; (iii) finalmente, o mapa é traduzido, rotacionado e refletido (Van Eck & Waltman, 2010). Na próxima seção, são apresentados os resultados da análise dos artigos obtidos na Web of Science e tratados por meio do VOSviewer. Arquivos Analíticos de Políticas Educativas Vol. 30, No. 92 7 Apresentação dos Resultados Após exportação dos 430 artigos, foram identificadas as áreas correspondentes dos estudos selecionados em ordem decrescente de importância: pesquisa em Educação, Ciências Sociais Interdisciplinares, Gestão, Linguística, Idiomas, Economia, Negócios, Ciência Política, Planejamento Urbano Regional, Ciência da Informação, entre outras. Com a ilustração (Figura 1) evidencia-se o escopo interdisciplinar de estudo sobre o tema, especialmente abordado por áreas do campo das ciências humanas e sociais. Figura 1 Áreas de Concentração dos Estudos Selecionados para a Bibliometria Fonte: Web of Science (2021) Antes de avançar sobre a descrição dos resultados do output do software VOSviewer, dois gráficos extraídos da base de dados Web of Science representam o volume de publicações em função do ano (Gráfico 1) e, ainda, a quantidade de citações também por ano (Gráfico 2). Gráfico 1 Gráfico 2 Itens Publicados por Ano Citações em Cada Ano Fonte: Web of Science (2021) Fonte: Web of Science (2021) Internacionalização do Ensino Superior 8 Com os Gráficos 1 e 2, observa-se que o ano de 2018 atinge maior volume em número de trabalhos/artigos publicados e 2020 alcança o maior volume de citação, sendo, ainda, expressivo o aumento ao longo dos últimos 5 anos. O Tabela 1 apresenta o conjunto dos 10 artigos mais citados, dentre os textos selecionados, em ordem decrescente no total de citações. Tabela 1 Artigos mais Citados dos 430 Título Autores Título da fonte Ano Cit* The changing debate on internationalisation of higher education Teichler Higher Education 2004 291 Quality issues in the internationalisation of higher education Van Damme Higher Education 2001 99 Internationalisation of higher education: European experiences Teichler Asia Pacific Education Review 2009 82 Internationalisation of higher education: integrating international students into Canadian academic environment Guo & Chase Teaching in Higher Education 2011 60 The internationalisation of higher education: exporting education to developing and transitional economies Bennell & Pearce International Journal of Educational Development 2003 58 Shifting Patterns of the Government's Policies for the Internationalization of Korean Higher Education Byun & Kim Journal of Studies in International Education 2011 56 Why do higher education institutions internationalize? An investigation of the multilevel determinants of internationalization rationales Seeber et al. High Education 2016 50 The internationalization of higher education in Japan in the 1990s: A reconsideration Horie Higher Education 2002 49 Rethinking the mission of internationalization of higher education in the Asia-Pacific region Ng Compare-A Journal of Comparative and International Education 2012 48 Internationalization of curricula in higher education institutions in comparative perspectives: Case studies of China, Japan and The Netherlands Huang Higher Education 2006 48 Fonte: Web of Science (2021) Nota: *Total de citações Os 10 artigos foram analisados, apresentadas, na sequência, suas principais contribuições e características. Sobre a relação entre mudança e internacionalização, têm-se, o trabalho de Teichler (2004), sendo este artigo o que apresenta maior representatividade entre os 430 textos. Com maior volume de citações, observa-se que a pesquisa discute o tema a partir da ideia de globalização e europeização, quando, criticamente, define tensões entre a internacionalização do ensino superior, reconhecimento da diversidade educacional e a globalização como pauta do capitalismo, em que status, reputação e transferência comercial de conhecimento são problemáticas de maior relevância. Sugere ainda, maior análise sobre a internacionalização a partir da necessidade de coesão social e Arquivos Analíticos de Políticas Educativas Vol. 30, No. 92 9 sobrevivência ecológica, sendo estes, em geral, substituídos por sociedade do conhecimento, aldeia global e aprendizagem global, por exemplo. Van Damme (2001) destaca como desafio do desenvolvimento da internacionalização do ensino superior o não comprometimento da qualidade. O autor defende a tese de que as políticas e práticas de internacionalização enfrentam os limites de seu desenvolvimento, a menos que o desafio da qualidade seja enfrentado em todas as suas consequências. O artigo apresenta um overview sobre formas contemporâneas de desenvolvimento da educação superior, como a mobilidade estudantil e docente, internacionalização do currículo, expansão mercadológica com a implantação de campi em outros países, cooperação institucional e redes de acordos, rede transnacional de universidades (inclusive fusões entre instituições) e internacionalização virtual e faz uma análise crítica destacando que a saída está em uma integração de políticas e práticas gerais de garantia de qualidade nos níveis institucional e político. Guo & Chase (2011) discutem sobre os desafios de tornar a internacionalização da educação superior mais inclusiva. Para isso, os autores analisam o caso do programa de internacionalização de uma universidade canadense que visa contribuir para a adaptação ao ambiente acadêmico, que naturalmente, não é familiar para os estudantes estrangeiros. Os autores destacaram que apesar do crescente desenvolvimento da internacionalização das universidades canadenses, os estudantes estrangeiros apresentam dificuldades de integração ao ambiente acadêmico, demonstrando essa inadequação por isolamento, alienação, marginalização e baixa autoestima. A pesquisa reflete sobre como os programas podem prover acolhimento e suporte para que os estudantes estrangeiros possam ter uma experiência de intercâmbio mais proveitosa. Seeber, Cattaneo, Huisman e Paleari (2016) realizaram uma investigação dos determinantes multinível dos motivos para a internacionalização das instituições de ensino superior. Os diferentes níveis da internacionalização são apresentados pelos autores conforme a seguinte classificação: (i) nível micro (ambiente interno da IES, influência dos atores internos à IES), (ii) nível meso (os objetivos organizacionais da IES) e (iii) macro (contexto doméstico e contexto internacional). Os autores relatam que as discussões sobre o tema carecem de melhores evidências empíricas. Para contribuir com a redução desse gap, os autores propuseram e testaram um modelo conceitual para predizer porque as IES se internacionalizam e constataram que, as IES inseridas em um contexto global, concebem mais frequentemente a internacionalização como um instrumento de prestígio. Horie (2002) abordou a experiência japonesa a partir da década de 1995 e analisou, principalmente, dois pontos: (1) a melhoria da qualidade e da eficiência da educação superior no Japão, desde o início do processo de internacionalização, e a abertura do país para alunos de origens diversas. O estudo mostra que houve aumento significativo no trânsito de alunos (intercâmbios), esse fato específico é apontado como uma consequência direta das iniciativas adotadas pelo governo. Além disso, ele chama a atenção para as mudanças ocorridas na alocação de recursos (financeiros e humanos) ao nível nacional e institucional. Huang (2006) realizou uma análise comparativa entre as experiências de três países (não falantes de língua inglesa) a respeito da internacionalização das instituições de ensinosuperior em cada um deles. Para essas análises, foram selecionados China, Holanda e Japão; o motivo da escolha desses três países se deu pelas características distintas de cada um: a China representou uma parte em desenvolvimento da Ásia, o Japão é o contraponto a essa Ásia, já que é mais desenvolvido, e a Holanda (país europeu não falante da língua inglesa) ofereceu um exemplo em um continente que já oferece programas em inglês. O principal foco da pesquisa de Huang (2006) foi entender como as instituições de cada país estruturam seus currículos para o movimento de internacionalização e como as estratégias adotadas por elas podem ser estendidas a instituições de outros países (que também não sejam falantes de língua inglesa). O estudo concluiu que o aumento de programas de ensino e aprendizagem de língua inglesa (tanto na graduação quanto na pós-graduação) tem ajudado esses países a se sobressaírem no Internacionalização do Ensino Superior 10 processo de internacionalização das instituições de ensino superior. Isso acontece porque essas iniciativas fomentam não apenas um ambiente multilíngue, mas multicultural o que eleva a qualidade e os padrões dessas instituições. Em um estudo exploratório, Wing (2012) realiza algumas reflexões a respeito do tema de internacionalização de IES. O autor buscou entender como esse processo acontece em instituições do Pacífico-asiático. As principais reflexões levantadas estão relacionadas [1] à competividade que a internacionalização confere às instituições de ensino superior, [2] ao aumento na demanda por educação superior na região onde o estudo foi realizado, [3] ao impacto da globalização no processo de internacionalização da educação superior, [4] além de como esse processo pode evoluir para os próximos anos na região. O autor concluiu que as universidades asiáticas precisam se esforçar para aumentar o envolvimento na reestruturação dos currículos e das visões de futuro da Educação. Por fim, o autor reforça que a preparação de futuros líderes e cidadãos globais para um mundo altamente interdependente requer um sistema de ensino superior que promova a diversidade cultural, em que os currículos estejam comprometidos com a busca de noção global de cidadania. Teichler (2009) debate correntes de discussão relacionadas às políticas e às tendências de internacionalização na Europa. O autor enfatiza, principalmente, o ensino e a aprendizagem desde a década de 1990. Além disso, é dada atenção à pesquisa sobre os aspectos internacionais do ensino superior. Nesse sentido, o autor destaca os seguintes pontos: [1] nem todos os alunos em mobilidade estão estudando (alguns estão apenas se familiarizando com o país destino, outros decidem voltar ao seu país de origem justamente para estudar), [2] baixa confiabilidade dos dados a respeito da internacionalização, [3] evolução da quantidade de alunos em trânsito entre 1950 e 2014, [4] aumento no número de alunos estrangeiros em países em desenvolvimento. O autor conclui o estudo com as seguintes reflexões: [1] houve um aumento substancial de atividades de internacionalização na Europa nas últimas décadas, [2] a maioria dos alunos europeus consideram estudar em outro país em alguma etapa da jornada educacional, [3] o Programa ERASMUS foi um dos principais responsáveis pelos resultados alcançados nos últimos anos, [4] percebeu-se uma melhoria significativa nos currículos desde o início dos movimentos de internacionalização. A pesquisa de Bennell e Pearce (2003), por exemplo, avalia a internacionalização a partir das experiências do Reino Unido e da Austrália, considerando a contribuição do ensino internacional para a qualificação de jovens, bem como ampliação de oportunidades de trabalho. Em relação à Byun e Kim (2011), o estudo enfatiza mudanças nos sistemas de ensino superior coreano centrando esforços para a internacionalização, com análise das forças, incentivos, determinantes e políticas favoráveis ao processo, reconhecendo como fatores importantes, avaliações qualitativas sobre o sistema de ensino, equilibrando o movimentocooperativo e competitivo entre os países, em que a garantia de qualidade do ensino seja horizonte. Ainda em referência à Tabela 1, observa-se que os artigos em maior volume de citações são de Ulrich Teichler, professor no Centro Internacional de Pesquisa sobre Educação Superior, na University of Kassel (Alemanha); Dirk Van Damme, atua no Centro de Pesquisa e Inovação Educacional (CERI) e o programa de Indicadores de Sistemas Educacionais (INES), na Diretoria de Educação e Competências da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Pelos dois textos mais citados, em associação aos demais presentes no quadro, observa-se predominância de referências de pesquisadores de contexto Norte Americano e Europeu,. Para avançar na descrição dos achados bibliométricos identificados na análise dos 430 artigos, a Figura 2 expressa as palavras-chave em co-ocorrência, o que se define por rede temática. Para tanto, determinou-se o número mínimo de co-orrências, em 8, o que resultou em 21 palavras- chave, de um volume de 1085 palavras no conjunto de artigos selecionados. Arquivos Analíticos de Políticas Educativas Vol. 30, No. 92 11 Figura 2 Rede Temática – Co-ocorrência de Palavras-Chave Fonte: Ilustração extraída como output do software VOSviewer (2021) Com a Figura 2, observa-se a organização de 3 clusters com as palavras-chave. Esses grupos representam a força de ligação da co-ocorrência que, no cluster 1 (vermelho), é formado pelas palavras chave challenges, china, culture, internationalisation of higher education, mobility, policy, students e universities. O cluster 2 (verde) é composto pelas palavras chave education, globalisation, international education, international students, internationalisation, internationalization of higher education, student mobility e o cluster 3 (azul) composto por curriculum, globalization, higher education, internationalization, knowledge e university. A ordem decrescente da co-ocorrência das palavras-chave é apresentada da seguinte forma: higher education (164 ocorrências, 264 link strength), internationalization (146ocorrências, 199 link strength), internationalisation (63 ocorrências, 95 link strength), globalization (42 ocorrências, 95 link strength), internationalization of higher education (39 ocorrências, 28 link strength), students (23 ocorrências, 47 link strength), universities (22 ocorrências, 60 link strength), university (22 ocorrências, 53 link strength), china (17 ocorrências, 30 link strength), mobility (16 ocorrências, 36 link strength), policy (16 ocorrências, 46 link strength), globalisation (13 ocorrências, 26 link strength), student mobility (13 ocorrências, 34 link strength), challenges (12 ocorrências, 27 link strength), knowledge (12 ocorrências, 27 link strength), internationalisation of higher education (10 ocorrências, 6 link strength), culture (9 ocorrências, 21 link strength), education (9 ocorrências, 18 link strength), international education (9 ocorrências, 11 link strength), international students (92 ocorrências, 23 link strength) e curriculum (8 ocorrências, 21 link strength). A Figura 3 apresenta o acoplamento bibliográfico por artigo. Dos 430 textos da base de dados, 15 atendem ao critério de no mínimo 30 citações, que estão representados em 3 clusters. Internacionalização do Ensino Superior 12 Figura 3 Rede de Acoplamento Bibliográfico por Artigo Fonte: Ilustração extraída como output do software VOSviewer (2021) Com base na Figura 3, os 3 clusters, estão representados na sequência: no cluster 1 (em vermelho), consta a relação entre os autores byun (2011), guo (2011), guo (2017), ng, shun (2012), phan le ha (2013), trahar (2011), trilokekar (2010) e urban (2014). O cluster 2 (em verde) apresenta a relação entre os autores huang (2006), teichler (2004), teichler (2009) e van damme (2001). O cluster 3 (em azul) apresenta a relação entre os autores horta (2010), jones (2011) e seeber (2016). A Figura 4 apresenta acoplamento bibliográfico por autor. Dos 774 autores identificados nos 430 artigos analisados, 10 atendem ao critério de no mínimo 3 documentos por autor, que estão representados em 2 clusters. Figura 4 Rede de Acoplamento Bibliográfico por Autor Fonte: Ilustração extraída como output do software VOSviewer (2021) Com base na Figura 4, os 2 clusters, estão representados na sequência: em vermelho, consta a relação entre abdullah, doria; bendelier, svenja; de wit, hans; guo, shibao; sanchez-tarrago, nancy; Arquivos Analíticos de Políticas Educativas Vol. 30, No. 92 13 thondhlana, juliet; yemini, miri; zapp, mike. No cluster verde percebe-se a relação entre tiwari, gauri; e yeravdekar, vidya rajiv. A Figura 5 apresenta rede de co-citação por referência citada. Das 10703 referências citadas nos 430 artigos analisados 18 referências atendem ao critério de no mínimo 15 citações, que estão representados em 3 clusters. Figura 5 Rede de Co-citação por Referência Fonte: Ilustração extraída como output do software VOSviewer (2021) Em relação à Figura 5, observa-se 18 referências distribuídas em 3 clusters, 133 links e total link strength 454. Em ordem decrescente de citações: knight j., 2004, j stud int educ (84 citações e 154 link strength), altbach philip g., 2007, j stud int educ (41 citações e 76 link strength), de wit h., 2002, int higher ed us eur (33 citações e 77 link strength), knight j., 2003, int higher ed (27 citações e 59 link strength), knight j., 2008, higher ed turmoil ch (27 citações e 35 link strength), altbach philip, 2004, tertiary ed manageme (25 citações e 47 link strength), teichler u, 2004, high educ (21 citações e 47 link strength), altbach p.g., 2007, j stud int educ (18 citações e 39 link strength), de wit h., 1995, strategies int highe (18 citações e 48 link strength), horta h, 2009, high educ, (17 citações e 42 link strength), knight j., 1997, int higher ed asia p, hudzik johnk., 2011, comprehensive int co (16 citações e 34 link strength), kehm b., 2007, j stud int educ (16 citações e 35 link strength), scott p, 1998, globalization of higher education (16 citações e 37 link strength), bartell m, 2003, high educ (15 citações e 34 link strength), knight j., 1995, strategies int highe, mok kh. (15 citações e 47 link Internacionalização do Ensino Superior 14 strength), 2007, j stud int educ (15 citações e 28 link strength) e qiang z, 2003, policy futures educ (15 citações e 25 link strength). A Figura 6 apresenta rede de co-citação por autores citados. Dos 7193 autores citados, 21 atendem ao critério de no mínimo 25 citações, que estão representados em 4 clusters. Figura 6 Rede de Co-citação por Autor Fonte: Ilustração extraída como output do software VOSviewer (2021) O cluster 1 (vermelho) é composto pelos autores altbach, pg; de wit, h; jones, e; knight, j; leask, b; scott, p; e teichler, u. O cluster 2 (verde) altbach, philips; horta, h; Huang, f; marginson, s; e mok, kh. O cluster 3 (azul) altbach, philip g; altbach, p; ministry of education, rizvi, f; e yang, r. O cluster 4 (amarelo) é composto por unesco; oecd; european, comission; e mext. Das figuras 5 e 6, observa-se presença recorrente em rede dos autores Philip G. Altbach, pesquisador que atua no Centro de Educação Superior Internacional do Boston College, Estados Unidos da América (USA); Jane Knight, atua na University of Toronto, Instituto para estudos Educacionais, Canadá; Hans de Wit, que atua no Centro Internacional de Educação Superior, do Boston College, nos USA; John K. Hudzik, atua na Universidade do Estado de Michigan, colégio de ciência social, nos USA. As redes reforçam importanteparticipação de pesquisadores atuantes nos Estados Unidos e Canadá na produção acadêmica sobre o tema, com percurso de investigações que demonstram estudos ao longo do tema. São, portanto, pesquisadores que possuem trajetória, se relacionam e impactam a produção científica sobre o tema. Por fim, optou-se por analisar os artigos presentes na base de dados Web of Science, publicados no ano corrente, no caso, 2021, para descrever temas recentes de investigação sobre Internacionalização do Ensino Superior (Tabela 2). Arquivos Analíticos de Políticas Educativas Vol. 30, No. 92 15 Tabela 2 Artigos da Base Publicados no Ano de 2021 Autores Título Periódico Ano Suspitsyna Internationalization, Whiteness, and Biopolitics of Higher Education Journal of International Students 2021 Kemiche &Beighton It's Like Very White Winged: Students' Perceptions of the Image and Reality ff Internationalisation in UK Higher Education Journal for Critical Education Policy Studies 2021 Finardi & Guimaraes Local Agency in National Language Policies: The Internationalisation ff Higher Education in a Brazilian Institution Current Issues in Language Planning 2021 Smaliakou Institutional Conditions of Internationalisation of Higher Education: Mass Higher School Obrazovanie I Nauka- Education and Science 2021 Zapp et al. Legitimacy, Stratification, and Internationalization in Global Higher Education: The Case of the International Association of Universities Tertiary Education and Management 2021 Renfors, Internationalization of The Curriculum in Finnish Higher Education: Understanding Lecturers' Experiences Journal of Studies in International Education 2021 Yemini Internationalisation by Demarcating the Role of Higher Education in Sustainable Development Goals: The Case of Israel European Journal of Education 2021 Aydinli & Mathews Searching for Larger Status in Global Politics: Internationalization of Higher Education in Turkey Journal of Studies in International Education 2021 Liu The Chinese Definition of Internationalisation in Higher Education Journal of Higher Education Policy and Management 2021 Khare Trends And Strategies Towards Internationalisation of Higher Education in India International Journal of Comparative Education and Development 2021 Fonte: Web of Science (2021) Nota: Dados coletados em 20 de julho de 2021 Antes de avançar em leituras sobre artigos publicados em 2021, observa-se ondem os pesquisados atuam. Tatiana Suspitsyna, por exemplo, USA; Zahra Kemiche e Christian Beighton, Reino Unido; Kyria Rebeca Finardi e Felipe Furtado Guimarães atuam, Brasil; Dzmitry Smaliakou, Hong Kong; Mike Zapp, Luxembourg; Sanna-Mari Renfors, Finlândia; Yemini, Miri, Israel; Aydinli, Ersel, Países Baixos; Liu, Wei, China, Mona Khane, Índia.Observa-se, portanto, atenção de pesquisadores sobre o tema em variados países, e, ainda, regiões consideradas em desenvolvimento, como o Brasil e a Índia. Em análise dos artigos mais recentes, presentes na Tabela 2, Kemiche e Beighton (2021) analisam impactos da internacionalização do ensino superior na perspectiva do racismo no Reino Unido, ao passo que concluem ser este fenômeno intrínseco à internacionalização, ao passo que o discurso, sustentado pelo ideário de reputação, oculta a vivência do racismo. Smolyakov (2021) reforça que a internacionalização confere significado à universidade moderna, contribuindo com a qualidade do ensino. Nesse sentido, pesquisa sobre a institucionalização de seu processo, na perspectiva de favorecer a eficácia do processo, analisando a massificação (ampliação da oferta) do ensino superior. Em caminho paralelo, Renfors (2021) Internacionalização do Ensino Superior 16 apresenta resultado de pesquisa sobre internacionalização do currículo na Finlândia, reconhecendo que fatores institucionais impactam nas prioridades e agendas definidas, ao passo que há necessidade de investimentos para a formação de competências para a aprendizagem internacional. Além das questões institucionais, como apontadas por Smolyakov (2021) e Renfors (2021), também é tema recente de investigação o estudo da política do país. É o caso de Aydinli e Mathews (2021), que analisam o caso da Turquia, e observam problemas relacionados às inconsistências entre disposição para a internacionalização e capacidade realde desenvolver o processo, quando visões díspares das agendas podem ofuscar as necessidades e fragilizar as tomadas de decisões pró- internacionalização. Tais questões também surgem na análise do caso indiano por Khane (2021), que evidencia o movimento do país em criar mecanismos institucionais favoráveis à atratividade de estudantes internacionais. E, ainda, tangenciam a pesquisa de Finardi e Guimarães (2021), que aborda a política e planejamento linguístico no Brasil, considerando serem essenciais à internacionalização atenção à linguagem, em especial, a partir da ideia de poder, expertise, influência e interesse. Zapp, Jungblut e Ramirez (2021) apresentam pesquisa sobre a Associação Internacional de Universidades (IAU), quando ressaltam a importância da IAU para a internacionalização, bem como afirmam ser a associação de fácil adesão. Os autores reconhecem que as Universidades que buscam a associação são, em geral, novas, e o movimento reflete o anseio por meio da legitimidade. Suspitsyna (2021), ainda, debate o tema a partir dos USA, em análise sobre a perspectiva pós-colonial, situando o país a partir de um emaranhado entre passado e presente colonial, neo- colonial, bem como a influência nos mercados educacionais globais. Em análise próxima, Liu (2021) questiona a concepção da internacionalização ocidental, e sua pesquisa representa o esforço de superação dessa versão ao apresentar definição sobre o fenômeno a partir do contexto chinês.Por outro lado, ao referenciar a crise advinda com a pandemia do COVID-19, Suspitsyna (2021) discute que o contexto fez emergir debates sobre a biopolítica de raça face à internacionalização do ensino superior, compreendendo ser este um fenômeno essencial a um futuro mais includente e cidadão. Nesse caminho, Yemini (2021) lembra que a internacionalização do ensino superior é fator para a implementação dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), contemplando a diminuição das desigualdades. Por fim, a combinação de dados referente as referências e maior volume de citação (Tabela 1), com as redes de autoria e referências (Figuras 5 e 6), com pesquisas publicadas em 2021 (Tabela 2) sugerem produção acadêmica sobre o tema internacionalização com tendência a regionalização, considerando análises e, principalmente, teorizações convergentes com as necessidades dos países envolvidos. Com isso, acredita-se em discussões sobre produções com características universalizantes, com proposições de modelos, para aberturacompreensiva dos processos institucionais de internacionalização em contextos específicos, atentos à dimensão social, política, histórica e cultural do processo. Com essa consideração, abre-se espaço para debates sobre o tema em perspectivas teóricas alternativas, como, por exemplo, estudos críticos e decoloniais, no sentido de evidenciar problemáticas associadas à configurações institucionais de internacionalização sem análise das dimensões históricas. Análises que possam elucidar outras narrativas de dependência para além da econômica em países de passado colonial. Assim, formulações para a internacionalização poderão considerar reflexões sobre os objetivos em atenção a premissa de qualidade a ser ampliada pela educação ao nível internacional. Arquivos Analíticos de Políticas Educativas Vol. 30, No. 92 17 Considerações Finais O objetivo de pesquisa consistiu em explorar a pesquisa sobre Internacionalização do Ensino Superior a partir de estudo bibliométrico com dados oriundos da Web of Science. Para isso, foram utilizados métodos híbridos para análise bibliométrica dos dados a partir dos estudos dos seguintes elementos: co-ocorrência de palavras-chave, o acoplamento bibliográfico por artigo, o acoplamento bibliográfico por autor, a co-citação por referência e a co-citação por autor. Evidencia-se, no estudo, o escopo interdisciplinar, especialmente no campo das ciências humanas e sociais, e, com expressivo aumento de publicações e citações sobre o tema nos últimos 5 anos, observam-se problemáticas como desigualdade e exclusão social, racismo, colonialidade, bem como mecanismo institucionais e políticos das organizações e dos países envolvidos são pautas importantes de investigação dos últimos anos. Foram identificadas lacunas que sugestionam a direção para novos estudos sobre o tema Internacionalização de Instituições de Ensino Superior: internacionalização inclusiva, reverberações da pandemia de COVID-19, influência dos aspectos institucionais dos países nas políticas, internacionalização em casa, institucionalização e, por fim, a retomada das discussões a partir do seu propósito original de atender os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, para promover a redução das desigualdades nos processos de internacionalização.Ao passo que o tema da qualidade do ensino está agregado à dimensão da internacionalização, bem como perspectivas de acesso às oportunidades de trabalho e desenvolvimento econômico, os dados da bibliometria, e, ainda, leitura de alguns dos textos referenciados, evidenciam que a internacionalização do ensino superior precisa considerar aspectos que, em conjunto e, de maneira coordenada, podem tornar o processo com ganhos em qualidade, sendo esta pensada como melhorias das condições de vida. Podem estar nesse conjunto a dimensão institucional/organizacional e programática, a exemplo dos estudos de Jane Knight, mas, ainda, considerações sobre o processo de globalização, com percepções sobre a transformação digital em ascensão, com implicações sobre as configurações geográficas dos sistemas educacionais, bem como cultura, valores e subjetividades implicadas. No aspecto linguístico, considera-se, ainda, como essencial às pesquisas futuras analisar as redes, o capital social, a interculturalidade nos processos dialógicos, ou seja, as interações necessárias para o fluxo da internacionalização, oportunizadas (ou não) pela dinâmica da língua, face aos necessários questionamentos dos lugares internacionais de excelência. É o que se evidencia nos estudos atuais, com participação importante de países que possuem variadas línguas, mas que se fazem presentes nesse artigo pela adesão ao inglês. Como limitação do estudo, percebe-se a busca de dados ter sido restrita à base Web of Science. O não cruzamento dos dados com outras bases como a Scopus, pode representar uma limitação na totalidade de publicações analisadas. Contudo, devido à Web of Science ser mais ampla do que a Scopus, focou-se nesta última. Também houve redução dos documentos identificados pela base de dados, pois teve que filtrar por pesquisas que se enquadrassem no quesito Open Access, por esta não se tratar de pesquisa financiada. Referências Altbach, P. G. (2003). Foreign study: Changing patterns and competitive challenges. International Higher Education, 30. Altbach, P. G. (2004). Globalization and the university: Myths and realities in an unequal world. Tertiary Education and Management, 10, 3-25. https://doi.org/10.1080/13583883.2004.9967114 https://doi.org/10.1080/13583883.2004.9967114 Internacionalização do Ensino Superior 18 Altbach, P. G., & Knight, J. (2007). The internationalization of higher education: Motivations and realities. Journal of Studies in International Education, 11(3/4), 290-305. https://doi.org/10.1177/1028315307303542 Aydinli, E., & Methews, J. (2021). Searching for larger status in global politics: Internationalization of higher education in Turkey. Journal of Studies in International Education, 25(3). https://doi.org/10.1177/1028315320932325 Bennell, P., & Pearce, T. (2003). The internationalisation of higher education: Exporting education to developing and transitional economies. International Journal of Educational Development, 23. https://doi.org/10.1016/S0738-0593(02)00024-X Byun, K., & Kim, M. (2011). Shifting patterns of the government’s policies for the internationalization of Korean higher education. Journal of Studies in International Education, 15(5). https://doi.org/10.1177/1028315310375307 Cobo, M. J., López Herrera, A. G., Herrera Viedma, E., & Herrera, F. (2011). 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Doutora e Mestre em Administração (Universidade de Fortaleza). Especialista em Saúde Pública e Graduada em Psicologia pela Universidade Federal do Ceará. Professora do curso de Administração da Faculdade Luciano Feijão (FLF) onde lidera o Grupo de Pesquisa CNPq Trabalho e Gestão das Organizações. Professora Colaboradora do Programa de Pós-Graduação em Gestão Pública na UFPI (Mestrado Profissional). Cargo efetivo de Psicóloga Organizacional/Unilab, desde 2010. Experiência profissional em Gestão de Pessoas (Coordenação, Gerência e Chefia de Unidades). Atuação na Educação a Distância desde 2012 (Tutoria, Professor Formador, Orientador de TCC e Coordenação). Foi bolsista CAPES no Mestrado e bolsista FUNCAP de Inovação Tecnológica no Doutorado. Estudos e pesquisas sobre: Relações de Trabalho e Gestão de Pessoas, Estudos Organizacionais e Administração Pública e Gestão Social. Márcia Zabdiele Moreira Universidade Federal do Ceará – UFC marciazabdiele@ufc.br ORCID: https://orcid.org/0000-0001-8274-0034 Doutora e Mestre em Administração de Empresas pela Universidade de Fortaleza (UNIFOR) em 2014 e 2006, respectivamente. Especialista em Pesquisa Científica pela Universidade Estadual do Ceará (2010). Graduada em Administração de Empresas pela Universidade Estadual do Ceará (2003). Professora Adjunta do Programa de Pós-Graduação em Administração e Controladoria (PPAC), vinculado à Faculdade de Economia, Administração, Atuária e Contabilidade da Universidade Federal do Ceará (FEAAC/UFC). Editora adjunta da Revista Contextus - Revista Contemporânea de Economia e Gestão da FEAAC. Desenvolve pesquisas no âmbito das ciências administrativas relacionadas aos seguintes temas: Administração Estratégica, Gestão por Processos, Estudos Organizacionais, Gestão de Pessoas, Comportamento Organizacional, Gestão Internacional, Internacionalização de Instituições de Ensino Superior. Lucas Alves do Nascimento Universidade Federal do Ceará – UFC lucasa.nascimento@hotmail.com ORCID: https://orcid.org/0000-0001-8713-3786 Mestrando pela Universidade Federal do Ceará –UFC. Possui ensino-fundamental-primeiro-grau pela E.E.F. Valmique Sampaio de Albuquerque(2010). Tem experiência na área de Engenharia Mecânica, com ênfase em Metal Mecânica. arquivos analíticos de políticas educativas Volume 30 Número 92 5 de julho 2022 ISSN 1068-2341 https://orcid.org/0000-0001-8365-8593 https://orcid.org/0000-0001-8274-0034 https://orcid.org/0000-0001-8713-3786 Internacionalização do Ensino Superior 22 Los/as lectores/as pueden copiar, mostrar, distribuir, y adaptar este articulo, siempre y cuando se de crédito y atribución al autor/es y a Archivos Analíticos de Políticas Educativas, los cambios se identifican y la misma licencia se aplica al trabajo derivada. Más detalles de la licencia de Creative Commons se encuentran en https://creativecommons.org/licenses/by- sa/4.0/. Cualquier otro uso debe ser aprobado en conjunto por el autor/es, o AAPE/EPAA. La sección en español para Sud América de AAPE/EPAA es publicada por el Mary Lou Fulton Teachers College, Arizona State University y la Universidad de San Andrés de Argentina. 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