O que dizem os planos de desenvolvimento institucional sobre sustentabilidade? Uma análise de IES destaque em ações sustentáveis Página web: http://epaa.asu.edu/ojs/ Artigo recebido: 2/8/2022 Facebook: /EPAAA Revisões recebidas: 24/1/2023 Twitter: @epaa_aape Aceito: 27/5/2023 arquivos analíticos de políticas educativas Revista acadêmica, avaliada por pares, independente, de acesso aberto, e multilíngue Arizona State University Volume 31 Número 91 15 de agosto de 2023 ISSN 1068-2341 O Que Dizem os Planos de Desenvolvimento Institucional sobre Sustentabilidade? Uma Análise de IES Destaque em Ações Sustentáveis Vanessa de Campos Junges Universidade de Cruz Alta (UNICRUZ) Brasil Simone Alves Pacheco de Campos Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Brasil Lisiane Celia Palma Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS) Brasil & Matheus Machado Laurini Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Brasil Citação: Junges, V. de C., Campos, S. A. P. de, Palma, L. C, & Laurini, M. M. (2023). O que dizem os planos de desenvolvimento institucional sobre sustentabilidade? Uma análise de IES destaque em ações sustentáveis. Arquivos Analíticos de Políticas Educativas, 31(91). https://doi.org/10.14507/epaa.31.7719 Resumo: Abordar o tema da sustentabilidade está em pauta, especialmente quando o espaço atrelado envolve as instituições de ensino superior (IES) e seu papel perante a sociedade. Diante disso, este estudo teve como objetivo explorar a adequação dos planos de desenvolvimento http://epaa.asu.edu/ojs/ https://doi.org/10.14507/epaa.31.7719 O que dizem os Planos de Desenvolvimento Institucional sobre Sustentabilidade? 2 institucional de IES que fazem parte de rankings em relação à sustentabilidade. Para tanto, realizou- se uma pesquisa qualitativa e exploratória, baseada nos documentos de 42 instituições pertencentes ao UI GreenMetric e ao Principles for Responsible Management Education. Os resultados evidenciaram que há um campo em formação voltado a sustentabilidade, no qual reside o estágio inicial em prol de uma modificação nos documentos institucionais que seja baseada no viés sustentável, destacando a necessidade de avanços para que tal manifestação seja evidenciada na prática. Além disso, há uma tendência em direcionar esforços de modo fragmentado seja na gestão, extensão ou estrutura sustentável. Entretanto, com o intuito de avançar significativamente torna-se necessário abordar a gestão, campus/estrutura, ensino, pesquisa e extensão de modo conjunto para a construção de uma instituição de ensino realmente sustentável. Palavras-chave: gestão sustentável; instituição de ensino superior; Modelo I3E; educação para sustentabilidade What do institutional development plans say about sustainability? An analysis of HEIs highlighted in sustainable actions Abstract: Addressing the issue of sustainability is on the agenda, especially when the linked space involves higher education institutions (HEIs) and their role in society. Therefore, this study aimed to explore the adequacy of the institutional development plans of HEIs that are part of rankings in relation to sustainability. To this end, a qualitative and exploratory research was carried out, based on documents from 42 institutions belonging to the UI GreenMetric and the Principles for Responsible Management Education. The results showed that there is a field in formation focused on sustainability, in which lies the initial stage in favor of a change in institutional documents that is based on the sustainable bias, highlighting the need for advances so that such manifestation is evidenced in practice. In addition, there is a tendency to direct efforts in a fragmented way, whether in management, extension or sustainable structure. However, in order to make significant progress, it is necessary to address management, campus/structure, teaching, research and extension together in order to build a truly sustainable educational institution. Keywords: sustainable management; higher education institution; I3E Model; sustainability education ¿Qué dicen los planes de desarrollo institucional sobre la sostenibilidad? Un análisis de las IES destacadas en acciones sostenibles Resumen: Abordar el tema de la sustentabilidad está en la agenda, especialmente cuando el espacio vinculado involucra a las instituciones de educación superior (IES) y su rol en la sociedad. Por lo tanto, este estudio tuvo como objetivo explorar la adecuación de los planes de desarrollo institucional de las IES que forman parte de los rankings en relación con la sostenibilidad. Para ello, se realizó una investigación cualitativa y exploratoria, basada en documentos de 42 instituciones pertenecientes a la UI GreenMetric y los Principios para la Educación en Gestión Responsable. Los resultados mostraron que existe un campo en formación centrado en la sustentabilidad, en el cual radica la etapa inicial a favor de un cambio en los documentos institucionales que se base en el sesgo sustentable, destacando la necesidad de avances para que tal manifestación se evidencie en la práctica. Además, existe una tendencia a dirigir los esfuerzos de forma fragmentada, ya sea en gestión, extensión o estructura sostenible. Sin embargo, para lograr avances significativos, es necesario abordar la gestión, el campus/estructura, la enseñanza, la investigación y la extensión en conjunto para construir una Institución Educativa verdaderamente sostenible. Palabras-clave: gestión sostenible; institución de enseñanza superior; Modelo I3E; educación para la sostenibilidad Arquivos Analíticos de Políticas Educativas Vol. 31, No. 91 3 O Que Dizem os Planos de Desenvolvimento Institucional sobre Sustentabilidade? Uma Análise de IES Destaque em Ações Sustentáveis Abordar questões relativas à sustentabilidade envolve um processo ambíguo e complexo, dado que para se concretizar mudanças torna-se necessário implementar práticas que envolvam as particularidades do sistema, como valores e objetivos, a fim de que se consiga promover transformações ‘do’ e não somente ‘no’ sistema (Loorbach & Rotmans, 2006). Frente a isso, debater e defender ideais condizentes a um espaço sustentável não é o suficiente para que tais transformações se concretizem, nem mesmo quando o posicionamento emerge de Instituições de Ensino Superior (IES). É notório o esforço das IES perante a sustentabilidade, as quais defendem a relevância da causa. Contudo, para que se concretize um futuro diferenciado além do discurso, se tornam necessárias práticas efetivas. Diante disso, quando se discute sustentabilidade no âmbito das instituições de ensino percebe-se um vasto e complexo ambiente rodeado de diferentes e múltiplos atores: docentes, discentes, colaboradores e comunidade em geral. Neste interim, qualquer ação de uma instituição se traduz em um esforço para atender tais atores em aspectos relacionados à gestão, a estrutura, ao ensino, a pesquisa e a extensão. Compreende-se assim, que esses cinco aspectos envolvem os atores e dão forma a instituição, seja ela um espaço sustentável ou não. Amparado nos estudos de Cebrián (2016), salienta-se a dificuldade em se articular a sustentabilidade na gestão das IES, pois isso requer ações participativas e a longo prazo que envolvem informar, engajar, qualificar e empoderar os atores com um olhar pautado na Educação Para Sustentabilidade (EPS) enquanto uma mola propulsora que auxilia a sustentar a construção de uma atuação mais sustentável (Campos et al., 2017; Figueiró et al., 2019; Menon & Suresh, 2020; Michel, 2020). Diante disso, este estudo parte do entendimento de que a atuação de uma IES com vistas a transformação para um futuro mais sustentável deve contemplar esforços no ensino, na pesquisa e na extensão de modo articulado, para que seja uma proposta compartilhada em busca da sustentabilidade. Com base nesse contexto, torna-se importante entender os espaços de IES públicas e privadas que fazem parte de rankings voltados a sustentabilidade, partindo do pressuposto de que estas devem se basear em uma gestão, estrutura, ensino, pesquisa e extensão diferenciados, devido a sua conexão com ações de efeito global. Assim, ancorando-se no relevante papel social que as instituições carregam, necessitando ser exemplos positivos que ultrapassam o seu ambiente interno, acredita-se que a sustentabilidade deve ser evidenciada em seus documentos, especialmente no plano de desenvolvimento institucional (PDI), o qual é ponto basilar de planejamento a longo prazo das IES. Sendo assim, este artigo busca explorar a adequação dos Planos de Desenvolvimento Institucional de Instituições de Ensino Superior que fazem parte de rankings em relação à sustentabilidade. Ressalta-se que no contexto dos rankings, diversas propostas foram construídas ao longo do tempo e possuem importância e visibilidade. Neste estudo, optou-se por direcionar o foco de análise às IES públicas e privadas brasileiras participantes do UI GreenMetric e do Principles for Responsible Management Education (PRME), dada a relevância internacional e destaque à sustentabilidade tanto ao que concerne à gestão, quanto estrutura, ensino, pesquisa e extensão. Enquanto contribuição prática, o artigo busca revelar a postura das investigadas IES perante a sustentabilidade, destacando quais demonstram maior ou menor interesse em tais práticas em seus documentos institucionais, gerando a possibilidade de que tornem mais congruente seu posicionamento de acordo com o ranking, além de servir de base a instituições que desejam modificar sua postura, tornando-se mais sustentáveis. Além disso, tratando-se de uma pesquisa que envolve a EPS, a mesma está relacionada com a Agenda 2030 e contribui sob um viés social, O que dizem os Planos de Desenvolvimento Institucional sobre Sustentabilidade? 4 trazendo à discussão temas relevantes como a concretização da sustentabilidade na educação, quando se trata, por exemplo, de ensino, pesquisa e extensão. Ademais, teoricamente a pesquisa abarca o Modelo I3E em conjunto com a EPS, revelando uma possibilidade de articulação ainda não desenvolvida. Para tanto, após esta introdução, o artigo está organizado em mais quatro seções. Na seção dois é desenvolvida a base teórica do estudo. Na seção três é exposto o percurso metodológico do mesmo, enquanto, na seção quatro são discutidas as evidências encontradas na pesquisa. Por fim, na seção cinco são apontados os principais achados do estudo, bem como as limitações e possibilidades de pesquisas futuras. Informar, Engajar, Qualificar e Empoderar os Atores: Uma Proposta para Integrar a Sustentabilidade na Gestão As IES são sistemas complexos, sendo percursoras na implementação de ações sustentáveis em seus espaços (Radinger-Peer & Pflitsch, 2017). Entretanto, o interesse na sustentabilidade não significa destaque em ações, dado que existe uma linha tênue ao analisar o discurso versus prática de uma IES e considerar que a mesma ultrapassa o predomínio verde, carregando em seu cerne uma visão sustentável holística (Cebrián, 2016). Cebrián (2016) desenvolveu em sua pesquisa uma proposta para compreensão e aplicação de um modelo de sustentabilidade em IES, o I3E Model – Modelo I3E. Este modelo se refere a uma estrutura teórico analítica, principalmente ao que compete a gestão, com a intenção de que incorporem a sustentabilidade em seu sistema, abordando quatro elementos principais, quais sejam: informar (inform), engajar (engage), qualificar (embed) e empoderar (empower). O componente informar remete ao entendimento do discurso versus prática da instituição, o quanto a mesma consegue transmitir a sua comunidade ações que são condizentes com suas políticas e pressupostos base relativos à sustentabilidade. Esse esforço pode repercutir na própria cultura da IES, a conduzindo para um viés diferenciado de gestão ao longo do tempo enquanto um empenho coletivo, não como uma busca fragmentada da sustentabilidade em alguns setores ou cursos (Cebrián, 2016, 2020). Para Cebrián (2016), o elemento engajar carrega a necessidade de um bom gestor, o qual deve ser um líder e criar meios para conduzir a instituição em prol de um caminho mais sustentável. Em meio a isso, é preciso motivar todos os envolvidos a buscarem por tal objetivo, além de ser aberto a sugestões, como ouvir as opiniões e anseios dos colaboradores e estudantes para então remodelar e reorientar o modo que a sustentabilidade é empregada nos currículos, por meio de processos participativos. A autora supracitada assinala que o item qualificar é composto pela ideia de desenvolver uma estrutura diferenciada em que haja, por exemplo, não somente um comitê de ética nas pesquisas, mas um comitê que verifique o quanto a pesquisa está correspondendo à sustentabilidade. Ademais, salienta-se a parceria com outras instituições a fim de criar vínculos voltados a um direcionamento sustentável, bem como a análise rigorosa das ações em vista de concretizar se de fato estão orientadas para uma EPS (Cebrián, 2016). Finalmente, o fator empoderamento envolve criar meios para que o interesse de incorporar a sustentabilidade se concretize, saindo de um ‘desejar’ e direcionando-se para um ‘praticar’. É preciso que haja espaço e tempo para que os colaboradores em todos os setores possam se envolver e sentir- se instigados com a temática, desenvolvendo uma visão mais crítica. Além disso, fomentar a inserção dos alunos de forma inter e transdisciplinar, criando projetos, debates, bolsas, desafios, isto é, tornando a sustentabilidade uma descoberta instigante e prazerosa, em que seus resultados sejam verificados na prática (Cebrián, 2016). Arquivos Analíticos de Políticas Educativas Vol. 31, No. 91 5 Visto isso, ressalta-se a necessidade de se reorientar o entendimento do que é a sustentabilidade nas instituições, o que abarca a EPS, uma vez que deve ter como base uma gestão engajada na sustentabilidade. Assim, a EPS envolve o ensino, a pesquisa e a extensão (Cebrián, 2016; Cebrián et al., 2020; Michel, 2020; Sammalisto & Lindhqvist, 2008; Singh & Segatto, 2020), o que é propiciado com base em uma gestão sustentável, tal como defendido por Cebrián (2016). Tendo enquanto fonte tais pressupostos basilares, na próxima subseção é exposta a ideia da EPS partindo do entendimento de que esta é um reflexo de uma gestão sustentável, conforme a proposta do modelo I3E. Educação para Sustentabilidade: Compreendendo o Ensino, a Pesquisa e a Extensão A EPS se trata de uma modificação de uma postura passiva, que reside somente no discurso, para uma ativa, que demonstra ações e práticas reais de sustentabilidade (Figueiró et al., 2019). Trata- se de um estudo profundo e contínuo sobre o que é sustentabilidade e como realmente incorporá-la no ensino, pesquisa e extensão. Conforme Michel (2020), parte-se do pressuposto de que será através de mudanças nas crenças e valores que será possível ‘pegar para si’ o pressuposto de um caminho para a sustentabilidade. O autor supracitado destaca que a nomenclatura sobre o entendimento da sustentabilidade na educação é diversificada como ‘Educação em Sustentabilidade’, ‘Educação sobre Sustentabilidade’ e ‘Educação para Sustentabilidade’ (Michel, 2020). No entanto, neste estudo entende-se enquanto EPS, pois parte-se uma visão que busque transformação no ensino, pesquisa e extensão, a fim de se desenvolver indivíduos preocupados com a sustentabilidade, os quais serão os futuros formadores de uma sociedade diferente em que prevaleça a justiça social, a ética e o bem-estar (Campos et al., 2017; Michel, 2020). Nesta perspectiva, a educação assume papel de protagonista de uma mudança social a muito tempo almejada (Figueiró et al., 2019; Menon & Suresh, 2020). A EPS traz à pauta a necessidade de atrelar o individual e coletivo, a qual frisa que a mudança deve vir de cada um, isto é, deve ser um processo almejado por todos os indivíduos, sejam professores, alunos ou gestores. À medida que o engajamento em tais causas se fortalece, a aprendizagem desenvolvida gera capacidades individuais e coletivas em prol de que os indivíduos gerem transformações no sistema enquanto seres éticos e conscientes (Weinberg et al., 2020). Conforme Weinberg et al. (2020), o que é ensinado, na maioria das vezes e desde sempre, é insuficiente para se compreender os desafios que abarcam a sustentabilidade. A visão simplista que é transmitida ocasiona ações fragmentadas, por isso a necessidade de uma reorientação do aprender, o que reflete em se pensar e aprofundar mais o que realmente comporta ser sustentável (Weinberg et al., 2020). Para Sonetti, Brown e Naboni (2019), as ações nas IES são carregadas de uma tendência à separação, em que cada centro é encarregado do seu curso, tratando de modo fragmentado. Neste meio, é preciso atrelar as similaridades do ensino nas instituições para fomentar uma visão holística. Se faz necessária uma mudança de valores e atitudes para que se consiga criar uma base sólida em direção a uma transição para sustentabilidade (Sonetti et al., 2019). Radinger-Peer e Pflitsch (2017) mencionam que o ensino envolve a necessidade de incluir a temática da sustentabilidade em palestras, propor projetos aos alunos e reformar a dinâmica da sala de aula. Os autores supracitados ressaltam a possibilidade de criar meios frente aos próprios desafios que emergem a partir da sustentabilidade, isto é, os reflexos ocasionados pelos comportamentos insustentáveis. Ademais, a pesquisa pode ser trabalhada não somente em disciplinas individuais, mas em projetos transdisciplinares, abrindo espaço para o ‘conflito de ideias’, espaço em que podem emergir resultados práticos mais palpáveis à sociedade. Por fim, a extensão deve envolver maior integração com a comunidade da qual faz parte, além da criação de parcerias em prol de que a IES O que dizem os Planos de Desenvolvimento Institucional sobre Sustentabilidade? 6 seja uma ponte para a construção de um direcionamento de transição para sustentabilidade, criando agendas de objetivos futuros. Segundo Cebrián (2016) e Singh e Segatto (2020), a EPS tem como elemento importante as parcerias. Ao inserir a EPS em seu formato, uma IES precisa rever a sua gestão e operação, bem como o modo de pesquisa, ensino e extensão, isto é, deve se reinventar para de fato incorporar tais pressupostos. Sob esta ótica, Sammalisto e Lindhqvist (2008) pontuam algumas etapas para que haja de fato a IES oriente-se para a sustentabilidade baseada na EPS em prol de uma sociedade mais sustentável, sendo: a necessidade de diretivas do governo; a implementação no sistema da instituição o viés ambiental; o aumento da consciência sobre tais questões por parte de todos os envolvidos (reitoria, colaboradores, docentes e discentes), um direcionamento mais sustentável tanto para os cursos quanto para as pesquisas e o campus; e a aplicação de uma postura sustentável por parte dos alunos. Isto posto, parte-se da premissa de que os elementos informar, engajar, qualificar e empoderar anteriormente mencionados são a base de uma gestão sustentável, direcionando para uma EPS que refletirá ações no ensino, na pesquisa e na extensão. Dessa forma, é preciso que a alta gestão (reitoria) seja aberta, flexível e voltada a um direcionamento sustentável, criando espaço tanto para os seus colaboradores (independentemente do nível hierárquico) quanto para os alunos interferirem com soluções para esta busca. Assim, o ensino deve ser mais ativo, os alunos devem ser instigados a transformarem as suas preconcepções, e aproximarem-se do vínculo entre teoria e prática. Salienta-se também a necessidade de parcerias tanto entre instituições, como dentro da própria instituição, como o exemplo dos cursos, para que haja maior inter e transdisciplinaridade. Além disso, ressalta-se a pertinência de se desenvolver meios para motivar os colaboradores a criarem formas de trabalhar contribuindo com aspectos da sustentabilidade, bem como a possibilidade de desenvolver um comitê de sustentabilidade que analise e limite ao menos uma contribuição relativa à Agenda 2030 na pesquisa e extensão. Método O presente estudo trata-se de uma pesquisa qualitativa (Bauer, & Aarts, 2002) e exploratória (Richardson, 2017), na qual se fez uso de dados secundários. De acordo com o entendimento de Richardson (2017), estes estudos são comumente empregados na organização inicial de informações relevantes sobre o problema a ser investigado, dando base para pesquisas posteriores mais detalhadas. Em relação à escolha dos casos a serem investigados no estudo, optou-se por utilizar o Ui GreenMetric, do qual fazem parte 34 IES, em conjunto com PRME, que possui 18 instituições participantes, formando um total de 52 instituições (Quadro 1). Contudo, há uma IES que se repete nas plataformas (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro - PUC Rio), resultando, portanto, em 51 IES. Salienta-se que o interesse reside em identificar instituições brasileiras, dado que se delimitou o escopo para instituições públicas e privadas com a intenção de realizar uma análise profunda sobre as mesmas, comparando suas diferenças e similaridades. Argumenta-se que as unidades de análise, Ui GreenMetric e PRME, acabam por se complementar, pois uma versa mais sobre o campus, no sentido da estrutura, enquanto a outra tem maior ligação com o ensino, a pesquisa e a extensão, considerando que ambas trabalham o ensino, a pesquisa, a extensão e o campus de modo geral. Arquivos Analíticos de Políticas Educativas Vol. 31, No. 91 7 Quadro 1 Instituições de Ensino Superior Brasileiras Pertencentes ao Ui GreenMetric e ao PRME Plataforma Instituições Ui GreenMetric Universidade de São Paulo (USP); Universidade Federal de Lavras (UFLA); Universidade de Campinas (Unicamp); Centro Universitário do Rio Grande do Norte (UNI-RN); Universidade Positivo (UP); Universidade Federal de Viçosa (UFV); Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); PUC Rio; Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS); Centro Universitário Facens (Facens); Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI); Universidade Federal Fluminense (UFF); Universidade do Vale do Taquari (UNIVATES); Universidade Federal de São Carlos (UFSCar); Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM); Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI); Centro Universitário da Fundação Hermínio Ometto (FHO); Universidade de Passo Fundo (UPF); Universidade de Santa Catarina (UFSC); Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS); Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas); Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG); Universidade Federal de Santa Maria (UFSM); Universidade Estadual de Londrina (UEL); Universidade Federal do Ceará (UFC); Universidade Estatual de Maringá (UEM); Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR); Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Universidade de Sorocaba (UNISO); Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP); Universidade Estadual do Maranhão (UEMA); Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA); Instituição Toledo de Ensino (ITE); Universidade do Estado do Amazonas (UEA). PRME Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR); Antonio Meneghetti Faculdade (AMF); PUC Rio; Fundação Escola de Comércio Álvares (FECAP); Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC SP); UniCesumar; Faculdade Santa Cruz (INOVE); Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA-RP/USP); IMED; Faculdade de Gestão e Negócios (FAGEN); Fundação Instituto de Administração (FIA); Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM); Centro Universitário Autônomo do Brasil (UniBrasil); Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade (FEA/USP); Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper); Universidade Metodista de São Paulo (UMESP); Centro Universitário Santa Amélia (UniSecal); Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR). Fonte: Desenvolvido pelos autores (2022) com base no Site do Ui GreenMetric e PRME. O que dizem os Planos de Desenvolvimento Institucional sobre Sustentabilidade? 8 Vale ressaltar que o Ui GreenMetric foi desenvolvido pela Universidade da Indonésia no ano de 2010, sendo o primeiro ranking de classificação universitária mundial em sustentabilidade. A ideia para a criação baseou-se na necessidade de se ter uma métrica mais eficaz na identificação das instituições que de fato se esforçavam em práticas sustentáveis. Diante disso, o Ui GreenMetric reside em fornecer resultados online da relação das IES de todo o mundo com a sustentabilidade, identificando suas políticas e ações. De acordo com o exposto no site do Ui GreenMetric (Ui GreenMetric, 2022), a intenção é trazer a pauta dos líderes universitários questões profundas orientadas a sustentabilidade, a fim de que haja maior dedicação rumo a uma sociedade sustentável. Salienta-se que a métrica para realizar o ranqueamento foi desenvolvida por meio de um conjunto de critérios e metodologias revisadas por um conselho. Tais critérios e indicadores envolvem seis aspectos: Ambiente e Infraestrutura (15%), Energia e Mudanças Climáticas (21%), Resíduos (18%), Água (10%), Transporte (18%) e Educação e Pesquisa (18%). Sobre o processo de participação, envolve responder um formulário online, em que a listagem é criada e divulgada anualmente. Com base no ranking do ano de 2020, houve 912 participantes, das quais 38 instituições fazem parte do contexto brasileiro, mas somente 34 enquadram-se enquanto públicas ou privadas, conforme exposto no site do Ui GreenMetric (Ui GreenMetric, 2021). Sob outro escopo, o PRME foi desenvolvido no ano de 2006 por sessenta reitores de universidades e escolas de negócios, sendo estruturado no Brasil somente em 2013. O PRME trata- se de uma plataforma das Organizações das Nações Unidas (ONU) que almeja preparar lideranças responsáveis para atuar sob um novo olhar da sustentabilidade, considerando as instituições um espaço importante para tal. A participação no PRME é voluntária, em que escolas de negócios, instituições e organizações podem se engajar seguindo seis princípios: propósito, valores, metodologia, pesquisa, parcerias e diálogo. Estes elementos foram desenvolvidos com base em valores internacionais como, por exemplo, os Dez Princípios do Pacto Global das Nações Unidas. Para que as instituições possam participar devem enviar uma carta de intenção, preencher um formulário online, incluir e defender os seis princípios em sua instituição, currículo e pesquisa, bem como apresentar relatórios sobre os princípios e progressos para a ONU e aos demais stakeholders. De acordo com o exposto no site do PRME (2021), atualmente o capítulo brasileiro do PRME é composto por 28 participantes, em que 18 destes são instituições públicas ou privadas. Em relação à fonte de dados da presente pesquisa, esta baseou-se nos PDI’s das IES brasileiras pertencentes aos rankings citados, sob a justificativa de que tais documentos são a base do caminho que a instituição pretende seguir e onde pretende chegar, isto é, o seu planejamento. Em um primeiro momento, a coleta iniciou com a busca dos PDI’s nos websites de cada IES. Nos casos em que o mesmo não foi encontrado, passou-se a contatar por e-mail cada IES, solicitando o documento. Das instituições contatadas, a FEA-RP/USP retornou, relatando não poder contribuir dado que não possuem o documento, a UNISECAL encaminhou o e-mail ao setor responsável que não retornou o contato, a FECAP solicitou maiores informações e não retornou, a UFU encaminhou o PDI e as demais (FHO, AMF, UNISANTA CRUZ, FIA, FAGEN) não responderam. Logo, o número total de IES investigadas (após a busca do PDI no website e contato por e-mail) foi 42, sendo 31 pertencentes ao UI GreenMetric e 11 ao PRME. A forma de busca dos dados nos documentos baseou-se em termos chaves (como “sust”, “amb” e “social”), em prol de conseguir alcançar o máximo de informações referentes ao contexto da sustentabilidade. Ressalta-se que o tratamento dos dados se baseou na análise de conteúdo seguindo os passos orientados por Bardin (2016), sendo a pré-análise, a exploração do material e o tratamento dos dados, a inferência e a interpretação. Destaca-se ainda que enquanto suporte para orientação da análise, desenvolveram-se categorias analíticas, as quais foram construídas a luz da base teórica do presente estudo (Quadro 2). Arquivos Analíticos de Políticas Educativas Vol. 31, No. 91 9 Quadro 2 Categorias Analíticas Categoria Elementos Autores Gestão Sustentável Sustentabilidade na missão, visão, objetivos, metas, valores; Ações voltadas a Agenda 2030. Cebrián (2016, 2020), Radinger-Peer e Pflitsch (2017), Sammalisto e Lindhqvist (2008). Campus/Estrutura Gestão ambiental do campus; Tratamento de resíduos; Práticas voltadas a energia renovável; Utilização consciente da água; Redução da pegada de carbono. Cebrián (2016, 2020), Radinger-Peer e Pflitsch (2017), Sammalisto e Lindhqvist (2008). Ensino Ensino atrelado a sustentabilidade com enfoque no desenvolvimento de competências para sustentabilidade; Incorporação da sustentabilidade no currículo de modo interdisciplinar. Sonetti, Brown e Naboni (2019), Radinger-Peer e Pflitsch (2017), Sammalisto e Lindhqvist (2008), Weinberg et al. (2020). Pesquisa Apoio a pesquisa para melhores tecnologias (sociais ou não) com vistas a sustentabilidade; Estudos direcionados ao comportamento das organizações a respeito da criação de valores sociais, ambientais e econômicos sob o escopo da sustentabilidade. Radinger-Peer e Pflitsch (2017), Sammalisto e Lindhqvist (2008). Extensão Práticas extensionistas para o desenvolvimento da comunidade da qual fazem parte; Parcerias com gestores a fim de investigar práticas voltadas a sustentabilidade, fomentando o avanço teórico e prático da abordagem. Cebrián (2016) e Singh e Segatto (2020), Sammalisto e Lindhqvist (2008). Fonte: Desenvolvido pelos autores (2022). O Contexto das Instituições de Ensino Superior sob o Olhar da Sustentabilidade As instituições estão envolvidas em ambientes complexos, nos quais a sociedade diariamente espera respostas e avanços cada vez mais urgentes. Contudo, ainda que tais demandas sejam uma constante pressão externa, as IES realmente precisam atuar com práticas e ações tanto internas quanto perante à sua comunidade, especialmente relacionado a temas emergentes como a sustentabilidade. Isto posto, nas próximas subseções são apresentados os principais resultados e análises da pesquisa no que diz respeito à sustentabilidade na gestão das IES investigadas, na estrutura do campus, no ensino, na pesquisa e na extensão, sob o olhar dos PDIs. O que dizem os Planos de Desenvolvimento Institucional sobre Sustentabilidade? 10 Gestão Sustentável Ao investigar se no PDI das IES é evidenciado uma gestão sustentável com olhar para a missão, visão e valores, identificou-se que seis instituições, quatro participantes do ranking do Ui GreenMetric e duas do PRME, destacam-se por possuir o conceito de sustentabilidade concretizado em um ou dois desses pontos, ou seja, demonstram, em alguns casos, na missão e visão o viés social, ambiental e econômico da sustentabilidade, e nos valores o âmbito social, com é o caso da UNESPAR. Outras IES que se destacam são a UFLA, a UFSC, a UNIFAL, a UEA e a UTFPR, em que quatro são públicas federais e duas públicas estaduais, estando localizadas na região sul, sudeste e norte. De acordo com o PDI da UNIFAL (2021–2025, pp. 34-35), a instituição tem como missão, visão e valores, respectivamente: Promover a formação plena do ser humano, gerando, sistematizando e difundindo o conhecimento, comprometendo-se com a excelência no ensino, na pesquisa e na extensão, com base nos princípios da reflexão crítica, da ética, da liberdade de expressão, da solidariedade, da justiça, da inclusão social, da democracia, da inovação e da sustentabilidade. Ser reconhecida, nacional e internacionalmente, por sua excelência acadêmica, científica, cultural e social, comprometida com o desenvolvimento humano, social, econômico e ambiental do país. a) diversidade e pluralidade; b) equidade; c) excelência; d) inclusão social e) inovação; f) integração e interdisciplinaridade; g) participação democrática h) sustentabilidade e; i) transparência. Diante disso, percebe-se na missão uma busca articulada pelo ensino, pesquisa e extensão baseados na sustentabilidade, o que é concretizado, com base em Cebrián (2016), a partir de uma gestão sustentável. Ainda, perante a visão e valores, identifica-se a busca por um crescimento sustentável e consciente, que vá além das fronteiras próximas a instituição, cumprindo o papel de fazer a diferença perante a sociedade. Em complemento, ressalta-se que a UNIVALI, UFSM, UNISO e UFTM destacam-se por demonstrar um olhar social em sua missão, visão e valores, as quais participam do Ui GreenMetric e pertencem a região sul e sudeste do Brasil, sendo duas instituições privadas sem fins lucrativos e duas públicas federais. De modo geral, ressaltam-se dez IES perante as quarenta e duas investigadas, com predomínio de públicas federais e da região sul e sudeste do país. Identifica-se uma carência de articulação no pressuposto basilar das instituições, dado que poucas evidenciam a sustentabilidade em tais aspectos mencionados anteriormente, demonstrando haver uma carência no direcionamento das IES, pois em alguns casos, ainda que a missão e visão tenham tal perspectiva, os valores podem desviar o foco devido não serem sustentáveis. Assim, reside uma necessidade de maior aprofundamento e entendimento do real propósito da instituição para a sociedade. Um ponto a ser explorado permeia as políticas/práticas de gestão, nas quais grande parte das IES apresentam um posicionamento mais concreto perante a sustentabilidade, com exceção de duas que focalizam apenas o aspecto social e uma o ambiental. Dentre as que se destacam por possuir uma manifestação congruente com a sustentabilidade de modo articulado e com os aspectos social, ambiental e econômico separadamente são a instituição UFLA, UNI-RN, UFV, UFRGS, PUC RIO, UFMS, UNIFEI, UFF, UFSCAR, UPF, PUC RS, UNIFAL, UFC, UEM, PUC PR, UFRJ, UEMA, UFOPA, UniToledo, UEA, UTFPR, PUC SP, UNICESUMAR, IMED e INSPER. Um exemplo pode ser evidenciado a partir da UFLA (PDI UFLA, 2021–2025, pp. 56, 70), conforme os trechos destacados: Ampliar a cooperação técnico-científica, nacional e internacional, propiciando o desenvolvimento brasileiro e consolidação da inserção da comunidade científica no Arquivos Analíticos de Políticas Educativas Vol. 31, No. 91 11 âmbito internacional, permitindo o avanço do conhecimento e a aceleração dos processos de inclusão social e geração de renda (p. 56). A instituição compromete-se com os princípios éticos de formação humanista, de justiça social, de responsabilidade social, da formação cidadã, da prestação de serviços públicos de qualidade, com o cumprimento da Constituição Federal e das Leis que regem o país e com a edificação de uma sociedade justa e igualitária. Tais princípios devem mediar todas as ações pedagógicas desenvolvidas pela UFLA, de forma a propiciar, àqueles por ela formados, o desenvolvimento do seu potencial de interação com a sociedade, seja ele acadêmico ou prático, como forma de contribuir para uma nação mais social, econômica e ambientalmente justa. Nesse contexto, a integração entre as atividades de ensino, pesquisa e extensão visa propiciar o despertar para o conhecimento científico voltado para a solução de problemas que afligem a sociedade, sejam eles sociais ou ambientais; o desenvolvimento de princípios éticos e o aprender a aprender. Pretende-se, assim, dotar seus egressos da capacidade de formulação de conceitos e proposição de ideias, como aspectos norteadores de todas as ações universitárias. Dessa forma, a UFLA mantém seu compromisso institucional com a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, com os princípios da autonomia universitária, com o ensino público e gratuito, com a gestão democrática, com o desenvolvimento social, econômico e ambiental de nosso país, com a valorização humana e profissional dos docentes, discentes e técnicos administrativos. Todos esses compromissos devem moderar as políticas e diretrizes pedagógicas institucionais (p. 70). No primeiro trecho percebe-se na política da IES respaldo a possíveis parcerias que propiciem avanço social e econômico, e nas práticas, próximo trecho do PDI, apresenta-se uma preocupação tanto social quanto ambiental e econômica, demonstrando haver o entendimento da necessidade de práticas voltadas a estes aspectos desde a gestão até o ensino. Enquanto que, de modo mais restrito, abordam o viés social ou ambiental, destacam-se a UP, a UEL e a FEA USP. Desse modo, trinta IES se destacam no aspecto gestão sustentável (ambiental, social e/ou econômico) de algum modo, se não em todos os elementos investigados (missão, visão, valores, políticas e práticas). Isso demonstra um contexto positivo até certo ponto, pois somente doze instituições que fazem parte do estudo não se encontram nesse achado. Entretanto, considerando o fato de fazerem parte de rankings reconhecidos mundialmente, deveriam todas as quarenta e duas possuírem traços de sustentabilidade, confirmando uma gestão realmente sustentável. Estrututa do Campus Ao buscar a presença da sustentabilidade nos PDIs referente à estrutura do campus, identificou-se que vinte e nove das quarenta e duas instituições apresentam aspectos relacionados à sustentabilidade. Dentre estas, as que se ressaltam por articular o conceito investigado são a PUC RIO, a UNIVATES e a UFOPA, sendo que possuem enfoque somente no viés ambiental são oito. A seguir, destaca-se o exposto no PDI da UNIVATES (2017–2021, p. 29): As Áreas de Preservação Permanente - APPs presentes no campus de Lajeado; o monitoramento e o controle de vetores no campus de Lajeado; e a pavimentação das ruas internas do campus com a utilização de paralelepípedos ou blocos de concreto, permitindo a melhor permeabilidade do solo. Além desses, destacam-se: o Bicivates, sistema de compartilhamento de bicicletas, que oferece a seus usuários uma alternativa sustentável e saudável para os deslocamentos dentro e fora do campus de Lajeado; e o Projeto Carona, que busca reduzir a emissão de dióxido de carbono na O que dizem os Planos de Desenvolvimento Institucional sobre Sustentabilidade? 12 atmosfera. Ainda, realiza-se a Feira Regional de Agricultores Familiares Agroecologistas no campus de Lajeado, com o objetivo de abastecer a comunidade acadêmica e seu entorno social com produtos in natura que tenham origem conhecida e devidamente comprovada. No que se refere a resíduos, seguem algumas ações realizadas: gerenciamento de cinco grupos de resíduos; implantação de pontos estratégicos de recolhimento de resíduos passíveis de compostagem, evitando o seu envio para aterro sanitário; Estações de Tratamento de Efluentes - ETEs distribuídas pela área do campus; e participação no programa Green IT, objetivando racionalizar a utilização de recursos não renováveis com o tratamento de resíduos provenientes do descarte de produtos de cabeamento estruturado. No que se refere à água, a Univates, para promover a sustentabilidade, utiliza cisternas em alguns prédios. Em relação à energia, destacam-se algumas ações da Univates: conta com eletricidade oriunda de fontes de energia renováveis; faz uso de energia 100% renovável, o que lhe permite a utilização de recursos hídricos sem agredir o meio ambiente; mantém uma Usina Solar, no Parque Científico e Tecnológico do Vale do Taquari - Tecnovates, composta de diversos painéis solares fotovoltaicos; a árvore solar fotovoltaica, que transforma a energia do sol em energia elétrica limpa e renovável; pensando em minimizar a utilização de condicionadores de ar, utiliza técnicas de conforto térmico para fazer com que os prédios sejam menos quentes no verão; e utiliza a vegetação entre os prédios para reduzir a incidência de calor. É possível identificar que a IES demonstra, com base no documento, relevante preocupação com seu impacto ambiental, desenvolvendo desde ações mais simplórias, como a atenção aos resíduos, até a árvore solar fotovoltaica. Ademais, percebe-se que nas instituições que melhor articulam a sustentabilidade, isto é, que abarcam o tema sobre o viés ambiental, social e econômico, predominam as privadas das regiões sudeste, sul e norte, as quais fazem parte do Ui GreenMetric. Salienta-se que um ponto ressaltado em grande parte dos PDIs é o desenvolvimento de uma gestão de resíduos sólidos. É perceptível a relevância de tal prática, todavia, diversas IES não articulam tais ações em outros aspectos, como na extensão, por exemplo. Além disso, esta ação deveria ser algo comum e não enquanto um diferencial, o que revela a necessidade de esforço para práticas mais profundas perante o presente aspecto investigado. Ensino, Pesquisa e Extensão Esta seção visa explorar como as dimensões ensino, pesquisa e extensão em relação à sustentabilidade são tratadas nos PDIs analisados. Primeiramente, no que se refere ao ensino, observou-se que somente cinco IES não reportam ações de cunho ambiental, social e/ou econômico em seus PDIs (Unicamp, UFTM, UEL, UFC e UEM). Contudo, apesar da grande maioria das IES apresentar preocupações com a sustentabilidade nos seus documentos institucionais, três instituições se destacam por apresentar o conceito de sustentabilidade: a UFF, A UEMA e a UMESP. Neste ínterim, acrescenta-se a discussão a contribuição de Weinberg et al. (2020) que argumenta que o ensino, sendo tratado de modo simplista, isto é, sem abarcar a complexidade e necessidade de articulação da sustentabilidade torna-se fragmentado. Aponta-se este entendimento dado que mesmo sendo construído com esforço, não proporcionará aos alunos um ensino que perpasse a sustentabilidade, sua profundidade e relevância para a construção profissional e pessoal. Assim, conforme o cenário exposto, grande parte das IES possuem preocupação em atrelar a sustentabilidade no ensino, mas poucas realmente articulam tal pressuposto sustentável, emergindo a carência de melhorias para as instituições não mencionadas. Arquivos Analíticos de Políticas Educativas Vol. 31, No. 91 13 Sobre o contexto da pesquisa, onze instituições não mencionam a temática e três a articulam de modo concreto, sendo a UNIFESP, a INSPER e a UMESP. Um exemplo a ser destacado é o caso da INSPER (PDI INSPER, 2018–2022, p. 51): A realização de pesquisa por renomados acadêmicos no Insper é também viabilizada pelas Cátedras por meio de doações de parceiros institucionais. Seus estudos traduzem-se em políticas públicas e conhecimento aplicado que são debatidos e disseminados para a sociedade. Os projetos concentram-se em áreas como educação, mercado de trabalho, saúde, impacto socioambiental e sustentabilidade, políticas públicas para gestores de educação, liberdade política e de expressão e ensino médio no país. Com base no exposto, verifica-se que, segundo o documento da INSPER, dedicam atenção a pesquisas que comportam temas relevantes e urgentes, os quais poderiam ser visualizados sob a Agenda 2030, ainda que de modo implícito. Frente a isso, percebe-se a pertinência de tornar a pesquisa transdisciplinar, em busca de fornecer um amplo campo de discussões que propiciem maior aprendizagem (Radinger-Peer, & Pflitsch, 2017). Com base nos dados das IES, somente um número reduzido destaca em seus documentos uma articulação do tema, o que abre espaço para reforçar a necessidade da transdisciplinaridade, pois frente a esta carência o envolvimento com a sustentabilidade pode tornar-se restrito. Relacionado à extensão, identificou-se que somente três IES não apresentam em seus PDIs, enquanto a UFLA, a UFRGS, a UFMS, a UNIVALI, a UFSM, a UEL, a UEM, a UNIFESP, a UEMA, a UFOPA, a UTFPR e a INSPER carregam o conceito concreto de sustentabilidade perante o aspecto do ensino, pesquisa e extensão. Em meio aos achados, evidencia-se maior interesse por parte das IES perante a extensão e seu olhar para a sustentabilidade, o que encontra respaldo nos argumentos de Radinger-Peer e Pflitsch (2017), os quais entendem que esta é a base para a construção de um direcionamento para sustentabilidade. Sendo assim, IES que possuem dificuldade em outros elementos podem se basear em sua extensão com viés sustentável para buscar concretizar este pressuposto em todo o campus. De modo conjunto, percebe-se que perante o ensino, a pesquisa e a extensão, das quarenta e duas IES investigadas somente quatorze ressaltam-se de algum modo, apresentando um contexto preocupante. Argumenta-se isso devido a relevância de tratar o tripé ensino, pesquisa e extensão sob o olhar da sustentabilidade, o que impacta diretamente na formação dos egressos. Conforme Campos, Palma, Pedrozo (2017) e Michel (2020), é com base na EPS que se consegue construir uma transformação, fomentando o desenvolvimento de sujeitos mais éticos, pautados em valores e que busquem a justiça social. Diante disso, parte considerável das IES, ao menos na manifestação em seus documentos, estão falhando em seu papel de mediação e construção de profissionais ativos e conscientes perante a sustentabilidade. Articulando Aspectos: Análise da Gestão, Estrutura, Ensino, Pesquisa e Extensão das IES Dentre as IES investigadas, evidenciou-se que apenas oito apresentam aspectos relacionados a sustentabilidade em todos os elementos analisados - gestão (missão, visão, valores, políticas e práticas), estrutura do campus, ensino, pesquisa e extensão. São elas: UFLA, UNIVALI, UFSC, UNIFAL, UFSM, UNIFESP, UFOPA e UEA, sendo seis instituições públicas federais, uma pública estadual e uma privada e sem fins lucrativos. Cabe destacar que todas fazem parte do Ui GreenMetric. De todas estas, apenas a UNIFESP, instituição pública federal, possui os aspectos ambiental, social e econômico. Isto é, a IES não somente carrega a ideia de sustentabilidade separadamente, como também denota entendimento concreto sobre os diferentes vieses, sendo mais O que dizem os Planos de Desenvolvimento Institucional sobre Sustentabilidade? 14 abrangente que as demais. Tal argumento pode ser evidenciado no trecho exposto na missão da IES (PDI UNIFESP, 2021–2025, p. 30): Formar profissionais e cidadãos conscientes, críticos e tecnicamente habilitados, nas mais diversas áreas, preparados para transformar a realidade e desenvolver o país, na construção de uma sociedade mais justa, democrática, plural e sustentável, por meio de ensino, pesquisa extensão, gestão, cultura, assistência, inovação tecnológica, social e em políticas públicas atuando como universidade pública, gratuita, laica e socialmente referenciada. Além disso, em sua visão, a UNIFESP almeja ser reconhecida enquanto uma instituição democrática, autônoma, transformadora e comunicativa, além de prezar como valores a ética, integridade, compromisso social com a redução de desigualdades, qualidade no ensino, sustentabilidade, entre outros pontos. Ademais, a IES possui enquanto base de políticas e práticas a Agenda 2030, compactuando com a ideia de compras sustentáveis, ensino voltado a resolver problemas sociais, pesquisas voltadas a todos os âmbitos da sustentabilidade e extensão baseada na inovação social (PDI UNIFESP, 2021–2025). Isto posto, é perceptível o quanto o documento da UNIFESP apresenta-se atrelado ao entendimento de uma IES sustentável tanto na gestão e estrutura, quanto no ensino, pesquisa e extensão. Em meio a isso, percebe-se a complexidade que envolve incluir a sustentabilidade dentro de um espaço organizacional, especialmente quando se analisa IES, as quais são, ou ao menos deveriam ser, a base de exemplo de práticas sustentáveis que ultrapassam o discurso (Cebrián, 2016). Quando se analisa os dados aqui evidenciados, percebe-se uma disparidade expressiva, uma vez que o estudo investiga quarenta e duas instituições, das quais somente oito apresentam em todos os pontos elencados algum aspecto da sustentabilidade, porém todas fazem parte de rankings relacionados à sustentabilidade. Ancorado por Radinger-Peer e Pflitsch (2017), sabe-se que as instituições demonstrarem que são baseadas em aspectos sustentáveis tornou-se uma necessidade, entretanto demonstra-se a dificuldade em ultrapassar, mesmo nos documentos, o entendimento simplório do tema (Cebrián, 2016), ou simplesmente trata-lo enquanto algo desconexo, que pouco gera avanços. Diante disso, parece haver uma necessidade e/ou interesse intrínseco de avanço para sustentabilidade, mas o mesmo ainda caminha a passos curtos em grande parte das instituições analisadas. Com base nesse cenário, buscou-se unir tais instituições que apresentam algum tipo de destaque e apresentar algumas particularidades e congruências, conforme exposto no Quadro 3. A partir do Quadro 3, percebe-se que das quarenta e duas instituições investigadas no presente estudo, somente doze apresentam algum tipo de diferencial. Reforça-se o destaque da UNIFESP, a qual tanto possui elementos de sustentabilidade em todos os aspectos investigados, quanto demonstra a articulação deste na missão, visão e valores da instituição. Outro destaque é para a UFOPA, que é mencionada na análise quatro vezes por se destacar em algum ponto das categorias analíticas, bem como as demais instituições, que foram mencionadas três vezes. É válido ressaltar que predominam instituições públicas, oito federais e duas estaduais, sendo somente duas privadas e sem fins lucrativos. Em relação a localização destas, há predomínio do estado de Minas Gerais, e perante a região, há destaque do sudeste com cinco instituições localizadas em seu território. Ainda sobre isso, analisando a quais rankings fazem parte, há predomínio do Ui GreenMetric com dez IES, sendo somente duas participantes do PRME. Arquivos Analíticos de Políticas Educativas Vol. 31, No. 91 15 Quadro 3 IES que Apresentam Diferencial frente a Sustentabilidade IES Enquadramento Localização Ranking UNIFESP Pública Federal São Paulo – SP Ui GreenMetric UFOPA Pública e Federal Santarém – PA Ui GreenMetric UFLA Pública Federal Lavras – MG Ui GreenMetric UNIVALI Privada e Sem Fins Lucrativos Vale do Itajaí – SC Ui GreenMetric UFSC Pública e Federal Florianópolis – SC Ui GreenMetric UNIFAL Pública e Federal Alfenas – MG Ui GreenMetric UFSM Pública e Federal Santa Maria – RS Ui GreenMetric UEA Pública e Estadual Manaus – AM Ui GreenMetric UTFPR Pública e Federal Curitiba – PR PRME UNIFAL Pública e Federal Alfenas – MG Ui GreenMetric UEMA Pública e Estadual São Luís – MA Ui GreenMetric INSPER Privada e Sem Fins Lucrativos São Paulo – SP PRME Fonte: Desenvolvido pelos autores (2022). Sob um cenário mais obscuro, em que a sustentabilidade não é contemplada diretamente na missão, visão e valores, encontram-se quatro IES (UP, UFSCAR, PUC RS, UEL), em que duas são privadas e duas públicas, as quais encontram-se na região sul e sudeste do Brasil, sendo participantes do Ui GreenMetric. Frente a isso, identifica-se a necessidade de uma reorientação para sustentabilidade, dado que a própria base das IES não demonstra este olhar e elas representam rankings que, teoricamente, deveriam ter enquanto participantes instituições que são referência em uma gestão sustentável. Tal argumento não pretende generalizar tais IES enquanto ‘não sustentáveis’ ou ‘insustentáveis’, dado que elas possuem elementos de sustentabilidade em outros aspectos, mas considerando que a base para construção de uma instituição sustentável deve partir da sua gestão (Cebrián, 2016), basear-se em uma missão, visão e valores que não contempla tal contexto representa um cenário controverso. Ademais, ancorado por Michel (2020), entende-se que um olhar consistente para sustentabilidade pode emergir a partir de uma mudança nas crenças e valores do espaço organizacional. Diante disso, instituições que não tem tais premissas expostas em sua missão, visão e valores dificilmente devem conseguir construir a sustentabilidade de forma eficaz nos demais aspectos. Pontua-se ainda um contexto intrigante, dado que destas IES, duas destacam-se por possuir argumentos nas políticas/práticas de gestão de modo separado para cada um dos vieses da sustentabilidade (social, ambiental e econômico), e outras duas focalizam mais o social ou ambiental, evidenciando um contexto também promissor. Além disso, uma destas instituições é ressaltada perante o quesito de tratar a extensão sob o olhar concreto da sustentabilidade. Frente a isso, emerge um embate de visões, pois ao passo que no propósito da IES não elencam aspecto algum perante a sustentabilidade, em outros pontos são referências de visão consistente. O que dizem os Planos de Desenvolvimento Institucional sobre Sustentabilidade? 16 De que Modo se Comporta o Modelo I3E nesse Contexto? Baseando-se na orientação de Cebrián (2016, 2020), entende-se que uma IES terá uma gestão sustentável à medida que consegue informar, engajar, qualificar e empoderar os envolvidos. Nesse sentido, argumenta-se que o elemento informar ainda é carente em parte considerável das IES, dado que é algo coletivo sendo construído da própria cultura (Cebrián, 2016), e o cenário investigado apontou diversos casos em que não há um olhar congruente de sustentabilidade na missão, visão, valores e/ou gestão das instituições. O engajamento, que envolve a busca pela construção coletiva do ambiente sustentável (Cebrián, 2016) transcende também preocupação. As IES, em sua maioria, dedicam-se a pontos exclusivos dos aspectos investigados, revelando dificuldade na articulação dos mesmos. Isso gera, com base na literatura estudada, dificuldade em engajar os indivíduos, dado que somente alguns pontos aprofundam a sustentabilidade de modo completo, existindo diversas fragilidades. Uma IES a ser abordada nesse contexto é a Unicamp, a qual apresenta em suas políticas e práticas um olhar que contempla o viés social, ambiental e econômico, conforme o trecho a seguir: O Plano Diretor Integrado está baseado em princípios norteadores que regem a Universidade: os objetivos estratégicos do Planes; e em conceitos universalizados: a sustentabilidade urbana, a universidade sustentável e o laboratório vivo, com o objetivo de organizar a ocupação do território e sistematizar o desenvolvimento do espaço para alcançar o melhor aproveitamento em termos sociais, políticos, ambientais e econômicos da Unicamp (PDI UNICAMP, 2017–2012, p. 11). Entretanto, quando analisados os outros aspectos, a IES não carrega todos os vieses da sustentabilidade e em alguns casos sequer menciona os mesmos. No que se refere à qualificação, na qual se propõe uma estrutura diferenciada, bem como pesquisas voltadas ao tema (Cebrián, 2016), evidencia-se a necessidade de ampliar o olhar perante a estrutura do campus, utilizando-a também enquanto fontes de pesquisas, em que os dois pontos revelaram um contexto a ser melhorado. Ademais, o elemento empoderamento, que trata não só do ‘querer’, mas do ‘fazer’ (Cebrián, 2016), evidencia possibilidades positivas, dado que a maioria das IES pressupõe uma gestão sustentável, a qual pode ser explorada a partir de ações com todos os colaboradores, a fim de construir um espaço pautado por pessoas com objetivos comuns e um olhar sustentável e sustentado ao longo do tempo. Ainda, o aspecto de ensino e pesquisa deve receber maior destaque, com a finalidade de empoderar os envolvidos em um processo de construção contínua, fazendo uso do destaque existente para a extensão. Visto isso, reforça-se a necessidade de construir uma gestão sustentável que transcenda a estrutura do campus, incluindo também no ensino, na pesquisa e na extensão um olhar sustentável, entendendo que são aspectos articulados que fazem parte de uma única construção, bem como Sammalisto e Lindhqvist (2008) pontuam. Não há como desenvolver unicamente uma gestão sustentável sem abarcar os demais pontos, até porque um reflete no outro e sem todos estes não é possível construir uma IES realmente sustentável. Logo, percebe-se que, no cenário brasileiro, a partir das IES investigadas, o modelo I3E possui potencial, pois existem instituições que buscam inserir a sustentabilidade em seu espaço, com destaque a doze IES que o fazem de modo mais ativo. Contudo, há aspectos a serem explorados e aprofundados perante cada elemento (informar, engajar, qualificar e empoderar) desenvolvido por Cebrián (2016, 2020) emergindo um campo em formação, o qual pode ser visto como um estágio inicial para que as reformulações nos PDIs das IES passem a contemplar aspectos voltados à sustentabilidade. Outrossim, podem ser entendidas como reflexo de um compromisso institucional para mudanças práticas. Arquivos Analíticos de Políticas Educativas Vol. 31, No. 91 17 Considerações Finais O presente estudo teve como objetivo explorar a adequação dos Planos de Desenvolvimento Institucional de Instituições de Ensino Superior que fazem parte de rankings em relação à sustentabilidade. Os dados analisados revelaram que nas IES investigadas há uma tendência em direcionar esforços de modo fragmentado, seja na gestão, na extensão ou na estrutura sustentável. Contudo, como visto, para avançar em relação à EPS existe a necessidade de abordar a gestão, campus/estrutura, ensino pesquisa e extensão de modo conjunto, em prol da construção de uma IES realmente sustentável. Vale ressaltar que a responsabilidade social permeia parte significativa dos PDI’s, reforçando uma cultura de apresentar que há importância a tal ponto, mas negando sua existência em outros aspectos, tornando-se mais um elemento que deve permear os documentos enquanto uma força externa, quase que um movimento mimético (DiMaggio & Powell, 1983). Ou seja, a adoção de tal postura parece estar relacionada aos procedimentos e práticas vistas como bem sucedidas e já desenvolvidas e aprovadas em outras IES e não como um movimento interno de mudança. Vale mencionar que a partir do crescente interesse por parte das discussões relacionadas a Agenda 2030, especialmente no âmbito da IES, a mesma deveria estar presente nos dados investigados. Contudo, pouca referência à Agenda 2030 foi identificada nos PDI’s. Tal ausência revela um gap de práticas por parte das instituições em prol da sustentabilidade. É importante considerar que algumas IES até podem desenvolver práticas, contudo o fato de tais ações não estarem documentadas nos PDIs demonstra que essas não são uma prioridade estratégica para as instituições. O estudo contribui à medida que investiga o contexto de um número relevante de IES e suas práticas perante a sustentabilidade. Revelando, além disso, a incongruência de instituições que fazem parte dos rankings, mas não divulgam tais dados, considerando que algumas sequer responderam às tentativas de contato dos pesquisadores. Enquanto limitação da pesquisa, destaca-se a impossibilidade de analisar os PDIs de todas as IES participantes dos rankings devido à falta de acesso aos documentos, além de não ter sido analisado o Relatório de Gestão das instituições para articular o entendimento do que se pretendia fazer e do que realmente foi feito. Conforme Figueiró, Da Silva e Philereno (2019), a EPS envolve a transformação do discurso para prática, de uma postura passiva para uma ativa, com ações reais de mudança. Sendo assim, gera-se aqui um gap para estudos futuros, bem como reside a possibilidade de se investigar profundamente cada uma das categorias que o presente estudo se baseou, quais sejam gestão sustentável, campus/estrutura, ensino pesquisa e extensão, especialmente realizando um estudo de caso na instituição UNIFESP, sendo essa a IES que mais se destaca perante a sustentabilidade. Referências Bardin, L. (2016). Análise de conteúdo. Edições 70. Bauer, M. W., & Aarts, B. (2002). A construção do corpus: Um princípio para a coleta de dados qualitativos. In M. W. Bauer & G. Gaskell, Pesquisa qualitativa com texto, imagem e som: Um manual prático. Vozes. Campos, S. A. P., Palma, L. C., & Pedrozo, E. A. (2017). Universidades e transformações socioambientais: Contribuições da aprendizagem transformadora e da teoria da atividade histórico cultural. Revista de Administração IMED, 7(2), 3-26. https://doi.org/10.18256/2237- 7956.2017.v7i2.1251 https://doi.org/10.18256/2237-7956.2017.v7i2.1251 https://doi.org/10.18256/2237-7956.2017.v7i2.1251 O que dizem os Planos de Desenvolvimento Institucional sobre Sustentabilidade? 18 Cebrián, G. (2016). The I3E model for embedding education for sustainability within higher education institutions. Environmental Education Research, 24(2), 153-171. https://doi.org/10.1080/13504622.2016.1217395 Cebrián, G., Grace, M., & Humphris, D. (2020). Organisational learning towards sustainability in higher education. 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Professora do Curso de Administração da UNICRUZ. Simone Alves Pacheco de Campos Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) simone.campos@ufsm.br ORCID: https://orcid.org/0000-0001-9627-7677 Doutora em Administração (UFRGS), Mestre em Administração (UFSM), Bacharela em Administração (UFSM). Professora do Programa de Pós-Graduação em Administração da UFSM. Lisiane Celia Palma Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS) lisiane.palma@canoas.ifrs.edu.br ORCID: https://orcid.org/0000-0001-6419-0622 Doutora em Administração (UFRGS), Mestre em Administração (UFRGS), Bacharela em Administração (UFRGS). Professora do IFRS. Matheus Machado Laurini Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) laurinimatheus@gmail.com ORCID: https://orcid.org/0000-0003-2819-4532 Mestre em Administração (UFSM). Especialista em Gestão de Equipes e Liderança (FASOUZA). Bacharel em Administração (FISMA). Professor do SENAT. arquivos analíticos de políticas educativas Volume 31 Número 91 15 de agosto 2023 ISSN 1068-2341 Este artigo pode ser copiado, exibido, distribuido e adaptado, desde que o(s) autor(es) e Arquivos Analíticos de Políticas Educativas sejam creditados e a autoría original atribuídos, as alterações sejam identificadas e a mesma licença CC se aplique à obra derivada. Mais detalhes sobre a licença Creative Commons podem ser encontrados em https://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0/. Arquivos Analíticos de Políticas Educativas é publicado pela Mary Lou Fulton Teachers College, Arizona State University. Os artigos que aparecem na AAPE são indexados em CIRC (Clasificación Integrada de Revistas Científicas, España) DIALNET (España), Directory of Open Access Journals, EBSCO Education Research Complete, ERIC, Education Full Text (H.W. Wilson), PubMed, QUALIS A1 (Brazil), Redalyc, SCImago Journal Rank, SCOPUS, SOCOLAR (China). mailto:vanessadecamposjunges@gmail.com https://orcid.org/0000-0002-9722-6617 mailto:simone.campos@ufsm.br https://orcid.org/0000-0001-9627-7677 mailto:lisiane.palma@canoas.ifrs.edu.br https://orcid.org/0000-0001-6419-0622 mailto:laurinimatheus@gmail.com https://orcid.org/0000-0003-2819-4532 https://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0/ http://www.doaj.org/ O que dizem os Planos de Desenvolvimento Institucional sobre Sustentabilidade? 20 Sobre o Conselho Editorial: https://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeam Para erros e sugestões, entre em contato com Fischman@asu.edu EPAA Facebook (https://www.facebook.com/EPAAAAPE) Twitter feed @epaa_aape. https://epaa.asu.edu/ojs/about/editorialTeam https://www.facebook.com/EPAAAAPE