O avesso da Reforma do Ensino Médio na Rede Estadual Paulista Página web: http://epaa.asu.edu/ojs/ Artigo recebido: 28/6/2023 Facebook: /EPAAA Revisões recebidas: 21/2/2024 Twitter: @epaa_aape Aceito: 21/2/2024 arquivos analíticos de políticas educativas Revista acadêmica, avaliada por pares, independente, de acesso aberto, e multilíngue Arizona State University Volume 32 Número 22 16 de abril de 2024 ISSN 1068-2341 O Avesso da Reforma do Ensino Médio na Rede Estadual Paulista1 Márcia Aparecida Jacomini Departamento de Educação – Universidade Federal de São Paulo Brasil Isaac Olivera Moutinho Junior Secretaria de Educação do Estado de São Paulo Brasil Weverson Marques de Andrade Secretaria de Educação do Estado de São Paulo Brasil Ozani Martiniano de Souza Secretaria de Educação do Estado de São Paulo Brasil & Janaína Paulieli Lavado Secretaria de Educação do Estado de São Paulo Brasil Citação: Jacomini, M. A, Moutinho Junior, I. O., Andrade, W. M. de, Souza, O. M. de S., & Lavado, J. P. (2024). O avesso da Reforma do Ensino Médio na Rede Estadual Paulista. Arquivos Analíticos Políticas Educativas, 32(22). https://doi.org/10.14507/epaa.32.8270 1 Este artigo foi escrito com base nos dados da pesquisa Mudanças curriculares e Melhoria do Ensino Público, financiada pela Fapesp, processo n.º 2021/11390-0. A pesquisa teve início em agosto de 2022 e terá duração de quatro anos. Os dados e análises apresentados neste artigo correspondem à primeira etapa da investigação. http://epaa.asu.edu/ojs/ https://doi.org/10.14507/epaa.32.8270 Arquivos Analíticos Políticas Educativas, Vol. 32, No. 22 2 Resumo: As mudanças provocadas pela Lei n.º 13.415/2017 na seção da LDB/1996 referente ao Ensino Médio alterou a concepção desta etapa de ensino e redirecionou suas finalidades. Neste artigo são apresentados dados de uma pesquisa-ação em sete escolas que acompanha a implementação do Novo Ensino Médio na rede estadual paulista, envolvendo ainda análise bibliográfica-documental e intervenções nas práticas educativas. O objetivo é analisar repercussões da organização curricular da Secretaria de Educação no trabalho pedagógico e na formação dos estudantes, e como estas escolas estão construindo propostas curriculares num processo crítico e criativo, respaldado na autonomia e na participação democrática. Resultados da investigação mostram que a organização curricular baseada em 276 componentes curriculares, vinculados a 11 itinerários formativos, fragmentou os conteúdos escolares e inviabilizou a organização de um trabalho pedagógico favorável à aprendizagem e à formação dos estudantes. A organização dos conteúdos dos componentes e das disciplinas do Inova Educação articulados às disciplinas da base comum, realizada pela pesquisa, mostrou-se interessante, porém, a não garantia de que sejam ministrados por docentes da licenciatura prioritária compromete o potencial da proposta para minimizar efeitos negativos da reforma na formação dos estudantes e no trabalho docente. Palavras-chave: Reforma do Ensino Médio; Rede Estadual Paulista; Novo Ensino Médio; pesquisa-ação The reverse side of high school reform in the São Paulo State Network Abstract: The changes brought about by Law 13.415/2017 in the LDB/1996 section referring to high school changed the conception of this teaching stage and redirected its purposes. This article presents data from an action-research, involving bibliographical and documentary analysis and interventions in educational practices, within seven schools following the implementation of the New High School in the São Paulo state. The objective is to analyze the repercussions of the curricular organization of the Education Department on teaching and learning processes, and how these schools are building critical and creative curricular proposals through autonomy and democratic participation. Research results show that the curricular organization based on 276 components, linked to 11 formation itineraries, fragmented school contents and made the pedagogical work organization favorable to student learning and formation unfeasible. The organization of the contents of the components and Inova Educação disciplines articulated to the common base disciplines, carried out by the research. However, the lack of guarantee that this content is taught by expert professors compromises the potential of the proposal to minimize negative effects and consequences of the reform in high school education. Keywords: High School Reform; Paulista State Network; New High School; action-research El reverso de la Reforma de la Enseñanza Media en la Red del Estado de São Paulo Resumen: Los cambios introducidos por la Ley 13.415/2017 en la sección LDB/1996 referente a la educación secundaria cambiaron la concepción de esta etapa de enseñanza y reorientaron sus propósitos. Este artículo presenta datos de una investigación-acción en siete escuelas que acompañaron la implementación de la Nueva Escuela Secundaria en la red estatal de São Paulo, involucrando también análisis bibliográfico y documental e intervenciones en las prácticas educativas. El objetivo es analizar las repercusiones de la organización curricular de la Secretaría de Educación en el trabajo pedagógico y en la formación de los estudiantes, y cómo estas escuelas están construyendo propuestas curriculares en un proceso crítico y creativo, respaldado en la autonomía y en la participación democrática. Los resultados de la investigación muestran que la organización curricular basada en 276 componentes curriculares, vinculados a 11 itinerarios formativos, he fragmentado los contenidos escolares e ha hecho inviable la organización del trabajo pedagógico favorable al aprendizaje y a la formación de los estudiantes. La organización de los contenidos de los componentes y disciplinas de Inova Educação articulados a las disciplinas de base común, realizada por la investigación, se ha presentado interesante, sin O avesso da Reforma do Ensino Médio na Rede Estadual Paulista 3 embargo, la falta de garantía de que sean dadas por profesores de la carrera prioritaria compromete el potencial de la propuesta para minimizar los efectos negativos de la reforma en la formación de los estudiantes y en el trabajo docente. Palabras-clave: Reforma de la Escuela Secundaria; Red Estatal Paulista; Nueva Escuela Secundaria; investigación-acción O Avesso da Reforma do Ensino Médio na Rede Estadual Paulista A Lei n.º 13.415/2017 (Brasil, 2017), conhecida como Reforma do Ensino Médio ou Novo Ensino Médio (NEM), foi aprovada num contexto atípico da democracia brasileira. No segundo mandato da presidenta Dilma Rousseff (2014–2017), houve uma articulação de setores da classe dominante, da imprensa, do parlamento e do poder judiciário2 para aprovação de um impedimento justificado na denúncia de pedaladas fiscais que não se comprovaram3, mas que levou ao seu afastamento da presidência da república, aprovado pelo Congresso Nacional em 31 de agosto de 2016, embora ela tenha mantido seu direito de exercer funções públicas, inclusive eletivas. Estavam em processo de fortalecimento políticas de caráter ultraneoliberal, conservador e antidemocrático, que se consolidaram com a eleição de Jair Messias Bolsonaro para presidência da república em 2018. O impeachment de Dilma Rousseff favoreceu o avanço da agenda neoliberal na educação, capitaneada por institutos, fundações e movimentos vinculados aos diversos capitais, que têm atuado como Aparelhos Privados de Hegemonia (APH)4 (Fontes, 2020). Uma narrativa em torno da necessidade de reformar o Ensino Médio vinha sendo construída desde os anos 2000, por estes APHs, apoiados num discurso de que esta etapa da educação básica não estava adequada aos estudantes das escolas públicas por conta de um currículo desinteressante e desconectado da realidade e das reais necessidades dos jovens das classes em condição de subalternidade. A reforma aprovada e seus desdobramentos têm mostrado que tal narrativa escondia os reais interesses destes setores, conforme indicado por Freitas (2023), Cunha (2017), Freitas (2016), Kuenzer (2017), Quadros & Krawczyk (2019). Estes institutos, fundações e movimentos construíram uma ideologia5 sobre o tipo de educação que deve ser destinada aos filhos e filhas 2 A Operação Lava-Jato, em nome do combate à corrupção, atuou em desconformidade com a lei e as práticas éticas judiciárias. A anulação da condenação de Luiz Inácio Lula da Silva é um reconhecimento de que ela não operou em conformidade com a lei. Em abril de 2021, “O Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou [...] a decisão do ministro Edson Fachin que, ao declarar a incompetência da 13ª Vara da Justiça Federal de Curitiba (PR), anulou as ações penais contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por não se enquadrarem no contexto da operação Lava Jato”. Disponível em: https://portal.stf.jus.br/noticias/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=464261&ori=1#:~:text=O%20Ple nário%20do%20Supremo%20Tribunal,enquadrarem%20no%20contexto%20da%20operação. 3 Em março de 2022, “A 7ª Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (RJ e ES) extinguiu processo, sem resolução do mérito, contra a ex-presidente Dilma Rousseff por danos financeiros causados por pedaladas fiscais”. Disponível em: https://www.conjur.com.br/2022-mar- 27/trf-extingue-acao-dilma-rousseff-pedaladas-fiscais. 4 Entre os APH que atuam na educação estão: Movimento Todos Pela Educação, Movimento pela Base, Fundação Lemann, Itaú Cultural, Instituto Ayrton Senna etc. 5 Usamos o termo ideologia no sentido dado por Marilena Chaui. “A ideologia é um conjunto lógico, sistemático e coerente de representação (ideias e valores) e de normas ou regras (de conduta) que indicam e prescrevem aos membros de uma sociedade o que devem pensar e como devem pensar, o que devem valorizar e como devem valorizar, o que devem sentir e como devem sentir, o que devem fazer e como devem fazer. Ela é, portanto, um corpo explicativo (representações) e prático (normas, regras, preceitos) de caráter prescritivo, normativo, regulador, cuja função é dar aos membros de uma sociedade dividida em classes uma explicação racional para as diferenças sociais, políticas e culturais, sem jamais atribuir tais diferenças à divisão da sociedade em classes a partir das divisões na esfera da produção econômica. Pelo https://portal.stf.jus.br/noticias/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=464261&ori=1#:~:text=O%20Plenário%20do%20Supremo%20Tribunal,enquadrarem%20no%20contexto%20da%20operação https://portal.stf.jus.br/noticias/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=464261&ori=1#:~:text=O%20Plenário%20do%20Supremo%20Tribunal,enquadrarem%20no%20contexto%20da%20operação https://www.conjur.com.br/2022-mar-27/trf-extingue-acao-dilma-rousseff-pedaladas-fiscais https://www.conjur.com.br/2022-mar-27/trf-extingue-acao-dilma-rousseff-pedaladas-fiscais Arquivos Analíticos Políticas Educativas, Vol. 32, No. 22 4 das classes trabalhadoras, num contexto de aprofundamento da precariedade do mercado de trabalho e de diminuição de empregos. Feitas as mudanças na Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional (LDB/1996), na seção referente ao Ensino Médio, caberia aos estados, principal ente federado responsável pela oferta desta etapa de ensino no Brasil, elaborar uma proposta de implementação da nova organização curricular em articulação com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC; Brasil, 2018). O prazo para início do NEM para o primeiro ano desta etapa de ensino foi 2022, mas, no estado de São Paulo, a reforma teve início em 2021 com base no Programa Inova Educação6. Assim, em 2023, a primeira geração de jovens do NEM concluiu o Ensino Médio, tendo frequentado aulas remotas nos anos de 2020 e 2021, quando cursaram o nono ano do Ensino Fundamental e o primeiro ano do Ensino Médio. A escolha dos itinerários formativos no ano de 2020 ocorreu de forma remota, sem que a proposta da Secretaria de Estado da Educação de São Paulo (Seduc-SP) pudesse ser explicada de forma detalhada e debatida pelas comunidades escolares. Com o propósito de acompanhar e intervir na implementação do NEM paulista, está sendo realizada uma pesquisa-ação em sete escolas de Ensino Fundamental (anos finais) e Médio, com duração de quatro anos. O objetivo deste artigo é analisar repercussões da organização curricular implantada pela Seduc na organização do trabalho pedagógico e na formação dos estudantes e discutir como essas escolas estão construindo propostas curriculares num processo crítico, criativo e de resistências à reforma do ensino médio, respaldado na autonomia e na participação democrática das comunidades escolares. O artigo está organizado nesta breve introdução, num tópico destinado à discussão da reforma, considerando seu histórico, concepções e significados expressos na literatura, um tópico sobre método e procedimentos metodológicos, seguido das análises e interpretação dos dados e as considerações finais. No Apêndice A do artigo (Tabela A1), o leitor encontra a organização curricular dos 11 itinerários formativos das áreas de conhecimento da base comum com suas respectivas 66 unidades e 276 componentes curriculares, de forma que possa ter uma ideia mais concreta da maneira como a reforma se materializou no currículo paulista. A (Contra)Reforma do Ensino Médio A Reforma do Ensino Médio tem sido compreendida no meio acadêmico como uma contrarreforma que muda a concepção desta etapa de ensino como a última da educação básica, cuja finalidade, de acordo com o artigo 35 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LBD/1996; Brasil, 1996), é: I - a consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no ensino fundamental, possibilitando o prosseguimento de estudos; contrário, a função da ideologia é ocultar a divisão social das classes, a exploração econômica, a dominação política e a exclusão cultural, oferecendo aos membros da sociedade o sentimento de identidade social, fundada em referenciais identificadores, como a Humanidade, a Liberdade, a Justiça, a Igualdade, a Nação. Como salienta Marx, o primeiro a analisar o fenômeno ideológico, a ideologia é a difusão para o todo da sociedade das ideias e dos valores da classe dominante como se tais ideias e valores fossem universais e aceitos como tais por todas as classes” (Chaui, 2021, p. 53). 6 O Programa Inova Educação foi implementado a partir de 2019 para os estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio. “[...] o Programa Inova Educação consiste em uma nova proposta curricular didático-pedagógica que incorpora ao sistema educacional do Estado de São Paulo três novos componentes curriculares, a saber: Projeto de Vida, Eletivas e Tecnologias. A Seduc-SP entende que o programa possibilitará novas oportunidades aos estudantes ao promover um currículo que, na visão do órgão, está mais alinhado às demandas deles” (Nascimento, 2022, p. 41). O avesso da Reforma do Ensino Médio na Rede Estadual Paulista 5 II - a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando, para continuar aprendendo, de modo a ser capaz de se adaptar com flexibilidade a novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento posteriores; III - o aprimoramento do educando como pessoa humana, incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico; IV - a compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos processos produtivos, relacionando a teoria com a prática, no ensino de cada disciplina. As mudanças realizadas na seção do Ensino Médio da LDB/1996, pela Lei n.º 13.415/2017, não alteraram o texto sobre as finalidades dessa etapa da educação básica, visto que o inciso II contempla a ideia de um currículo flexibilizado e voltado ao mundo do trabalho, estando em consonância com os objetivos da reforma. Embora os incisos I, III e IV deem ao Ensino Médio a finalidade de consolidar e aprofundar os conhecimentos científicos do Ensino Fundamental, a perspectiva de uma formação para a autonomia intelectual e pensamento crítico e uma compreensão dos fundamentos científicos-tecnológicos dos processos produtivos, a reforma opera mudanças na organização curricular que impedem a realização destas finalidades. O Ensino Médio brasileiro tem sido marcado pela dualidade escolar (Frigotto, 2017; Kuenzer, 2005; Silva & Jakimiu, 2016). Compreende-se que a dualidade ocorre de formas diferentes em momentos históricos distintos. Até meados da segunda metade do século XX, quando essa etapa de ensino era destinada a um número reduzido de jovens, a dualidade ocorria entre um ensino propedêutico para as classes médias e altas, com a finalidade de ingresso na Educação Superior e ocupação de postos de direção em variados âmbitos da vida social, e uma formação técnica-profissional aos filhos e filhas das classes trabalhadoras. Com a ampliação do acesso ao Ensino Médio, a partir dos anos 1970, mais especificamente nos anos 1990 e 2000, esta etapa avançou para a universalização (ainda não concluída) e, embora a dualidade entre ensino propedêutico e técnico-profissional tenha permanecido, a principal dualidade deste período ocorre em função da existência de escolas com qualidade de ensino e oportunidade de aprendizagem diferenciadas que colocam os estudantes em condições muito distintas de formação, mesmo que tenham um mesmo currículo prescrito (Sacristán, 2000). A LDB/1996, ao colocar o Ensino Médio como última etapa da educação básica e estabelecer formalmente uma mesma formação geral à juventude brasileira, buscava romper com a dualidade, algo difícil de concretizar em razão da disparidade entre escolas com distintas qualidades de oferta educacional. Não obstante isso, nos últimos 30 anos, o número de estudantes que concluíram o Ensino Médio aumentou, assim como o número de ingressantes na Educação Superior. Portanto, em alguma medida, mais jovens tiveram oportunidades educacionais que foram potencializadas na última década pela lei das cotas7. Por conseguinte, cabe indagar: Por que reformar o Ensino Médio? Por que capitalistas, organizados em institutos, fundações, movimentos, se empenharam tanto para que a reforma fosse aprovada? Por que continuam atuando para sua manutenção num momento em que setores da população (movimentos estudantis, movimento sindical, associações acadêmicas) pedem sua revogação? Desde os anos 1990 havia por parte dos professores, dos estudantes e familiares uma percepção de que o Ensino Médio não estava cumprindo suas finalidades, conforme estabelecido na LDB/1996. A formação e a aprendizagem dos estudantes não correspondiam ao efetivo direito à educação e às suas capacidades. Registrava-se certo desinteresse dos jovens pelo ensino ministrado nas escolas públicas, em que está a maioria das matrículas da educação básica, assim 7 A Lei n.º 12.711/2012 reserva 50% das matrículas por curso das universidades e institutos federais para estudantes oriundos integralmente do Ensino Médio público. (Brasil, 2012). Universidades estaduais também adotaram lei de cotas nos últimos 10 anos. Arquivos Analíticos Políticas Educativas, Vol. 32, No. 22 6 como as do Ensino Médio8. Discutia-se a necessidade de aulas mais dinâmicas, mais próximas às realidades e interesses dos jovens. Esta condição de oferta do Ensino Médio, assim como do fundamental, é atribuída às precárias condições de funcionamento das escolas, nas quais faltam laboratórios de física, química e biologia, bibliotecas com acervo variado e de fácil acesso, equipamentos tecnológicos para diversificação das práticas pedagógicas, laboratórios de informática com um computador para cada estudante e acesso à internet de banda larga, salas equipadas para atividades diversificadas, quadras cobertas para atividades de educação física, jogos, campeonatos etc. Somava-se a isso a falta de professores com formação em algumas disciplinas (fazendo com que as aulas fossem ministradas por docentes com formações diversas, comprometendo a qualidade), e ausência de aulas de determinadas disciplinas por longos períodos no ano. Esta situação contribuiu para o fortalecimento do discurso sobre a inadequação do Ensino Médio que foi se tornando hegemônico à medida que acontecia uma reestruturação produtiva e que os postos de trabalho “tradicionais” se tornavam cada vez mais escassos e crescia o trabalho precarizado, uberizado (Antunes, 2018; Braga, 2003; Standing, 2013). O discurso foi exigindo que aquela escola, aquele Ensino Médio, que pouco contribuía para uma formação pautada na apropriação de conhecimentos que pudessem favorecer uma melhor inserção e atuação dos jovens na vida social e no mundo do trabalho, fossem reorganizados para corresponder de forma mais adequada às exigências de um mercado de trabalho que foi reconfigurado frente à crise estrutural do capital, às novas tecnologias e o neoliberalismo como nova racionalidade (Dardot & Laval, 2016; Harvey, 2014). As principais justificativas apresentadas pelos grupos favoráveis à reforma foram a baixa qualidade do Ensino Médio, retratada nos resultados das avaliações externas, a rigidez e a pouca atratividade da escola, refletidas em elevados índices de abandono e reprovação no Ensino Médio (Ferreti, 2018). O campo crítico argumentou que, ao diferenciar o atendimento e obstaculizar a universalização, a reforma do Ensino Médio minaria a garantia do direito à educação (Ferreti & Silva, 2017). Dessa forma, o tradicional papel da escola nas sociedades capitalistas de socialização para a subordinação (Tragtenberg, 2004), e de formação para a conservação social e legitimidade das desigualdades sociais (Bourdieu, 1998), ganha novos contornos e estreita as possibilidades de a escola produzir sociabilidades diversas, frente a uma contrarreforma educacional que vem sendo gestada e implantada desde os anos 1990, sob orientação de organismos internacionais com a concordância dos governos nacionais (Freitas, 2023). Nesse sentido, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e a reforma do Ensino Médio são parte das disputas de concepções educacionais e da função social da escola nas últimas três décadas, mas que marcaram a história da educação brasileira no século XX. Em meados dos anos 2000, Kuenzer (2005) alertava que desde os anos 1990, do ponto de vista do mercado de trabalho, havia um processo de “exclusão includente”, isto é, exclusão em relação aos postos de trabalho assalariado, com registro em carteira e direitos trabalhistas, e inclusão num mercado de trabalho informal e precarizado. Em relação à educação escolar, a díade se invertia num processo de “inclusão excludente”, ou seja, ampliação de acesso às diversas etapas da educação formal, porém com uma formação precarizada que não garantia a aprendizagem dos conhecimentos científicos, organizados no currículo escolar, e nem uma formação ética e autônoma, para não apenas responder às demandas do capitalismo, mas as questionar numa perspectiva de superação. A desqualificação das escolas públicas que atendem filhos e filhas das classes trabalhadoras levou ao que Kuenzer (2020, p. 60) denomina de “tese da dualidade invertida”, ou 8 De acordo com o censo escolar de 2022, 1.480.232 alunos do Ensino Médio estavam matriculados na rede estadual paulista de ensino e 264.715 em escolas privadas (Brasil, 2022). O avesso da Reforma do Ensino Médio na Rede Estadual Paulista 7 seja, uma escola de “formação geral” destinada às classes subalternas enquanto “a educação em ciência e tecnologia passou a ser a opção dos filhos da burguesia”, complementada no Ensino Superior em “cursos valorizados pelo mercado, no regime de acumulação flexível”. A autora conclui que a flexibilização do Ensino Médio, via reforma “é uma das expressões do projeto pedagógico do regime de acumulação flexível, cuja lógica continua sendo a distribuição desigual do conhecimento, porém com uma forma diferenciada” (Kuenzer, 2020, p. 60). Portanto, a reforma dá continuidade ao processo iniciado nos anos 1990, mas com características próprias em função de novas demandas da acumulação flexível. Assim, aquela escola de “formação geral”, na perspectiva dos reformadores, precisa reorganizar seu currículo tendo como eixo o Projeto de Vida dos estudantes, o desenvolvimento de habilidades e competências básicas para o exercício de qualquer profissão (Freitas, 2023) e competências socioemocionais, baseadas na meritocracia, no individualismo e na resiliência, para uma inclusão excludente sem distúrbios sociais. Trata-se de (con)formar um novo ser humano, convencido de que com esforço individual poderá ser empreendedor de si mesmo. Por isso, no NEM há um deslocamento da “formação geral” para um Ensino Médio personnalité (Freitas, 2023), em que o estudante escolhe a área na qual quer aprofundar os conhecimentos, sem compreender que tal escolha tem duas faces: o que ele deseja estudar e o que deixará de estudar. O empenho dos representantes do capital na reforma do ensino, por meio dos APH, deve-se à necessidade de estabelecimento de uma concepção de educação pública voltada à “empregabilidade” com ênfase no caráter comportamental, em detrimento da apropriação das bases científicas e tecnológicas (Rummert et al., 2013). Esses APH que, por meio da Reforma do Aparelho de Estado, nos anos 1990, ampliaram sua inserção no Estado e na sociedade civil na forma das autointituladas entidades filantrópicas, têm avançado na difusão dos pressupostos da economia de mercado e de valores conservadores, na desestruturação e na desarticulação de movimentos sociais e trabalhistas (Casimiro, 2018). Na área educacional isso expressou-se no debate público em torno da BNCC em que agentes do poder executivo, conselhos e APH, especialmente o Movimento pela Base e o Todos pela Educação, além de institutos e fundações empresariais, constituíram-se hegemônicos (Michetti, 2020,) e, também, da reforma do Ensino Médio em que seguiram tendo expressiva participação. A Reforma do Ensino Médio é, em muitos sentidos, a expressão de um processo de mercadificação da educação pública que envolve sujeitos individuais e coletivos, organizados em redes locais e globais com agentes privados do setor financeiro, organismos internacionais e governos (Peroni et al., 2017) que impulsionaram a reforma a partir de um ponto comum: a necessidade de mudança. Ao propor a ampliação da jornada escolar e a organização curricular por meio de itinerários formativos diversos por estados brasileiros, a reforma está conduzindo os estudantes- trabalhadores para percursos profissionalizantes aligeirados e um distanciamento ainda maior entre a formação dos filhos e filhas das classes dominantes e dirigentes e da juventude das classes em condição de subalternidade, reforçando, inclusive na legislação, a marca social da escola (Gramsci, 2011). Destarte, além das análises e críticas à concepção de educação da reforma e possíveis implicações na organização da escola, no trabalho pedagógico, na gestão escolar e na formação dos estudantes amplamente debatidas, cabe investigar a implementação desta política, considerando o desenho curricular e as medidas de implantação dos estados, para verificar as implicações reais. Arquivos Analíticos Políticas Educativas, Vol. 32, No. 22 8 Método e Procedimentos Metodológicos9 A análise de Reforma do Ensino Médio, da BNCC e do Programa Inova Educação na rede estadual paulista, considerou a historicidade dessas políticas educacionais, assim como os elementos de conflituosidade que forjaram a ação política nas escolas. Para compreender como agem os sujeitos na escola, os valores que os movem, os comportamentos e as tradições que os limitam, e intervir junto a eles e com eles, partiu-se da perspectiva epistemológica de totalidade (Kosik, 1976), visando compreender os determinantes da política educacional de forma mais ampla e a cultura política dos participantes da pesquisa em sua constituição como sujeitos autônomos e como coletivo pactuado. Entendendo a escola tanto em sua estrutura administrativa, correspondente à ordenação racional orientada pelo Estado, quanto em relação a uma dinâmica que é própria desta instituição enquanto grupo social, que reinterpreta as orientações oficiais (Lima, 2008) a partir de “um sistema de normas e valores também internamente desenvolvidos” (Candido, 1964), foi necessário um olhar sobre a totalidade das relações internas e das relações diretas e indiretas com outras instituições da sociedade, para uma melhor compreensão da escola como organização complexa (Tragtenberg, 2004). A pesquisa que subsidiou a escrita deste artigo inscreve-se na tipologia da pesquisa qualitativa em educação (Lüdke & André, 1986), com uso da metodologia de pesquisa-ação (Barbier, 2007; Thiollent, 2000 ), o que permitiu um trabalho colaborativo de estudo, reflexão e prática (Thiollent & Oliveira, 2016). Como alertam Miranda & Resende (2006), a pesquisa-ação contribui com uma discussão fundamental na área da educação que é a relação teoria e prática. Na pesquisa-ação, as ações dos pesquisadores têm por objetivo transformar a realidade e produzir conhecimentos nesse processo (Barbier, 2007). Aqui, a pesquisa-ação visa tanto ao objetivo prático de implementar, nas escolas participantes, propostas curriculares com base num processo analítico, reflexivo, crítico e criativo, quanto à produção do conhecimento sobre processos de implementação de políticas curriculares desde as escolas. De acordo com Thiollent (2000, p. 16), na pesquisa-ação: a) há uma ampla e explícita interação entre pesquisadores e pessoas implicadas na situação investigada; b) desta interação resulta a ordem de prioridade dos problemas a serem pesquisados e das soluções a serem encaminhadas sob a forma da ação correta; c) o objeto da investigação não é constituído pelas pessoas, e sim pela situação social e pelos problemas de diferentes naturezas encontrados nesta situação; d) o objetivo da pesquisa-ação consiste em resolver ou, pelo menos, em esclarecer os problemas da situação observada; e) há, durante o processo, um acompanhamento das decisões, das ações e de toda a atividade intencional dos atores da situação; f) a pesquisa não se limita a uma forma de ação (risco de ativismo): pretende-se aumentar o conhecimento dos pesquisadores e o conhecimento ou o “nível de consciência” das pessoas e grupos considerados. Considerando estas características da pesquisa-ação, a investigação buscou realizar ambos os objetivos – prático (intervenção para melhoria do ensino) e teórico (produção do conhecimento). Com a preocupação de contribuir para a melhoria da qualidade do ensino público e a formação dos estudantes, a pesquisa foi conduzida com base na participação para a construção de uma compreensão da (contra)reforma curricular operada pela implantação da BNCC, do NEM e do Programa Inova Educação, no contexto de sua implementação. 9 A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética da Universidade Federal de São Paulo, parecer n.º 6.013.550. O avesso da Reforma do Ensino Médio na Rede Estadual Paulista 9 Essa participação, que envolve toda a comunidade escolar (estudantes, professores, agentes escolares, familiares e gestores), ocorre de maneira diversa, tendo em vista que constituem grupos com características específicas no contexto escolar. Dessa forma, foram realizadas dinâmicas diferenciadas para contemplar tais especificidades, sem comprometer a perspectiva de integração da comunidade escolar, compreendida como um coletivo que compartilha objetivos comuns. A pesquisa, que tem duração de quatro anos, está sendo realizada em sete escolas da rede estadual paulista de ensino, que concordaram com a investigação e participaram da escrita do projeto. As equipes gestoras10 são responsáveis pela realização da pesquisa em cada uma das escolas juntamente com a equipe da universidade. Na Tabela B1 (Apêndice B), são informadas algumas características das escolas. Estão envolvidos na pesquisa 6.489 estudantes, 351 professores, 35 gestores, 16 professores/pesquisadores vinculados à universidade e três estudantes de graduação, bolsistas. Em relação à equipe gestora foram realizadas 132 reuniões, com a presença da equipe da universidade, para estudo, discussão e encaminhamentos relativos à elaboração dos planos de ensino dos componentes curriculares referentes aos itinerários formativos e às disciplinas do Programa Inova Educação e de acompanhamento da implementação dos itinerários formativos no Ensino Médio e do Inova Educação nos anos finais do Ensino Fundamental. As equipes gestoras realizam reuniões semanais e desenvolvem as atividades da pesquisa nas reuniões de Aula de Trabalho Pedagógico Coletivo (ATPC) com os professores, além de reuniões individuais e em pequenos grupos com os professores. A equipe da universidade visitou as escolas para participar de ATPC, de reuniões pedagógicas e de planejamento e atividades com os estudantes, totalizando 59 visitas. Também foram realizados nove encontros do coletivo envolvido na pesquisa, com participação conjunta das equipes gestoras de todas as escolas e a equipe da universidade. Nesses encontros foram discutidos o referencial teórico da pesquisa, com foco nas seguintes temáticas: concepções de educação e de currículo que orientam a pesquisa, conceito de habilidades e competências e a metodologia da pesquisa-ação11. Em maio de 2023 foi aplicado questionário aos estudantes do segundo ano do Ensino Médio, coorte que está sendo acompanhado pela pesquisa, para conhecer as opiniões e percepções deles sobre a escola, o Programa Inova Educação e os itinerários formativos. Neste artigo serão utilizados apenas alguns dos dados coletados12. As atividades com os estudantes são realizadas em sala de aula com o desenvolvimento dos planos de ensino elaborados conjuntamente pelos envolvidos na pesquisa e em atividades de debate sobre a escola e o NEM. Em relação aos familiares, as escolas realizaram reunião para explicar o desenvolvimento da pesquisa, além de pautá-la em reuniões de pais e mestre e de Conselho de Escola. Diante de um currículo formado por 66 unidades e 276 componentes curriculares, mais três disciplinas do Programa Inova Educação (Projeto de Vida, Tecnologia e Inovação e Eletivas), as escolas entendiam que seria muito difícil garantir professores com formação adequada para ministrar essa diversidade de “disciplinas” com qualidade e garantir que os estudantes não fossem prejudicados (Tabela B6). Também estava no horizonte de preocupação 10 A equipe gestora, diretor/a, professores/as coordenadores e vice-diretores/as recebem bolsa da Fapesp para dedicar oito horas semanais às atividades de pesquisa. 11 Foi realizado um seminário em abril de 2023, com a presença do professor Michel Thiollent, para discussão da metodologia da pesquisa-ação. 12 Um dos objetivos da pesquisa é acompanhar a formação de uma geração de estudantes no NEM (1º ao 3º ano do EM) para analisar as motivações na escolha dos itinerários formativos ao longo dos percursos escolares (e/ou profissionais) e sua relação com o mundo do trabalho. Está sendo acompanhado o coorte que iniciou o primeiro ano do NEM em 2022. O questionário foi respondido por 621 estudantes que estavam cursando o segundo ano do ensino nas escolas da pesquisa em 2023. Arquivos Analíticos Políticas Educativas, Vol. 32, No. 22 10 dos pesquisadores a diminuição das aulas destinadas às disciplinas da base comum e o impacto disso na formação dos estudantes. A análise do Material de Apoio ao Planejamento e Práticas de Aprofundamento (MAPPA), proposta pela Seduc para o desenvolvimento dos componentes curriculares dos itinerários formativos, indicava certa superficialidade em alguns casos e propostas de atividades que os estudantes não poderiam realizar porque ainda não tinham estudado determinados conteúdos e conceitos necessários. O MAPPA foi considerado insuficiente, visto que apresenta as temáticas de forma fragmentada envolvendo conhecimentos de campos disciplinares diversos, podendo ser ministrado por professores de diferentes áreas de formação, desconsiderando que a entrada na carreira docente ocorre com base na formação disciplinar do professor. Esta compreensão levou à decisão de que as escolas elaborassem planos de ensino para cada um dos componentes curriculares com a indicação do conteúdo, objetivos de aprendizagem, sugestões de metodologia de trabalho pedagógico, avaliação e referências bibliográficas para auxiliar os docentes a preparem as aulas13. Para construir os planos de ensino, partiu-se dos seguintes pressupostos: considerar a disciplina prioritária de atribuição para o professor de cada componente curricular e propor conteúdos relacionados a ela, tendo em vista a ausência de conteúdos daquela disciplina nos três anos do Ensino Médio. Buscou-se, dessa forma, oferecer, sempre que o componente curricular foi ministrado pelo professor da licenciatura prioritária, conteúdos para os quais ele tem formação para ministrar aulas e, para os estudantes, a oportunidade de aprender conteúdos que deixaram de fazer parte das disciplinas da base comum por causa da diminuição das aulas destinadas à formação geral básica e que os pesquisadores consideram fundamentais à inserção social dos jovens. Os planos foram elaborados pela equipe da pesquisa, especialmente as equipes gestoras com apoio da equipe da universidade, com a participação dos professores de acordo com as disciplinas específicas. Cada escola ficou responsável pela formulação dos planos de um ou dois itinerários formativos. Portanto, as escolas estão trabalhando com planos de ensino que foram elaborados por outra escola, a depender dos itinerários que cada uma desenvolveu em 2022 e 2023. Os planos de ensino constituem material de apoio para os professores, cujo objetivo principal é organizar conteúdos de ensino com base nos pressupostos apresentados acima. A aplicação das propostas dos planos de ensino na sala de aula é realizada pelos professores e acompanhada pela equipe da pesquisa, tendo em vista sua melhora com base na experiência prática, como é característico da pesquisa ação14. Também foram elaborados planos de ensino para as disciplinas do Inova Educação tomando como referência uma proposta formulada pelo Grupo Escola Pública e Democracia15, como parte de um projeto de extensão vinculado à Universidade Federal de São Paulo com ampla participação de professores, gestores, estudantes e familiares das escolas que participaram do referido projeto. 13 Foram construídos 246 planos de ensino para os componentes curriculares de 10 itinerários formativos das áreas da base comum desenvolvidos pelas escolas da pesquisa. Um dos itinerários formativos não foi desenvolvido por nenhuma das escolas. Apenas as escolas 3 e 6 têm itinerário técnico-profissional cujas aulas são ministradas em parceria com o Centro Paula Souza e por professores contratados por empresa privada. 14 Os planos de ensino foram analisados por consultores ad hoc (professores universitários e da rede estadual de ensino das diversas disciplinas das áreas de conhecimento da base comum) com vistas à reelaboração para que o material fique cada vez mais adequado a auxiliar os professores no preparo e desenvolvimento das aulas dos componentes curriculares. Em setembro de 2023, foi realizado seminário para apresentação da análise e sugestões dos consultores. 15 O GEPUD reúne profissionais da educação básica e superior pública do estado de São Paulo para discutir políticas que garantam o direito à educação e à gestão democrática da escola. about:blank O avesso da Reforma do Ensino Médio na Rede Estadual Paulista 11 Todo o processo de realização da pesquisa está sendo registrado em caderno de campo, memórias das reuniões, gravações de áudio e vídeo. As análises apresentadas neste artigo são fruto de análise documental, documentos oficiais e aqueles produzidos pela pesquisa de campo, e bibliográfica. Para análise dos documentos adotou-se a análise do contexto social em que foram produzidos (Cellard, 2008), com o propósito de eles permitirem uma fecunda discussão, elucidação, desconstrução e construção de compreensões do objeto de estudo, num entendimento que “produzir conhecimento é produzir consciências” (Evangelista, 2012, p. 58). O Novo Ensino Médio Paulista Em cumprimento à Lei n.º 13.415/2017, a Seduc elaborou uma proposta curricular que contempla o máximo de 1.800 horas para as disciplinas da base comum, formação geral básica, sendo as demais, 1.200 para a escola de tempo parcial período noturno e 1.350 para o período diurno e 1.620 para as escolas do Programa Ensino Integral, destinadas aos itinerários formativos. Os itinerários, na rede paulista de ensino, contemplam as disciplinas do Programa Inova Educação e os componentes curriculares vinculados aos itinerários das quatro áreas da base comum curricular e ao itinerário da formação técnico-profissional16. A Tabela B2 (Apêndice B) mostra a matriz curricular do Ensino Médio diurno em termos de carga horária e composição de horas entre a formação geral básica e o itinerário formativo. Apesar de a crise pandêmica17 ter comprometido a implementação do Programa Inova Educação em São Paulo nos anos de 2020 e 2021 (Alencar, 2023; Nascimento, 2022), o formato de ensino remoto não impediu o início do NEM no estado em 2021, o primeiro a implantar a reforma num processo aligeirado e sem participação da comunidade escolar. A discussão sobre a reforma, bem como o exercício da liberdade de escolha, deu-se a partir da disponibilização de formulários Google Forms, num contexto de desigualdade de acesso por parte dos estudantes e familiares. Assim, a implantação da reforma começou apoiada numa retórica dita participacionista, que visava dar a ela legitimidade num contexto de pouco conhecimento sobre as mudanças curriculares, situação agravada pelo fato de as atividades escolares estarem sendo desenvolvidas no formato remoto. Pesquisa realizada pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e pelo Serviço Social da Indústria (Sesi), em dezembro de 2022, em todo país, verificou que 55% dos entrevistados estavam pouco ou nada informados sobre o NEM, apenas 15% disseram que estavam informados ou muito informados, embora 70% tenham respondido que aprovavam as principais diretrizes do modelo de currículo18. Os professores também não haviam se apropriado da proposta em sua completude e as consequências para a formação dos estudantes e à organização do trabalho pedagógico não estavam claras no momento inicial da implantação. Em 2023, após dois anos do início da reforma, nas escolas participantes da pesquisa-ação em que o tema tinha sido reiteradamente discutido, 63% dos estudantes, que responderam ao questionário, disseram conhecer pouco ou nada sobre a reforma. 16 Antes da reforma na rede estadual paulista, a carga horária total do Ensino Médio diurno era de 3.000 horas, sendo 2.800 para as disciplinas da base nacional comum e 200 para parte diversificada. 17 Nos anos de 2020, 2021 e 2022, o mundo viveu uma pandemia causada pelo novo coronavírus (COVID-19), que levou à necessidade de distanciamento físico como forma de conter a propagação do vírus. Os sistemas de ensino tiveram de adaptar as atividades escolares ao formato remoto, não tendo atingido de maneira uniforme a totalidade dos estudantes, sendo os mais prejudicados aqueles em condições socioeconômicas precárias. 18 Resultados da referida pesquisa estão disponíveis em: https://www.rn.sesi.org.br/populacao-aprova- mudancas-trazidas-pelo-novo-ensino-medio/ https://www.rn.sesi.org.br/populacao-aprova-mudancas-trazidas-pelo-novo-ensino-medio/ https://www.rn.sesi.org.br/populacao-aprova-mudancas-trazidas-pelo-novo-ensino-medio/ Arquivos Analíticos Políticas Educativas, Vol. 32, No. 22 12 A Seduc aproveitou o período da pandemia para acelerar a implementação do NEM. Apoiou-se no discurso da liberdade de escolha dos itinerários formativos pelos estudantes e na promessa de modernização via qualificação de insumos tecnológicos, cujas carências foram expostas pela pandemia, e outros espaços para realização de atividades diversificadas, tais como laboratórios de ciências, bibliotecas, laboratórios de informática e acesso à internet. A título de exemplificação são apresentados os recursos do Programa Dinheiro Direto na Escola, PDDE Paulista, desde sua criação (São Paulo, 2019a) até 2023, de uma das escolas da pesquisa (Tabela 1). É importante destacar que os referidos recursos são para custeio e melhoria do prédio existente, não sendo possível ampliar os prédios escolares para construir laboratórios, sala para atividades diversas e específicas que contemplem necessidades do currículo do NEM. Com isso promoveu-se uma “pintura superficial” na aparência das escolas para “vender a reforma”. Tabela 1 Valores do PDDE Paulista da Escola 1 Ano Valor do PDDE Paulista % 2019 221.800,00 18,4 2020 179.518,50 14,9 2021 440.030,00 36,5 2022 302.415,72 25,1 2023 61.547,47 5,1 Total 1.205.311,69 100 Fonte: Elaboração própria com base em documentos da escola comprobatórios de recebimento dos recursos. O ano em que a escola recebeu o valor mais elevado foi 2021, primeiro ano da implementação do NEM. Os recursos recebidos em 2023 contrastam com os demais anos, indicando que no atual governo19, o PDDE Paulista não é prioridade, o que pode contribuir para agravar ainda mais as condições de infraestrutura das escolas para a realização de uma educação de qualidade20. A experiência da Seduc-SP e das escolas com a implementação do Programa Inova Educação, desde 2019, favoreceu os procedimentos para a escolha dos itinerários formativos pelos estudantes do primeiro ano do Ensino Médio no ano de 2021, para serem cursados em 2022. Na página da Seduc-SP, destinada ao NEM, constam um conjunto de orientações e a seguinte informação: O Novo Ensino Médio alinha a Formação Geral Básica aos componentes do Inova Educação e Aprofundamentos Curriculares, a partir dos Itinerários Formativos. Dessa forma, há a possibilidade de escolha, conforme o projeto de vida de cada estudante, com foco no desenvolvimento integral e, assim, proporciona o acesso ao ensino superior e ao mercado de trabalho21. 19 Após 28 anos de governos do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), em 2023 assumiu o governo paulista Tarcísio de Freitas, do Partido Republicamos. O atual secretário de educação é o senhor Renato Feder. 20 Na rede estadual paulista, de acordo com dados do censo escolar de 2022, apenas 8% das escolas têm biblioteca, embora 78% tenham sala de leitura, somente 21% têm laboratório de ciência, 80% têm laboratório de informática, 92% têm banda larga, 88% quadras esportivas, 66% têm impressora e apenas 18% têm copiadora (Brasil, 2022). 21 Disponível em: https://novoensinomedio.educacao.sp.gov.br/ about:blank O avesso da Reforma do Ensino Médio na Rede Estadual Paulista 13 Dessa forma, a comunidade escolar foi instada a acreditar que a proposta traria benefícios importantes à formação dos estudantes, considerando suas inclinações para o mundo do trabalho ou para o acesso ao Ensino Superior. Diante da experiência das comunidades escolares com um Ensino Médio que, devido às condições de oferta, não era muito estimulante aos estudantes e não lhes dava condições adequadas de aprendizagem dos conhecimentos das diversas áreas, distribuídos em disciplinas, a forma como a reforma foi apresentada lhes pareceu interessante. A ideia de um Ensino Médio mais flexível e voltado para a autonomia dos estudantes, para um mercado de trabalho de lógica empreendedora, havia sido alicerçado, pelo menos abstratamente, na perspectiva de estudantes e familiares. Em 2022, enquanto as demais redes estaduais de ensino estavam iniciando a implementação do NEM para os primeiros anos de Ensino Médio, a rede estadual paulista já o implementava para o segundo ano com a nova proposta. O Quadro 1 mostra uma síntese da implementação do NEM, considerando sua articulação com o Programa Inova Educação. Quadro 1 Implementação do NEM na Rede Estadual Paulista Ano Ações de implementação 2019 Escolha das disciplinas eletivas do Programa Inova Educação 2020 Implementação das disciplinas Projeto de vida, eletivas e tecnologia do Programa Inova Educação aos estudantes do Ensino Médio 2021 Escolha dos itinerários formativos pelos estudantes do primeiro ano do Ensino Médio 2022 Implementação dos componentes curriculares dos itinerários formativos aos estudantes do segundo ano do Ensino Médio 2023 Implementação dos componentes curriculares dos itinerários formativos aos estudantes do terceiro ano do Ensino Médio Fonte: Elaboração própria com base nas Matrizes Curriculares da Seduc-SP de 2019 a 2023 (São Paulo, 2021a). A Seduc-SP arquitetou a estrutura do NEM desde o ano de 2019, sem anunciar que as disciplinas do Programa Inova Educação comporiam a parte diversificada do currículo juntamente com os componentes curriculares dos itinerários formativos. Dessa forma, num dos períodos mais difíceis em função da pandemia, anos de 2020 e 2021, as escolas receberam um conjunto de orientações que modificaram não apenas o currículo com a inclusão de novas nomenclaturas e centenas de componentes curriculares, mas toda a organização do trabalho pedagógico e da gestão escolar. Tais orientações que chegavam cotidianamente às escolas nem sempre estavam devidamente organizadas, visto que se tratava de um processo de elaboração e ao mesmo tempo de implementação da proposta curricular paulista, com base na Lei n.º 13.415/2017. O currículo do NEM na rede estadual paulista é composto pelas horas anuais destinadas à formação geral básica e à parte diversificada, envolvendo as disciplinas Projeto de Vida, tecnologia e eletivas do Programa Inova Educação e as unidades e respectivos componentes curriculares, para cada itinerário formativo, numa morfologia em que a formação geral básica corresponde a no máximo 60% da carga total, conforme pode ser verificado nas Tabelas B3, B4 e B5 (Apêndice B). Observa-se nas tabelas do Apêndice B que a proporção do total de horas para a formação geral básica é diferente para os alunos que estudam em escolas de tempo parcial diurno Arquivos Analíticos Políticas Educativas, Vol. 32, No. 22 14 e noturno, 57% e 60% respectivamente. No caso do período noturno, o total de horas é de 3.000 em função do menor número de aulas do Programa Inova Educação, enquanto no diurno são 3.150 horas. No Programa de Ensino Integral, o número de horas sobe para 3.420 horas, sendo 53% deste total dedicadas à formação geral básica, visto que o aumento ocorre em relação às disciplinas do Programa Inova Educação. Para incluir as unidades e respectivos componentes curriculares, foram diminuídas ou excluídas aulas semanais da formação geral básica para o segundo e o terceiro anos do Ensino Médio. Isso levou a uma diminuição do número de aulas do conjunto dos professores nas disciplinas de formação geral, obrigando-os a completar a jornada de trabalho semanal com aulas do Programa Inova Educação e dos itinerários formativos, muitas vezes em componentes curriculares com conteúdos distantes da formação do professor, tendo em vista que sua efetivação ocorreu de forma disciplinar e não por área de conhecimento. A parte do currículo referente aos itinerários formativos do primeiro ano é composta pelas disciplinas da base comum e pelas três disciplinas do Programa Inova Educação (Eletivas, Projeto de Vida e Tecnologia); no segundo ano há diminuição das aulas das disciplinas da base comum e são acrescidos os componentes curriculares das unidades curriculares 1 e 2, de acordo com o itinerário formativo. A maior diminuição das aulas das disciplinas da base comum ocorre no terceiro ano quando são inseridos os componentes curriculares das unidades curriculares 3, 4, 5 e 6. Conforme a lógica de distribuição da carga horária dos itinerários formativos ao longo do Ensino Médio, independentemente da escolha entre os 11 ofertados pela Seduc-SP para o aprofundamento curricular nas quatro áreas de conhecimento da BNCC, os estudantes não terão aulas de biologia, física e química, da área de Ciências da Natureza e suas Tecnologias, e das disciplinas de filosofia, geografia, história e sociologia, da área de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, nos três anos do Ensino Médio. Prejudicadas também ficaram as disciplinas de língua portuguesa e de matemática que possuem apenas duas aulas semanais cada uma no terceiro ano. A orientação da Seduc-SP foi para que cada escola garantisse a oferta de pelo menos dois itinerários formativos do aprofundamento curricular, dentre os onze vinculados às áreas de: Linguagens e suas Tecnologias, Matemática e suas Tecnologias, Ciências da Natureza e suas Tecnologias, Ciências Humanas e Sociais Aplicadas. Porém, em 2022, 147 escolas haviam ofertado apenas um itinerário e em 2023, 147. A mediana de oferta por escola em 2022 foi 3 e em 2023, 4 itinerários22. Em relação à formação técnica e profissional, o estudante pode escolher entre 25 opções, totalizando 36 opções. No Quadro B1 (Apêndice B) estão os itinerários ofertados na rede estadual paulista. O desdobramento dos itinerários formativos das quatros áreas da base comum em unidades e componentes curriculares contabilizam 66 unidades curriculares e 276 componentes curriculares, conforme pode ser constatado no apêndice A. Na Tabela B5 (Apêndice B) é apresentada a quantidade de unidades e componentes curriculares para cada itinerário formativo das quatro áreas da base comum. Análises desenvolvidas pela pesquisa têm indicado que esta pulverização dos conteúdos não está contribuindo com a organização do trabalho pedagógico e tampouco com a aprendizagem dos estudantes; e que os conteúdos propostos nesta centena de componentes curriculares poderiam ser incorporados às diversas disciplinas e trabalhados de forma interdisciplinar. Professores de disciplinas como português e matemática, que tinham mais aulas semanais com cada turma, têm sinalizado dificuldades na construção de vínculo com os estudantes devido ao pouco contato semanal, aspecto fundamental no desenvolvimento da atividade educativa. Na contramão desta situação, estão aqueles que assumiram vários componentes curriculares para a mesma turma, às vezes de itinerários diferentes, ocasionado um excesso de aulas que também não tem favorecido o processo educativo. A título de exemplo, um 22 Dados fornecidos pela Seduc via lei de acesso à informação protocolo 37837239372. O avesso da Reforma do Ensino Médio na Rede Estadual Paulista 15 professor da escola da 1 ministrava em 2023 três diferentes itinerários, tendo oito aulas de quatro componentes curriculares numa mesma turma23. Para uma melhor compreensão da organização curricular na rede paulista de ensino, será apresentada uma situação em que o estudante escolhe o itinerário formativo Corpo, Saúde e Linguagens. Este itinerário é composto por seis unidades curriculares do aprofundamento curricular que envolvem 24 componentes curriculares, sendo cinco para as unidades 1 e 2, quatro para as unidades 3 e 5 e três para as unidades 4 e 6. Dessa forma, os conteúdos das sete disciplinas da formação geral básica, das áreas de Ciências da Natureza e suas Tecnologias e Linguagens e suas Tecnologia, foram pulverizados em 24 componentes curriculares atribuídos a docentes, não necessariamente com a formação mais adequada para ministrá-los. Como pode ser visto no Apêndice A, para cada componente curricular é indicada a licenciatura prioritária e uma ou mais licenciaturas alternativas. Se o componente curricular é ministrado por professor com licenciatura diversa daquela indicada, o trabalho pedagógico fica comprometido, mesmo nas situações em que são professores das licenciaturas alternativas. Ocorre que os componentes também podem ser ministrados por licenciados em disciplinas que sequer fazem parte das áreas de conhecimento envolvidas no itinerário formativo e isso tem acontecido. Com base no Quadro B2 (Apêndice B), observa-se a fragmentação de conteúdos das disciplinas de língua portuguesa, arte, educação física, língua inglesa, biologia, física e química das áreas de Linguagens e suas Tecnologias e Ciências da Natureza e suas Tecnologias nos 24 componentes curriculares. Para alguns componentes curriculares, estas disciplinas aparecem como licenciatura prioritária, indicando que os conteúdos são mais próximos daquela formação disciplinar, enquanto em outros são consideradas como licenciaturas alternativas. O Gráfico B1 (Apêndice B) mostra que neste itinerário formativo as licenciaturas em biologia, física e química são consideradas como prioritárias em mais componentes curriculares, enquanto a licenciatura em língua portuguesa, educação física e língua inglesa são consideradas prioritárias em menos. A licenciatura em arte é considerada prioritária na mesma quantidade de componentes em que é considerada alternativa. Assim, embora o itinerário combine disciplinas das áreas de Linguagens e suas Tecnologias e Ciências da Natureza e suas Tecnologias, observa- se uma prevalência de licenciados desta para ministrar os componentes curriculares. As disciplinas educação física e língua inglesa são as que mais aparecem como licenciaturas alternativas para ministrarem os componentes curriculares deste itinerário formativo. O fato de o componente curricular nem sempre ser ministrado pelo professor da licenciatura prioritária e, às vezes, nem por professores das licenciaturas alternativas, leva na concretude da realização do NEM paulista a uma não efetivação do aprofundamento curricular dos conteúdos relativos ao itinerário. Portanto, a escolha do estudante pode ser desvirtuada quando o professor direciona seu trabalho para os conhecimentos disciplinares que ele possui, como forma de garantir um bom desenvolvimento dos conteúdos, se distanciando daquilo que estava previsto. Isso coloca a questão de saber o que realmente está sendo trabalhado em cada componente curricular dos itinerários formativas, considerando a realidade das escolas e não o que está previsto no MAPPA. No primeiro semestre de 2022, 22,1% das aulas dos itinerários formativos não tinham sido atribuídas a nenhum professor; este percentual era 27,8% para as aulas do segundo semestre (Rede Escola Pública e Universidade, 2022). A reforma contribuiu para aprofundar a já conhecida falta de professores na rede paulista, numa proporção que levou a Seduc, com base na Indicação do Conselho Estadual de Educação n.º 213/2021 (São Paulo, 2021c) a contratar professores com licenciatura em pedagogia e estudantes de cursos de licenciatura para ministrar aulas dos componentes curriculares e do Inova Educação, conforme Resolução n.º 49/2022 (São Paulo, 2022b). Retrocedeu-se, desta forma, a uma situação vivenciada na rede nos anos 1980, quando houve forte expansão dos anos finais do Ensino Fundamental e Médio. Alunos sem 23 Caderno de campo da pesquisa. Arquivos Analíticos Políticas Educativas, Vol. 32, No. 22 16 aulas dos componentes curriculares dos itinerários formativos, conteúdos esparsos e distantes de uma formação científica e falta de materiais adequados ao desenvolvimento das aulas foram produzindo novas compreensões sobre a reforma pelas comunidades escolares, corroborando a ideia de que a reforma deveria ser revogada, conforme o movimento estudantil, sindical e acadêmico vinha sinalizando desde 2016. Ainda como forma de exemplificar a composição do currículo do estudante que escolhe o itinerário formativo Corpo, Saúde e Linguagens, a Tabela B6 (Apêndice B) mostra que no primeiro ano ele terá 30 aulas, no segundo, 20 e no terceiro 10, de disciplinas da base comum, formação geral básica. Inversamente, em relação à parte diversificada do currículo, os itinerários formativos (disciplinas do Inova Educação e os componentes curriculares), ela é composta por cinco aulas no primeiro, 15 no segundo e 25 no terceiro. Observa-se que, no terceiro ano, os estudantes terão aulas somente das seguintes disciplinas da base comum: língua portuguesa, língua inglesa, arte, matemática e educação física. Supondo que todos os componentes curriculares sejam ministrados por professores da licenciatura prioritária, os estudantes teriam conteúdos que dialogam diretamente com física, biologia e química em quatro componentes curriculares, ou seja, disciplinas da área de conhecimento que compõem o respectivo itinerário e que não têm aulas como parte da base comum. Como essa possibilidade é bastante remota, isso não aconteceu em nenhuma das seis escolas da pesquisa que têm Ensino Médio, no ano de 2023, e ao cursar este itinerário que envolve duas áreas de conhecimento, os estudantes terão perda de conteúdos em relação às disciplinas de ambas, podendo ter conteúdos mais afeitos a disciplinas de áreas que não compõem o itinerário. Isso acontece porque não há nenhuma garantia de que os componentes serão ministrados pelos professores da licenciatura prioritária e, mesmo trabalhando com o MAPPA, o que observamos na pesquisa é que o professor adequa os conteúdos de acordo com sua formação inicial. A pesquisa mostra que o aprofundamento curricular com base na escolha dos estudantes, dando a eles a oportunidade de adquirir conhecimentos afeitos a seus interesses imediatos e futuros, nos termos da proposta da Seduc, não tem ocorrido a contento. Em Nota Técnica da Rede Escola Pública e Universidade (2022) ficou demonstrado que, embora os estudantes possam indicar o itinerário que desejam estudar, como a escola deve ofertar distintos itinerários de acordo com o número de turmas de Ensino Médio, é comum os estudantes não cursarem a primeira opção, muitas vezes sequer a segunda ou a terceira, conforme verificado no questionário aplicado a estudantes do segundo ano do Ensino Médio das escolas da pesquisa, que escolheram o itinerário em 2022, e o estão cursando em 2023. Ao serem questionados se haviam escolhido o itinerário de preferência, 38% responderam que não; quando questionados se puderam cursar o itinerário escolhido, 47% responderam que não, ou seja, quase metade dos estudantes não está cursando o itinerário pelo qual havia optado; soma-se a isso o fato de que mesmo cursando o itinerário escolhido, os conteúdos trabalhados nos componentes curriculares podem se distanciar da disciplina da licenciatura prioritária quando ministrados por professor de áreas do conhecimento diversas daquela ou daquelas24 que compõem o itinerário, conforme indicado anteriormente As implicações da atribuição de aulas a professores não habilitados são o comprometimento da qualidade de ensino, bem como o desinteresse dos estudantes em frequentar uma escola incapaz de fornecer o conhecimento básico que estrutura e alicerça a formação dos jovens, como têm sido indicado pelos professores de todas as escolas da pesquisa e pelos estudantes quando dizem “itinerário formativo não é aula”25 ou quando informam que 24 Conforme indicado no Quadro B2 (Apêndice B), há itinerários vinculados a uma única área do conhecimento e itinerários vinculados a duas áreas do conhecimento, os quais são denominados itinerários formativos e aprofundamento curricular e itinerários formativos integrados, respectivamente (São Paulo, 2021b). 25 Registro do Caderno de Campo da pesquisa. O avesso da Reforma do Ensino Médio na Rede Estadual Paulista 17 vão faltar no dia seguinte porque a maioria das aulas é de itinerário formativo e eles precisam estudar e se preparar para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem)26. Ao serem questionados se pretendem realizar o Enem27, 70% dos estudantes responderam afirmativamente, contrariando a ideia de que os estudantes das escolas públicas não têm interesse em continuar os estudos em nível universitário. Os estudantes também indicaram que as disciplinas do Inova Educação contribuem pouco ou nada para sua formação. Em relação a estas disciplinas é importante destacar que elas são ministradas na rede estadual desde 2019 para os estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, portanto os estudantes que responderam ao questionário têm estas aulas desde o sétimo ano do Ensino Fundamental. O Projeto de Vida, eixo organizador do currículo, de acordo com a BNCC, foi considerado como de pouca ou nenhuma contribuição à formação por 27,4% e 39,6% dos respondentes, respectivamente. Também a maioria, 71,4%, mostra-se insatisfeita com os componentes curriculares dos itinerários. Diante destes problemas, aventados durante a escrita do projeto de pesquisa e confirmados nos primeiros meses da investigação e em consonância com a metodologia da pesquisa-ação foi proposta a elaboração de planos de ensino para os componentes curriculares dos itinerários formativos e as disciplinas do Inova Educação partindo da verificação dos conteúdos relativos às disciplinas da ou das áreas de conhecimento da base comum envolvidas em cada itinerário que os estudantes deixariam de aprender. Com isso, pretendia-se que os planos de ensino pudessem articular de forma mais consistente os conteúdos da base comum àqueles dos itinerários apresentados no MAPPA. Esta intervenção, realizada no segundo semestre de 2022, permitiu que no planejamento de 2023 os professores tivessem acesso a este material para orientar seus planos de aula, especialmente no que se refere ao conteúdo e objetivos de aprendizagem e de formação. Compreendendo o currículo como campo de disputa (Apple, 2006), a equipe de pesquisa considerou que a melhor forma de disputar uma concepção de educação e formação diversa daquela capitaneada pela reforma, visto que se as escolas não podiam se negar a realizar sua implementação na íntegra, era necessário construir uma proposta de conteúdos das diversas disciplinas fundamentais à formação dos estudantes para serem desenvolvidas nos componentes curriculares dos itinerários e ministrados por professores da licenciatura prioritária. O acompanhamento da implementação dos planos de ensino em 2023 mostrou vários limites, alguns que podem ser superados no marco da pesquisa e outros que estão além do campo de intervenção. Em algumas escolas houve significativa mudança no grupo de professores no início do ano letivo de 2023, dificultando a continuidade do trabalho e exigindo sua retomada junto aos professores novos. Somou-se a isso o fato de componentes curriculares serem atribuídos a professores com formação alheia à área de conhecimento, o que inviabiliza o desenvolvimento adequado dos planos de ensino. Para contornar este problema, os professores foram orientados a organizar conteúdos relativos à disciplina de formação, mas isso tinha como consequência o fato de que os estudantes tivessem aprofundamentos em áreas diversas da escolhida. Em relação aos problemas da alçada da pesquisa, o principal foi certa dificuldade na elaboração dos planos de ensino que, de modo geral, ficaram mais próximos da proposta do MAPPA, como indicaram professores de algumas escolas. Essa percepção levou a equipe a considerar a necessidade de uma ampla revisão dos planos, com base na experiência de aplicação no primeiro semestre de 2023 e numa análise de professores especialistas da universidade e de escolas públicas. Observa-se que a pesquisa-ação revelou dificuldades na organização, pelas equipes escolares, de conteúdos curriculares num contexto em que, desde 2007, com a implantação da Proposta Curricular do Estado de São Paulo para o Ensino Fundamental e para o 26 Relatos de gestores e professores registrados no Caderno de Campo da pesquisa. 27 O Enem é o principal processo seletivo para ingresso na educação superior pública e privada no Brasil. Arquivos Analíticos Políticas Educativas, Vol. 32, No. 22 18 Ensino Médio, as escolares recebem material curricular pronto e padronizado para estudantes e professores, colocando os docentes na condição de aplicadores do currículo prescrito (Perrella et al., 2022). Mesmo compreendo o currículo como práxis (Sacristán, 2000), portanto, nunca é apenas o prescrito nos manuais, a pesquisa elucidou que a escola pública estadual vem perdendo sua capacidade ativa e propositiva em relação ao currículo, como efeito de três décadas de políticas educacionais que retiraram progressivamente sua capacidade de produção teórico-prática centralizando as políticas curriculares (Carneiro et al., 2022). Como disse a diretora de uma das escolas, “esta é a primeira vez que estamos discutindo de fato o currículo, o que ensinar”28. Considerações Finais A pesquisa que subsidiou a escrita deste artigo foi pensada em 2021, quando a rede estadual paulista iniciava a implementação da reforma do Ensino Médio aos estudantes do primeiro ano, considerando as disciplinas do Programa Inova Educação (Projeto de Vida, Eletivas e Tecnologia), como a parte diversificada do novo currículo. As análises produzidas por acadêmicos, sob diversos aspectos, consideravam que a reforma não traria um Ensino Médio de melhor qualidade e mais atrativo aos estudantes, conforme preconizavam os reformadores. Do ponto de vista das escolas que participaram da elaboração do projeto, havia preocupação acerca de como implementar o NEM minimizando os danos à formação dos estudantes, conforme a literatura apontava, e que a proposta da Seduc indicava ao fragmentar os conteúdos disciplinares em centenas de componentes curriculares, apoiado em material, o MAPPA, cujas atividades, embora tenham o mérito de assumir a pesquisa como aspecto central do desenvolvimento do processo de ensino e de aprendizagem, não fornece aos estudantes e professores conteúdos e conceitos que são fundamentais para uma aprendizagem orientada pelo conhecimento científico, reforçando o risco do senso comum. A ideia de uma pesquisa-ação buscava responder ao desafio que estas escolas teriam para reorganizar a dispersão causada por centenas de componentes curriculares numa proposta que articulasse os conteúdos das disciplinas da base comum com os componentes curriculares dos itinerários formativos, de forma que pudessem fazer sentido aos estudantes e professores e favorecessem uma formação orientada pelo conhecimento científico, organizado em conteúdos escolares. A realização da primeira etapa da pesquisa permitiu compreender a proposta da Seduc de forma aprofundada e concluir que, se mantida, precarizará a formação dos estudantes de forma mais intensa do que fora anunciado na literatura e imaginada pelos pesquisadores porque, além de uma concepção de Ensino Médio que retira desta etapa do ensino a função de aprofundamento dos conhecimentos científicos-tecnológicos como fundamentos da compreensão da produção social nas várias dimensões, é inviável do ponto de vista prático, conforme os dados e análises indicam. Frente aos inúmeros problemas, o atual secretário de educação, Renato Feder, anunciou mudanças para o ano de 2024, com diminuição de itinerários formativos e incentivo para que os estudantes escolham itinerários técnico profissional, num direcionamento dos estudantes à terminalidade dos estudos ao final do Ensino Médio. Embora os planos de ensino da pesquisa para os componentes curriculares e para as disciplinas do Inova Educação tenham contribuído para os professores organizarem as aulas dos componentes curriculares de forma mais articulada às disciplinas da base comum, inclusive retomando conteúdos que deixaram de ser trabalhados por causa da diminuição das aulas destas disciplinas, o processo ainda é bastante desigual entre as escolas e os professores. Isso ocorre por um lado porque a apropriação da proposta e sua materialização demandam um tempo maior e, por outro, porque os planos precisam ser reelaborados para que cumpram o objetivo pretendido. 28 Registro do Caderno de Campo da pesquisa. O avesso da Reforma do Ensino Médio na Rede Estadual Paulista 19 A diminuição das horas das disciplinas da base comum para o máximo de 1.800, conforme previsto na Lei n.º 13.415/2017, provocou uma diversificação na formação dos estudantes que começa a ser percebida por eles como indesejável, pois, quando escolheram os itinerários, não lhes estava claro que a opção os levaria a não ter aulas de determinadas disciplinas da base comum no segundo e terceiro anos. Isso tem incomodado bastante os estudantes e seus familiares, especialmente aqueles que pretende prestar o Enem e tentar ingressar na educação superior. Ao completar o terceiro ano de implementação do NEM na rede estadual paulista em 2023, muitos sinais são observados de que as promessas embutidas nas propagandas governamentais da reforma não estão se concretizando e que as comunidades escolares estão cada vez mais conscientes do significado da reforma nas suas vidas. Diante da imposição de implementação da reforma, a pesquisa propiciou às escolas a possibilidade de subverter a proposta da Seduc nos limites de sua autonomia. Ao reorganizar um conjunto de conteúdos que deixariam de ser ministrados, por causa da diminuição das aulas das disciplinas da base comum, nos componentes curriculares dos itinerários formativos por meio da elaboração de planos de ensino, embora elas tenham implementado a reforma, a fizeram de forma distinta daquela que ocorreu no conjunto das escolas da rede. Referências Alencar, F. W. F. de. (2023). Escola pública entre ditames e resistências: Inova Educação na Rede Estadual Paulista. [Dissertação de Mestrado]. FEUSP. Antunes, R. (2018). O privilégio da servidão: O novo proletariado de serviços na era digital. Boitempo. Apple, M. W. (2006). Ideologia e currículo (3. ed.). Artmed. Barbier, R. (2007). A pesquisa-ação. Liber Livro. Bourdieu, P. (1998). Pierre Bourdieu: Escritos de educação (Orgs. M. A. Nogueira & A. Catani). 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Professora de graduação e pós-graduação.Pesquisa políticas educacionais e gestão escolar. Isaac Oliveira Moutinho Junior Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, Brasil isaac52moutinho@gmail.com ORCID: 0000-0002-2011-8941 Licenciado em Matemática e Pedagogia. Diretor Escolar na Educação Básica. Weverson Marques de Andrade Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, Brasil weverson@prof.educacao.sp.gov.br ORCID: 0000-0002-7186-416X Mestre em Ciências da Religião. Vice Diretor Escolar na Educação Básica Ozani Martiniano de Souza Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, Brasil ozanilidia@gmail.com ORCID: 0000-0001-8446-9479 Doutora em Educação. Diretora Escolar na Educação Básica Jnaína Paulieli Lavado Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, Brasil janalavado@gmail.comORCID: 0009-0002-7422-5862 Licenciada em Língua Portuguesa, Língua Espanhola e Pedagogia. Diretora Escolar na Educação Básica. arquivos analíticos de políticas educativas Volume 32 Número 22 16 de abril 2024 ISSN 1068-2341 Este artigo pode ser copiado, exibido, distribuido e adaptado, desde que o(s) autor(es) e Arquivos Analíticos de Políticas Educativas sejam creditados e a autoría original atribuídos, as alterações sejam identificadas e a mesma licença CC se aplique à obra derivada. Mais detalhes sobre a licença Creative Commons podem ser encontrados em https://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0/. Arquivos Analíticos de Políticas Educativas é publicado pela Mary Lou Fulton Teachers College, Arizona State University. Os artigos que aparecem na AAPE são indexados em CIRC (Clasificación Integrada de Revistas Científicas, España) DIALNET (España), Directory of Open Access Journals, EBSCO mailto:janalavado@gmail.com https://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0/ http://www.doaj.org/ O avesso da Reforma do Ensino Médio na Rede Estadual Paulista 23 Education Research Complete, ERIC, Education Full Text (H.W. Wilson), PubMed, QUALIS A1 (Brazil), Redalyc, SCImago Journal Rank, SCOPUS, SOCOLAR (China). Sobre o Conselho Editorial: https://epaa.asu.edu/index.php/epaa/about/editorialTeam Para erros e sugestões, entre em contato com Fischman@asu.edu https://epaa.asu.edu/index.php/epaa/about/editorialTeam Arquivos Analíticos Políticas Educativas, Vol. 32, No. 22 24 Apêndice A Table A1 Organização dos Itinerários Formativos na Rede Estadual Paulista Área de conhecimento Itinerário formativo Ano Unidades Curriculares Componentes Curriculares Licenciatura Prioritária Licenciatura Alternativa Linguagens e suas tecnologias #Seliganamídia 2° ano UC1: Tá na mídia, tá no mundo! Laboratório de produção jornalística Língua Portuguesa Língua Inglesa, Espanhola ou Arte Observatório da imprensa internacional Língua Inglesa Língua Portuguesa ou Arte Jornalismo e inclusão nos esportes: práticas e experimentações Educação Física Não há outra habilitação Criação & comunicação publicitária Arte Língua Portuguesa ou Língua Inglesa UC2: Mundo além das palavras Crítica e literatura em ação Língua Portuguesa Língua Inglesa, Espanhola ou Arte Clube de estudos e representações culturais Língua Inglesa Língua Portuguesa ou Arte Luta como prática cultural Educação Física Não há outra habilitação A estética do corpo Arte Língua portuguesa ou Língua Inglesa 3° ano UC3: Protagonismo na ponta dos dedos Jovens escritores na rede Língua Portuguesa Língua Inglesa, Espanhola ou Arte Observatório de redes sociais Língua Inglesa Língua Portuguesa ou Arte Esportes radicais nas redes sociais Educação Física Não há outra habilitação Experimentações fotográficas Arte Língua portuguesa ou Língua Inglesa UC4: Linguagens câmera e ação! Adaptações literárias na rede Língua Portuguesa Língua Inglesa, Espanhola ou Arte Narrativas nos jogos eletrônicos Língua Inglesa Língua Portuguesa ou Arte O avesso da Reforma do Ensino Médio na Rede Estadual Paulista 25 Área de conhecimento Itinerário formativo Ano Unidades Curriculares Componentes Curriculares Licenciatura Prioritária Licenciatura Alternativa Prática corporal no universo audiovisual Educação Física Não há outra habilitação Projeto cinematográfico Arte Língua portuguesa ou Língua Inglesa UC5: Comprar ou não comprar, eis a questão Observatório de marketing Língua Portuguesa Língua Inglesa, Espanhola ou Arte Cultura de consumo Língua Inglesa Língua Portuguesa ou Arte Marketing esportivo Educação Física Não há outra habilitação Efeitos, trilhas e estratégias sonoras Arte Língua portuguesa ou Língua Inglesa UC6: #seliganavisão Oficina de textos: perfis pessoais e profissionais Língua Portuguesa Língua Inglesa, Espanhola ou Arte Workshop de práticas bilíngues Língua Inglesa Língua Portuguesa ou Arte Lazer, esporte & trabalho Educação Física Não há outra habilitação Criatividade empreendedora Arte Língua portuguesa ou Língua Inglesa Matemática e suas tecnologias Matemática Conectada 2° ano UC1: Educação financeira sustentável Educação Financeira em conexão Matemática Física Conexão Empreendedora Matemática Física Fenômenos físicos e interpretação de gráficos física Matemática A influência da mídia no consumo dos jovens Arte Matemática UC2: Jogos: da estratégia à criação Conexões lógicas: eu e o mundo Matemática Física Geometria dinâmica Matemática Física Universo elétrico no mundo dos jogos física Matemática Design de games Arte Matemática UC3: Certeza e incerteza: para que serve a probabilidade Tendências e decisões Matemática Física Determinismo e as surpresas do mundo Quântico física Física Estudos de demografia Geografia História UC4: De olho na geometria Geometria: diferentes olhares Matemática Física Geometria e Equilíbrio física Matemática Arquivos Analíticos Políticas Educativas, Vol. 32, No. 22 26 Área de conhecimento Itinerário formativo Ano Unidades Curriculares Componentes Curriculares Licenciatura Prioritária Licenciatura Alternativa Geometria criativa Arte Matemática 3° ano UC5: Conexão matemática na natureza e na arte As ciências em conexão Matemática Física Nas ondas da ciência física Matemática A música e a matemática Arte Matemática UC6:Eu jovem a caminho do trabalho Resolução de problemas em conexão Matemática Física Otimizando a rota física Matemática Atualidades Geografia Sociologia Ciências Humanas e Sociais Aplicadas Liderança e cidadania 2° ano UC1: Cidadania local e global Eu e os outros Filosofia Sociologia ou Língua Portuguesa A vida em sociedade: convivência democrática e justiça social Língua Portuguesa Filosofia ou História Sonhando o Brasil: um projeto original de desenvolvimento História Sociologia ou Geografia Cidadania Regional Geografia Sociologia ou História Cidadania Global Sociologia Filosofia ou Língua Portuguesa UC2: Mídias e comunicação Imprensa, Jornalismo e Democracia História Sociologia Comunicação e tecnologia da informação Geografia História ou Sociologia Informação e Desinformação Língua Portuguesa Sociologia ou Filosofia Cidadania digital Filosofia Sociologia ou História Ativismo Digital Sociologia História ou Geografia 3° ano UC3: Direito e acesso à justiça Entre o direito e a justiça Filosofia Sociologia ou História Desbravando a constituição História Sociologia ou filosofia Conhecendo os meus direitos Sociologia Filosofia, História ou Geografia Acesso à Justiça Língua Portuguesa Filosofia ou História Direitos em pauta Geografia Sociologia ou História UC4: Inovação e coletividade Integração do indivíduo na sociedade Sociologia Geografia ou História Inovação e a sociedade Filosofia sociologia, Geografia ou História Inovação e a era digital Geografia Sociologia ou Filosofia O avesso da Reforma do Ensino Médio na Rede Estadual Paulista 27 Área de conhecimento Itinerário formativo Ano Unidades Curriculares Componentes Curriculares Licenciatura Prioritária Licenciatura Alternativa Inovação e o mundo do trabalho História Sociologia ou Filosofia Desafios do nosso tempo: soluções no presente para o futuro Língua Portuguesa Sociologia ou História UC5: Políticas públicas Políticas públicas no Brasil História Sociologia Diversidade e Ações Afirmativas Sociologia História ou Filosofia Desenvolvimento Sustentável Geografia Língua Portuguesa ou Sociologia Juventude e Políticas públicas Filosofia Sociologia ou História Desenhando Políticas públicas Língua Portuguesa Sociologia ou Filosofia UC6: Participação e mobilização social Construindo a participação ativa Sociologia Filosofia ou Língua Portuguesa Redes de Mobilização Geografia Língua Portuguesa ou Sociologia Conflitos sociais e socioambientais História Sociologia Equidade e transformação Filosofia Sociologia ou História Empreendedorismo social Língua Portuguesa Sociologia ou Filosofia Ciências da Natureza e suas Tecnologias Ciência em ação! 2° ano UC1: Projeto casa sustentável Hábitos sustentáveis Biologia Química Eficiência energética Física Química Construção sustentável Matemática Física Recursos e sustentabilidade Química Química UC2: Projeto vida ao extremo Vida nos extremos Biologia Biologia Rumo ao espaço Física Matemática Medidas para a existência Matemática Física Do micro ao macro Química Química UC3: Tecnologia da inclusão Design para a inclusão Arte Arte Características adquiridas e hereditárias Biologia Biologia 3° ano Biomecânica Física Matemática Materiais inovadores Química Física UC4: Comunicação, saúde e bem-estar Sistemas endócrino e nervoso: respostas e dependência Biologia Educação Física Arquivos Analíticos Políticas Educativas, Vol. 32, No. 22 28 Área de conhecimento Itinerário formativo Ano Unidades Curriculares Componentes Curriculares Licenciatura Prioritária Licenciatura Alternativa Interpretando sinais do corpo Educação Física não há outra habilitação Tecnologia e Saúde Física Química Interação de substâncias no organismo Química Biologia UC5: Tecnologia agropecuária Comunicação e linguagem Arte Arte Manipulação dos genes Biologia Química As tecnologias por dentro das máquinas Física Química Compostos agrícolas Química Biologia UC6: Projeto economia circular Cidades sustentáveis Biologia Química Aventura e Consciência Ecológica Educação Física não há outra habilitação Aprimoramento de Resíduos eletrônicos Física Química Produtos e processos de baixo impacto Química Química Ciências Humanas e Ciências da Natureza A cultura do solo: do campo à cidade 2° ano UC1: O indivíduo e o ambiente Do solo à célula Biologia Biologia Transformação de matéria e energia Física Química Das rochas ao solo, entenda essa transformação Geografia Geografia Transformação do solo Química Química Aspectos socioculturais da alimentação Sociologia Geografia UC2: Ação humana e suas consequências Fauna e qualidade do solo Biologia Biologia Fenômenos ondulatórios Física Física Estudo e conservação dos solos Geografia Geografia Processos químicos e fertilidade do solo Química Química Sociedade e desenvolvimento territorial Sociologia Geografia 3° ano UC3: Tecnologia e sustentabilidade Monitoramento de espécies Biologia Biologia Tecnologias de mapeamento da biodiversidade Física Matemática Sistemas de informações geográficos Geografia Geografia Comunicação digital Língua inglesa Língua portuguesa Tecnologias sustentáveis Química Química UC4: Mundos que se conectam Conhecimento global e fronteiras nas ciências Filosofia Sociologia ou História Territórios, territorialidades e fronteiras culturais História Sociologia ou Filosofia Etnicidade e território Sociologia Filosofia ou História Manipulação dos genes Biologia Química O avesso da Reforma do Ensino Médio na Rede Estadual Paulista 29 Área de conhecimento Itinerário formativo Ano Unidades Curriculares Componentes Curriculares Licenciatura Prioritária Licenciatura Alternativa UC5: Tecnologia agro: rural e urbana Máquinas e suas tecnologias Física Física Questões agrárias brasileiras Geografia História Alimentação sustentável Língua inglesa Língua portuguesa Compostos agrícolas Química Biologia UC6: Produção em contexto global Sociabilidade, liberdade e igualdade Filosofia História ou Sociologia Modos de vida: hábitos culturais e o uso dos recursos naturais História Sociologia ou Filosofia Trabalho e economia Sociologia Filosofia ou História Ciências da Natureza e Matemática Meu papel no desenvolvimento sustentável 2° ano UC1: Água e energia Zoonoses tropicais Biologia Biologia Energias limpas Física Química Estatística na saúde pública e meio ambiente Matemática Física Água: solvente universal Química Química UC2: Projeto casa sustentável Hábitos sustentáveis Biologia Química Eficiência energética Física Química Construção sustentável Matemática Física Recursos e sustentabilidade Química Química UC3: Cidades e comunidades sustentáveis Biodiversidade e qualidade de vida Biologia Biologia Luz e tecnologia Física Química 3° ano Funções: consumo e preservação do meio Matemática Física Tecnologia e ambiente Química Física UC4: Consumo e Produção Responsáveis Mineração e resíduos eletrônicos Biologia Química Movimento mecânico de máquinas simples Física Matemática Cálculo na otimização de resultados Matemática física Pegada ecológica Química Biologia UC5: Climatologia Mudanças climáticas x Biodiversidade Biologia Química Estações Meteorológicas Física Química Probabilidade e meteorologia Matemática física Alterações atmosféricas Química Química UC6: Geolocalização e mobilidade Monitoramento de espécies Biologia Biologia Movimento geoestacionário Física Matemática Georreferenciamento: Geometria na cartografia Matemática Física Tecnologias sustentáveis Química Química Arquivos Analíticos Políticas Educativas, Vol. 32, No. 22 30 Área de conhecimento Itinerário formativo Ano Unidades Curriculares Componentes Curriculares Licenciatura Prioritária Licenciatura Alternativa Ciências Humanas e Linguagens Cultura em movimento: diferentes formas de narrar a experiência humana 2° ano UC1: Tradições e heranças culturais Tradições culturais Arte Língua Portuguesa, Língua Inglesa ou História Práticas corporais de lutas: heranças culturais Educação Física não há outra habilitação Ressignificando a formação do povo brasileiro História Geografia ou Sociologia Diálogos com a Literatura: a cultura em contexto Língua Portuguesa Língua inglesa, Língua Espanhola ou Arte A cultura e seus sentidos Filosofia Sociologia ou História UC2: A tecnologia nas narrativas das relações sociais Cinema-(transform)ação Arte Língua Portuguesa, língua inglesa ou História Cultura digital e atividade física Educação Física não há outra habilitação "Nós, robôs": as relações socioculturais e de trabalho no mundo digital História Sociologia ou Filosofia Relações sociais e tecnológicas: a Literatura em evolução Língua Portuguesa Língua Inglesa, Língua Espanhola ou História Tecnologia, comunicação e cultura Filosofia Sociologia ou História 3° ano UC3: Compromissos com o patrimônio cultural e ambiental Cartografia social e afetiva Geografia História Preservação e conservação do patrimônio material e imaterial Arte Língua Portuguesa, língua inglesa ou História Esportes radicais: trilhas e "tribos" Educação Física Não há outra habilitação Processos de assimilação e aculturação Sociologia Sociologia ou História UC4: Representações da humanidade: teorias e práticas Oralidade e produção escrita: as representações do eu Língua Portuguesa Língua Inglesa, Língua Espanhola ou Filosofia Núcleo de estudos: mídia hegemônica Língua Inglesa Língua Portuguesa ou Filosofia Narrativas transmídias: construindo culturas História Sociologia ou Filosofia O avesso da Reforma do Ensino Médio na Rede Estadual Paulista 31 Área de conhecimento Itinerário formativo Ano Unidades Curriculares Componentes Curriculares Licenciatura Prioritária Licenciatura Alternativa Cidadania e justiça Filosofia Sociologia ou História UC5: Práticas corporais: o corpo em evidência Núcleo de estudos: estigmas e representações do corpo na Literatura Língua Portuguesa Língua Inglesa, Língua Espanhola ou Arte Corpo como expressão Arte Língua Portuguesa, língua inglesa ou História Práticas corporais e culturais juvenis Educação Física Não há outra habilitação O corpo e o padrão social Sociologia Filosofia ou História UC6: O direito a ter direitos: velhas disputas e novos olhares Mundo contemporâneo e as suas vulnerabilidades Geografia Sociologia Grupo de pesquisa do pluralismo cultural Língua Inglesa Língua Portuguesa, História ou Sociologia Direitos que transformam: diferenças e semelhantes nas formas de estar no mundo História Geografia Diálogos acerca dos Direitos Humanos Filosofia Sociologia ou História Ciências Humanas e Matemática #Quem_divide_multi plica 2° ano UC1: Números também importam População em índices Matemática Física Reflexões sobre o poder: do contrato social à redes Filosofia História ou Sociologia Demografia: investigação das populações humanas Geografia Sociologia ou História Trabalho, política e pensamento econômico História Filosofia ou Sociologia Mudanças sociais, demografia e trabalho Sociologia Geografia UC2: De olho na informação Os números por trás da informação Matemática Física Razão e sociedade Filosofia História ou Sociologia Representações do espaço geográfico Geografia História O conhecimento humano e sua aplicabilidade História Sociologia ou Filosofia Sociedade e conhecimento Sociologia História ou Filosofia 3° ano UC3: Números também empoderam Comunidade e números: simples e imparcial Matemática Física Tópicos de cidadania Filosofia Sociologia ou História Cidadania: promoção e proteção de direitos História Filosofia ou Sociologia Histórias contadas por imagens Arte Filosofia ou História UC4: Números também são cultura! Números nas diferentes culturas Matemática Física Diferentes percepções do clima Geografia Sociologia ou História Cultura, simbolismo e clima Sociologia História ou Filosofia Arquivos Analíticos Políticas Educativas, Vol. 32, No. 22 32 Área de conhecimento Itinerário formativo Ano Unidades Curriculares Componentes Curriculares Licenciatura Prioritária Licenciatura Alternativa UC5: Consumo, logo existo... Eu consumidor Matemática Física Pensamento, política e trabalho Filosofia História ou Sociologia Cultura e Trabalho História Filosofia ou Sociologia Comunicação visual - Influência da mídia Arte História ou Filosofia UC6: Indicadores sociais: o que isso muda minha vida? O impacto de indicadores em seu projeto de vida Matemática Física Leitura e interpretação de dados socioeconômicos Geografia Sociologia Cidadania e as políticas públicas na desigualdade Sociologia História ou Filosofia Ciências da Natureza e Linguagens Corpo, Saúde e Linguagens 2° ano UC1: Corpos em movimento: cultura e ciência Expressões artísticas: corpo em movimento Arte Língua Portuguesa, Língua Inglesa ou Educação Fisiologia do movimento Biologia Educação Física Conservação do movimento Física Matemática Construção da personagem: corpo e emoção Língua Portuguesa Arte, Língua Inglesa ou Língua Espanhola Equilíbrio e movimento Química Química UC2: Tecnologia e qualidade de vida Design na qualidade de vida Arte Língua Portuguesa, Língua Inglesa ou Educação Características adquiridas ou hereditárias Biologia Biologia Dinâmica e Equilíbrio Física Matemática Oficina de produção textual: textos de divulgação científica Língua Portuguesa Arte, Língua Inglesa ou Língua Espanhola Materiais inovadores Química Física 3° ano UC3: A produção de energia na prática corporal Metabolismo: do alimento à energia Biologia Educação Física Laboratório de fisiologia do exercício Educação Física não há outra habilitação Energia e movimento Física Química Bioquímica dos alimentos Química Biologia UC4: O corpo que fala: expressão e (pre)conceitos Um olhar sobre o corpo: ontem e hoje Arte Língua Portuguesa, Língua Inglesa ou Educação O corpo no mundo globalizado Língua Inglesa Língua Portuguesa ou Arte O avesso da Reforma do Ensino Médio na Rede Estadual Paulista 33 Área de conhecimento Itinerário formativo Ano Unidades Curriculares Componentes Curriculares Licenciatura Prioritária Licenciatura Alternativa Cultura, corpo e Literatura Língua Portuguesa Arte, Língua Inglesa ou Língua Espanhola UC5: As dinâmicas do corpo: saúde e movimento Movimento, ciência e saúde Biologia Educação Física Práticas corporais: beleza ou saúde? Educação Física não há outra habilitação Hidrodinâmica e Alavancas Física Matemática Esporte e doping Química Biologia UC6: O corpo na mídia e suas múltiplas representações A cultura do corpo na mídia Arte Língua Portuguesa ou Língua Inglesa Beleza e mídia Língua Inglesa Língua Portuguesa ou Arte Representações do corpo na mídia Língua Portuguesa Arte, Língua Inglesa ou Língua Espanhola Linguagens e Matemática Start! Hora do desafio! 2° ano Como se tornar um resolvedor de problemas? Oficina de produções textuais Língua Portuguesa Língua Inglesa ou Língua Espanhola Desafios Musicais Arte Língua Portuguesa ou Língua Inglesa Workshop de técnicas de comunicação Língua Inglesa Língua Portuguesa ou Arte Dos jogos de tabuleiro ao RPG Educação Física qualquer licenciatura/habilitaçã o Pensamento e resolução de situações problemas Matemática Física Com quantas estratégias chegamos a uma solução? Clube de Jovens Leitores Língua Portuguesa Língua Inglesa ou Língua Espanhola Clube da imagem Arte Língua Portuguesa ou Língua Inglesa Clube de Quadrinhos Língua Inglesa Língua Portuguesa ou Arte Clube de e Sports e Jogos Digitais Educação Física não há outra habilitação Clube de exatas: resolução de problemas Matemática Física Arquivos Analíticos Políticas Educativas, Vol. 32, No. 22 34 Área de conhecimento Itinerário formativo Ano Unidades Curriculares Componentes Curriculares Licenciatura Prioritária Licenciatura Alternativa 3° ano Como se tornar um consumidor mais consciente? Texto e consumo Língua Portuguesa Língua Portuguesa ou Língua Espanhola Estética e criatividade na comunicação publicitária Arte Língua Portuguesa ou Língua Inglesa Práticas Corporais: Autoimagem e Consumo Educação Física não há outra habilitação A relação entre números e mídia: dados e escolhas Matemática Física Meio ambiente em documentário: o que você não viu? Oficina de criação de documentários Língua Portuguesa Língua Inglesa ou Língua Espanhola Núcleo de pesquisas em "produtos verdes" Língua Inglesa Língua Portuguesa ou Arte Práticas de pesquisa aplicadas ao meio ambiente Matemática Física Quem define o que é belo? A poesia do repente e do Slam Língua Portuguesa Língua Inglesa, Língua Espanhola ou Arte A beleza em movimento Arte Língua Portuguesa, Língua Inglesa ou Matemática A estética dos movimentos ginásticos Educação Física não há outra habilitação Números e padrões da beleza Matemática Física Eureka! Rumo a novos desafios! Comunicação nas mídias digitais Língua Portuguesa Língua Inglesa, Língua Espanhola ou Arte Proficiência e desafios na vida pessoal e pública Língua Inglesa Língua Portuguesa ou Arte Núcleo de estudos: resolução de problemas Matemática Física Ciências Humanas e Sociais Aplicadas Superar desafios é de humanas 2° ano UC1: No mundo tudo está interligado Ciência, tecnologia e ética Filosofia Sociologia ou História As transformações do espaço geográficos e sociedade Geografia História ou Sociologia As narrativas históricas e sua produção material e imaterial História Sociologia ou Geografia Cultura e Sociedade Sociologia Filosofia, Geografia ou História O avesso da Reforma do Ensino Médio na Rede Estadual Paulista 35 Área de conhecimento Itinerário formativo Ano Unidades Curriculares Componentes Curriculares Licenciatura Prioritária Licenciatura Alternativa Oficina de Produção textual e oralidade Língua Portuguesa Língua Inglesa, Língua Espanhola ou Sociologia UC2: Pessoal e coletivo: repense suas atitudes Pensamento político e democracia Filosofia História ou Sociologia População em movimento Geografia Sociologia ou História Eu e o outro: culturas no plural História Sociologia ou Geografia Diferenças e desigualdades na contemporaneidade Sociologia Filosofia ou História Oficina de criação midiática: veículos de comunicação e expressão Língua Portuguesa Sociologia ou História 3° ano UC3: em que mundo vivemos? Estética da vida Filosofia Sociologia ou História Construindo cidades sustentáveis Geografia História ou Sociologia Os desafios da convivência História Geografia ou Filosofia Globalização e mudanças sociais Sociologia Filosofia, Geografia ou História Observatório; imprensa global Língua Inglesa História ou Geografia UC4: Atitudes sustentáveis: qual é a pegada? Liberdade, determinismo e responsabilidade Filosofia Sociologia ou Geografia Educação para a redução de riscos e desastres Geografia História ou Sociologia Povos tradicionais seus sentidos e significados História Sociologia ou Geografia Sociedade e meio ambiente Sociologia Filosofia ou Geografia Laboratório de produção jornalística: divulgando sua pegada Língua Portuguesa Língua Inglesa, Língua espanhola ou Sociologia UC5: O direito a ter direitos Ética e democracia Filosofia Sociologia ou História Políticas públicas e direitos humanos Geografia Sociologia ou História Liberdade e Igualdade: narrativas e cidadania História Sociologia ou Filosofia Direitos Humanos e Cultura de Paz Sociologia Filosofia ou História Clube dos Direitos digitais Língua Inglesa Filosofia ou Sociologia UC6: Cenários, pontes e trilhas Trabalho e vida Filosofia Sociologia ou História Mapeando o mundo Geografia História ou Sociologia Arquivos Analíticos Políticas Educativas, Vol. 32, No. 22 36 Área de conhecimento Itinerário formativo Ano Unidades Curriculares Componentes Curriculares Licenciatura Prioritária Licenciatura Alternativa Muros e pontes: sociedade, tecnologia e informação História Filosofia ou Sociologia Juventude, economia e trabalho Sociologia Filosofia, Geografia ou História Oficina poética: do repente ao Slam Língua Portuguesa Língua Inglesa ou língua espanhola Fonte: Elaborado pelos autores com base Matriz curricular do ensino médio para atribuição de aulas da 1ª e 2ª séries em 2022 e 3ª série em 2023 (São Paulo, 2019). O avesso da Reforma do Ensino Médio na Rede Estadual Paulista 37 Apêndice B Tabela B1 Dados das Escolas que Participam da Pesquisa - 2023 Escola Nº de estudantes Nº de professores Equipe gestora Tempo de funcionamento Etapa atendida Localização 1 988 55 5 Parcial - manhã e tarde EF e EM Guarulhos 2 897 44 6 Parcial - manhã, tarde e noite EF e EM Taboão da Serra 3 1733 77 6 Parcial - manhã, tarde e noite EF e EM Zona Leste da cidade de São Paulo 4 900 50 5 Parcial - manhã e tarde EF e EM Embu das Artes 5 280 14 2 Parcial - manhã e tarde EF e EM Zona Oeste da cidade de São Paulo 6 675 39 5 Integral de 2 turnos (das 7 às 14h e das 14h15 às 21h15) EF e EM Itapecerica da Serra 7 1.016 72 6 Parcial - manhã e tarde EF e EM Guarulhos Total 6.489 351 35 Fonte: Elaboração própria, com base nos dados coletados na documentação das escolas. Observação: Para preservar a identidade das escolas, elas foram nomeadas por números. Arquivos Analíticos Políticas Educativas, Vol. 32, No. 22 38 Tabela B2 Matriz Curricular - Seduc ENSINO MÉDIO DIURNO ÁREAS DE CONHECIMENT O COMPONENTES CURRICULARES AULAS SEMANAIS TOTAL AULAS ANUAI S TOTAL HORAS ANUAI S 1ª séri e 2ª séri e 3ª séri e FORMAÇÃ O GERAL BÁSICA LINGUAGENS E SUAS TECNOLOGIAS LÍNGUA PORTUGUESA 5 3 2 400 300 ARTE 2 0 2 160 120 EDUCAÇÃO FÍSICA 2 0 2 160 120 LÍNGUA INGLESA 2 0 2 160 120 MATEMÁTICA E SUAS TECNOLOGIAS MATEMÁTICA 5 3 2 400 300 CIÊNCIAS DA NATUREZA E SUAS TECNOLOGIAS BIOLOGIA 2 2 0 160 120 FÍSICA 2 2 0 160 120 QUÍMICA 2 2 0 160 120 CIÊNCIAS DA NATUREZA E SUAS TECNOLOGIAS FILOSOFIA 2 2 0 160 120 GEOGRAFIA 2 2 0 160 120 HISTÓRIA 2 2 0 160 120 SOCIOLOGIA 2 2 0 160 120 TOTAL FORMAÇÃO GERAL BÁSICA 30 20 10 2400 1800 ITINERÁRIO FORMATIVO PROJETO DE VIDA 2 1 2 200 150 TECNOLOGIA E INOVAÇÃO 1 1 1 120 90 ELETIVAS 2 0 2 160 120 LÍNGUA INGLESA 0 2 0 80 60 EDUCAÇÃO FÍSICA 0 1 0 40 30 APROFUNDAMENT O CURRICULAR* 0 10 20 1200 900 TOTAL ITINERÁTIO FORMATIVO PRESENCIAL DENTRO DO TURNO 5 15 25 1800 1350 TOTAL GERAL AULAS SEMANAIS 35 35 35 TOTAL GERAL AULAS ANUAIS 1400 1400 1400 4200 TOTAL GERAL HORAS ANUAIS 1050 1050 1050 3150 Fonte: Matrizes Curriculares da Seduc-SP de 2019 a 2023 (São Paulo, 2021a). O avesso da Reforma do Ensino Médio na Rede Estadual Paulista 39 Tabela B3 Novo Ensino Médio Diurno - Escola de Tempo Parcial – Rede Estadual Paulista Ano do EM Total de horas da formação geral básica Total de horas dos Itinerários formativos Unidades Curriculares ofertadas Ano de implementação Aprofundamento Inova Educação 1º 900 0 150 0 2020/2021 2º 600 300 150 UC1 e UC2 2022 3º 300 600 150 UC3, UC4, UC5 e UC6 2023 Total 1800 900 450 Fonte: Elaboração própria com base na Matrizes Curriculares da Seduc-SP de 2019 a 2023 (São Paulo, 2021a). Tabela B4 Novo Ensino Médio Noturno - Escola de Tempo Parcial – Rede Estadual Paulista Ano do EM Total de horas da formação geral básica Total de horas dos Itinerários formativos com Expansão Educação Física Unidades Curriculares ofertadas Ano de Implementação Aprofundamento *Inova Educação 1º 900 0 90 ------- -------- 2020/2021 2º 600 510 90 **30 UC1 e UC2 2022 3º 300 690 90 --------- UC3, UC4, UC5 e UC6 2023 Total 1800 900 270 30 Fonte: Autores com base nas Matrizes Curriculares da Seduc-SP de 2019 a 2023 (São Paulo, 2021a). *Inova Educação ministrada no contraturno. ** Ministrada no contraturno se formar turma. Tabela B5 Novo Ensino Médio – Programa de Ensino Integral - 7 horas – Rede Estadual Paulista Ano do EM Total de horas da formação geral básica Total de horas dos Itinerários formativos Unidades Curriculares ofertadas Ano de implementação Aprofundamento Inova Educação 1º 900 0 240 0 2020/2021 2º 600 300 240 UC1 e UC2 2022 3º 300 600 240 UC3, UC4, UC5 e UC6 2023 Total 1800 900 720 Fonte: Autores com base na Matrizes Curriculares da Seduc-SP de 2019 a 2023 (São Paulo, 2021a). Arquivos Analíticos Políticas Educativas, Vol. 32, No. 22 40 Tabela B6 Quantidade de Unidades e Componentes Curriculares dos Itinerários Formativos das Áreas de Conhecimento da Base Comum Área do Aprofundamento Curricular e Itinerários Quantidade de unidades curriculares Quantidade de componentes curriculares Ciências da Natureza e suas tecnologias - #SeLiganaMídia 6 24 Matemática e suas Tecnologias - Matemática Conectada 6 20 Ciências Humanas e Sociais Aplicadas - Superar Desafios é de Humanas 6 30 Ciências Humanas e Sociais Aplicadas - Liderança e Cidadania 6 30 Ciências da Natureza e suas Tecnologias - Ciência em Ação! 6 24 Ciências Humanas e Sociais Aplicadas e Ciência da Natureza e suas Tecnologias - Cultura do Solo: do campo à cidade 6 26 Ciências da Natureza e suas Tecnologias e Matemática e suas Tecnologias - Meu papel no desenvolvimento sustentável 6 24 Ciências Humanas e Sociais Aplicadas e Linguagens e suas Tecnologias - Diferentes formas de narrar a experiência humana 6 26 Ciências Humanas e Sociais Aplicadas e Matemática e suas Tecnologias - #Quem divide multiplica 6 24 Ciências da Natureza e suas Tecnologias e Linguagens e suas Tecnologias - Corpo, saúde e linguagem 6 24 Linguagens e suas tecnologias e Matemática e suas Tecnologias - Start! Hora do desafio 6 24 Total 66 276 Fonte: Elaboração própria com base Matriz curricular do ensino médio para atribuição de aulas da 1ª e 2ª séries em 2022 e 3ª série em 2023 (São Paulo, 2019b). O avesso da Reforma do Ensino Médio na Rede Estadual Paulista 41 Tabela B7 Exemplo de Grade Curricular – Escola de Tempo Parcial – Diurno – com Itinerário Formativo Corpo, Saúde e Linguagens Componente Curricular Classificação Quantidade de Aulas Expansão Total 1ª Série 2ª Série 3ª Série 1ª Série 2ª Série 3ª Série Língua Portuguesa Formação Geral Básica 5 3 2 0 0 0 10 Língua Estrangeira Inglês Formação Geral Básica 2 0 2 0 0 0 4 Arte Formação Geral Básica 2 0 2 0 0 0 4 Educação Física Formação Geral Básica 2 0 2 0 0 0 4 Geografia Formação Geral Básica 2 2 0 0 0 0 4 História Formação Geral Básica 2 2 0 0 0 0 4 Sociologia Formação Geral Básica 2 2 0 0 0 0 4 Biologia Formação Geral Básica 2 2 0 0 0 0 4 Física Formação Geral Básica 2 2 0 0 0 0 4 Matemática Formação Geral Básica 5 3 2 0 0 0 10 Química Formação Geral Básica 2 2 0 0 0 0 4 Filosofia Formação Geral Básica 2 2 0 0 0 0 4 Total Formação Geral Básica 30 20 10 0 0 0 60 Orientação de Estudos Itinerário Formativo 0 0 0 0 3 3 6 Projeto de Vida Itinerário Formativo 2 1 2 0 0 0 5 Eletivas Itinerário Formativo 2 0 2 0 2 2 8 Tecnologia e Inovação Itinerário Formativo 1 1 1 0 0 0 3 Língua Inglesa Itinerário Formativo 0 2 0 0 0 0 2 Educação Física Itinerário Formativo 0 1 0 0 0 0 1 Total Itinerários Formativos 5 5 5 0 5 5 25 Componentes Curriculares das UCs 1, 2, 3, 4, 5 e 6 Itinerário Formativo Corpo, Saúde e Linguagens 0 10 20 0 0 0 30 Fonte: Elaboração própria com base na Resolução SE 69/ 2022 (São Paulo, 2022a). Arquivos Analíticos Políticas Educativas, Vol. 32, No. 22 42 Quadro B1 Áreas do Conhecimento e Respectivos Itinerários Formativos Área de conhecimento Itinerários Linguagens e suas Tecnologias #SeLiganaMídia Matemática e suas Tecnologias Matemática Conectada Ciências Humanas e Sociais Aplicadas Superar Desafios é de Humanas; Liderança e Cidadania Ciências da Natureza e suas Tecnologias Ciência em Ação Ciências Humanas e Sociais Aplicadas e Linguagens e suas Tecnologias Cultura do solo: do campo à cidade Ciências da Natureza e suas Tecnologias e Matemática e suas Tecnologias Meu papel no desenvolvimento sustentável Ciências Humanas e Sociais Aplicadas e Linguagens e suas Tecnologias Diferentes formas de narrar a experiência humana Ciências Humanas e Sociais Aplicadas e Matemática e suas Tecnologias Ciências Humanas, Arte, Matemática #quem divide multiplica Ciências da Natureza e suas Tecnologias e Linguagens e suas Tecnologias Corpo, Saúde e Linguagens Linguagens e suas Tecnologias e Matemática e suas Tecnologias Start! Hora do desafio! Ensino Técnico Profissionalizante Superar desafios é de humanas com habilidades para o mundo do trabalho Ciências em ação! Com habilidades para o mundo do trabalho Matemática conectado com habilidades para o mundo do trabalho #SeLiganaMídia com habilidades para o mundo do trabalho Técnico em Administração Técnico em recursos Humanos Técnico em Comércio Técnico em Contabilidade Técnico em Finanças Técnico em Logística Técnico em Marketing Técnico em Serviços Jurídicos Técnico em Serviços Públicos Técnico em Eletrotécnica Técnico em Análises Clínicas Técnico em Eletrônica Técnico em Eventos Técnico em Farmácia Técnico em Guia de Turismo Técnico em Nutrição Técnico em Química Técnico em Designer Gráfico Técnico em Informática para Internet Técnico em Designer para Interiores Técnico em Desenvolvimento de Sistemas Fonte: Elaborado própria com base na Resolução Seduc n.º 97/2021 (São Paulo, 2021a). O avesso da Reforma do Ensino Médio na Rede Estadual Paulista 43 Quadro B2 Componentes Curriculares do Itinerário Formativo Corpo, Saúde e Linguagens Unidade Curricular – UC Componentes Curriculares Carga horária semanal Licenciatura do professor Prioritária Alternativas UC1-Corpos em movimento: Cultura e ciência Expressões artísticas: corpo em movimento 2 Arte Língua Portuguesa; Língua Inglesa ou Educação Física Fisiologia do movimento 2 Biologia Educação Física Conservação do movimento 2 Física Matemática Construção da personagem: corpo e emoção 2 Língua Portuguesa Arte, Língua Inglesa ou Língua Espanhola Equilíbrio em movimento 2 Química Física UC2-Tecnologia e qualidade de vida Designer na qualidade de vida 2 Arte Língua Portuguesa, Língua Inglesa ou Educação Física Características adquiridas ou hereditárias 2 Biologia Educação Física Dinâmica e equilíbrio 2 Física Matemática Oficina de produção textual: textos de divulgação científica 2 Língua Portuguesa Arte, Língua Inglesa ou Língua Espanhola Materiais inovadores 2 Química Física UC3-A produção de energia na prática corporal Metabolismo do alimento à energia 2 Biologia Educação Física Laboratório de fisiologia do exercício 4 Educação Física Não há outra Energia do movimento 2 Física Química Bioquímica dos alimentos 2 Química Biologia UC4- O corpo que fala: Expressão e (Pre)Conceitos - Um olhar sobre o corpo: ontem e hoje 2 Arte Língua Portuguesa, Língua Inglesa ou Educação Física - O corpo no mundo globalizado 4 Língua Inglesa Língua Portuguesa ou Arte Cultura, corpo e literatura 4 Língua Portuguesa Arte, Língua Inglesa ou Língua Espanhola UC5- “AS dinâmicas do corpo: saúde e movimento” Movimento, ciências e saúde 2 Biologia Educação física Práticas corporais: beleza ou saúde? 4 Educação Física Não há outra Hidrodinâmica e Alavancas 2 Física Matemática Esporte e doping 2 Química Biologia A cultura do corpo na mídia 2 Arte Língua Portuguesa, Língua Inglesa ou Educação Física Arquivos Analíticos Políticas Educativas, Vol. 32, No. 22 44 Unidade Curricular – UC Componentes Curriculares Carga horária semanal Licenciatura do professor Prioritária Alternativas UC6- o corpo na mídia e suas representações Beleza e mídia 4 Língua Inglesa Língua Portuguesa ou arte Representações do corpo na mídia 4 Língua Portuguesa Arte, Língua Inglesa ou Língua Espanhola Fonte: Elaboração própria com base na Matriz Curricular da Seduc para 2023. Gráfico B1 Presença de Disciplinas da Formação Geral Básica no Itinerário Formativo Corpo, Saúde e Lingaugem Fonte: Elaboração própria com base na Matriz Curricular da Seduc para 2023. 4 4 2 2 4 4 4 24 6 4 8 8 2 2 1 31 Disciplinas da Formação Geral Básica das áreas de Linguagens e Ciências da Natureza Componentes das UCS- Disciplinas Específicas Componentes das UCS- Disciplinas não Específicas