Resenha de Educação Popular e Educação de Jovens e Adultos Castro de Oliveira, E. (2025, 22 de outubro). Resenha de Fávero, O. e Motta, E. (org.) (2015) Educação popular e educação de jovens e adultos. De Petrus et Alli; Rio de Janeiro: FAPERJ. Education Review/Resenhas Educativas, 32. https://doi.org/10.14507/er.v32.4307 22 de octubro de 2025 ISSN: 1094-5296 Fávero, Osmar; Motta, Elisa (org.). Educação popular e educação de jovens e adultos [recurso eletrônico]. 1. ed. Petrópolis, Rio de Janeiro: De Petrus et Alli; Rio de Janeiro: FAPERJ, 2015. Resenha do livro por Edna Castro de Oliveira Professora da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) Osmar Fávero e as Memórias da Educação Popular e Educação de Jovens e Adultos no Brasil Ao assumir o chamamento para esta produção em homenagem ao nosso querido mestre Osmar Fávero, acabei abraçando uma responsabilidade que me exigiu um difícil empenho à altura da grandiosidade de seu trabalho. Para tal foi necessário fazer opções que permitissem colocar em relevo o conteúdo da obra de um incansável pesquisador, protagonista e memória viva da educação popular e da educação de jovens e adultos no Brasil. Na produção monumental em que ele tem buscado preservar essas memórias, se encerra um conjunto de documentações que remontam ao final dos anos de 1940. Em específico, a minha escolha recaiu sobre o conjunto de três DVD-Rom reunidos em e-book, intitulado “Educação popular e Educação de Jovens e Adultos” organizado por Osmar Fávero e Elisa Motta, e publicado pela FAPERJ e Editora DP et Alli, em 2015. Esse e-book é uma forma de inovação da produção no campo da EJA, e ao mesmo tempo de refinamento de pesquisa, pelo cuidado permanente no trato com as memórias num acervo documental metodologicamente organizado em três fases, sendo que cada uma delas constitui um rico repositório de fontes que se voltam a interesses de educadoras e educadores populares e, como Osmar mesmo diz, de “pesquisadores iniciantes e mais experimentados” de variados campos do conhecimento. Num país em que a cultura do desapreço à memória tem sido internalizada e ganhou forças em tempos sombrios, a persistência do Mestre com a pesquisa sobre a memória e a história da EJA e da educação popular reafirma sua opção política em favor dos invisibilizados, e nos chama a tornar cada vez mais disseminado o trabalho com o resgate da memória por ele desenvolvido ao longo da vida. Ressalta-se no seu trabalho o primor do trato arquivístico da documentação como fonte de pesquisa e preservação da memória e da história, levada a efeito por Osmar como nosso guardião, com o apoio da equipe do Núcleo de Estudos e Documentos em Educação de Jovens e Adultos (NEDEJA) da Universidade Federal Fluminense (UFF), em especial, de sua parceira e coautora, Elisa Motta, na organização, ao reunirem nos DVDs Educação Popular https://doi.org/10.14507/er.v32.4307 Education Review/Reseñas Educativas/Resenhas Educativas 2 I, Educação Popular II e Educação de Jovens e Adultos, “parte das duas mil fontes documentais contidas no acervo do NEDEJA-UFF”. A produção em foco integra um quefazer que se constitui ao longo da vida de Osmar, desde os anos de 1960, o leitmotiv que o segue impulsionando aos 92 anos. Um quefazer que tive o privilégio de experienciar ao tê-lo como meu orientador, que jamais deixou de trazer o compartilhamento e as memórias da educação popular e da EJA como conteúdo de sua práxis educativa. O empenho no cultivo e preservação da memória e história da EJA e da educação popular nesses DVDs, pautado na práxis de Osmar, tem sido objeto de reconhecimento e homenagem de autores e militantes da área pelas produções valiosas acumuladas. Essas seguem sendo fontes de memória e da história de materiais didáticos explorados nas práticas de formação de educadoras/es de EJA, dada a atualidade das reflexões que suscitam, em especial no campo da alfabetização e das políticas públicas que, no atual contexto, seguem disputando a conformação da modalidade EJA como política pública de Estado. Sobre o fazer pesquisa das memórias e história da educação popular e da EJA As questões que mobilizam Osmar na realização desta produção colocam para o leitor a tarefa de refletir sobre até que ponto o trabalho efetivado na recuperação da memória e da história da EJA é um processo de pesquisa, e em que essa recuperação das memórias e experiências dos movimentos significa fazer história. Com essas instigações ele discorre metodologicamente sobre o percurso da pesquisa. No DVD I, ao tratar do acervo da memória da Educação Popular entre 1947 -1967, ele considera na sua primeira fase dois momentos. Um, em que se procede à recuperação de materiais das Campanhas de Alfabetização de adultos, de iniciativas do governo federal, bastante disseminadas, mas, tratadas nesse DVD de forma a que o leitor possa conhecer essas campanhas, para além da descrição das mesmas, disponibilizando 25 documentos, produzidos entre 1947-1955, reunindo 1.234 páginas, que detalham o percurso dessas iniciativas. Assim, reúne e disponibiliza um material que instiga investigações, envolvendo a Campanha de Educação de Adolescentes e Adultos (CEAA), a Campanha de Educação Rural (CNER), a Mobilização Nacional contra o Analfabetismo (MNCA) e Sistema Radio Educativo Nacional (SIRENA). Os documentos disponibilizados nesse DVD são um convite à pesquisa pelos interessados no campo da alfabetização e produção de materiais didáticos específicos para atuação com grupos populares. O adentramento na leitura dos acervos permite situar, por exemplo, que o material didático específico produzido para as campanhas é “considerado muito pobre” segundo Osmar, somando-se a isto a infantilização, a improvisação dos espaços e o despreparo dos professores que continuam como questões não resolvidas na educação de jovens e adultos como modalidade. No segundo momento, tem lugar o trato com “a sistematização do acervo dos movimentos de cultura e educação popular”, relativos a um período em que Osmar encarna um protagonismo pelo seu envolvimento e cuidado com a memória da cultura e educação popular do início dos anos 1960. Ele destaca a importância desses movimentos em relação às campanhas, pela radicalidade com que assumem seu compromisso político com as classes populares em contextos urbanos e rurais, com concepções distintas de analfabetismo e analfabeto, tendo a “cultura popular como matriz”. Essa perspectiva foi fundante na criação de novos materiais didáticos envolvendo a arte pela poesia, o teatro e o cinema, por Resenha de Educação popular e educação de jovens e adultos 3 meio da ação de militantes que marcaram época na formação de educadores populares, pela capacidade de aglutinarem forças criativas na formulação e execução de políticas. Os movimentos reunidos nesse acervo digital envolvem, para além das campanhas promovidas pelo Ministério da Educação e Saúde de (1947- 1955), o MCP- Movimento de Cultura Popular (1961-1964); o Movimento de Educação de Base (1961-1967); De Pé no Chão Também se Aprende a Ler (1961-1964); CEPLAR – Campanha de Educação Popular da Paraíba (1962- 1964); CPC – Centro Popular de Cultura da UNE (1962-1964); Sistema de Educação de Adultos Paulo Freire (1963-1964). O acervo desses movimentos reúne 277 documentos. Todas as experiências desse contexto foram inéditas, articulando o movimento de cultura popular e educação popular com iniciativas no âmbito das administrações públicas de Miguel Arraes em Pernambuco, de Djalma Maranhão em Natal, e movimentos estudantis em que Paulo Freire assume protagonismo juntamente com outros intelectuais, em especial na produção de materiais didáticos apropriados. As iniciativas das administrações públicas com a educação popular, cultura popular e educação de jovens e adultos, desse período, são ainda hoje fundamento e inspiração para a luta em defesa da EJA e da educação popular como política pública de Estado. Memórias de lutas e resistências da educação de jovens e adultos No DVD Educação de Jovens e Adultos (1959-1972), na segunda fase da produção do e-book, o trabalho de Osmar cuida de historicizar os rumos dos movimentos de cultura e educação popular, especialmente em função da desmobilização promovida pelo golpe civil-militar de 1964 que atingiu todos os movimentos, resultando na prisão de vários de seus participantes e lideranças, bem como na apreensão e destruição dos materiais produzidos. O MEB, mesmo tendo sido o movimento menos atingido, acabou cedendo às pressões internas e externas da igreja, alterando sua maneira de atuar e sua estrutura. No entanto, algumas práticas desses movimentos persistiram, como por exemplo “o modo de fazer a alfabetização” pelo Sistema Paulo Freire, apesar da extinção do Plano Nacional de Alfabetização. Algumas iniciativas individuais e públicas continuaram a fazer uso do modo de alfabetizar de Freire, com destaque para o estado de São Paulo, com a “Operação Ubatuba para Alfabetização de Adultos no Litoral Norte”, desencadeando outras iniciativas no estado, com a mesma inspiração, chegando a alcançar Recife por iniciativa do MEB para a alfabetização de trabalhadores de engenho na Zona da Mata em Pernambuco — todas iniciativas interrompidas com o AI-5, em 1968. Após o golpe de 1964, em função do apoio do MEC à Cruzada de Ação Básica Cristã (ABC), dentre as iniciativas fracassadas, a única ação concreta que se efetivou foi a criação do Mobral, em 1967, para “erradicar o analfabetismo”. Osmar recupera a memória dos primeiros anos do Mobral 1968-1969, em suas tentativas de retomar práticas do então Serviço de Educação de Adultos dos anos 1940-1950. Ao mesmo tempo, o MEC é pressionado pela UNESCO para atuar com o Programa Experimental de Alfabetização Funcional, com ênfase no “desenvolvimento rural e modernização produtiva com apoio técnico do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento”. Segundo Osmar, esse Programa teve atuação consistente no Brasil, em 1979, com experiência desenvolvida apenas com trabalhadores da Companhia Vale do Rio Doce, em Vitória/ES. Outras experiências de orientação semelhante ganharam corpo no Nordeste, em projetos do INCRA – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – nos estados de Paraíba e Pernambuco. Education Review/Reseñas Educativas/Resenhas Educativas 4 Ao se desvincular do MEC, o Mobral se tornou um sistema paralelo com recursos financeiros próprios, considerado o maior financiamento destinado a ações na Educação de Adultos, num movimento de alfabetização de massas extinto em 1985, e substituído pela Fundação Educar. Osmar segue historicizando a Educação de Adultos, no contexto da ditadura civil-militar, ao rememorar a criação do Ensino Supletivo, pela Lei n. 5.692/71, o que desencadeou a procura pelos exames para responder demandas de certificação em nível de 1º grau, pelo mercado. Nesse mesmo contexto surgem os Centros de Ensino Supletivo, como uma “nova concepção de escola para adultos” os quais tiveram sua implantação nas secretarias estaduais, em todo o território nacional. É importante destacar, ainda neste período, ações coordenadas pelo Ministério do Trabalho, voltadas para a formação profissional envolvendo entidades patronais como SENAC e SENAI, bem como por meio do Programa Intensivo de Preparação de Mão de Obra Industrial (PIPMOI) e o Programa Intensivo de Preparação de Mão de Obra (PIPMO). As memórias do Ensino Supletivo e da formação profissional tal como retomadas por Osmar, chamam nossa atenção para os sentidos que assumem na disputa por um projeto de educação e de sociedade que priorize a educação e a escola de qualidade referenciada para a formação de trabalhadores e trabalhadoras brasileiras. Osmar pauta ainda a repercussão da concepção de educação permanente no Brasil, protagonizada pela Unesco e, em especial, por Pierre Furter com o livro “Educação permanente e desenvolvimento cultural”, publicado em 1974, pela Editora Vozes. Isto acontece em meio à crise dos sistemas para responder ao desafio da escolarização, com o surgimento da informática e de novas exigências do avanço da industrialização para a formação profissional. Essa concepção eurocêntrica passa a influenciar no Brasil a valorização das formas educativas extraescolares. Uma questão que segue desafiando a educação de jovens e adultos na atualidade. Numa síntese da 2ª. fase do e-book 1959-1972, Osmar considera que com o declínio dos governos civis-militares, com a assunção da Nova República nos anos 1980 e o cenário de abertura política que toma conta do país, com eleições para “prefeitos de partidos de oposição”, criam-se as condições para o desenvolvimento de novos projetos “definidos como Educação de Jovens e Adultos”. Foram catalogados 578 documentos reunidos nesse espaço temporal para o DVD Educação de Jovens e Adultos, organizados em quatro blocos, levando em conta a diversidade de experiências e movimentos da EJA: “materiais relativos ao Sistema Rádio Educativo da Paraíba (Sirepa) (1959-1969) e à Cruzada ABC (1962-1969)”; experiências do final dos anos 1960 e início dos anos 1970; iniciativas governamentais do período autoritário, como o Mobral , Ensino Supletivo e a Fundação Educar; experiências em universidades como a UFSCar e o Projeto Zé Peão na UFPB, em convênio com o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de João Pessoa, bem como experiências gestadas em municípios que ganharam depois alcance nacional, como o “Movimento de Alfabetização de Porto Alegre, o SEEJA de Porto Alegre da Secretaria Estadual de Educação, o Programa de Educação Juvenil (PEJ) depois Programa de Educação de Jovens e Adultos do Rio de Janeiro (PEJA)”. As memórias que seguem inspirando a pesquisa no fazer da história da educação de jovens e adultos A 3ª fase, contemplada pelo DVD Educação Popular II, é considerada como “nova fase” da educação popular, que vai de 1972 até a atualidade. As memórias Resenha de Educação popular e educação de jovens e adultos 5 desse momento histórico são ricas em experiências no âmbito da sociedade civil, pelo protagonismo dos movimentos populares, com apoio das Igrejas católica e protestante e suporte financeiro internacional. É o momento da ação das Comunidades Eclesiais de Base e da abertura para as pastorais voltadas para o trabalho com operários, negros, índios, juventude. Osmar recupera nesse contexto as iniciativas da sociedade junto aos movimentos sociais, sindicais e políticos, com novas formas de trabalho com esses movimentos, o que propiciou a “criação da Central Única dos Trabalhadores e do Partido dos Trabalhadores”. Várias outras iniciativas destacadas são memórias da atuação de militantes dos movimentos da primeira fase da educação popular como o MEB, no assessoramento à pesquisa em educação – o NOVA –, bem como de militantes ligados ao então Centro Evangélico de Informação, o CEI, no Rio de Janeiro, que, em 1974, passou a se chamar Centro Ecumênico de Documentação e Informação (CEDI-SP), com a incorporação de militantes católicos. O CEDI representou, com certeza, no contexto do regime autoritário, um suporte de “reflexão sobre o momento político, resistência ao autoritarismo, atuação com os grupos de base, com um projeto de educação popular que operou papel importante na pesquisa e assessoramento”. No âmbito das experiências em Educação Profissional, Osmar destaca o trabalho de assessoramento desenvolvido pela CAPINA – Cooperação e Apoio a Projetos de Inspiração Alternativa – em apoio a iniciativas de operários e ex- líderes sindicais perseguidos pelo golpe de 1964, que contestavam orientações da educação dos trabalhadores, nos cursos de formação política ofertados pelo SENAI, em defesa da ideologia do sistema. Nesse mesmo contexto, com as memórias da CUT, desenvolvidas pela Secretaria Nacional de Formação, ganha destaque o “Projeto Político Pedagógico do Programa de Educação Profissional com os Programas Integrar e Integração”, cujos materiais didáticos inauguraram formas de trabalho inovadoras. Nessa mesma lógica da formação política, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra reafirma sua linha de formação de militantes, produzindo materiais que firmam seus princípios utilizados na formação escolar e na formação política da militância em geral. Iniciativas também voltadas para a alfabetização ligadas aos movimentos sociais no início dos anos 1980, em São Paulo, são rememoradas por Osmar, como a do CEPIS — Centro de Educação Popular do Instituto Sedes Sapientiae; e do URPLAN – Instituto de Planejamento Rural e Urbano — voltados para a pesquisa sobre políticas públicas e assessoria aos movimentos populares. Por fim, compondo as ações voltadas à alfabetização, são destacadas as experiências do SAPÉ — Serviço de Apoio à Pesquisa em Educação, no Rio de Janeiro, com “sua proposta alternativa de diálogo na troca de saberes” e do VEREDA — Centro de Estudos em Educação, em São Paulo. Ambas têm contribuição memorável na produção de materiais inéditos para a formação de alfabetizadores. O VEREDA tem a pedagogia freiriana como inspiração, e o SAPÉ, pelo veio da pesquisa em classes de alfabetização de adultos, produziu os Almanaques Aluá (em três números) que constituíram material didático criativo para a EJA. As inquietações que moveram Osmar, desde sempre no trabalho de pesquisa com a memória e a história da EJA e da educação popular, estão em parte condensadas nesses DVDs e continuam inspirando novas iniciativas como as que foram desencadeadas pela Secretaria de Educação Continuada Alfabetização e Diversidade (SECAD), com o apoio, em 2009, a uma política pública nascida por demanda, de Centros de Referência e Memória da Educação Popular e da Educação de Jovens e Adultos, nos polos Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste, Education Review/Reseñas Educativas/Resenhas Educativas 6 alguns efetivados em sete universidades (UFAL, UFF, UERJ, UFG, UFRN, UFSE). Para seguir refletindo Com certeza a tese sustentada por Osmar, de que a história da educação de adultos e a história da educação popular não aparecem nos livros de história da educação brasileira, continua sendo uma premissa instigante, atual, que desafia aos que seguem invisibilizando os segmentos da sociedade civil aos quais se reserva, numa sociedade de classe, o lugar de subalternos, cujas memórias sofrem de apagamento na história oficial. Daí a importância do trabalho desenvolvido por Osmar ao longo de sua carreira, ao adentrar intencionalmente na busca dos arquivos, documentos, livros, artigos, reportagens, áudios, dissertações, teses e documentos em geral, que rememoram práticas de experiências desenvolvidas na educação popular e na educação de jovens e adultos ao longo de sua recente história. O valor do trabalho que as fontes reunidas nesse e-book encerra, para além de outras obras clássicas de Osmar Fávero, afirma a grandeza e o legado de suas contribuições não apenas para a pesquisa da memória e da história da EJA pela originalidade de sua opção por trabalhar com esse suporte no contexto em que foi concebido, mas, também, convoca a aclamar a justa homenagem que a ANPEd lhe faz nesta sua 42a. edição nacional. A democratização de toda esta produção em plataformas públicas como a dos Fóruns de EJA do Brasil e do CReMEJA atestam sua generosidade em compartilhar resultados e disponibilizar livremente o acesso a preciosas fontes. Resta ainda observar que os DVDs Educação Popular I e Educação Popular II Educação de Jovens e Adultos reúnem, também, pelo amplo acervo de pesquisa, contribuições da educação popular como campo teórico, epistemológico e político de produção de conhecimento, que tem no povo o principal endereçamento da formação, de modo a que se assuma como sujeito de sua própria história. Sobre a resenhadora do livro: Edna Castro de Oliveira é Professora aposentada da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Possui graduação em Pedagogia pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES - 1974), mestrado em Educação pela UFES em 1988, doutorado em Educação Brasileira pela Universidade Federal Fluminense (2005) e pós doutorado em Educação pela Universidade Federal do Espírito Santo (2017). Atualmente é professora associada aposentada da UFES, integra a linha de pesquisa Educação, Formação Humana e Políticas Públicas do PPGE/CE/UFES. Compõe a coordenação do Núcleo de Educação de Jovens e Adultos do Centro de Educação da UFES. É membra fundadora do Fórum de Educação de Jovens e Adultos do Espírito Santo, criado em 1998 e líder do Grupo de Pesquisa CNPQ "Educação de Jovens e Adultos e Educação Profissional na cidade e no campo". Tem se dedicado à pesquisa na formação de educadores de jovens e adultos na interface com as seguintes áreas: alfabetização, educação do campo, educação profissional, políticas públicas e movimentos sociais. Resenha de Educação popular e educação de jovens e adultos 7 Sobre o autor do livro: Osmar Favero é Professor Emérito pela Universidade Federal Fluminense. Licenciado em Matemática pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1970), mestre em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1973) e doutor em Filosofia da Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1984). Viveu intensamente movimentos de educação popular, com forte atuação no MEB. Contribuiu fortemente na organização da ANPEd. Na Anped foi editor da Revista Brasileira de Educação (RBE) por dez anos. Seu projeto mais relevante na atuação universitária, segundo o próprio pesquisador, foi ter atuado para a recuperação da memória de campanhas de alfabetização e educação popular brasileiras, com destaque para o material didático dessas campanhas e movimentos. A primeira fase deste trabalho abrangeu experiências dos anos de 1940-1950 e movimentos de cultura e educação popular do início dos anos de 1960, o que deu origem a um DVD designado Educação Popular (1947-1967). Na segunda fase trabalhou experiências de movimentos de alfabetização e de educação popular do período 1968-1998. Essas duas primeiras fases contaram com apoio da Faperj e do MEC/Secadi para a edição do DVD. A terceira fase abordou experiências e movimentos mais recentes de educação de jovens e adultos no Brasil. Editou, posteriormente, todo o material recuperado e interpretado historicamente em três DVDs agregados em caixa arquivo. Em complementação a esse grandioso trabalho de recuperação de memória, gravou em áudio e interpretou entrevistas feitas com alguns personagens de experiências de educação popular, dando origem a novo DVD também publicado com apoio Faperj. Sua atuação em conselhos editoriais se destaca na Coleção Educação e Tempo Presente, na Editora Vozes, e na Coleção Educação para Todos editada pelo MEC e UNESCO. Sua experiência na área de educação tem ênfase em política educacional, atuando principalmente nos seguintes temas: pós-graduação em educação, educação de jovens e adultos e educação popular. Este artigo pode ser copiado, exibido, distribuido e adaptado, desde que o(s) autor(es) e Education Review/Reseñas Educativas/Resenhas Educativas sejam creditados e a autoría original atribuídos, as alterações sejam identificadas e a mesma licença CC se aplique à obra derivada. 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