Resenha de Educação Popular e Educação de Jovens e Adultos Paiva, J. (2025, 22 de outubro). Resenha dos livros Fávero, O. e Motta, E. (org.) (2015) Educação popular e educação de jovens e adultos. De Petrus et Alli; Rio de Janeiro: FAPERJ; e Fávero, O. e Carmo, G. (dir.). (1965/2015). Nos bastidores da memória. 50 anos de educação popular –DVDs (2). [recurso eletrônico]. Education Review/Resenhas Educativas, 32. https://doi.org/10.14507/er.v32.4309 22 de outubro de 2025 ISSN: 1094-5296 Fávero, Osmar; Motta, Elisa (org.). Educação popular e educação de jovens e adultos [recurso eletrônico]. 1. ed. Petrópolis, Rio de Janeiro: De Petrus et Alli; Rio de Janeiro: FAPERJ, 2015. Fávero, Osmar; Carmo, Gerson (dir.). Nos bastidores da memória. 50 anos de educação popular – 1965/2015. DVDs (2). [recurso eletrônico]. Resenha dos livros por Jane Paiva Professora Titular da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Brasil Osmar Fávero e a Educação Popular e Educação de Jovens e Adultos nos Bastidores da Memória A presente resenha não diz respeito a um único livro, ou produção bibliográfica (ainda que ela exista) de um pesquisador. Vai muito além disso. Busca pôr à luz a trajetória de um pesquisador que, de geração outra que não a do mundo digital, soube transformar um riquíssimo acervo documental em memória digital, valendo-se de ferramentas de um tempo que atravessou sua vida e que ele, como poucos, ousou acompanhar e tirar partido para informar, analisar criticamente e disseminar o que foi sua cuidadosa obsessão de pesquisa em uma vida inteira — Osmar Fávero. Osmar Fávero é/foi um pesquisador como poucos. Tive o privilégio de ser sua orientanda no Doutorado do Programa de Pós-graduação em Educação. Professor emérito da Universidade Federal Fluminense (UFF), seu mais recente posto acadêmico, entre muitas outras funções/atuações exercidas, trouxe para a comunidade científica um legado como poucos. Desde sua obra mais conhecida — Cultura popular, educação popular: memória dos anos 60 (1983) — esteve projetando um futuro de memórias em que ele próprio foi mais do que um estudioso. Partícipe e testemunha de muitas, protagonista e coadjuvante. Reuniu com zelo e cuidado extremo documentação relativa à memória da educação popular, dos movimentos do final dos anos 1950 e início dos anos 1960, além de documentação referente a assessorias de agências e centros de educação popular dos anos de 1970 até os dias atuais. Não fosse suficiente, reuniu o que foi possível localizar da educação de jovens e adultos, especialmente de ações governamentais, parte significativa de duas mil fontes documentais. https://doi.org/10.14507/er.v32.4309 Education Review/Reseñas Educativas/Resenhas Educativas 2 O NEDEJA — origens A partir do Núcleo de Estudos e Documentação de Educação de Jovens e Adultos (NEDEJA), vinculado ao Programa de Pós-graduação em Educação da UFF, um primeiro material em DVD (Educação Popular I) organizou em 2013 o rico acervo documental acumulado e preservado durante tantos anos. É possível afirmar que no conjunto há exemplares raros, salvos pela ação de pessoas que os “esconderam” em caixas d’água, teto de igreja, ou mesmo enterrados, após o golpe empresarial-civil-militar de 1964, cônscios do que significavam como memória de um tempo e de muitas utopias, como o autor nos conta. A divulgação desse material, como subsídio a pesquisadores da área, teve como primeiro abrigo o Portal http://forumeja.org.br/node/2237, um espaço privilegiado que os fóruns de educação de jovens e adultos do Brasil conquistaram, abrigado na Universidade de Brasília, como espaço de disseminação de suas conquistas. Pouco depois, em 2015, Osmar Fávero concluiu a tarefa que nunca interrompeu, de pôr à mostra os demais materiais e documentos, com o mesmo rigor com que produzira a Educação Popular I. Chegava às mãos de pesquisadores a caixa contendo três DVDs e um livreto de 30 páginas, denominado Educação Popular e Educação de Jovens e Adultos: memória e história. Com financiamento Faperj e editoração de De Petrus et Alli, um produto singular catalogava, classificava, analisava e apresentava um tesouro a pesquisadores e estudiosos do campo da educação popular e da educação de jovens e adultos. Configurava, sim, ainda que não fosse completa a documentação, como afirma o autor, um tesouro — termo que levou a pesquisadora Maria Margarida Machado a relembrar e atribuir-lhe o sentido de Thesaurus, um “[...] instrumento de indexação e recuperação da informação [que] pode ajudar na padronização da linguagem documentária dessa área do saber [educação]” (Disponível em http://rbep.inep.gov.br/ojs3/index.php/rbep/article/view/2795); ou, ainda, [...] vocabulário controlado que reúne termos e conceitos relacionados entre si, com base em uma estrutura conceitual previamente estabelecida da área de educação. [...] principais características de um tesauro são: • cada termo corresponde a um conceito. Uma vez aceito, esse termo se torna um ‘descritor’ ou um ‘indexador’. Caso o termo não seja aceito como ‘descritor’, ele pode ser aceito como ‘remissivo’, isto é, remete para um termo autorizado (descritor). • Todos os termos estão relacionados entre si. Nenhum termo pode figurar no tesauro sem estar relacionado a algum outro, sendo essa relação determinada pelo seu significado. • A conceituação dos termos e as relações entre eles são definidas pelo sistema ontológico da área e pelo estudo de cada termo. (Disponível em https://www.gov.br/inep/pt-br/areas-de- atuacao/gestao-do-conhecimento-e-estudos- educacionais/cibec/gestao-terminologica). Para os que são do campo e o tomam em suas múltiplas variantes como objeto de estudo, nada falta à produção de Osmar Fávero, que escreve, coordena, edita textos e resenhas para compor este tesouro, ou melhor, este Thesauros da educação popular e da educação de jovens e adultos. Do conjunto de três DVDs, a primeira publicação, que corresponderia à Educação Popular I, contou com a participação de Ana Karina Brenner e Elisa Motta como assistentes de pesquisa; a segunda, Educação Popular II, ainda contou com Elisa Motta como assistente http://forumeja.org.br/node/2237 http://rbep.inep.gov.br/ojs3/index.php/rbep/article/view/2795 https://www.gov.br/inep/pt-br/areas-de-atuacao/gestao-do-conhecimento-e-estudos-educacionais/cibec/gestao-terminologica https://www.gov.br/inep/pt-br/areas-de-atuacao/gestao-do-conhecimento-e-estudos-educacionais/cibec/gestao-terminologica https://www.gov.br/inep/pt-br/areas-de-atuacao/gestao-do-conhecimento-e-estudos-educacionais/cibec/gestao-terminologica Resenhas de Educação Popular e EJA e Nos Bastidores da Memória 3 de pesquisa, enquanto fazia sua formação no curso de mestrado na PUC-Rio; e a terceira, Educação de Jovens e Adultos, tinha ainda Elisa Motta em papel ampliado, agora também de produção, além de assistente de pesquisa. Ao mesmo tempo em que Osmar Fávero produzia e rememorava acontecências da história da educação brasileira, fazia a formação de graduandas (bolsistas de iniciação científica) e pós-graduandas que com ele atuavam, experimentando práticas de pesquisa no campo da memória e da história. Osmar demonstrava que tarefas de investigação como as que desenvolveu são possíveis em equipe, pelas variadas naturezas de procedimentos e saberes requeridos, que ultrapassam os lápis e papéis a que nos habituáramos, para enfrentar um poderoso manancial de ferramentas, aplicativos, softwares e dispositivos que, se por um lado ampliam possibilidades do fazer e do divulgar achados, por outro exigem conhecimentos especializados que romperam nossos modos convencionais de investigação e se impõem como novos suportes de divulgação científica. Questões centrais que forjam a obra Justamente memória e história são as duas questões que o pesquisador põe no centro das reflexões com que conduz metodologicamente a obra, tomando-as, também, como questões-guia do Thesaurus que produziu. São elas: [...] a) até que ponto esse processo pode ser considerado fazer pesquisa? (grifo do autor) b) a obtenção e o processamento dos documentos consistem evidentemente na recuperação da memória das campanhas, movimentos e experiências; mas até que ponto isto significa fazer história? (grifo do autor). No percurso de investigação e de organização do acervo documental preservado, conta Osmar Fávero que a busca intencional da documentação se iniciara nos anos 1980 e que muito do que encontrou foi objeto de estudo em dissertações e teses de orientandos, o que, afirma, caracterizaria um movimento de pesquisa, argumentando em relação à primeira questão-guia. E segue demonstrando que nesse campo de investigação uma pesquisa nunca termina, já que o movimento inaugural não se satisfaz, exatamente porque, sendo ele testemunha e mesmo protagonista de seu tempo, sabia da existência de outras documentações que complementariam o acervo que iniciava a formar. Sabia da existência de pessoas, futuros depoentes cujas memórias não poderiam se perder. Pessoas que contavam histórias inacreditáveis que jamais seriam conhecidas, não fossem gestos e ações de um pesquisador como ele. Lamenta, no entanto, porque muito da documentação sabidamente existente fora inutilizada, especialmente as das décadas de 1930 a 1950. Um problema recorrente na história brasileira que ou não preserva ou preserva mal seus acervos e documentação histórica. Sua persistência e compromisso com a história, posso afirmar, ainda assim valorizava- se, ao pôr em mãos de pesquisadores iniciantes materiais autênticos, com informações precisas sobre experiências realizadas. À segunda questão que guia sua disposição de produzir uma obra como esta — resgatar a memória e fazer a história — impõe-se o imperativo de trazer à tona a história da educação de adultos e da educação popular que não aparece nos livros de história da educação brasileira. Até hoje nós, pesquisadores, ainda lamentamos o fato de que esses objetos não mobilizem demais pesquisadores do campo da história da educação, mantendo um conjunto imenso de práticas e experiências sem lugar a elas devido, em patamar mais alto do que se foi capaz de fazer, ao contemplar, no mais das vezes, autores e ações oficiais na história brasileira. A Education Review/Reseñas Educativas/Resenhas Educativas 4 história da educação popular e da educação de jovens e adultos é, por assim dizer, uma história de anônimos, de sujeitos invisibilizados na estrutura de classe da sociedade brasileira, mas também uma história de lutas, conquistas e recuos. Associados a vulneráveis, “analfabetos”, sem cultura, sem saber, o legado de uma história não somente de produção de conhecimentos, mas de promoção de igualdade e de justiça social de/entre anônimos permanece quase soterrado e sem destaque, mesmo nos registros da educação brasileira. Osmar Fávero conta, com exemplo, como o entendimento de algumas ações contribuíram para repor, no centro da história da educação, a “verdade” que a história oficial não reconhecia. Desse modo, o pesquisador recoloca o problema que tem acometido muitos de nós que, ainda hoje, lutam pelo direito de reconhecer que a memória ajuda a constituir a história e que, como fonte — documental, oral, vivencial —, não pode ser desprezada na reconstrução histórica das acontecências de um tempo. Novos suportes disseminam o conhecimento Um aspecto ainda a ressaltar, suficientemente inovador para popularizar um rico acervo nem sempre acessível a pesquisadores e estudiosos, diz respeito ao suporte que o autor escolhe para sustentar a obra: o DVD, um artefato do meio digital, cuja capacidade de guarda ultrapassa a de livros de papel, como até bem pouco tempo conhecíamos e utilizávamos para difundir conhecimentos. Inova, portanto, trazendo um material que ultrapassa os limites do papel, desde o projeto original, por saber o volume do acervo que detém, medido, nesses tempos, em 5 Gb. O suporte — talvez já ultrapassado em tão pouco tempo pela existência de outros suportes de guarda de memória, como nuvens, por exemplo — sustentava o volume, a quantidade e a riqueza do acervo que Osmar Fávero partilhou com seus “leitores digitais” e que significava a produção de uma vida inteira (ou quase) de preservação, guarda de memória, de histórias e de conhecimentos, preparados em larga escala para as gerações vindouras. O conjunto de materiais, documentos, fotografias, filmes que contam a história da educação popular, dos alcances e voos que foi capaz de realizar de 1947 a 1967; da educação de adultos (e mais tarde de jovens e adultos) de 1970 até os dias atuais, encerra uma história em grande parte vivida pelo autor, nosso personagem “histórico” de um campo que disputa, com muitos outros, um lugar de maior relevância na educação — o da educação popular e da educação de jovens e adultos. O afã, no entanto, de Osmar Fávero manter viva e preservar a memória — e com ela produzir uma história — não parou aí. Certeau (2011, p. 46) defende em sua obra que “[...] em história, todo sistema de pensamento está referido a ‘lugares’ sociais, econômicos, culturais etc.”. Por que lugares de memória Osmar Fávero navegava? Navegações Uma nova obra se apresentava para compor o trabalho de guardião de memórias que Osmar Fávero ocupara até então. Havia agora que reconstruir, Resenhas de Educação Popular e EJA e Nos Bastidores da Memória 5 depois do registro escrito, a memória oral. Havia pessoas, várias... estas representavam lugares de memória por onde navegava, seguramente, o pesquisador, em busca de dar maior consistência ao que até então disponibilizara à história da educação. A memória passaria a ganhar, como testemunho oral, a característica de fonte histórica. [...] a narração oral da história só toma forma em um encontro pessoal causado pela pesquisa de campo. Os conteúdos da memória são evocados e organizados verbalmente no diálogo interativo entre fonte e historiador, entrevistado e entrevistador. Este assume um papel diferente daquele que em geral é atribuído a quem realiza pesquisas de campo: mais do que recolher memórias e performances verbais, deve provocá-las e, literalmente, contribuir com sua criação: por meio da sua presença, das suas perguntas, das suas reações (Portelli, 2010, p. 19-20) Amado (1995, p. 131) trata da necessidade de distinção entre história e memória. Diferencia o fato vivido e o fato rememorado. Distingue o que passou — a história — e o que se recorda desse fato que passou — as memórias. “O vivido remete à ação, à concretude, às experiências de um indivíduo ou grupo social. A prática constitui o substrato da memória; esta, por meio de mecanismos variados, seleciona e reelabora componentes da experiência”. E ainda afirma que a memória, “[...] ao trazer o passado até o presente, recria o passado [...]”. Osmar Fávero parte em busca dessas memórias, na obra também em DVD, nomeada Nos bastidores da memória – 50 anos de educação popular 1965-2015. Um novo projeto consolida-se com recursos de parceiros envolvidos nas pesquisas do autor. A UENF, por meio de recursos do pesquisador Gerson do Carmo, coordenando projeto aprovado em edital PROEXT 2013/SESU/MEC; associada ao Centro de Referência e Memória da Educação Popular e Educação de Jovens e Adultos no Rio de Janeiro (CReMEJA), da UERJ; e à própria UFF, possibilitam entrevistas com: a) Beatriz Costa, abordando o Centro Ecumênico de Informação (CEI), depois Centro Ecumênico de Documentação e Informação (CEDI) e, mais tarde, o Colegiado de Escolas de Trabalhadores e o Centro de Trabalho e Cultura (CTC) que funcionava ainda em 2015 no Recife; b) Aída Bezerra, abordando o NOVA e o SAPÉ; c) Regina Rocha complementando informações sobre o NOVA; d) Sérgio Haddad detalhando o modo de trabalho do CEDI, particularmente o projeto de educação e escolarização e, com Vera Masagão, a Ação Educativa, desdobrada do primeiro em 1994. Por último, Letícia Cotrim retomou o histórico do CEDI, especialmente quanto à relevância da documentação e da informação, nos longos anos de ditadura civil-militar. A presença de Osmar Fávero durante as entrevistas, para muitas pessoas, funcionava como um disparador de memórias, pela atuação e protagonismo experienciado em diferentes agências e instituições. Na empreitada de longas Education Review/Reseñas Educativas/Resenhas Educativas 6 conversas travadas com essas pessoas, teve como acompanhante Gerson do Carmo, a quem coube a coordenação dos trabalhos de gravação, transcrição e reprodução das gravações, ficando a produção dos DVDs a cargo do Centro de Criação de Imagem Popular (CECIP), sob a responsabilidade de Claudius Ceccon, que também se encarregou da arte final do material de memória. Ao longo de quatro anos Osmar Fávero realizou escutas de relatos e provocou a imaginação de ações e movimentos de personagens de uma história viva, herdada por todos nós que, devassando o portal da memória, registramos essas histórias. Contaram-se, naqueles anos de entrevistas e trabalhos de campo, funções desempenhadas pelas agências (hoje organizações não governamentais) em que cada memorialista atuou. Provocada a rememoração de um tempo distinto, cada entrevistado, 50 anos depois, revisitou lugares, pessoas, fatos — cada um trouxe, pela memória “individual”, a mescla de memórias coletivas vividas por outras pessoas, de tempos e espaços diversos. Pollack (1989, p. 4) alerta que memórias que afloram no silêncio e no esquecimento de culturas minoritárias — nesse caso o fazer da educação popular — são memórias subterrâneas: e dão vez aos excluídos, em oposição à memória oficial. Em homenagem a Osmar Fávero — o legado de sua obra Osmar Fávero provou e afirmou, na práxis dessa longa trajetória de pesquisador e formador de pesquisadores, que a educação popular e a educação de jovens e adultos se fizeram no país para muito além do que circula na sociedade brasileira: uma educação que visa apenas alfabetizar pessoas não alfabetizadas e, no máximo, escolarizar os que, por razões dos limites de classes sociais subalternizadas, são excluídos do direito à educação. Provou que esse campo teórico, epistemológico implica essencialmente a formação humana, seja pela abordagem política, de formação profissional, de militância, de condições de classe, identidade — de sujeitos que se fazem homens e mulheres fazendo e refazendo o mundo. Ao resgatar experiências vividas de expressão histórica, torce o sentido único, para ampliar possibilidades e dar relevo a um campo pouco compreendido da educação brasileira. Gravamos nesta resenha mais uma memória da educação, por meio dessa iniciativa singular que a ANPEd assumiu como compromisso entre seus associados. Soube Osmar Fávero fazer esta obra, o seu Thesaurus, como o nomeamos, com a colaboração de outros participantes que contribuíram para recuperar imagens e áudios que o tempo desgastou — esse tempo sempre implacável com todos nós — ou o que, dado o momento histórico em que foram produzidos, não tinham qualidade técnica para serem aproveitados. Tudo isto se deu graças à disciplina, determinação e consciência de futuro desse pesquisador, Osmar Fávero, que legou a pesquisadores de novas gerações uma memória materialmente potente, ainda que com lacunas fincadas nos episódios autoritários que a esgarçaram, mas reveladora de uma história de educadores e de um país que se projetava em direção a uma sociedade mais igual, mais justa e menos discriminadora. Referências Amado, Janaína. O grande mentiroso: tradição, veracidade e imaginação em história oral. História, São Paulo, 14: p. 125-136. 1995. Certeau, Michel de. A escrita da história. 3. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2011. Resenhas de Educação Popular e EJA e Nos Bastidores da Memória 7 Fávero, Osmar. Cultura popular, educação popular: memória dos anos 60. Rio de Janeiro: Graal, 1983. Pollack, Michael. Memória, esquecimento, silêncio. Estudos Históricos, v. 2, n. 3, p. 3-15, 1989. Portelli, Alessandro. Ensaios de história oral. São Paulo: Letra e Voz, 2010. Sobre a resenhadora dos livros: Jane Paiva, Professora Titular na Faculdade de Educação (aposentada) e atuante no Programa de Pós-Graduação em Educação (ProPEd) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Cientista do Nosso Estado (Faperj) e Produtividade 2 CNPq (atual B). Procientista UERJ/Faperj (até jul. 2023). Pós-doc (bolsa Estágio Sênior Capes) no Centro de Investigación y de Estudios Avanzados del IPN (CINVESTAV/ Ciudad del México). Doutorado em Educação pela Universidade Federal Fluminense (2005) e Mestrado em Educação pela Universidade Federal Fluminense (1995). Licenciada em Didática da Biologia e da Higiene Escolar - Pedagogia (1973); e Licenciada e Bacharel em Ciências Biológicas (1976). Pesquisadora com experiência na área de educação, com ênfase em Educação de Jovens e Adultos, atuando principalmente nos seguintes temas de pesquisa: educação de jovens e adultos: memória e preservação de acervos; políticas públicas de alfabetização e de educação de jovens e adultos; de educação continuada e aprendizagem ao longo da vida; educação em prisões; educação popular; leitura e escrita; educação profissional na EJA; formação de pedagogos e de professores para o campo da Educação de Jovens e Adultos e formação continuada. Sobre o autor dos livros: Osmar Favero é Professor Emérito pela Universidade Federal Fluminense. Licenciado em Matemática pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1970), mestre em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1973) e doutor em Filosofia da Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1984). Viveu intensamente movimentos de educação popular, com forte atuação no MEB. Contribuiu fortemente na organização da ANPEd. Na Anped foi editor da Revista Brasileira de Educação (RBE) por dez anos. Seu projeto mais relevante na atuação universitária, segundo o próprio pesquisador, foi ter atuado para a recuperação da memória de campanhas de alfabetização e educação popular brasileiras, com destaque para o material didático dessas campanhas e movimentos. A primeira fase deste trabalho abrangeu experiências dos anos de 1940-1950 e movimentos de cultura e educação popular do início dos anos de 1960, o que deu origem a um DVD designado Educação Popular (1947-1967). Na segunda fase trabalhou experiências de movimentos de alfabetização e de educação popular do período Education Review/Reseñas Educativas/Resenhas Educativas 8 1968-1998. Essas duas primeiras fases contaram com apoio da Faperj e do MEC/Secadi para a edição do DVD. A terceira fase abordou experiências e movimentos mais recentes de educação de jovens e adultos no Brasil. Editou, posteriormente, todo o material recuperado e interpretado historicamente em três DVDs agregados em caixa arquivo. Em complementação a esse grandioso trabalho de recuperação de memória, gravou em áudio e interpretou entrevistas feitas com alguns personagens de experiências de educação popular, dando origem a novo DVD também publicado com apoio Faperj. Sua atuação em conselhos editoriais se destaca na Coleção Educação e Tempo Presente, na Editora Vozes, e na Coleção Educação para Todos editada pelo MEC e UNESCO. Sua experiência na área de educação tem ênfase em política educacional, atuando principalmente nos seguintes temas: pós-graduação em educação, educação de jovens e adultos e educação popular. Este artigo pode ser copiado, exibido, distribuído e adaptado, desde que o(s) autor(es) e Education Review/Reseñas Educativas/Resenhas Educativas sejam creditados e a autoria original atribuídos, as alterações sejam identificadas e a mesma licença CC se aplique à obra derivada. Mais detalhes sobre a licença Creative Commons podem ser encontrados em https://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0/. Education Review/Reseñas Educativas/Resenhas Educativas é publicado pela Mary Lou Fulton College for Teaching and Learning, Arizona State University. O conteúdo de 1998-2020 da revista foi publicado sob uma licença diferente: http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/3.0 Nota: Os pontos de vista ou opiniões apresentadas nas resenhas de livros são exclusivamente do (s) autor (es) e não representam necessariamente os da revista.