24 RBCIAMB | n.41 | set 2016 | 24-41 Bruna Beatriz Sousa Barbosa Graduada em Engenharia Ambiental pela Universidade de Uberaba (UNIUBE). Tássio Franchi Doutor em Desenvolvimento Sustentável pelo Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília (UnB). Valéria Almeida Gentil Doutora em Desenvolvimento Sustentável pelo Centro de Desenvolvimento Sustentável da UnB. Professora do Departamento de Engenharia Ambiental e Geografia da Johns Hopkins University. Endereço para correspondência: Bruna Beatriz Sousa Barbosa – Rua Bernardo Rossi, 832 – São Benedito – 38022-210 – Uberaba (MG), Brasil – E-mail: brunabeatriz.s.b@hotmail.com RESUMO Defensivos agrícolas são potencialmente causadores de impactos ambientais. Para produzi-los de forma ambientalmente correta, existe a necessidade de adoção de práticas ecológicas. Este artigo avalia o Sistema de Gestão Ambiental (SGA) dos resíduos perigosos, adotado por uma indústria de defensivos agrícolas. O estudo foi realizado em uma empresa com certificação da ISO 14001. A metodologia adotada foi qualitativa, observando-se a realidade, as normativas e as recomendações bibliográficas. Foram realizadas visitas técnicas, entrevistas com funcionários e análises de documentos do ano de 2013. Observou-se que as práticas ambientais adotadas pela empresa visam atender as condicionantes de sua licença ambiental e das certificações internacionais. Os resultados indicam que a maior quantidade de resíduos perigosos foi de solventes contaminados, sendo que a aquisição de equipamentos e tecnologia para tratamento dos mesmos, quando formulados à base de água, trouxe benefícios no gerenciamento e assegurou uma economia considerável. Entretanto, foi observado que existe a possibilidade de aperfeiçoamento do processo produtivo e da gestão para se alcançar uma produção ainda mais limpa. Concluiu-se que os principais fatores para adoção de um SGA eficaz miram o atendimento à legislação, o aumento na competitividade de mercado e a redução dos custos. Palavras-chave: ISO 14001; sistema de gestão ambiental; indústria química. ABSTRACT Pesticides potentially cause environmental impacts. To produce them in an environmentally friendly way, there is a need to adopt environmental practices. This article assesses the Environmental Management System (EMS) of hazardous waste, adopted by a crop protection industry. The study was conducted in an industry with ISO 14001. The methodology was qualitative, watching reality, normative and bibliographic recommendations. Technical visits, interviews with staff and document reviews of the year 2013 were realized. It was observed that the environmental practices adopted by the company aim to meet the conditions of the environmental license and international certifications. The results indicate that the largest amount of hazardous waste was from contaminated solvents; the acquisition of equipment and technology for their treatment, when water-based, brought benefits in the management and considerable savings. However, it was observed that it is possible to improve the production process and management to achieve a cleaner production. It was concluded that the main factors for the adoption of an effective EMS vie care legislation, increasing market competitiveness and reducing costs. Keywords: ISO 14001; environmental management system; chemical industry. DOI: 10.5327/Z2176-947820160025 AVALIAÇÃO DO GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS PERIGOSOS EM INDÚSTRIA DE DEFENSIVOS AGRÍCOLAS EVALUATION OF THE MANAGEMENT OF DANGEROUS WASTE IN THE AGRICULTURAL DEFENSIVE INDUSTRY Avaliação do gerenciamento de resíduos perigosos em indústria de defensivos agrícolas 25 RBCIAMB | n.41 | set 2016 | 24-41 INTRODUÇÃO Aspectos Históricos e Políticos da Questão Ambiental A ascensão da questão ambiental trouxe ao debate a degradação da natureza ligada ao consumo crescente dos recursos naturais nas sociedades contemporâneas. Os aspectos ambientais eram sobrepujados por ideias capitalistas, e as metas se referiam principalmente ao aumento de lucros e de rentabilidade do capital. Com isso, as questões relacionadas ao meio ambiente eram consideradas desvantajosas, pois não geravam benefí- cios financeiros. No final da década de 1960, foi publicado o The popula- tion bomb (1968), de Paul Ehrlich (2009), despertando, então, a preocupação com a degradação ambiental. No início da década seguinte, a publicação de “Limites do Crescimento”, pelo chamado Clube de Roma (MEA- DOWS et al., 1972), trouxe à tona uma visão neomal- thusiana dos binômios: população versus bem-estar dos países; e crescimento econômico versus qualidade de vida. Logo após o aparecimento dessa publicação, as pessoas passaram a questionar as atitudes capitalis- tas que levavam toda a humanidade rumo à destruição de seu próprio habitat natural. De certa forma, foi o si- nal de alarme para a população mundial, que adquiriu uma nova compreensão sobre a ideia desenvolvimen- tista. Daí surgiu o conceito de desenvolvimento susten- tável. Foi organizada, inclusive, a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (WCED ou Comissão Brundtland). Ao apresentar seu Relatório à Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (WCED, 1987), a Comissão Brundtland caracterizou o conceito de “desenvolvimento sustentável” como polí- tico e social, lançando, por um lado, uma ampla estra- tégia de institucionalização da problemática ambiental e, por outro, uma aliança com os países do Terceiro Mundo na implantação dessa estratégia. A questão da superpopulação versus o consumo permanece um pro- blema real para o mundo contemporâneo, como apon- ta Goldstone (2010). A Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Am- biente Humano (CHUMAH, ou Conferência de Esto- colmo, 1972), a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (CNUMAD, conhecida como Rio-92), a Cúpula Mundial sobre o Desenvolvimento Sustentável (Earth Summit, conheci- da como Rio + 10, 2002) e a Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável (CNUDS, conhecida como Rio + 20, 2012) foram os eventos in- ternacionais de maior projeção que enfocaram a pers- pectiva ecológica revestida de especial importância no contexto atual (GRIGGS, 2013). Entende-se que um dos maiores desafios de toda a humanidade é aplicar o modelo ecologicamente corre- to do desenvolvimento econômico, criando uma eco- nomia limpa, modelada por princípios de respeito ao meio ambiente e preservação das diversidades presen- tes nos ecossistemas do planeta. Uma economia capaz de juntar os interesses financeiros aos ecológicos, sem prejudicar o bem-estar das nações, não pode existir so- mente em um país; precisa estar presente na crescente e irreversível globalização. Não se sabe ao certo se o caminho de “esverdeamento econômico” que a huma- nidade tem escolhido é realmente incontestável ou o único a ser seguido, embora sejam bem numerosos os trabalhos teóricos que prognosticam o futuro ambien- tal de nosso planeta; mas é absolutamente claro — não só para os autores dos referidos trabalhos, como também para toda a comunidade mundial — que não há razoáveis alternativas senão seguir esse caminho (GENTIL, 2013). Os eventos acadêmicos e políticos que marcaram a trajetória da questão ambiental ao longo dos anos estão representados na Figura 1. No contexto das questões ambientais, a temática dos resíduos ganha cada vez mais espaço e importân- cia. Segundo a Política Nacional de Resíduos Sólidos (2010), os resíduos sólidos podem ser classificados, quanto à sua origem, como resíduos urbanos, agrossil- vopastoris, provenientes da construção civil, dos servi- ços de saúde, industriais, dentre outros. Neste artigo, trata-se apenas dos resíduos industriais considerados perigosos, mais especificamente dos sistemas de ge- renciamento de resíduos produzidos por indústrias de defensivos agrícolas. O gerenciamento de resíduos industriais, quando rea- lizado incorretamente, pode causar danos à saúde hu- mana e ao meio ambiente. No Brasil, a Lei no 12.305, de 2 de agosto de 2010, instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), propondo uma série de me- canismos (princípios, objetivos e instrumentos) desti- Barbosa, B.B.S.; Franchi, T.; Gentil, V.A. 26 RBCIAMB | n.41 | set 2016 | 24-41 nados à gestão integrada e ao gerenciamento ambien- talmente adequado dos resíduos sólidos, inaugurando a chamada responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, entre agentes públicos, privados e consumidores. Um desafio para as indústrias responsáveis pela gera- ção de resíduos perigosos no século XXI foi a implanta- ção do Sistema de Gestão Ambiental (SGA), auxiliando o controle de seus impactos ambientais e buscando obter a certificação reconhecida mundialmente, a ISO 14001, ao sustentar uma imagem ambientalmente po- sitiva e ampliar sua força para disputar posições em um mercado globalizado. Esse sistema inclui-se como mais um condicionante para o sucesso da empresa. O objetivo deste trabalho foi avaliar o sistema de ges- tão de resíduos perigosos de uma indústria de defen- sivos agrícolas, conferindo a gestão aplicada com base na PNRS com as normativas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e com a bibliografia correlata com o tema. MATERIAIS E MÉTODOS Este trabalho apresenta e analisa o SGA de uma indústria brasileira de defensivos agrícolas, certificada pela Nor- ma Brasileira (NBR) ISO 14001. A indústria, alvo da pes- quisa, forneceu dados para este estudo, mas não será citada nominalmente, sendo referida aqui apenas como “empresa”. A empresa possui uma fábrica de defensivos agrícolas localizada no município de Uberaba, Minas Gerais, cuja capacidade de produção é de cem milhões de litros por ano de produtos nas linhas de herbicidas, inseticidas e fungicidas. A empresa também possui Sis- tema de Gestão Integrada (SGI) e certificações: Inmetro em Boas Práticas de Laboratórios (BPL) para estudos de resíduos em vegetais, ISOs 9001 (garantia da qualidade) e 14001 (meio ambiente), e OHSAS 18001 (segurança). Uma pesquisa referente à legislação ecológica em vigor e à literatura sobre o tema serviu de base para as análises do sistema de gestão. Na legislação abordada constam a PNRS (BRASIL, 2010), a NBR 14001 (ABNT, 2004b), a NBR 10004 (ABNT, 2004a), a NBR 12235 (ABNT, 1992), a NBR 13221 (ABNT, 2003), e outras normas. Dentre as publicações usadas como suporte para com- preender as possibilidades e os limites de gestão dos 2012: Rio + 20 Principais eventos políticos e acadêmicos 1968: The population bomb e The tragedy of the commons 1972: Limites do crescimento 1987: Relatório Brundtland 1992: Rio 92 2002: Rio + 10 Figura 1 – Principais eventos políticos e acadêmicos. Avaliação do gerenciamento de resíduos perigosos em indústria de defensivos agrícolas 27 RBCIAMB | n.41 | set 2016 | 24-41 resíduos perigosos, destacam-se os trabalhos de Bar- ros (2012), Lopes (2006), Mazzer e Cavalcanti (2004), Oliveira e Serra (2010) etc. Foram utilizados dados primários fornecidos pela em- presa. Esses dados são referentes ao gerenciamento de resíduos gerados pelas atividades produtivas durante todo o ano de 2013. Entrevistas com funcionários-cha- ve no processo de SGA dos resíduos perigosos da em- presa foram realizadas em diversas visitas técnicas à indústria para observação da unidade e de sua prática de gestão dos resíduos sólidos (RS). A Gestão Ambiental e o Gerenciamento De Resíduos Sólidos Os termos “gerenciamento ambiental” e “gestão am- biental” estão relacionados à administração, e é muito comum aparecerem na literatura como sinônimos ou como complementares (ZANTA; FERREIRA, 2003, p. 1). Modelo disso são as definições de acordo com a legis- lação brasileira: É o sistema de gestão que visa reduzir, reutilizar ou reciclar resíduos, incluindo planejamento, responsa- bilidades, práticas, procedimentos e recursos para de- senvolver e implementar as ações necessárias ao cum- primento das etapas previstas em programas e planos (BRASIL, 2002). O gerenciamento dos RSS [resíduos gerados no servi- ço de saúde] constitui-se em um conjunto de procedi- mentos de gestão planejados e implementados a par- tir de bases científicas e técnicas, normativas e legais, com o objetivo de minimizar a produção de resíduos e proporcionar aos resíduos gerados um encaminha- mento seguro, de forma eficiente, visando a proteção dos trabalhadores e a preservação da saúde pública, dos recursos naturais e do meio ambiente. O gerenciamento deve abranger todas as etapas de planejamento dos recursos físicos, dos recursos mate- riais e da capacitação dos recursos humanos envolvi- dos no manejo dos RSS (ANVISA, 2004). Lopes (2006, p. 38) define que a gestão dos resíduos sólidos envolve o planejamento das possíveis ações de gerenciamento e contém todo o arcabouço legal e filo- sófico das alternativas que buscam a minimização, o tra- tamento e a disposição adequada dos resíduos sólidos. O SGA constitui um processo estruturado para a me- lhoria contínua, sendo um instrumento que permite à organização atingir e controlar o nível de desempenho ambiental que ela mesma estabelece. “O ciclo de atua- ção da Gestão Ambiental, para que seja eficaz, deve cobrir desde a fase de concepção do projeto até a eli- minação efetiva dos resíduos gerados pelo empreendi- mento depois de implantado, durante toda a sua vida útil.” (Valle, 1995 apud SOUZA; SILVA, 1997, p. 1) A um sistema de gestão ambiental estruturado de acordo com a NBR 14001/2004 aplica-se a metodo- logia PDCA (Plan, Do, Check, Act), que tende à me- lhoria contínua das ações de manejo de resíduos (conforme Figura 2). O método PDCA se divide em quatro etapas: planejar, fazer, checar e agir. A primeira etapa, planejar, define objetivos, metas e procedimentos sistêmicos de ges- tão. Na etapa seguinte, fazer, ocorre a determinação dos procedimentos operacionais, responsabilidades, recursos, seleção e treinamento de equipes, comuni- cação e controle de registros. A terceira etapa, checar, consiste em monitorar, realizar análises críticas e fiscali- zações, verificar o controle interno, identificar fragilida- des e oportunidades de melhorias. A última etapa, agir, consiste na reavaliação do sistema para aprimorá-lo e promover sua melhoria. Na empresa, esse sistema é aplicado aos resíduos perigosos e não perigosos. O gerenciamento de resíduos perigosos em indústrias de defensivos agrícolas é um tema bastante complexo, porque essas empresas trabalham com grandes quan- tidades de materiais e substâncias perigosas. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, a Lei no 7.802, de 11 de julho de 1989 (BRASIL, 1989), con- sidera defensivos agrícolas ou agrotóxicos, produtos e agentes de processos físicos, químicos e biológicos para uso no cultivo, armazenamento e beneficiamen- to de produtos agrícolas, para alterar a composição da fauna ou da flora, a fim de preservá-las da ação de se- res vivos nocivos. A produção comercial de um agrotóxico envolve a obtenção do ingrediente ativo, cujo processo de sín- tese adotado irá determinar seu grau de pureza bem como o teor de impurezas. Esse composto obtido é chamado de produto técnico, que será utilizado para a formulação do produto final. A este são adicionados outros elementos químicos que garantem a dispersão e a fixação do produto nas plantas a serem protegidas ou destruídas pelo efeito tóxico específico. O produto Barbosa, B.B.S.; Franchi, T.; Gentil, V.A. 28 RBCIAMB | n.41 | set 2016 | 24-41 final, obtido da mistura do produto técnico com outros produtos químicos auxiliares, corresponde ao chama- do produto formulado, que é aplicado nas lavouras (TERRA; PELAEZ, 2010, p. 3). Desse processo resultam os resíduos sólidos gerados dentro das plantas industriais. Na empresa referente ao case, existem duas plantas idênticas, uma destina- da à fabricação de herbicidas e a outra à de inseticidas e fungicidas. Segundo Barros (2012, p. 365): a sequência de etapas de gestão dos RS é, primeira- mente, o acondicionamento e a coleta no local de geração; depois são transportados até um ponto de armazenagem temporária. Posteriormente são nova- mente coletados nestes locais de armazenamento da indústria e transportados para o local de tratamento e/ou de destinação final. A PNRS (BRASIL, 2010) conceitua os RS como: material, substância, objeto ou bem descartado resultante de atividades humanas em sociedade, a cuja destinação final se procede, se propõe proceder ou se está obriga- do a proceder, nos estados sólido ou semissólido, bem como gases contidos em recipientes e líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou em corpos d’água, ou exi- jam para isso soluções técnicas ou economicamente inviáveis em face da melhor tecnologia disponível. Política Nacional de Resíduos Sólidos A PNRS brasileira, instituída pela Lei no 12.305/2010, de 02 de agosto de 2010 e regulamentada pelo Decre- to no 7.404/2010 (BRASIL, 2010), é o instrumento legal que traça diretrizes para a gestão dos RS no Brasil. A lei Do Fazer Action Agir Plan Planejar Ckeck Checar Figura 2 – Sistema de gestão de resíduos sólidos. Avaliação do gerenciamento de resíduos perigosos em indústria de defensivos agrícolas 29 RBCIAMB | n.41 | set 2016 | 24-41 em questão tramitou durante 21 anos no Congresso Nacional, fato que evidencia duas possíveis hipóteses: a primeira, de que não houvesse interesse político em tratar do assunto; e a segunda, de que envolvesse mui- tos recursos financeiros geridos por contratos dos Esta- dos e municípios. É um instrumento capaz de promo- ver a qualidade de vida da sociedade, mesmo que seja essa a principal responsável pela geração de resíduos e pelos desgastes naturais. Sob a ótica da sustentabilidade, a PNRS está baseada em princípios de gestão integrada e compartilhada, responsabilidade dos geradores e do poder público, logística reversa, redução da produção de resíduos, reuso, reciclagem e disposição adequada em aterros sanitários (GENTIL, 2013). A PNRS congrega o conjunto de princípios, objetivos, diretrizes, instrumentos, metas e ações. Dentre os princípios, destaca-se a responsabilidade compartilha- da pelo ciclo de vida do produto, que aplica a obrigação de cada integrante do ciclo em se comprometer a mini- mizar o volume de resíduos, rejeitos e impactos nega- tivos. Um dos objetivos na gestão e gerenciamento de resíduos é priorizar a sequência de não geração, redu- ção, reutilização, reciclagem e tratamento e disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos. Dentre os principais instrumentos, destacam-se os pla- nos de RS, os inventários e o sistema declaratório anual de RS, a coleta seletiva, os sistemas de logística reversa e a educação ambiental. Para que um empreendimento gerador ou operador de resíduos perigosos seja licenciado pelas autoridades competentes, precisa comprovar que possui capaci- dades técnica e econômica suficientes para implantar um gerenciamento eficaz desses resíduos. Feito isso, o mesmo é obrigado a elaborar o plano de gerenciamen- to de resíduos perigosos e a incluir no Cadastro Nacio- nal de Operadores de Resíduos Perigosos os colabora- dores que o operam. O empreendimento necessita de um colaborador atuando como responsável técnico pelo gerencia- mento de resíduos perigosos. Cabe a ele, juntamente com sua equipe, manter os registros atualizados para elaboração dos inventários e da declaração anual, en- tregues aos órgãos competentes — Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA) e, se couber, Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS) —, manter pro- cedimentos acessíveis, aprimorar sempre o gerencia- mento e, em caso de acidentes, comunicá-los imedia- tamente ao SISNAMA. Para a indústria, a Lei no 12.305/2010 (BRASIL, 2010) determina obrigações para implantação do gerencia- mento de resíduos gerados no processo produtivo, abordando também processos de aquisição de maté- rias-primas e insumos. Entretanto, além de atender às exigências legais de âmbitos nacional, estadual e mu- nicipal, a empresa se vê sujeita a uma série de normas que fornecem estruturas organizadas para obter as certificações internacionais da International Organiza- tion for Standardization (ISO). Normativas Brasileiras Pertinentes aos Resíduos Perigosos Para que os resíduos sejam gerenciados corretamente, precisam ser, antes de tudo, classificados por responsá- veis técnicos: quanto aos riscos, de acordo com a NBR 10004 (ABNT, 2004a), e quanto à origem e à periculo- sidade, de acordo com a PNRS. Os responsáveis devem elaborar laudos de classificação, constando nesses a origem do resíduo, o processo de segregação e o cri- tério adotado para escolha de parâmetros analisados. Resíduos perigosos (classe I) podem apresentar pro- priedades físicas, químicas e infectocontagiosas que acarretam riscos à saúde humana e ao meio ambiente, ou seja, oferecem periculosidade; ou possuir caracte- rísticas como inflamável, corrosivo, reativo, patogênico e/ou tóxico; ou, ainda, constar nos anexos A ou B da normativa. Identificados no momento da geração, os resíduos de- vem ser separados por classe: um ato conhecido como segregação, que tem como finalidade evitar misturas de resíduos incompatíveis. A NBR 12235 (ABNT, 1992) fixa as condições exigíveis para o armazenamento de resíduos sólidos perigo- sos. Essa norma define que “o armazenamento deve ser feito sem que altere a qualidade/quantidade do resíduo” (ABNT, 1992, p. 2). No caso de uso de con- têineres e tambores, o armazenamento precisa ser feito em áreas cobertas, ventiladas, sobre uma base Barbosa, B.B.S.; Franchi, T.; Gentil, V.A. 30 RBCIAMB | n.41 | set 2016 | 24-41 que impeça a contaminação do solo e águas subter- râneas, possuindo sistema de drenagem e captação para recolher o líquido contaminado, caso ocorra um vazamento. Ao contrário dos contêineres e tambores, o armazenamento a granel tem que ser feito em cons- truções fechadas e impermeabilizadas, analisando-se características como densidade, umidade, tamanho da partícula, pressão, dentre outras. Todos os resí- duos precisam ser identificados com rótulos de fácil entendimento e, em alguns casos, necessita-se de re- vestimento dos recipientes para melhor resistência. Em síntese, o armazenamento de resíduos perigosos deve ser realizado de acordo com os critérios de loca- lização; a respectiva área precisa ser isolada e devida- mente sinalizada, possuir alarmes para comunicações internas e externas em caso de emergências; o opera- dor precisa estar treinado e dotado de equipamento de proteção individual (EPI), havendo a necessidade de equipamentos de controle de poluição e/ou trata- mento de poluentes ambientais, e realizar inspeções periodicamente, observando deterioração em reci- pientes ou vazamentos; para qualquer irregularidade constatada devem ser executadas ações corretivas. A NBR 13221 (ABNT, 2003) especifica os requisitos para transporte terrestre de resíduos. O transporte deve ser efetuado por meio de um veículo adequado às re- gulamentações relacionadas, atendendo à legislação ambiental específica (federal, estadual e municipal), e acompanhado de documento de controle ambien- tal. O veículo precisa encontrar-se em bom estado de conservação, com os resíduos acondicionados devida- mente e protegidos de intempéries, de modo que não suceda vazamento ou derramamento, impactando o meio ambiente. É necessário assegurar a segregação entre a carga e o motorista, geralmente acompanhado do auxiliar. Todo o transporte terrestre de resíduos perigosos deve obedecer às instruções complementares do Regulamento para o Transporte Rodoviário de Pro- dutos Perigosos (RTPP) e às normas brasileiras apli- cadas ao assunto. Ao gerador dos resíduos em questão, cumpre emitir documentos com informações sobre os resíduos — nome, estado físico, classificação, quantidade, tipo de acondicionamento, no ONU, no de risco, grupo de em- balagens e declaração do expedidor — e sobre o gera- dor, o receptor e o transportador — atividade, razão social, CNPJ, endereço, telefones, fax e e-mail; e núme- ros de telefones da empresa para casos de emergência. Os documentos mencionados devem ser acompanha- dos da Ficha de Emergência e de um envelope de segu- rança para o transporte até a destinação final. Todas as NBRs relatadas anteriormente são normas brasileiras aprovadas pela ABNT, sendo esta uma enti- dade privada e sem fins lucrativos. A mesma é também a única e exclusiva representante no Brasil da entidade internacional ISO, que certifica as empresas com a NBR ISO 14001, descrita a seguir. Fluxograma do Sistema de Gestão Ambiental Para que uma organização consiga realizar a implanta- ção de um SGA, a NBR ISO 14001 (ABNT, 2004b) estru- tura o “passo a passo” indispensável para se alcançar um gerenciamento eficaz, como mostra a Figura 3. A ISO 14001 se baseia na metodologia do PDCA cita- da anteriormente: esta se aplica quando uma empresa pretende estabelecer, implementar, manter ou apri- morar um SGA e quando deseja assegurar a sua confor- midade com a política ambiental elaborada e demons- trá-la para buscar certificação internacional. Empresas estão procurando adotar o SGA. Esse siste- ma permite à empresa controlar permanentemente os efeitos ambientais de todo o seu processo de produ- ção, desde a escolha da matéria-prima até o destino final do produto e dos resíduos líquidos, sólidos e ga- sosos, levando-a a operar da forma mais sustentável possível (MAZZER; CAVALCANTI, 2004, p. 1). Um importante passo para essa internalização é o estabelecimento de um SGA, no qual se determinam políticas, princípios e diretrizes ambientais, por meio das quais a empresa se compromete a ações além da legislação pertinente, implantando, operando e mobili- zando suas atividades de forma ambientalmente corre- ta, observando detidamente as relações com as partes envolvidas no processo (FREIRE, 2000 apud PORTUGAL JUNIOR; REYDON; PORTUGAL, 2003, p. 6). Avaliação do gerenciamento de resíduos perigosos em indústria de defensivos agrícolas 31 RBCIAMB | n.41 | set 2016 | 24-41 RESULTADOS E DISCUSSÕES Na empresa observada, os resíduos gerados são clas- sificados em classes I ou II; depois de classificados, en- contram diferentes direções, de acordo com a Figura 4, elaborada pelos autores. A empresa possui uma política integrada de qualida- de, saúde, segurança e meio ambiente, conforme a ISO 14001 estabelece. De acordo com Oliveira e Serra (2010, p. 2), um SGA é um conjunto de elementos utilizados para assegurar a proteção do meio ambiente, implemen- tar e gerenciar a política ambiental. Podemos destacar tais elementos, na política da empresa, como a melho- ria contínua no desenvolvimento ambiental, a garantia de trabalhar em conformidade com os requisitos legais aplicáveis e a racionalização do uso de recursos naturais, eliminando gastos e desperdícios, dentre outros. Segundo Ucker, Kemerick, Almeida (2012, p. 123), as normas da série ISO 14000 orientam e padronizam a identificação dos aspectos ambientais significativos e a elaboração de indicadores de desempenho. Na fabri- cação de defensivos agrícolas, a geração de resíduos perigosos é um dos principais aspectos ambientais, ha- vendo então a necessidade de seu gerenciamento. O fluxo do gerenciamento de resíduos (ver Figura 5) mostra quais são as suas etapas desde a geração dos resíduos até a destinação final, indicando os setores responsáveis em cada etapa e as normas que orientam o tipo de procedimento aplicado. Após a geração ini- cial, que se dá na produção, os resíduos passam pelas respectivas fases de: identificação interna; disposição na área de transferência; movimentação interna até seu armazenamento temporário, podendo este ser em depósitos ou no pátio de recicláveis; seguido da iden- tificação externa, para assim ficarem aptos para a pró- xima etapa; o transporte externo; e a destinação final. Todos os resíduos são devidamente identificados com uma etiqueta padrão interna da empresa, que contém informa- ções como: tipo de resíduo, peso bruto, data de geração, es- tado físico, departamento gerador e responsável pelo envio. A empresa segrega, acondiciona, identifica e disponi- biliza os resíduos na área de transferência de resíduos, para em seguida encaminhá-los para os depósitos de resíduos contaminados ou recicláveis. Existem áreas distintas para os resíduos perigosos e não perigosos. O transporte e o armazenamento são realizados conside- rando uma tabela de incompatibilidade de resíduos. Para evitar problemas como incompatibilidade e contamina- ção, a empresa treina seus colaboradores para segrega- rem corretamente os resíduos gerados, de acordo com a classificação padrão ISO 14001, e conscientiza-os no sen- tido de evitarem geração desnecessária de resíduos peri- gosos e não perigosos. Isso é feito por meio do processo de integração (informações sobre a empresa passadas no primeiro dia de trabalho), de Diálogo Diário de Seguran- ça, Meio Ambiente e Saúde (DDS), e por meio dos Mo- mentos SGI (palestras realizadas uma vez ao mês). No caso de armazenamento, é a norma NBR 12235 (ABNT, 1992) que fixa as condições adotadas pela em- presa. As informações relativas à movimentação dos re- síduos são registradas, utilizando-se um formulário de movimentação. Os formulários são gerados por tipo de resíduos, e o setor do meio ambiente preenche campos como data de entrada, gerador/origem, quantidades de entrada e saída, local de armazenamento, destino e ob- servações que descrevem brevemente o resíduo. Já são indicados nesse formulário os EPIs apropriados para manusear e armazenar os materiais (Tabela 1). Melhoria contínua Política ambiental Planejamento Implementação e operação Verificação Análise pela administração Figura 3 – Sistema de gestão ambiental. Barbosa, B.B.S.; Franchi, T.; Gentil, V.A. 32 RBCIAMB | n.41 | set 2016 | 24-41 O transporte externo é o que leva os resíduos até a empresa de incineração. É realizado tanto com a frota da própria empresa, que será o destino final dos resíduos, quanto por prestadores de serviços de transporte terceirizados, que os conduzem até o destino final. Os resíduos perigosos têm a necessidade de serem novamente identificados de acordo com suas caracte- rísticas e classificações, contendo número ONU1, ris- cos, tipo de resíduos, simbologia específica, dados da empresa geradora e da receptora. Para realização do transporte, a transportadora deve estar homologada Recuperação Processo Geração de resíduos Caracterização e resíduos Sólido, cor e odor Classificação de resíduos Classe I/ classe II Armazenamento temporário em depósito de resíduos recicláveis/pátio de recicláveis Sim Sim Sim Sim Não Não NãoNão É reciclável? É perigoso? Armazenamento temporário em depósito de resíduos contaminados Destinação final Aterro sanitário É reutilizável? Reuso Destinação Final Reciclagem Tratamento? Destinação final Tratamento Incineração Figura 4 – Fluxograma completo das etapas do gerenciamento. 1O número ONU é uma identificação classificatória de cargas perigosas. Criado pelo Comitê de Peritos das Nações Unidas sobre o Transporte de Mercadorias Perigosas, tem o objetivo de identificar as substâncias perigosas. Trata-se, notadamente, de placas com símbolos e dígitos que identificam o tipo de produto transportado e o grau de periculosidade do mesmo. Para maiores informa- ções, ver: http://www.proteccaocivil.pt/Documents/MIEMP_web.pdf Avaliação do gerenciamento de resíduos perigosos em indústria de defensivos agrícolas 33 RBCIAMB | n.41 | set 2016 | 24-41 Classificar de acordo com a NBR 1004 Produção Produção Produção Meio Ambiente Meio Ambiente Meio Ambiente Empresa Externa Geração de resíduos Identificação interna Área de Transferência Movimentação interna Armazenamento temporário Identificação externa Transporte externo Destinação final N orm as observadas por etapas Transportar de acordo com a NBR 13221 Identificar o resíduo perigoso para o transporte externo de acordo com a NBR 13221 Armazenar de acordo com a NBR 12235 Informações são registradas no formulário de movimentação Figura 5 – Gerenciamento de resíduos perigosos na empresa pelos setores de produção e meio ambiente. Tabela 1 – Cuidados no armazenamento e manuseio de materiais. Material EPIs a serem utilizados no manuseio do material Cuidados no acondicionamento/ empilhamento Cuidados no manuseio/ carregamento/ descarregamento Resíduos sólidos/ embalagens vazias contaminadas Botina de segurança Luvas nitrílicas Respirador Óculos de segurança Capacete Avental de PVC Armazenar afastado de materiais não contaminados Transportar de modo que as embalagens não caiam Resíduos líquidos Botina de segurança Luvas nitrílicas Respirador Óculos de segurança Capacete Avental de PVC Respeitar a incompatibilidade dos produtos Transportar de modo que as embalagens não caiam Resíduos diversos recicláveis Botina de segurança Luvas de vaqueta Óculos de segurança Capacete Evitar encher caçambas para que os resíduos não caiam ao solo Transportar os resíduos com as caçambas cobertas Fonte: adaptação do modelo da empresa, 2014. EPIs: equipamentos de proteção individual. Barbosa, B.B.S.; Franchi, T.; Gentil, V.A. 34 RBCIAMB | n.41 | set 2016 | 24-41 com as documentações legais válidas. O avaliador deve checar cada tópico relacionado na lista de verificação para transporte de produtos e resíduos perigosos, preenchendo o campo “OK” quando o requisito estiver sendo atendido e “Não OK” em caso contrário. As inspeções devem ser feitas em todos os carrega- mentos. A realização das inspeções dos veículos é sis- tematizada no intuito de garantir o atendimento dos requisitos legais aplicáveis na empresa. Todo carregamento e transporte de resíduos perigosos deve ser acompanhado da respectiva Ficha de Emer- gência referente aos resíduos, Nota Fiscal Eletrônica (NFe), Manifesto de Transporte de Resíduo (MTR), en- velope de segurança, painéis de segurança e rótulos de risco. Toda essa documentação referente à saída de re- síduos, bem como o ticket de pesagem e o certificado de destruição (resíduo perigoso) devem ser arquivados no setor de meio ambiente. O transporte externo somente é realizado com os re- síduos identificados e atendendo à norma NBR 13221 (ABNT, 2003). Isso é feito verificando a situação do veí- culo transportador, obedecendo ao Regulamento para Transporte Rodoviário de Produtos Perigosos e emi- tindo os documentos exigidos. Essa etapa contabiliza a geração versus a destinação dos resíduos durante um mês. As informações levantadas nessa etapa ali- mentam o Inventário de Resíduos Sólidos Industriais. Segundo Brandão (2011, p. 31), o inventário é o início do planejamento para os resíduos, uma vez que todas as ações seguintes usarão como base as informações geradas nessa fase. Brandão (2011, p. 85) afirma: A declaração dos resíduos gerados é a fase fundamen- tal no inventário, uma vez que nela deverão ser apre- sentados todos os resíduos e as quantidades geradas pelo empreendimento [...]. Na fase de declaração dos resíduos sólidos há a vinculação entre a etapa do pro- cesso industrial onde são gerados. Algumas empresas apresentaram dificuldades de vinculação dos resíduos por etapa, pois muitas delas não realizam a segregação de seus resíduos, fazendo a contabilização deles so- mente no momento do envio para a destinação final. De acordo com a Deliberação Normativa COPAM no 90, de 15 de setembro de 2005 (COPAM, 2005), a indústria estudada possui a tipologia C-04 – Indústria de Pro- dutos Químicos. Enquadrada nessa tipologia, precisa- rá apresentar o Inventário de Resíduos Sólidos e nele declarar informações sobre geração, características, armazenamento, transporte, tratamento e destinação de seus RS por meio de um formulário disponibilizado anualmente pela Fundação Estadual do Meio Ambien- te (FEAM) via on-line. Vale ressaltar que o inventário é um dos instrumentos da PNRS (2010). Atualmente, a PNRS (BRASIL, 2010) dispõe que a ordem de prioridade consiste em não geração, redução, reuti- lização, reciclagem, tratamento e disposição final am- bientalmente adequada dos rejeitos. Não sendo esse esquema muito diferente do proposto por De Martini, nota-se a inclusão da reutilização e a separação da eli- minação e redução da geração. Quando comparados, percebe-se que mesmo antes da implantação da PNRS a prioridade girava em torno da não geração de resí- duos em primeira instância. Para que todo esse processo seja eficaz, faz parte da política da empresa treinar seus colaboradores para segregarem e identificarem corretamente os resíduos, sempre trabalhando na educação ambiental e incenti- vando a redução na geração. Os colaboradores devem possuir conhecimentos das denominações, saber a forma de acondicionamento para cada tipo de resíduo e as formas de destinação final ambientalmente adequada (Tabela 2). De acordo com a Tabela 2, construída com dados dos inventários, os solventes contaminados com pestici- das ocupam o primeiro lugar em quantidade de resí- duos gerados, provindo, em sua maioria, da produção, devido à limpeza do processo produtivo e à limpeza de piso das plantas. Em segundo lugar estão os resíduos de madeira contendo substâncias não tóxicas (pale- tes), os quais são utilizados para sobrepor produtos acabados, ferramentas de trabalho, tambores fecha- dos e qualquer outro material não contaminado. Em grande quantidade aparecem as diversas embalagens contaminadas de matérias-primas, produtos e outros. Os lixos comuns e não recicláveis são transportados pela prefeitura para o aterro sanitário do município, enquanto os entulhos são destinados para um aterro de construção civil particular, que atende a todos os cri- térios de homologação de fornecedores, assim como o aterro sanitário. O restante dos resíduos considerados não perigosos totaliza 23,34% do total gerado, sendo Avaliação do gerenciamento de resíduos perigosos em indústria de defensivos agrícolas 35 RBCIAMB | n.41 | set 2016 | 24-41 Tabela 2 – Tipos de resíduos, quantidade, acondicionamento e destinação dos resíduos gerados em 2013. Denominação Quantidade Acondicionamento Destinação externa Solventes contaminados com pesticidas 541,58 Contêiner/tambor metálico/bombona Incineração Resíduo de madeira contendo substâncias não tóxicas 202,71 Granel sobre palete Reutilização Resíduos perigosos como embalagens diversas de matérias-primas e produtos 168,39 Barrica/caixa de papelão com saco plástico Incineração Tambores metálicos incineração (200 L) 82,50 Granel sobre palete Incineração Barricas 56,50 Granel sobre palete Incineração Resíduos de papel, papelão e embalagens plásticas 56,46 Coletor e caixa de papelão com saco plástico/ caçamba/granel Reciclagem Resíduos perigosos como elementos filtrantes, amostras e produtos vencidos, etc. 32,98 Barrica/caixa de papelão com saco plástico Incineração Sucata de metais ferrosos e não ferrosos 12,92 Coletor e caixa de papelão com saco plástico/ caçambas/granel Reciclagem Entulhos 6,54 Caçamba/granel Aterro de construção civil Lixo comum, restos de alimentos – não recicláveis 4,00 Coletor com saco plástico/ caçamba Aterro sanitário EPIs contaminados, vidrarias contaminadas e paletes contaminados 1,02 Barrica/caixa de papelão com saco plástico / Granel sobre palete Incineração *Tambores metálicos recuperação (200 L) *1042 Granel sobre palete Reutilização recuperação *Bombonas (50, 60, 100 e 200 L) *416 Granel sobre palete Reutilização recuperação EPIs: equipamentos de proteção individual; *a quantidade é medida em toneladas. Fonte: dados fornecidos pela empresa e tabulados pelo autor. esses resíduos destinados a empresas recicladoras ou recuperadoras devidamente homologadas. Nota-se também que, para melhor visualização e inter- pretação, os resíduos classificados e enquadrados na classe I apresentam, em sua denominação, palavras como “contaminados”, “perigosos” ou “tóxicos”. A des- tinação final desses resíduos não pode ser outra senão a incineração, tratando-se de um processo que destrói o resíduo de alta periculosidade por meio da queima realizada em altíssima temperatura. No Gráfico 1 quantifica-se a geração somente daqueles resíduos que são classificados como perigosos. Desta- cam-se, dentre outros itens, com a maior quantidade, o solvente contaminado, as embalagens, os tambores e as barricas, vindo em seguida a somatória dos resíduos perigosos gerados em menores quantidades. De acordo com o Gráfico 1, a empresa gerou mais de 500 toneladas de solventes no ano de 2013, resultan- do em aproximadamente 61,33% de todos os produtos perigosos produzidos. Ressalta-se que esse tipo de re- síduo se origina, em sua maioria, nos processos de lim- peza das plantas quando há necessidade de troca de Barbosa, B.B.S.; Franchi, T.; Gentil, V.A. 36 RBCIAMB | n.41 | set 2016 | 24-41 produto fabricado. A sua geração é proporcional à pro- dução, pois quanto maior for a variedade quantitativa de produtos fabricados, maior será a necessidade de limpeza. Funcionários entrevistados informaram que a quantidade do solvente contaminado varia de acordo com os produtos fabricados, mas cada limpeza gera em média 14 contêineres com capacidade de 1.000 litros, ou seja, 14.000 litros, equivalentes a 14 toneladas de resíduos para incinerar. Essa quantidade fica exorbitan- te se multiplicada pelo preço pago para a incineradora, que cobra R$ 2,20 por quilograma. Custo por contêiner Massa (Kg)xPreço (R$) Desse modo, os contêineres custam em torno de 2.200 reais2 para a destinação correta dos resíduos gerados, isso se estiverem com suas capacidades má- ximas de volume. Considerando-se que cada limpeza gera 14 unidades, o custo total será de 30.800 reais por transição de produto. A colaboradora entrevistada ressalta que “as altera- ções no cronograma de produção variam de acordo com as vendas: como as vendas aumentam no segun- do semestre, a geração de resíduos aumenta na mes- ma proporção”. Assim, foi gasto no ano de 2013, apenas com des- tinação dos solventes contaminados, um valor de R$ 813.582,00, pois o ano de 2014 começou com 171,77 toneladas no estoque inicial. As embalagens de diversas matérias-primas e produ- tos correspondem a 19,07%; os tambores, a 9,34%; as barricas, a 6,40%; e o restante, a 3,86% do total de resíduos gerados. A somatória dos valores, inclu- sive daqueles dos solventes e das embalagens, é de R$1.513.086,00; tendo esses materiais sido destinados para uma incineradora. Dentro desse sistema de gestão ambiental, a empresa necessita estabelecer também os objetivos e metas, conforme o item 4.3.3 da ISO 14001. A administração da empresa criou o indicador de geração de resíduos contaminados, com o objetivo de diminuir sua quanti- dade; e atingir a meta de não ultrapassar a porcenta- gem estipulada de resíduos por produção. Na empresa estudada, observou-se que existe a busca por tecnologias para priorizar a não geração de resí- Elementos filtrantes, amostras e produtos vencidos, EPIs contaminados, vidrarias contaminadas e paletes contaminados Q ua nti da de (t on el ad as ) 600 500 400 300 200 100 0 Solventes contaminados com pesticidas Embalagens diversas de matérias-primas produtos Tambores metálicos incineração (200 L) Barricas EPIs: equipamentos de proteção individual. Gráfico 1 – Quantidade total de resíduos perigosos por tipo (em toneladas). 2Valores referentes ao ano de 2013. Avaliação do gerenciamento de resíduos perigosos em indústria de defensivos agrícolas 37 RBCIAMB | n.41 | set 2016 | 24-41 duos. Um exemplo disso foi a minimização da gera- ção de embalagens de papelão contaminadas (bar- ricas), adotada a partir de 2013, quando elas foram definitivamente trocadas por Big Bags3 (ver Figura 6). Essa troca diminui a quantidade e o volume de resí- duos gerados; com isso a empresa ganha espaço nos depósitos de resíduos perigosos e reduz custos de processamento desses resíduos. Outro exemplo de di- minuição de custos teve lugar quando uma solicitação do setor de meio ambiente foi atendida pela empresa fornecedora de matéria-prima: em 2013, os tambores de produtos químicos perigosos, que possuíam liner4, foram substituídos por tambores sem liner. O fato subtraiu 6,0 kg em cada tambor, diminuindo assim o custo geral para incineração. A empresa possui também um programa de coleta seletiva eficiente, conforme o qual os resíduos são descartados em coletores de acordo com suas respec- tivas cores e a coleta seletiva da própria cidade. En- tretanto, nem todos os resíduos possuem destinação final fora da empresa, alguns são tratados in loco (no lugar). São considerados tratamentos, as alternativas que reduzem a quantidade ou o potencial poluidor dos resíduos sólidos. A colaboradora entrevistada explica que a empresa ad- quiriu, em 2013, uma tecnologia que consegue tratar os solventes formulados à base de água por meio de um evaporador a vácuo cuja eficiência abrange 90% de resíduos tratados. Entrando nele o resíduo, saem con- centrado (incineração) e água tratada (reuso). Toda a água tratada passa por análises no laboratório da pró- pria empresa, para verificar se realmente está apta a ser reutilizada na irrigação dos jardins ou na limpeza do chão da fábrica. Como a empresa não possui inci- nerador próprio, esse serviço é prestado por terceiros. De acordo com os inventários analisados, a totalidade dos resíduos perigosos foi destinada para apenas uma incineradora (incineradora A) em 2013. O motivo alega- do pela administração da empresa para utilizar apenas essa incineradora é que, em 2013, a mesma possuía o melhor preço de acordo com as pesquisas realizadas no mercado e a menor distância da indústria. Com o objetivo de facilitar a visualização e a análise da meta referente à geração de resíduos perigosos esta- belecida pela empresa, utilizou-se um indicador am- biental do tipo pressão (Gráfico 2). Esse tipo está rela- cionado às atividades humanas, no caso, à disposição de resíduos contaminados, podendo ser classificado também como indicador de desempenho operacional de resíduos. Figura 6 – Embalagens Big Bags em armazenamento temporário sobre paletes no depósito de resíduos contaminados (inseticida). 3Embalagens flexíveis feitas de tecidos de polipropileno de alta resistência, ideais para acondicionamento, armazenagem e trans- porte de matérias-primas. Para maiores informações, ver: http://www.reciclabag.com.br/site/bigbag/ 4Bombona produzida com polietileno de alta densidade, sendo resistente à queda, ao empilhamento e a produtos químicos. Para maiores informações, ver: http://syntex.com.br/?page_id=933 Barbosa, B.B.S.; Franchi, T.; Gentil, V.A. 38 RBCIAMB | n.41 | set 2016 | 24-41 Como definição, um indicador é uma ferramenta que permite a obtenção de informações sobre uma dada realidade, tendo como característica principal a de po- der sintetizar diversas informações e reter apenas o sig- nificado essencial dos aspectos analisados (MITCHELL, 2006 apud UCKER; KEMERICK; ALMEIDA, 2012, p. 120). De acordo com Ucker, Kemerick, Almeida (2012, p. 120), os indicadores consistem em elementos utilizados para avaliar o desempenho de políticas ou processos com maior grau de objetividade possível, podendo fornecer uma síntese das condições ambientais, das pressões sobre o meio ambiente e ações mitigadoras. Analisando o gráfico, percebe-se que a maior geração mensal de resíduos se refere ao mês de fevereiro, en- quanto o mês de março apresenta a maior geração acumulada. O mês de outubro fica, por sua vez, com a menor geração mensal e em janeiro de 2014 consta- ta-se a menor geração acumulada. Portanto, no início do ano as gerações mensais e as gerações acumuladas foram maiores, mas ao fechar o ano a média da gera- ção mensal e da acumulada ficou sendo de 2,84% para ambas, ou seja, abaixo do valor máximo estimado pela empresa. Um colaborador explica que: “o fato relacionado com a desproporção do mês de fe- vereiro em relação aos outros se dá porque nesse mês todos os resíduos foram destinados para a incinerado- ra, e no mês de março houve a aquisição do evapora- dor, iniciando-se os tratamentos; logo nos meses se- guintes ocorreu a redução da porcentagem de geração mensal e do acumulado de resíduos”. CONSIDERAÇÕES FINAIS A gestão aplicada no gerenciamento de resíduos peri- gosos da empresa-alvo desta pesquisa atende as nor- mas vigentes e a legislação nacional. Observa-se que, como resultado da implantação do SGA e de estraté- Kg re síd uo /k g- L p ro du zid o (% ) 10,0 8,0 6,0 4,0 2,0 0,0 2,64 2,64 9,18 5,06 5,19 5,09 2,11 4,21 0,96 3,18 1,36 2,74 1,63 2,46 1,97 2,35 1,03 2,04 0,86 1,83 1,74 1,82 Geração Mensal Geração Acumulada 1,99 1,87 1,651,65 jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez jan Gráfico 2 – Geração de resíduos contaminados (Máx. 3,5% de resíduo/produzido). Avaliação do gerenciamento de resíduos perigosos em indústria de defensivos agrícolas 39 RBCIAMB | n.41 | set 2016 | 24-41 gias de gerenciamento de resíduos, ela obteve as certi- ficações de gestão e as permissões para operação. Entretanto, percebemos que há necessidade de me- lhorias para alcançar uma produção mais limpa, prin- cipalmente no que diz respeito à gestão dos solventes contaminados gerados na produção. Fatores como a desconsideração do potencial de reuso dos solventes tratados na empresa e reencaminhados para o proces- so industrial precisam ser estudados. Uma análise da quantidade ideal de água utilizada na limpeza dos equi- pamentos de produção possibilitaria a minimização da geração de solventes contaminados, impactando posi- tivamente na redução dos respectivos gastos. Lembre- se também que, utilizando o evaporador que trata os solventes à base de água, a empresa gerou uma econo- mia de R$ 251.133,50 na despesa com incineração, no período de março a outubro de 2013. Quanto às embalagens de matérias-primas, a opção pelos Big Bags no lugar das barricas, como forma de diminuição da quantidade de resíduos gerados, indi- ca um rumo a ser pactuado com os fornecedores que possuam alternativas de embalagens mais eficientes. A manutenção dessa tendência para outros tipos de embalagens de produtos adquiridos pela empresa é uma opção mais eficiente do ponto de vista da gestão e ambientalmente correta. Trata-se de escolher os for- necedores de forma mais criteriosa, levando em conta as melhores alternativas de embalagens dos produtos adquiridos como um dos critérios de seleção/homolo- gação desses fornecedores. Entendemos também que o fato de todos os resíduos sólidos terem sido desti- nados a apenas uma incineradora, em 2013, constitui uma limitação, pois caso ocorresse uma inconformida- de dessa prestadora de serviços, a empresa estudada poderia correr o risco de superlotar seus pátios de es- tocagem de resíduos perigosos ou de ter que buscar por outra incineradora mais distante, o que poderia impactar nos custos da destinação dos resíduos. Reco- nhecendo o risco, a empresa realizou, em 2014, a ho- mologação de mais duas empresas do mesmo ramo. Acreditar que a sustentabilidade e a qualidade dos produtos industriais podem trabalhar em conjunto com o meio ambiente é essencial para a estrutu- ração de empresas modernas e competitivas. Tra- ta-se, portanto, de efetivar uma melhoria contínua nesse aspecto, desenvolvendo tecnologias que au- xiliem no gerenciamento dos resíduos perigosos e promovam sua redução, seu reuso e sua reciclagem sempre que possível. 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