75 RBCIAMB | n.41 | set 2016 | 75-85 Márcio Alves Bezerra Mestre e Professor Efetivo do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE) – Fortaleza (CE), Brasil. Daniel Clayton Pinheiro Lustosa Engenheiro de pesca e consultor em aquicultura na Alimenta Representações e Consultoria Ltda. – Parnaíba (PI), Brasil. Manuel Antônio de Andrade Furtado-Neto Doutor e Professor Adjunto da Universidade Federal do Ceará (UFC) – Fortaleza (CE), Brasil. Endereço para correspondência: Márcio Alves Bezerra – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará – 62580-000 – Fortaleza (CE), Brasil – E-mail: mab.ifce@gmail.com RESUMO Uma das formas de verificar os impactos ambientais da criação de camarões (carcinicultura) é pela análise sistêmica das águas afluentes e efluentes de seus viveiros de produção. O objetivo deste trabalho foi caracterizar afluentes e efluentes da carcinicultura por meio de seus parâmetros físicos, químicos e biológicos e suas concentrações, adotando um regime temporal de coleta de amostras nas diferentes estações climáticas do ano. As metodologias e os padrões de referência na pesquisa estão respaldados pela legislação ambiental vigente. Os resultados indicaram que não houve diferenças significativas entre as concentrações dos parâmetros avaliados das águas afluentes e efluentes. Indicaram também a inaplicabilidade da legislação ambiental em vigor, que não considera nossas particularidades ambientais regionais, já que algumas concentrações dos parâmetros de qualidade de afluentes se encontram em desconformidade com essa legislação, o que tem causado dificuldades na avaliação ambiental dos órgãos licenciadores sobre a atividade no Ceará. Palavras-chave: qualidade de água; indicadores; carcinicultura. ABSTRACT One of the ways to verify environmental impacts of shrimp farming is through the systemic analysis of influent and effluents waters ponds. The aim of this work was to characterize these variables through its physical, chemical and biological parameters and their concentrations, adopting a temporal scheme of samples collection in different climate stations of the year. Methodologies and reference standards in research are supported by current environmental legislation. Results showed that there were no significant differences between the concentrations of these parameters between the influent and effluent waters. They, furthermore, indicate a inapplicability of current environmental legislation in Brazil, which does not consider our regional environmental characteristics, because the quality of the affluent waters were already in disagreement with the Brazilian environmental legislation, which has caused conflicts of interpretation in the environmental assessment of the shrimp culture in Ceará, Brazil. Keywords: water quality; indicators; shrimp culture. DOI: 10.5327/Z2176-947820160083 PADRÕES HIDROBIOLÓGICOS COMO INDICADORES AMBIENTAIS EM ÁGUAS AFLUENTES E EFLUENTES DE VIVEIROS DE CARCINICULTURA MARINHA NO ESTADO DO CEARÁ HYDROBIOLOGICAL STANDARDS AS ENVIRONMENTAL INDICATORS IN AFFLUENTS AND EFFLUENTS OF MARINE SHRIMP PONDS IN CEARÁ STATE Bezerra, M.A.; Lustosa, D.C.P.; Furtado-Neto, M.A.A. 76 RBCIAMB | n.41 | set 2016 | 75-85 INTRODUÇÃO O cultivo de camarões marinhos da espécie Litopenaeus vannamei no Brasil tem aumentado nos últimos anos, impulsionado pelo expansão da demanda doméstica e por melhorias na tecnologia de produção (NUNES & ROCHA, 2015). Apesar de ter passado por graves problemas que tiraram a competitividade do camarão brasileiro no mercado internacional, o setor produtivo apostou no aumento do consumo de camarão pelos brasileiros, a saída que precisava para voltar a crescer e produzir. No ano de 2014, aproximadamente 85.000 t de camarão dessa espécie foram produzidas no Brasil (ROCHA & MENDONÇA, 2015). Nesse mesmo, o Esta- do do Ceará ano foi o maior produtor de camarão do país, com cerca de 45.000 t de produto comerciali- zadas no mercado doméstico brasileiro para cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Florianó- polis (ROCHA, 2015). O debate sobre as questões ambientais relativas aos impactos negativos e positivos dessa atividade econô- mica continua a ocorrer no Brasil e no mundo. Vários trabalhos tanto apontam possíveis impactos negativos sobre a qualidade ambiental em áreas onde a criação de camarões está inserida quanto exaltam externali- dades positivas do ponto de vista econômico e social (HOPKINS et al., 1995; PÁEZ-OSUNA, 2001). Nesse cenário de discussão ambiental, a questão dos possíveis impactos dos efluentes das unidades de pro- dução de camarões sobre os corpos hídricos receptores sempre esteve em pauta. O assunto é extremamente importante para os produtores, já que o monitoramen- to dos padrões hidrobiológicos é um procedimento operacional de extrema importância para o sucesso dos cultivos (BOYD; HARGREAVES; CLAY, 2002). Esse monitoramento deve se estender não só ao acompanhamento hidrobiológico das águas efluentes dos viveiros de camarões como também das águas afluentes que abastecem a unidade de produção (FERREIRA; BONETTI; SEIFFERT, 2011). Isso para que se possa ter com maior precisão técnica a diferença entre as concentrações dos parâmetros de qualidade das águas afluentes e efluentes após os processos de uso desses recursos hídricos pela atividade produtiva (JONES et al., 2001), com vistas a mensurar as possí- veis externalidades causadas pela atividade de carci- nicultura sobre o meio ambiente. No Brasil, a caracterização dos efluentes da ativida- de de carcinicultura é regulamentada pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA) por meio das Resoluções nos 312/2002, 357/2005 e 430/2011(BRA- SIL, 2002; 2005; 2011), que indicam os protocolos e os padrões de referência para enquadramento de confor- midade de efluentes em corpos hídricos receptores. Nesse contexto legal, os empreendimentos de carcini- cultura são recomendados a medir as concentrações de alguns parâmetros expostos nas resoluções como condicionante para seu licenciamento ambiental. Dessa forma, o objetivo do presente estudo foi carac- terizar os parâmetros físicos, químicos e biológicos de águas afluentes e efluentes de viveiros de produção de camarões em uma unidade no município de Acaraú, Es- tado do Ceará, Brasil. MATERIAIS E MÉTODOS Local e período do estudo O estudo foi realizado em uma unidade produtora de camarões marinhos no município de Acaraú, distante 245 km de Fortaleza (Figura 1A) e 8 km do centro de Acaraú (Figura 1B), que trabalha com sistema semi- -intensivo de produção (densidade de estocagem: 35 camarões/m2; 2,5 ciclos por ano; baixa renovação de água; fertilização inorgânica; aeração artificial; ração artificial; utilização de bandejas) e tem uma área de produção (lâmina d’água) de 47 ha (Figura 1C), com captação oriunda de estuários dominados por marés. O período de amostragem nas estações de coleta da pesquisa (Figura 1D) compreendeu um ano de execu- ção, de fevereiro de 2014 a janeiro de 2015, respeitan- do uma frequência trimestral, bem como os níveis de marés de quadratura e sizígia, que são disseminados por meio do boletim informativo da Direção de Hidro- logia e Navegação (DHN) no Brasil, como também os dois períodos climáticos reconhecidos como seco e chuvoso no Estado do Ceará. Padrões hidrobiológicos como indicadores ambientais em águas afluentes e efluentes de viveiros de carcinicultura marinha no Estado do Ceará 77 RBCIAMB | n.41 | set 2016 | 75-85 Metodologia de coletas A definição das estações de coletas seguiu a reco- mendação da legislação ambiental vigente publicada pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONA- MA) por meio da Resolução no 312/2002 (BRASIL, 2002), que regulamenta os planos de monitoramen- to ambiental (PMAs) em empreendimentos de carci- nicultura no Brasil e indica que os pontos de coleta devem ser a montante do local monitorado, ou seja, na captação das águas afluentes ao empreendimen- to, e a jusante da comporta de drenagem dos efluen- tes dos viveiros de produção. As coletas das águas nas estações para as análises fí- sico-químicas foram realizadas nos viveiros de produ- ção, em uma profundidade de 0,50 m, e colocadas em garrafas plásticas de 200 mL, utilizadas exclusivamen- te para a coleta; para o transporte, foram acondicio- nadas em isopores com gelo para manutenção das ca- racterísticas das amostras coletadas até a chegada ao laboratório de exames. Para as análises biológicas, fo- ram obtidas amostras nas estações por meio de redes de arrasto cilíndrico-cônicas com diâmetro de boca de 30 cm e abertura de malha de 20 mm para a captura de espécies de plânctons. Tais amostras coletadas fo- ram acondicionadas em frascos apropriados e fixados com formalina a 4% para as posteriores avaliações qualitativa e quantitativa. Fonte: Google Earth (2015). Figura 1 – Mapa de localização da área do estudo: (A) distância de 245 km entre Fortaleza e Acaraú, Ceará; (B) distância de 8 km entre o centro de Acaraú e a unidade produtora da pesquisa; (C) disposição entre afluentes e efluentes na unidade produtora da pesquisa; (D) estações de coleta. A C B D Bezerra, M.A.; Lustosa, D.C.P.; Furtado-Neto, M.A.A. 78 RBCIAMB | n.41 | set 2016 | 75-85 Metodologia de análise das amostras Para as análises físico-químicas, foram considerados os seguintes parâmetros e suas respectivas unidades: amônia total (mg.L-1), clorofila “a” (mg.L-1), coliformes totais (NMP/100 ml), demanda bioquímica de oxigê- nio (DBO) (mg.L-1), fosfato total (mg.L-1), sólidos totais em suspensão (STS) (mg.L-1), nitrato (mg.L-1), nitrito (mg.L-1), oxigênio dissolvido (OD) (mg.L-1), potencial hidrogeniônico (pH), salinidade (ppt), silicato (mg.L-1) e temperatura (oC). As referências técnicas para as metodologias de aná- lise para cada um dos parâmetros anteriormente des- critos foram baseadas nos padrões de análise de água e águas residuais da Associação Norte-Americana de Saúde Pública (APHA; AWWA; WEF, 2005). Para as análises biológicas qualitativas, foram utilizadas metodologias de microscopia óptica para visualização dos gêneros de fitoplânctons e zooplânctons presentes nas amostras de água. Já para as análises quantitati- vas, foram aplicadas metodologias tradicionais de con- tagem, com o emprego de aparelhos como câmara de Neubauer e/ou câmara de Sedgewick-Rafter em con- sonância com cálculos volumétricos para quantificação dos grupos taxonômicos de microplânctons identifica- dos nas amostras. Os padrões de referência para determinar o enqua- dramento das águas, bem como a conformidade dos limites de concentrações de emissões de efluentes líquidos em corpos hídricos receptores, foram os pu- blicados nas Resoluções CONAMA no 357/05 e 430/11 (BRASIL, 2005; 2011). RESULTADOS E DISCUSSÃO Parâmetros físico-químicos Os resultados expostos na Tabela 1 mostraram que o enquadramento das águas do empreendimento estu- dado está na Classe 1 (águas salinas) durante todo o ano. A proximidade do mar e a pouca influência fluvial sobre o estuário de captação do empreendimento con- tribuíram para essa estabilização do enquadramento durante todo o ano e no período da pesquisa. Outra constatação é que não houve diferenças muito significativas nas concentrações da maioria dos pa- râmetros físico-químicos entre as águas afluentes e efluentes dos viveiros de produção. Altas concentrações de amônia na água podem com- prometer aspectos fisiológicos importantes nos ca- marões, como a ecdise e o consumo de oxigênio, e também causar a morte dos animais quando esse composto se encontra em sua forma tóxica (CHEN & KOU, 1992; CHEN & LIN, 1992). As concentrações en- contradas na Tabela 1 para esse parâmetro indicam que, além de não haver diferença significativa entre as águas afluentes e efluentes dos viveiros de produ- ção, elas se encontraram em conformidade com a le- gislação vigente durante todo o ano. A mesma consta- tação foi encontrada para os parâmetros clorofila “a” e coliformes totais. As concentrações dos parâmetros relativos ao pH, à temperatura e à salinidade mostraram-se estáveis durante todo o ano, independentemente da estação climática dominante na região. A estabilidade con- junta desses parâmetros pode trazer benefícios tanto aos camarões cultivados quanto à qualidade da água a ser efluída no corpo hídrico receptor adjacente ao empreendimento, já que essa condição não inibe as- pectos fisiológicos importantes dos organismos aquáti- cos, como metabolismo, imunidade, crescimento e os- morregulação (ALLAN; FRONEMAN; HODGSON, 2006; GUAN et al., 2003 WYBAN; WALSH; GODIN, 1995; CHENG; WANG; CHEN, 2005). As concentrações de componentes nitrogenados como nitrito e nitrato em águas efluentes de viveiros de carci- nicultura são amplamente estudadas, dado os possíveis impactos que a atividade produtiva pode causar no am- biente externo caso haja acumulação de forma excessiva desses compostos durante o ciclo de produção (LACERDA, 2006; JACKSON et al., 2011; BRIGGS & FUNGE-SMITH, 1994; SARAC et al., 1993). Para as concentrações de nitrito encontradas, foi identificado não haver diferen- ça significativa entre as concentrações dos parâmetros nas águas afluentes e efluentes dos viveiros de produ- ção, bem como elas apresentaram conformidade com Padrões hidrobiológicos como indicadores ambientais em águas afluentes e efluentes de viveiros de carcinicultura marinha no Estado do Ceará 79 RBCIAMB | n.41 | set 2016 | 75-85 Tabela 1 – Concentrações médias dos parâmetros físico-químicos das amostras. Parâmetros Trimestre 1 – 2014 (Fev/Mar/Abr) Trimestre 2 – 2014 (Mai/Jun/Jul) Afluentes Efluentes Afluentes Efluentes Captação Viv. 02 Viv. 05 Viv. 07 Viv. 11 Captação Viv. 02 Viv. 05 Viv. 07 Viv. 11 Amônia total 0,14 0,25 0,10 0,18 0,21 0,21 0,20 0,16 0,36 0,30 Clorofila “a” <1,00 <1,00 <1,00 <1,00 <1,00 <1,00 <1,00 <1,00 <1,00 <1,00 Coliformes totais <300,00 <300,00 <300,00 <300,00 <300,00 <300,00 <300,00 <300,00 <300,00 <300,00 DBO 65,00 45,00 22,00 75,00 62,00 52,00 35,00 45,00 78,00 60,00 Fosfato total 0,74 0,81 0,95 0,65 0,80 0,95 0,64 0,85 0,91 0,56 STS 125,00 89,00 110,00 134,00 93,00 185,00 135,00 146,00 95,00 173,00 Nitrato 2,50 1,87 1,42 1,11 2,1 1,75 1,34 1,78 1,32 0,87 Nitrito <0,01 <0,01 <0,01 <0,01 <0,01 <0,01 <0,01 <0,01 <0,01 <0,01 OD 4,60 3,70 4,90 3,90 4,10 3,8 4,2 4,8 3,9 5,0 pH 7,27 7,60 7,37 6,95 7,89 7,45 7,10 6,84 7,57 7,04 Salinidade 33,00 36,00 31,00 38,00 33,00 30,00 33,00 28,00 26,00 31,00 Temperatura 28,00 28,00 28,00 28,00 28,00 28,00 28,00 28,00 28,00 28,00 Parâmetros Trimestre 3 – 2014 (Ago/Set/Out) Trimestre 4 – 2014/2015 (Nov/Dez/Jan) Afluentes Efluentes Afluentes Efluentes Captação Viv. 02 Viv. 05 Viv. 07 Viv. 11 Captação Viv. 02 Viv. 05 Viv. 07 Viv. 11 Amônia total <0,1 <0,1 <0,1 <0,1 <0,1 <0,1 <0,1 <0,1 <0,1 <0,1 Clorofila “a” 2,00 2,00 1,00 <1,00 2,00 4,0 4,0 2,0 2,0 2,3 Coliformes totais <300,00 <300,00 <300,00 <300,00 <300,00 <300,00 <300,00 <300,00 <300,00 <300,00 DBO 45,00 42,00 48,00 52,00 38,00 56,00 48,00 45,00 25,00 31,00 Fosfato total 0,45 0,76 0,54 0,65 0,32 0,84 0,65 0,47 0,95 0,54 STS 94,00 102,00 110,00 76,00 63,00 112,00 145,00 97,00 92,00 83,00 Nitrato 1,67 1,24 1,78 0,96 1,54 2,15 1,75 1,94 1,54 1,12 Nitrito <0,01 <0,01 <0,01 <0,01 <0,01 <0,01 <0,01 <0,01 <0,01 <0,01 OD 5,40 4,80 6,10 5,70 5,10 4,7 5,3 5,5 6,1 3,8 pH 7,10 6,34 7,40 7,20 7,10 7,54 7,23 7,82 7,77 7,12 Salinidade 45,00 48,00 43,00 45,00 48,00 48,00 46,00 42,00 52,00 48,00 Temperatura 29,00 29,00 29,00 29,00 29,00 29,00 29,00 29,00 29,00 29,00 Legenda: Em azul escuro: conforme com a legislação ambiental vigente (Resoluções CONAMA no 357/05; 430/11); em azul claro: desconforme com a legislação ambiental vigente (Resoluções CONAMA no 357/05; 430/11); sublinhado: melhora da qualidade do efluente em relação ao afluente (refe- rências: Resoluções CONAMA nos 357/05; 430/11); itálico: piora da qualidade do efluente em relação ao afluente (referências: Resoluções CONAMA nos 357/05; 430/11); bold: não houve alteração de qualidade do efluente para o afluente (referências: Resoluções CONAMA nos 357/05; 430/11); DBO: demanda bioquímica de oxigênio; STS: sólidos totais em suspensão; OD: oxigênio dissolvido; pH: potencial hidrogeniônico; Viv: viveiro. Bezerra, M.A.; Lustosa, D.C.P.; Furtado-Neto, M.A.A. 80 RBCIAMB | n.41 | set 2016 | 75-85 a legislação ambiental vigente. As concentrações de nitrato não apresentaram a mesma constatação, já que a desconformidade legal atingiu tanto as águas afluen- tes quanto efluentes do empreendimento; entretanto, as concentrações de nitrato verificadas nos afluentes diminuíram em relação aos efluentes, o que demons- trou a ação dos processos de sedimentação e desni- trificação em viveiros de carcinicultura conforme pode ser visto em outros estudos mais completos (BUFFORD et al., 2003). Estudos realizados por Lacerda e Sena (2005) apontam resultados similares com relação à desconformidade de águas estuarinas naturais que são afluentes de empreendimentos de carcinicultura. Essa é uma constatação já apontada por Bezerra, Lustosa e Vasconcelos (2013) em outros estuários cearenses, o que demonstra a necessidade de elaboração de um ato normativo estadual que defina padrões de referência para afluentes e efluentes da criação de camarões no Ceará respeitando suas características ambientais, já que a legislação vigente coloca os atuais gestores am- bientais sem a realidade técnica de dados primários para fundamentar com eficiência seus atos competen- tes fiscalizatórios sobre essa atividade e seus reais im- pactos sobre o meio ambiente. A mesma constatação pode ser observada ao analisar as concentrações dos parâmetros relativos a DBO, fos- fato total e STS, ou seja, apesar de observarmos, em geral, reduções das concentrações desses parâmetros entre afluentes e efluentes, seguem em desconformi- dade com a legislação ambiental vigente. Os resultados ainda demonstram que houve, indepen- dentemente da conformidade ou não com a legislação ambiental vigente, alterações positivas e negativas na qualidade da água entre afluente e efluente. Isso indica que o monitoramento contínuo e sistêmico com esses indicadores é muito importante para que a unidade pro- dutiva possa fazer as adequações necessárias no manejo operacional dos viveiros de produção e na sua qualidade de água a fim de evitar alterações significativas e descar- tes contínuos de efluentes desconformes ou com con- centrações piores que as verificadas nas águas afluentes do empreendimento, com vistas a mitigar os impactos da atividade produtiva sobre o meio ambiente. Parâmetros biológicos Apesar das limitações, o uso da biomassa de fitoplânc- ton como um indicador para avaliar os possíveis impac- tos causados por efluentes de viveiros de carcinicultura tem sido praticado e aperfeiçoado (CASÉ et al., 2008). Estudos apontam que é importante identificar a com- posição de espécies de fitoplânctons e suas relações de dominância entre espécies, já que há uma dinâmi- ca contínua de mudanças de fatores de crescimento, como luz, temperatura e concentrações de nutrientes, em um ambiente de cultivo (GOLDMAN & MANN, 1980; YUSOFF et al., 2002). A Tabela 2 mostra os resultados da determinação da densidade celular de todos os grupos de microplanc- tum (fito e zooplâncton), assim como a composição de espécies para cada estação de coleta. Para o grupo relativo aos fitoplânctons, podemos des- tacar o das algas bacillariophytas, de maior represen- tação numérica, seguido pelo grupo das cyanophytas. Quanto à diversidade de espécies de algas, o grupo das bacillariophytas foi o que apresentou o maior número de espécies (Naviculasp, Cymbella sp. E Pleurosygma sp.), enquanto o grupo das cyanophytas foi reapresen- tado pela espécie Oscillatoria sp. Essa dominância de fitoplânctons por gêneros de bacillariophytas e cya- nophytas é bem característica em viveiros de carcini- cultura que absorvem o nitrogênio disponível não re- tido na biomassa de camarões (SANDERS et al., 1987), como pode ser verificado em outros estudos com re- sultados similares (CASÉ et al., 2008; SILVA et al., 2011; CHELLAPA; LIMA; CÂMARA, 2007). A Tabela 3 mostra os resultados para o grupo relativo ao zooplâncton. Podemos destacar grande diversi- dade, sendo os grupos de espécies de copépodas (Nauplio sp., Cyclopoida sp.), anelídeos (Polychaeta sp.) e protozoários do gênero Euplotes os de maior re- presentatividade. Os resultados encontrados para do- minância de gêneros de copépodas, anelídeos e proto- zoários em viveiros de carcinicultura são similares aos encontrados em outros estudos (GOSH et al., 2011; ABUHENA & HISHAMUDDIN, 2014). Com base nos perfis de microplanctum (fito e zooplânc- ton) encontrados na pesquisa, não ficou constatada a presença excessiva de plânctons bioindicadores de má qualidade de água, bem como não ficaram evidencia- Padrões hidrobiológicos como indicadores ambientais em águas afluentes e efluentes de viveiros de carcinicultura marinha no Estado do Ceará 81 RBCIAMB | n.41 | set 2016 | 75-85 Tabela 2 – Caracterizações qualitativa e quantitativa de fitoplânctons nas amostras. Fitoplânctons* Trimestre 1 – 2014 (Fev/Mar/Abr) Trimestre 2 – 2014 (Mai/Jun/Jul) Afluentes Efluentes Afluentes Efluentes Captação Viv. 02 Viv. 05 Viv. 07 Viv. 11 Captação Viv. 02 Viv. 05 Viv. 07 Viv. 11 Bacillariophyta Navicula sp. 21,00 12,00 17,00 10,00 13,00 13,00 6,00 15,00 5,00 NI Cymbella sp. 15,00 22,00 12,00 8,00 21,00 32,00 17,00 12,00 15,00 21,00 Pleurosigma sp. 18,00 7,00 4,00 12,00 2,00 12,00 22,00 18,00 15,00 8,00 Diatoma sp. 4,00 1,00 NI NI 3,00 2,00 4,00 NI 2,00 4,00 Nitzschia sp. 2,00 1,00 NI NI NI NI 1,00 NI NI NI Gyrosigma sp. 5,00 1,00 3,00 2,00 NI 3,00 1,00 4,00 NI NI Chlorophyta Chlorella sp. 1,00 NI NI NI NI 2,00 1,00 NI 1,00 NI Pediastrum sp. 2,00 1,00 1,00 NI NI 1,00 NI NI 2,00 1,00 Closterium sp. 2,00 2,00 NI 1,00 2,00 2,00 2,00 2,00 NI NI Cyanophyta Oscillatoria sp. 15,00 18,00 25,00 12,00 15,00 25,00 12,00 32,00 17,00 12,00 Limnothrix sp. 1,00 NI NI NI NI 3,00 NI NI NI NI Anabaena sp. 3,00 NI 2,00 7,00 8,00 9,00 1,00 3,00 5,00 2,00 Fitoplânctons* Trimestre 3 – 2014 (Ago/Set/Out) Trimestre 4 – 2014/2015 (Nov/Dez/Jan) Afluentes Efluentes Afluentes Efluentes Captação Viv. 02 Viv. 05 Viv. 07 Viv. 11 Captação Viv. 02 Viv. 05 Viv. 07 Viv. 11 Bacillariophyta Navicula sp. 12,00 8,00 11,00 3,00 8,00 9,00 4,00 12,00 3,00 3,00 Cymbella sp. 21,00 17,00 10,00 18,00 23,00 15,00 7,00 18,00 25,00 8,00 Pleurosigma sp. 9,00 2,00 NI NI 5,00 3,00 2,00 NI NI NI Diatoma sp. 2,00 NI NI NI NI 3,00 3,00 2,00 1,00 1,00 Nitzschia sp. NI NI NI NI NI NI NI NI NI NI Gyrosigma sp. 7,00 2,00 2,00 5,00 1,00 2,00 5,00 3,00 2,00 3,00 Chlorophyta Chlorella sp. 3,00 1,00 1,00 1,00 5,00 2,00 1,00 3,00 1,00 2,00 Pediastrum sp. NI NI NI NI NI NI NI NI NI NI Closterium sp. 2,00 1,00 1,00 1,00 NI 2,00 NI 1,00 2,00 NI Cyanophyta Oscillatoria sp. 23,00 32,00 21,00 10,00 18,00 28,00 17,00 15,00 19,00 20,00 Limnothrix sp. 4,00 1,00 2,00 3,00 NI 3,00 1,00 NI 3,00 NI Anabaena sp. 3,00 NI 2,00 1,00 5,00 12,00 4,00 8,00 14,00 6,00 *Unidade de medida: Células/mL; NI: Não identificado; Viv.: viveiro. Bezerra, M.A.; Lustosa, D.C.P.; Furtado-Neto, M.A.A. 82 RBCIAMB | n.41 | set 2016 | 75-85 Tabela 3 – Caracterizações qualitativa e quantitativa de zooplânctons nas amostras. Zooplânctons* Trimestre 1 – 2014 (Fev/Mar/Abr) Trimestre 2 – 2014 (Mai/Jun/Jul) Afluentes Efluentes Afluentes Efluentes Captação Viv. 02 Viv. 05 Viv. 07 Viv. 11 Captação Viv. 02 Viv. 05 Viv. 07 Viv. 11 Copepoda Náuplio sp. 2,00 1,00 NI 1,00 1,00 6,00 4,00 7,00 3,00 2,00 Harpacticóida sp. 1,00 NI 1,00 1,00 NI 1,00 1,00 1,00 NI NI Cyclopóida sp. 4,00 1,00 1,00 1,00 2,00 8,00 10,00 5,00 3,00 6,00 Calanóida sp. NI 1,00 1,00 NI NI NI NI NI NI NI Rotifera Brachionus sp. 1,00 1,00 NI 1,00 NI 1,00 6,00 2,00 5,00 2,00 Keratella sp. NI 1,00 NI NI NI 2,00 2,00 1,00 2,00 2,00 Filinia sp. 1,00 NI NI NI 1,00 2,00 1,00 1,00 1,00 1,00 Trichocerca sp. 1,00 NI 1,00 1,00 NI NI 1,00 1,00 1,00 NI Proales sp. 1,00 NI NI NI 1,00 NI NI NI NI NI Protozoa Euplotes sp. 1,00 NI NI NI NI 8,00 8,00 6,00 2,00 5,00 Paradileptus sp. NI NI NI NI NI 1,00 NI 1,00 1,00 NI Blepharisma sp. 2,00 2,00 2,00 1,00 NI 12,00 9,00 5,00 3,00 4,00 Cyclidium sp. NI NI NI NI 1,00 2,00 2,00 NI NI 1,00 Vorticelasp NI NI NI 1,00 1,00 NI NI NI NI NI Zooplânctons* Trimestre 3 – 2014 (Ago/Set/Out) Trimestre 4 – 2014/2015 (Nov/Dez/Jan) Afluentes Efluentes Afluentes Efluentes Captação Viv. 02 Viv. 05 Viv. 07 Viv. 11 Captação Viv. 02 Viv. 05 Viv. 07 Viv. 11 Copepoda Náuplio sp. 8,00 3,00 2,00 5,00 1,00 6,00 3,00 3,00 2,00 5,00 Harpacticóida sp. 1,00 1,00 2,00 1,00 NI 3,00 1,00 1,00 1,00 1,00 Cyclopóida sp. 6,00 2,00 4,00 1,00 5,00 5,00 3,00 2,00 3,00 1,00 Calanóida sp. NI NI NI NI NI NI NI NI NI NI Rotifera Brachionus sp. 3,00 2,00 4,00 3,00 2,00 2,00 3,00 1,00 2,00 4,00 Keratella sp. 4,00 1,00 3,00 1,00 1,00 3,00 1,00 3,00 2,00 3,00 Filinia sp. 1,00 NI NI NI NI 1,00 1,00 1,00 1,00 2,00 Trichocerca sp. 1,00 1,00 1,00 NI NI NI NI NI NI NI Proales sp. NI NI NI NI NI NI NI NI NI NI Protozoa Euplotes sp. 3,00 1,00 2,00 1,00 1,00 7,00 3,00 4,00 2,00 6,00 Paradileptus sp. 1,00 1,00 NI NI NI 1,00 1,00 1,00 1,00 NI Blepharisma sp. 3,00 4,00 2,00 2,00 2,00 8,00 10,00 7,00 2,00 7,00 Cyclidium sp. 2,00 1,00 1,00 2,00 1,00 2,00 2,00 1,00 1,00 1,00 Vorticelasp NI NI NI NI NI NI NI NI NI NI *Unidade de medida: Organismos/mL; NI: não identificado; Viv.: viveiro. Padrões hidrobiológicos como indicadores ambientais em águas afluentes e efluentes de viveiros de carcinicultura marinha no Estado do Ceará 83 RBCIAMB | n.41 | set 2016 | 75-85 dos grupos taxonômicos de fito e zooplânctons signi- ficativamente diferentes entre as águas de captação provenientes do ambiente externo e os efluentes dos viveiros de produção do empreendimento. CONCLUSÕES Com base nos resultados descritos, é possível con- cluir que os padrões hidrobiológicos se apresentaram como bons indicadores ambientais para identificar com mais precisão os possíveis impactos ambientais causados por efluentes de carcinicultura em corpos hídricos receptores adjacentes ao empreendimento e que o monitoramento contínuo e sistêmico com esses indicadores é muito importante para que a unidade produtiva possa fazer as adequações necessárias com vistas a mitigar os impactos da atividade produtiva so- bre o meio ambiente. Analisando a diferença entre as concentrações de afluentes e efluentes, podemos considerar que os viveiros de carcinicultura podem descartar no corpo hídrico receptor um efluente com a mesma ou me- lhor característica físico-química e biológica do que a observada no afluente, já que os aportes de compo- nentes nitrogenados e fosfatados no ambiente exter- no causado pelos efluentes podem ser controlados e monitorados nos processos de boas práticas de ma- nejo utilizados pelo empreendimento durante o ciclo de produção dos camarões. Outra constatação importante é que os indicadores ambientais apontaram que os padrões hidrobiológicos dos afluentes apresentam desconformidade com a le- gislação vigente, o que implicaria uma necessidade de elaboração de um ato normativo que definisse padrões de referência para afluentes e efluentes da criação de camarões no Ceará respeitando suas características ambientais, já que a legislação vigente coloca os atuais gestores ambientais sem a realidade técnica de dados primários para fundamentar com eficiência seus atos competentes fiscalizatórios sobre essa atividade e seus reais impactos sobre o meio ambiente. Para concluir, é importante que outras variáveis sejam in- cluídas nesse tipo de avaliação ambiental, como questões ligadas a vazões de referência dos corpos hídricos recep- tores e seus graus de diluição em relação aos efluentes emitidos pela carcinicultura no meio ambiente. REFERÊNCIAS ABU HENA, M.K. & HISHAMUDDIN, O. 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