516 RBCIAMB | v.57 | n.3 | Sep 2022 | 516-518 - ISSN 2176-9478 The motivations for writing this text arise from observations and reflections in the context of the activities of mentoring masters and doctoral students, methodology class, curiosity about epistemologies, and attributions as a reviewer and editor of scientific journals. I have also often been urged to speak on the subject in courses and events. Recently, I have been invited to talk to two groups of students and researchers from very different areas at two conferences. However, they had the same question: Where to publish their academic works and research results? It was not a new question, nor was it rare. I had come across it several times with almost ordinary frequency. I realized that it was not just a rhetorical question or a pedagogical strategy to generate reflection. This is a real challenge that causes problems and disturbs the lives of students and researchers, more and more intense. In the wake of this reflection, I thought that, then, we have an education problem here. Such strategies ought to be taught over the course of a graduation program to include training for research and the importance of scientific communication, how and where to do these As motivações para escrever este texto surgem das observações e re- flexões no âmbito das atividades de orientação de mestrandos e douto- randos, de professor de metodologia, de indivíduo curioso das epistemo- logias e das atribuições enquanto revisor e editor de periódicos científicos. Com frequência, tenho sido instado, também, a falar sobre o assunto em cursos e eventos. Recentemente, fui convidado a falar em duas conferências para dois grupos de estudantes e pesquisadores de áreas bem distintas, mas que tinham a mesma indagação: onde publicar seus trabalhos acadêmicos, os resultados de suas pesquisas. Não era uma dúvida nova, nem rara. Já havia me deparado com ela diversas vezes e com frequência quase corri- queira. Percebi que não era apenas uma dúvida retórica, uma estratégia pedagógica para gerar reflexão. Essa é uma dúvida real, que causa pro- blemas e atrapalha a vida dos estudantes e dos pesquisadores, com cada vez mais intensidade. Na esteira dessa reflexão, pensei que, então, temos aqui um problema de formação. Há que se incluir estratégias para ensinar durante o proces- so de formação para a pesquisa, a importância da comunicação científi- 1Universidade Tecnológica Federal do Paraná – Curitiba (PR), Brazil. Correspondence address: Valdir Fernandes – Rua Deputado Heitor Alencar Furtado, 5000 – CEP: 81280-340 – Curitiba (PR), Brazil. E-mail: valdir.fernandes@icloud.com Conflicts of interest: the author declares no conflicts of interest. Funding: none. Received on: 07/08/2022. Accepted on: 08/05/2022. https://doi.org/10.5327/Z2176-94781439 Revista Brasileira de Ciências Ambientais Brazilian Journal of Environmental Sciences Revista Brasileira de Ciências Ambientais Brazilian Journal of Environmental Sciences ISSN 2176-9478 Volume 56, Number 1, March 2021 This is an open access article distributed under the terms of the Creative Commons license. Why and where to publish Valdir Fernandes1 Porquê & onde publicar Viewpoint A B S T R A C T This reflection on why and where to publish assumes that scientific communication is an essential element of the dialogic construction of knowledge in the context of each community. Publishing at any cost perverts this process, resulting in distorted metrics and opening the way for dubious editorial practices. Keywords: scientific communication; publish or perish; scientific journals; editorial policy. R E S U M O Essa reflexão sobre porquê e onde publicar parte do pressuposto de que a comunicação científica é um elemento essencial do processo de construção dialógica do conhecimento no contexto de cada comunidade. Publicar a qualquer custo desvirtua esse processo, resultando em métricas distorcidas e abrindo caminho para práticas editoriais duvidosas. Palavras-chave: comunicação científica; publicar ou perecer; revistas científicas; políticas editoriais. mailto:valdir.fernandes@icloud.com https://doi.org/10.5327/Z2176-94781439 http://www.rbciamb.com.br http://abes-dn.org.br/ https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ https://orcid.org/0000-0003-0568-2920 Why and where to publish 517 RBCIAMB | v.57 | n.3 | Sep 2022 | 516-518 - ISSN 2176-9478 things. It would be simple if it were simple. But it is not! Not in the current system that has many distortions, in which publishing has be- come an end. And in becoming an end, it also became a business. Our titles, careers, success, and recognition depend on how much we pub- lish. Publish or perish! So “where” to publish? Simple answer: In the best journals, with the best metrics! Not so simple! Metrics are partial abstractions, and as such, they only simulate the reality in each area which, in themselves, are unique. Its application requires knowledge about its purposes, which is more complex, with questions that are more difficult to answer than “where to publish.” The universalization between areas and what they measure is a distortion of reality (see Fer- nandes and Salviano, 2016). These system distortions, caused by “publish or perish” and lev- eraged by the universalization of abstraction of metrics, resulted in a publishing business made possible and maximized by digital transfor- mation. In this context, there is a dilemma about the social control of scientific communication: On the one hand, a large part of the quali- ty control of journals is in charge of the business owners themselves, who produce and centralize metrics; on the other hand, at the mercy of debatable editorial practices, which sell facilities to the unsuspecting, with thousands of published articles that apparently do not pass or only mimic peer review. In this context, at this point of reflection, the question of “where” to publish ultimately loses its meaning. Why? Because “the where” is a place. It is a territory of existence, of contribution, of construction of identity. Identity cannot exist in the abstraction of metrics nor the falsity of spurious editorial processes. Here it is necessary to take a step back. Before “where” to publish, we must ask ourselves “why” to publish? In the scientific mainstream, scientific communication is an essential part of the dialogic construc- tion of knowledge. The submission of a publication is in itself an act of recognizing the authority and suitability of a community to evaluate and support (or not) the results of research. It is the submission and recognition of the social capital based on trust and cooperation. There- fore, it makes no sense for a research to be submitted to any communi- ty. It must be validated by the community of which one is or wants to be a part and this happens through peer recognition. In these terms, the submission of a research is a request to belong or continue to belong in a place—a request for recognition of existence, part of an identity. The first step in constructing any research problem is checking its stage. Your state of the art. This demands establishing synchronous, asynchronous dialogues with those who have already done research and are doing research on the topic. How much progress has been made, what innovations, and what gaps exist? What are the develop- ments and the divergences, and what is effervescent in that communi- ty? When doing this exercise, it will be natural to place yourself in the stage of knowledge about the topic and who is part of the discussion. In addition to understanding the various aspects of the debate, you will ca, como fazê-la e onde fazê-la. Seria simples, se isso fosse simples. Não é! Não no sistema atual, que apresenta muitas distorções, no qual publicar tornou-se um fim. Assim, tornou-se também um negócio. Nossos títulos, nossas carreiras, nosso sucesso e reconhecimento dependem do quanto publicamos. Publicar ou perecer! Então, “onde” publicar? Resposta sim- ples: nos melhores journals, que são aqueles com as melhores métricas! Não tão simples! As métricas são abstrações parciais, e como tal, apenas simulam a realidade que em cada área é diferente. A sua aplicação exige conhecimento muito mais complexo sobre suas finalidades, com pergun- tas mais difíceis de responder do que “onde publicar”. A sua universali- zação entre áreas e em relação ao que medem é, em si, uma distorção da realidade (ver Fernandes e Salviano, 2016). Essas distorções do sistema, causadas pelo “publicar ou perecer” e potencializadas pela universalização da abstração das métricas, resultou num negócio editorial, viabilizado e maximizado pela transformação digital. Nesse contexto, vive-se um dilema sobre o controle social da co- municação científica: por um lado, grande parte do controle da quali- dade dos periódicos está a cargo dos próprios detentores do negócio, que produzem e centralizam as métricas; por outro lado, à mercê de práticas editoriais discutíveis, que vendem facilidades aos desavisados, com mi- lhares de artigos publicados que aparentemente não passam, ou apenas simulam a revisão por pares. Nesse contexto, nesse ponto da reflexão, a pergunta “onde” publicar perde completamente o sentido. Por quê? Porque “o onde” é um lugar. É um território de existência, de contribuição, de construção de uma iden- tidade. Uma identidade não pode existir na abstração das métricas, nem na falsidade de processos editoriais espúrios. Aqui é necessário dar um passo atrás. Antes do “onde” publicar, de- vemos nos perguntar “por quê” publicar? No mainstream científico, a co- municação científica é parte importante do processo de construção dialó- gica do conhecimento. A submissão de uma publicação é, em si, um ato de reconhecimento da autoridade e da idoneidade de uma comunidade para avaliar e respaldar, ou não, o resultado de uma pesquisa. É a sub- missão e o reconhecimento a um capital social pautado pela confiança e cooperação. Portanto, não faz sentido que uma pesquisa seja submetida a qualquer comunidade. Ela deve ser validada pela comunidade da qual se faz ou se quer fazer parte, e isso se dá por meio do reconhecimento pelos pares. Nesses termos, a submissão de uma pesquisa é um pedido para pertencer ou continuar pertencendo a um lugar. Um pedido de reconhe- cimento de existência, parte de uma identidade. O primeiro passo da construção de qualquer problema de pesquisa é checar qual seu estágio. O seu estado da arte. Isso demanda o estabe- lecimento de diálogos síncronos, mas também assíncronos, com quem já pesquisou e pesquisa o tema. O quanto se avançou, as inovações e quais as lacunas existentes. Quais os desdobramentos, quais as divergências, o que está efervescendo naquela comunidade. Ao fazer esse exercício, será natural não só se situar em relação ao estágio do conhecimento sobre o tema, mas também sobre quem faz parte da discussão. Além de com- preender os diversos aspectos do debate, naturalmente se conhecerá quem Valdir Fernandes 518 RBCIAMB | v.57 | n.3 | Sep 2022 | 516-518 - ISSN 2176-9478 Reference Fernandes, V.; Salviano, L.R., 2016. Indicadores JCR, SNIP, SJR e Google Scholar. (Accessed July 25, 2022) at:. http://portal.utfpr.edu.br/pesquisa-e-pos-graduacao/ indicadores/indicadores-externos/indicadores-externos/view. são as autoridades, quem são os coadjuvantes e quem são os novos talen- tos que foram admitidos na discussão. Então, voltando à indagação de “onde” publicar, no mundo con- creto da pesquisa em diálogo com a comunidade do tema pesquisado, relativizando as abstrações das métricas e fora das artimanhas edito- riais predatórias, essa resposta depende do entendimento do porquê publicar. A partir disso, deveria ser natural a escolha, dentre espaços de diálogo utilizados para desenvolver a pesquisa, de onde publicar, a que comunidade se submeter para pertencer. Se, ao ler a própria comuni- cação científica produzida, o autor não obtiver essa resposta, provavel- mente há problemas sérios na pesquisa realizada. naturally know who the authorities are, the supporting actors, and the new talents that have been admitted to the discussion. So, returning to the question of “where” to publish, in the concrete world of research in dialogue with the community of the studied top- ic, relativizing metric abstractions and outside predatory editorial gim- micks, this answer depends on understanding why to publish. From this, it should be natural to choose among spaces for dialogue used to devel- op the research, where to publish, and which community to submit to. If, when reading the scientific communication produced, the author does not get this answer, there are probably serious problems in the re- search carried out. http://portal.utfpr.edu.br/pesquisa-e-pos-graduacao/indicadores/indicadores-externos/indicadores-externos/view http://portal.utfpr.edu.br/pesquisa-e-pos-graduacao/indicadores/indicadores-externos/indicadores-externos/view