RBCIAMB | n.38 | dez 2015 | 123-136 123 Andreia Borges Oliveira Mestranda de Pós-Graduação em Saúde e Meio Ambiente pela Universidade da Região de Joinville (UNIVILLE) – Joinville (SC), Brasil. Nelma Baldin Doutora em Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Professora do Programa de Pós-Graduação em Saúde e Meio Ambiente pela UNIVILLE – Joinville (SC), Brasil. Endereço para correspondência: Nelma Baldin – Programa de Pós-Graduação em Saúde e Meio Ambiente Universidade da Região de Joinville – Univille Campus Universitário – Rua Paulo Malschitzki, 10 – Zona Industrial – 89219-710 –Joinville (SC), Brasil – E-mail: nelma.baldin@univille.br RESUMO Embalagens vazias, quando lançadas no meio ambiente, geridas ou manuseadas incorretamente, tornam-se poluidoras e podem provocar impactos no meio ambiente e aos seres humanos. O estudo que subsidia este artigo objetivou a análise do trabalho de uma empresa situada no Estado de Santa Catarina, quanto aos procedimentos de seus colaboradores na coleta, no transporte, na armazenagem temporária e no destino final de embalagens – tambores metálicos vazios contaminados. A metodologia, abordagens qualitativa e quantitativa, centrou-se em visitas técnicas à empresa e aplicação de questionários e entrevistas aos colaboradores- trabalhadores. Analisaram-se os procedimentos adotados, o ambiente de trabalho, as atividades desenvolvidas e o esclarecimento dos trabalhadores no desempenho das suas funções. Os resultados referem falta de escolaridade dos trabalhadores, aliada à pouca atenção aos procedimentos de trabalho e à falta de esclarecimentos quanto ao desempenho de atividades potencialmente poluidoras em relação ao meio ambiente. Diante desses resultados, foram sugeridas práticas de Educação Ambiental (EA). Palavras-chave: Educação Ambiental; conscientização ambiental; tambores metálicos. ABSTRACT When empty packages are dumped into the environment, managed or handled incorrectly, they may become polluters and may impact the environment and human beings. The study that supported this article aimed to observe the work of a company in the state of Santa Catarina regarding the procedures used by its employees in the collection, transportation, temporary storage and final destination of the packaging – contaminated empty metal drums. The methodology, qualitative and quantitative approaches, focused on technical visits to the company and on the application of a questionnaire, as well as an interview with the employees-workers. The analysis comprised the adopted procedures, the working environment, the activities and the knowledge of the workers on the performance of their duties. The results point out to the workers’ lack of education, little attention to work procedures, as well as the lack of knowledge regarding highly polluting activities. Therefore, some Environmental Education (EE) practices were suggested. Keywords: Environmental Education; environmental awareness; metal drums. DOI: 10.5327/Z2176-947820150914 ESTUDO SOBRE MANUSEIO DE EMBALAGENS CONTAMINADAS – TAMBORES METÁLICOS: UMA PRÁTICA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA INDÚSTRIA STUDY ON THE HANDLING OF CONTAMINATED PACKAGING – METAL DRUMS: AN ENVIRONMENTAL EDUCATION PRACTICE IN THE INDUSTRY Oliveira, A.B.; Baldin, N. RBCIAMB | n.38 | dez 2015 | 123-136 124 INTRODUÇÃO As ações individuais e coletivas relacionadas aos hábi- tos de consumo, transformadas ao longo das décadas, levaram a questionamentos e preocupações sobre em quais situações se dá a preservação do ambiente para a garantia da saúde do homem na Terra. Condições essas geradas pelo próprio homem e que contribuem para a contaminação do meio e que ainda são presenciadas em pleno século XXI. Um evento que reforça essa tese aconteceu na chamada “Estrada Velha”, que liga as ci- dades de Rio Claro e Brotas (SP), em maio de 2012. Ali foram deixados, à beira da estrada, 42 tambores que, segundo a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (CETESB), tratavam-se de embalagens con- tendo óleo e outras substâncias, constatadas como resíduos Classe 1 (ARVOLEA, 2012). A classificação dos resíduos se dá devido às peculiaridades do material, se este apresenta riscos à saúde pública e ao meio am- biente, exigindo tratamento e disposição especial em função de suas características de inflamabilidade, cor- rosividade, reatividade, toxicidade e patogenicidade (ABNT, 2004). Um caso semelhante ocorreu no Rio de Janeiro, em janeiro de 2011. Fiscais do Serviço de Operações em Emergências Ambientais do Instituto Estadual do Am- biente (INEA) estiveram no município de Queimados, na Baixada Fluminense, para verificar o conteúdo de 21 tambores com substâncias químicas que foram des- cartados em um terreno baldio. Os fiscais constataram, no local, a ausência de 10 tambores, que haviam sido levados provavelmente por moradores da região. Os 11 restantes que foram deixados no terreno estavam danificados e vazavam um líquido que, uma vez coleta- do para análise no laboratório do INEA, foi identificado como altamente poluente (AMADO, 2011). Percebe-se, assim, que o novo estilo de vida da so- ciedade atual, focada em novos hábitos de consumo, consequentemente interveio na relação homem-meio ambiente. Tais alterações, com o decorrer do tempo e com a sistematização das indústrias já a partir da Re- volução Industrial, conduziram à modernização dos processos, levando a indústria a produzir cada vez mais. Assim, os indivíduos são induzidos ao consumo exagerado de bens e serviços que, além de atenderem às necessidades pessoais, atendem também às neces- sidades fabricadas (SEIFFERT, 2007). O resultado desse comportamento resultou no au- mento do volume de diversos tipos de resíduos, tan- to urbanos quanto industriais, que contribuem para desencadear novos problemas ambientais e também realçar antigos problemas, mesmo aqueles surgidos ao longo das décadas e decorrentes das ações antrópi- cas. Dentre os tantos problemas ambientais, a preocu- pação com o meio ambiente saudável também passa pela questão da gestão das embalagens contaminadas, como, por exemplo, os tambores metálicos que, ante- riormente, armazenaram diferentes tipos de produtos (em sua maioria, químicos). Tais embalagens são co- muns em vários segmentos da indústria, consideran- do-se que os tambores metálicos são usados para ar- mazenagem de matéria-prima ou resíduos diversos e, quando vazios, necessitam ser manuseados e geridos de forma a não se danificarem. Esse trabalho de manu- seio dos tambores normalmente é realizado na carga e descarga da embalagem, no transporte ou em situa- ções de armazenamento na indústria. Em geral, esse é o trabalho dos empregados, os colaboradores-traba- lhadores da empresa. Essa condição de manuseio é, de fato, uma situação delicada e que deve ser discutida e informada às pessoas envolvidas dentro das empre- sas, em especial aquelas que manipulam esse tipo de embalagem, dado o risco que essa operação oferece à saúde do homem e ao meio ambiente, particularmen- te quando mal utilizada ou disposta em locais impró- prios. Estudos realizados sobre a questão dos resíduos de embalagens contaminadas são de relevante impor- tância, em particular em vista das notícias de abando- no desses recipientes no meio ambiente. Decorre daí a preocupação com a saúde das pessoas, assim como com a preservação dos ecossistemas. Este artigo teve como objetivo tratar justamente des- sa questão e das dimensões que envolvem o cotidia- no de uma empresa que atua nas atividades de coleta, transporte, armazenagem e destino final de embala- gens contaminadas (tambores metálicos), com vistas a verificar a prática ou não da Educação Ambiental (EA) na empresa, bem como as interações relacionais nos procedimentos ali utilizados por seus funcionários. O estudo, portanto, fundamentou-se em uma investiga- ção ocorrida em uma empresa que atua no ramo de armazenagem de tambores metálicos com resquícios de resíduos e teve como objetivo analisar como essa Estudo sobre manuseio de embalagens contaminadas – tambores metálicos: uma prática de Educação Ambiental na indústria RBCIAMB | n.38 | dez 2015 | 123-136 125 empresa transmite, aos seus colaboradores, os conhe- cimentos a respeito das questões ambientais que cir- cundam a atividade executada. O município onde está localizada a empresa objeto do estudo situa-se na região norte do Estado de Santa Ca- tarina, a qual vem se tornando, nos últimos anos, em um forte polo industrial que abriga vários empreen- dimentos industriais em operação e outros em fase de instalação, além de empresas multinacionais que buscam mercado na região. No ano de 2010, a esti- mativa do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pe- quenas Empresas (SEBRAE) considerou que as micro e pequenas empresas da localidade geraram 892.208 empregos, o que corresponde a 50,2% dos postos de trabalho na região (SEBRAE, 2010). Além desse grande fluxo industrial, observam-se, ainda, na região, áreas de pastagens, canaviais, culturas de bananas e postos de fomento florestal no ramo de papel e celulose (EPA- GRI/CIRAM, 2002). Por ser um polo industrial em considerável crescimen- to, é certa a produção de embalagens contaminadas, geradas como um dos tipos de resíduos provenientes desses setores empreendedores e também pelos no- vos segmentos que estão se instalando no local. O lixo contaminado e a Educação Ambiental – uma revisão de literatura A questão sobre a disposição do lixo é um problema para a sociedade, até porque demanda cada vez mais espaços adequados para a sua armazenagem. Essa si- tuação, como expressam Silva & Robles (2011), pode levar a conflitos na relação entre ecologia e setores produtivos. Os tambores metálicos contaminados ge- rados na atualidade, em sua maioria, são provenientes do setor industrial. Essas embalagens, quando vazias, em geral contêm resquícios de algum resíduo que pode ainda ser tóxico, normalmente usual nos processos fa- bris e tidos como fontes de matérias-primas. Os riscos oriundos dos resquícios dos resíduos presentes nos tambores metálicos, tais como inflamáveis, tóxicos, oxidantes, reativos e outros, conforme demonstram as Figuras 1 e 2, quando abandonados ao léu ou geridos de forma incorreta, podem incidir em agravos a ecossiste- mas como a fauna, a flora, o ar, a água e o solo. Esses re- síduos podem ainda causar riscos à área de produção de alimentos, afetando a saúde da população que circunda a região contaminada. Embora tenha havido progressos nos estudos que encaminham para um aprofundamento na busca de alternativas para minimizar as consequên- cias desses resíduos, esses ainda são insuficientes (PAI- XÃO; ROMA; MOURA, 2011). Os resíduos contidos nas embalagens, quando são abandonadas em locais im- próprios, “podem migrar para rios ou lagos por meio da lixiviação e podem ainda chegar às águas subterrâneas contaminando lençóis freáticos” (BARREIRA, 2002, p. 4). Diante dos fatos encontrados na literatura, como o evento ocorrido na “Estrada Velha” que liga Rio Claro Figura 1 – Resquício de resíduo aderido à embalagem de tambor. Figura 2 – Resquício de resíduo seco. Oliveira, A.B.; Baldin, N. RBCIAMB | n.38 | dez 2015 | 123-136 126 a Brotas (SP), em maio de 2012, verifica-se que a situa- ção se torna ainda mais grave quando esse “descuido” das empresas é atrelado à intoxicação do homem. Vale aqui lembrar que os tambores metálicos também são utilizados pelas indústrias para armazenar princípios ativos de agrotóxicos e, quando vazias, tais embalagens oferecem riscos diversos, expondo os trabalhadores, principalmente os rurais, à possibilidade de intoxica- ção. Esse risco de intoxicação com as embalagens con- taminadas está ligado ao manuseio no trabalho com a agricultura e com o contato da pele humana no trato com o produto aderido nessas embalagens. Ou, ainda, pela absorção via inalação do produto, meio mais rápi- do de intoxicação (SOBRINHO & SILVA 2011). Nesse sentido, faz-se necessária a mudança de para- digmas por parte da sociedade, das indústrias e dos governantes. Também se faz necessário um maior comprometimento diante da questão ambiental, do gerenciamento e do manuseio dessas embalagens. Nesse caso, as empresas que geram os tambores metá- licos (o tema foco deste estudo) como um dos tipos de seus resíduos devem rever suas posições, seus concei- tos e suas formas de gestão dessas embalagens. Como ressalta Seiffert (2007), as empresas devem investir na adequada destinação de suas embalagens e, principal- mente, proporcionar educação, conscientização e sen- sibilização ambiental aos seus trabalhadores por meio de programas como a implantação de práticas de EA. O processo envolve a instrução de seus colaboradores- -trabalhadores quanto ao tipo de resíduo com que es- tão lidando em suas atividades laborais, no intuito de sensibilizá-los quanto a sua relação comportamental em relação ao ambiente e a sua saúde. Ressaltam-se, no caso, o comprometimento e a responsabilidade das empresas na manutenção de programas com essa fina- lidade, os quais devem ser estabelecidos pelas próprias empresas (SEIFFERT, 2007). Além dos agrotóxicos, outros tipos de produtos arma- zenados nas embalagens de tambores também são considerados tóxicos e, quando vazias, as embalagens tornam-se contaminadas e oferecem riscos para quem manuseia tais recipientes. Dada a grande quantidade de produtos químicos que ao longo das décadas vieram a circundar os processos fabris, elaborou-se a Ficha de Informação de Segurança de Produto Químico (FISPQ), considerada um instrumento essencial para informar a todas as pessoas sobre questões de segurança e saúde. Essa ficha é indicada, ainda, como uma ferramenta de prevenção, tendo em vista as implicações que decor- rem do uso indiscriminado de embalagens muitas ve- zes jogadas no meio ambiente (KATO; GARCIA; WÜNS- CH FILHO, 2007). Cada embalagem de tambor, mesmo vazia, deve conter, durante o transporte, o rótulo original do produto que continha. Esse rótulo muitas vezes trará informações como o nome do produto, os perigos que envolvem o produto que a embalagem continha, os cuidados e pri- meiros socorros em caso de contato com a substância, as medidas a se tomar em caso de vazamento do pro- duto no solo, as orientações para armazenagem, se há perigos para a saúde e para o meio ambiente. Enfim, é um mix de informações importantes que devem estar contidas nesses rótulos e que informam a quem manu- seia esse tipo de embalagem, dando-lhes noções sobre os riscos a que estão expostos (ANTT, 2004). Kato, Garcia e Wünsch Filho (2007, p. 06) apresentam, em seus estudos, dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre os milhares de casos relativos a doenças do/no trabalho, em que “35 milhões desses casos estão relacionados à exposição a substâncias químicas com ocorrência de 439.000 mortes”. Cabe sa- lientar, nessa perspectiva, que os produtos químicos, em grande parte, estão presentes no dia a dia das pes- soas e entre os vários segmentos industriais, seja como matérias-primas necessárias aos processos ou como resíduos gerados por estes, sendo que podem também estar presentes nas embalagens oriundas desses pro- cessos, como é o caso dos tambores metálicos, tidos como um tipo de resíduo gerado pelos empreendimen- tos. Desse modo, é de significativa importância alertar, informar e treinar os sujeitos que trabalham ou que têm contato com esses resíduos que contêm produtos químicos aderidos a sua estrutura. Levar-lhes informa- ções no que concerne aos perigos, seja para a sua saú- de ou para o meio ambiente, vindos das atividades que os envolvem. Nesse caso, a solução é sensibilizar por meio da prática da EA, vista como a ferramenta para a conscientização e o fornecimento de informações aos sujeitos envol- vidos e também à sociedade. Nesse sentido, Seiffert (2007) expõe aos trabalhadores os riscos a que estão expostos, além de mostrar-lhes alternativas e formas de gestão adequadas para se ter um ambiente saudá- vel e seguro para trabalhar. Estudo sobre manuseio de embalagens contaminadas – tambores metálicos: uma prática de Educação Ambiental na indústria RBCIAMB | n.38 | dez 2015 | 123-136 127 Os sujeitos sem instrução, também chamados de “anal- fabetos funcionais”, como se lê em Moreira (2000), são pessoas cujo grau de alfabetização muitas vezes não atende às necessidades das sociedades atuais, tais como ler e entender informações necessárias do dia a dia ou até para a própria segurança. Moreira (2000), ao referendar Keller (1991), esclarece que esses “analfa- betos funcionais” talvez nunca venham a exercer ati- vidades simples, como ler uma revista, um manual de instruções, um jornal, uma receita de bolo, os rótulos de produtos em geral ou as instruções de segurança de um equipamento, etc. Estas pessoas (“analfabetos funcionais”) não percebem o quanto suas atividades e atitudes podem interferir de forma danosa no meio ambiente e prejudicar a saúde humana se as atividades não forem realizadas de forma adequada. Esses indi- víduos por vezes nem se dão conta de que suas ações podem trazer consequências em longo prazo e, parti- cularmente, a si próprios (MOREIRA, 2000). O autor citado refere que medidas simples por parte das em- presas podem favorecer questões como sensibilizar, orientar e informar os seus trabalhadores com vistas a diminuir os riscos e os possíveis impactos inerentes às suas atividades. Desse modo, a ausência de instru- ção exige educação e conscientização dos indivíduos envolvidos nesse tipo de atividade, para atingir ade- quado controle das ações e prevenção dos impactos sobre o ambiente, evitando, assim, resultados adver- sos (SEIFFERT, 2007). A promoção do conhecimento representa um papel fundamental e importante na aceitação de programas ambientais implementados pelas empresas, dado que os seus colaboradores compreenderão que os benefí- cios gerados refletem diretamente sobre eles mesmos, já que estão ligados às atividades rotineiras. Nesse caso, reflete-se também sobre as embalagens contami- nadas e, assim, pensa-se contribuir para a mudança de comportamento e de ações ativas desses trabalhado- res (ORTH, 2010). Programas que estão respaldados na preservação do meio ambiente trazem benefícios para todo o equilí- brio dos ecossistemas, do ar, do solo e da água. O de- senvolvimento responsável das atividades laborais, baseado em princípios de preservação ambiental e na saúde individual e coletiva, pode resolver ou prevenir problemas adversos em longo e médio prazo (LUNA; SELES; SILVA, 2005). Nesse sentido, como expressa Verdugo (2005), a EA vem “somar ” em um processo que visa a trans- formação, dadas as questões interdisciplinares que o tema aborda, assuntos antes incomuns para al- gumas pessoas, mostrando-lhes como o compor- tamento humano afeta o ambiente. É, pois, uma ferramenta que visa trabalhar educando de forma a romper barreiras e bloqueios adquiridos por ge- rações anteriores e que muitas vezes impedem ou dificultam mudanças no ambiente, assim como nas atitudes das pessoas. É justamente nesse sentido de informar às pessoas, levando-lhes conhecimento, que a EA tem como fi- nalidade resgatar os valores pessoais e coletivos na busca de um ambiente mais sustentável. A própria lei que institui a Política Nacional de Educação Am- biental, Lei nº 9.795, de 1999, esclarece que esse é um processo gradativo, que constrói novos valores sociais, habilidades, competências e conhecimentos que retratam a conservação ambiental e sua susten- tabilidade. No Art. 3º da referida lei são apresenta- das as obrigações que cada setor da sociedade deve se incumbir e também promover a capacitação dos indivíduos sobre as questões ambientais, sempre por meio da EA. Dentro do escopo da lei aparecem o poder público, as instituições educativas, os meios de comunicação em massa e também as empresas, que, ao longo dos anos, têm investido em ações e experiências cada vez mais frequentes com vistas à sustentabilidade ambiental. Um exemplo da aplicação da EA no sentido da cons- cientização de seus trabalhadores quanto à relação resultado do trabalho e meio ambiente é a praticada em empresas que aplicam o método Dojo Ambiental. Palavra de origem japonesa que significa “espaço de formação na empresa”, o Dojo Ambiental é designado para promover a formação de seus colaboradores-tra- balhadores (COUTINHO et al., 2009; ORTH, 2010). Ou- tras formas, tais como palestras, vídeos, brincadeiras, jogos eco-didáticos, documentários e cartilhas, são também exemplos da aplicação da EA como ferramen- ta para a educação dos indivíduos em diferentes am- bientes (SAUVÉ, 2005). Com isso, um indivíduo educado e informado exi- girá dele mesmo atenção diária, tomando cuidado ao executar suas funções e buscando também se proteger. Um estudo realizado em uma indústria Oliveira, A.B.; Baldin, N. RBCIAMB | n.38 | dez 2015 | 123-136 128 automobilística no Paraná demonstrou que, após a implementação do programa de EA, as não confor- midades da empresa no que se refere à capacitação dos funcionários para essas questões foram reduzi- das, assim como houve “redução dos acidentes in- ternos” (COUTINHO et al., 2009, p. 13). Percebe-se, nesse sentido, o esforço dos indivíduos envolvidos em proporcionar melhorias àquele ambiente. Diante dessas questões afirma-se que a EA é uma fer- ramenta valiosa, de potencial significativo e que deve ser utilizada por diferentes organizações que almejam a adequação das suas instalações no intuito de direcio- nar as atividades na rotina de trabalho com vistas a for- mar e a estabelecer a harmonia entre homem e meio ambiente, reduzindo, consequentemente, os custos e os riscos à saúde dos envolvidos. METODOLOGIA O estudo realizado foi metodologicamente ancorado nas abordagens qualitativa e quantitativa e caracteriza- do como exploratório do tipo observacional. A descri- ção fiel dos dados e das informações é uma caracterís- tica da etnografia, uma variante da pesquisa qualitativa que, conforme esclarece André (2010), ocorre quando se dá a descrição dos ambientes, das situações das pessoas e dos diálogos, os quais são reestruturados e descritos em forma de palavras ou transcrições literais. O lócus da pesquisa foi uma empresa que trabalha com tambores metálicos – embalagens contaminadas, lo- calizada em um município situado na região norte do Estado de Santa Catarina, sendo que a população-al- vo da pesquisa caracterizou-se pelos funcionários da empresa (os responsáveis pelas atividades de coleta, transporte e armazenamento das embalagens conta- minadas). São 7 funcionários fixos, 6 contratados que são encarregados pelas atividades internas relaciona- das à classificação e à armazenagem, além, ainda, de 2 administradores que gerenciam as partes administra- tiva, fiscal e financeira da empresa, totalizando, assim, 15 sujeitos participantes do estudo. Uma vez definida a empresa lócus da pesquisa, o estu- do ficou direcionado na linha da pesquisa social, como orienta Minayo (2006). Assim, as providências foram tomadas por meio de um contato prévio com a admi- nistração da empresa, na tentativa de obter autoriza- ção para desenvolver a investigação nas instalações do empreendimento. Obtida a autorização, preparou-se um questionário visando diagnosticar quais os saberes que tinham os funcionários quanto às concepções de meio ambiente e sobre suas práticas profissionais com repercussão local. Ocorreram visitas técnicas à empre- sa, com o objetivo de conhecê-la; por motivos éticos, a organização é identificada como “EP 01”, os partici- pantes (trabalhadores e funcionários), como “C”, e os administradores, como “A”. De janeiro a abril de 2013, foram realizadas 42 visitas de observação à empresa, com duração aproximada de 3 a 4 horas cada visita, alternando entre períodos matutinos ou vespertinos. Nessas visitas, utilizaram-se as “Fichas de Observação” para registro e anotações respectivas sobre o que era observado na empresa durante a exe- cução das atividades laborais dos trabalhadores (carga e descarga de embalagens, orientações fornecidas pelos supervisores, classificação de embalagens, armazena- gem, manuseios, entre outras). No caderno de campo foram feitas as anotações das rotinas laborais, os plane- jamentos e as etapas para a realização das coletas das embalagens, a quantidade de material coletado e trans- bordado (armazenado no dia), os diálogos entre colegas de trabalho, as situações e os imprevistos surgidos. Quanto às etapas da pesquisa, ou seja, os procedi- mentos metodológicos aplicados, foram realizadas: aplicação do pré-teste para validação do instrumen- to de pesquisa (o questionário aplicado aos partici- pantes da pesquisa); aplicação de questionário final com questões semiestruturadas abertas e fechadas, direcionado aos trabalhadores, supervisores e admi- nistradores da empresa; aplicação das entrevistas. Aos mesmos sujeitos que responderam o questio- nário foram aplicadas, um mês após, as entrevistas, semiestruturadas, com vistas a não influenciar nas respostas; transcrição das informações obtidas com a aplicação do questionário e das entrevistas; análise e interpretação do material obtido (do conteúdo), em que se buscou identificar as categorias de análise da pesquisa segundo orientações de Bardin (1977). Ou seja, nesse procedimento, identificaram-se os ter- mos mais frequentes e mais representativos daqueles apresentados nas falas dos entrevistados. Estudo sobre manuseio de embalagens contaminadas – tambores metálicos: uma prática de Educação Ambiental na indústria RBCIAMB | n.38 | dez 2015 | 123-136 129 Durante a fase de coleta dos dados foram ainda rea- lizados registros fotográficos das atividades laborais e dos entornos da empresa (espaço físico). Já de posse das informações necessárias e finalizadas as visitas técnicas, bem como finalizadas também todas as etapas previstas para a aplicação da pesquisa e coleta dos dados, o prosseguimento seguinte foi a análise descritiva e qualitativa dos dados coletados. A pesquisa, por trabalhar diretamente com seres hu- manos, foi submetida à aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade da Região de Joinville (UNIVILLE), atendendo, assim, às orientações do Con- selho Nacional de Saúde, via Resolução nº 466/2012. Os participantes da pesquisa foram todos esclareci- dos sobre os objetivos e o tema do estudo e manifes- taram-se por meio da assinatura do Termo de Con- sentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Todo o material obtido com a aplicação da pesquisa (os TCLEs, as fi- chas de observação, o caderno de campo, os registros fotográficos, os textos transcritos das entrevistas e os questionários) será arquivado por um período de cin- co anos e ficará de posse das pesquisadoras, resguar- dado sigilosamente. Após esse tempo, será picotado e enviado para reciclagem. Uma vez de posse dos dados, advindos do recorte de- finido no questionário, selecionaram-se as perguntas a serem analisadas: “Você cuida do meio ambiente du- rante o trabalho? Como?”; “Você gostaria de aprender sobre EA, explique, você sabe como?”; na entrevista, optou-se por: “O que você entende por meio ambien- te?; “Existe algum tipo de treinamento ou orientação com frequência na empresa?”. A análise dos dados coletados possibilitou identificar, conforme Bardin (1977), os termos mais repetidos e mais enfatizados nas respostas dos entrevistados, ou seja, identificaram-se as categorias de análise da pes- quisa. Essa análise facilitou a compreensão da reali- dade dos sujeitos, em especial a partir de suas falas e manifestações. Em vista disso, chegou-se às categorias de análise da pesquisa, as quais emergiram, portanto, a posteriori, como resultado da pesquisa e, a partir de então, deram a tônica e os direcionamentos do estudo: treinamento/conversa; meio ambiente; EA; e sujeira versus tambores metálicos. RESULTADOS A amostra populacional submetida ao estudo foi cons- tituída pelos colaboradores da “EP 01”, em que partici- param 13 sujeitos envolvidos nas atividades gerais de manuseio das embalagens contaminadas, com idades entre 20 e 50 anos, e 2 pessoas do setor administrati- vo, com idades entre 30 e 47 anos, variando também o nível de escolaridade: entre semianalfabetos e nível superior. Representado por 2 participantes, o setor ad- ministrativo da empresa conta com uma funcionária com idade de 30 anos e com nível superior, sendo esta responsável pela parte administrativa e pelos Recursos Humanos (RH); a outra representação administrativa, com 47 anos de idade e ensino médio completo, é o di- retor e gerente da empresa, responsável também pelas compras e pela organização das coletas de embalagens de tambores. A análise dos dados levou à identificação da concep- ção de meio ambiente que os colaboradores têm da empresa “EP 01” em relação aos espaços físicos de seu entorno e às atividades laborais que desenvolvem. O estudo dos saberes e das concepções de meio ambien- te por parte dos colaboradores-trabalhadores e fun- cionários da empresa foi fundamentado nas leituras de Bezerra & Gonçalves (2007), Reigota (2007) e Sauvé (2005), que contribuíram para um melhor entendimen- to das categorias de análise da pesquisa. Na interpretação da categoria treinamento/conversa, 31% dos sujeitos da pesquisa entenderam “treinamen- to” como as conversas que tiveram durante um inter- valo e outro, quando ingressaram na empresa. Já os administradores apresentaram a sugestão de que esse “treinamento” deva acontecer durante a execução das atividades laborais. Nessa mesma direção, 69% dos participantes destacaram o momento da integração na empresa como a ocasião do “treinamento”, pois é nes- se momento que é dado enfoque a carga e descarga das embalagens, dos cuidados a se ter em relação às quedas, e uma preocupação em não deixar que resquí- cios de resíduos que possam estar aderidos nas em- balagens caiam no chão e, caso isso ocorra, que sejam imediatamente removidos, o que demonstra, de certa forma, uma inquietação com a questão visual na em- presa, mas não uma preocupação com a possível po- luição ambiental. Oliveira, A.B.; Baldin, N. RBCIAMB | n.38 | dez 2015 | 123-136 130 Outro momento em que foi perceptível que a questão visual é um fator relevante para a empresa foi verifica- do com as respostas à pergunta “Você cuida do meio ambiente durante o trabalho? Como?”. Nesse mo- mento, a preocupação com a organização e a sujeira do local de trabalho foi destaque e percebida em 76% da amostra. Ou seja, os participantes da pesquisa de- monstraram estar mais preocupados em verificar, arru- mar, organizar ou limpar o local de trabalho, com vistas a não receberem cobranças por parte da supervisão, do que de fato executar esse procedimento por res- ponsabilidade ambiental ou, ainda, pela preocupação com a própria saúde. Outra observação percebida em determinados momentos, durante as atividades, foi o “esquecimento” do uso de equipamentos de proteção individual (EPIs), como as luvas, por exemplo. A ima- gem visual da empresa, na verdade, tomou a maior ex- pressão nas respostas dos sujeitos. Comprova-se, assim, a teoria de Marin, Oliveira e Comar (2003), quando os autores expressam que há nos sujeitos uma reflexão reduzida e desatenta às questões importantes, tais como as relacionadas à proteção da natureza e seus ecossistemas (solo, ar, água), inclusive em situações que referendam a pro- teção à saúde, questão também observada no texto de Schor & Demajorovic (2010). Os referidos autores relatam que tais concepções se devem ao fato de os conceitos e teorias serem apresentados de forma fragmentada, com pressa, o que atropela o pensa- mento e leva a inexistência de ações e entendimento por parte das pessoas. Percebeu-se, no geral, que o treinamento na empresa se apresenta somente no momento inicial da integra- ção, em que são abordados aspectos gerais da unidade e com relação às atividades desenvolvidas. No entan- to, quando se perguntou sobre a realização de algum tipo de programa de conscientização ou treinamento ambiental, na empresa, as respostas foram que além da “integração” inicial de chegada à empresa, houve ainda a realização de um “treinamento” sobre o trans- porte de cargas perigosas, no qual foram abordados alguns cuidados a serem tomados em relação a esse momento da atividade laboral. Em justificativa à ausência de outros “treinamentos” aos trabalhadores da pesquisa, o supervisor da unida- de enfatizou que esse empreendimento foi instalado recentemente e que, até o momento, vem adequan- do aos poucos as questões legais todas das unidades. Ressaltou, ainda, que os custos com profissionais habi- litados para dar agilidade na conformação da empre- sa não são baixos, mas que tem buscado alternativas que possam favorecer na conformação do seu negócio, como, por exemplo, as parcerias por meio de estágios acadêmicos em suas instalações, com vistas a investi- gar falhas e buscar suas correções, visando minimizar, assim, as não conformidades. Na categoria de análise meio ambiente, as respostas vieram ao encontro dos estudos de Bezerra & Gonçal- ves (2007) e Reigota (2007, 2009), apresentando-se com uma forte tendência de visão antropocêntrica. Ou seja, percebeu-se que 77% dos sujeitos compreendem o meio ambiente apenas como fonte de exploração de recursos necessários à sua sobrevivência. As falas di- zem respeito a um meio ambiente como sendo o lugar onde vivem e respiram, local de onde se tira o susten- to, ambiente onde estão os recursos que o homem ne- cessita para viver, lugar para se morar. Em outras pa- lavras, as falas colocam o homem como o centro das atenções, que usufrui daquilo que pertence a ele como meio de sobrevivência: Meio ambiente é onde nós vivemos e respiramos (C3) O meio ambiente é toda a nossa natureza que tiramos o nosso sustento (C12) Meio ambiente é tudo aquilo que o homem depende pra viver, onde temos o ar, a água, a terra pra plantar (C4) Meio ambiente é a natureza e tudo que contempla ela, os rios, as florestas, lugar para a vida humana (A2) É área onde precisamos para morar, no meio ambiente (C09) Parte desse total de participantes da pesquisa, isto é, cerca de 15%, representados por 2 indivíduos, surpreendeu com suas respostas ao demonstrar não compreender o que é “coleta seletiva”. Esse é um fato preocupante, já que essa questão da coleta seletiva e do cuidado na preservação e conservação do meio ambiente é uma temática que vem sendo difundida há algum tempo, inclusive via televisão e em outros meios de comunicação. No entanto, le- vantou-se também a hipótese de que esses sujeitos possam compreender a questão por outro nome, como separação do lixo, ou algum outro termo ainda menos técnico. Estudo sobre manuseio de embalagens contaminadas – tambores metálicos: uma prática de Educação Ambiental na indústria RBCIAMB | n.38 | dez 2015 | 123-136 131 Em contraposição aos 77% dos participantes que se mostraram antropocentristas, no entendimento de Bezerra & Gonçalves (2007) e Reigota (2007, 2009), os outros 23% dos respondentes apresentaram uma visão mais naturalista, dando a entender que percebem os aspectos relacionados à atividade laboral como natu- rais, tais como as florestas, os rios, as plantas ou ainda como o lugar onde vivem os seres em geral, conforme apresentam algumas falas: O meio ambiente é onde vivem todos os seres vivos, o homem animais e plantas. (C6) O meio ambiente é a natureza que tá a nossa volta. (C8) Meio ambiente são as florestas os rios os lagos os ani- mais. (C5) Meio ambiente é todo o espaço da natureza, florestas, onde moramos, onde trabalhamos e onde vivemos. (A1) Dessa forma, os participantes demonstraram uma tendência de valoração da natureza como um todo. As falas desses sujeitos, com ênfase na concepção na- turalista, como ratificam os estudos de Sauvé (2005), centram as suas análises no campo da preservação do meio ambiente na percepção dos interesses humanos, valorizando mais os elementos naturais à sua volta e evidenciando os recursos considerados essenciais. É essa visão que os autores aqui referenciados caracteri- zam, de fato, como naturalista, isto é, está voltada para as concepções ecológicas, evidenciando-se os elemen- tos bióticos e abióticos. Conforme frisa Sauvé (2005), este é o campo em que se reconhece o valor inerente da natureza, evidenciando-se, acima de tudo, os recur- sos que são proporcionados ao homem. Quando perguntados: “Você gostaria de aprender so- bre EA? Explique como”, observou-se que 77 % dos participantes mostram interesse em aprender sobre EA (outra categoria de análise da pesquisa) e estão dis- postos a atuar como multiplicadores do conhecimento, repassando esses ensinamentos para os filhos. Já 23% demonstraram total falta de interesse nessa aprendi- zagem, conforme se lê nos seus relatos e depoimen- tos. Percebeu-se, ainda, por meio de outras perguntas do questionário pertinentes ao tema tratado, que 39% dos sujeitos já haviam ouvido falar sobre EA na televi- são, 15% por meio de empresas anteriores onde já ha- viam trabalhado, 23% pela escola dos filhos ou revistas e 23% relataram não saber do que se trata. Notou-se, nos depoimentos, uma absoluta falta de informação sobre o tema EA. Mesmo que alguns dos participantes já tenham ouvido falar sobre essa ques- tão, percebeu-se que eles não compreendem o real objetivo da EA. Nesse sentido, vale destacar o que di- zem Sauvé (2005) e Reigota (2007), ressaltando que a EA não deve focar somente informação, mas sim ser proporcionadora de uma abordagem mais holística de inter-relações, retratando a visão de mundo e o conhe- cimento do todo e, basicamente, de como suas partes se relacionam e interagem. Ainda na análise das categorias que emergiram da pesquisa, e referindo-se à categoria sujeira versus tambores metálicos, percebeu-se que este é um tema bastante frequente nas respostas fornecidas pelos par- ticipantes. Com relação ao termo “sujeira”, que apare- ce em vários momentos distintos, mas com o mesmo enfoque de preocupação, destaca-se, sempre, no caso, a questão visual. Percebeu-se uma inquietação por parte dos sujeitos, principalmente por serem eles os responsáveis pelo manuseio das embalagens contaminadas. Nota-se que a preocupação maior centra-se em manter a limpeza e a organização na empresa. A justificativa é que a “co- brança” maior, nesse sentido, parte principalmente da supervisão, ou seja, a orientação que recebem é que o pátio da empresa deve estar sempre limpo. O cuidado e a preocupação com a limpeza na “EP 01” são perce- bidos em 100% das falas dos participantes do estudo. Faço a limpeza do barracão tiro a sujeira do chão, or- ganizo os latão checando se não tem peças furadas, e deixo pronto para carregar e mandar embora. (C5) Minha rotina é montar pilhas de tambor e verificar se todos estão fechados, se caso está aberto pre- ciso lacrar eles com tampas pra não cair sujeira no chão. (C11) Chego e guardo a bicicleta, assino o meu ponto, tomo café, coloco uniforme e vou ajudar descarregar cami- nhão e arrumar no pátio externo e interno pra ver se não tá sujo ou bagunçado. (C12) Com base na análise dos depoimentos fica claro, portanto, que a preocupação dos sujeitos se refe- re única e exclusivamente à limpeza do espaço de trabalho, mas não à limpeza do meio ambiente em si. Os sujeitos não identificam nem reconhecem as possibilidades de uma contaminação do solo em Oliveira, A.B.; Baldin, N. RBCIAMB | n.38 | dez 2015 | 123-136 132 curto, médio ou longo prazo, e que isso poderá ocorrer em vista do absoluto descuido na execu- ção das atividades laborais. Para esses participan- tes da pesquisa, a “sujeira” ou o “resíduo” que cai no chão quando o tambor metálico contaminado é removido, o que então gera o processo da limpeza do local, extingue-se ali de qualquer forma, basta proceder à limpeza do local. Faz-se então a referência de que a ciência é a porta de entrada para a construção do conhecimento, e com esse apoio do intelecto podem ocorrer mudanças no comportamento humano. A “sujeira” gerada pela atividade com os tambores é um objeto complexo e factível de análise e de finalização. É rica fonte de as- pectos a serem estudados e discutidos, além de, na prática, contribuir para a ampliação e compreensão dos problemas que podem surgir dessa atividade. Conforme se lê em Sauvé (2005), é de suma impor- tância a tomada de consciência para reencontramos uma nova forma de valorar a vida e tudo que nos cer- ca e para melhor compreendermos o todo e atuarmos sobre as partes. CONSIDERAÇÕES FINAIS A pesquisa deu a perceber que a falta de “treinamen- to” com ênfase na questão ambiental e sem a prática da EA para gerar conhecimento aos sujeitos participantes é uma questão importante a ser considerada. Observou-se que a ausência de EA pode interferir quanto à execução de atitudes mais sustentáveis e, com isso, possibilitar a não degradação do meio ambiente da localidade onde a empresa estudada está inserida, levando também à me- lhoria na qualidade de vida das pessoas. Nesse sentido, e de posse dos dados obtidos com a pesquisa, percebeu-se o quão carente se encontra a unidade “EP 01” no aspecto da prática da EA. Os depoi- mentos obtidos com os participantes durante a reali- zação das entrevistas comprovaram o que os trabalha- dores já haviam citado quando do preenchimento dos questionários, porém o posicionamento agora ficou sustentado com os argumentos das suas próprias falas. Notou-se que no preenchimento dos questionários os sujeitos foram mais simplistas ao relatar as informa- ções, mostrando que este instrumento (questionário) é um fator limitante para a expressão dos dados, em especial no caso desse grupo de indivíduos, em vista das dificuldades que apresentam com a escrita. No en- tanto, todos sabiam ler e escrever, embora alguns com um pouco mais de dificuldade que os outros. Nesse aspecto, as entrevistas, gravadas, mostraram-se mais significativas, principalmente no que diz respeito à ob- tenção de mais argumentos sobre o assunto estudado, pois os indivíduos tiveram a possibilidade de se expres- sar melhor e de falar sobre outros detalhes que gosta- riam de comentar, o que não foi possível na escrita das respostas do questionário. Os fatores para isso podem ser as dificuldades para escrever, a vergonha por não saber utilizar alguns termos entendidos como adequa- dos, ou por cometer erros de português na escrita. Isso não ocorreu nas entrevistas gravadas, uma vez que os sujeitos da pesquisa se sentiram mais à vontade para se expressar. Esse fato, que na verdade se deve ao baixo grau de escolaridade apresentado por esses sujeitos, foi tam- bém encontrado por Luna, Seles e Silva (2005) e ana- lisado, pelos autores, como um fator significativo a ser trabalhado, pois tem influência em ocorrências de contaminação de pessoas, já que pode contribuir para a dificuldade de leitura dos rótulos de produtos utilizados na lavoura, por exemplo. Ou, no caso, no entendimento do que seja um produto contaminan- te (resíduo) que se encontra dentro de um tambor metálico a ser manuseado. O que se pode concluir desta pesquisa é que a empresa “EP 01”, apesar de carente em determinados aspectos relacionados ao fornecimento de informações na área da EA, de certa forma, por meio das suas atividades, tem a sua parcela de contribuição para a preservação dos recursos naturais ao recolher do ambiente aquilo que para outros segmentos industriais é considerado “lixo”. Assim, o “lixo” descartado de outras empresas é para a “EP 01” fonte de matéria-prima e lucratividade. Percebeu-se que as intenções dos diretores e supervi- sores da empresa, ao abrirem as portas de seu estabe- lecimento para a realização da pesquisa, de certa forma contribuíram tanto para o trabalho das pesquisadoras em conhecer e investigar uma atividade rica em aspec- tos passíveis de análise como para levar conhecimento aos seus colaboradores-trabalhadores, possibilitando- -lhes, assim, “despertar” para as causas ambientais. Estudo sobre manuseio de embalagens contaminadas – tambores metálicos: uma prática de Educação Ambiental na indústria RBCIAMB | n.38 | dez 2015 | 123-136 133 Pode-se concluir, também, que a empresa “EP 01” pode e deve utilizar a EA por meio de um educador ambiental e, ainda, deve utilizar do poder do próprio ambiente de trabalho para educar e conscientizar seus colaboradores-trabalhadores de forma a organizar os ambientes e contribuir para a saúde de todos, homens e meio ambiente. Ainda, outra possibilidade à empresa estudada é agre- gar a prática da EA ao uso das informações contidas nas FISPQs nos rótulos das embalagens, para complemen- tação do processo de implementação de treinamentos, pois as embalagens contaminadas (tambores), quando coletadas nos fornecedores externos, devem atender à legislação no que tange ao transporte, tendo em vista que esses resíduos são considerados perigosos. Cabe também observar a Resolução nº 420/2004, da Agên- cia Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que es- pecifica a documentação necessária para acompanhar o transporte desses tambores, tais como notas fiscais, em que são descritos os tipos de resíduos coletados, seja para embalagens metálicas de tambores ou de plásticos, quantidades, gerador, transportador, etc.; o Manifesto de Transporte de Resíduos (MTR), documen- to obrigatório emitido pelo gerador do resíduo (os tam- bores vazios), para melhor controlar a movimentação desses recipientes, que deve ser elaborado conforme legislação determinada pela NBR 13.221/2003, da As- sociação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT); e, ain- da, as Fichas de Emergência, que trazem informações importantes no que tange à classificação do resíduo transportado, os cuidados em caso de incidentes e/ou acidentes, os perigos e outras informações pertinen- tes, além, é claro, dos rótulos originais do produto que estava anteriormente nas embalagens. Todas essas informações são fontes importantes a se- rem discutidas em um processo de treinamento ou preparação, mostrando ao trabalhador onde ele pode obter informações sobre o resíduo (tambor) que ma- nipula. Após essas orientações, quando o funcionário passar a perceber as informações contidas nos rótulos, o que muitas vezes lhe passa despercebido, começará a dar muito mais importância à sua segurança e pas- sará a utilizar adequadamente e sem esquecimento os EPIs. Ainda, quando conhecedor das implicações das suas atividades para o meio ambiente, o trabalhador, quase que instintivamente, atuará com ações mais se- guras e conscientes ao executar suas tarefas. É nesse ponto que entra a EA, rica nos saberes e que, conforme se lê em Seiffert (2007), vem ganhando espa- ço nas empresas e tornando-se essencial na formação de pessoas com a motivação para a conservação am- biental. A EA deve ser um instrumento utilizado para ampliar os conhecimentos dos sujeitos envolvidos em processos produtivos e, assim, orientá-los a pensar glo- balmente para que possam melhor agir no local onde vivem. Como já citado, Reigota (2009) enfatiza que será possível atender às metas de um desenvolvimento que atente para a sustentabilidade à medida que se pense a EA como construtora de níveis intelectuais e sociais que possibilitam ações da coletividade. A questão da presença desse profissional habilitado foi um dos pontos citados pelos empregadores da em- presa estudada, até porque devido ao fato de o porte da empresa e o número de funcionários serem relati- vamente pequenos, relata o administrador, esse é um fator limitante. Devido à grande oferta de empregos na região onde a empresa está localizada, em geral esses profissionais habilitados têm buscado empresas de maior porte, que paguem melhores salários, o que para a “EP 01”, de momento, ainda não é possível. Em um negócio que está começando, relata o administrador, “busca-se formas possíveis para reduzir custos, mas que ao mesmo tempo propicie organizar e adequar a empresa”. Esse administrador ainda complementa: “o objetivo último é agregar valor nos serviços prestados, melhorar continuamente. Sabemos que mesmo reali- zando uma atividade que valoriza o que antes era con- siderado lixo, temos consciência que é possível sempre melhorar, e isto é o que buscamos” (A1). Considerando essas afirmações, percebeu-se que o consentimento para a realização da pesquisa na plan- ta industrial da empresa “EP 01” deu-se, de fato, pela iniciativa dos empregadores em descobrir os pontos a serem melhorados internamente. Observou-se, nas respostas desses administradores, que eles buscaram justificar as ações da empresa. “A1” respondeu que disputar a compra das embalagens não limpas com os “sucateiros” da região é um tanto quanto estressante. Alegou que há empresas que se abstêm das questões ambientais e só querem saber do preço, pois os clientes pagarão pelo tambor contaminado. Esses empresários não se preocupam, em nenhum momento, se esses tambores irão ou não parar nas residências das famílias para um possível churrasco de final de semana. Por ou- Oliveira, A.B.; Baldin, N. RBCIAMB | n.38 | dez 2015 | 123-136 134 tro lado, “A2” explicou que a empresa é “familiar”, que os investimentos para a adequação das atividades não são fáceis, principalmente quando há intenções de se fazer a coisa certa, e que buscam, enquanto empresá- rios, sugestões no que devem e podem corrigir, tentan- do, assim, melhorar o trabalho da empresa. E algo dessa melhoria esperada pela empresa foi ob- servado ainda durante a execução da pesquisa. Logo após a aplicação do questionário, em que se aborda- va como era feita a separação dos resíduos gerados na empresa, partiu do supervisor/gerente (adminis- trador “A1”) a iniciativa de implementar a coleta se- letiva na unidade, situação que até aquele momento não existia. Dada a largada para a implementação do projeto, o executivo reuniu alguns dos trabalhadores para a confecção dos tambores que seriam utilizados para a separação dos resíduos na empresa, escolhen- do os que estavam visualmente melhores, com me- nos amassos e menos sujos, e, então, encaminhou esses latões para a pintura. Essa atividade e o pro- cesso então implementado deixaram todo o pessoal da empresa com certo ar de “compromissado com o meio ambiente”. Ainda, decorrente também da pesquisa, percebeu-se uma relativa harmonia entre os colegas trabalhadores quanto ao uso dos galões para a coleta seletiva e logo surgiram dúvidas sobre o porquê das cores vermelha, verde, amarela, azul e outros questionamentos. Essa prova reforça que o uso da EA para a organização dos espaços laborais tem muito a contribuir, principal- mente porque, de forma prática, os sujeitos podem ad- quirir conhecimento e conscientização ambiental. Todos esses apontamentos apresentados e sugeridos como propostas de melhorias nesta pesquisa concen- tram para um único objetivo: a EA como instrumento para conhecimento e melhorias na qualidade de vida, mudanças que podem ser obtidas pela consciência co- letiva em prol de um bem comum, isto é, a preservação do meio ambiente com equilíbrio quanto ao desenvol- vimento e à saúde do homem. Os desafios apresentados aqui certamente não serão a solução de todos os problemas da empresa “EP 01”, mas contribuirão para adequação das atividades da empresa e planejamentos futuros. Há desafios que não foram apresentados aqui e tantos outros que po- dem surgir, mas certamente poderão ser solucionados a partir de uma boa preparação da coletividade, pois é certo que os resultados serão sentidos assim que fo- rem implementadas ações educativas como as sugeri- das nesta pesquisa. Somos todos atores de um só planeta com recursos finitos em busca da construção de um novo modelo de desenvolvimento e, uma vez alfabetizados ambien- talmente e conhecedores das inter-relações homem- -meio ambiente, poderemos adquirir, voluntária e es- pontaneamente, novas atitudes e competências para agir. Ações essas praticadas de forma equilibrada e mais cuidadosa para com a nossa casa, a Terra. O am- biente de trabalho é o espaço ideal para a promoção de situações de aprendizagem na medida em que este poderá instigar o sujeito a descobrir e a ter um novo olhar sobre o meio ambiente à sua volta. Assim, esse sujeito promoverá um melhor relacionamento entre os grupos e o meio ambiente onde vivem e atuam. REFERÊNCIAS ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10004: Resíduos Sólidos – Classificação. 2ª ed. Rio de Janeiro: ABNT, 2004. AMADO, A. Tambores com produto tóxico, Agência Brasil, Baixada Fluminense/RJ, 05 jan. 2011. Disponível em: . Acesso em: 14 abr. 2012. ANDRÉ, M. E. D. A. Etnografia da prática escolar. 17ª ed. Campinas: Papirus, 2010. AGÊNCIA NACIONAL DE TRANSPORTES TERRESTRES – ANTT. Resolução 420/2004. Aprova as Instruções Complementares ao Regulamento do Transporte Terrestre de Produtos Perigosos. Disponível em: . 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