16 Revista Brasileira de Ciências Ambientais ISSN Eletrônico 2176-9478 Setembro de 2015 Nº 37 INVESTIGAÇÃO DE COMPOSTOS ORGÂNICOS VOLÁTEIS FÚNGICOS NA QUALIDADE DO AR DE ESPAÇOS INTERNOS DE UMA BIBLIOTECA PÚBLICA INVESTIGATION OF THE EFFECT OF FUNGAL VOLATILE ORGANIC COMPOUNDS ON THE AIR QUALITY OF A PUBLIC LIBRARY Lydia Dayanne Maia Pantoja Bióloga pela Universidade Es‑ tadual do Ceará (UECE). Mestre em Microbiologia Médica pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Doutoranda do Programa de Pós‑Graduação em Engenhar‑ ia Civil (Saneamento Ambiental) pela UFC – Fortaleza (CE), Brasil. Ronaldo Ferreira do Nascimento Doutor em Química Analítica pela Universidade de São Paulo (USP). Docente do Programa de Pós‑Graduação em Engenharia Civil (Saneamento Ambiental) pela UFC – Fortaleza (CE), Brasil. Ana Barbara de Araújo Nunes Engenheira Sanitarista pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Mestre em Saneamento pela Universidade Federal do Paraíba (UFPB). Doutora em Re‑ cursos Hídricos, UFC. Docente do Programa de Pós‑Graduação em Engenharia Civil (Saneamento Ambiental) pela UFC – Fortaleza (CE), Brasil. Endereço para correspondência: Lydia Dayanne Maia Pantoja – Avenida Mister Hull, s/n, Bloco 713 – 1º andar – Centro de Tecnologia Campus do Pici – 60451‑970 – Fortaleza (CE), Brasil – E‑mail: lydia.pantoja@uece.br RESUMO O presente estudo objetivou investigar a qualidade do ar em termos de compostos orgânicos voláteis fúngicos (COVFs) visando melhorias no controle de espaços internos de uma biblioteca pública de referência no município de Fortaleza, Ceará. Trata‑se de uma pesquisa experimental quali‑quantitativa, cujas coletas do ar ocorreram entre setembro e dezembro de 2014. Validou‑se um protocolo para detecção de COVFs por meio de cromatografia gasosa/espectrometria de massa, enquanto as amostras fúngicas foram identificadas por meio de análise macro e micromorfológica. Analisaram‑se 32 amostras com relação aos COVFs, destaque para o 2‑metil‑1‑propanol e o 3‑metil‑1‑butanol, enquanto das 16 amostras micológicas, o espectro de fungos anemófilos predominante foi deuteromicetos filamentosos hialinos. Os dados apresentados são bons indicativos de que mais monitoramentos precisam ser realizados em outros ambientes ocupacionais, visando estabelecer uma melhoria no monitoramento vigente, instigando uma maior discussão no meio acadêmico e legislativo sobre o tema e, por fim, contribuir para o estudo sistematizado da Aerobiologia nacional. Palavras‑chave: poluição do ar; microbiologia do ar; exposição ocupacional. ABSTRACT This study investigates the air quality in terms of the presence of fungal volatile organic compounds (FVOCs) in a public library in the city of Fortaleza, Ceará State, Brazil. It is a quali‑quantitative study, based on collection of air samples between September and December 2014. A protocol was validated for detection of FVOCs through CG/EM, while the fungal samples were identified by means of macro and micromorphological analysis. Thirty‑two air samples were analyzed for the presence of FVOCs, and the main compounds detected were 2‑methyl‑1‑propanol and 3‑methyl‑1‑butanol, while from the 16 mycological samples, the predominant spectrum of airborne fungi was hyaline filamentous deuteromycetes. The data presented indicate that more careful monitoring needs to be conducted in libraries and other indoor spaces, along with more discussion among academics and lawmakers on the theme of air contamination by FVOCs, seeking to improve the air quality of these places. Keywords: air pollution; air microbiology; occupational exposure. DOI: 10.5327/Z2176-94782015001 17 Revista Brasileira de Ciências Ambientais ISSN Eletrônico 2176-9478 Setembro de 2015 Nº 37 INTRODUÇÃO É fato que a maioria dos seres humanos despende cer‑ ca de 80% de seu tempo diário ocupando ambientes internos (STATHOLOUPOU et al., 2008; PERERA et al., 2012). Nos últimos anos, evidências científicas indicam que o ar doméstico e de ambientes laborais pode ser mais seriamente poluído do que o ar exterior na maio‑ ria das cidades industrializadas em todo o mundo (MO‑ RAIS et al., 2010; SOUSA & FORTUNA, 2011; PANTOJA et al., 2012; GUO et al., 2013). Similarmente ao que já vem se observando em âmbito internacional, a expectativa é de que, no Brasil, ocorra um aumento no controle da qualidade do ar de am‑ bientes internos, bem como a adoção de medidas mais rigorosas específicas para fontes de diferentes nature‑ zas e a inclusão de um programa de medida e controle desses contaminantes (CONAMA, 1990; BRASIL, 2003, 2007, 2011). Entretanto, apesar da crescente preocupação mun‑ dial em relação à qualidade do ar em ambiente não industrial, no Brasil, são poucos os estudos realizados em torno do tema, estando os trabalhos concentrados nas Regiões Sul e Sudeste (TERESA; PONSONI; RADDI, 2001; QUADROS, 2008; SIQUEIRA et al., 2011; RIO DE JANEIRO, 2012). Com relação à legislação brasileira, as atuais meto‑ dologias para a análise microbiológica são escassas, estando mais bem documentados os protocolos e pa‑ râmetros para as análises físico‑químicas (CONAMA, 1990; BRASIL, 2003, 2007, 2011). A falta de pesquisa na área microbiana se deve ao fato de os estudos em âmbito nacional serem relativamente recentes, à falta de incentivo à pesquisa na área, bem como à escas‑ sez de legislação específica que estabeleça padrões e metodologias de amostragem em ambientes internos não industriais, como escolas, residências, escritórios, bibliotecas, hospitais, centros comerciais, aeroportos, entre outros. A orientação técnica sobre Padrões Referenciais de Qua‑ lidade do Ar Interior em ambientes climatizados artificial‑ mente, de uso público e coletivo, recomenda o monito‑ ramento e controle ambiental de fungos como marcador epidemiológico da contaminação microbiana (BRASIL, 2003), sendo esses denominados de fungos anemófilos (LACAZ et al., 2002; MENEZES; ALCANFOR; CUNHA, 2006). Diferentes investigações de campo sugerem que a distribuição fúngica, em termos de concentrações e composições genéricas, varia entre as áreas geográfi‑ cas, sendo também influenciada por fatores ambien‑ tais sazonais, climáticos e outros (PEI‑CHIN; HUEY‑ ‑JEN; CHIA‑YIN, 2000; HUANG et al., 2002). Estudos também mostram que a exposição a fungos do ar parece estar associada à gênese de patologias, como quadros asmáticos, aspergilose, pneumonite por hi‑ persensibilidade, sinusite, rinite e algumas reações cutâneas (LACAZ et al., 2002; SCHIRMER et al., 2011), que resultam na ausência de estudantes à escola e profissionais ao trabalho, ou na baixa produtividade em hospitais e ambientes ocupacionais (LI & KUO, 1992; SCHLEIBINGER et al., 2008). Por exemplo, sur‑ tos de infecção hospitalar podem estar associados à contaminação de filtros de ar‑condicionado por bioaerossóis (LI et al., 2007). Encontram‑se disponíveis na literatura algumas técni‑ cas que permitem a análise da qualidade do ar, tendo os fungos como bioindicadores, entretanto, não existe uma técnica amplamente aceita na comunidade cien‑ tífica (BRASIL, 2003; TAVORA et al., 2003; LUKASZUK et al., 2011; NAPOLI; MARCOTRIGIANO; MONTAGNA, 2012). Todavia, pesquisas indicam que os métodos atuais apresentam uma série de inconvenientes, como contagem demorada das unidades formadoras de co‑ lônias (UFC) e resultados que, muitas vezes, não se relacionam com a situação real do ambiente (TAVORA et al., 2003; BASTOS, 2005). Dentro desse contexto, a busca por métodos mais acu‑ rados de caracterização da composição fúngica no ar se faz necessária. Sabe‑se que quando o fungo se de‑ senvolve no interior da estrutura de um edifício ou em filtros de ventilação, há, claramente, uma quantidade razoável de “contaminação oculta”, não podendo ser detectada apenas por intermédio de uma inspeção vi‑ sual. Também é fato que os fungos, quando começam a se desenvolver, emitem na atmosfera compostos or‑ gânicos voláteis de origem microbiana (COVMs), neste caso denominados de compostos orgânicos voláteis fúngicos (COVFs), que surgem pelas vias metabólicas ou a partir da degradação de materiais, devido à libe‑ ração de enzimas produzidas pelos fungos (WILKINS, 2002; MOULARAT et al., 2008a, 2008b). 18 Revista Brasileira de Ciências Ambientais ISSN Eletrônico 2176-9478 Setembro de 2015 Nº 37 Ao contrário dos esporos fúngicos, os COVFs são dis‑ persos no ambiente e não são retidos pelos substratos; consequentemente, detectando esses compostos é possível determinar uma contaminação precoce, visto que as técnicas disponíveis são rápidas e de alta sen‑ sibilidade (MOULARAT et al., 2008b; MORATH; HUNG; BENNETT, 2012). Igualmente, é fato que o conhecimento dos fun‑ gos anemófilos de um dado ambiente é importante para o diagnóstico ecológico e para o tratamento específico de manifestações alérgicas e de outras afecções causadas por esses micro‑organismos. Além disso, sabe‑se que a microbiota fúngica varia de um local para outro e de uma época para outra, devido à diversidade dos fatores determinantes das características ambientais de cada região, o que torna necessária a realização de estudos sistemá‑ ticos nacionais para a verificação da dinâmica da microbiota fúngica. Nesse ínterim, o presente estudo objetivou investigar a qualidade do ar em termos de COVFs visando melho‑ rias no monitoramento e controle de espaços internos de uma biblioteca pública de referência no município de Fortaleza, Ceará. MATERIAL E MÉTODOS A presente pesquisa é quantitativa e qualitativa do tipo exploratória, estando sob a abordagem do método hi‑ potético‑dedutivo. A escolha da biblioteca pública considerou as diversas características peculiares ao espaço laboral, como o elevado número de ocupantes que transitam perma‑ nentemente ou ocasionalmente em seus espaços e sua referência no atendimento de diferentes funções aos cidadãos do município de Fortaleza, Ceará (média de 30.000 usuários/mês). Em seguida, foram selecionados quatro setores espe‑ cíficos dentro da biblioteca, visto que, conforme Hes‑ s‑Kosa (2002), os locais de coleta devem ser indicados com antecedência e planejamento, devendo estar en‑ quadrados em uma ou mais categorias: 1. local onde se percebe o pior caso de qualidade do ar interior (QAI); 2. áreas com maior representatividade em tamanho e ocupação; 3. locais de preocupação especial. Os setores analisados foram: acervo geral, setor de estudos individuais, recepção principal e recepção de estudos. Entre setembro e dezembro de 2014, as amostras de ar para análise dos COVFs foram coletadas durante 1 hora de exposição por aspiração do ar com o auxí‑ lio de uma bomba calibrada (Marca VIGO‑AR, mode‑ lo Alpha III) de amostragem ativa (taxa de vazão 80 a 100 mL.min‑1) e uso de cartuchos (Marca 226‑01 SK‑ C‑ANASORB CSC) com 100 mg de carvão ativado da casca de coco verde (20/40 mesh) na camada analí‑ tica e 50 mg de carvão ativado na camada de contro‑ le ou branco separados por espuma de poliuretano, em duplicata/setor; após coleta, os cartuchos eram lacrados, refrigerados e encaminhados para o labo‑ ratório, quando eram realizadas as análises por meio de cromatografia gasosa/espectrometria de massa (GC/MS) (Marca SHIMADZU, modelo QP2010 plus). Para a análise por GC/MS, usaram‑se as condições: co‑ luna DB‑5 ms (apolar, comprimento 30 m, espessura 0,5 mm, diâmetro 0,25 mm), a rampa de temperatu‑ ra foi de 35°C (7 min), 20°C min‑1 até 75°C, 10°C min‑1 até 125°C (2 min), gás de arraste hélio na vazão 0,9 mL. min‑1, uma interface de temperatura de 250°C (USE‑ PA, 1999a, 1999b; DEMYTTENAERE et al., 2004; QUA‑ DROS, 2008; ARAKI et al., 2009; SCHUCHARDT & KRU‑ SE, 2009). Visando ter um controle, foram realizadas provas em branco, obedecendo ao mesmo processo de eluição do experimento, sendo realizadas em cartu‑ chos sem exposição aos poluentes (SOUSA, 2011). Concomitantemente, as amostras de ar para análise dos fungos foram coletadas pelo uso de sistema passivo de monitoramento, pelo método da sedimentação passiva em placas de Petri de 150 mm de diâmetro, contendo o meio ágar Batata Dextrose (Himedia®) (BASTOS, 2005). As placas eram dispostas em cada um dos setores onde foram analisados os COVFs, expostas a mesma quanti‑ dade de tempo que a bomba de amostragem de ar e colocadas a uma altura de 1,5 m acima do solo — próxi‑ 19 Revista Brasileira de Ciências Ambientais ISSN Eletrônico 2176-9478 Setembro de 2015 Nº 37 mo da área de respiração humana (PEI‑CHIN; HUEY‑JEN; CHIA‑YIN, 2000; PANTOJA et al., 2012). Para a identificação dos COVFs, visando garantir que o presente método analítico gerasse informações confiá‑ veis e interpretáveis sobre as amostras de ar, o mes‑ mo foi validado com relação a 10 padrões externos (7 álcoois e 3 cetonas) (USEPA, 1999a, 1999b). E para a identificação dos fungos, após a visualização de cresci‑ mento, realizou‑se a contagem global e a identificação das colônias fúngicas com base nas análises macro e micromorfológicas (HOOG; GUARRO; GENÉ, 2000; LA‑ CAZ et al., 2002; SIDRIM & ROCHA, 2004). O estudo foi conduzido por análise estatística descri‑ tiva, com destaque para a média de UFC.m‑3, que foi calculada de acordo com as seguintes definições e fór‑ mula (BOGOMOLOVA & KIRTSIDELI, 2009): N = 5a x 104 (bt)‑1 Onde: N = UFC.m‑3 de ar por ambiente; a = número de colônias por placa de Petri; b = superfície da placa de Petri (em cm2); t = tempo de exposição (em minutos). RESULTADOS E DISCUSSÃO Análise dos compostos orgânicos voláteis fúngicos Como cada setor foi analisado em duplicata, foram co‑ letadas 32 amostras; destas, 69% (22 amostras) resul‑ taram positivas diante de um ou mais padrões externos monitorados, havendo a positividade para 4 álcoois, a saber: 2‑metil‑1‑propanol (50%), 3‑metil‑1‑butanol (27%), 2‑pentanol (18%) e 1‑pentanol (5%). Destes, o 2‑metil‑1‑propanol despontou como o mais frequente e presente em todos os setores monitorados, seguido do 3‑metil‑1‑butanol (Tabela 1). A presença do 2‑metil‑1‑propanol já foi descrita por Pastore et al. (1994), por meio do isolamento de uma linhagem da levedura Geotrichum sp. prove‑ niente da fruta do mamão, enquanto, em relação a estudos que visam seu papel na qualidade do ar, existem autores, como Wessén e Schoeps (1996), que descreveram seu uso como um detector de crescimento microbiano em ambientes não indus‑ triais. É possível também que esse composto seja indicador de um recente crescimento fúngico no ar (WILKINS; LARSEN; SIMKUS, 2000; WILKINS, 2002). Logo, existe uma fonte relativamente recente de contaminação do ar nos quatro setores monitora‑ dos, mas que não pode ser detectada pontualmen‑ te na presente pesquisa. O 3‑metil‑1‑butanol foi descrito também por Bramors‑ ki (1997), ao realizarem estudo da produção de meta‑ bolitos voláteis durante o cultivo da espécie Rhizopus oryzae em substratos como bagaço de mandioca, fa‑ rinha de soja, bagaço de maçã e amaranto, como um dos compostos encontrados em maior concentração. Setor COVFs 2m1p 2p 3m1b 2m1b 1p 2hx 2hp 3oc 13ol 3ol Acervo geral + + ‑ ‑ ‑ ‑ ‑ ‑ ‑ ‑ Setor de estudos individuais + ‑ + ‑ ‑ ‑ ‑ ‑ ‑ ‑ Recepção principal + ‑ + ‑ + ‑ ‑ ‑ ‑ ‑ Recepção de estudos + + + ‑ ‑ ‑ ‑ ‑ ‑ ‑ Tabela 1 ‑ Distribuição dos compostos orgânicos voláteis fúngicos que foram monitorados em cada um dos setores da biblioteca, análise em ausência ou presença, dados referentes às coletas de setembro a dezembro de 2014. COVFs: compostos orgânicos voláteis fúngicos; +: presença; ‑: ausência; 2m1p: 2‑metil‑1‑propanol; 2p: 2‑pentanol; 3m1b: 3‑metil‑1‑buta‑ nol; 2m1b: 2‑metil‑1‑butanol; 1p: 1‑pentanol; 2hx: 2‑hexanona; 2hp: 2‑heptanona; 3oc: 3‑octanona; 13ol: 1‑octen‑3‑ol; 3ol: 3‑octanol. 20 Revista Brasileira de Ciências Ambientais ISSN Eletrônico 2176-9478 Setembro de 2015 Nº 37 Sua presença no ar é vinculada ao elevado número de espécies fúngicas (FIEDLER; SCHÜTZ; GEH, 2001). Buscando uma relação entre os achados, foi aplica‑ da uma análise estatística pelo método de correlação simples entre variáveis por meio do teste t de Student, com o objetivo de comparar o nível de significância e a correlação entre os achados. Como resultado consta‑ tou‑se nível significativo de 1% de probabilidade entre o 2‑metil‑1‑propanol e o 3‑metil‑1‑butanol (Tabela 2). Com os resultados apresentados na Tabela 2, pode‑se constatar que, quando se identifica no ar o 2‑metil‑ ‑1‑propanol, existe forte probabilidade de o 3‑metil‑ ‑1‑butanol também estar presente. Correlação Coeficiente de correlação (r) Nível de significância 2m1p e 3m1b 0,6124 ** 2m1p e 2p 0,4714 * 2m1p e 1p 0,2182 ns 3m1b e 2p 0,4698 * 3m1b e 1p 0,3563 ns 2p e 1p 0,4629 * Tabela 2 ‑ Resultados de correlação por meio do teste t de Student e o real nível de significância entre os achados de compostos orgânicos voláteis fúngicos. **significativo de 1% de probabilidade (p<0,01); *significativo de 5% de probabilidade (0,01≤p<0,05); ns: não significativo (p≥0,05); 2m1p: 2‑metil‑1‑propanol; 3m1b: 3‑metil‑1‑butanol; 2p: 2‑pentanol; 1p: 1‑pentanol. Análise dos fungos Para a amostragem fúngica de cada setor foi coletada uma amostra mensal, totalizando 16 amostras micoló‑ gicas analisadas; os resultados da análise quantitativa, realizada com base na fórmula descrita anteriormente, mostram elevado número de UFC.m‑3 em todos os am‑ bientes (Tabela 3), em especial no acervo geral e na re‑ cepção da área de estudos individuais, que despontam como os ambientes mais biocontaminados. Em 24 de outubro de 2000, foi publicada, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), a Resolução – RE nº 176, contendo orientação Técnica sobre Padrões Referenciais de QAI em ambientes de uso público e co‑ letivo com climatização artificial (BRASIL, 2000), que foi aprimorada pela Resolução – RE nº 9, de 16 de janeiro de 2003 (BRASIL, 2003). De acordo com a RE no 9, o valor máximo recomendável para contaminação microbioló‑ gica deve ser ≤750 UFC.m‑3 de fungos; com base nessa determinação da legislação vigente, apenas o setor de estudos individuais e a recepção principal estão dentro dos parâmetros estabelecidos, enquanto o acervo geral e recepção de estudos estão em discordância. Tabela 3 - Análise quantitativa (média de unidades formadoras de colônia fúngica por metro cúbico) por setor analisado durante os meses de setembro a dezembro de 2014. UFC.m‑3: unidades formadoras de colônia fúngica por metro cúbico. Ambiente Setor Média UFC.m‑3 Biblioteca Acervo geral 1.924 Setor de estudos individuais 584 Recepção principal 750 Recepção de estudos 1.469 21 Revista Brasileira de Ciências Ambientais ISSN Eletrônico 2176-9478 Setembro de 2015 Nº 37 Essa alta concentração de colônias era esperada, devi‑ do principalmente à grande quantidade de substratos favoráveis à ação de biodegradadores/biopoluentes sobre os acervos físicos e digitais. Os dados corro‑ boram estudo conduzido por Bortoletto, Machado e Coutinho em 2002, em que foi constatada uma séria contaminação fúngica no ar da biblioteca da Fundação Oswaldo Cruz, em Manguinhos, cujo acervo contava com 620.000 volumes, na época. A biblioteca foi inter‑ ditada por cinco meses devido a essa contaminação. Após análise qualitativa, foram identificados 14 dife‑ rentes grupos fúngicos, distribuídos em 9 gêneros e 5 espécies, formados predominantemente por deute‑ romicetos filamentosos hialinos, com destaque para os gêneros Acremonium sp., Aspergillus sp. e Penicillium sp., encontrados nos 4 setores. Ainda no tocante à composição do espectro de fungos anemófilos, destaca‑se que o único representante do grupo das leveduras foi o gênero Candida sp. Estudos aerobiológicos realizados em países temperados apon‑ tam os fungos demáceos, em especial o gênero Clados‑ porium sp., como os preponderantes no ar e na poeira (SOLOMON et al., 2006). No presente estudo, a inci‑ dência de fungos demáceos foi pequena, representada pelos gêneros Cladosporium sp. e Exophiala sp. A representativa variedade de fungos encontrada coa‑ duna‑se a dois estudos anteriores realizados no Estado do Ceará. Menezes, Alcanfor e Cunha (2006) expuse‑ ram 50 placas de Petri na sala de periódicos da Biblio‑ teca das Ciências da Saúde da Universidade Federal do Ceará e isolaram 13 gêneros fúngicos, com destaque para Aspergillus sp., Penicillium sp., Curvularia sp. e Cladosporium sp., concluindo que aquele espaço era insalubre, já que os fungos poderiam desencadear alergias respiratórias nos frequentadores. A segunda pesquisa sobre o tema conhecida no Cea‑ rá foi realizada por pesquisadores do Laboratório de Microbiologia do Curso de Ciências Biológicas da Uni‑ versidade Estadual do Ceará, quando monitoraram o ar da Biblioteca Central do Campus do Itaperi por um período de um ano e identificaram vários fungos ane‑ mófilos, com maior taxa de prevalência para Acremo‑ nium blochii, Aspergillus flavus, Aspergillus niger, As‑ pergillus sp., Fusarium clamidosporium, Fusarium sp., Mucor sp., Penicillium sp., Rhizopus sp. e Scytalidium hyalinum (PANTOJA; COUTO; PAIXÃO, 2007). A diversidade do espectro fúngico do ar de bibliotecas situadas em diferentes locais é reforçada ainda pelos dados de Rosa et al. (2008), cujo estudo apontou que os fungos mais frequentes na biblioteca da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás foram os zigomicetos Mucor sp., Rhizopus sp. e Syncepha‑ lastrum sp., o que reforça que a distribuição fúngica obedece a um padrão geográfico, enfatizando a impor‑ tância de estudos regionalizados que visem conhecer a microbiota específica de cada região. Buscando uma relação entre os achados fúngicos, foi aplicada a análise estatística pelo método de correla‑ ção simples entre variáveis por meio do teste t de Stu‑ dent, com o objetivo de comparar o nível de significân‑ cia e a correlação entre os achados. Como resultado constatou‑se nível significativo de 1% de probabilidade entre Acremonium sp., Aspergillus sp. e Penicillium sp. (Tabela 4). Correlação Coeficiente de correlação (r) Nível de significância Acremonium sp. versus Aspergillus niger 1,000 ** Acremonium sp. versus Aspergillus terreus 1,000 ** Aspergillus flavus versus Penicillium sp. 1,000 ** Aspergillus niger versus Aspergillus terreus 1,000 ** Candida sp. versus Cladosporium sp. 1,000 ** Acremonium sp. versus Aspergillus flavus ‑0,3333 ns Tabela 4 ‑ Resultados de correlação por meio do teste t de Student e o real nível de significância entre os achados fúngicos. **significativo de 1% de probabilidade (p<0,01); ns: não significativo (p≥0,05). 22 Revista Brasileira de Ciências Ambientais ISSN Eletrônico 2176-9478 Setembro de 2015 Nº 37 Com base nos resultados acima, estipula‑se que, quando um dos gêneros/espécies fúngicos citados está presente, existe uma forte tendência de o ou‑ tro gênero/espécie também ser encontrado no mes‑ mo setor. Nesse sentido, foi possível verificar quais achados fúngicos estão mais próximos uns dos ou‑ tros; as demais relações foram todas não significati‑ vas (dados não demonstrados na tabela). Com esses dados, os gestores das bibliotecas podem fazer uso de técnicas de preservação específicas, como o uso de fungicidas, quando necessário, ou técnicas gerais, como remover a poeira e eliminar os elementos po‑ luentes, realizar manutenção periódica do aparelho de ar‑condicionado, mantendo, assim, a integrida‑ de dos acervos e garantindo que estes tenham uma vida longa (CAMPOS, 2006). CONCLUSÃO No âmbito nacional, os estudos envolvendo os COVFs e a qualidade do ar ainda são escassos e isolados. O pre‑ sente trabalho investigou e detectou quatro álcoois, com destaque para o 2‑metil‑1‑propanol, um indicador de crescimento fúngico recente presente no ar; logo, com a detecção desse e de outros COVFs é possível de‑ terminar uma contaminação precoce, visto que a técni‑ ca usada é rápida e de alta sensibilidade. Também se destaca a significativa diversidade do es‑ pectro fúngico encontrado na microbiota aérea dos setores analisados da biblioteca, bem como a exis‑ tência de agrupamentos com forte correlação, em especial com os hialomicetos Acremonium, Aspergil‑ lus e Penicillium. Com base nesses achados pode‑se propor que o espaço físico das bibliotecas analisadas passe a ser suficientemente arejado, racionalmente iluminado, limpo periodicamente e que os valores termo‑higrométricos sejam adequados à preserva‑ ção dos livros e documentos. Enfim, os dados apresentados são indicativos de que mais monitoramentos precisam ser realizados em ou‑ tros ambientes ocupacionais, visando estabelecer uma melhoria no monitoramento vigente, provocando uma maior discussão no meio acadêmico e legislativo sobre o tema e, por fim contribuir para o estudo sistematiza‑ do da Aerobiologia nacional. REFERÊNCIAS ARAKI, A.; EITAKI, Y.; KAWAI, T.; KANAZAWA, A.; TAKEDA, M.; KISHI, R. Diffusive sampling and measurement of microbial volatile organic compounds in indoor air. Indoor Air, v. 19, p. 421‑432, 2009. BASTOS, J.E. Requisitos para a garantia de qualidade do ar em ambientes climatizados – enfoque em ambientes hospitalares. Monografia (Especialização em Engenharia de Segurança do Trabalho) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2005. BOGOMOLOVA, E. & KIRTSIDELI, I. Airborne fungi in four stations of the St. Petersburg Underground railway system. International Biodeterioration and Biodegradation, v. 63, p. 156‑160, 2009. 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