Revista Brasileira de Ciências Ambientais – Número 30 – Dezembro de 2013 ISSN Impresso 1808-4524 / ISSN Eletrônico: 2176-9478 56 Método baseado em indicadores de sustentabilidade para escolha de estações de tratamento de esgoto Method based on technology library for sustainability assessment of wastewater treatment plants RESUMO A incorporação da avaliação de sustentabilidade no processo decisório está se tornando uma tarefa fundamental no âmbito da gestão das águas. No entanto, quantificar ou operacionalizar a sustentabilidade pode ser um processo discutível. O papel dos indicadores de sustentabilidade é estruturar e comunicar informações sobre questões- chave e tendências consideradas relevantes para a tomada de decisão. Dentro deste contexto, o objetivo desta pesquisa é apresentar um método baseado em indicadores para a avaliação da sustentabilidade de estações de tratamento de esgoto na fase de projeto. Para isto, o conceito de biblioteca de tecnologia foi escolhido para agregar os parâmetros econômicos, sociais e ambientais dessas estações. O método aqui proposto demonstrou ter potencial para ser utilizado nas avaliações de sustentabilidade de estações de tratamento de esgoto. PALAVRAS-CHAVE: biblioteca de tecnologias; sustentabilidade; tratamento de esgoto ABSTRACT The incorporation of sustainability assessment in decision-making has become fundamental in the context of water management. However, it is difficult to quantify sustainability. The role of sustainability indicators is to communicate information, key issues and trends that are relevant to decision making. Considering these difficulties, the objective of this research is to present a method based on sustainability indicators to assess the sustainability of wastewater treatment plants performance at the design phase. For this, the concept of a technology library is used to aggregate the economic, social and environmental impacts of these plants. The method proposed here proved to have potential to be used in sustainability assessments. KEYWORDS: library of technology, sustainability, sewage treatment Alexandre Bevilacqua Leoneti Doutor em Engenharia Civil Hidráulica e Saneamento (EESC/USP) e professor doutor no Departamento de Administração (FEA-RP/USP) Ribeirão Preto, SP, Brasil ableoneti@usp.br Sonia Valle Walter Borges de Oliveira Doutora em Administração de Empresas (FEA/USP) e professora associada no Departamento de Administração (FEA-RP/USP) Ribeirão Preto, SP, Brasil Eduardo Cleto Pires Doutor em Engenharia Civil Hidráulica e Saneamento (EESC/USP) e professor titular no Departamento de Engenharia Civil Hidráulica e Saneamento (EESC/USP) São Carlos, SP, Brasil Revista Brasileira de Ciências Ambientais – Número 30 – Dezembro de 2013 ISSN Impresso 1808-4524 / ISSN Eletrônico: 2176-9478 57 INTRODUÇÂO Desde a publicação do Relatório Brundtland “Nosso Futuro Comum”, pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, em 1987, e da realização da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (UNCED), em 1992, o conceito de sustentabilidade entrou na pauta das decisões da maioria das organizações no mundo inteiro (RAMETSTEINER et al., 2011). No entanto, quantificar os critérios relativos à sustentabilidade é, na maioria das vezes, um processo discutível e possivelmente conflitante, devido à necessidade de atender às diversas características do problema. Segundo RAMETSTEINER et al. (2011), muitas ferramentas têm sido desenvolvidas para esta tarefa, mas estas diferem nos processos de sua construção: o processo político-administrativo ou o cientificamente orientado. Neste último, há uma tendência para ignorar ou subestimar o processo de negociação, colocando ênfase na concepção técnica e separando a ciência da política – aqui considerada como a habilidade no trato das relações humanas – com vista à obtenção dos resultados desejados. Todavia, a busca pela sustentabilidade deve estar baseada na tomada de decisão participativa, democrática, integrada e abrangente (STARKL; BRUNNER, 2004). No âmbito da gestão das águas, as soluções para novos empreendimentos deveriam estar baseadas na avaliação técnica e na posterior avaliação da sua sustentabilidade, devido principalmente às profundas implicações sociais, econômicas e ambientais das estações de tratamento (MAKROPOULOS et al., 2008). A necessidade desta avaliação tem estimulado o desenvolvimento de novas ferramentas, que se baseiam em diversos tipos de indicadores para representar os diferentes aspectos da sustentabilidade (MEADOWS, 1998). Por meio destas ferramentas, cientistas, políticos, cidadãos e tomadores de decisão em geral podem monitorar as alterações nas dimensões-chave da sustentabilidade, possibilitando identificar tendências para cenários futuros (RAMETSTEINER et al., 2011). A partir disto, as diferentes alternativas podem ser discutidas entre os diferentes agentes envolvidos na tomada de decisão, com a finalidade de se identificar qual delas atende todos os critérios exigidos, sem, no entanto, gerar impactos negativos nas regiões onde serão implantadas. Desta forma, MAKROPOULOS et al. (2008) afirmam que a incorporação da avaliação de sustentabilidade nos processos decisórios se tornou uma tarefa fundamental para o serviço de água e seus prestadores. Todavia, também concordam que o desafio fundamental da incorporação desta avaliação da sustentabilidade não é essencialmente o técnico, mas sim o político, pois o conceito de sustentabilidade é normativo e a decisão sobre quem participará e quem decidirá no processo de desenvolvimento do indicador é crucial (RAMETSTEINER et al., 2011). Assim, segundo os autores, a adoção deste novo conceito trará sempre a necessidade de dar suporte aos envolvidos para realizarem uma avaliação mais objetiva de diferentes alternativas, tendo como foco a sustentabilidade. Como uma contribuição para realizar esta avaliação de alternativas MAKROPOULOS et al. (2008) desenvolveram um software baseado em uma biblioteca denominada “Biblioteca de Tecnologia”. Esta biblioteca é a compilação de funções, na forma de blocos individuais, para estimar o desempenho de diferentes tecnologias de sistemas de tratamento de água ou esgoto, abrangendo os aspectos ambientais, econômicos e sociais da sustentabilidade. De forma específica, cada uma destas unidades – chamadas de “bloco” (figura 1) – representa uma tecnologia de tratamento e contém diversas funções, do tipo caixa preta, que são utilizadas para estimar o desempenho das tecnologias nos diversos aspectos considerados em sua avaliação. De forma mais ampla, estes blocos são agrupados de acordo com as afinidades tecnológicas para formar blocos compostos, que são chamados de sistemas. Estes blocos compostos representam diferentes tipos de sistemas, os quais podem ser avaliados com base em seus desempenhos nos múltiplos critérios considerados. Dentro deste contexto, o objetivo desta pesquisa foi desenvolver em planilha eletrônica um método baseado em indicadores para a avaliação da sustentabilidade de estações de tratamento de Sistema Quantidade afluente Qualidade afluente Quantidade efluente Qualidade efluente Figura 1 – Configuração dos blocos - Fonte: Makropoulos et al. (2008, p. 1454). Revista Brasileira de Ciências Ambientais – Número 30 – Dezembro de 2013 ISSN Impresso 1808-4524 / ISSN Eletrônico: 2176-9478 58 esgoto, utilizando o conceito de biblioteca de tecnologia proposto por MAKROPOULOS et al. (2008). Foram coletadas e são apresentadas funções para estimar os critérios econômicos, sociais e ambientais de diferentes tipos de tecnologias e processos para o tratamento de esgoto. Estas funções foram agrupadas com o objetivo de verificar a possibilidade da implementação desta biblioteca e, assim, permitir uma discussão mais objetiva sobre os conceitos de sustentabilidade na fase de projeto e tomada de decisão. O método proposto demonstrou ser facilmente aplicável o que lhe confere um potencial para ser utilizado nas avaliações de sustentabilidade de estações de tratamento de esgoto. METODOLOGIA O presente estudo é uma pesquisa aplicada, com a criação e utilização de uma biblioteca de tecnologias para avaliar a sustentabilidade de estações de tratamento de esgoto. A pesquisa foi desenvolvida com o auxílio do software Excel®, onde foram definidas funções para estimar os diferentes aspectos da sustentabilidade de tecnologias e processos de tratamento de esgoto. Estas funções foram agrupadas em blocos individuais, como proposto por MAKROPOULOS et al. (2008), considerando parâmetros econômicos, ambientais e sociais. A escolha dos sistemas para compor esta biblioteca de tecnologia foi realizada a partir dos dados da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (IBGE, 2008), de onde foram selecionados os tipos de sistemas de tratamento mais utilizados no Brasil. A tabela 1 mostra estes tipos de sistemas de tratamento nos municípios brasileiros. Dentre os doze principais sistemas de tratamentos empregados nos municípios brasileiros, nove foram incorporados ao modelo, não tendo sido incorporados à biblioteca os sistemas de Fossa Séptica, por se tratar de um sistema descentralizado, ou seja, que não permitiria a sua interação com outros sistemas individuais da biblioteca, bem como Valo de Oxidação e Lagoa Mista, devido à pequena representatividade na amostra destes dois últimos sistemas. Embora possuindo também uma baixa representatividade, o sistema Wetland foi incorporado, pois representa um tipo de pós- tratamento que pode ser adicionado ao final dos tratamentos convencionais para aumentar o desempenho do sistema como um todo. Ainda, devido a uma diferença entre dois sistemas encontrados na literatura (VON SPERLING, 2006), também foi inserida uma variação do sistema de Filtro Biológico e outra do sistema de Lodos Ativados. Por fim, foi adicionado um sistema de tratamento preliminar, o que completou os doze sistemas considerados nesta pesquisa: (i) Preliminar; (ii) Filtro biológico (baixa carga); (iii) Filtro biológico (alta carga); (iv) Lodo ativado (convencional); (v) Lodo ativado (aeração prolongada); (vi) Reator anaeróbio (UASB); (vii) Lagoa anaeróbia; (viii) Lagoa aerada (facultativa); (ix) Lagoa aerada (aeróbia); (x) Lagoa facultativa; (xi) Lagoa de maturação; e (xii) Wetland. Os critérios considerados para cada sistema foram selecionados a partir da identificação de indicadores recorrentes entre os sistemas de indicadores de sustentabilidade para estações de tratamento de esgoto propostos por ALEGRE et al. (2007), MUGA e MIHELCIC (2008), VIDAL et al. (2002), KELLNER, CALIJURI e PIRES (2009) e MAKROPOULOS et al. (2008). Para isto, foi selecionado um Tabela 1 – Principais tipos de sistemas de tratamento nos municípios brasileiros Sistema Quantidade Lagoa facultativa 672 Reator anaeróbio 565 Lagoa anaeróbia 431 Filtro biológico 317 Lagoa de maturação 238 Lodo ativado 188 Lagoa aeróbia 131 Fossa séptica 109 Lagoa aerada 93 Lagoa mista 65 Valo de oxidação 27 Wetland 20 Outros 129 Fonte: adaptado de IBGE (2008) Revista Brasileira de Ciências Ambientais – Número 30 – Dezembro de 2013 ISSN Impresso 1808-4524 / ISSN Eletrônico: 2176-9478 59 indicador de sustentabilidade que serviu como base de comparação entre os sistemas de indicadores, tendo sido escolhidos os propostos por MUGA e MIHELCIC (2008) devido à sua estrutura, dividida entre critérios sociais, ambientais e econômicos, e seu número adequado e balanceado de variáveis entre as dimensões de sustentabilidade. A tabela 2 apresenta os critérios escolhidos como indicadores, baseados no indicador de sustentabilidade proposto por MUGA e MIHELCIC (2008). Finalmente, os valores para os critérios selecionados foram coletados na literatura a partir de, basicamente, duas maneiras: (i) por meio de funções ou modelos determinísticos; ou (ii) por meio de funções ou modelos heurísticos, através de funções de transformação empíricas. Em ambas as formas, dado, por exemplo, a quantidade de uma determinada variável de entrada (afluente), a função ou modelo estima o seu valor após o tratamento (efluente), conforme a figura 1 anteriormente apresentada. RESULTADOS E DISCUSSÕES Dentre os critérios escolhidos para compor a biblioteca de tecnologia utilizada nesta pesquisa, os indicadores “custo de implantação”, “custo de operação e manutenção” e “custo para o usuário” foram selecionados para representar a dimensão econômica das estações de tratamento de esgoto. O indicador “Custo de implantação” representa o custo em reais estimado para instalar cada sistema individualmente em um município baseado no número de habitantes. De forma semelhante, o indicador “Custo de operação e manutenção” estima o custo anual em reais para a operação e manutenção de cada sistema individual, também em função do número de habitantes. Finalmente, o indicador “Custo para o usuário” estima, em reais, qual o valor médio da tarifa ou taxa que o município cobra por cada sistema individual ao ano. Em sua maior parte, os indicadores econômicos foram encontrados na literatura na forma de funções determinísticas, embora para estimar o indicador “Custo para o usuário” tenha sido necessário utilizar dados consolidados do relatório Diagnóstico dos Serviços de Água e Esgoto 2009 do Sistema Nacional de Informações Sobre Saneamento (SNIS, 2009), fazendo- Tabela 2 – Critérios escolhidos para compor o indicador de sustentabilidade Muga and Mihelcic (2008) Alegre et al. (2007) Vidal et al. (2002) Makropoulos et al. (2008) Kellner et al. (2009) Critérios escolhidos Critérios econômicos Custo de implantação Custo de implantação Investimento Custo de implantação Custo total Custo de implantação Operação e manutenção Operação e manutenção Operação e manutenção Custos operacionais - Custo de operação e manutenção Custo para o usuário - - Capacidade de pagamento Tarifa med. praticada Custo para o usuário Critérios ambientais Uso de energia Consumo de energia Consumo de energia Uso de energia - Consumo de energia DBO DBO DBO Desempenho DBO Remoção DBO N Nitrogênio total - - N Remoção N P Fósforo total - - P Remoção P - Produção de lodo Geração de lodo - - Produção de lodo Critérios sociais Nível de odor Odor Odor - - Nível de odor Espaço livre disponível - - Uso do espaço - Espaço necessário Pessoal necessário Empregados por população - - - Funcionários requeridos Revista Brasileira de Ciências Ambientais – Número 30 – Dezembro de 2013 ISSN Impresso 1808-4524 / ISSN Eletrônico: 2176-9478 60 se uma regressão entre a variável independente “População total do município” e a variável dependente “Receita operacional direta de esgoto” deste relatório. As funções das variáveis “Custo de implantação” e “Custo de operação e manutenção” foram facilmente encontradas e receberam, em sua maior parte, valores médios entre os mínimos e máximos sugeridos na literatura. Todavia, os valores referentes às lagoas anaeróbias, devido à amplitude de sua variação entre o custo mínimo e máximo, foram definidos utilizando-se 120% do valor mínimo para sua composição. Finalmente, estes valores foram corrigidos pelo Índice Nacional de Custo da Construção de Janeiro/2006 para Janeiro/2009, o qual variou 24,73% no período. A tabela 3 apresenta as funções definidas para os critérios econômicos e suas versões originais, além da quantidade de casos analisados e o índice R2 (coeficiente de determinação na amostra) alcançado pela regressão para o caso específico da variável “Custo para o usuário”. Para representar a dimensão ambiental das estações de Tabela 3 – Funções para os critérios econômicos Sistema Função original Função adaptada Fonte Custo de implantação Preliminar 30-50 R$/hab 50 R$/hab * Von Sperling, 2006, p 340 Filtro biológico (baixa carga) 120-150 R$/hab 168 R$/hab * Von Sperling, 2006, p 340 Filtro biológico (alta carga) 120-150 R$/hab 168 R$/hab * Von Sperling, 2006, p 340 Lodo ativado (convencional) 100-160 R$/hab 162 R$/hab * Von Sperling, 2006, p 340 Lodo ativado (aeração prolong.) 90-120 R$/hab 131 R$/hab * Von Sperling, 2006, p 340 Reator anaeróbio (UASB) 30-50 R$/hab 50 R$/hab * Von Sperling, 2006, p 340 Lagoa anaeróbia 30-75 R$/hab 45 R$/hab * Von Sperling, 2006, p 340 Lagoa aerada (facultativa) 50-90 R$/hab 87 R$/hab * Von Sperling, 2006, p 340 Lagoa aerada (aeróbia) 65-100 R$/hab 103 R$/hab * Jordão; Pessôa, 2009, p 852 Lagoa facultativa 30-75 R$/hab 65 R$/hab * Von Sperling, 2006, p 340 Lagoa de maturação 20-25 R$/hab 28 R$/hab * Von Sperling, 2006, p 340 Wetland 50-80 R$/hab 81 R$/hab * Von Sperling, 2006, p 340 Custo de operação e manutenção Preliminar 1,5-2,5 R$/hab 2,5 R$/hab * Von Sperling, 2006, p 340 Filtro biológico (baixa carga) 10-15 R$/hab 15,6 R$/hab * Von Sperling, 2006, p 340 Filtro biológico (alta carga) 10-15 R$/hab 15,6 R$/hab * Von Sperling, 2006, p 340 Lodo ativado (convencional) 10-20 R$/hab 18,7 R$/hab * Von Sperling, 2006, p 340 Lodo ativado (aeração prolong.) 10-20 R$/hab 18,7 R$/hab * Von Sperling, 2006, p 340 Reator anaeróbio (UASB) 2,5-3,5 R$/hab 3,7 R$/hab * Von Sperling, 2006, p 340 Lagoa anaeróbia 2-4 R$/hab 3,5 R$/hab * Von Sperling, 2006, p 340 Lagoa aerada (facultativa) 5-9 R$/hab 8,7 R$/hab * Von Sperling, 2006, p 340 Lagoa aerada (aeróbia) 5-9 R$/hab 8,7 R$/hab * Von Sperling, 2006, p 340 Lagoa facultativa 2-4 R$/hab 3,7 R$/hab * Von Sperling, 2006, p 340 Lagoa de maturação 0,5-1 R$/hab 0,9 R$/hab * Von Sperling, 2006, p 340 Wetland 2,5-4 R$/hab 4,1 R$/hab * Von Sperling, 2006, p 340 Custo para o usuário Preliminar 2,43 US$/hab 7,0 R$/hab LEONETI (2009) Filtro biológico (baixa carga) 63 casos; R2=0,45 17,94 R$/hab SINIS (2009) Filtro biológico (alta carga) 63 casos; R2=0,45 17,94 R$/hab SINIS (2009) Lodo ativado (convencional) 45 casos; R2=0,96 54,72 R$/hab SINIS (2009) Lodo ativado (aeração prolong.) 45 casos; R2=0,96 54,72 R$/hab SINIS (2009) Reator anaeróbio (UASB) 179 casos; R2=0,63 24,92 R$/hab SINIS (2009) Lagoa anaeróbia 18 casos; R2=0,86 10,87 R$/hab SINIS (2009) Lagoa aerada (facultativa) 10 casos; R2=0,94 21,38 R$/hab SINIS (2009) Lagoa aerada (aeróbia) 10 casos; R2=0,93 27,32 R$/hab SINIS (2009) Lagoa facultativa 117 casos; R2=0,59 22,67 R$/hab SINIS (2009) Lagoa de maturação 7 casos; R2=0,75 8,64 R$/hab SINIS (2009) Wetland Média dos 3 casos 20,41 R$/hab SINIS (2009) Notas: (*) os valores médios foram atualizados de janeiro/2006 para janeiro/2009 pelo Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), que apresentou variação de 24,73% no período Revista Brasileira de Ciências Ambientais – Número 30 – Dezembro de 2013 ISSN Impresso 1808-4524 / ISSN Eletrônico: 2176-9478 61 tratamento de esgoto, Tabela 4 – Funções para os critérios ambientais Sistema Função original Função adaptada Fonte Consumo de energia Preliminar 0 kWh/hab 0 kWh/hab Von Sperling, 2006, p 340 Filtro biológico (baixa carga) 0 kWh/hab 0 kWh/hab Von Sperling, 2006, p 340 Filtro biológico (alta carga) 0 kWh/hab 0 kWh/hab Von Sperling, 2006, p 340 Lodo ativado (convencional) 18-26 kWh/hab 22 kWh/hab Von Sperling, 2006, p 340 Lodo ativado (aeração prolong.) 20-35 kWh/hab 27,5 kWh/hab Von Sperling, 2006, p 340 Reator anaeróbio (UASB) 0 kWh/hab 0 kWh/hab Von Sperling, 2006, p 340 Lagoa anaeróbia 0 kWh/hab 0 kWh/hab Von Sperling, 2006, p 340 Lagoa aerada (facultativa) 11-18 kWh/hab 14,5 kWh/hab Von Sperling, 2006, p 340 Lagoa aerada (aeróbia) 20-24 kWh/hab 21 kWh/hab Jordão; Pessôa, 2009, p 852 Lagoa facultativa 0 kWh/hab 0 kWh/hab Von Sperling, 2006, p 340 Lagoa de maturação 0 kWh/hab 0 kWh/hab Von Sperling, 2006, p 340 Wetland 0 kWh/hab 0 kWh/hab Von Sperling, 2006, p 340 Eficiência de remoção de DBO Preliminar 30-35% DBO 32,5% DBO Von Sperling, 2006, p 339 Filtro biológico (baixa carga) 85-93% DBO 89% DBO Von Sperling, 2006, p 339 Filtro biológico (alta carga) 80-90% DBO 85% DBO Von Sperling, 2006, p 339 Lodo ativado (convencional) 85-93% DBO 89% DBO Von Sperling, 2006, p 339 Lodo ativado (aeração prolong.) 90-97% DBO 93,5% DBO Von Sperling, 2006, p 339 Reator anaeróbio (UASB) 60-75% DBO 67% DBO Von Sperling, 2006, p 339 Lagoa anaeróbia 50-85% DBO 65% DBO Metcalf; Eddy, 1991, p 645 Lagoa aerada (facultativa) 75-85% DBO 80% DBO Von Sperling, 2006, p 339 Lagoa aerada (aeróbia) 50-60% DBO 55% DBO Jordão; Pessôa, 2009, p 797 Lagoa facultativa 75-85% DBO 80% DBO Von Sperling, 2006, p 339 Lagoa de maturação 60-80% DBO 70% DBO Metcalf; Eddy, 1991, p 645 Wetland 80-90% DBO 85% DBO Von Sperling, 2006, p 339 Eficiência de remoção de N Preliminar 5-10% N 7,5% N Metcalf; Eddy, 1991, p 692 Filtro biológico (baixa carga) 15-50% N 32,5% N Metcalf; Eddy, 1991, p 170 Filtro biológico (alta carga) 15-50% N 32,5% N Metcalf; Eddy, 1991, p 170 Lodo ativado (convencional) 15-50% N 32,5% N Metcalf; Eddy, 1991, p 170 Lodo ativado (aeração prolong.) 15-50% N 32,5% N Metcalf; Eddy, 1991, p 170 Reator anaeróbio (UASB) 60% N 60% N Von Sperling, 2006, p 339 Lagoa anaeróbia 60% N 60% N Von Sperling, 2006, p 339 Lagoa aerada (facultativa) 30% N 30% N Von Sperling, 2006, p 339 Lagoa aerada (aeróbia) 30% N 30% N Jordão; Pessôa, 2009, p 797 Lagoa facultativa 60% N 60% N Von Sperling, 2006, p 339 Lagoa de maturação 50-65% N 57,5% N Von Sperling, 2006, p 339 Wetland 60% N 60% N Von Sperling, 2006, p 339 Eficiência de remoção de P Preliminar 10-20% P 15% P Metcalf; Eddy, 1991, p 695 Filtro biológico (baixa carga) 35% P 35% P Von Sperling, 2006, p 339 Filtro biológico (alta carga) 35% P 35% P Von Sperling, 2006, p 339 Lodo ativado (convencional) 10-25% P 17,5% P Metcalf; Eddy, 1991, p 695 Lodo ativado (aeração prolong.) 10-25% P 17,5% P Metcalf; Eddy, 1991, p 695 Reator anaeróbio (UASB) 35% P 35% P Von Sperling, 2006, p 339 Lagoa anaeróbia 35% P 35% P Von Sperling, 2006, p 339 Lagoa aerada (facultativa) 35% P 35% P Von Sperling, 2006, p 339 Lagoa aerada (aeróbia) 35% P 35% P Von Sperling, 2006, p 339 Lagoa facultativa 35% P 35% P Von Sperling, 2006, p 339 Lagoa de maturação 50% P 50% P Von Sperling, 2006, p 339 Wetland 35% P 35% P Von Sperling, 2006, p 339 Revista Brasileira de Ciências Ambientais – Número 30 – Dezembro de 2013 ISSN Impresso 1808-4524 / ISSN Eletrônico: 2176-9478 62 foram escolhidos os indicadores consumo de energia, eficiência de remoção de Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO), eficiência de remoção de Nitrogênio (N), eficiência de remoção de Fósforo (P) e produção de lodo. O indicador “Consumo de energia” representa uma estimativa do consumo de energia anual, em kWh, para o tratamento do esgoto de cada munícipe, ou seja, como todos os indicadores econômicos apresentados, este indicador varia também em função da população. O mesmo ocorre com o indicador “Produção de lodo”, que fornece uma estimativa de produção em litros de lodo por ano para cada sistema individual, com base na quantidade de habitantes do município. Por sua vez, os indicadores “Eficiência de remoção de DBO”, “Eficiência de remoção de N” e “Eficiência de remoção de P”, representam uma estimativa de remoção, em porcentagem, da DBO, do Nitrogênio e do Fósforo, que são encontrados no afluente de cada sistema individual, respectivamente. Desta forma, as variáveis de entrada passaram a ser, até aqui: (i) população; (ii) DBO afluente; (iii) N afluente; e (iv) P afluente. Os valores para os critérios ambientais foram mais facilmente encontrados na literatura, possuindo apenas algumas variações entre os diferentes autores e também receberam valores médios entre os mínimos e máximos sugeridos. A tabela 4 apresenta as funções definidas para os parâmetros ambientais e suas versões originais. Finalmente, os indicadores “nível de odor”, “espaço necessário” e “funcionários requeridos” foram escolhidos para representar a dimensão social das estações de tratamento de esgoto. O indicador “Nível de odor” não possui uma escala quantitativa como os outros critérios vistos até aqui e por isto foi estabelecido a partir da opinião coletada por meio de entrevista com um especialista da área de projetos utilizando-se de uma escala entre 1 e 4 pontos, sendo um a melhor pontuação e quatro a pior pontuação possível. Quando considerados dois ou mais sistemas, a média entre as notas de cada sistema é utilizada como padrão. Também neste caso, quanto menor a pontuação alcançada, melhor será o sistema. O indicador “Espaço necessário” representa a área necessária em metros quadrados estimada para a instalação de cada sistema individual, com base no número de habitantes. Por fim, o indicador “Funcionários requeridos” representa o total de funcionários necessários para operar a estação de tratamento de esgoto com base na vazão afluente, em metros cúbicos, e esta passou a ser a quinta variável de entrada do sistema: (i) população; (ii) DBO afluente; (iii) N afluente; e (iv) P afluente; (v) vazão média afluente. Os valores para os indicadores sociais foram os de maior dificuldade de obtenção por falta na literatura de trabalhos especializados. Com exceção do indicador “Espaço necessário”, que foi facilmente encontrado na literatura, os indicadores “Nível de odor” e “Funcionários requeridos” exigiram uma busca maior, tendo sido o último de maior complexidade. Assim, o indicador que estima o nível de odor foi definido com base na opinião de um especialista. Todavia, o mesmo não pode ser replicado para estimar a quantidade de trabalhadores. Desta forma, a quantidade de trabalhadores foi determinada empiricamente, utilizando-se do software em planilha eletrônica WWTPStaffing (GESELBRACHT, 2006), que permite o cálculo de operários em uma estação de tratamento de esgoto baseado na publicação “Estimating Staffing for Municipal Wastewater Treatment Facilities”, de março de 1973, da Environmental Protection Agency (EPA). A tabela 5 apresenta as funções definidas para os critérios sociais e suas versões originais. Os valores coletados e apresentados nas tabelas anteriores foram suficientes para proporcionar uma medida razoável de estimação dos diversos critérios considerados na composição do indicador de sustentabilidade. Desta forma, vale ressaltar que devido à complexidade de estimação destes critérios, Tabela 4 – Funções para os critérios ambientais (cont.) Produção de lodo Preliminar 110-360 L/hab 235 L/hab Von Sperling, 2006, p 340 Filtro biológico (baixa carga) 360-1100 L/hab 730 L/hab Von Sperling, 2006, p 340 Filtro biológico (alta carga) 500-1900 L/hab 1200 L/hab Von Sperling, 2006, p 340 Lodo ativado (convencional) 1100-3000 L/hab 2050 L/hab Von Sperling, 2006, p 340 Lodo ativado (aeração prolong.) 1200-2000 L/hab 1600 L/hab Von Sperling, 2006, p 340 Reator anaeróbio (UASB) 70-220 L/hab 145 L/hab Von Sperling, 2006, p 340 Lagoa anaeróbia 55-160 L/hab 107,5 L/hab Von Sperling, 2006, p 340 Lagoa aerada (facultativa) 30-220 L/hab 125 L/hab Von Sperling, 2006, p 340 Lagoa aerada (aeróbia) 55-360 L/hab 207,5 L/hab Von Sperling, 2006, p 340 Lagoa facultativa 55-160 L/hab 107,5 L/hab Von Sperling, 2006, p 340 Lagoa de maturação 55-160 L/hab 107,5 L/hab Von Sperling, 2006, p 340 Wetland 0 L/hab 0 L/hab Von Sperling, 2006, p 340 Revista Brasileira de Ciências Ambientais – Número 30 – Dezembro de 2013 ISSN Impresso 1808-4524 / ISSN Eletrônico: 2176-9478 63 somada à proposta de agregação dos sistemas individuais, ou seja, a estimação dos sistemas utilizando os dados de saída do sistema imediatamente anterior, faz com que sua utilização sirva para exemplificar a teoria proposta nesta pesquisa. Desta forma, a partir da coleta dos valores para a composição das funções para todos os indicadores selecionados, um exemplo foi desenvolvido considerando um município fictício com aproximadamente 40 mil habitantes e com a necessidade de implantar uma estação de tratamento de esgoto. A biblioteca de tecnologias foi criada com as funções encontradas para os sistemas preliminares, primários, secundários e terciários (polimento). A figura 2 apresenta a estrutura geral de cada uma destas funções. Os blocos criados foram: (i) Preliminar; (ii) Filtro biológico (baixa carga); (iii) Filtro biológico (alta carga); (iv) Lodo ativado (convencional); (v) Lodo ativado (aeração prolongada); (vi) Reator anaeróbio (UASB); (vii) Lagoa anaeróbia; (viii) Lagoa aerada (facultativa); (ix) Lagoa aerada (aeróbia); (x) Lagoa facultativa; (xi) Lagoa de maturação; e (xii) Wetland. Finalmente, os arranjos desses Tabela 5 – Funções para os critérios sociais Sistema Função original Função adaptada Fonte Nível de odor Preliminar - 2 pt * Opinião de especialista Filtro biológico (baixa carga) + − 2 pt Opinião de especialista Filtro biológico (alta carga) + − 2 pt Opinião de especialista Lodo ativado (convencional) − 1 pt Opinião de especialista Lodo ativado (aeração prolong.) − 1 pt Opinião de especialista Reator anaeróbio (UASB) ++ 4 pt Opinião de especialista Lagoa anaeróbia ++ 4 pt Opinião de especialista Lagoa aerada (facultativa) + 3 pt Opinião de especialista Lagoa aerada (aeróbia) + 3 pt Opinião de especialista Lagoa facultativa + 3 pt Opinião de especialista Lagoa de maturação + − 2 pt Opinião de especialista Wetland − 1 pt Opinião de especialista Espaço necessário Preliminar 0,03-0,05 m2/hab 0,04 m2/hab Von Sperling, 2006, p 340 Filtro biológico (baixa carga) 0,15-0,3 m2/hab 0,22 m2/hab Von Sperling, 2006, p 340 Filtro biológico (alta carga) 0,12-0,25 m2/hab 0,18 m2/hab Von Sperling, 2006, p 340 Lodo ativado (convencional) 0,12-0,25 m2/hab 0,18 m2/hab Von Sperling, 2006, p 340 Lodo ativado (aeração prolong.) 0,12-0,25 m2/hab 0,18 m2/hab Von Sperling, 2006, p 340 Reator anaeróbio (UASB) 0,03-0,1 m2/hab 0,07 m2/hab Von Sperling, 2006, p 340 Lagoa anaeróbia 1,5-3 m2/hab 2,25 m2/hab Von Sperling, 2006, p 340 Lagoa aerada (facultativa) 0,25-0,5 m2/hab 0,37 m2/hab Von Sperling, 2006, p 340 Lagoa aerada (aeróbia) 0,2-0,4 m2/hab 0,3 m2/hab Von Sperling, 2006, p 340 Lagoa facultativa 2-4 m2/hab 3 m2/hab Von Sperling, 2006, p 340 Lagoa de maturação 1,5-2 m2/hab 1,75 m2/hab Von Sperling, 2006, p 340 Wetland 3-5 m2/hab 4 m2/hab Von Sperling, 2006, p 340 Funcionários requeridos Preliminar 0,00001 m3/d 0,00001 m3/d Geselbracht, 2006 Filtro biológico (baixa carga) 0,00005 m3/d 0,00005 m3/d Geselbracht, 2006 Filtro biológico (alta carga) 0,00005 m3/d 0,00005 m3/d Geselbracht, 2006 Lodo ativado (convencional) 0,00009 m3/d 0,00009 m3/d Geselbracht, 2006 Lodo ativado (aeração prolong.) 0,00009 m3/d 0,00009 m3/d Geselbracht, 2006 Reator anaeróbio (UASB) 0,00003 m3/d 0,00003 m3/d Geselbracht, 2006 Lagoa anaeróbia 0,00001 m3/d 0,00001 m3/d Geselbracht, 2006 Lagoa aerada (facultativa) 0,00002 m3/d 0,00002 m3/d Geselbracht, 2006 Lagoa aerada (aeróbia) 0,00002 m3/d 0,00002 m3/d Geselbracht, 2006 Lagoa facultativa 0,00001 m3/d 0,00001 m3/d Geselbracht, 2006 Lagoa de maturação 0,00001 m3/d 0,00001 m3/d Geselbracht, 2006 Wetland 0,00001 m3/d 0,00001 m3/d Geselbracht, 2006 Notas: (*) parâmetro ajustado de 1 para 2 devido a presença de odores, particularmente grades e caixas de areia Revista Brasileira de Ciências Ambientais – Número 30 – Dezembro de 2013 ISSN Impresso 1808-4524 / ISSN Eletrônico: 2176-9478 64 blocos tiveram como base os sistemas considerados no modelo ETEX (OLIVEIRA, 2004; LEONETI, 2009) e a inclusão de sete novos (do “I” ao “N”), os quais foram utilizados para criar o arranjo de 14 sistemas, que podem ser visualizados na tabela 6. Finalmente, com base nos dados de entrada aproximados para um município deste porte, a saber: população de 40 mil habitantes; concentração de DBO afluente de 350 mg/L; concentração de Nitrogênio afluente de 100 mg/L; concentração de Fósforo afluente de 50 mg/L; e vazão afluente de 14 mil m3/d, os 14 sistemas apresentaram os desempenhos que podem ser visualizados na tabela 7. A partir dos desempenhos calculados pelas funções da biblioteca de tecnologias, a avaliação das alternativas mais sustentáveis pode ser realizada. Por exemplo, para o município em avaliação, a alternativa mais viável do ponto de vista do operador ou prestador de serviços de saneamento seria o “Sistema F”, que necessita apenas de aproximadamente R$ 6,4 milhões para sua implantação e R$ 388 mil anuais para sua operação e manutenção, sendo estes os menores custos entre todos os sistemas. Por outro lado, este sistema não é o mais barato para o usuário final, sendo o “Sistema H” o mais viável para municípios com população de baixa renda per capta. Este tipo de discussão pode ser expandido quando considerados os critérios ambientais. Por exemplo, o “Sistema B”, que possui o segundo menor custo de implantação, operação e manutenção dentre os sistemas, perde no desempenho Figura 2 – Estrutura geral das funções (exemplo do sistema preliminar) 0 CPC R$/hab 0 0 0 OAM R$/hab 0 0 0 USC R$/hab 0 0 0 ENE kWh/hab.ano 0 0 0 DBO % DBO 0 0 0 NEF % N 0 0 0 PEF % P 0 0 0 SLU L/hab.ano 0 0 0 ODO pt 0,5 0,5 0 SPA m2/hab 0 0 0 STA m3/d 0 0 Preliminar Notas: CPC = Custo de implantação (R$); OAM = Custo de operação e manutenção (R$); USC = Custo para o usuário (R$); ENE= Consumo de energia (kWh); DBO = Eficiência remoção DBO (mg/L); NEF = Eficiência remoção Nitrogênio (mg/L); PEF = Eficiência remoção Fósforo (mg/L); SLU = Produção de lodo (L); ODO = Nível de odor (pts); SPA = Espaço necessário (m2); STA = Mão-de-obra requerida Tabela 6 – Sistemas criados a partir dos blocos individuais da biblioteca de tecnologias Nome do sistema Pré- tratamento 1º Processo 2º Processo Polimento Sistema A Preliminar UASB Lodo ativado (convencional) Sistema B Preliminar UASB Lagoa facultativa Sistema C Preliminar UASB Filtro biológico (alta carga) Sistema D Preliminar UASB Lagoa aerada (aeróbia) Sistema E Preliminar UASB Lagoa aerada (facultativa) Sistema F Preliminar Lagoa anaeróbia Lagoa facultativa Sistema G Preliminar Lagoa anaeróbia Lagoa aerada (aeróbia) Sistema H Preliminar Lagoa anaeróbia Lagoa aerada (facultativa) Sistema I Preliminar UASB Lodo ativado (aeração prolongada) Sistema J Preliminar UASB Filtro biológico (baixa carga) Sistema K Preliminar UASB Lagoa facultativa Lagoa de maturação Sistema L Preliminar Lagoa anaeróbia Lagoa facultativa Lagoa de maturação Sistema M Preliminar UASB Lodo ativado (convencional) Wetland Sistema N Preliminar UASB Lodo ativado (aeração prolongada) Wetland Revista Brasileira de Ciências Ambientais – Número 30 – Dezembro de 2013 ISSN Impresso 1808-4524 / ISSN Eletrônico: 2176-9478 65 ambiental quando comparado com os sistemas “M” ou “N”, que possuem a melhor eficiência na remoção de DBO. Enquanto o efluente do “Sistema B” tem uma concentração de DBO em torno de 15 mg/L, os sistemas “M” e “N” têm uma concentração por volta de 1,29 e 0,76 mg/L de DBO, respectivamente 1. Este tipo de avaliação pode ser ampliado para todos os sistemas. De acordo com a tabela 8, que apresenta a classificação crescente dos sistemas em cada critério, nenhum dos sistemas alcançou uma posição ótima para todos os requisitos. Este, aliás, é o grande 1 Ressalta-se que estas estimativas estão sendo apresentadas não como uma representação inequívoca da realidade, mas apenas como uma base da discussão do exemplo proposto desafio da incorporação da avaliação da sustentabilidade no processo de tomada de decisão de sistemas de tratamento de esgoto. Enquanto um determinado sistema pode atender de maneira adequada um dos critérios da sustentabilidade, por exemplo, o econômico (como o “Sistema F”), ele pode não atender de forma satisfatória os outros critérios da sustentabilidade (ambiental e social) de forma satisfatória. Além disto, se for considerada uma medida como a média aritmética para identificar qual seria o melhor sistema em todos os critérios de forma global, pode-se criar uma situação como a apresentada na referida tabela, onde grande parte dos sistemas alcançaria uma classificação intermediária (entre 5 e 8), impossibilitando uma discriminação entre os sistemas em prol da tomada de decisão. Esta dificuldade de se estabelecer cientificamente qual seria o melhor sistema a ser adotado, traz em pauta a necessidade da incorporação do processo de negociação como etapa complementar do processo de tomada de decisão. Soma-se ainda a problemática, o fato de que cada agente pode ter opiniões distintas e, consequentemente, prioridades diferentes de atendimento aos critérios. Por exemplo, para o critério “STA = Mão de obra requerida” um agente poderia determinar como maior impacto social um maior número de empregados, pois veria esta questão como custos maiores. Por outro lado, um segundo agente poderia enxergar o mesmo critério de forma Tabela 7 – Desempenho dos sistemas Critérios econômicos Critérios ambientais Critérios sociais CPC (mil) OAM (mil) USC (mil) ENE (mil) DBO NEF PEF SLU (mil) ODO SPA (mil) STA Sistema A 10.480 996 3.465 880 38,50 67,50 41,25 97,20 0,50 11,60 1,82 Sistema B 6.600 396 2.183 - 15,59 14,80 17,96 19,50 2,75 124,40 0,70 Sistema C 10.720 872 1.994 - 11,69 24,98 17,96 63,20 2,25 11,60 1,26 Sistema D 8.120 596 2.369 840 35,08 25,90 17,96 23,50 2,75 16,40 0,84 Sistema E 7.480 596 2.132 580 15,59 25,90 17,96 20,20 2, 75 19,20 0,84 Sistema F 6.400 388 1.621 - 16,54 14,80 17,96 18,00 2, 75 211,60 0,42 Sistema G 7.920 588 1.807 840 37,21 25,90 17,96 22,00 2, 75 103,60 0,56 Sistema H 7.280 588 1.570 580 16,54 25,90 17,96 18,70 2, 75 106,40 0,56 Sistema I 9.240 996 3.465 1.100 5,07 24,98 22,79 79,20 1,75 11,60 1,82 Sistema J 10.720 872 1.994 - 8,58 24,98 17,96 44,40 2,25 13,20 1,26 Sistema K 7.720 432 2.529 - 4,68 6,29 8,98 23,80 2,38 194,40 0,84 Sistema L 7.520 424 1.967 - 4,96 6,29 8,98 22,30 2,38 281,60 0,56 Sistema M 13.720 1.160 4.282 880 1,29 9,99 14,81 97,20 1,38 171,60 1,96 Sistema N 12.480 1.160 4.282 1.100 0,76 9,99 14,81 79,20 1,38 171,60 1,96 Notas: CPC = Custo de implantação (R$); OAM = Custo de operação e manutenção (R$); USC = Custo para o usuário (R$); ENE= Consumo de energia (kWh); DBO = Eficiência remoção DBO (mg/L); NEF = Eficiência remoção Nitrogênio (mg/L); PEF = Eficiência remoção Fósforo (mg/L); SLU = Produção de lodo (L); ODO = Nível de odor (pts); SPA = Espaço necessário (m2); STA = Mão de obra requerida. Revista Brasileira de Ciências Ambientais – Número 30 – Dezembro de 2013 ISSN Impresso 1808-4524 / ISSN Eletrônico: 2176-9478 66 positiva, ou seja, levaria em conta os benefícios de se empregar um maior número de funcionários. Esta controvérsia pode se replicar em outros tipos de critérios, por exemplo, “SPA = Espaço necessário”. Assim, de acordo com MEADOWS (1998), o tipo de ferramenta apresentado nesta pesquisa pode enriquecer o processo de tomada de decisão, pois torna possível a incorporação da negociação no processo da escolha de sistemas de tratamento de esgoto. Além disto, esta ferramenta permite uma discussão mais objetiva dos conceitos de sustentabilidade, o que poderia ajudar a diminuir a resistência dos envolvidos na escolha dos sistemas de tratamento. CONSIDERAÇÕES FINAIS O objetivo desta pesquisa foi desenvolver um método baseado em indicadores para a avaliação da sustentabilidade de estações de tratamento de esgoto, utilizando o conceito de biblioteca de tecnologia. A utilização de bibliotecas de tecnologia demonstrou ter potencial para a avaliação da sustentabilidade das estações de tratamento de esgoto, pois permite considerar diferentes critérios, por exemplo, os econômicos com os ambientais e/ou sociais, e evidencia as principais vantagens e desvantagens das diversas alternativas consideradas no processo de tomada de decisão. Esta constatação ganha evidência quando considerados dois sistemas diferentes, sendo um mais bem avaliado no aspecto econômico e outro mais bem avaliado no aspecto ambiental, o que torna necessário a negociação entre os agentes envolvidos na escolha, a qual poderia ser orientada, por exemplo, por meio da Teoria dos Jogos. Um maior detalhamento deste outro tipo de abordagem já está sendo preparado pelos presentes autores na forma de um artigo científico. Com relação aos critérios que foram coletados na literatura para a avaliação da sustentabilidade, as funções para os indicadores sociais são as de maior dificuldade de obtenção, sendo as funções das variáveis econômicas obtidas com dificuldade intermediária e as funções das variáveis ambientais mais facilmente obtidas, possuindo algumas variações entre diferentes autores na literatura. Para a aplicação e teste do método, as tecnologias de tratamento mais comumente adotadas no Brasil foram encontradas na tabela da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico e foram incorporados à biblioteca de tecnologias na forma de blocos individuais. O método aqui proposto, com seus blocos de sistemas e funções para a avaliação dos critérios da sustentabilidade, demonstrou potencial para ser utilizado nas avaliações de sustentabilidade ou como ponto de partida para outros trabalhos semelhantes nesta área de conhecimento ou outras afins. Outra característica identificada é que o método torna possível uma Tabela 8 – Desempenho dos sistemas (ordem crescente) Critérios econômicos Critérios ambientais Critérios sociais CPC OAM USC ENE DBO NEF PEF SLU ODO SPA STA Média (mil) (mil) (mil) (mil) (mil) (mil) Sistema A 10 11 11 5 14 14 14 13 1* 1* 11 10 Sistema B 2 2 8 - 8 5 5 3 9 9 5 6 Sistema C 11 9 5 - 7 7 5 10 5 1* 9 7 Sistema D 8 7 9 3 12 10 5 7 9 5 6 7 Sistema E 4 7 7 1* 8 10 5 4 9 6 6 6 Sistema F 1* 1* 2 - 10 5 5 1 9 13 1* 5 Sistema G 7 5 3 3 13 10 5 5 9 7 2 6 Sistema H 3 5 1* 1* 10 10 5 2 9 8 2 5 Sistema I 9 11 11 7 5 7 13 11 4 1* 11 8 Sistema J 11 9 5 - 6 7 5 9 5 4 9 7 Sistema K 6 4 10 - 3 1* 1* 8 7 12 6 6 Sistema L 5 3 4 - 4 1* 1* 6 7 14 2 5 Sistema M 14 13 13 5 2 3 3 13 2 10 13 8 Sistema N 13 13 13 7 1* 3 3 11 2 10 13 8 Notas: CPC = Custo de implantação (R$); OAM = Custo de operação e manutenção (R$); USC = Custo para o usuário (R$); ENE= Consumo de energia (kWh); DBO = Eficiência remoção DBO (mg/L); NEF = Eficiência remoção Nitrogênio (mg/L); PEF = Eficiência remoção Fósforo (mg/L); SLU = Produção de lodo (L); ODO = Nível de odor (pts); SPA = Espaço necessário (m2); STA = Mão de obra requerida. Revista Brasileira de Ciências Ambientais – Número 30 – Dezembro de 2013 ISSN Impresso 1808-4524 / ISSN Eletrônico: 2176-9478 67 discussão mais objetiva sobre os conceitos de sustentabilidade. Todavia, ressalta-se que as funções apresentadas neste trabalho serviram principalmente como base para a aplicação do método proposto em um caso hipotético. Sendo assim, sugere-se que em estudos futuros estas funções sejam aprimoradas. Um problema de origem conceitual com relação aos resultados, é que a eficiência total foi considerada resultante da associação de processos de tratamento e das respectivas eficiências adotadas para cada um deles. Entretanto, após um processo, dever ser considerado que o efluente pode apresentar substâncias mais recalcitrantes à biodegradação o que tornaria a eficiência menor no processo subsequente. Esta é uma das limitações do trabalho, que não impediu a aplicação e teste do método, mas que torna necessária sua redefinição para estudos que necessitem de maior detalhamento e precisão. AGRADECIMENTOS À FAPESP pela bolsa de doutorado concedida a Alexandre Bevilacqua Leoneti ao CNPq pela bolsa PQ1 concedida a Eduardo Cleto Pires. REFERÊNCIAS ALEGRE, H.; BAPTISTA, J. M.; CABRERA JR., E.; CUBILLO, F.; DUARTE, P.; HIRNER, W.; MERKEL, W.; PARENA, R.. Performance Indicators for Water Supply Services: Manual of Best Pratice. 2 ed. Londres: IWA Publishing, 2007 GESELBRACHT, J. WWTPStaffing. Water Works Engineers, Version 1.01 (16/8/2006). Disponível em: http://www.wwengineers.com IBGE – INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Pesquisa Nacional de Saneamento Básico, 2008. Disponível em: . Acesso em: 30 out. 2011. JORDÃO, E. P.; PESSÔA, C. A. Tratamento de Esgotos Domésticos. 5. ed. Rio de Janeiro: ABES, 2009 KELLNER, E.; CALIJURI, M. C.; PIRES, E. C.. 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