Revista Brasileira de Ciências Ambientais – Número 24 – Junho de 2012 ISSN Impresso 1808-4524 / ISSN Eletrônico: 2176-9478 27 Rejeitos radioativos de baixo e médio nível: levantamento da variação de volume Armazenado e disposto Low and intermediate level radioactive waste: variation of stored and disposed volume RESUMO A utilização da energia nuclear é um tema complexo, sendo amplamente discutido em todo o mundo sem que haja um consenso sobre o tema. Os opositores do setor enfatizam a necessidade de se investir em fontes alternativas de energia e criticam a energia nuclear, entre outras questões, devido aos problemas referentes ao armazenamento dos rejeitos radioativos. Todavia, a inserção da opção nuclear na matriz mundial de energia cresceu nas últimas décadas e hoje corresponde a cerca de 15% de toda a eletricidade gerada no mundo. Neste trabalho, efetuou-se um levantamento da variação do volume dos rejeitos radioativos de baixo e médio nível existentes em vários países. Foram estudados os rejeitos armazenados em depósitos intermediários e também os que foram para disposição final. Verificou-se que o volume de rejeitos gerados e sua taxa de crescimento é limitada quando comparada, por exemplo, aos resíduos urbanos gerados em grandes metrópoles. PALAVRAS-CHAVE: rejeitos radioativos, energia nuclear, instalações nucleares. ABSTRACT The use of nuclear energy is a complex issue being widely debated around the world, without any consensus on the matter. The opponents of the sector emphasize the need to invest in alternative energy sources and criticize, among other issues, problems concerning the storage of radioactive waste. However, the inclusion of the nuclear option in the global energy matrix has risen significantly in recent decades, and today this area represents about 15% of all electricity generated in the world. In this work an evaluation of changes in the volume of radioactive waste in various countries around the world was performed. The volume of waste disposed, as well as the intermediately stored, was evaluated. It was verified that the volume of waste generated and its growth rate is limited when compared, for example to the urban waste generated in big cities. KEYWORDS: radioactive waste, nuclear energy, nuclear facilities. Vinícius V. M. Ferreira Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear - Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, Brasil vvmf@cdtn.br Bruna L. Aleixo Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear - Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, Brasil bla@cdtn.br, Bárbara M. A. Ulhoa Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear - Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, Brasil barbaradjuto@hotmail.com Valeria Cuccia Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear - Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, Brasil vc@cdtn.br Revista Brasileira de Ciências Ambientais – Número 24 – Junho de 2012 28 ISSN Impresso 1808-4524 / ISSN Eletrônico: 2176-9478 INTRODUÇÃO A busca da melhor opção para a geração de energia elétrica sem que ocorram danos ambientais significativos é um processo dinâmico e que envolve muitas questões. No entanto, as respostas obtidas não podem ser consideradas como uma regra geral. As características econômicas e particulares de cada país são os fatores-chave para as suas escolhas energéticas. Em alguns casos, a saúde humana, a qualidade ambiental e outros vários outros aspectos associados a esta pergunta não são considerados como deveriam no processo decisório (GARRET, 1995). Muitos exemplos mostram que os impactos ambientais nem sempre foram avaliados no processo de tomada de decisão. Em alguns casos, os estudos mostraram que, mesmo cientes dos danos à saúde humana associados à construção de usinas hidrelétricas, algumas autoridades decidiram não considerá-las devido aos custos adicionais que as medidas de mitigação criariam. Como exemplo, no Senegal, os estudos de impactos associados à saúde necessários para a construção das barragens de Diama e Manantali não foram realizados devido aos custos adicionais envolvidos. Como resultado dessa omissão, a população local enfrentou surtos de várias doenças, como a esquistossomose, malária e febre do Vale Rift (FERREIRA, 2004). As plantas termelétricas também geram sérios danos ao meio ambiente. Em um passado recente, na parte sul da Polônia, a velocidade máxima em estradas de ferro era de 40 km/h, devido à corrosão dos trilhos, causada pela chuva ácida. A grande quantidade de óxidos de enxofre gerados no país devido ao uso de carvão em centrais térmicas foi considerada a principal causa do problema. No Canadá, a chuva ácida é vista pela população como o pior problema ambiental do país e até mesmo as paredes do parlamento nacional, feitas de pedra calcária, estão se degradando devido a esta questão. Além disso, a “mapletree”, um símbolo nacional representado na bandeira do país e matéria-prima de doces e xaropes canadenses, também está ameaçada por este problema (FERREIRA et al., 2009). Na realidade, não é uma tarefa fácil encontrar a solução adequada para a equação energia x meio ambiente. A opção nuclear é amplamente debatida e os recentes eventos no Japão trouxeram novamente esta questão ao centro de inúmeras discussões em todo o mundo. DADOS DO SETOR ENERGÉTICO NUCLEAR Na Figura 1, são mostrados os principais produtores de energia elétrica a partir da fonte nuclear (IEA, 2010) e na Tabela 1 é apresentado um cenário atualizado dos reatores nucleares de potência ao redor do mundo (CUCCIA et al., 2011). No Brasil, a usina nuclear de Angra 3 está em construção e o Governo Federal pretende construir quatro outras centrais até 2030 (cabe ressaltar que após os eventos em Fukushima, o Governo Federal declarou que esta previsão será revista no devido tempo). Segundo a IAEA - Agência Internacional de Energia Atômica, as plantas de energia nuclear geram quase 14% da eletricidade produzida no mundo. Em 1973, o setor nuclear era responsável por apenas 0,9% da oferta total de energia primária no mundo. Em 2008, esse valor estava perto de 6% (IAEA, 2010). Este fato traz como consequência a existência de um grande número de instalações necessárias ao processo de gerência de rejeitos radioativos, conforme apresentado na Tabela 2 (CUCCIA et al., 2011), pois as usinas nucleares geram rejeitos radioativos, assim como as aplicações nucleares em hidrologia, Figura 1 - Principais produtores de energia elétrica de fonte nuclear (Adaptado de IEA, 2010). Revista Brasileira de Ciências Ambientais – Número 24 – Junho de 2012 29 ISSN Impresso 1808-4524 / ISSN Eletrônico: 2176-9478 saúde, engenharia, agricultura e medicina, entre outras. Vale mencionar que o conceito de rejeito radioativo se aplica a qualquer material resultante da atividade humana que contenha radionuclídeos em quantidades superiores aos limites de isenção especificados em normas e para o qual a reutilização é imprópria ou não prevista (IAEA, 2003). Em relação às instalações para gerência de rejeitos, armazenamento significa conter os rejeitos de maneira segura, com intenção de removê-los. O repositório é um local para disposição final dos rejeitos de forma segura. Esta deposição definitiva dos rejeitos implica que não há intenção de removê-los futuramente (FERREIRA et al., 2011). Tabela 1 – Panorama das usinas nucleares no mundo (Adaptado de CUCCIA et al., 2011). País Planejada/ Proposta Em construção Em operação Desativada África do Sul 6 - 2 - Alemanha - - 17 19 Argentina 3 1 2 Armênia 1 - 1 1 Bélgica - - 7 1 Brasil 4 1 2 Bulgária 2 - 2 4 Canadá 6 2 18 7 Cazaquistão 4 - 1 Chile 4 - - - China 160 - 27 13 Coréia do Sul 6 5 21 Egito 2 - - - Emirados Árabes 14 - - - Eslováquia 1 2 4 3 Eslovênia 1 - 1 - Espanha - - 8 2 EUA 32 1 104 29 Finlândia 1 - 4 - França 2 1 58 11 Holanda 1 - 1 2 Hungria 2 - 4 Índia 58 5 20 - Indonésia 6 - - Irã 3 1 - - Itália - - 10 4 Japão 15 2 57 6 Lituânia - - 1 2 México 2 - 2 - Paquistão 4 - 3 - Polônia 6 - - - Reino Unido 13 - 19 26 República Tcheca 3 - 6 - Romênia 3 - 2 - Rússia 44 10 32 5 Suécia - - 10 3 Suíça 3 - 5 Tailândia 5 - - - Turquia 8 - - - Ucrânia 22 - 15 4 Vietnã 14 - - - Revista Brasileira de Ciências Ambientais – Número 24 – Junho de 2012 30 ISSN Impresso 1808-4524 / ISSN Eletrônico: 2176-9478 DISPOSIÇÃO FINAL DE REJEITOS Tabela 2 – Instalações para gerência de rejeitos radioativos de baixo e médio nível (Adaptado de CUCCIA et al., 2011). País Instalação de processamento Deposição intermediária Repositório em operação Repositório Proposto Áustria 6 2 Bielo Rússia 1 3 20 Bélgica 10 13 1 Bulgária 9 4 República Tcheca 11 10 4 Estônia 1 1 1 Finlândia 54 10 4 França 6 8 3 Alemanha 18 3 Hungria 4 2 3 Itália 2 16 Lituânia 3 4 Holanda 3 1 Romênia 2 3 1 Eslováquia 6 5 1 Eslovênia 1 3 1 Espanha 13 15 2 Suécia 19 3 7 Suíça 10 8 5 Ucrânia 6 20 27 Reino Unido 51 49 2 Madagascar 7 China 33 2 4 Índia 7 Indonésia 2 2 1 Irã 1 2 1 Japão 13 38 4 Kuwait 3 Malásia 1 2 1 Paquistão 3 Coréia do Sul 7 9 1 Singapura 2 1 Tailândia 1 3 1 Austrália 6 15 2 Argentina 6 11 3 Brasil 5 5 2 Canadá 4 22 1 Chile 1 3 Cuba 1 1 1 México 2 6 2 Peru 2 1 1 EUA 21 24 34 Obs.: Países com apenas uma instalação: Irlanda, Equador, Uruguai, Colômbia, Tunísia, Armênia, África do Sul, Gana, Nigéria, Moldávia, Dinamarca, Portuga, Grécia, Ilhas Maurício, Vietnã, Letônia. Com duas instalações: Croácia, Noruega, Egito, Marrocos, Bangladesh, Síria, Taiwan, Turquia e Filipinas. Revista Brasileira de Ciências Ambientais – Número 24 – Junho de 2012 31 ISSN Impresso 1808-4524 / ISSN Eletrônico: 2176-9478 RADIOATIVOS Para se avaliar a quantidade de rejeitos de baixo e médio de atividade que está disposta nos repositórios, foram analisados os relatórios anuais da IAEA, considerando sempre que possível um intervalo da ordem de 5 anos. Em alguns casos, não foi possível efetuar a avaliação devido à ausência de dados. Como exemplo, o Japão, em seu último relatório disponível, não especifica os repositórios de forma individual, mas informa o volume total existente em todas as instalações. No entanto, relatórios anteriores foram preparados utilizando outra metodologia, discriminando o volume de rejeitos por instalações. Uma vez que não é possível verificar se as mesmas instalações foram consideradas em todos os relatórios, os dados deste país não foram avaliados. Da mesma forma, o relatório da França, país onde cerca de 80% da energia gerada é de fonte nuclear, apresenta os dados sob o nome de "Todas as instalações francesas", não sendo possível analisar quais são as instalações consideradas quando o volume total de rejeitos é fornecido, o que também impossibilita a análise para este país. A Tabela 3 mostra quais as instalações para o armazenamento de rejeitos foram analisadas e a Tabela 4 apresenta os dados associados ao volume de rejeitos radioativos existentes nos depósitos avaliados neste estudo (IAEA, 2011). Ressalta-se que a Tabela 4 não apresenta os dados da Croácia, do Kuwait e do Irã, pois se verificou que não houve variação do volume de rejeitos armazenados no intervalo 2003/2008. Observa-se que a quantidade de rejeitos armazenada diminuiu na Noruega e na Suécia. Esta situação não seria esperada, considerando que os rejeitos, uma vez em disposição final, estão tratados e acondicionados e não são mais removíveis do local. É possível que estas discrepâncias estejam relacionadas a diferentes interpretações na maneira de reportar os dados à AIEA. Como os relatórios da AIEA não descrevem maiores detalhes, esses casos merecem uma investigação mais aprofundada, o que foge ao escopo deste trabalho. DEPOSIÇÃO INTERMEDIÁRIA DE REJEITOS RADIOATIVOS Da mesma forma também foi avaliado o volume de rejeitos radioativos armazenados, aguardando pela disposição final, o que significa que estes podem ser transportados e alocados em outros sítios. Assim como para a disposição final, para deposição intermediária também não foi possível verificar qual a variação de volume ocorrida em alguns casos. Tomando como exemplo a Argentina, os dados associados ao volume de rejeitos radioativos armazenados nas usinas nucleares de Embalse e Atucha I não foram avaliados, visto que estes estão disponíveis para o ano de 2008, mas não para períodos anteriores. No entanto, para a instalação de gerenciamento de rejeitos radioativos existente em Ezeiza, o inventário de volume está disponível para um intervalo de cinco anos. Tabela 3 - Instalações de disposição final analisadas (Adaptado de IAEA, 2011). País Nome da instalação (conforme citado no relatório da AIEA) Argentina Ezeiza Waste Management Area Bulgária Novi Han Finlândia Loviisa NPP and Olkiluoto NPP Noruega Combined disposal and storage facility for LILW Romênia National Institute for Development & Research for Physics and Nuclear Engineering Suécia OKG NPP, Forsmark NPP, Ringhals NPP, Repository for Radioactive Operational Waste and Studsvik Research Center Ucrânia Dnipropetrovsk SISE (State Interregion Special Enterprise), Kharkov SISE, Kiev SISE, Odessa SIS, State Special Enterprise “Komplex” EUA Hanford Site, Idaho National Laboratory, Los Alamos National Laboratory, Nevada Test, Oak Ridge Reservation, including Oak Ridge National Laboratory and East Tennessee Technology Park, Savannah River Site Eslováquia Near Surface Disposal Facility República Checa URAO Richard, URAO Dukovany, URAO Bratrstvi Espanha El Cabril Revista Brasileira de Ciências Ambientais – Número 24 – Junho de 2012 32 ISSN Impresso 1808-4524 / ISSN Eletrônico: 2176-9478 Desta forma, neste caso, foi possível se fazer a avaliação proposta. A Tabela 5 apresenta alguns dos dados avaliados (IAEA, 2011). Cabe ressaltar que rejeitos de alto nível não são considerados nesta avaliação, e sim apenas aqueles de baixo e médio nível de atividade. A Tabela 6 mostra alguns dados associados à quantidade de rejeitos radioativos que se encontram armazenados nos locais listados na Tabela 5. Assim como na Tabela 4, os volumes dos rejeitos foram obtidos nos últimos relatórios disponíveis publicados pela IAEA (IAEA, 2011). ACEITAÇÃO PÚBLICA DO TEMA A aceitação pública talvez seja o maior desafio associado ao setor nuclear. As Figuras 2 e 3 mostram algumas pesquisas de opinião realizadas recentemente sobre este tema, antes e após os eventos em Fukushima, Japão. Na Figura 2, é mostrada a percepção do tema no Brasil e na Figura 3, a opinião da população de vários países (ULHOA et al., 2011). DISCUSSÃO Embora a geração de rejeitos radioativos seja vista por parte da opinião pública como uma desvantagem da produção de energia nuclear, o volume gerado é muito menor do que aquele proveniente de diversas outras atividades. Como exemplo, alguns estudos mostram que o Brasil produz cerca de 240 mil toneladas de resíduos domésticos todos os dias. Nos EUA, esse número está perto de 607 mil toneladas diárias, na Alemanha 85 mil e na Suécia, 10.400 toneladas. Uma cidade como São Paulo gasta, em geral, 500 mil dólares por dia para resolver questões relacionadas com os resíduos urbanos gerados. Na China, os problemas relacionados com a quantidade de resíduos domésticos não são diferentes. Atualmente, o acúmulo de resíduos sólidos no país atingiu 7 milhões de toneladas, o que traz grandes dificuldades para a sua deposição. Segundo informações da imprensa e da Comissão do Governo Municipal de Pequim, a produção diária de resíduos na capital alcançou a marca de 18.400 toneladas, aumentando a uma taxa de 8% ao ano. No entanto, a cidade tem capacidade de lidar com apenas 10.400 toneladas diárias e, nesse ritmo, os 13 aterros sanitários em Tabela 4 – Volume de rejeitos de baixo e médio nível de atividade em disposição final. País Volume de armazenamento definitivo (metros cúbicos) Variação do Volume (%) Argentina 2003 2008 1 2.885 2.924 República Checa 2003 2008 26 5.098 6.917 Finlândia 2003 2008 173 2.384 6.516 Noruega 2003 2008 -21 434 341 Romênia 2003 2008 40 1.330 1.867 Suécia 2003 2008 -4 49.400 47.567 Ucrânia 2003 2008 9 569.334 623.160 EUA 2003 2008 12 6.807.726 7.655.190 Bulgária 2003 2008 0 245 245 Espanha 2004 2007 9 51.170 55.988 Eslováquia 2003 2008 211 1.786 5.558 Total 7.491.793 8.406.275 11 Revista Brasileira de Ciências Ambientais – Número 24 – Junho de 2012 33 ISSN Impresso 1808-4524 / ISSN Eletrônico: 2176-9478 operação estarão repletos num Tabela 5 - Instalações analisadas – deposição intermediária (Adaptado de IAEA, 2011). País Instalações Argentina Ezeiza Waste management area Bélgica Belgoprocess, sites 1 and 2 and Umicore N.V. Brasil Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto Bulgária Novi Han Repository Canadá All facilities in the country Chile Centro de Estudios Nucleares Lo Aguirre Croácia Institute Rudjer Boskovic República Checa Nuclear Research Institute Rez and URAO Richard Estônia The Former Soviet Navy Nuclear Training Centre Finlândia Loviisa NPP, Olkiluoto NPP, Storage for Stated Owned Waste and VTT FIR Indonésia Radioactive Waste Management Development Center, BATAN Irã Anarak Storage Building Kuwait Kuwait Cancer Control Centre, Faculties of Science and Medicine – Malásia Malaysian Nuclear Agency – Radioactive Waste Management Centre Noruega Combined disposal and storage facility for LILW, Institute for Energy Technology Waste treatment plant Storage facilities Filipinas Radiation Protection Services Romênia National Institute for Development & Research for Physics and Nuclear Engineering, Authonomus Company for Nuclear Activities, Nuclear Research Institute Pitesti and National Company NUCLEARELECTRICA, CNE –PROD Eslováquia NPP Jaslovske Bohunice and NPP Mochovce Eslovênia Central Storage Facility for Radioactive Waste in Brinje (CISF) and Krsko NPP Espanha Vandellos I NPP under decommissioning and El Cabril Suécia Interim Storage Facility for Spent Nuclear Fuel, Studsvik Research Center and OKG NPP Tailândia All facilities in the country Ucrânia Chernobyl NPP, Khmelnitsky NPP, Riven NPP, South Ukraine NPP, Zaporizhzhya NPP, Dnipropetrovsk SISE (State Interregion Special Enterprise), Kharkov SISE, Kiev SISE, Odessa SISE, State Special Enterprise "Komplex" EUA Grouping of multiple licenses, Waste Control Specialists, Hanford Site, Idaho National Laboratory, Los Alamos National Laboratory, Lawrence Livermore National Laboratory, Nevada Test, Oak Ridge Reservation, including Oak Ridge National Laboratory and East Tennessee Technology Park, All other US Department of Energy sites with radioactive processing facilities and/or ongoing remedial action, Paducah Gaseous Diffusion Plant, Portsmouth Gaseous Diffusion Plant, Savannah River Site, West Valley Demonstration Project, formerly West Valley Nuclear Services Observação: NPP = Nuclear Power Plant (Usina Nuclear) Revista Brasileira de Ciências Ambientais – Número 24 – Junho de 2012 34 ISSN Impresso 1808-4524 / ISSN Eletrônico: 2176-9478 prazo de quatro anos. De acordo Tabela 6 – Volume de rejeitos radioativos de baixo e médio nível em depósitos intermediários. País Volume de Armazenamento Temporário (metros cúbicos) e anos Variação de Volume (%) Argentina 2003 2008 125 241 544 Bélgica 2003 2007 -2 66.595 65.157 Brasil 2005 2008 11 2.041 2.280 Bulgária 2003 2008 75 362 635 Canadá 2003 2006 47 1.562.000 2.294.650 Chile 2003 2008 37 14 20 República Checa 2003 2008 -11 677 604 Estônia 2003 2008 13 751 850 Finlândia 2003 2008 89 1.503 2.849 Indonésia 2003 2008 504 45 273 Malásia 2003 2007 -48 370 193 Noruega 2003 2008 258 102 365 Filipinas 2003 2008 357 17.3 79 Romênia 2003 2008 8 396 428 Eslováquia 2003 2008 -63 40.770 15.240 Eslovênia 2003 2008 49 2.278 3.409 Espanha 2004 2007 23 6.221 7.684 Suécia 2003 2008 11 3.192 3.547 Tailândia 2003 2008 5 102 107 Ucrânia 2003 2008 49 1.332.568 1.993.153 EUA 2003 2008 -8 541.217 496.317 Total 3.520.713 4.888.407 28 Revista Brasileira de Ciências Ambientais – Número 24 – Junho de 2012 35 ISSN Impresso 1808-4524 / ISSN Eletrônico: 2176-9478 com um relatório de pesquisa de 2008, apenas a menor parte dos resíduos domésticos da China tem sido tratada de forma adequada, enquanto que os 70% restantes ainda precisa ser processado (ULHOA et al., 2011). Estima-se que a quantidade total de resíduos domésticos gerados na África do Sul seja da ordem de 15 milhões de toneladas ao ano. Nos EUA, cada pessoa no estado do Texas gera cerca de 1 tonelada de resíduos domésticos ao ano. Segundo o IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a produção de resíduos sólidos no Figura 2 - Enquete feita no Brasil sobre a energia nuclear. (Adaptado de ULHOA et al., 2011). Figura 3 – Resultados de enquete realizada em vários países sobre a energia nuclear. (Adaptado de ULHOA et al., 2011). Revista Brasileira de Ciências Ambientais – Número 24 – Junho de 2012 36 ISSN Impresso 1808-4524 / ISSN Eletrônico: 2176-9478 Brasil passou de 125.000 toneladas ao dia em 2000 para 260.000 em 2008 (IBGE, 2011). CONCLUSÕES Discussões relacionadas aos benefícios e malefícios das usinas nucleares são infindáveis, sendo que as questões associadas à gerência dos rejeitos radioativos são consideradas por grande parte da sociedade como o aspecto mais sensível dentro deste tema. É válido observar que, embora os rejeitos radioativos sejam inegavelmente um resíduo perigoso, a quantidade gerada é muito menor do que, por exemplo, os resíduos domésticos, dos quais são geradas milhares de toneladas diariamente. Os dados apresentados neste estudo mostram que: - a quantidade de rejeitos radioativos armazenados de forma não definitiva nas instalações analisadas diminuiu nos EUA, República Checa, Eslováquia, Malásia e Bélgica. Os relatórios da IAEA não fornecem indicações sobre o motivo pelo qual este fato está acontecendo. Uma possibilidade a ser estudada é se os resíduos estão sendo deslocados para locais permanentes; - por outro lado, o volume de rejeitos dispostos neste mesmo cenário (não definitivo) cresceu sobremaneira na Finlândia, Canadá, Eslovênia, Ucrânia e Espanha; - no caso dos rejeitos alocados em repositórios, houve diminuição de volume na Noruega e Suécia, situação que pode estar relacionada a diferentes interpretações para reportar dados à IAEA; - inversamente, os países em que houve aumento significativo dos rejeitos armazenados em repositórios foram República Checa, Eslováquia, Finlândia e Romênia; - em alguns casos, os valores percentuais apresentados nas tabelas são significativos, todavia os valores absolutos envolvidos no aumento dos volumes são pequenos, como por exemplo, no caso da Indonésia e Filipinas. A aceitação pública do setor nuclear continua sendo um desafio para os profissionais da área e, entre todas as questões, a gestão de resíduos radioativos é sempre motivo de grande preocupação da população. É de suma importância que não sejam poupados esforços e investimentos para que os desafios de comunicação pública e responsabilidade social na área nuclear sejam enfrentados, com transparência e responsabilidade. AGRADECIMENTOS Os autores agradecem a FAPEMIG e ao CNPq pelas bolsas de IC das alunas Bárbara Ulhoa e Bruna Aleixo. REFERÊNCIAS CUCCIA, V., UEMURA, G., FERREIRA, V.V.M., MALTA, R.S.V. & TELLO, C.C.O. An Updated Overview of Low and Intermediate Level Waste Disposal Facilities around the World. Trabalho apresentado ao INAC - International Atlantic Nuclear Conference, Belo Horizonte, 2011. FERREIRA, V.V.M. Avaliação de Externalidades do Setor Hidrelétrico no Estado de Minas Gerais. Belo Horizonte: UFMG, 2004. 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