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RBCIAMB | n.51 | mar 2019 | 128-140 - ISSN 2176-9478
Aline Holtermann Roani
Bióloga pela Universidade
Regional Integrada do Alto
Uruguai e das Missões (URI).
Estudante no Programa de
Pós‑Graduação em Conservação da
Biodiversidade da URI – Frederico
Westphalen (RS), Brasil.
Ângela Maria Rizzotto
Bióloga pela URI. Estudante no
Programa de Pós‑Graduação
(Especialização) em Conservação da
Biodiversidade da URI – Frederico
Westphalen (RS), Brasil.
Carin Guarda
Mestre pela Universidade
Comunitária da Região de Chapecó
(Unochapecó). Doutoranda do
Programa de Pós‑Graduação em
Ciências da Saúde da Unochapecó –
Chapecó (SC), Brasil.
Ricardo Giovenardi
Doutor em Biodiversidade
Animal pela Universidade
Federal de Santa Maria (UFSM).
Professor do Programa de
Pós‑Graduação em Conservação da
Biodiversidade da URI – Frederico
Westphalen (RS), Brasil.
Junir Antônio Lutinski
Doutor em Biodiversidade Animal
pela UFSM. Professor do Programa
de Pós‑Graduação em Ciências
da Saúde da Unochapecó –
Chapecó (SC), Brasil.
Endereço para correspondência:
Junir Antonio Lutinski –
Rua Beija‑Flor, 254 E –
Efapi – CEP 89809‑760 –
Chapecó (SC), Brasil –
E‑mail: junir@unochapeco.edu.br
Recebido em: 22/04/2019
Aceito em: 11/07/2019
RESUMO
Formigas que ocorrem em áreas urbanas têm sido foco de estudos nos
últimos anos. Contudo, a mirmecofauna de muitas regiões ainda permanece
desconhecida. O objetivo deste estudo foi avaliar a riqueza e a abundância
das assembleias de formigas que ocorrem em ambientes urbanos da região
noroeste do Rio Grande do Sul. Foram amostradas cinco cidades da região em
dois tipos de ambiente: praças e terrenos baldios. Amostras foram obtidas
entre os meses de fevereiro e maio de 2018, utilizando-se iscas de glicose e
sardinha e coleta manual. Foram amostradas 9.772 espécimes de formigas,
registradas 468 ocorrências, identificadas 57 espécies, pertencentes a
19 gêneros e cinco subfamílias. Os gêneros mais ricos foram Pheidole
(S = 13), Linepithema (S = 7) e Camponotus (S = 6). Este trabalho contribui
para o conhecimento das assembleias de formigas em ambientes urbanos e
dos impactos que a antropização exerce sobre a biodiversidade.
Palavras-chave: áreas verdes; biodiversidade; conservação; bioindicadores;
desenvolvimento urbano.
ABSTRACT
Ants occurring in urban areas have been focus of studies in recent
years, however, the myrmecofauna of many regions remains unknown.
The objective of this study was to evaluate the richness and abundance
of ant assemblages in urban environments in the northwestern region of
Rio Grande do Sul. Five cities of the region were sampled in two types of
environments: squares and vacant lots. Samples were obtained between
February and May 2018, using glucose and sardine baits and manual
collection. A total of 9,772 specimens of ants were sampled, 468 occurrences
were registered, and 57 species belonging to 19 genera and five subfamilies
were identified. The richest genera in the samples were Pheidole (S = 13),
Linepithema (S = 7) and Camponotus (S = 6). This work contributes to the
knowledge of ant assemblages in urban environments and the impacts of
anthropization on biodiversity.
Keywords: green areas; biodiversity; conservation; bioindicators; urban
development.
ARTIGO | DOI: 10.5327/Z2176-947820190464
FORMIGAS EM AMBIENTES URBANOS DA
REGIÃO NOROESTE DO RIO GRANDE DO SUL
ANTS IN URBAN ENVIRONMENTS IN THE NORTHWEST REGION OF RIO GRANDE DO SUL
http://orcid.org/0000-0002-4683-4575
http://orcid.org/0000-0001-5900-3239
http://orcid.org/0000-0003-4323-5080
http://orcid.org/0000-0001-6833-2077
http://orcid.org/0000-0003-0149-5415
Formigas em ambientes urbanos no Rio Grande do Sul
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INTRODUÇÃO
Formicidae constitui um dos táxons de insetos mais
diversificados (HÖLLDOBLER; WILSON, 1990; FERNÁN‑
DEZ, 2003). Possui 16.029 espécies descritas, agrupa‑
das em 474 gêneros e 20 subfamílias (ANTWEB, 2018).
Nos trópicos, esses insetos apresentam maior riqueza,
abundância e número de espécies endêmicas (GUÉ‑
NARD; WEISER; DUNN, 2012; BACCARO et al., 2015).
Formigas vivem em simbiose com outros insetos, plan‑
tas, fungos e bactérias, desempenham papel vital no
enriquecimento do solo e participam de uma infinida‑
de de interações adicionais que moldam os ecossiste‑
mas terrestres em todos os níveis tróficos (BACCARO
et al., 2015; CHOMICKI; RENNER, 2017).
O processo de urbanização constitui uma das principais
causas da fragmentação e da perda de hábitats (LIU; HE;
WU, 2016; MELO; DELABIE, 2017). Nas áreas urbanas,
áreas verdes e vegetação representam refúgios para ani‑
mais e atuam como reservatórios para o repovoamento
de outros ambientes (ESTRADA et al., 2014; LUTINS‑
KI et al., 2014; SOUZA-CAMPANA et al., 2016; MELO;
DELABIE, 2017). Entre os insetos, as formigas estão en‑
tre os que melhor se adaptaram aos ambientes urbanos
(SILVA et al., 2012; BUENO; CAMPOS; MORINI, 2017).
Estudos sobre a estrutura das comunidades de formigas
em áreas verdes urbanas permitem avaliar os impactos do
processo de urbanização sobre a mirmecofauna. Isso faz
das formigas importantes indicadores biológicos. Essa re‑
lação é possível porque espécies que ocorrem em am‑
bientes urbanos respondem de maneiras diferentes às in‑
fluências antrópicas (CHACÓN DE ULLOA, 2003; LUTINSKI
et al., 2014; 2017; TIBCHERANI et al., 2018). Fatores como
distribuição geográfica, abundância, taxonomia e ecolo‑
gia relativamente bem conhecidas favorecem a utilização
das formigas como indicadores de condições ambientais
(ROCHA et al., 2015). O potencial bioindicador das formi‑
gas nas áreas verdes urbanas foi comprovado nos estudos
desenvolvidos por Estrada et al. (2014), Lutinski, Lopes e
Morais (2013) e Lutinski et al. (2014).
O Brasil possui 1.458 espécies catalogadas, distribuí‑
das em 111 gêneros, o que representa uma das maio‑
res diversidades de espécies de formigas do mundo,
e a maior diversidade das Américas (BACCARO et al.,
2015). Destas, cerca de 60 são consideradas sinantró‑
picas em ambientes urbanos (BACCARO et al., 2015;
CASTRO et al., 2015). As formigas que habitam áreas
urbanas são encontradas em ambientes residenciais
e comerciais (OLIVEIRA; CAMPOS-FARINHA, 2005; IOP
et al., 2009), escolares (LUTINSKI et al., 2014; GUARDA
et al., 2018), fragmentos florestais e áreas verdes
( PACHECO; VASCONCELOS, 2007; LUTINSKI et al., 2014;
2017; NOOTEN et al., 2019). Contudo, a mirmecofauna
de muitas regiões ainda permanece inteiramente des‑
conhecida (ULYSSÉA et al., 2011; LUTINSKI et al., 2017).
Considerando a carência de estudos da mirmecofauna
na região noroeste do Rio Grande do Sul, e consideran‑
do a relevância científica de se conhecer a riqueza e a
composição das assembleias de formigas para a elabo‑
ração de planos de manejo e conservação (LUTINSKI;
LOPES; MORAIS, 2013; FRANCO; FEITOSA, 2018), este
trabalho teve como objetivo caracterizar as assem‑
bleias de formigas que ocorrem em ambientes urbanos
da região noroeste do Rio Grande do Sul.
MATERIAIS E MÉTODOS
O estudo foi autorizado pelo Instituto Chico Mendes de
Conservação da Biodiversidade (ICMBio) — atividades
com finalidade científica nº 61187.
Área de estudo
A pesquisa foi realizada no perímetro urbano de cin‑
co municípios da região noroeste do estado do Rio
Grande do Sul: Frederico Westphalen (27°21’32”S
e 53°23’38”W), Caiçara (27°16’26”S; 53°25’55”W),
Seberi (27°28’40”S; 53°24’10”W), Taquaruçu do Sul
(27°23’59”S; 53°28’1”W) e Vista Alegre (27°22’1”S;
53°29’54”W) (IBGE, 2018; CPRM, 2016). A região pos‑
sui clima considerado subtropical do tipo Cfa (subtro‑
pical úmido), segundo a classificação de Köppen, com
temperatura média anual de 18°C, chegando a máxi‑
mas de 41°C no verão e inferiores a 0°C no inverno.
A precipitação média anual é bem distribuída ao lon‑
go do ano, geralmente atingindo de 1.800 a 2.100 mm
( ALVARES et al., 2013).
Roani, A.H. et al.
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Amostragem
A amostragem foi realizada em dois tipos de ambiente
em cada cidade, sendo eles: praças municipais e terre‑
nos baldios (TB). A amostragem foi realizada entre os
meses de fevereiro e maio de 2018. Nos TB, predomina
vegetação composta de gramíneas e poucas árvores
nativas (mata atlântica: floresta ombrofila mista), além
de plantas exóticas. As áreas variam de 560 a 900 m2.
Os TB estão localizados nas regiões centrais das cida‑
des, em bairros residenciais e cercados por edificações
domiciliares. As praças têm vegetação formada por
gramíneas, plantas ornamentais usadas na formação
de jardins, árvores nativas e exóticas. Possuem áreas
que variam entre 735 e 7.257 m2, têm ocupação re‑
creativa e para atividades físicas, estão localizadas em
áreas centrais das cidades, cercadas por edificações re‑
sidenciais e comerciais.
As amostras foram coletadas entre 8 e 17h. Como téc‑
nica de coleta, foram utilizadas 20 iscas em cada am‑
biente, sendo dez de sardinha e dez de glicose, conten‑
do 1 g de cada isca sobre um papel toalha (20 × 30 cm),
distribuídas sobre o solo de forma alternada, distantes
10 m entre si. As iscas permaneceram expostas por
uma hora. Também foi empregada uma hora de amos‑
tra manual em cada ponto amostral (LUTINSKI et al.,
2014). As amostras manuais foram conduzidas obede‑
cendo a um percurso aleatório (SARMIENTO, 2003).
Foram utilizadas pinças e hastes de algodão umedeci‑
dos em álcool 70%.
Os espécimes amostrados com as iscas foram acondi‑
cionados em sacos plásticos para o transporte até o la‑
boratório. As amostras manuais foram acondicionadas
em frascos contendo álcool 70%. Todas as amostras fo‑
ram devidamente etiquetadas com as informações da
coleta e transportadas para o Laboratório de Morfolo‑
gia da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai
e das Missões, Campus de Frederico Westphalen, para
a triagem. A identificação foi conduzida primeiramente
utilizando-se chaves propostas por Fernández (2003).
Análise estatística
As assembleias de formigas de cada cidade foram des‑
critas quanto à riqueza e à frequência das ocorrências.
Foram calculados os índices de diversidade de Shan‑
non (H´), Equitabilidade (J’) e estimativas de riqueza
(Chao 1) para as assembleias de cada cidade e para
os ambientes. Os resultados foram obtidos com o au‑
xílio do programa estatístico Past (HAMMER; HARPER;
RYAN, 2001).
A riqueza de cada ambiente (praças e TB) foi compara‑
da por meio de uma análise de rarefação também com
base no número de ocorrências (GOTELLI; COLWELL,
2001). Considerou‑se como ocorrência nessa análise a
presença de cada espécie em cada isca (de glicose ou
de sardinha) e nas amostras manuais. Essa análise foi
realizada com o auxílio do software EcoSim 7 ( GOTELLI;
ENTSMINGER, 2001) e permite comparações entre
conjuntos de amostras (MELO et al., 2003).
Foi feita uma ordenação Non-Metric Multidimensional
Sacling (NMDS) para descrever similaridade entre as‑
sembleias e as amostras de formigas. As matrizes dos
dados foram previamente transformadas em Log(X+1),
considerando‑se a necessidade de reduzir o efeito da
amplitude das ocorrências na análise e a existência de
zeros nos bancos de dados. As amostras utilizadas nas
análises NMDS foram constituídas da soma das ocor‑
rências das espécies em subunidades amostrais (iscas
de sardinha, de glicose ou amostras manuais), agrupa‑
das segundo os ambientes ou segundo os métodos, nos
respectivos municípios. Foi utilizado Bray-Curtis como
índice de associação, e a análise foi realizada com o pro‑
grama estatístico Primer 6.1.9 (CLARKE; GORLEY, 2005).
RESULTADOS
Foram amostradas 9.772 formigas e 468 ocorrências,
distribuídas em 57 espécies, 19 gêneros e cinco sub‑
famílias (Tabela 1). A assembleia de formigas de Se‑
beri apresentou a maior riqueza (S = 34), seguida de
Frederico Westphalen (S = 31), Vista Alegre (S = 28),
Taquaruçu (S = 25) e Caiçara (S = 23). As praças apre‑
sentaram maior abundância (n = 250) e riqueza (S = 49)
em relação aos TB (n = 211; S = 42) (Tabela 2).
Em Caiçara, ocorreu de forma exclusiva a espécie Cam-
ponotus rufipes (Fabricius, 1775); em Frederico West‑
Formigas em ambientes urbanos no Rio Grande do Sul
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Tabela 1 – Assembleias de formigas amostradas em cinco cidades da região noroeste do
Rio Grande do Sul: Caiçara, Frederico Westphalen, Seberi, Taquaruçu do Sul e Vista Alegre, 2018*.
Táxon CA FW SE TS VA Praças TB
Subfamília Dolichoderinae
Tribo Leptomyrmecini
Dorymyrmex brunneus (Forel, 1908) 3,3 3,7 12,8 16,7 6,5 6,0 10,9
Dorymyrmex pyramicus (Roger, 1863) 5,5 0,9 14,3 1,1 2,0 6,6
Dorymyrmex sp. 2,4 0,8
Linepithema angulatum (Emery, 1894) 1,9 2,3 1,2 1,2 0,9
Linepithema humile (Mayr, 1868) 1,1 2,8 3,5 1,2 2,2 2,4 1,9
Linepithema sp. 1 2,8 1,2 1,2 0,5
Linepithema sp. 2 1,2 1,1 0,9
Linepithema sp. 3 1,1 2,8 1,2 1,1 2,4
Linepithema sp. 4 1,1 0,4
Linepithema sp. 5 1,2 0,4
Subfamília Formicinae
Tribo Camponotini
Camponotus alboannulatus (Mayr, 1887) 1,9 3,2 0,8 1,4
Camponotus crassus (Mayr, 1862) 6,6 0,9 1,1 1,2 2,4
Camponotus mus (Roger, 1863) 4,4 0,9 3,6 0,8 2,8
Camponotus rufipes (Fabricius, 1775) 1,1 0,4
Camponotus sericeiventris (G.-Mén., 1838) 1,1 0,4
Camponotus sexguttatus (Fabricius, 1793) 6,5 3,3
Tribo Myrmelachistini
Brachymyrmex aphidicola (Forel, 1909) 5,8 2,4
Brachymyrmex coactus (Mayr, 1887) 8,8 8,4 5,8 6,0 7,5 8,8 5,7
Brachymyrmex sp. 1 0,9 1,2 0,8
Brachymyrmex sp. 2 1,1 0,9 1,2 0,4 0,9
Tribo Lasiini
Nylanderia fulva (Mayr, 1862) 3,3 18,7 3,5 2,4 7,5 8,8 6,2
Paratrechina longicornis (Latreille, 1802) 3,2 1,4
Subfamília Myrmicinae
Tribo Attini
Acromyrmex subterraneus (Forel, 1893) 1,1 0,9 1,2 1,1 1,2 0,5
Cephalotes pusillus (Klug, 1824) 1,2 2,4 0,4 0,9
Cyphomyrmex rimosus (Spinola, 1851) 1,2 0,5
Mycocepurus goeldii (Forel, 1893) 1,2 1,2 0,8
Pheidole dyctiota (Kempf, 1972) 0,9 1,2 1,1 0,8 0,5
Pheidole laevifrons (Mayr, 1887) 2,8 1,4
Continua...
Roani, A.H. et al.
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Tabela 1 – Continuação.
Táxon CA FW SE TS VA Praças TB
Pheidole lignicola (Mayr, 1887) 1,2 4,3 1,6 0,5
Pheidole pubiventris (Mayr, 1887) 2,2 0,4 0,5
Pheidole risii (Forel, 1892) 1,2 0,4
Pheidole tristis (F. Smith, 1858) 5,8 1,1 0,4 2,4
Pheidole sp. 1 20,9 9,3 4,7 6,0 17,2 14,4 8,5
Pheidole sp. 2 7,7 10,3 10,5 9,5 15,1 10,8 10,4
Pheidole sp. 3 4,4 2,8 1,2 2,2 2,8 1,4
Pheidole sp. 4 3,3 1,1 1,6
Pheidole sp. 5 3,3 1,9 3,5 4,3 3,2 1,9
Pheidole sp. 6 3,3 1,9 1,2 2,0 0,5
Pheidole sp. 7 0,9 1,2 0,4 0,5
Wasmannia affinis (Santschi, 1929) 2,3 0,4 0,5
Wasmannia auropunctata (Roger, 1863) 5,8 1,1 2,4
Tribo Crematogastrini
Crematogaster acuta (Fabricius, 1804) 6,6 6,5 3,5 10,7 5,4 5,6 7,6
Crematogaster sp. 1 0,9 2,3 1,4
Crematogaster sp. 2 1,2 0,5
Crematogaster sp. 3 0,9 1,2 0,9
Tribo Pogonomyrmecini
Pogonomyrmex naegelii (Emery, 1878) 2,2 0,9 4,8 1,6 1,4
Tribo Solenopsidini
Diplorhoptrum helena (Emery, 1901) 2,2 1,2 0,4 0,9
Diplorhoptrum strictum (Emery, 1896) 0,9 3,5 1,1 1,6 0,5
Monomorium floricola (Jerdon, 1851) 1,1 1,9 1,2 1,1 0,8 1,4
Solenopsi ssaevissima (F. Smith, 1855) 4,4 4,8 4,3 2,4 2,8
Solenopsis sp. 1 0,9 1,2 2,4 0,8 0,9
Solenopsis sp. 2 3,3 1,2 0,8 0,9
Solenopsis sp. 3 1,2 0,4
Solenopsis sp. 4 1,2 0,4
Subfamília Ponerinae
Tribo Ponerini
Pachycondyla striata (F. Smith, 1858) 1,2 1,1 0,8
Subfamília Pseudomyrmecinae
Tribo Pseudomyrmecini
Pseudomyrmex flavidulus (F. Smith, 1858) 1,2 0,4
Pseudomyrmex gracilis (Fabricius, 1804) 0,9 3,5 0,4 1,4
Pseudomyrmex phyllophilus (F. Smith, 1858) 1,2 0,4
*Os valores representam a frequência percentual; CA: Caiçara; FW: Frederico Westphalen; SE: Seberi; TS: Taquaruçu do Sul; VA: Vista Alegre; TB:
terrenos baldios.
Formigas em ambientes urbanos no Rio Grande do Sul
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phalen, as espécies Camponotus sexguttatus ( Fabricius,
1793) e Pheidole laevifrons (Mayr, 1887); em Seberi,
Brachymyrmex aphidicola (Forel, 1909), Crematogaster
sp. 2, Cyphomyrmex rimosus ( Spinola, 1853), Pheidole
risii (Forel, 1892), Pseudomyrmex phyllophilus (F. Smith,
1858), Solenopsis sp. 4 e Wasmannia affinis (Sants‑
chi, 1929); em Taquaruçu do Sul, Dorymyrmex sp.,
Linepithema sp. 5, Pseudomyrmex flavidulus (F. Smith,
1858) e Solenopsis sp. 3; em Vista Alegre, Camponotus
sericeiventris (G.‑Mén., 1838), Linepithema sp. 4 e
Paratrechina longicornis (Latreille, 1802) (Tabela 1).
As espécies mais frequentes na cidade de Caiçara foram
Pheidole sp. 1 (20,9%), Brachymyrmex coactus (Mayr,
1887) (8,8%) e Pheidole sp. 2 (7,7%); em Frederico
Westphalen, Nylanderia fulva (Mayr, 1862) (18,7%),
Pheidole sp. 2 (10,3%) e Pheidole sp. 1 (9,3%); em
Seberi, Dorymyrmex brunneus (Forel, 1908) (12,8%)
e Pheidole sp. 2 (10,3%); em Taquaruçu do Sul, D.
brunneus (16,7%), Dorymyrmex pyramicus (Roger,
1863) (14,3%) e Crematogaster acuta (Fabricius, 1804)
(10,7%); em Vista Alegre, Pheidole sp. 1 (17,2%),
Pheidole sp. 2 (15,1%) e N. fulva (7,5%). Nas praças, as
espécies mais frequentes foram Pheidole sp. 1 (14,4%),
Pheidole sp. 2 (10,8%), B. coactus (8,8%) e N. fulva
(8,8%). Já nos TB, foram D. brunneus (10,9%), Pheidole
sp. 2 (10,4%) e Pheidole sp. 1 (8,5%) (Tabela 1).
A assembleia de formigas de Frederico Westphalen
apresentou a maior abundância (n = 107), seguida
da de Vista Alegre (n = 93), Caiçara (n = 91), Seberi
(n = 86) e Taquaruçu do Sul (n = 84). O índice de Shan‑
non indicou maior diversidade para a assembleia de
formigas de Seberi (H’ = 3,20), seguido da de Frede‑
rico Westphalen (H’ = 2,94), Vista Alegre (H’ = 2,87),
Caiçara (H’ = 2,81) e Taquaruçu do Sul (H’ = 2,77).
Os valores da diversidade de Shannon para os TB e
as praças foram semelhantes (3,25 e 3,24, respecti‑
vamente). A menor Equitabilidade (J’) para as assem‑
bleias de formigas foi 0,86 para Caiçara, Frederico
Westphalen e Taquaruçu do Sul. Para a assembleia
de formigas das praças foi 0,83 e para os TB, 0,87.
O estimador Chao1 apontou que a riqueza das for‑
migas das cinco cidades pode ser 63,4% maior que a
amostrada (Tabela 2).
A riqueza amostrada foi maior para a assembleia de
formigas nas praças em relação aos TB (Figura 1).
Observou-se a formação de três grupos distintos das
assembleias de formigas quanto à abundância e à
composição das espécies nas amostras de praças e TB.
Com similaridade de 45%, a amostra da praça de Seberi
diferiu das demais. Um segundo grupo foi formado pe‑
las amostras de formigas dos TB de Caiçara e Frederico
Westphalen e da praça e do TB de Taquaruçu do Sul.
O terceiro grupo foi formado pelas amostras das praças
de Caiçara, Frederico Westphalen e Vista Alegre, e tam‑
bém dos TB de Seberi e Vista Alegre (Figura 2).
Observou-se a formação de quatro grupos distintos das
amostras das assembleias de formigas quanto à simila‑
ridade das ocorrências das espécies. Com similaridade
de 40%, as amostras manuais foram reunidas em dois
agrupamentos distintos, e um deles agregou também
as amostras com sardinha e com glicose da cidade de
Taquaruçu do Sul. Um segundo agrupamento foi obtido
para as amostras com sardinha e com glicose da cidade
de Seberi. O quarto agrupamento reuniu as amostras
com as iscas das demais cidades (Figura 3).
Índices FW CA VA TS SE Praças TB
S
obs
31 23 28 25 34 49 42
Ocorrências 107 91 93 84 86 25 0 211
Shannon (H’) 2,94 2,81 2,87 2,77 3,20 3,24 3,25
Equitabilidade (J’) 0,86 0,90 0,86 0,86 0,91 0,83 0,87
Chao1 46,2 28,0 50,8 38,2 72,3 61,4 48,1
Diferença S
obs
e Chao1 (%) 48,9 21,7 81,3 52,8 112,5
Tabela 2 – Indicadores ecológicos das assembleias de formigas em cinco cidades da região noroeste
do Rio Grande do Sul: Caiçara, Frederico Westphalen, Seberi, Taquaruçu do Sul e Vista Alegre, 2018.
FW: Frederico Westphalen; CA: Caiçara; VA: Vista Alegre; TS: Taquaruçu do Sul; SE: Seberi; TB: terrenos baldios; S
obs
: riqueza observada.
Roani, A.H. et al.
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Figura 1 – Comparação da riqueza de formigas em dois ambientes (praças e terrenos baldios) de cinco cidades
da região noroeste do Rio Grande do Sul, pelo método de rarefação baseada no número de ocorrências, 2018.
Ocorrências
1251007550
0
5
10
15
20
25
30
35
40
45
22520017515025
R
iq
u
e
za
Praças
Terrenos
CA: Caiçara; FW: Frederico Westphalen; SE: Seberi; TS: Taquaruçu do Sul; VA: Vista Alegre; p: praças; t: terrenos baldios.
Figura 2 – Ordenação Non-Metric Multidimensional Sacling das assembleias de formigas coletadas em dois tipos de ambiente
(praças e terrenos baldios) de cinco cidades da região noroeste do Rio Grande do Sul (Caiçara, Frederico Westphalen, Seberi,
Taquaruçu do Sul e Vista Alegre), 2018. Os círculos indicam regiões dentro de 45% de similaridade (Bray-Curtis).
2D Stress: 0.12SEp
VAt
SEt
FWp
CAp
VAp
TSp
TSt
FWt
CAt
Formigas em ambientes urbanos no Rio Grande do Sul
135
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DISCUSSÃO
Em quatro das cinco cidades ocorreram espécies de
forma exclusiva, e sete espécies ocorreram em todas
as cidades. Esses resultados indicam homogeneidade
em alguns descritores ambientais das praças e dos TB
das cidades amostradas, porém também apontam va‑
riações em outros. Formigas se encontram entre os
organismos que melhor se adaptam aos ambientes
urbanos (BRAGANÇA; LIMA, 2010) e conseguem se
estabelecer em locais que apresentam condições am‑
bientais hostis para a sobrevivência de muitos orga‑
nismos (LUTINSKI et al., 2014). Como ocupam nichos
variados dos ambientes e se inserem nos diferentes
níveis tróficos (HÖLLDOBLER; WILSON, 1990), varia‑
ções na riqueza são esperadas de um ambiente para
outro, assim como de uma região para outra. O tama‑
nho das cidades não demonstrou associação com a
riqueza de formigas nas amostras. A cidade de Seberi,
a segunda maior entre as cidades amostradas, apre‑
sentou a assembleia de formigas mais rica. A proxi‑
midade dos ambientes amostrados com a borda da
cidade, com ambientes conservados, pode explicar
essa associação.
A riqueza total de 57 espécies amostradas nas cinco ci‑
dades é menor do que a encontrada por Lutinski et al.
(2014) para uma em cada dez cidades da região oeste
catarinense envolvendo áreas verdes, fragmentos flo‑
restais, escolas e ambientes de reciclagem. Também é
menor do que os resultados dos estudos de Farneda,
Lutinski e Garcia (2007) e Iop et al. (2009), em Pinhal‑
zinho (S = 60) e Xanxerê (S = 67), Santa Catarina, que
amostraram assembleias de formigas em residências
e estabelecimentos comerciais. O esforço amostral, os
métodos de amostragem utilizados, os ambientes con‑
CA: Caiçara; FW: Frederico Westphalen; SE: Seberi; TS: Taquaruçu do Sul;
VA: Vista Alegre; mn: amostra manual; sa: isca de sardinha; gl: isca de glicose.
Figura 3 – Ordenação Non-Metric Multidimensional Sacling das assembleias de formigas coletadas a partir
de três métodos de amostragem (amostra manual, isca de sardinha e isca de glicose) de cinco cidades
da região noroeste do Rio Grande do Sul (Caiçara, Frederico Westphalen, Seberi, Taquaruçu do Sul e
Vista Alegre), 2018. Os círculos indicam regiões dentro de 45% de similaridade (Bray-Curtis).
2D Stress: 0.14
SEmn
TSmn
SEgl
SEsa
FWmn
VAmn
CAmn
TSsa
TSgl
VAgl
FWsa
FWgl
VAsa
CAsa CAgl
Roani, A.H. et al.
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templados nas amostras são fatores que podem expli‑
car diferenças na riqueza. Dada a carência de estudos
prévios sobre formigas em ambientes urbanos da re‑
gião noroeste do Rio Grande do Sul, cabe destacar a
relevância dos resultados deste estudo como base para
futuros inventários em diferentes ambientes urbanos
da região.
A mirmecofauna amostrada, subfamílias e gêneros,
já foi registrada na região por Cantarelli et al. (2015),
contudo este é o primeiro relato de uma lista de es‑
pécies de formigas que ocorrem em ambientes urba‑
nos. Praças urbanas se caracterizam como espaços de
convivência, lazer e, em alguns casos, espaços para a
prática de exercícios físicos. São ambientes arboriza‑
dos, cuja finalidade da vegetação é o embelezamento
e o sombreamento. Nesses locais, pode ser encontrada
vegetação herbácea e arbustiva, mas a vegetação arbó‑
rea, nativa ou exótica está sempre presente ( LUTINSKI
et al., 2018). Geralmente, os TB são desprovidos de ve‑
getação — quando presente, ela se caracteriza como
herbácea. Os resultados deste estudo indicam a vege‑
tação como o possível descritor ambiental para a ocor‑
rência de formigas nas cidades amostradas, uma vez
que a riqueza e a abundância amostradas nas praças
foram maior que nos TB.
Formigas Dolichoderinae são frequentemente regis‑
tradas em ambientes antropizados (GUARDA et al.,
2018; LUTINSKI et al., 2018). Os gêneros Dorymyrmex
e Linepithema ocorrem com frequência em amos‑
tragens da mirmecofauna do Sul do Brasil (ULYSSÉA
et al., 2011). Essas formigas dominam as fontes de
alimento e recrutam de forma massiva. Pertencem
a esses gêneros algumas das mais importantes espé‑
cies de formiga com potencial de se tornarem pragas
em ambientes urbanos, com destaque para L. humile
(BACCARO et al., 2015; BUENO; CAMPOS; MORINI,
2017). Dado o caráter onívoro dessas formigas, sua
presença nos TB e nas praças é um indicativo de dese‑
quilíbrio ecológico.
O gênero Camponotus foi representado nas amostras
por seis espécies. Aproximadamente 400 espécies
desse gênero são descritas para a região neotropi‑
cal. Caracterizam-se pelo acentuado polimorfismo e
onivoria. Podem ser observadas forrageando no solo
ou na vegetação (SILVESTRE; BRANDÃO; SILVA, 2003;
BACCARO et al., 2015). Camponotus crassus, C. mus,
C. rufipes e C. sericeiventris são comuns em ambien‑
tes urbanos do Sul do Brasil (LUTINSKI et al., 2017).
A presença dessas formigas nas praças e nos TB pode
ser explicada pela resiliência dessas espécies diante
das alterações ambientais.
Formigas dos gêneros Crematogaster, Nylanderia,
Paratrechina e Wasmannia também se destacam pelo
potencial invasor e pela frequência em ambientes ur‑
banos. São frequentemente registradas em ambien‑
tes internos, incluindo Unidades de Saúde, hospitais
e escolas (LISE; GARCIA; LUTINSKI, 2006; SCHWINGEL
et al., 2016; GUARDA et al., 2018). Sua presença nas
amostras representa um indicativo de resíduos orgâni‑
cos no ambiente (restos de alimentos), utilizados como
recurso alimentar. Tanto em praças como em TB é co‑
mum o abandono ou o descarte de resíduos orgânicos.
Os gêneros Pheidole e Solenopsis são formigas conhe‑
cidas como dominantes e onívoras (SILVESTRE; BRAN‑
DÃO; SILVA, 2003; BACCARO et al., 2015). A ampla
distribuição geográfica e a habilidade de dispersão
fazem com que algumas dessas espécies se tornem
localmente abundantes e frequentemente amostra‑
das em ambientes urbanos (LUTINSKI et al., 2017).
Nidificam no solo, formam colônias grandes, os indi‑
víduos são pequenos, monomórficos ou dimórficos,
apresentam comportamento generalista e agressivo
e se associam com ambientes perturbados (BUENO;
CAMPOS; MORINI, 2017). Essas características justifi‑
cam a ocorrência dessas formigas nas amostras em TB
e praças, indicando a tolerância delas aos ambientes
amostrados, especialmente de Pheidole, que foi o gê‑
nero mais rico no estudo.
Cabe destacar a ocorrência de formigas dos gê‑
neros Acromyrmex, Cephalotes, Pachycondyla e
Pseudomyrmex, cujas espécies estão associadas a am‑
bientes com vegetação e/ou com oferta de espaços
para nidificação e fontes de alimentos. Com exceção de
Cephalotes, essas formigas foram amostradas predomi‑
nantemente nas praças. Formigas Acromyrmex depen‑
dem da vegetação, das folhas que cortam, para o cul‑
tivo do fungo do qual se alimentam. Formam colônias
com numerosos indivíduos e nidificam no solo. Formi‑
gas do gênero Cephalotes são essencialmente arborí‑
colas e, na vegetação, encontram alimento e local para
a construção de seus ninhos. Pachycondyla são formi‑
gas predadoras de invertebrados, normalmente encon‑
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tradas forrageando sobre o solo (FERNÁNDEZ, 2003,
SILVESTRE; BRANDÃO; SILVA, 2003). Contudo, P. striata
tem sido frequentemente encontrada em ambientes
urbanos (LUTINSKI et al., 2017). As formigas pseudo‑
mirmecíneas são ágeis e solitárias, possuem visão bem
desenvolvida e hábito diurno. Muitas delas são depen‑
dentes de plantas mirmecófilas, nas quais visitam nec‑
tários ou predam. Preferem matas fechadas e úmidas,
embora algumas possam ser encontradas em áreas
abertas (WARD, 2003). O registro de espécies desses
gêneros destaca a importância da vegetação das praças
para a manutenção das assembleias de formigas e da
biodiversidade associada a esses insetos.
O estimador Chao1 indicou que a riqueza de formi‑
gas não foi completamente amostrada. O esforço ne‑
cessário para amostrar todas as espécies de um dado
ambiente pode ser até dez vezes maior que o esforço
inicial (CHAO et al., 2009). Considerando que a amos‑
tragem deste estudo se concentrou em apenas um
evento, a estimativa Chao1 reforça a necessidade de
estudos subsequentes para conhecer a mirmecofau‑
na que ainda ocorre em ambientes urbanos da região.
Cabe destacar que a riqueza amostrada é menor em re‑
lação aos demais estudos já realizados na região, o que
desperta a atenção para os fatores que possam estar
impactando a biodiversidade, além do próprio proces‑
so de urbanização.
A distribuição das ocorrências das espécies de for‑
migas nas cidades é relativamente homogênea,
considerando o resultado apontado pelo índice de
Equitabilidade. Segundo Pinto‑Coelho (2000), esse
índice, quando maior que 0,5, indica uniformidade
na distribuição das espécies no ambiente avaliado.
A diversidade H’ é influenciada pelo esforço amostral,
porém os resultados encontrados indicaram diversi‑
dade comparável a ambientes conservados da região
( LUTINSKI et al., 2016).
Apesar da diferença na riqueza de formigas entre pra‑
ças e TB, evidenciada pelos indicadores ecológicos e
pela análise de rarefação, a similaridade na composição
e a abundância (ocorrências) não evidenciaram o mes‑
mo padrão na NMDS. Amostras de terrenos e de pra‑
ças foram agrupadas, não diferindo entre si. Apenas a
amostra obtida na praça do município de Seberi diferiu
das demais. O tamanho e a cobertura vegetal dessa
praça, associados à proximidade da borda da cidade,
como já descrito, podem explicar maior abundância e
riqueza, assim como uma composição diferenciada das
demais assembleias.
Assim como nos ambientes, os métodos utiliza‑
dos também geraram amostras heterogêneas.
Observou‑se maior similaridade entre as amostras ob‑
tidas com as iscas de sardinha e as iscas com glicose e
entre as amostras manuais. Contudo, o fator cidade,
no caso de Seberi e de Taquaruçu do Sul, sobrepôs-se
ao método amostral. Esse resultado destaca a hetero‑
geneidade dos ambientes urbanos, no que se refere às
condições oferecidas à mirmecofauna para se estabe‑
lecer, e a necessidade de protocolos de amostragem
capazes de contemplar diferentes nichos.
CONCLUSÃO
A mirmecofauna amostrada em praças e TB de cinco ci‑
dades da região noroeste do Rio Grande do Sul aponta
para diferenças na riqueza nos diferentes ambientes.
A riqueza foi menor quando comparada a de outros
ambientes e cidades da região Sul do Brasil. Nesse con‑
texto, emerge a importância de inventários adicionais
na região para melhor compreensão dos fatores que
possam estar atuando sobre as assembleias de formi‑
gas e da biodiversidade a elas associadas.
Apesar da riqueza amostrada em TB, não se pode es‑
perar que esses ambientes sirvam como reservatórios
ou repositórios da mirmecofauna, considerando‑se a
expansão das cidades. Por outro lado, praças não abri‑
gam apenas formigas, e sim uma biodiversidade, em
um sentido mais amplo. Nesse sentido, este estudo
pode servir para o embasamento de planos de mane‑
jo, conservação e de ampliação das praças e das áreas
verdes urbanas.
AGRADECIMENTOS
Aos proprietários da área de estudo, a autorização para
a realização das amostras. À Universidade Comunitária
da Região de Chapecó (Unochapecó), a Bolsa de Pro‑
dução Científica. Ao Instituto Chico Mendes de Con‑
servação da Biodiversidade (ICMBio), a licença para a
realização da pesquisa.
Roani, A.H. et al.
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