134 RBCIAMB | n.53 | set 2019 | 134-147 - ISSN 2176-9478 Ivan Edson da Silva Meireles Mestre em Ciências Florestais pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Florestais, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) – Vitória da Conquista (BA), Brasil. Sylvana Naomi Matsumoto Professora plena do Departamento de Fitotecnia e Zootecnia, UESB – Vitória da Conquista (BA), Brasil. Cristina de Andrade Santos Reis Professora do Departamento de Ciências Exatas e Tecnológicas, UESB – Vitória da Conquista (BA), Brasil. Luanna Fernandes Pereira Graduanda em Engenharia Agronômica, UESB – Vitória da Conquista (BA), Brasil. Ueliton Soares de Oliveira Graduando em Engenharia Agronômica, UESB – Vitória da Conquista (BA), Brasil. Patrícia Anjos Bittencourt Barreto-Garcia Professora adjunta do Departamento de Engenharia Agrícola e Solos, UESB – Vitória da Conquista (BA), Brasil. Thiago Reis Prado Doutorando em Agronomia, UESB – Vitória da Conquista (BA), Brasil. Paula Acácia Silva Ramos Pós-doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Agronomia, UESB – Vitória da Conquista (BA), Brasil. Endereço para correspondência: Sylvana Naomi Matsumoto – Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – Estrada do Bem Querer, km 4 – Bem Querer – CEP 45031-900 – Vitória da Conquista (BA), Brasil – E-mail: snaomi@uesb.edu.br Recebido em: 09/08/2019 Aceito em: 22/11/2019 RESUMO Atualmente, os serviços ambientais relativos aos sistemas agroflorestais (SAFs) estão fundamentados em aspectos qualitativos. Entretanto, para que ocorra a consolidação dos pagamentos por tais serviços, os diversos fatores que condicionam os SAFs necessitam ser caracterizados. Este estudo teve como objetivo analisar se o estoque de biomassa individual de cafeeiros é afetado por SAFs caracterizados por manejo e arranjos distintos dos cafeeiros arábica e grevíleas, além de verificar se haveria possibilidade de ajuste de equações alométricas para estimar a biomassa seca dos cafeeiros. O experimento foi conduzido em sistemas de cultivo de café (Coffea arabica L.) sob manejo orgânico e convencional arborizado por grevíleas (Grevillea robusta A. Cunn.), localizados nas regiões do Planalto da Conquista e Chapada Diamantina, Bahia. Com base na determinação da biomassa pelo método destrutivo da simples separação, foram estabelecidas equações de estimativa do estoque de biomassa individual dos cafeeiros. O sistema de manejo orgânico e o convencional são fatores de menor impacto para o acúmulo de biomassa e carbono em relação a fatores como a densidade de cafeeiros e o arranjo das grevíleas. O menor adensamento de cafeeiros é fator que determina a superioridade dos estoques de biomassa individual. A densidade de cafeeiros e o arranjo das grevíleas são elementos que definem modelos alométricos diferenciados para a estimativa de biomassa dos cafeeiros. Palavras-chave: serviço ambiental; estoque de carbono; equações alométricas. ABSTRACT Nowadays, environmental services related to agroforestry systems (AFS) are based on qualitative aspects. However, to consolidate payments for such service, the various factors that condition AFS must be characterized. This study was carried out to evaluate if the individual biomass of coffee plants is affect by AFS characterized by distinctive management and arrangement of Arabic and grevillea coffee plants, in addition to checking the possibility of adjustment of allometric equations to estimate dry coffee biomass. The assay was carried out at coffee fields (Coffea arabica L.) associated with grevilleas (Grevillea robusta A. Cunn.) under conventional and organic management, situated at Planalto da Conquista and Chapada Diamantina, Bahia. From the determination of biomass by the destructive method of simple separation, estimation equations of individual biomass of coffee plants were established. The organic and conventional management system have minor impact to carbon and biomass accumulation when compared to factors such as coffee density and grevillea arrangement. The lower coffee plant density is a factor that determines the superiority of individual biomass stocks. Coffee plants density and grevillea arrangement are factor that determine different allometric models to coffee plants biomass estimation. Keywords: environmental service; carbon stock; allometric equations. DOI: 10.5327/Z2176-947820190488 ESTIMATIVA DA BIOMASSA DE CAFEEIROS EM SISTEMAS AGROFLORESTAIS SOB MANEJO ORGÂNICO E CONVENCIONAL EM DIFERENTES ARRANJOS ESTIMATION OF COFFEE BIOMASS IN AGROFORESTRY SYSTEMS UNDER ORGANIC AND CONVENTIONAL MANAGEMENT IN DIFFERENT ARRANGEMENTS http://orcid.org/0000-0002-4940-2508 http://orcid.org/0000-0002-7182-6745 http://orcid.org/0000-0003-4476-9244 http://orcid.org/0000-0002-3197-1091 http://orcid.org/0000-0002-3891-3871 http://orcid.org/0000-0002-8559-2927 http://orcid.org/0000-0003-0414-2295 http://orcid.org/0000-0002-0130-6250 mailto:snaomi@uesb.edu.br Estimativa da biomassa de cafeeiros em sistemas agroflorestais 135 RBCIAMB | n.53 | set 2019 | 134-147 - ISSN 2176-9478 INTRODUÇÃO A cadeia produtiva do café é um dos principais commo- dities de exportação do Brasil, tendo gerado a receita cambial de US$ 5,15 bilhões no ano de 2018 (CECAFÉ, 2019). Ainda em 2018, o Brasil foi considerado o mais significativo país produtor de café, com safra de 3,7 mi- lhões de toneladas, 76% provenientes do cultivo de Coffea arabica (CONAB, 2018). A associação de árvores aos cafezais é uma forma de adaptação às mudanças climáticas, sendo frequente- mente citada como um sistema de cultivo sustentá- vel em razão da geração de diversos serviços ecossis- têmicos e também por viabilizar serviços ambientais (EHRENBERGEROVÁ et al., 2016). Cafezais arborizados podem desempenhar um papel importante no armaze- namento de carbono na biomassa acima do solo (FELI- CIANO et al., 2018), no solo e na biomassa subterrânea (BELIZÁRIO et al., 2018). A possibilidade de inclusão de sistemas agroflorestais (SAFs) com cafeeiros em projetos de carbono tem sido fomentada para o mecanismo de desenvolvimento lim- po (MDL), mercados voluntários e como opção para re- duzir as emissões dos gases do efeito estufa do meca- nismo de redução do desmatamento e da degradação florestal, conservação e aumento do estoque de carbo- no florestal e manejo sustentável de florestas (REED+) (TUMWEBAZE; BYAKAGABA, 2016). Os serviços ambientais relacionados aos SAFs podem gerar liquidez aos produtores, contribuindo para a ma- nutenção desses sistemas (PINOARGOTE et al., 2017; CERDA et al., 2017). No entanto, para que o impacto do serviço ambiental no que tange ao sequestro de carbo- no se reverta em adesão a esse sistema de cultivo, são necessários meios para a quantificação do estoque de carbono. A alometria é a técnica mais utilizada em es- tudos de quantificação de carbono em florestas, mui- tas vezes combinada com outros métodos associados. A estimativa por meio de modelos alométricos consti- tui uma base de cálculo real, obtida de parâmetros de fácil obtenção em campo, como o diâmetro e a altu- ra total (SEGURA; ANDRADE, 2008). É notável o cres- cente interesse pelo ajuste de equações de biomassa para o café no mundo, principalmente na América Central (PINOARGOTE et al., 2017), na América do Sul (COLTRI et al., 2015; ANDRADE et al., 2018) e na África (GUILLEMOT et al., 2018). A plasticidade fenotípica das espécies pode afetar a aplicação de modelos de estimativa da quantificação de biomassa, estando intrinsecamente relacionada à espécie avaliada em relação aos fatores que caracteri- zam determinado local (HENNERON et al., 2018). Dessa forma, condições edafoclimáticas, arranjo e composi- ção dos sistemas, bem como as práticas de manejo, são fatores capazes de interferir na acurácia das estimati- vas por meio de modelos. A elevação da densidade de plantio é considerada uma prática de manejo favorável ao desenvolvimento dos cafeeiros, pois condiciona a otimização da eficiência de utilização da luz solar e a exploração de maior volume de solo, resultando em maior capacidade de absorção de água e nutrientes (COLODETTI et al., 2018). Porém, quando os cafeeiros são cultivados em associação às árvores, recomenda-se aumentar o espaçamento en- tre plantas, de modo a evitar sombreamento excessivo, fato que poderia comprometer o processo fotossinté- tico e o alongamento excessivo do ramo ortotrópico. A recepa drástica é uma forma de manejo muito pra- ticada em cafezais, fato que deve ser considerado na composição de modelos alométricos para estimativas de estoque de carbono. Nesse caso, a razão de raízes (R) é diferenciada, pois a rebrota da parte aérea ocorre por intermédio de um sistema radicular bastante de- senvolvido anteriormente (DEFRENET et al., 2016). Diante disso, este estudo teve como objetivo analisar se o estoque de biomassa individual de cafeeiros é afe- tado por SAFs caracterizados por regimes de manejo e arranjos distintos dos cafeeiros e das grevíleas, além de verificar a possibilidade de ajuste de equações alomé- tricas para estimar a biomassa seca dos cafeeiros. MATERIAIS E METÓDOS O estudo foi realizado no Planalto da Conquista, prin- cipal região produtora de Coffea arabica do estado da Bahia. Foram definidos como área do estudo dois SAFs de cafeeiros, submetidos a regimes de manejo orgâni- co e convencional, situados em cafezais nos municípios de Ibicoara e Barra do Choça, respectivamente. Meireles, I.E.S. et al. 136 RBCIAMB | n.53 | set 2019 | 134-147 - ISSN 2176-9478 O SAF orgânico está localizado na região da Chapada Dia- mantina, no município de Ibicoara (13º21’00” latitude sul e 41º19’12” longitude oeste), a 1.100 metros de alti- tude. De acordo com a classificação de Köppen, o clima dessa região é temperado, do tipo Cfb, com verão ame- no (ALVARES et al., 2013). A temperatura média anual é de 18,4ºC, e a precipitação média, de 1.166,2 mm (SEI, 2014). O cafezal arábica cv. Catucaí vermelho foi implan- tado em 2005, em espaçamento 4,0 × 0,75 m (3.333 plantas ha-1), sendo associado às grevíleas (Grevillea ro- busta), introduzidas após três anos da implantação do cafezal, mantendo espaçamentos irregulares que defi- niram a densidade de 104 plantas ha-1. A adubação de fundação foi constituída de esterco e torta de mamona, sendo realizadas fertirrigações por gotejamento duas vezes após a colheita, além de três pulverizações anuais, no período de outubro a março, ambas utilizando biofer- tilizante à base de esterco de ovino fresco, sulfato de Zn e Mg e vísceras de peixe. Foram realizadas duas podas na grevílea desde o início da implantação das árvores. Já o SAF convencional foi implantado em 1997 na região do Planalto da Conquista, no município de Barra do Cho- ça (14º54’46” latitude sul e 40º36’39” longitude oeste), a 847 metros de altitude. De acordo com a classificação de Köppen, o clima dessa região é subtropical, do tipo Cfa (ALVARES et al., 2013). A temperatura média anual é de 20,2ºC, e a precipitação média, de 733,9 mm (SEI, 2013). O plantio dos cafeeiros arábica var. Catucaí foi realizado com espaçamento de 2 × 0,5 m (10.000 plan- tas ha-1), com poda rasa (recepa) e desbaste de plantas após 10 anos e 15 anos da implantação, respectivamen- te, sendo mantido o stand de 8.895 plantas ha-1. No plantio e em cobertura se fez a adubação química (fonte de nitrogênio, potássio e micronutrientes em cobertura e de superfosfato simples e calcário no plantio). As greví- leas (Grevillea robusta) foram dispostas em renques, em espaçamento de 30 × 3 m (111 plantas ha-1). O manejo da espécie arbórea consistiu em podas anuais (1 poda ano-1) até o terceiro ano de plantio. Para constituição da base de dados relativos à con- cepção dos modelos alométricos, foram selecionados 20 cafeeiros no SAF orgânico e 30 no SAF convencional, aleatoriamente, conforme Silva et al. (2013). As plan- tas amostradas foram coletadas na linha de plantio com distanciamento mínimo entre elas de 50 m. Após a coleta das plantas, foram mensurados os parâme- tros dendrométricos: altura total (Ht; comprimento da base ao ápice do caule), diâmetro da base (Db; diâmetro medido na base no caule, logo acima do ponto de corte), diâmetro a 50% do comprimento do caule (D m ; diâmetro medido na posição correspondente a 50% do compri- mento total da planta), diâmetro do topo (D t ; diâmetro medido a 10 cm do ápice da planta) e diâmetro médio (d; média entre os diâmetros anteriormente medidos). A determinação da biomassa foi realizada utilizando-se o método destrutivo da simples separação, descrito por San- quetta (2002), sendo os cafeeiros cortados ao nível do solo. Cada planta foi separada em caule, galhos grossos (diâme- tro ≥ 0,5 cm), galhos finos (diâmetro < 0,5 cm), folhas, mis- celânea (flores e frutos), raiz pivotante e raízes secundárias. A biomassa radicular foi determinada mediante escavações em torno do cafeeiro, considerando-se o limite de 0,25 m2 (0,50 × 0,50 m) e 0,50 m de profundidade. A biomassa fresca de cada compartimento foi esti- mada gravimetricamente em campo. Subamostras de cada componente da planta foram retiradas e secas em estufas a 65ºC até atingir peso constante. A biomassa seca foi obtida conforme Sanquetta et al. (2014), por meio do fator de correção de umidade (Equação 1): B(c) = Mf(c) × Ms(a) Mf(a) (1) Em que: B(c) = biomassa seca do compartimento (kg); Mf(c) = massa fresca do compartimento (kg); Ms(a) = massa seca da amostra do compartimento (kg). A biomassa total individual foi obtida pela soma de to- dos os componentes. Os estoques de biomassa dos cafeeiros do SAF orgânico e do SAF convencional foram comparados pelo teste t de Student para amostras independentes. Para melhor compreender a relação entre o estoque de biomassa e as variáveis dendrométricas dos cafeeiros, foi calculado o coeficiente de correlação de Pearson, considerando significância a 5% de probabilidade de erro. Estimativa da biomassa de cafeeiros em sistemas agroflorestais 137 RBCIAMB | n.53 | set 2019 | 134-147 - ISSN 2176-9478 Foram testados modelos alométricos disponíveis na lite- ratura para predição do estoque de biomassa individual dos cafeeiros (Tabela 1). Os modelos foram ajustados para as quatro variações de diâmetro mensurados neste estudo (D b , D m , D t e d). O modelo sugerido por Van Noor- dwijk et al. (2002), utilizado para estimativa de biomas- sa de cafeeiros recepados, foi aplicado exclusivamente para o conjunto de dados do SAF convencional. O critério de seleção dos melhores modelos foram o valor ponderado (VP) dos escores dos parâmetros estatísticos e a significância dos coeficientes da equação. O desempenho das equações foi analisado conforme os seguintes critérios: • maior coeficiente de determinação ajustado (R2aj); • menor erro padrão da estimativa absoluto (S yx ); • menor erro padrão da estimativa percentual (S yx% ); • maior valor F; • menor valor do critério de informação de Akaike (AIC); • menor valor do critério de informação bayesia- no (BIC). As estatísticas foram ordenadas de acordo com a sua maior valoração, sendo atribuído peso 1 para equação de melhor ajuste, 2 para a segunda e assim sucessiva- mente (ranking), como sugerido por Thiersch (1997). Após essa classificação individual, efetuou-se o so- matório da pontuação para cada modelo, sendo a equação de menor VP considerada com desempenho superior. Adicionalmente, para os dois melhores mo- delos de biomassa da parte aérea e total, foi realizada a análise gráfica da biomassa estimada e dos resíduos em relação à biomassa observada, visando verificar a existência de possíveis tendências. Nos modelos em que a variável dependente sofreu trans- formação logarítmica, o erro padrão foi corrigido na esca- la original, para possibilitar a comparação com os mode- los aritméticos. Dessa forma, multiplicou-se a biomassa seca pelo fator de correção de Meyer (Equação 2): FM = 101,1513(Syx)2 (2) Em que: FM = fator de correção de Meyer; S yx = erro padrão da estimativa. Todas as análises estatísticas foram realizadas pelo software estatístico R versão 3.5.1 (R CORE TEAM, 2018). Tabela 1 – Equações alométricas gerais utilizadas para estimar a biomassa da parte aérea e total em cafeeiros. Modelo Equação Fonte M1 Y = β 0 + β 1 D Segura, Kanninen e Suárez (2006) M2 Y = β 0 + β 1 D + β 2 D2 Andrade et al. (2018) M3 Log(Y) = β 0 + β 1 Log(D) Segura, Kanninen e Suárez (2006) M4 Y = β 0 + β 1 D2 Andrade et al. (2018) M5 Y = β 0 + β 1 (D2Ht) Andrade et al. (2018) M6 Log(Y) = β 0 + β 1 Log(D) + β 2 Log (Ht) Segura, Kanninen e Suárez (2006) M7 Y = β 0 + β 1 D2 + β 2 Ht + β 3 (DHt) Andrade et al. (2018) M8 Y = β 0 + β 1 D + β 2 D2 + β 3 D3 Van Noordwijk et al. (2002) M9 Y = β 0 *Dβ1 Van Noordwijk et al. (2002) β 0 , β 1 , β 2 , β 3 : coeficientes da equação; D: D b , diâmetro da base; D m , diâmetro a 50% da altura; D t , diâmetro do topo; d, diâmetro médio; Ht: altura total; Log: logaritmo de base 10; Y: biomassa seca. Meireles, I.E.S. et al. 138 RBCIAMB | n.53 | set 2019 | 134-147 - ISSN 2176-9478 RESULTADOS Independentemente do manejo, o maior estoque de biomassa foi encontrado na parte aérea, correspon- dendo a 81,2% do total para o SAF orgânico e a 75,9% do total para o convencional. De maneira geral, a con- tribuição das raízes variou entre 18,8 e 24,1%. A biomassa seca total do cafeeiro foi superior para o SAF orgânico (6,16 kg planta-1) quando comparado ao SAF convencional (4,22 kg planta-1), sendo armaze- nada em maior proporção no caule (29,4%), seguido por galhos grossos (17,4%), galhos finos (17,4%), fo- lhas (15,9%), raiz pivotante (11,0%), raízes secundárias (7,8%) e miscelânea (1,1%). Para os cafeeiros no SAF convencional, o caule foi o compartimento com maior proporção de biomassa (36,7%), seguido por raiz pi- votante (17,5%), folhas (17,3%), galhos finos (11,9%), galhos grossos (7,6%), raízes secundárias (6,6%) e mis- celânea (2,4%) (Tabela 2). No SAF orgânico, a biomassa da parte aérea e a bio- massa total foram fracamente correlacionadas com D t , D t 2, Ht, Ht2, D t Ht, D t 2Ht e D t 3 (0,03 ≤ r ≤ 0,48) e mode- radamente correlacionadas com os demais parâmetros (0,71 ≤ r ≤ 0,85). No SAF convencional, a correlação entre biomassa (parte aérea e total) com D t , D t 2, D t Ht, D t 2Ht e D t 3 (0,20 ≤ r ≤ 0,60) foi considerada de menor intensidade, moderada com D m , Ht, D m 2, Ht2, D m Ht, D m 2Ht, D m 3 (0,74 ≤ r ≤ 0,88) e forte com os demais parâ- metros (0,90 ≤ r ≤ 0,93) (Tabela 3). Os modelos de melhores ajustes para estimar a bio- massa da parte aérea e total dos cafeeiros do SAF orgâ- nico, conforme classificação do VP, foram baseados em d, D m e Ht (Tabela 4). No SAF convencional, os melhores ajustes foram para o modelo não linear (M9) e para o modelo linear (M1), utilizando d e D b como variáveis independentes, respectivamente (Tabela 5). De manei- ra geral, todos os modelos selecionados (p < 0,01) e coeficientes (p < 0,05) foram significativos. Tabela 2 – Parâmetros da biomassa seca (kg planta-1) dos compartimentos e dendrométricos dos cafeeiros arábica amostrados no sistema agroflorestal (SAF) orgânico (n = 20) e no sistema agroflorestal convencional (n = 30). Parâmetros SAF orgânico SAF convencional Mín. Máx. Méd* dp CV (%) Mín. Máx. Méd* dp CV (%) D b (cm) 4,80 7,10 5,71 0,62 10,94 1,68 8,20 4,24 1,53 36,08 D m (cm) 2,60 4,65 3,39 0,59 17,35 1,13 3,56 2,54 0,55 21,85 D t (cm) 0,50 1,80 0,93 0,33 35,09 0,50 1,55 0,80 0,25 31,66 d (cm) 2,70 4,15 3,34 0,39 11,79 1,14 4,18 2,53 0,69 27,25 Ht (m) 2,03 3,20 2,64 0,27 10,24 2,50 3,40 2,97 0,49 16,66 Biomassa Folhas 0,54 1,63 0,98a 0,28 28,40 0,02 2,55 0,73b 0,48 65,11 Galhos finos 0,41 1,91 1,07a 0,46 43,11 0,02 1,10 0,50b 0,26 52,46 Galhos grossos 0,37 1,79 1,07a 0,36 34,17 0,00 1,19 0,32a 0,27 83,34 Caule 1,08 2,57 1,81a 0,49 26,93 0,13 5,41 1,55a 1,44 92,97 Miscelânea 0,02 0,43 0,07a 0,11 153,30 0,00 0,31 0,10a 0,09 97,01 Raiz pivotante 0,37 1,22 0,68a 0,22 32,19 0,04 1,80 0,74a 0,39 52,11 Raízes secundárias 0,25 0,82 0,48a 0,17 34,80 0,02 0,68 0,28b 0,15 53,54 Biomassa total 3,36 9,00 6,16a 0,28 28,40 0,25 10,20 4,22b 2,31 54,67 Mín.: mínimo; máx.: máximo; méd: média; dp: desvio padrão; CV: coeficiente de variação; D b : diâmetro da base; D m : diâmetro a 50% da altura; D t : diâmetro do topo; d: diâmetro médio; Ht: altura total; *valores seguidos de mesma letra na linha não diferem pelo teste t, a 5% de probabilidade. Estimativa da biomassa de cafeeiros em sistemas agroflorestais 139 RBCIAMB | n.53 | set 2019 | 134-147 - ISSN 2176-9478 DISCUSSÃO Por conta de o adensamento de cafeeiros no SAF convencional ter sido superior ao do SAF orgânico, o maior autossombreamento associado à presença das árvores restringiu a disponibilidade de luz, reduzindo a capacidade fotossintética e, por conseguinte, limitan- do o estoque de biomassa dos cafeeiros quando ava- liados individualmente. Sob sombreamento moderado (30 a 50%), a redu- ção da incidência luminosa e a atenuação da tem- peratura do ar e da velocidade dos ventos resultam em maior vigor dos cafezais (COLTRI et al., 2015). Entretanto, sob intensa restrição de luz, a capacidade fotossintética dos cafeeiros é restrita, comprometen- do o desenvolvimento da cultura (RODRÍGUEZ-LOPEZ et al., 2014). No SAF orgânico, o padrão de distribuição dos estoques de biomassa nos diferentes compartimentos foi similar ao observado na literatura, classificados em ordem de- crescente de proporção: caule ˃ galhos ˃ folhas ˃ raí- zes ˃ frutos (COLTRI et al., 2015; NEGASH; KANNINEN, 2015). Entretanto, no SAF convencional, a elevação da proporção relativa da biomassa da raiz pivotante e das Tabela 3 – Coeficientes de correlação de Pearson entre a biomassa e as variáveis dendrométricas de cafeeiros arábica em sistemas agroflorestais (SAF) orgânico (n = 20) e convencional (n = 30). Variáveis SAF orgânico SAF convencional Biomassa parte aérea Biomassa total Biomassa parte aérea Biomassa total D b 0,76** 0,75** 0,92** 0,92** D m 0,80** 0,78** 0,74** 0,75** D t 0,03ns 0,03ns 0,25ns 0,28ns d 0,81** 0,79** 0,91** 0,92** Ht 0,48* 0,45* 0,85** 0,87** D b 2 0,75** 0,74** 0,91** 0,91** D m 2 0,77** 0,75** 0,76** 0,76** D t 2 0,05ns 0,05ns 0,26ns 0,28ns d2 0,79** 0,77** 0,92** 0,92** Ht2 0,48* 0,45* 0,87** 0,88** D b Ht 0,77** 0,75** 0,93** 0,93** D m Ht 0,84** 0,80** 0,86** 0,87** D t Ht 0,19ns 0,17ns 0,57** 0,60** dHt 0,83** 0,80** 0,93** 0,93** D b 2Ht 0,79** 0,77** 0,90** 0,90** D m 2Ht 0,83** 0,80** 0,84** 0,84** Dt2Ht 0,13ns 0,13ns 0,39* 0,41* d2Ht 0,85** 0,83** 0,92** 0,92** D b 3 0,73** 0,72** 0,88** 0,88** D m 3 0,74** 0,71** 0,75** 0,75** D t 3 0,05ns 0,07ns 0,20ns 0,22ns d3 0,77** 0,76** 0,91** 0,90** D b : diâmetro da base; D m : diâmetro a 50% da altura; D t : diâmetro do topo; d: diâmetro médio; Ht: altura total; ns: não significativo; *p ≤ 0,05; **p ≤ 0,01. Meireles, I.E.S. et al. 140 RBCIAMB | n.53 | set 2019 | 134-147 - ISSN 2176-9478 Tabela 4 – Modelos ajustados para estimar a biomassa da parte aérea e total de cafeeiros arábica em sistema agroflorestal orgânico. Equação FM F R2a j Syx% Syx AIC BIC VP R Biomassa parte aérea M6 Log(Y) = -0,758+1,959*Log(d)+0,992*Log(Ht) 1,012 28,90 0,75 15,69 0,785 -46,2 -42,2 20 1 M2 Y = -19,495+12,336*D m -1,465*D m 2 - 27,10 0,73 14,89 0,745 49,7 53,7 31 2 M5 Y = 1,804+0,102*(D m 2Ht) - 39,80 0,67 16,52 0,827 53,0 56,0 43 3 M3 Log(Y) = -0,448+2,163*Log(d) 1,017 35,80 0,65 18,68 0,935 -40,5 -37,5 52 4 M1 Y = -4,886+2,957*d - 33,90 0,63 17,43 0,873 55,2 58,2 63 5 Biomassa Total M6 Log(Y) = -0,512+1,801*Log(d)+0,825*Log (Ht) 1,012 23,09 0,70 16,25 1,003 -45,9 -41,9 18 1 M2 Y = -21,762+14,104*D m -1,682 * D m ² - 21,66 0,69 15,18 0,937 58,9 62,9 23 2 M5 Y = 2,606+0,113*(D m ²Ht) - 31,71 0,62 16,72 1,032 61,9 64,9 47 3 D b : diâmetro da base; D m : diâmetro a 50% da altura, d: diâmetro médio; Ht: altura total; Log: logaritmo de base 10; Y: biomassa seca; FM: fator de correção de Meyer; F: valor do teste F da análise de variância da regressão; R2 aj : coeficiente de determinação ajustado; S yx %: erro padrão da estimativa percentual; S yx : erro padrão da estimativa absoluto; AIC: critério de informação de Akaike; BIC: critério de informação bayesiano; VP: valor ponderado; R: ranking. folhas e a redução da biomassa dos galhos resultaram em alteração desse padrão para caule ˃ raiz pivotante ˃ folhas ˃ galhos finos ˃ galhos grossos ˃ raízes secun- dárias ˃ miscelânea (Tabela 2). A miscelânea (flores e frutos) pouco contribuiu para a biomassa total dos cafeeiros (Tabela 2). Esse resultado pode ser atribuído à época em que foram realizadas as avaliações. Em nenhum dos sistemas, a coleta não coincidiu com o período de produção do café, resul- tando, assim, em menor representatividade desse compartimento. O acúmulo de biomassa e sua distribuição entre com- ponentes de plantas lenhosas são afetados por muitos fatores, incluindo arquitetura e morfologia vegetal, idade, densidade de plantio, cultivares, fatores edafo- climáticos e práticas de manejo. O maior vigor de crescimento da copa dos cafeeiros foi associado ao menor adensamento destes no SAF orgâ- nico. O menor adensamento dos cafeeiros resulta em menor abscisão dos ramos plagiotrópicos inferiores, maior comprimento e diâmetro da copa e maior diâ- metro da base do caule, ou seja, maior vigor (PEREIRA et al., 2011). No presente estudo, o adensamento dos cafeeiros, aliado à restrição de luz no SAF convencional, limi- tou o crescimento dos componentes da copa. É im- portante ressaltar o efeito do adensamento em ele- var a competição das plantas vizinhas, resultando em potencialização da dominância apical e, dessa forma, restrição do desenvolvimento dos galhos (ra- mos laterais) (SAKAI et al., 2015). Para o SAF orgâ- nico, a maior disponibilidade de luz induziu a redu- ção da dominância apical, ocorrendo redistribuição homogênea da biomassa entre os compartimentos caule e galhos em relação ao SAF convencional (Ta- bela 2). Os estudos disponíveis na literatura relatam valo- res heterogêneos de estoque de biomassa nos ca- feeiros. Nos Andes peruanos, Ehrenbergerová et al. (2016) observaram estoques de 1,16 kg planta-1, em sistema de Coffea arabica e Pinus spp. (15 anos), 0,47 kg planta-1 em Coffea arabica com Inga den- siflora (15 anos), 1,02 kg planta-1 em Coffea arabi- ca com Eucalyptus spp. (7 anos), com densidade de plantio de 4.840 plantas ha-1, 6.830 plantas ha-1 e 2.950 plantas ha-1, respectivamente. No Brasil, Col- tri et al. (2015), estudando um sistema cafeeiro ar- borizado com macadâmia (Macadamia ssp.), aos 10 anos, encontraram estoques de 5,65 kg planta-1 (4.081 plantas ha-1). Foi constatado que o estoque de biomassa médio dos cafeeiros no SAF orgânico foi superior quando compa- rado aos resultados dos estudos anteriormente cita- dos. Entretanto, para o SAF convencional, o estoque de Estimativa da biomassa de cafeeiros em sistemas agroflorestais 141 RBCIAMB | n.53 | set 2019 | 134-147 - ISSN 2176-9478 Tabela 5 – Modelos alométricos ajustados para estimativa da biomassa da parte aérea e total de cafeeiros arábica cultivados em associação com grevíleas (Grevillea robusta A. Cunn.) sob manejo convencional. Equação FM F R2aj Syx% Syx AIC BIC VP R Biomassa parte aérea M9 Y = 0,507*d1,923 - 161,53 0,85 22,62 0,723 69,6 73,8 28 1 M1 Y = -1,533+1,114*D b - 161,30 0,85 22,64 0,723 69,6 73,8 33 2 M9 Y = 0,402*D b 1,413 - 157,27 0,84 22,88 0,731 70,3 74,5 44 3 M3 Log(Y) = -0,606+2,622*Log(d) 1,063 134,70 0,82 44,76 1,430 -24,1 -19,9 51 4 M5 Y = 0,906+0,105*(d2Ht) - 153,20 0,84 23,14 0,739 70,9 75,1 55 5 M3 Log(Y) = -0,8364+2,067*Log(D b ) 1,074 111,50 0,79 56,43 1,802 -19,4 -15,2 66 6 M1 Y = -3,009+2,456*d - 143,90 0,83 23,76 0,759 72,5 76,7 67 7 M3 Log(Y) = -0,720+2,868*Log(D m ) 1,092 85,44 0,74 45,23 1,445 -13,2 -9,0 71 8 M6 Log(Y) =- 1,151+1,999*Log(D m )+1,654*Log(Ht) 1,077 53,41 0,78 42,08 1,344 -17,3 -11,7 72 9 M4 Y = 1,013+0,108*D b ² - 136,30 0,82 24,30 0,776 73,9 78,1 75 10 M5 Y = 1,514+0,025*(D b ²Ht) - 123,00 0,81 25,35 0,810 76,4 80,6 83 11 Biomassa total M9 Y = 0,744*d1,820 - 165,61 0,85 21,16 0,893 82,3 86,5 29 1 M1 Y = -1,688+1,392*D b - 163,30 0,85 21,29 0,898 82,6 86,8 35 2 M9 Y = 0,595*D b 1,339 - 157,12 0,84 21,64 0,913 83,6 87,8 50 3 M3 Log(Y) = -0,441+2,530*Log(d) 1,057 137,00 0,82 44,18 1,864 -26,7 -22,5 51 4 M1 Y = -3,571+3,084d - 154,80 0,84 21,77 0,919 84,0 88,2 59 5 M5 Y = 1,362+0,131*(d2Ht) - 153,20 0,84 21,87 0,923 84,2 88,4 65 6 M3 Log(Y) = -0,658+1,984*Log(D b ) 1,070 107,80 0,79 55,54 2,343 -20,9 -16,7 68 7 M3 Log(Y) = -0,560+2,790*Log(D m ) 1,079 92,89 0,76 44,65 1,884 -17,4 -13,2 70 8 M4 Y = 1,505+0,134*D b ² - 130,90 0,82 23,36 0,985 88,2 92,4 78 9 M6 Log(Y) =- 0,888+1,567*Log(D b )+1,029*Log(Ht) 1,068 56,23 0,79 59,36 2,504 -20,8 -15,2 81 10 M5 Y = 2,128+0,031*(D b 2Ht) - 119,00 0,80 24,29 1,025 90,5 94,7 84 11 D b : diâmetro da base; D m : diâmetro a 50% da altura, d: diâmetro médio; Ht: altura total; Log: logaritmo de base 10; Y: biomassa seca; FM: fator de correção de Meyer; F: variância da regressão; R2aj: coeficiente de determinação ajustado; S yx %: erro padrão da estimativa percentual; S yx : erro padrão da estimativa absoluto; AIC: critério de informação de Akaike; BIC: critério de informação bayesiano; VP: valor ponderado; R: ranking. biomassa dos cafeeiros foi inferior quando comparado aos valores encontrados por Coltri et al. (2015). Os protocolos para mensurar e monitorar a biomassa acima do solo estão bem estabelecidos, no entanto as estratégias para avaliação da biomassa abaixo do solo são menos desenvolvidas e pouco utilizadas em razão, principalmente, da dificuldade de obtenção de dados. A amostragem de raízes é uma atividade onerosa e que demanda bastante tempo por causa da necessidade de escavação e retirada do sistema radicular (RATUCHNE et al., 2016). A representatividade da biomassa do sistema radicular do cafeeiro, em ambos os SAFs, ratifica a importância desse compartimento como reservatório de biomassa. Os resultados do presente estudo corroboram com os de Silva et al. (2013), que observaram a biomassa de raízes de cafeeiros arábica representando 22% da bio- massa total. Meireles, I.E.S. et al. 142 RBCIAMB | n.53 | set 2019 | 134-147 - ISSN 2176-9478 No SAF orgânico, os diâmetros (D b , D m e d) apresenta- ram maior correlação com a biomassa da parte aérea e total em comparação com Ht (Tabela 3). No SAF con- vencional, os diâmetros D b e d exibiram tendência se- melhante. Andrade et al. (2018) e Segura, Kanninen e Suárez (2006), em estudos anteriores, verificaram for- te correlação entre a biomassa dos compartimentos e o diâmetro do cafeeiro. De maneira geral, as com- binações entre os diâmetros e a altura total (D b Ht, D m Ht, dHt, D b 2Ht, D m 2Ht, d2Ht) elevaram a correlação dessas variáveis com a biomassa da parte aérea e to- tal (Tabela 3). Quando se analisaram a relação entre a biomassa observada e estimada e a dispersão dos resíduos, foi verificada homogeneidade entre os modelos se- lecionados para biomassa da parte aérea e total dos cafeeiros no SAF orgânico (Figura 1). Para esses com- partimentos, a seleção do melhor ajuste seguiu a classificação do VP, sendo definido o modelo M6 para ambos (Tabela 4). A superioridade do modelo com transformação loga- rítmica (Log10-Log10), para as variáveis dependentes e independentes, definido para biomassa da parte aérea e total dos cafeeiros no SAF orgânico, foi corroborada por estudos anteriores (SEGURA; KANNINEN; SUÁREZ, 2006). Esse tipo de transformação normalmente é utili- zado como um mecanismo de linearização de modelos não lineares. De modo geral, a simplicidade de um modelo com a definição de apenas uma variável independente é uma forma de minimizar erros. No entanto, na equação para estimar a biomassa desses compartimentos, o uso do diâmetro médio (média de Db, Dm e Dt) e a inclusão de Ht elevaram a precisão das estimativas da biomassa in- dividual dos cafeeiros quando comparados aos demais modelos ajustados. Pela análise do VP, o melhor ajuste para a relação en- tre a biomassa da parte aérea e total e as variáveis independentes dos cafeeiros no SAF convencional foi definido para os modelos M1 e M9 (Tabela 5). Entre- tanto, avaliando a relação entre biomassa estimada e observada dos modelos selecionados, foi verificado que, para o modelo M1, a dispersão da biomassa da parte aérea e total se manteve próxima à reta de inter- cepto igual 0 e com inclinação de 45º, demonstrando maior precisão desse modelo (Figura 2). CONCLUSÕES O sistema de manejo orgânico e o convencional são fatores de menor impacto em relação a fatores como a densidade de cafeeiros e o arranjo das gre- víleas. A densidade de cafeeiros e o arranjo das grevíleas são elementos que determinam modelos alométricos di- ferenciados para a estimativa de estoques de biomas- sa dos cafeeiros. O menor adensamento de cafeeiros é fator que aponta a superioridade dos estoques de biomas- sa individual. A manutenção da dominância apical dos cafeeiros no SAF convencional, induzida pelo autossombreamento, eleva a precisão dos modelos de estimativa da biomas- sa pelo fato de as variáveis independentes estarem li- gadas à morfologia do caule. No SAF orgânico, o desenvolvimento mais vigoroso da ramificação lateral, no tocante à maior disponibilidade de luz pelo plantio menos adensado, define limitações da reciprocidade entre o crescimento do caule e o acú- mulo de biomassa, resultando em redução da precisão dos modelos alométricos de estimativas de estoques de biomassa para os cafeeiros. AGRADECIMENTOS À Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (FAPESB) e à Embrapa Café, o apoio financeiro. Aos ca- feicultores, Sr. Nélson Cordeiro e Giano Brito, que per- mitiram o desenvolvimento deste estudo. Estimativa da biomassa de cafeeiros em sistemas agroflorestais 143 RBCIAMB | n.53 | set 2019 | 134-147 - ISSN 2176-9478 Bi om as sa e sti m ad a (k g) 8 7 6 5 4 3 2 2 3 4 5 6 7 8 Biomassa observada (kg) M2 – Parte aérea Bi om as sa e sti m ad a (k g) 100 50 0 -50 -100 100 50 0 -50 -100 100 50 0 -50 -100 2 3 4 5 6 7 8 Biomassa observada (kg) M2 – Parte aérea Bi om as sa e sti m ad a (k g) 8 7 6 5 4 3 2 2 3 4 5 6 7 8 Biomassa observada (kg) M6 – Parte aérea Re sí du os (% ) 2 3 4 5 6 7 8 Biomassa parte aérea (kg) M6 – Parte aérea Bi om as sa e sti m ad a (k g) 10 9 8 7 6 5 4 3 10 9 8 7 6 5 4 3 Biomassa observada (kg) M2 – Biomassa total M2 – Biomassa total M6 – Biomassa total M6 – Biomassa total Re sí du os (% ) 100 50 0 -50 -100 Re sí du os (% ) 3 4 5 6 7 8 9 10 3 4 5 6 7 8 9 10 3 4 5 6 7 8 9 10 3 4 5 6 7 8 9 10 Biomassa total Bi om as sa e sti m ad a (k g) Biomassa observada (kg) Biomassa total (kg) Figura 1 – Relação entre a biomassa estimada e observada e os resíduos dos modelos selecionados para biomassa da parte aérea e total de cafeeiros arábica cultivados em associação com grevíleas (Grevillea robusta A. Cunn.) sob manejo orgânico. Meireles, I.E.S. et al. 144 RBCIAMB | n.53 | set 2019 | 134-147 - ISSN 2176-9478 Figura 2 – Relação entre a biomassa estimada e observada e os resíduos dos modelos selecionados para biomassa da parte aérea e total de cafeeiros arábica cultivados em associação com grevíleas (Grevillea robusta A. Cunn.) sob manejo convencional. Bi om as sa e sti m ad a (k g) 8 6 4 2 0 0 2 4 6 8 Biomassa observada (kg) M1 – Parte aérea 400 200 0 -200 -400 400 200 0 -200 -400 0 2 4 6 8 0 2 4 6 8 0 2 4 6 12108 0 2 4 6 12108 0 2 4 6 12108 0 2 4 6 12108 Biomassa parte aérea (kg) M1 – Parte aérea Bi om as sa e sti m ad a (k g) 8 6 4 2 0 0 2 4 6 8 Biomassa observada (kg) M9 – Parte aérea Re sí du os (% ) 400 200 0 -200 -400 Re sí du os (% ) 400 200 0 -200 -400 Re sí du os (% ) Re sí du os (% ) Biomassa parte aérea (kg) M9 – Parte aérea Bi om as sa e sti m ad a (k g) 10 9 8 7 6 5 4 3 10 9 8 7 6 5 4 3 Biomassa observada (kg) M1 – Biomassa total M1 – Biomassa total M9 – Biomassa total M9 – Biomassa total Biomassa total Bi om as sa e sti m ad a (k g) Biomassa observada (kg) Biomassa total (kg) Estimativa da biomassa de cafeeiros em sistemas agroflorestais 145 RBCIAMB | n.53 | set 2019 | 134-147 - ISSN 2176-9478 REFERÊNCIAS ALVARES, C.A.; STAPE, J.L.; SENTELHAS, P.C.; GONÇALVES, J.L.M.; SPAROVEK, G. 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