97 RBCIAMB | n.53 | set 2019 | 97-116 - ISSN 2176-9478 Jefferson Matheus Barros Ozório Doutorando do Programa de Pós‑Graduação em Recursos Naturais (PGRN) da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), Dourados (MS), Brasil. Jean Sérgio Rosset Professor Dr. Adjunto IV ‑ UEMS, Unidade de Mundo Novo. Jolimar Antonio Schiavo Professor Dr. Associado ‑ UEMS, Unidade de Aquidauana. Elói Panachuki Professor Dr. Associado ‑ UEMS, Unidade de Aquidauana. Camila Beatriz da Silva Souza Graduanda do Curso de Tecnologia em Gestão Ambiental ‑ UEMS, Unidade de Mundo Novo. Roniedison da Silva Menezes Mestre em Agronomia Produção Vegetal ‑ UEMS, Unidade de Aquidauana. Thiago Sandin Ximenes Mestre em Agronomia Produção Vegetal ‑ UEMS, Unidade de Aquidauana. Selene Cristina de Pierri Castilho Professora Dra Adjunta IV ‑ UEMS, Unidade de Mundo Novo. Leandro Marciano Marra Professor Dr Adjunto IV ‑ UEMS, Unidade de Mundo Novo. Endereço para correspondência: Jefferson Matheus Barros Ozório – Cidade Universitária de Dourados. Caixa postal 351– CEP: 79804-97. Dourados ‑ MS, Brasil. E-mail: ozorio.jmb@outlook.com Recebido em: 06/09/2019 Aceito em: 17/11/2019 RESUMO Estudaram‑se o estoque de carbono (EstC) e a agregação do solo no interior e no entorno de fragmentos florestais dos biomas Mata Atlântica (MA) e Cerrado (CE). Foram coletadas amostras de solo em quatro fragmentos florestais, dois na MA e dois no CE, nos quais foram amostrados três pontos internos: borda (BO), metade do raio (MR) e centro (CF), além de um ponto no entorno; sistema plantio direto (SPD) e pastagem permanente (PP) na MA e no CE, respectivamente. Determinaram-se o carbono orgânico total (COT), a densidade do solo (Ds), com cálculos de EstC, e a estabilidade de agregados. Na MA, a Ds chegou a 1,19 Mg m‑3. Maiores teores de COT e EstC foram verificados no CF, havendo redução do EstC no CF em pontos mais periféricos. Verificou-se menor estabilidade estrutural do solo nas áreas de SPD do entorno. As áreas de PP no entorno dos fragmentos do CE apresentaram maior Ds. Os teores de COT e valores de EstC foram heterogêneos entre os pontos internos dos fragmentos de CE. Nos fragmentos de CE, as variáveis estruturais não diferiram das áreas de PP do entorno. O COT e o EstC indicam o ponto CF com maior estado de conservação nos fragmentos de MA. No CE, as áreas de PP apresentaram o mesmo potencial de acúmulo de carbono em camadas subsuperficiais em relação aos fragmentos. A fragmentação florestal, nos dois biomas estudados, modificou os atributos físicos do solo, além de ter influenciado nos padrões de estocagem de carbono no interior dos fragmentos. Palavras-chave: avaliação ambiental; efeito de borda; qualidade do solo. ABSTRACT Carbon stock (EstC) and soil aggregation were studied in and around forest fragments of the Atlantic Forest (AF) and Cerrado (CE) biomes. Soil samples were collected from four forest fragments; two in AF and two in CE. In the fragments, three internal points were sampled: edge (EF), half radius (HR) and center (FC), besides a point around; no-tillage system (NTS) and permanent pasture (PP) in AF and CE, respectively. Total organic carbon (TOC) and soil density (Sd) were determined with EstC calculations and aggregate stability. In AF, Sd reached 1.19 Mg m‑3. Higher TOC and EstC contents were verified in the FC, reducing the FC EstC for more peripheral points. Less soil structural stability was found in the surrounding NTS areas. The areas of PP around the CE fragments presented higher Sd. The TOC contents and EstC values were heterogeneous between the internal points of the CE fragments. In the CE fragments, the structural variables did not differ from the surrounding PP areas. The TOC and EstC indicate the most conserved FC point in the AF fragments. In CE, the PP areas presented the same potential of carbon accumulation in subsurface layers in relation to the fragments. Forest fragmentation, in both studied biomes, modified the physical attributes of the soil, besides influencing the carbon storage patterns inside the fragments. Keywords: environmental assessment; edge effect; soil quality. DOI: 10.5327/Z2176-947820190518 ESTOQUE DE CARBONO E AGREGAÇÃO DO SOLO SOB FRAGMENTOS FLORESTAIS NOS BIOMAS MATA ATLÂNTICA E CERRADO CARBON STOCK AND SOIL AGGREGATION UNDER FOREST FRAGMENTS IN THE ATLANTIC FOREST AND CERRADO BIOMES http://orcid.org/0000-0002-7836-7668 http://orcid.org/0000-0003-2214-2694 http://orcid.org/0000-0003-0061-4726 http://orcid.org/0000-0002-5816-7466 http://orcid.org/0000-0002-7186-1014 http://orcid.org/0000-0003-3778-1878 http://orcid.org/0000-0003-3775-3666 http://orcid.org/0000-0001-8298-1671 http://orcid.org/0000-0001-8816-1789 mailto:ozorio.jmb@outlook.com Ozório, J.M.B. et al. 98 RBCIAMB | n.53 | set 2019 | 97-116 - ISSN 2176-9478 INTRODUÇÃO No continente americano, a Mata Atlântica é a segun‑ da maior floresta pluvial tropical. Abriga milhares de espécies da fauna e flora, sendo um dos 25 hotspots mundiais de biodiversidade (MYERS et al., 2000). Sua diversidade está relacionada à sua extensão em latitude e variações em altitude, que propiciam ao bioma maior variabilidade de clima, de topografia e de tipo de solo (ALMEIDA, 2016). A colonização e po‑ larização humana nesse bioma são as principais cau‑ sa de degradação, visto que suas áreas foram redu‑ zidas a 12% do total, em sua maioria em fragmentos florestais de até 50 hectares (RIBEIRO et al., 2009; RUSCA et al., 2017). O Cerrado é o segundo maior bioma brasileiro e ocu‑ pa extensão territorial de mais de 204,7 milhões de hectares (SANO et al., 2010), sendo um hotspots de conservação, sobretudo pela vulnerabilidade de suas áreas (MYERS et al., 2000). Apresenta grande diver‑ sidade na fitofisionomia, formando um mosaico em sua paisagem (MALHEIROS et al., 2016). Com solos profundos e topografia que favorece a agricultura mecanizada, grande parte de suas extensões territo‑ riais é utilizada no cultivo agropecuário (GUARESCHI et al., 2016). De maneira geral, muitas áreas de pas‑ tagens do Cerrado contêm indícios de degradação, com baixa cobertura do solo e início de erosão (SANO et al., 2010). Diversas dessas atividades são fontes de distúrbio ao ambiente, provocando alterações na paisagem em geral (NOVAIS et al., 2016; OLIVEIRA; FERREIRA, 2015), convertendo grandes extensões territoriais de matas nativas em fragmentos de diversos tama‑ nhos e formas que, na maioria das vezes, não têm conectividade entre si (VIANA; PINHEIRO, 1998). Essa fragmentação florestal faz com que aconteça de forma mais pronunciada o efeito de borda, que mo‑ difica as características da borda desses fragmentos, com aumento de temperatura (CAMARGO; KAPOS, 1995), maior incidência de ventos (LAURANCE et al., 1998), alterando os ciclos das espécies arbóreas, po‑ dendo provocar modificações nos atributos edáficos em relação às áreas mais internas, a exemplo do es‑ toque de carbono (EstC) do solo (BARROS; FEARNSI‑ DE, 2016). Essa conversão de áreas naturais em áreas com cul‑ tivos agropecuários modifica o ambiente edáfico, em que a maior área da paisagem passa a ser ocupada por sistemas de produção, que muitas vezes acabam por provocar modificações na qualidade física (LOSS et al., 2015; ROSSET et al., 2014a; 2014b; SALTON et al., 2008; SALES et al., 2018), química (ASSUNÇÃO et al., 2019; ROSSET et al., 2014a; 2014b) e biológica (OLIVEIRA FILHO et al., 2018) do solo. Entre os indicadores de qualidade edáfica, a maté‑ ria orgânica do solo (MOS) é capaz de detectar alte‑ rações no ambiente decorrentes do uso e ocupação (ROMANIW et al., 2015), pois o estoque, as formas de carbono (C) orgânico e os atributos químicos, físicos e biológicos do solo estão estreitamente re‑ lacionados (BALDOTTO et al., 2010). Em solos com cobertura vegetal natural, o C orgânico encontra-se em equilíbrio dinâmico, com teores praticamente constantes com o tempo (ASSUNÇÃO et al., 2019). Com a conversão dessas áreas nativas em sistemas de cultivo, ocorre um desequilíbrio na dinâmica de deposição de MOS, aumentando a emissão de C em forma de gases para a atmosfera, a exemplo do dió‑ xido de carbono (CO 2 ) (STÜRMER et al., 2011). Como consequência da perda de MOS, em muitos casos se tem prejuízos à estabilidade estrutural do solo, prin‑ cipalmente no que tange à diminuição do tamanho e à estabilidade dos agregados do solo (RABBI et al., 2015; RIBON et al., 2014). A compreensão da dinâmica e da quantidade de C em sistemas manejados e naturais permite subsidiar o es‑ tabelecimento de estratégias de manejo que garantam incremento do conteúdo de MOS, diminuindo a emis‑ são de CO 2 , promovendo a ciclagem de nutrientes e a manutenção da qualidade edáfica (MARQUES et al., 2015; MAGALHÃES et al., 2016). Com a justificativa de conhecer melhor a dinâmica da MOS e os atributos físicos do solo em áreas florestais fragmentadas com possível indicativo de efeito de bor‑ da, o presente trabalho teve como objetivo determinar os estoques de carbono e a agregação do solo no inte‑ rior e no entorno de fragmentos florestais nos biomas Mata Atlântica e Cerrado. Estoque de carbono e agregação em fragmentos florestais 99 RBCIAMB | n.53 | set 2019 | 97-116 - ISSN 2176-9478 METODOLOGIA Localização, clima, solo e histórico das áreas de estudo Para o bioma Mata Atlântica, foram coletadas amos‑ tras de solo em dois fragmentos florestais localizados no município de Terra Roxa, região oeste do estado do Paraná, Brasil (Figura 1, Tabela 1), com fitofisiono‑ mia classificada como floresta estacional semidecidual (CAMPOS; SILVEIRA FILHO, 2010), sendo os dois frag‑ mentos de formato retangular. O clima da região é tem‑ perado sem estação seca e verão quente (Cfa), segundo classificação de Köppen (CAVIGLIONE et al., 2000). Para o bioma Cerrado, foram coletadas amostras de solos em dois fragmentos florestais, localizados nos municípios de Aquidauana e Anastácio, na região do ecótono Cer‑ rado‑Pantanal, estado de Mato Grosso do Sul (Figura 1, Tabela 1). O clima da região é classificado como Aw (tropical de savana) (PEEL et al., 2007), com vegetação de características de Cerrado stricto sensu, podendo ter variações para cerradão (SILVA JÚNIOR, 2005). No bioma Mata Atlântica, as áreas do estudo encon‑ tram-se sob latossolo vermelho eutroférrico típico, tex‑ tura muito argilosa (58,0, 249,8, 692,2 g kg‑1 de areia, silte e argila, respectivamente, no fragmento 1, e 57,6, 242,4, 701,0 g kg‑1 de areia, silte e argila, respectiva‑ mente, no fragmento 2) (SANTOS et al., 2013), sendo a caracterização química dos pontos estudados apresen‑ tada na Tabela 2. No entorno dos dois fragmentos, há áreas de cultivo agrícola que somam 76,1 ha. A região dos remanes‑ Brasil Mato Grosso do Sul Paraná Aquidauana - MS Anastácio - MS Terra Roxa - PR 0 50 100 km SIRGAS 2000 ESPG: 4674 58°W 19°S 20°S 21°S 22°S 23°S 24°S 25°S 57°W 56°W 55°W 54°W 53°W 52°W Figura 1 – Mapa de localização dos municípios de Terra Roxa, PR, Aquidauana e Anastácio, MS – Brasil. Ozório, J.M.B. et al. 100 RBCIAMB | n.53 | set 2019 | 97-116 - ISSN 2176-9478 centes fragmentos florestais foi desmatada em 1970, para o cultivo de hortelã durante 10 anos. Em 1980, deu-se início ao cultivo de soja/milho em sistema de preparo convencional (SPC) até 2002, quando as áreas foram convertidas para sistema plantio direto (SPD) no mesmo sistema de sucessão de culturas do SPC, o que permanece até o presente momento. Nesses dois frag‑ mentos florestais, até o ano de 2000, ocorreu o ma‑ nejo florestal com retirada de árvores de maior porte das porções mais periféricas dos fragmentos. Ou seja, existiam até o ano de 2000 ações antrópicas no interior desses fragmentos, modificando a vegetação. Para o bioma Cerrado, o solo onde estavam os fragmen‑ tos é classificado como argissolo vermelho-amarelo de textura média (762,9, 56,7, 180,4 g kg‑1 de areia, sil‑ te e argila, respectivamente, no fragmento 1, e 711,2, 112,6 e 176,2 g kg‑1 de areia, silte e argila, respectiva‑ mente, no fragmento 2) (SANTOS et al., 2013), sendo os dois fragmentos de formato retangular. A caracte‑ rização química dos pontos estudados é apresentada na Tabela 3. A área no entorno do fragmento 1 encontra‑se com pastagem permanente (PP) (Urochloa decumbens), com 420,7 ha, instalada no ano de 1980, sendo re‑ formada com revolvimento de solo, calagem e adu‑ bação fosfatada em 2008. No entorno do fragmento 2 também se encontram cultivos de PP (U. decumbens), com 1.250 ha, instalada no ano de 1992 e reformada com revolvimento de solo, calagem e adubação fos‑ fatada no ano de 2007. Ambas as áreas de PP trazem Tabela 1 – Descrições das áreas dos fragmentos florestais avaliados. Fragmentos Descrição Fragmento 1: MA 60,4 ha; 337 m de altitude, 24º14’05,56” Sul (S) e 54º09’30,63” Oeste (O) Fragmento 2: MA 69,1 ha; 338 m de altitude, 24º14’04,37” Sul (S) e 54º08’51,89” Oeste (O) Fragmento 1: CE 55,7 ha; 209 m de altitude, 20º25’58,46” Sul (S) e 55º41’35,29” Oeste (O) Fragmento 2: CE 77,3 ha; 227 m de altitude, 20º31’12,48” Sul (S) e 55º41’09,25” Oeste (O) MA: Mata Atlântica; CE: Cerrado. Tabela 2 – Caracterização química dos pontos estudados nos fragmentos 1 e 2 e nas áreas de sistema plantio direto (SPD) no entorno, no bioma Mata Atlântica para a camada de 0–0,2 m. Determinações Pontos BO, MR e CF do fragmento 1 Pontos BO, MR e CF do fragmento 2 SPD no entorno do fragmento 1 SPD no entorno do fragmento 2 pH (CaCI2 0,01M) 4,79 4,68 5,13 5,11 P (mg/dm3) 8,08 4,14 10,84 30,15 K (cmolc/ dm 3) 0,52 0,59 0,39 0,47 Ca (cmolc/ dm 3) 1,40 1,20 2,90 3,00 Mg (cmolc/ dm 3) 1,10 0,80 1,40 2,00 Al (cmolc/ dm 3) 0,11 0,10 0,03 0,03 H+Al (cmolc/ dm 3) 5,00 2,20 3,20 3,50 SB (cmolc/ dm 3) 3,02 2,59 4,69 5,47 C.T.C (pH 7,0) 8,02 4,79 7,89 8,97 V% 37,7 54,1 59,4 61,0 Laboratório: Nutrisolo, Ivinhema, MS. Caracterização química: cloreto de cálcio (pH); Mehlich (P e K); KCl 1N (Ca, Mg e Al); acetato de cálcio pH 7,0 (H + Al); SB: soma por bases; C.T.C: capacidade de troca catiônica; V%: saturação de bases; BO: borda do fragmento; MR: metade do raio; CF: centro do fragmento. Estoque de carbono e agregação em fragmentos florestais 101 RBCIAMB | n.53 | set 2019 | 97-116 - ISSN 2176-9478 sinais visíveis de degradação: baixo potencial de co‑ brimento do solo pela espécie forrageira, presença de plantas invasoras e lotação de animais com 1 unidade animal (UA) ha‑1. Coletas de amostras de solo Nos quatro fragmentos, as coletas de solo foram rea‑ lizadas em quatro pontos, sendo três pontos no in‑ terior e um no entorno dos fragmentos. Os pontos internos correspondem à borda do fragmento (BO), ponto central entre a borda e o centro do fragmento, denominado de metade do raio (MR) e centro do frag‑ mento (CF), e as áreas no entorno com SPD ou PP no entorno dos fragmentos de Mata Atlântica e Cerrado, respectivamente. A disposição dos pontos está descri‑ ta na Tabela 4. Para cada ponto de coleta, foram realizadas quatro repe‑ tições em um raio de 20 m2. Coletaram‑se amostras de solo deformadas e indeformadas, além de amostras de serapilheira utilizando quadro de coleta de 0,5 × 0,5 m, no interior e nas áreas cultivadas com SPD e PP no en‑ Tabela 3 – Caracterização química dos pontos estudados nos fragmentos 1 e 2 e nas áreas no entorno, no bioma Cerrado para a camada de 0-0,2 m. Determinações Pontos BO, MR e CF do fragmento 1 Pontos BO, MR e CF do fragmento 2 PP no entorno do fragmento 1 PP no entorno do fragmento 2 pH (CaCI2 0,01M) 4,06 4,53 4,11 4,62 P (mg/dm3) 2,86 2,76 1,68 1,68 K (cmolc/ dm 3) 0,11 0,15 0,03 0,06 Ca (cmolc/ dm 3) 0,30 1,30 0,40 0,80 Mg (cmolc/ dm 3) 0,20 0,70 0,20 0,60 Al (cmolc/ dm 3) 0,85 0,25 0,56 0,15 H+Al (cmolc/ dm 3) 3,10 2,80 3,50 1,30 SB (cmolc/ dm 3) 0,61 2,15 0,63 1,46 C.T.C (pH 7,0) 3,71 4,95 4,13 2,76 V% 16,4 43,4 15,3 52,9 Laboratório: NUTRISOLO, Ivinhema, MS. Caracterização química: cloreto de cálcio (pH); Mehlich (P e K); KCl 1N (Ca, Mg e Al); acetato de cálcio pH 7,0 (H + Al); SB: soma por bases; C.T.C: capacidade de troca catiônica; V%: saturação de bases; BO: borda do fragmento; MR: metade do raio; CF: centro do fragmento. Tabela 4 – Descrição dos pontos de coleta nos fragmentos e sua distância a partir da borda dos fragmentos. Fragmentos: distância (m) em relação à borda Mata Atlântica Cerrado Fragmentos Fragmentos Ponto de coleta Descrição do ponto 1 2 1 2 P. 1 Centro do fragmento 310 310 240 320 P. 2 Metade do raio 155 155 120 160 P. 3 Borda do fragmento 0 0 0 0 P. 4 Entorno do fragmento (SPD/PP) 310 310 240 320 SPD: sistema plantio direto; PP: pastagem permanente. Ozório, J.M.B. et al. 102 RBCIAMB | n.53 | set 2019 | 97-116 - ISSN 2176-9478 torno dos fragmentos. Na área de SPD foi coletada pa‑ lhada de milho depositada sobre o solo após a colheita recente, e na de PP material vegetal morto. As amostras indeformadas para avaliação da densidade do solo (Ds) foram coletadas com auxílio de anel volumétrico com volume de 48,86 cm3. As amostras compostas deforma‑ das foram coletadas mediante três amostras simples nas camadas de 0–0,05, 0,05–0,1 e 0,1–0,2 m. Para as análises da estabilidade estrutural do solo (agregados), foram coletadas amostras de monólitos de dimensões 0,2 × 0,2 × 0,1 m, indeformadas com preservação da es‑ trutura do solo na camada de 0–0,1 m. Análises realizadas As amostras foram secas ao ar, destorroadas e passa‑ das em peneira de 2 mm para obtenção da terra fina seca ao ar (TFSA). Amostras de serapilheira foram secas em estufa a 65ºC até obter massa constante, posterior‑ mente sendo determinada a massa seca. As análises granulométricas foram realizadas pelo método da pi‑ peta para caracterização das áreas e Ds ocorreram se‑ gundo Claessen (1997). O carbono orgânico total (COT) foi determinado pela oxidação da matéria orgânica pelo dicromato de po‑ tássio, em meio sulfúrico sob aquecimento, e titulado com sulfato ferroso amoniacal (YEOMANS; BREMNER, 1988). O índice de estratificação (IE) do carbono foi es‑ tabelecido por meio da relação entre os teores de COT das camadas de 0–0,05 e 0,10–0,20 m (FRANZLUEB‑ BERS, 2002). O EstC foi calculado pelo método da mas‑ sa equivalente (REIS et al., 2018; SIGNOR et al., 2014). Para verificação da tendência de acúmulo ou perda de carbono nas áreas avaliadas e respectivas camadas, foi calculada a variação do estoque de carbono (ΔEstC) de cada ponto em relação ao ponto do CF (condição de referencial de menores alterações antrópicas). Para as análises de estabilidade de agregados, ini‑ cialmente com as amostras secas ao ar, houve a de‑ sagregação pelas linhas de fraqueza da totalidade da amostra, com posterior peneiramento em jogo de pe‑ neiras de 8,00 e 4,00 mm. Da fração retida na peneira de 4,00 mm, foram separados 50 g de agregados, que foram umedecidos sobre papel-filtro por 5 minutos. Posteriormente, as amostras foram submetidas ao pe‑ neiramento em água pelo método descrito por Kemper e Chepil (1965), em agitador mecânico tipo Yoder (YO‑ DER, 1936) em jogo de peneiras com malhas de 2,00; 1,00; 0,50; 0,25 e 0,125 mm. Após o peneiramento em água, com base na massa de cada classe de peneira, calcularam-se o diâmetro médio ponderado (DMP) (KIEHL, 1979), o diâmetro médio geométrico (DMG) (KEMPER; ROSENAU, 1986) e a porcentagem de agre‑ gados retidos na peneira com malha de 2,00 mm. Após os cálculos do DMP, foi determinado o índice de sen‑ sibilidade (IS) (BOLINDER et al., 1999), relacionando o DMP de todos os pontos de coleta aos valores de DMP do ponto CF. Os resultados foram analisados quanto à normalida‑ de e homogeneidade de variância pelo teste de Sha‑ piro-Wilk e Bartlett, nessa ordem. Posteriormente, em delineamento inteiramente casualizado, os resultados foram submetidos à análise de variância com aplicação do teste F, de forma isolada, avaliando cada bioma e fragmento de maneira individual, e os valores médios comparados pelo teste de Tukey a 5% com auxílio do programa R Core Team (2019). Todos os testes foram realizados utilizando o pacote ExpDes.pt (FERREIRA et al., 2018). RESULTADOS E DISCUSSÃO Nas áreas dos fragmentos florestais do bioma Mata Atlântica, foi verificada maior deposição de serapi‑ lheira no ponto BO para os dois fragmentos avaliados, com valores de 646,65 e 456,87 g 0,25m-2, respectiva‑ mente, para os fragmentos 1 e 2 (Figura 2). Os pontos MR e CF do fragmento 1 apresentaram acúmulo de serapilheira semelhantemente ao observado na área de SPD no entorno. Já para o fragmento 2, o ponto do CF foi superior à MR e à área de SPD no entorno. Esse maior aporte de serapilheira na área de BO pode estar relacionado à maior presença de espécies pioneiras que se instalam a princípio nas extremidades dos frag‑ mentos, dando início ao processo de sucessão ecoló‑ gica, quando essas espécies formam um adensamento vegetal maior nessas regiões dos fragmentos florestais (NASCIMENTO; LAURANCE, 2006). Esses mesmos au‑ tores também encontraram maior quantidade de sera‑ pilheira nas áreas de borda, comparadas a pontos com http://ExpDes.pt Estoque de carbono e agregação em fragmentos florestais 103 RBCIAMB | n.53 | set 2019 | 97-116 - ISSN 2176-9478 mais de 300 m de distância, adentrando fragmentos florestais em estudo na Amazônia. A semelhança apresentada no acúmulo de serapilhei‑ ra de alguns pontos internos dos fragmentos do bioma Mata Atlântica com a quantidade de palhada da cultura do milho nas áreas de SPD no entorno demonstra que, apesar de as áreas de SPD serem manejadas, a quanti‑ dade de resíduo que fica depositado sobre o solo após a colheita dessa cultura é considerável, o que, a lon‑ go prazo, pode contribuir para aumento nos teores de COT do solo (SALTON et al., 2008). Esse fator levaria a uma consequente manutenção do EstC e à melhora da fertilidade (PEREIRA et al., 2010), além do aumento de infiltração da água no solo (MARCHINI et al., 2015), formação de agregados estáveis (OBOUR et al., 2018), entre outros benefícios. Nos fragmentos do bioma Cerrado, a deposição de se‑ rapilheira apresentou dinâmicas diferenciadas entre o fragmento 1 e o 2 (Figura 2). No fragmento 1, o ponto com maior deposição de serapilheira foi o MR, 573,5 g 0,25m-2, e no fragmento 2 foi o CF, 498.95 g 0,25m-2. As áreas de PP no entorno dos fragmentos apresentarem os menores valores de deposição de material vegetal, 97,85 e 53,31 g 0,25m-2, respectivamente, no entorno dos fragmentos 1 e 2 (Figura 2). Assim, esses valores re‑ presentam 17 e 11% da deposição de material vegetal no que tange aos pontos de maior deposição de sera‑ pilheira dos fragmentos de Cerrado. A baixa deposição de serapilheira apresentada nas áreas de PP no bioma Cerrado ocorre pelo estágio de degradação da pastagem somado à lotação animal de 1,0 UA ha‑1, acima do recomendado para região, que é de 0,8 UA ha‑1 (ALMEIDA et al., 2002), afetando sobre‑ tudo a produção de biomassa, o que atinge diretamen‑ te a qualidade do solo (FREITAS et al., 2016). Carvalho et al. (2018) e Silva et al. (2014), estudando diferentes usos do solo, encontraram menores teores de COT em pastagem em relação às áreas de Cerrado nativo, indi‑ cando a influência do pastejo animal para a diminuição do aporte vegetal sobre o solo e, consequentemente, diminuindo a entrada de MOS. Além disso, nos frag‑ mentos estudados dos dois biomas é possível ver varia‑ ções de deposição entre os pontos do fragmento, que a a a a b b b b b b b b c c c c Fragmento 1 MA Fragmento 2 MA Fragmento 1 CE Fragmento 2 CE 800 600 400 200 0 g 0, 25 m ‑2 BO MR CF SPD/PP BO: borda do fragmento; MR: metade do raio; CF: centro do fragmento; SPD: sistema plantio direto; PP: pastagem permanente. Médias de mesma letra em cada fragmento não diferem estatisticamente pelo teste Tukey (5%). Traços nas barras representam o desvio padrão da média. Figura 2 – Quantidade de serapilheira aportada no solo nos pontos de coleta no interior e no entorno dos fragmentos, dos biomas Mata Atlântica (MA) e Cerrado (CE). Ozório, J.M.B. et al. 104 RBCIAMB | n.53 | set 2019 | 97-116 - ISSN 2176-9478 podem ocorrer por causa das modificações naturais in‑ ternas nos fragmentos florestais, como, por exemplo, a abertura de clareiras naturais, pois quando as árvores caem contribuem para o aumento de serapilheira nes‑ ses locais (NASCIMENTO; LAURANCE, 2004). As áreas de SPD no entorno dos fragmentos de Mata Atlântica apresentaram maiores valores de Ds, varian‑ do de 1,03 a 1,19 Mg m‑3, sendo diferentes dos pontos mais internos dos fragmentos (MR e CF) em todas as camadas avaliadas (Tabela 5). Os maiores valores de Ds em SPD, mesmo com o menor tráfego de máqui‑ nas agrícolas, podem ter ocorrido principalmente pela textura mais argilosa, aliada à não adoção de um siste‑ ma mais diversificado de culturas (ROSA FILHO et al., 2009), porém Reis et al. (2016) verificaram que os va‑ lores de Ds diminuem após os sete anos de adoção do sistema. Rosset et al. (2014a), no trabalho que avaliou cronossequência de SPD com seis, 14 e 22 anos de im‑ plantação na mesma região deste estudo evidenciaram redução de Ds com o aumento do tempo de implanta‑ ção, em todas as camadas avaliadas. Com exceção do ponto BO do fragmento 1 na camada de 0–0,05 m e da BO do fragmento 2 na camada de 0,10–0,20 m, os pontos no interior dos dois fragmen‑ tos apresentaram os menores valores de Ds em todas as camadas avaliadas (Tabela 5). A similaridade entre o ponto BO e as áreas de SPD pode estar atrelada ao fato de ter existido a entrada de tratores e caminhões nos Tabela 5 – Densidade do solo (Ds), carbono orgânico total (COT) e estoque de carbono (EstC) nos pontos de coleta avaliados no interior e no entorno dos fragmentos florestais dos biomas Mata Atlântica e Cerrado. Mata Atlântica Cerrado Fragmento 1 Fragmento 2 Fragmento 1 Fragmento 2 Ds COT EstC Ds COT EstC Ds COT EstC Ds COT EstC Mg m-3 g kg-1 Mg ha-1 Mg m-3 g kg-1 Mg ha-1 Mg m-3 g kg-1 Mg ha-1 Mg m-3 g kg-1 Mg ha-1 0-0,05 m BO 1,01a 34,07bc 12,09bc 0,84b 43,32b 15,45b 1,23b 16,41b 10,44b 1,42b 13,40b 9,25b MR 0,59b 35,34b 12,54b 0,69b 39,93c 14,24c 1,24b 23,77a 15,13a 1,45b 13,04b 9,02b CF 0,70b 63,20a 22,43a 0,71b 60,91a 21,72a 1,26b 16,18b 10,30b 1,37b 17,76a 12,25a SPD/PP 1,05a 29,67c 10,53c 1,07a 32,08d 11,44d 1,52a 12,09c 7,69c 1,73a 13,06b 9,01b CV(%) 13,87 5,30 5,30 10,77 3,44 3,46 5,95 9,88 9,88 4,35 11,29 11,31 0,05-0,10 m BO 0,83b 25,29b 10,68b 0,77b 22,77b 9,32b 1,28ab 11,53a 7,27a 1,45b 11,55a 7,74a MR 0,76b 27,41b 11,58b 0,72b 25,60b 10,48b 1,32ab 11,50ab 7,25ab 1,47b 8,44b 5,66b CF 0,84b 30,92a 13,06a 0,82b 37,95a 15,54a 1,24b 9,18ab 5,78ab 1,36c 11,71a 7,85a SPD/PP 1,12a 19,20c 8,11c 1,14a 24,65b 10,09b 1,51a 9,12b 5,74b 1,66a 9,00b 6,03b CV(%) 5,95 5,40 5,40 14,16 8,70 8,60 8,35 9,80 11,07 1,97 9,20 9,20 0,10-0,20 m BO 0,94ab 22,88a 19,63a 0,98ab 18,12c 14,82c 1,40a 7,88a 10,65a 1,50ab 8,94a 12,38a MR 0,74b 23,88a 20,49a 0,81b 24,22b 19,81b 1,34a 8,94a 12,08a 1,49b 7,58a 11,06a CF 0,86b 25,01a 21,47a 0,81b 30,00a 24,54a 1,40a 6,89a 9,32a 1,38c 8,56a 11,86a SPD/PP 1,19a 18,17b 15,59b 1,03a 19,78c 16,18c 1,50a 8,10a 10,95a 1,60a 7,19a 9,97a CV(%) 8,51 7,96 7,95 8,71 8,37 8, 45 5,38 13,10 13,10 3,45 11,81 11,81 Médias seguidas de mesma letra nas colunas para cada fragmento e camada não diferem estatisticamente pelo teste Tukey (5%); BO: borda do fragmento; MR: metade do raio; CF: centro do fragmento; SPD: sistema plantio direto (Mata Atlântica); PP: pastagem permanente (Cerrado); CV(%): coeficiente de variação. Estoque de carbono e agregação em fragmentos florestais 105 RBCIAMB | n.53 | set 2019 | 97-116 - ISSN 2176-9478 fragmentos para a retirada de madeira. Dessa forma, os pontos mais externos desses fragmentos, especial‑ mente as bordas, podem ter sofrido maior compacta‑ ção, o que justifica os maiores valores de Ds (Tabela 5). Porém todos os valores de Ds ficam abaixo dos valo‑ res encontrados na literatura, que são considerados críticos para o desenvolvimento de algumas espécies de plantas em solos argilosos ou muito argilosos, de 1,30 Mg m‑3, proposto por Reichert et al. (2003), 1,42 Mg m‑3, apontado por Klein e Camara (2007), e 1,60 Mg m‑3, indicado por Silva e Rosolem (2001). Nos resultados de Ds apresentados nos fragmentos florestais do bioma Cerrado (Tabela 5), os pontos de BO, MR e CF não se diferiram na camada 0–0,05 m, e a área de PP apresentou os maiores valores em am‑ bos os fragmentos estudados, chegando a 1,73 Mg m‑3 no fragmento 2. O aumento da Ds nas áreas de PP nas camadas superficiais pode estar relacionado com a agropecuária extensiva, com maior lotação animal que o adequado, o que segundo Colombo et al. (2017) pode contribuir para a compactação do solo. O fato de as áreas mais internas dos fragmentos de ambos os biomas avaliados apresentarem os menores valores de Ds ocorre principalmente por não haver ação antrópi‑ ca com uso de máquinas, que podem modificar a Ds, como ocorre em áreas manejadas (LOSS et al., 2017). Os teores de COT apresentados nos pontos dos frag‑ mentos do bioma Mata Atlântica (Tabela 5) contras‑ tam com a quantidade de serapilheira depositada (Figura 2). O ponto CF apresentou os maiores teores de COT nas camadas de 0–0,05 e 0,05–0,10 m no frag‑ mento 1 e em todas as camadas para o fragmento 2, chegando a 63,20 g kg‑1 na camada de 0–0,05 m no CF do fragmento 1 (Tabela 5). Para os dois fragmentos, a área de BO apresentou teores de COT inferiores ao CF com exceção da camada de 0,1–0,2 m do fragmento 1, e os teores de COT da BO dos fragmentos foram seme‑ lhantes aos da área de SPD no entorno praticamente em todas as camadas. Os maiores teores de COT dos pontos internos dos fragmentos florestais de ambos os biomas, especial‑ mente nas duas primeiras camadas, estão relacionados ao acúmulo de serapilheira (Figura 2) e à inexistência de ações antrópicas no interior desses pontos, o que possibilita manutenção do C no solo (LOSS et al., 2015; NOVAIS et al., 2016). Nos fragmentos do bioma Mata Atlântica, observa-se a diminuição do conteúdo de COT quando se passa de áreas mais internas para mais externas dos fragmen‑ tos, o que parece não acontecer no bioma Cerrado (Tabela 5). Camargo e Kapos (1995) concluíram que em áreas de borda se pode ter aumento de temperatura pela maior incidência de luz solar, provocando um mi‑ croclima diferenciado no que se refere às áreas mais internas de vegetação natural. Como consequência, pode haver aceleração do processo de decomposição da MOS, aumentando a emissão de CO2 e diminuindo seus estoques no solo (DUIKER; LAL, 2000). O tamanho do efeito de borda em fragmentos flores‑ tais de diversos biomas brasileiros e seus efeitos na vegetação e nos atributos edáficos são variados em função principalmente da fitofisionomia e do objeto de estudo. Esseen e Renhorn (1998) evidenciaram al‑ terações em até 20 m. Já Kapos (1989) descreve que essas alterações penetram 40 metros. Kapos et al. (1997) relatam que essas variações dependem de al‑ guns fatores, como tempo de fragmentação, tamanho dos fragmentos e bioma. O fato de os teores de COT da MR e da BO neste estudo serem inferiores ao do pon‑ to CF contrasta com dados apresentados por Barros e Fearnside (2016), que encontraram maiores teores de COT nas áreas de borda em relação aos pontos mais internos em estudo no bioma Amazônico. Diferentemente do comportamento visto nos fragmen‑ tos florestais do bioma Mata Atlântica, nos fragmentos florestais do bioma Cerrado os maiores teores de COT da camada 0–0,05 m foram observados nos pontos com a maior deposição serapilheira (Figura 2), onde no frag‑ mento 1 o ponto MR apresentou 23,77 g kg‑1 e no frag‑ mento 2 o ponto CF apresentou 17,76 g kg‑1 (Tabela 5). Na camada 0,10–0,20 m o conteúdo de COT dos pon‑ tos avaliados no interior dos fragmentos do bioma Cerrado não se diferiu entre si, apresentando variação de 6,89 a 8,94 g kg‑1 no fragmento 1 e de 7,58 a 8,94 g kg‑1 no fragmento 2, não diferindo tampouco em re‑ lação ao COT das áreas de PP no entorno (Tabela 5). O fato de as áreas de PP apresentarem teores de COT semelhantes aos pontos internos dos fragmentos na camada mais profunda avaliada pode ser atribuído à capacidade de pastagens adicionarem grandes quan‑ tidades de C em profundidade pela decomposição de raízes (SANTOS et al., 2019). Ozório, J.M.B. et al. 106 RBCIAMB | n.53 | set 2019 | 97-116 - ISSN 2176-9478 Em ambos os biomas, pode‑se observar a variação de EstC nos pontos do fragmento. Essas variações de EstC no interior dos fragmentos florestais são dinâmicas e indicam diferentes estágios de conservação e sucessão ecológica nesses remanescentes florestais, que podem ter diversas influências da característica da vegetação e de possíveis clareiras que se abrem no interior desses fragmentos (DIDHAM, 1998). Houve maiores EstC nos pontos do CF nas camadas de 0–0,05 e 0,05–0,1 m no fragmento 1 e em todas as camadas no fragmento 2, chegando a 22,43 Mg ha‑1 no fragmento 1 na camada 0–0,05 m, demonstrando também maior conservação, via estocagem do carbo‑ no do solo, em pontos mais internos dos fragmentos. Em contrapartida, as áreas de SPD no entorno dos frag‑ mentos, de modo geral, apresentaram os menores EstC (Tabela 5). No bioma Cerrado, assim como nos fragmentos do bioma Mata Atlântica, os valores de EstC seguiram o padrão apresentado pelos teores de COT, com o ponto da MR com maior valor para o fragmento 1 na camada 0–0,05 m, 15,13 Mg ha‑1, e o ponto CF, 12,25 Mg ha‑1 no fragmento 2, destacando-se os baixos valores de EstC nas áreas de PP (Tabela 5). Os resultados apresentados pelos fragmentos de Mata Atlântica indicam que nas áreas de SPD dos fragmen‑ tos, mesmo sendo um SPD consolidado, com 15 anos de manejo, o EstC no solo é menor do que em áreas de vegetação nativa. Um dos fatores que contribuem para isso é a dificuldade de se acumular carbono em regiões de clima tropical, o que favorece a decompo‑ sição da MOS (CARVALHO et al., 2010; KOVEN et al., 2017). Isso ocorre também no bioma Cerrado, em que o estágio de degradação das áreas promove os me‑ nores EstC, principalmente em camadas superficiais. Resultados com maiores EstC em áreas nativas compa‑ radas aos sistemas de manejo também foram encon‑ trados por Assunção et al. (2019), na mesma região do presente estudo. As diferentes formas de manejo do solo, além das al‑ terações na vegetação, podem modificar os EstC, por alterar diretamente o acúmulo e a perda de MOS no ambiente edáfico (PLAZA-BONILLA et al., 2010), como também observado por Rosset et al. (2014a) em áreas de SPD e mata nativa no mesmo bioma. Ao analisar a ΔEstC nos fragmentos florestais do bioma Mata Atlântica, pode-se observar redução acentuada de EstC em todas as camadas, porém de forma mais pronunciada na camada 0–0,05 m nos três pontos de coleta no interior e no entorno dos fragmentos (BO, MR e SPD), em relação ao CF (Figuras 3A e 3B), e a va‑ riação mais negativa de EstC nessa camada foi encon‑ trada nas áreas de SPD. Nas Figuras 4A e 4B, constata-se ainda a variação do EstC na seção 0–0,20 m, em que as áreas de SPD no en‑ torno dos fragmentos apresentaram variação negativa mais acentuada, seguida dos pontos de BO e MR, res‑ pectivamente, que também tiveram variação negativa. Os resultados de ΔEstC apresentados pelos fragmen‑ tos do bioma Mata Atlântica indicam que, mesmo com um sistema que mantenha a entrada de C no solo, como o SPD, somado ao não revolvimento des‑ te, a quantidade de entrada de material vegetal não é suficiente para se atingir valores de EstC semelhantes a de áreas naturais após 15 anos de condução, como as do ponto CF. No SPD, isso ocorre principalmente por não haver rotação de culturas diversificada (BOD‑ DEY et al., 2010) — apenas com o cultivo de sucessão soja/milho. A ΔEstC nos pontos estudados no fragmento 1 do bioma Cerrado indica maior acúmulo de carbono nas áreas de BO e MR em todas as camadas, ou seja, varia‑ ção positiva em relação ao CF. Já a área de PP apresen‑ tou variações negativas de EstC em todas as camadas (Figura 3C). Na secção 0–0,20 m o ponto MR apresen‑ tou a maior variação positiva, e apenas a área de PP teve variação negativa de EstC (Figura 3C). O mesmo padrão observado no fragmento 1 (Figura 3C) não foi verificado para o fragmento 2 (Figura 3D), em que os pontos BO e MR apesentaram variações negativas se comparadas ao CF, principal‑ mente nas camadas superficiais de 0–0,05 m e 0,05– 0,10 m, sendo constatada variação positiva de EstC apenas na camada 0,10–0,20 m no ponto de BO. A variação negativa mais acentuada, quando avaliada a seção 0–0,20 m, foi apresentada pela área de PP (Figura 3D). Esse resultado revela que na área de PP ao entorno dos fragmentos, adentrando nos fragmentos estuda‑ dos, o EstC possui variação negativa menos acentua‑ Estoque de carbono e agregação em fragmentos florestais 107 RBCIAMB | n.53 | set 2019 | 97-116 - ISSN 2176-9478 1.2 0.8 0.4 0.0 ‑0.4 ‑0.8 ‑1.2 ‑1.9 ‑2.0 ‑2.4 0‑0,05m 0,05‑0,10m Fragmento 1 MA 0,10‑0,20m 0‑0,20m A 1.2 0.8 0.4 0.0 ‑0.4 ‑0.8 ‑1.2 ‑1.9 ‑2.0 ‑2.4 0‑0,05m 0,05‑0,10m Fragmento 2 MA 0,10‑0,20m 0‑0,20m B 1.2 0.8 0.4 0.0 ‑0.4 ‑0.8 ‑1.2 ‑1.9 ‑2.0 ‑2.4 0‑0,05m 0,05‑0,10m Fragmento 1 CE 0,10‑0,20m 0‑0,20m C 1.2 0.8 0.4 0.0 ‑0.4 ‑0.8 ‑1.2 ‑1.9 ‑2.0 ‑2.4 0‑0,05m BO MR PP 0,05‑0,10m Fragmento 2 MA 0,10‑0,20m 0‑0,20m D Figura 3 – Variação do estoque de carbono (ΔEstC) dos pontos avaliados nas camadas 0–0,05; 0,05–0,10; 0,10–0,20 e na seção de 0–0,20 m, em relação ao ponto do centro do fragmento, nos fragmentos dos biomas Mata Atlântica (MA) e Cerrado (CE). (A) fragmento 1 MA; (B) fragmento 2 MA; (C) fragmento 1 CE; (D) fragmento 2 CE. Traços nas barras representam o desvio padrão da média. da. Ou seja, quanto mais internamente nos fragmen‑ tos, maior a conservação do C no solo. Essa perda de EstC na área de borda pode estar relacionada à oxida‑ ção da MOS, acelerada nesses locais pela temperatu‑ ra e pela umidade, características de áreas de borda (CAMARGO; KAPOS, 1995), e à maior incidência de ventos, que modifica o clima nessas regiões dos frag‑ mentos (LAURANCE et al., 1998). Os resultados de ΔEstC deste trabalho contrastam com os de Barros e Fearnside (2016), que encontraram variação positiva de EstC para o ponto de borda, estudando fragmentos florestais de diferentes tamanhos na floresta amazô‑ nica central, contradizendo até mesmo a hipótese dos autores de que a borda poderia influenciar negativa‑ mente no acúmulo de carbono no solo. Nos fragmentos do bioma Cerrado, quando se compa‑ ram os resultados de ΔEstC com a quantidade de sera‑ pilheira (Figura 2) e teores de COT (Tabela 5), as áreas de BO e MR apresentaram os maiores valores e teores, respectivamente, indicando semelhanças entre as va‑ riáveis. Já a área de PP no entorno apresentou varia‑ ções negativas de EstC em todas as camadas avaliadas (Figuras 3C e 3D). Resultados semelhantes foram apre‑ sentados por Mascarenhas et al. (2017) e Oliveira et al. (2016), de que a conversão de áreas nativas em áreas de PP, dependendo do manejo adotado, pode diminuir o EstC do solo, principalmente pela baixa deposição de material vegetal sobre a superfície do solo ao longo dos anos de cultivo. No bioma Mata Atlântica os valores de índice de estrati‑ ficação (IE), que comparam o COT da camada superficial do solo com as camadas adjacentes, não apresentaram padrão homogêneo no comportamento entre os frag‑ mentos avaliados, apresentando os maiores valores no CF (2,54) e BO (2,40) para os fragmentos 1 e 2, respec‑ tivamente. As áreas de SPD ao entorno tiveram valores de 1,64 e 1,62, respectivamente, nos fragmentos 1 e 2 (Figura 4). No bioma Cerrado, quando se observa o frag‑ mento 1, os valores de IE foram maiores nos pontos MR (2,70) e CF (2,35), diferindo-se da área de PP, com menor Ozório, J.M.B. et al. 108 RBCIAMB | n.53 | set 2019 | 97-116 - ISSN 2176-9478 IE, 1,53 (Figura 4). No fragmento 2 não houve diferenças entre os pontos avaliados no interior e no entorno do fragmento, com variação de 1,52 a 2,09 (Figura 4). Os maiores valores de IE apresentados pelos pontos in‑ ternos dos fragmentos do bioma Mata Atlântica ocor‑ rem principalmente pela maior e contínua entrada de C em áreas nativas, elevando o COT de camadas super‑ ficiais (SANTOS et al., 2017). Ou seja, as áreas nativas possuem maior potencial de estratificação de carbo‑ no em comparação com as áreas manejadas. Rosset et al. (2014a) verificaram valores de 1,73 para SPD com 22 anos de implantação e valores de 3,43 para área de vegetação nativa de Mata Atlântica, usada como refe‑ rência ao trabalho também realizado na região oeste do Paraná. Salton et al. (2014) encontraram IE de 1,70 para a área de referência de seu estudo, também no bioma Cerrado, além de valores de 2,00 para área de pastagem avaliada no mesmo experimento. Os mes‑ mos autores relatam a facilidade de se obter esse ín‑ dice, pois este necessita apenas dos valores de COT de duas camadas do solo, sem haver a necessidade do uso de uma área de referência. No bioma Mata Atlântica, ao se avaliar os parâmetros estruturais do solo, o DMP do CF 1 apresentou‑se com maior valor, 4,69 mm, o que não ocorreu com os demais pontos avaliados (Figura 5A). Diferentemen‑ te do observado para o DMP, os pontos no interior do fragmento 1 não tiveram diferenças para o DMG, com valores variando entre 4,35 e 4,62 mm. Além disso, essa mesma tendência de semelhanças tam‑ bém foi percebida para a porcentagem de agregados maiores que 2 mm. Porém, para essas três variáveis, DMP, DMG e %> 2 mm, a área de SPD no entorno apresentou menores valores (Figura 5A). No frag‑ mento 2, ocorreu padrão de semelhança entre os pontos do interior do fragmento, diferindo‑se apenas do SPD (Figura 5B). Com relação ao IS, os pontos no interior de ambos os fragmentos não diferiram, sen‑ do os menores valores observados nas áreas de SPD, 0,89 e 0,92, no entorno dos fragmentos 1 e 2, respec‑ tivamente (Figuras 5A e 5B). No bioma Cerrado, a estabilidade estrutural do solo apresentou semelhança entre os pontos no interior e nas áreas de PP no entorno dos fragmentos estu‑ a a a a a a aa bb b b ab bc c BO MR CF SPD/PP Fragmento 1 MA Fragmento 2 MA Fragmento 1 CE Fragmento 2 CE 4 3 2 1 0 BO: borda do fragmento; MR: metade do raio; CF: centro do fragmento; SPD: sistema plantio direto; PP: pastagem permanente; médias de mesma letra em cada fragmento não diferem estatisticamente pelo teste Tukey (5%). Traços nas barras representam o desvio padrão dos dados. Figura 4 – Índice de estratificação (IE) do carbono orgânico total em função dos pontos de coleta avaliados no interior e no entorno dos fragmentos, nos biomas Mata Atlântica (MA) e Cerrado (CE). Estoque de carbono e agregação em fragmentos florestais 109 RBCIAMB | n.53 | set 2019 | 97-116 - ISSN 2176-9478 dados (Figuras 5C e 5D). No fragmento 1, os valores de DMP variaram de 3,78 a 4,26, o DMG 2,69 a 3,42 e com porcentagem de agregados maiores de 2 mm acima de 73% em todas as áreas (Figura 5C). No frag‑ mento 2, o DMP variou entre 3,69 e 3,79, já o DMG, de 2,45 a 2,61 e valores de porcentagem de agre‑ gados maiores de 2 mm acima de 71% (Figura 5D). Os resultados de IS dos pontos internos dos fragmen‑ tos de Cerrado e das áreas de PP apresentaram se‑ melhança para os fragmentos 1 e 2 (Figuras 5C e 5D), da mesma forma que as demais variáveis estruturais do solo (Figuras 5C e 5D). Os valores de IS variaram de 0,88 a 0,91 no fragmento 1, e de 1,00 a 1,02 no fragmento 2 (Figuras 5C e 5D). Os resultados das análises estruturais dos fragmen‑ tos do bioma Mata Atlântica demonstraram que não houve modificações tão significativas na agregação do solo nos pontos internos dos fragmentos e que em áreas com maior perturbação do solo, como nas de SPD em relação aos fragmentos de mata, existem modificações na estabilidade dos agregados do solo (SIX et al., 2004; SALTON et al., 2008). Os valores de DMP e DMG próximos a 5 (Figuras 5A e 5B), espe‑ cialmente identificados no interior dos fragmentos florestais, indicam alto grau de formação e estabili‑ zação dos agregados, influenciado tanto pelos teores de COT (Tabela 5) encontrados nas áreas de estudo quanto pela textura do solo dessas áreas que estão sob solo muito argiloso, visto a contribuição desses atributos na agregação (BRONICK; LAL, 2005; SILVA et al., 2014). Outros trabalhos em latossolo também encontraram maior estabilidade de agregados em áreas nativas, principalmente relacionados aos altos Médias de mesma letra em cada fragmento não diferem estatisticamente pelo teste Tukey (5%). Traços nas barras representam o desvio padrão da média. Figura 5 – Diâmetro médio ponderado (DMP), diâmetro médio geométrico (DMG), porcentagem de agregados maiores que 2 mm e índice de sensibilidade dos diferentes pontos de coleta no interior e no entorno dos fragmentos dos biomas Mata Atlântica (MA) e Cerrado (CE). (A) Fragmento 1 MA; (B) fragmento 2 MA; (C) fragmento 1 CE; (D) fragmento 2 CE. Ín di ce s de s en si bi lid ad e (IS ) D M P, D M G (m m ) % a gr eg ad os > 2m m 1.10 1.05 1.00 0.95 0.90 0.85 0.80 b a BO MR CF Fragmento 1 MA PP a a b a aa a a a a c b b b 5 4 3 2 1 0 120 100 80 60 40 20 0 A Ín di ce s de s en si bi lid ad e (IS ) D M P, D M G (m m ) % a gr eg ad os > 2m m 1.15 1.10 1.05 1.00 0.95 0.90 0.85 a a BO MR CF Fragmento 2 MA PP a a a a a a a a a a b b b b 6 5 4 3 2 1 0 120 100 80 60 40 20 0 B Ín di ce s de s en si bi lid ad e (IS ) D M P, D M G (m m ) % a gr eg ad os > 2m m 1.10 1.05 1.00 0.95 0.90 0.85 0.80 0.75 0.70 a a BO MR CF Fragmento 1 CE PP a a a a a a a a a a a a a a 5 4 3 2 1 0 120 100 80 60 40 20 0 C Ín di ce s de s en si bi lid ad e (IS ) D M P, D M G (m m ) % a gr eg ad os > 2m m 1.10 1.05 1.00 0.95 0.90 0.85 0.80 a a a BO MR CF Fragmento 1 MA PP a a a a a a a a a a a a 5 4 3 2 1 0 120 100 80 60 40 20 0 A DMP DMG %>2mm PP Ozório, J.M.B. et al. 110 RBCIAMB | n.53 | set 2019 | 97-116 - ISSN 2176-9478 teores de COT (RABBI et al., 2015; CARVALHO et al., 2014; RIBON et al., 2014). Os menores valores de IS nas áreas de SPD ocorrem pela redução do COT nessas áreas se comparadas a áreas de mata e também ao revolvimento mínimo na linha de semeadura que esse sistema possui. Aratani et al. (2009) encontraram valores de 0,93 de IS em SPD com 12 anos de implantação, sendo semelhante ao de sua área de referência de mata nativa no bioma Mata Atlântica, em latossolo vermelho de textura argilosa no estado de São Paulo. Já Bertol et al. (2004) encontra‑ ram valores de IS próximos a 1 em sistema de SPD com seis anos de implantação. No bioma Cerrado, os resultados para a estabilida‑ de estrutural do solo, entre os fragmentos florestais e as áreas de PP e no entorno, indicam que as áreas cultivadas com PP, por meio da ação das raízes, propi‑ ciam a manutenção da estabilidade estrutural do solo ao longo dos anos (SIX et al., 2004; SZAKÁCS, 2005), com valores equivalentes aos das áreas internas des‑ ses fragmentos avaliados. Stumpf et al. (2018) concluí‑ ram que as ações das raízes de gramíneas diminuem a compactação do solo e melhoram a estruturação, com a manutenção de agregados estáveis de maiores tama‑ nhos, ao longo dos anos de cultivo. Costa Junior et al. (2012) encontraram valores de DMP, DMG e agregados maiores que 2 mm, também semelhantes em áreas de pastagem e Cerrado. Os dados do presente trabalho ratificam os de Batista et al. (2013) e Schiavo e Colodro (2012), que encontra‑ ram valores DMP, DMG e %> 2 mm de sistemas com pastagens, semelhantes aos das áreas de mata nativa no bioma Cerrado, também no estado de Mato Grosso do Sul. Mesmo não percebendo diferença entre os sis‑ temas avaliados e mata nativa de Cerrado, Salton et al. (2008) concluíram que sistemas que utilizam Brachia- ria (Urochloa) contribuem para a formação de agrega‑ dos mais estáveis no solo. A ação das raízes e adição de COT no solo contri‑ buem para a formação e estabilidade desses agrega‑ dos do solo, visto que em algumas camadas as áreas de PP apresentaram teores de COT semelhantes aos dos pontos avaliados no interior dos fragmentos de Cerrado (Figuras 5C e 5D). Os resultados do presente trabalho diferem dos valores apresentado por Fon‑ tana et al. (2010), que encontraram valores de 0,55 em latossolo e de 0,69 para argissolo em pastagem com Brachiaria com 10 anos de implantação, sem correção de solo, na região norte fluminense do Rio de Janeiro. CONCLUSÕES A deposição de serapilheira apresentou comportamen‑ to semelhante entre os fragmentos do bioma Mata Atlântica, com maior deposição na borda. O mesmo padrão não foi observado nos fragmentos do bioma Cerrado, porém em ambos os fragmentos do Cerrado a deposição foi maior do que nas áreas de pastagens no entorno. O COT e o EstC indicaram o ponto central dos frag‑ mentos de Mata Atlântica com o melhor estado de conservação e que, quanto mais distante do centro do fragmento, menor a estocagem de carbono. No bioma Cerrado, as áreas no entorno dos fragmentos avaliados apresentaram o mesmo potencial de acúmulo de car‑ bono dos pontos do interior dos fragmentos. A densidade e as variáveis estruturais de agregação do solo apontam perda da qualidade com a conversão das áreas nativas em SPD no bioma Mata Atlântica. No Cer‑ rado, houve pronunciado aumento da densidade do solo em camadas superficiais com a conversão de áreas nativas em pastagens, com pastagem extensiva seme‑ lhante à da vegetação nativa de Cerrado nos aspectos estruturais do solo. AGRADECIMENTOS Agradecemos à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), a concessão da bolsa de mestrado ao primeiro autor; e à Universida‑ de Estadual de Mato Grosso do Sul e aos proprietá‑ rios rurais que liberaram as áreas para o desenvolvi‑ mento deste estudo. Estoque de carbono e agregação em fragmentos florestais 111 RBCIAMB | n.53 | set 2019 | 97-116 - ISSN 2176-9478 REFERÊNCIAS ALMEIDA, D. S. Recuperação ambiental da Mata Atlântica. Santa Cruz: Editus, 2016. 201 p. ALMEIDA, R. G.; NASCIMENTO JUNIOR, D.; EUCLIDES, V. P. B.; MACEDO, M. C. M.; REGAZZI, A. J.; BRÂNCIO, P. A.; FONSECA, D. M.; OLIVEIRA, M. P. Produção animal em pastos consorciados sob três taxas de lotação, no Cerrado 1. Revista Brasileira de Zootecnia, v. 31, n. 2, supl., p. 852-857, 2002. http://dx.doi.org/10.1590/S1516-35982002000400007 ARATANI, R. G.; FREDDI, O. D. S.; CENTURION, J. F.; ANDRIOLI, I. 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