48 RBCIAMB | v.55 | n.1 | mar 2020 | 48-60 - ISSN 2176-9478 Renata Medici Frayne Cuba Mestre e doutora em Hidráulica e Saneamento pela Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP). Professora adjunta da Escola de Engenharia Civil e Ambiental e do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Ambiental e Sanitária da Universidade Federal de Goiás (UFG) – Goiânia (GO), Brasil. Débora Cristina Aguiar Chaves Paiva Mestre em Engenharia Ambiental e Sanitária pela UFG – Goiânia (GO), Brasil. Túlio Salatiel Cintra Mestre em Engenharia de Recursos Hídricos e Ambiental pela Universidade Federal do Paraná – Curitiba (PR), Brasil. Francisco Javier Cuba Terán Mestre e doutor em Hidráulica e Saneamento pela USP. Professor adjunto da Escola de Engenharia Civil e Ambiental da UFG – Goiânia (GO), Brasil. Endereço para correspondência: Renata Medici Frayne Cuba – Avenida Universitária, Quadra 86, Lote Área 1488, Setor Leste Universitário – CEP 74605-220 – Goiânia (GO), Brasil – E-mail: renatafrayne@ufg.br Recebido em: 9/10/2019 Aceito em: 11/3/2019 RESUMO A degradação dos recursos hídricos provocada pelas atividades antrópicas tem alterado as características físico-químicas de águas superficiais, o que, por sua vez, interfere na mobilidade de compostos capazes de se fixarem em sedimentos. Dessa forma, o presente trabalho avaliou a influência da concentração de fósforo e do valor de potencial hidrogeniônico (pH) na cinética e na capacidade de adsorção do glifosato (solução comercial) em argila expandida, utilizando sistema constituído de coluna de leito fixo operado em regime hidrodinâmico fechado com circulação contínua do adsorbato. Utilizou-se o modelo de planejamento experimental para três concentrações de fósforo, 0,8, 8 e 16 mg L-1 e três valores de pH, 4, 7 e 10, totalizando nove ensaios. Verificou-se que o aumento do pH e da concentração de fósforo levou à diminuição na velocidade de adsorção, enquanto o mecanismo cinético foi afetado somente pela concentração de fósforo, prevalecendo o mecanismo de pseudossegunda ordem nas concentrações de 0,8 e de 8 mg L-1 e o intrapartícula para a maior concentração. A capacidade de adsorção foi afetada por ambos os parâmetros. A cada aumento de 0,16 no valor de pH e 0,22 mg L-1 na concentração de fósforo, a massa adsorvida de glifosato diminuiu em 0,000385 mg g-1 e 0,000205 mg g-1, respectivamente. Dessa forma, concluiu-se que o aumento do pH e da concentração de fósforo diminuiu tanto a capacidade quanto a velocidade de adsorção do glifosato (formulação comercial), enquanto o mecanismo cinético somente foi alterado para a concentração de fósforo de 16 mgL-1. Palavras-chave: herbicida; nutrientes; adsorção competitiva. ABSTRACT Water resources degradation due to atrophic activities has depleted the physical-chemical characteristics of surface waters, interfering in the mobility of the compounds that are capable of settling on sediments. This work assessed the effect of phosphorous concentration and pH value on kinetics and adsorption capacity of glyphosate (commercial solution) in expanded clay, using a bench scale system composed by a batch-operated fixed-bed column reactor with internal recirculation of adsorbate. An experimental planning model was used for three phosphorous concentrations, 0.8, 8 and 16 mg.L-1 as well as three pH values of 4, 7 and 10, totaling 9 tests. It was verified that the increase in pH and phosphorous concentration led to a decrease in adsorption velocity, while the kinetical mechanism was affected just by phosphorous concentration, prevailing a pseudo- second order mechanism for concentrations of 0.8 and 8 mg.L-1, and a intraparticle mechanism for the highest concentration. The adsorption capacity was affected by both parameters. For each increment of 0.16 in pH value and 0.22 mg.L-1 in phosphorous concentration, the adsorbed mass of glyphosate decreased by 0.000385 and 0.000205 mg.g-1, respectively. Thus, it was concluded that the increase in pH and phosphorous concentration decreased both the capacity and speed of glyphosate adsorption (commercial formulation), while the kinetic mechanism was only altered for phosphorous concentration of 16 mg.L-1. Keywords: herbicide; nutrients; competitive adsorption. DOI: 10.5327/Z2176-947820200557 INFLUÊNCIA DO FÓSFORO INORGÂNICO E VALOR DE PH NA REMOÇÃO DE FORMULAÇÃO À BASE DE GLIFOSATO EM AMBIENTE AQUOSO POR ADSORÇÃO INFLUENCE OF INORGANIC PHOSPHORUS AND PH VALUE ON THE REMOVAL OF AQUEOUS ENVIRONMENT GLYPHOSATE-BASED FORMULATION BY ADSORPTION https://orcid.org/0000-0002-3455-8198 https://orcid.org/0000-0002-7209-9527 https://orcid.org/0000-0002-1745-6114 https://orcid.org/0000-0001-7056-3093 mailto:renatafrayne@ufg.br Efeito do fósforo de pH na adsorção de glifosato em meio aquoso 49 RBCIAMB | v.55 | n.1 | mar 2020 | 48-60 - ISSN 2176-9478 INTRODUÇÃO O inadequado manejo de insumos agrícolas, somado ao escoamento superficial e lixiviação decorrentes de precipitações pluviométricas, estão entre os principais responsáveis pelo transporte de defensivos agrícolas para os recursos hídricos. A presença dessas substân- cias pode levar à morte da biota aquática, a quebras nas cadeias tróficas, à eutrofização dos corpos hídricos e, ainda, inviabilizar ou comprometer os diversos usos da água (NASCIMENTO; NAVAL, 2019). Entre esses compostos pode-se citar o glifosato (C 3 H 8 NO 5 P), [n–(fosfonometil)glicina], considerado o principal ingrediente ativo de diversas formulações comerciais de herbicidas organofosforados utilizadas para o controle de ervas daninhas (BENTO et al., 2017). Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), o ingrediente ativo glifosato não apresenta características mutagênicas, teratogênicas e carcino- gênicas, não é desregulador endócrino e não é tóxico para a reprodução (BRASIL, 2019), porém estudos de ecotoxicidade têm demonstrado efeitos adversos em organismos aquáticos. Mottier et al. (2015) verificaram que ostras (Crassos- trea gigas) expostas por longos períodos (56 dias) a formulações comerciais de glifosato apresentaram efeitos leves em biomarcadores como crescimento, maturidade sexual, alterações teciduais, atividades enzimáticas e peroxidação lipídica para concentrações consideradas baixas (0,1, 1 e 100 µg L-1). Rodrigues et al. (2017), após verificaram efeitos tóxi- cos de formulações à base de glifosato em artêmias (A. salina), larvas de peixe-zebra e larvas embrionárias de peixes em concentrações superiores a 14,19, 8,29 e 10,17 mgL-1, respectivamente, classificaram os produ- tos na categoria 3 (perigosos para o ambiente aquáti- co), de acordo com os critérios da Globally Harmonized Classification System. No entanto, a adsorção desses compostos em partí- culas de solos ou sedimentos controla sua mobilidade e biodisponibilidade no meio e, consequentemente os riscos ao ambiente (AGA et al., 2016). Tal efeito foi demonstrado por Zhang et al. (2018), ao avaliarem a toxicidade do glifosato em alga (M. aeruginosa), na ausência e presença de partículas de nanoplástico (nPS-NH 2 , 200 nm). O resultado demonstrou que con- centrações de glifosato de 1 e 5 mg L-1 causaram efei- to inibitório no crescimento da M. aeruginosa, porém, na presença de 5 mg L-1 das nanopartículas, esse efei- to foi reduzido. Isso indica que o glifosato e o nPS-NH 2 tiveram efeito antagônico na inibição de crescimento, explicado pela adsorção do glifosato nas partículas, que alcançou valores de remoção entre 55 e 97%. Embora os sedimentos sejam reconhecidos como o repositório final da maioria dos contaminantes que alcançam os corpos d’água (CERVI; POLETO, 2018), tais compostos não ficam permanentemente fixados nas superfícies minerais e podem ser disponibilizados para a coluna d’água em consequência de mudanças em parâmetros como potencial hidrogeniônico (pH), potencial redox, ação de microrganismos (POSSAVATZ et al., 2014), assim como presença de outras substân- cias com maior afinidade pelos sítios ativos de adsor- ção (HUANG et al., 2019). Sendo assim, mecanismos de sorção e dessorção são determinantes na mobilidade e na transformação de tais compostos em águas naturais (LI; ZHANG, 2016). Em ambientes naturais, a adsorção do glifosato sobre superfícies minerais é fortemente afetada pela presença de fósforo inorgânico (íons fosfatos – P-PO4 3-) (WAIMAN et al., 2013) e pelo pH do meio (TÉVEZ; AFONSO, 2015). Com relação à influência do fósforo na adsorção do glifosato, diferentes mecanismos têm sido propostos para explicar a adsorção competitiva de ambos em superfícies como solo e sedimentos, principalmente naquelas constituídas de óxidos de ferro ou alumínio que apresentam alta afinidade pelo glifosato (WAI- MAN et al., 2013). Nesses casos, a adsorção do glifosato ocorreria pela formação de fortes ligações entre Fe-O-Pglifosato e Al-O-P glifosato por troca de ligantes entre o grupo fos- fonato do glifosato e grupos coordenados de Al-OH e Fe-OH, deslocando moléculas de água coordenadas e/ ou íons hidroxila (WAIMAN et al., 2013). No entanto, esse mecanismo é semelhante à adsorção de fósforo inorgânico (YANG et al., 2018), frequentemente intro- duzido no meio hídrico juntamente com esgotos do- mésticos e efluentes industriais lançados nos corpos d’água sem ou com tratamento inadequado, ou decor- rente da aplicação de fertilizantes em áreas agrícolas. Cuba, R.M.F. et al. 50 RBCIAMB | v.55 | n.1 | mar 2020 | 48-60 - ISSN 2176-9478 Como resultado, em ambientes nos quais há presença de ambos, pode-se verificar maior saturação dos sítios de adsorção pelo fósforo inorgânico em função da dife- rença no tamanho das moléculas. Gimsing e Borggaard (2002) constataram adsorção duas vezes maior para fósforo do que para glifosato em superfícies de goetita durante ensaios de adsorção competitiva entre ambos. Cruz et al. (2007) estudaram a adsorção do glifosato em diferentes tipos de solos e para diferentes relações fósforo/glifosato e constataram que o aumento dessa relação induzia à diminuição da adsorção do glifosato, porém em diferentes intensidades. Por exemplo, sobre a caolita (pH = 5) quando a relação fósforo/glifosato passou de 1 para 5, houve queda de 20% na adsorção do glifosato. Já quando o solo estudado foi a bentonita (pH = 4) a diminuição foi de 18%. Dessa forma, verifica- -se que o grau de competição entre fósforo e glifosato irá depender tanto das características do adsorvente quanto da relação glifosato/fósforo. Outro importante fator que rege a adsorção do glifosa- to é o pH do meio, em razão de sua ação aditiva sobre a carga elétrica da molécula, que a torna mais negati- va com o aumento do pH, em função da dissociação iônica dos grupos carboxila, fosfato e amina (SIDOLI; BARAN; ANGULO-JARAMILLO, 2015). Mayakaduwa et al. (2016), ao alterarem o pH do meio de 5 para 6, obtiveram aumento na remoção de glifosa- to por adsorção em biocarvão produzido com resíduos de madeira de 11,03 para 21,6 mg g-1, respectivamen- te. Esse fato está associado ao grau de ionização da molécula. Por outro lado, dependendo das caracterís- ticas do meio adsorvente, este também pode tornar-se negativamente carregado com o aumento do pH, crian- do condições eletrostaticamente desfavoráveis para a adsorção (CANDELA et al., 2007). Tal situação foi verificada por Pereira et al. (2019), ao estudarem a adsorção do glifosato em partículas de óxido de ferro hidratado (ferrihidrita). No estudo, à medida que o pH do meio se alterou de 2 para 7, a remoção do glifosato diminuiu de, aproximadamen- te, 140 para 20 mg g-1, respectivamente. Orcelli et al. (2018) também verificaram o efeito de repulsão ele- trostática entre glifosato e superfície do adsorvente (goetita) com aumento do pH de 2,0-2,3 a 8,1-8,5. Embora o conhecimento sobre a influência do pH e a concentração de fósforo inorgânico na mobilidade do glifosato em corpos d’água seja importante tanto do ponto de vista ambiental quanto de saúde, a maior parte dos estudos realizados focaram o comportamen- to do composto no solo, e não é possível extrapolar tais informações para o meio aquoso. Quando realizados em matrizes aquosas, os ensaios foram conduzidos com o uso de compostos puros, cujo comportamento pode ser diferente do observado para formulações comerciais do composto, dada a presença de outros constituintes. Sendo assim, a realização de ensaios com vistas à ob- tenção de parâmetros cinéticos e de adsorção em meio aquoso utilizando formulações comerciais é ferramen- ta importante para a compreensão do processo e a previsão do comportamento do composto no meio. Dessa forma, o presente trabalho teve como objeti- vo investigar a influência da concentração de fósforo inorgânico e do valor do pH na cinética de adsorção de formulações à base de glifosato, por meio de estu- do randomizado. MATERIAIS E MÉTODOS Sistema experimental Para a realização dos ensaios, utilizou-se sistema cons- tituído de uma coluna de leito fixo confeccionada em acrílico, medindo 50 cm de altura e 8 cm de diâmetro interno. O material adsorvente utilizado no preenchi- mento do leito foi argila expandida Cinexpan® tipo 2215, composta de 18,9% de alumínio (Al 2 O 3 ) e 7,63% de ferro (Fe 2 O 3 ), com formato arredondado, granu- lometria entre 15 e 22 mm e densidade aparente de 500 kg.m-3 ± 10% (especificações do fabricante). Utilizaram-se 580 g de argila previamente lavada e seca em estufa à temperatura de 105ºC por 24 horas, de for- ma que o volume útil reacional da coluna foi de 1,2 L. A higienização e a secagem do material foram realiza- Efeito do fósforo de pH na adsorção de glifosato em meio aquoso 51 RBCIAMB | v.55 | n.1 | mar 2020 | 48-60 - ISSN 2176-9478 das para retirar impurezas e umidade residual que pu- dessem interferir na medida de massa. Para garantir maior contato entre o meio líquido que continha os adsorbatos e a argila, operou-se o sistema em regime de fluxo hidrodinâmico fechado com circulação contínua da solução. Para tal, usou- -se uma bomba submersível com vazão de 80,00 ± 0,34 L h-1, alocada em reservatório externo com ca- pacidade volumétrica de 150 mL. Manteve-se o sis- tema à temperatura média ambiente de 22 ± 2ºC, por meio de termostato com aquecedor da marca Roxin Ht-1300 200w. Reagentes e soluções Preparou-se a solução estoque de glifosato (500 mg L-1) com produto comercial Roundup® Original DI, consti- tuído de sal de Di-amônio de N-(fosfonometil) glicina (44,5% (m/v), equivalente a 37% (m/v) do ácido N-(fos- fonometil) glicina)) e outros ingredientes (75,1% (m/v)) não declarados pela empresa. Preparou-se a solução estoque de fósforo em concentração de 2 g L-1(P-PO 4 3-) com sal fosfato de potássio dibásico (K 2 HPO 4 ) padrão analítico (PA). Todas as soluções foram preparadas com água ultrapura. Amostragem e análises físico-químicas Cada ensaio teve duração de 12 horas, período em que se realizaram 15 amostragens (alíquotas de 5 mL cada) para a determinação dos valores de pH e con- centração de glifosato. O pH foi medido pelo método potenciométrico com pHmetro da marca Tecnal. A con- centração de glifosato foi mensurada pelo método es- pectrofotométrico proposto por Bhaskara e Nagaraja (2006), que consiste na formação do produto roxo de Ruhemann em decorrência da reação entre glifosato e ninidrina, na presença de molibdato de sódio, em meio aquoso neutro, à temperatura de 90ºC. Previamente à análise de glifosato, filtraram-se as amostras em membranas de celulose 0,45 µm e ajus- tou-se o pH para 7 com solução de H 2 SO 4 0,1 mol L-1 ou NaOH 0,1 mol L-1. Construiu-se a curva de calibração (coeficiente de determinação — R2 = 0,9919) do glifo- sato utilizando-se soluções preparadas com o produto comercial adotado nos ensaios para evitar a interferên- cia dos demais compostos presentes neles, em compa- ração com o produto puro (PEREIRA, 2011). A faixa de trabalho adotada foi de 0,1 a 3,5 mg L-1, e as leituras foram feitas em 570 nm, com o uso de espectrofotô- metro UV DR 6000 Hach. Capacidade e cinética de adsorção do glifosato Realizaram-se as determinações da capacidade e ciné- tica de adsorção do glifosato no meio suporte, empre- gando o sistema e condições experimentais descritos em sistema experimental. Obtiveram-se os dados de glifosato adsorvido por mas- sa de argila em função do tempo de amostragem por meio da Equação 1 (MAYAKADUWA et al., 2016), e a porcentagem de remoção por meio da Equação 2. q C C V mt t= −( )⋅( )0 (1) remoção= C -C C 0 t 0 ( ) 100 (2) Em que: q t = a quantidade de glifosato adsorvido por massa de adsorvente (mg g-1) no tempo t (min); C 0 e C t = as concentrações de glifosato em solução (mg L-1) iniciais e no tempo t, respectivamente; V = o volume da solução (L); m = a massa de argila (g). Com o intuito de elucidar a interferência da concentra- ção de fósforo e dos valores de pH do meio na cinéti- ca de adsorção do glifosato na argila, ajustaram-se os dados aos modelos cinéticos de pseudoprimeira or- dem, pseudossegunda ordem e difusão intrapartícula (MAYAKADUWA et al., 2016). A forma não linear dos modelos de pseudoprimeira ordem e pseudossegunda ordem são descritos pelas equações 3 e 4, respectivamente. Cuba, R.M.F. et al. 52 RBCIAMB | v.55 | n.1 | mar 2020 | 48-60 - ISSN 2176-9478 q q et e k t= − −( )1 1 (3) q q k t k q tt e e = + 2 2 21 (4) Em que: k 1 e k 2 = as constantes de adsorção de pseudoprimeira ordem (min-1) e pseudossegunda ordem (g mg-1 min-1). O modelo de difusão intrapartícula encontra-se descri- to na Equação 5. q k t Ct dif= + 1 2/ (5) Em que: k dif = a constante da taxa de difusão intrapartícula (mg g-1 min½); C (mg g-1) = o parâmetro constante relacionado com a resistência à difusão. Adotaram-se as formas não linearizadas das equações, pois Vithanage et al. (2016) sugerem que elas produzem menores discrepâncias quando comparadas com os ajus- tes a equações linearizadas. Para avaliar a qualidade dos ajustes, tomaram-se como critérios os valores dos R2. Modelo de planejamento experimental aplicado aos ensaios de adsorção O planejamento adotado foi o modelo do tipo randomi- zed complete block design (RCBD), e empregaram-se grá- ficos de superfície resposta para avaliar a influência do pH e da concentração de fósforo inorgânico na adsorção do glifosato, assim como o efeito sinérgico entre eles. Na Tabela 1, apresentam-se as condições de pH e as concentrações de fósforo inorgânico adotadas. Escolheram-se os valores de pH de forma a se obte- rem meios ácido, neutro e básico, assim como dife- rentes estados de ionização da molécula de glifosato (pk 1 = 0,8; pk 2 = 2,16; pk 3 = 5,46; pk 4 = 10,14). Fez-se o ajuste do pH por meio de solução H 2 SO 4 0,1 mol L-1 ou NaOH 0,1 mol L-1. A concentração de glifosato adotada nos ensaios não sofreu alteração e determinou-se em função de resul- tados obtidos por Prata et al. (2003) que, ao analisa- rem a influência do fósforo na adsorção de glifosato em solo, verificaram que, quanto maior a concentração do herbicida, maior o efeito competitivo na adsorção, sen- do a máxima concentração estudada pelos autores a de 6,7 mg L-1. Dessa forma, definiu-se que a concentra- ção adotada neste estudo seria superior às do referido estudo, sendo estabelecida em 8 mg L-1. Para obter diferentes relações glifosato/fósforo inor- gânico, adotaram-se três concentrações de fósforo na forma de fosfato (P-PO 4 3-): 0.8, 8 e 16 mg L-1. Esses valores forneceram relações glifosato/fósforo de 10, 1 e 0,5, definidas em função da máxima concentra- ção de glifosato + ácido aminometilfosfônico (AMPA) (500 µg L-1) permitida em água de abastecimento se- gundo Portaria de Consolidação nº 5 do Ministério da Saúde (BRASIL, 2017), e valores de concentrações de fósforo total para ambientes lóticos mesotrófi- cos (50 µg L-1), supereutróficos (500 µg L-1) e hipereu- tróficos (1.000 µg L-1) (CETESB, 2017). Com base nos dados obtidos na execução do planeja- mento experimental, serviu-se do software Origin 9.0 P-PO 4 3- (mg L-1)* pH 4 7 10 0,8 Ensaio 1 Ensaio 2 Ensaio 3 8 Ensaio 4 Ensaio 5 Ensaio 6 16 Ensaio 7 Ensaio 8 Ensaio 9 Tabela 1 – Planejamento randomized complete block design (RCBD) adotado no ensaio de adsorção. *Concentração de fósforo inorgânico na forma de fosfato. Efeito do fósforo de pH na adsorção de glifosato em meio aquoso 53 RBCIAMB | v.55 | n.1 | mar 2020 | 48-60 - ISSN 2176-9478 para os cálculos da ordem de reação e das constantes cinéticas, e do software Statistica para análise de re- gressão múltipla e análise de superfície de resposta, com nível de significância de 5% (p < 0,05). RESULTADOS E DISCUSSÃO Efeito da concentração de fósforo e valor do pH de adsorção na cinética de adsorção Na Tabela 2 apresentam-se os resultados do ajuste cinético obtido nas diferentes condições de concentra- ção de fósforo e pH. Ao analisar os dados apresentados na Tabela 2, po- de-se verificar que os ensaios com concentrações de 0,8 e 8 mg L-1 (P-PO 4 3-) e valor de pH = 7 foram os que apresentaram os valores de R2 mais elevados, demonstrando melhores ajustes, com predominân- cia do modelo cinético de pseudossegunda ordem. Nessas situações, a adsorção é controlada principal- mente por fenômenos de superfície e não de difusão (CHEN et al., 2016). O fato de o modelo de pseudossegunda ordem ter apresentado maiores valores de R2 quando compara- dos aos de pseudoprimeira ordem indica que a qui- missorção é o mecanismo predominante (DIVISEKARA; NAVARATNE; ABEYSEKARA, 2018). Essa hipótese pode ser corroborada pelos resultados obtidos por Dideriksen e Stipp (2003) que, ao es- tudarem a adsorção do glifosato em superfície de goetita (minério de ferro), observaram, por meio de microscopia de força atômica, que ela era contro- lada por estruturas básicas presentes na superfície do minério, que se ligavam fortemente ao composto mediante troca com grupos hidroxilas coordenados individualmente, ou seja, a adsorção ocorria em sí- tios específicos. O modelo intrapartícula, embora não tenha sido o me- canismo predominante para as concentrações de 0,8 e 8 mg L-1 (P-PO 4 3-), também apresentou ajuste satis- fatório. Essa situação também foi verificada por Yama- guchi, Rubio e Bergamasco (2019), que estudaram a adsorção do glifosato em biocarvão impregnado com ferro e manganês. Os autores sustentaram que o ajuste satisfatório para o modelo intrapartícula indica a com- Ensaio Condições Modelos Cinéticos pH Fósforo mg L-1 (P-PO 4 3-) Pseudoprimeira ordem Pseudossegunda ordem Intrapartícula R2 k 1 R2 k 2 R2 K dif 1 4 0,8 * * * * 0,8548 6,7043 × 10-4 2 7 0,9604 0,02026 0,9629 1,41438 0,9151 6,6992 × 10-4 3 10 0,7265 0,00216 0,7353 0,10264 0,7136 3,9694 × 10-4 4 4 8 0,8331 0,01441 0,8372 1,24404 0,6969 5,1671 × 10-4 5 7 0,9030 0,00747 0,9312 0,40705 0,8119 5,6558 × 10-4 6 10 0,9066 9,003x10-4 0,9059 0,00908 0,8631 5,5007 × 10-4 7 4 16 0,7532 0,0014 0,7563 0,04113 0,8173 3,5335 × 10-4 8 7 * * * * 0,7480 5,8266 × 10-4 9 10 * * * * 0,7454 3,7667 × 10-4 Tabela 2 – Resumo do ajuste dos modelos cinéticos sob diferentes condições de pH e concentração de fósforo e seus respectivos coeficientes de determinação (R2). *Não houve ajuste aos modelos testados; k 1 (min-1); k 2 (g mg-1 min-1); K dif (mg g-1 min½). Cuba, R.M.F. et al. 54 RBCIAMB | v.55 | n.1 | mar 2020 | 48-60 - ISSN 2176-9478 plexidade do mecanismo de adsorção, e tanto a adsor- ção superficial quanto a difusão contribuem para a eta- pa limitante do processo. Em contrapartida, a dinâmica de adsorção do glifosato se distinguiu quando o meio líquido apresentou concen- tração de fósforo (P-PO 4 3-) de 16 mg L-1. Almeida, Macha- do e Debacher (2004) afirmaram que a adsorção do gli- fosato na presença de baixas concentrações de fósforo inorgânico tende a ocorrer rapidamente. Porém, à me- dida que a concentração de fósforo aumenta, íons fosfa- tos competem com o glifosato pelos sítios de adsorção, ocupando-os preferencialmente (WAIMAN et al., 2016). As menores velocidades de adsorção do glifosato em fun- ção do aumento da concentração de fósforo inorgânico podem ser corroboradas ao se analisar a Figura 1, que apresenta os resultados dos ajustes cinéticos para as três concentrações de fósforo (P–PO 4 3-), considerando pH = 7. Ao se compararem os perfis cinéticos dos ensaios rea- lizados com 0,8 e 8,0 mg L-1 de fósforo (P-PO 4 3-) apre- sentados nas Figuras 1A e 1B, respectivamente, e os dados das constantes cinéticas aparentes de pseudos- segunda ordem na Tabela 1, verifica-se que, para a me- nor concentração de fósforo, a velocidade de adsorção do glifosato foi maior, com valores de k 2 de 1,41438 e Figura 1 – Ajustes cinéticos para as três concentrações de fósforo (P -PO 4 3-): (A) 0,8 mg g-1, (B) 8,0 mg g-1 e (C) 16 mg g-1 e pH =7. A 0,8 mg L-1 Dados experimentais qt (m g g- 1 ) Modelo ajustado 0,020 0,015 0,010 0,005 0,000 Tempo (minutos) 0 100 200 300 400 500 600 700 C 16 mg L-1 qt (m g g- 1 ) 0,012 0,010 0,006 0,008 0,005 0,002 0,004 0,000 Tempo (minutos) 0 100 200 300 400 500 600 700 B 0,8 mg L-1 qt (m g g- 1 ) 0,020 0,015 0,010 0,005 0,000 Tempo (minutos) 0 100 200 300 400 500 600 700 Efeito do fósforo de pH na adsorção de glifosato em meio aquoso 55 RBCIAMB | v.55 | n.1 | mar 2020 | 48-60 - ISSN 2176-9478 0,40705 g mg-1 min-1 e remoção média de 90% de glifo- sato em 180 e 300 min, respectivamente. Com relação ao ensaio com 16 mg L-1 de fósforo, não é possível comparar o valor da constante cinética ob- tida com os dos demais ensaios, visto que os dados experimentais do ensaio apresentaram ajustes ao mo- delo de intrapartícula. Porém, pode-se inferir que a velocidade foi ainda menor quando comparada às de- mais, pois o tempo necessário para adsorver os mes- mos 90% da massa inicial de glifosato foi de 600 min, ou seja, 3,3 vezes maior que o obtido para o ensaio com 0,8 mg L-1. Outros estudos apresentados na literatura também obtiveram o mesmo comportamento com relação às velocidades de adsorção. Dideriksen e Stipp (2003), ao estudarem a influência do fósforo na adsorção do glifosato em goetita, verificaram que a adsorção de íons fosfato ocorreu em concentração 3,2 vezes maior que a do glifosato. Comportamento semelhante foi obtido por Gimsing e Borggaard (2002), que obtiveram duas vezes mais adsorção de fósforo (na forma de fosfato). Para ambos os casos, a explicação baseia-se no fato de a estrutura molecular do fosfato ser menor que a do glifosato, fazendo com que o segundo ocupe maior espaço e reduzindo, portanto, o número de sítios de adsorção disponíveis (GIMSING; BORGGAARD, 2002). Dessa forma, acredita-se que, com a saturação dos sí- tios de adsorção na superfície da argila pelo fósforo, o mecanismo intrapartícula passou a ser determinante na adsorção do glifosato, conforme observado e expli- cado por Khoury et al. (2010) em seus experimentos com diferentes concentrações de glifosato. Na Figura 2, apresentam-se imagens de microscopia eletrônica de varredura do material utilizado como adsorvente, nas quais é possível verificar a sua consi- derável porosidade. Efeito da concentração de fósforo, do valor do pH e do tempo de contato na adsorção do glifosato Avaliou-se a influência do tempo de contato, da con- centração de fósforo inorgânico (P-PO 4 3-) e do valor do pH de adsorção por meio de regressão múltipla, levan- do-se em consideração as variáveis tempo, concentra- ção de fósforo e pH. Como resposta empregou-se a massa de glifosato adsorvida por massa de argila (MA). Na Tabela 3, apresentam-se os resultados da análise de regressão múltipla para verificação do efeito das variá- veis tempo de contato, pH e concentração de fósforo sobre a MA. A regressão múltipla testou a significância do ajuste com R2 = 0,64 e, por meio do teste t, estimaram-se os coeficientes β para cada variável. Ao interpretar os dados obtidos, o coeficiente β do tempo indica que ele possui 75% de correlação positi- va, o que significa que, a cada 0,75 h, há o aumento de Figura 2 – Imagens por microscopia eletrônica de varredura (MEV) da argila expandida antes do ensaio de adsorção. Cuba, R.M.F. et al. 56 RBCIAMB | v.55 | n.1 | mar 2020 | 48-60 - ISSN 2176-9478 0,001072 mg.g-1 da MA. Já os coeficientes β do pH e da concentração de fósforo indicam correlação negativa. No entanto, com valores inferiores de 16 e 22%, isso indica que, a cada aumento de 0,16 no valor de pH e 0,22 mg L-1 da concentração de fósforo, a MA diminui em 0,000385 mg g-1 e 0,000205 mg g-1, respectivamente. O valor de p permite afirmar que o comportamento da MA se explica pelas mudanças no tempo de conta- to (p < 0,05), pH (p < 0,05) e concentração de fósforo (p < 0,05), com intervalo de confiança superior a 95%. Realizou-se análise da superfície resposta com mode- lo quadrático (Figura 3) e obteve-se Equação 6, rela- tiva ao pH e ao fósforo, a fim de avaliar o comporta- mento da MA. MA = + + − − − − −0 0043 0 0008 0 0043 5 8064 5 3 1031 6, , . , . , . . . , . . .X Y E X X E X Y 00 0003, . .Y Y MA = + + − − − − −0 0043 0 0008 0 0043 5 8064 5 3 1031 6, , . , . , . . . , . . .X Y E X X E X Y 00 0003, . .Y Y (6) Analisando o gráfico apresentado na Figura 3, pode-se observar que a região onde se têm maiores valores de MA é a representada pela coloração de vermelho in- tenso, na qual se encontra o pH 7 e concentração de fósforo inferior a 8 mg L-1. Esses dados representam remoção média máxima de 55,2% e mínima de 35,7%, conforme se observa no gráfico da Figura 4. Os resultados apresentados na Figura 4 demonstram que as menores remoções de glifosato ocorreram em pH igual a 10, independentemente da concentração de fósforo utilizada. Tévez e Afonso (2015) relatam que diferentes estudos de adsorção do glifosato em solos R2 = 0,64323727; F(3,140) = 84,139 Coeficientes Estatística β B t(140) p Intercepto 0,006937 6,82424 < 0,001 Tempo 0,752319 0,001072 14,90308 < 0,001 pH -0,165340 -0,000385 -3,27532 0,001330 Fosfato -0,223420 -0,000205 -4,42584 0,000019 Tabela 3 – Dados resultantes da análise de regressão múltipla para verificação do efeito das variáveis tempo, pH e fósforo sobre a MA. Figura 3 – Superfície resposta do modelo quadrático da relação pH/fósforo sob a MA. pH 11 10 9 8 7 6 5 4 3 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 Fósforo (mg/L) MA (mg g -1) 0,012 0,01 0,008 0,006 0,004 0,002 0 -0,002 Efeito do fósforo de pH na adsorção de glifosato em meio aquoso 57 RBCIAMB | v.55 | n.1 | mar 2020 | 48-60 - ISSN 2176-9478 obtiveram diminuição na capacidade de adsorção com o aumento do pH, evidenciando comportamento de adsorção aniônica. De acordo com Yan e Jing (2018), a dependência do pH para a formação de complexos de superfície entre glifosato e ferro ou glifosato e alumínio presentes nas superfícies dos minerais pode ser atribuída ao meca- nismo de troca de ligantes, com substituição do grupo hidroxila (OH-). Isso está representado nas equações 7, 8 e 9 propostas por Barja e Afonso (2005) e Khoury et al. (2010), em que M representa os átomos de ferro (Fe) ou alumínio (Al). ≡ + − − + − − +↔≡− +MOH R P O OH O H MO P O OH R H OK( )( ) ( )( ) 1 2 1 2 ≡ + − − + − − +↔≡− +MOH R P O OH O H MO P O OH R H OK( )( ) ( )( ) 1 2 1 2 (7) K 1 , K 2 e K 3 = as constantes de estabilidade para os com- plexos de superfície. ≡ + − − − − +↔≡−MOH R P O OH O MO P O R H OK( )( ) ( )2 2 2 ≡ + − − − − +↔≡−MOH R P O OH O MO P O R H OK( )( ) ( )2 2 2 (8) 2 22 2 3≡ + − − + ↔ ≡ − − + − +MOH R P O OH O H MO P O R H OK( )( ) ( ) ( ) 2 22 2 3≡ + − − + ↔ ≡ − − + − +MOH R P O OH O H MO P O R H OK( )( ) ( ) ( ) (9) Embora o glifosato seja um agente quelante tridentado em razão da presença de três grupos funcionais polares (amina, carboxila e fosfato), somente o grupo fosfatado participa de forma significativa e direta do mecanismo de adsorção segundo as equações 7, 8 e 9 sugeridas por Yan e Jing (2018). Sendo assim, sob condições ácidas, grupos fosfatos do glifosato se concentram na superfície do mineral em razão de atração eletrostática, favorecendo, energe- ticamente, a substituição do grupo OH- presente na superfície do minério para formar estruturas biden- tadas (mono e binuclear). Porém, com o aumento do pH, a competição com o OH- do meio impede a reação de troca de ligante entre o grupo fosfato do glifosato e os da superfície, o que resulta em desaparecimento sucessivo da configuração de complexos bidentados (YAN; JING, 2018). Também se pode observar que o aumento da concen- tração de fósforo de 0,8 para 16 mgL-1 (P-PO 4 3-) resul- tou em diminuição na remoção do glifosato de 20,62, 14,28 e 4,09% para os valores de pH 4, 7 e 10, respec- tivamente, o que equivale à diminuição de remoção de massa de glifosato/massa de argila de 0,006, 0,002 e 0,001 mg g-1. A competição por sítios de adsorção entre glifosato e fósforo inorgânico também seria a explicação para es- ses resultados, principalmente se levarmos em consi- deração que o mecanismo de ligação de ambos com a superfície do minério de ferro se dá por meio da subs- tituição de ligantes OH, conforme explicado anterior- mente. Esse fato também explicaria os menores valo- res de remoção do glifosato para pH = 10, visto que o excesso de hidroxilas no meio também compete com os íons fosfatos (DIDERIKSEN; STIPP, 2003). Figura 4 – (A) Porcentagem de remoção de glifosato e (B) massa de glifosato adsorvida por massa de argila em função da concentração de fósforo inorgânico e do valor de pH do meio. 0,022 0,020 0,018 0,016 0,014 0,012 0,010 0,008 0,006 0,004 0,002 0,000 0,017 0,017 0,012 0,017 0,018 0,014 0,011 0,015 0,011 A 0,8 mg L-1 (P-PO 4 3-) 8,0 mg L-1 (P-PO 4 3-) 16,0 mg L-1 (P-PO 4 3-) Re m oç ão (% ) 70 60 50 40 30 20 10 0 pH de adsorção 4 7 10 4 7 10 4 7 10 54,68 54,32 37,08 53,49 58,40 34,18 34,06 40,04 32,99 B 0,8 mg L-1 (P-PO 4 3-) 8,0 mg L-1 (P-PO 4 3-) 16,0 mg L-1 (P-PO 4 3-) qe (m g g- 1 ) pH de adsorção 4 7 10 4 7 10 4 7 10 Cuba, R.M.F. et al. 58 RBCIAMB | v.55 | n.1 | mar 2020 | 48-60 - ISSN 2176-9478 CONCLUSÃO Com base nos resultados obtidos, pode-se con- cluir que tanto a capacidade quanto a velocidade de adsorção do glifosato (formulação comercial) em superfícies conformadas por óxidos de ferro e alumínio, como a argila expandida, foram afetadas pelo aumento da concentração de fósforo inorgânico e do pH do meio. Os ensaios cinéticos evidenciaram que, para as concen- trações de 0,8 e 8 mg L-1 de fósforo (P-PO4 3-), o mecanis- mo predominante na adsorção é o de pseudossegunda ordem, enquanto para a concentração de 16 mg L-1 é o intrapartícula, independentemente do pH. Os resultados da análise de regressão múltipla de- monstraram que, a cada aumento de 0,16 no valor de pH e 0,22 mg L-1 na concentração de fósforo, a massa adsorvida de glifosato diminui em 0,000385 e 0,000205 mg g-1, respectivamente. O pH próximo à neutralidade e concentrações de 8 mg L-1 de fósforo foram as condi- ções mais adequadas para a adsorção do glifosato com remoção de 58,4%, equivalente a 0,017 mg g-1 de glifo- sato por massa de material adsorvente. REFERÊNCIAS AGA, D.S.; LENCZEWSKI, M.; SNOW, D.; MUURINEN, J.; SALLACH, J.B.; WALLACE, J.S. Challenges in the measurement of antibiotics and in evaluating their impacts in agroecosystems: a critical review. 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