103 RBCIAMB | v.55 | n.1 | mar 2020 | 103-121 - ISSN 2176-9478 Elaine Nunes Jordan Doutoranda na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) – Curitiba (PR), Brasil. Tatiana Maria Cecy Gadda PhD, Professora na UTFPR – Curitiba (PR), Brasil. Endereço para correspondência: Tatiana Maria Cecy Gadda – UTFPR – Universidade Tecnológica Federal do Paraná (Sede Ecoville) – Rua Deputado Heitor Alencar Furtado, 5000 – CEP 81280-340 – Curitiba (PR), Brasil – Departamento Acadêmico de Engenharia Civil – E-mail: tatianagadda@utfpr.edu.br Recebido em: 10/11/2019 Aceito em: 15/03/2020 RESUMO Indiretamente, os produtos orgânicos oferecem atributos relacionados à proteção do meio ambiente, além de apresentarem diferencial associado ao aspecto nutricional e sensorial. Isso porque esses produtos, contrastando com a agricultura convencional, não contêm agrotóxicos, adubos químicos, insumos geneticamente modificados ou aditivos sintéticos. Contudo os impactos associados à distância entre produção e consumo desses alimentos não são notados. Essa relação entre escalas espaciais e sistemas natural e humano caracteriza uma situação de teleacoplamento, cujo entendimento relevante para as políticas públicas sobre proteção do meio ambiente e segurança alimentar. A literatura sobre teleacoplamento costuma analisar o fluxo de commodities entre países. Este estudo inova ao analisar o teleacoplamento urbano por meio de dados não só qualitativos, mas também quantitativos, identificando desafios ambientais do deslocamento das frutas orgânicas certificadas ao mercado consumidor da grande Curitiba. Os resultados sugerem desafios ambientais relevantes e ainda não superados desde a produção até o consumo de orgânicos certificados. Esses desafios estão principalmente relacionados com deslocamento, tipo de transporte e armazenamento e embalagem. Compreender o teleacoplamento urbano é importante para governar a sustentabilidade global e local. Palavras-chave: produtos orgânicos; consumo consciente; desafios ambientais; sistemas acoplados distantes; sustentabilidade. ABSTRACT Indirectly, organic products offer attributes related to the protection of the environment, in addition to presenting a differential associated with nutritional and sensory aspects. These products, in contrast to conventional agriculture, do not contain agrochemicals, chemical fertilizers, genetically modified inputs or synthetic additives. However, the impacts associated with the distance between production and consumption of these foods are not noticed. This relationship between spatial scales and social systems characterizes a situation of telecoupling, where understanding its consequences for the protection of the environment and food security is relevant for public policies. The literature on telecoupling usually analyzes the flow of commodities between countries. This study is innovative in analyzing urban telecoupling, using data that is not only qualitative but also quantitative, identifying environmental challenges in the displacement of certified organic fruits to the consumer market in greater Curitiba. The results suggest relevant environmental challenges that have not yet been overcome in the production and consumption system of certified organics. These challenges are mainly related to displacement, type of transport, storage and packaging. Understanding urban telecoupling is important to govern global and local sustainability. Keywords: organic products; consumption awareness; environmental challenges; distant coupled systems; sustainability. DOI: 10.5327/Z2176-947820200594 IMPACTOS DOS TELEACOPLAMENTOS URBANOS DAS FRUTAS ORGÂNICAS CERTIFICADAS URBAN TELECOUPLING IMPACTS OF CERTIFIED ORGANIC FRUITS https://orcid.org/0000-0001-6974-4110 https://orcid.org/0000-0002-7918-2104 Jordan, E.N.; Gadda, T.M.C. 104 RBCIAMB | v.55 | n.1 | mar 2020 | 103-121 - ISSN 2176-9478 INTRODUÇÃO O crescimento econômico e a globalização vêm alte- rando a relação homem-meio em virtude de mudanças nos padrões de consumo e no estilo de vida urbano, im- pactando o ambiente e por consequência o bem-estar humano. O consumo alimentar urbano está associado à qualidade ambiental, reverberando mudanças am- bientais globais como uso do solo, fluxo de nitrogênio, perda de biodiversidade, entre outras. Configurando ce- nário de extrapolação da tendência atual de produção e consumo, a demanda mundial por alimentos até 2030 está prevista para aumentar 50% e poderá chegar a 70% até 2050. Esses índices são caracterizados por aumen- to da renda per capita e crescimento populacional, que são formados pela concentração urbana. Entretanto os ecossistemas dos quais a produção de alimentos depen- de e que garantiria o suprimento crescente da demanda, estão sob crescente extenuação. Por exemplo, espera-se impacto negativo na biodiversidade e nos serviços ecos- sistêmicos em nível nacional (FAO, 2017). Enquanto no Brasil a extensão do território agrícola tem crescido, a população já não é na sua maioria rural há muitas décadas. Atualmente 80% da população bra- sileira é urbana. Essa relação tem implicação significa- tiva no poder de decisão em relação a perdas e ganhos entre os territórios urbano e não urbano, o qual é es- sencialmente exercido por aqueles habitantes urbanos cuja relação com a natureza é menos direta. Um desses mecanismos de decisão da população urbana sobre o território não urbano é o padrão de consumo vincula- do ao estilo de vida urbano (IPBES, 2018). Dessa forma, a sustentabilidade urbana está atrelada ao consumo de produtos que gerem menor impacto ambiental. A Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES, 2018) indica que trajetórias sustentáveis futuras, que consi- derem mudanças nas opções da sociedade, levarão à menor pressão sobre os ecossistemas. Por exemplo, mudanças nas preferências de dieta urbana impac- tam indiretamente a produção e a expansão agrícola. Esse dado denota forte conexão não apenas entre ur- banização e crescimento econômico, mas entre afluên- cia e consumo urbano de diferentes produtos agríco- las, cuja produção tem impactos ambientais diversos (IPBES, 2018). É sabido que avançar nas boas práticas de produção agropecuária — como o aumento da cobertura do solo, o controle de erosão superficial e a diminuição do uso de agroquímicos (MERTEN; MINELLA, 2013) — é uma das estratégias eficazes e centrais para a compo- sição de paisagens multifuncionais, a sustentabilidade da produção de alimentos e a conservação ambiental (STRASSBURG et al., 2017). Por exemplo, a estimativa é de que o aumento do uso de fertilizantes em áreas cultivadas terá impacto expressivo na poluição de cor- pos hídricos, comprometendo significativamente esses ecossistemas (ANA, 2012). Um importante vetor de mudanças das práticas agrí- colas, contudo, é a demanda por produtos com menor impacto ambiental pelos habitantes urbanos, como é o caso dos produtos orgânicos (LUNARDON, 2008). Segundo pesquisa divulgada no Research Institute of Organic Agriculture (2017), em 2015 a produção mun- dial de alimentos orgânicos alcançou aproximada- mente 50,9 milhões de hectares e atingiu o valor de 81,6 bilhões de dólares, representando possibilidades de renda para os pequenos, médios e grandes agricul- tores orgânicos. De maneira similar ao contexto mundial, a demanda do mercado brasileiro por alimentos orgânicos (demanda que é essencialmente urbana) apresentou crescimen- to de 30% só em 2016, o qual foi motivado pela ali- mentação saudável e sustentável (ORGANIS & MARKET ANALYSIS, 2017). Autores nacionais e internacionais como FAO (1989), Primavesi (1997), Eswaran et al. (2001), Caporal e Costabeber (2003), Assis (2005), MacDonald et al. (2011), Foley et al. (2011), Lima, Pires e Vargas (2014), Ehlers (2017), Prado, Formiga e Marques (2017), entre outros, fizeram extensa abordagem da relação da pro- dução orgânica certificada com a sustentabilidade am- biental em geral. Gordon et al. (2005), Diaz e Rosenberg (2008), Moretto et al. (2012), Thomas, Quillérou e Stewart (2013) e Rosset et al. (2014) analisaram essa relação especificamente com a qualidade da água. Ainda, Oldeman (1994), Gliesssman (2008) e Lal (2009) abordaram essa relação quanto à qualidade do solo e Souza e Santos (2017) quanto à sedimentação. Impactos dos teleacoplamentos urbanos das frutas orgânicas certificadas 105 RBCIAMB | v.55 | n.1 | mar 2020 | 103-121 - ISSN 2176-9478 Sendo assim, a produção orgânica certificada assegura o consumo de um produto altamente comprometido com a qualidade ambiental nas áreas de produção. Contudo, o escopo da certificação orgânica não inclui questões importantes para a sustentabilidade ambien- tal que estão além do território da produção, como os impactos associados à distância entre o local de produ- ção e o local de consumo final desses produtos. Este artigo discute a relação dos produtos orgânicos cer- tificados, que garantem menor impacto ambiental no lo- cal de produção, com a sustentabilidade urbana por meio das escolhas de consumo de alimento. Aprofunda-se a discussão sobre se na agenda das políticas urbanas de sustentabilidade a questão do consumo urbano deve estar mais bem pautada, incluindo a preocupação pe- los impactos ambientais associados à distância entre o local de produção e o de consumo final. Identificam-se limitações na literatura sobre análises aprofundadas sobre a sustentabilidade urbana vinculada ao consumo de produtos vindos de territórios remotos e a implica- ção ambiental dessa dinâmica. Por meio da análise do fenômeno de teleacoplamento urbano, este artigo põe luz sobre possíveis impactos gerados pelo consumo de alimento orgânico certificado de áreas próximas e dis- tantes. Para isso, usa-se o estudo de caso do mercado consumidor de frutas orgânicas certificadas de Curitiba. Justifica-se a escolha pelo universo de produto orgânico certificado por ser possível associá-lo a maior consciên- cia ambiental do público consumidor. Contexto urbano Conforme Ojima e Martine (2012), a população urba- na continua crescendo. A mata atlântica é atualmente o bioma mais urbanizado no país, abrigando 60% da população brasileira (IBGE, 2013). Nesse bioma, encon- tram-se oito das dez maiores regiões metropolitanas e 38 das 50 maiores cidades brasileiras (IBGE, 2016). A população do Brasil já era majoritariamente urbana na década de 1970, representando mais de 80% dos ha- bitantes do país nos anos 2000 (IBGE, 2017). Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2017), 17 são as cidades brasileiras com população superior a um milhão de habitantes, as quais abrigam 22% de toda a população do país. O impacto indireto também cresce por meio da de- manda por recursos naturais das atividades urbanas, não apenas decorrente de áreas periurbanas, assim como, gradativamente, de locais distantes (SETO et al., 2012; SEITZINGER et al., 2012). O Brasil ainda não conta com políticas públicas significati- vas que relacionem o uso da terra com o desenvolvimen- to urbano e a manutenção dos serviços ecossistêmicos. Nesse contexto, estudos sugerem ser relevante maior compreensão: • dos impactos dos processos urbanos em território nacional; • dos processos de teleacoplamentos urbanos (intera- ções socioeconômicas e ambientais entre os sistemas acoplados — natural e humano — por meio de grandes distâncias (SETO et al. 2012; SEITZINGER et al., 2012). Teleacoplamento Como mostra Liu, McConnell e Baerwald (2011) na Figura 1, o teleacoplamento engloba interações socioeconômicas e ambientais entre sistemas naturais e humanos acoplados distantes. A contribuição dessa visão está no potencial de melhor compreender a sustentabilidade urbana conside- rando os diferentes tipos de interações nos sistemas hu- manos e naturais acoplados, os quais sofreram drásticas transformações nas últimas décadas (LIU; YANG; LI, 2016). O teleacoplamento é composto de cinco componentes inter-relacionados: sistemas, fluxos, agentes, causas e efeitos (LIU; YANG; LI, 2016). Os sistemas referem-se à interação entre o sistema hu- mano e o natural acoplados. Nas interações complexas, é fundamental caracterizar não só a composição do sistema teleacoplado, mas também as configurações temporais e espaciais para compreender melhor os de- mais componentes (fluxos, agentes, causas e efeitos). Os países exportadores, por exemplo, representam sis- temas de envio, isso é, dos quais saem fluxos de ener- gia, informação e material. Já os sistemas receptores são aqueles que obtêm os fluxos dos sistemas de envio, por exemplo, países importadores (LIU et al., 2007). Jordan, E.N.; Gadda, T.M.C. 106 RBCIAMB | v.55 | n.1 | mar 2020 | 103-121 - ISSN 2176-9478 Os fluxos podem ser unidirecionais ou bidirecionais, seguindo caminhos diretos entre os sistemas de envio e de recepção ou caminhos indiretos entre os dois sis- temas que passam por sistemas de transbordamento. Segundo Liu et al. (2007), os fluxos estão relacionados a movimentos de matéria e energia. Conforme Alves, Boddey e Urquiaga (2003) e Alves et al. (2006), no caso do comércio de soja entre o Brasil e a China, os princi- pais fluxos de matérias incluem o transporte de soja e seus derivados do Brasil para a China. Exemplos de flu- xos de informações são transações financeiras e acor- dos comerciais entre o Brasil, a China e outros países. Os agentes formam relacionamentos uns com os outros para produzir fluxos que moldam as conexões, as quais incluem entidades autônomas de tomada de decisão que facilitam ou impedem, amplificam ou enfraquecem ou, mantêm ou dissolvem os acoplamentos. Por exem- plo, os agentes podem ser de tipos diferentes, tais como corporações, indivíduos, famílias e organizações, criando efeitos ambientais e socioeconômicos distintos (JACKSON; WATTS, 2002). Considerando o comércio de soja entre o Brasil e a China, os principais agentes in- cluem agronegócios, produtores de soja, investidores privados e públicos e os apoiadores desse comércio no Brasil. Já na China, os agentes incluem consumidores de produtos de soja, agências governamentais envolvi- das na aplicação e criação de acordos comerciais e os investidores financeiros (ALVES; BODDEY; URQUIAGA, 2003; ALVES et al., 2006). As causas produzem um teleacoplamento entre siste- mas humanos e naturais acoplados, o que gera efei- tos socioeconômicos e ambientais que se manifestam nesses sistemas. O teleacoplamento é possibilitado por agentes que facilitam ou dificultam os fluxos de material/energia e/ou informação entre os sistemas. Agentes e causas podem afetar uns aos outros. A maio- ria das ligações estabelecidas entre todo o acoplamen- to pode ter mais de uma causa e sua origem pode es- tar em sistemas de envio, recepção ou repercussões. Novas dinâmicas no sistema de teleacoplamento po- dem produzir mudanças culturais, ecológicas, econô- micas, políticas e tecnológicas, estando todas interliga- das (LALAND et al., 2011). Segundo Alves, Boddey e Urquiaga (2003) e Alves et al. (2006), as causas no teleacoplamento comercial da soja entre o Brasil e a China são múltiplas. A demanda por produtos de soja, como o óleo vegetal e a ração animal, na China, e o fornecimento de água, capital e terra para produção de soja no Brasil geram uma das principais causas econômicas. Já o interesse do governo chinês em buscar investimentos estrangeiros e o do governo brasileiro em desenvolver o mercado de exportações originam uma causa política. O povo chinês tem pre- ferência por produtos de soja e produtos animais re- sultantes da soja, como alimento para os animais, o que provoca uma causa cultural. No Brasil, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) investiu no desenvolvimento de tecnologia de agricultura tro- pical e nas variedades de soja adaptadas para os so- los ácidos do cerrado, em latitudes que ajudam a fixar biologicamente o nitrogênio na atmosfera (PEREIRA; MARTINS, 2010). O teleacoplamento foi facilitado com o desenvolvimento de cadeias de suprimentos e da eficiência no armazenamento e no transporte de lon- ga distância de produtos agrícolas, como a soja, o que acarreta uma causa tecnológica. As boas condições climáticas para o cultivo de soja no Brasil geram uma causa ecológica. Os efeitos podem facilitar ou dificultar a sustentabili- dade ambiental e/ou socioeconômica no que tange as Sistema natural e humano acoplado (1) Sistema natural e humano acoplado (2) Teleacoplamento Interações ambientais e socioeconômicas entre sistemas naturais e humanos acoplados distantes Fonte: adaptada de Liu, McConnell e Baerwald (2011). Figura 1 – Definição de Teleacoplamento Impactos dos teleacoplamentos urbanos das frutas orgânicas certificadas 107 RBCIAMB | v.55 | n.1 | mar 2020 | 103-121 - ISSN 2176-9478 consequências e os impactos do teleacoplamento e podem ocorrer em diferentes escalas espaciais, organi- zacionais e temporais. Eles podem ocorrer de diversas formas nos sistemas de envio, recepção e/ou transbor- damentos. Algumas pesquisas mostraram, por exem- plo, que o transporte de alimentos pode ter enormes impactos no meio ambiente, de acordo com as rotas, o consumo de energia, as emissões de poluentes e as emissões de carbono (LIU et al., 2013). Conforme Macedo et al. (2012), a intensidade do uso de terra agrícola no Brasil pode aumentar em decorrência do comércio de soja entre o Brasil e a China. O aumen- to no sistema de plantio direto acarretará aumento do uso de pesticidas, herbicidas e fertilizantes, como o fósforo, ocasionando perda de serviços ecossistêmicos e biodiversidade (MARTINELLI et al., 2010). Na China, o reflorestamento, o sequestro de carbono e as emissões de carbono em todas as rotas de transporte causaram sistemas de transbordamento, enquanto no Brasil o comércio de soja com a China causou violência rural e deslocamento de pessoas locais. Os agricultores chi- neses trocaram a produção de soja por outras culturas, como milho, ou converteram suas terras em florestas, em função dos baixos preços da soja importada do Brasil (GRAIN, 2012). Segundo Lima, Skutsch e Costa (2011), alguns setores da sociedade brasileira tiveram geração de renda com o comércio da soja com a China. Segundo Baird (2011), novas políticas devem ser im- plementadas e desenvolvidas para fortalecer as eco- nomias locais e promover desenvolvimento transna- cional, visando reduzir a degradação ambiental e as desigualdades sociais. Para tanto, estudos que evi- denciem os impactos socioambientais dos teleacopla- mentos são necessários, porém não existem no Brasil pesquisas sobre esta temática. A literatura tem se ocu- pado principalmente em relacionar os impactos dos teleacoplamentos de commodities ao meio socioam- biental. Contudo, o consumo de produtos associados à sustentabilidade, como os produtos orgânicos, ainda carece de avaliação sob a perspectiva dos teleacopla- mentos urbanos. Este artigo busca preencher essa la- cuna de conhecimento trazendo à luz alguns desafios associados ao teleacoplamento urbano de produtos orgânicos no Brasil. Produção e consumo de produtos orgânicos certificados O pacote econômico desenvolvido nas décadas de 1960 e 1970, quando surgiu a revolução verde, visando a necessidade de combater a miséria no mundo privile- giou práticas tecnológicas que desprezavam a agricul- tura orgânica (EHLERS, 1996). No Brasil, a agricultura orgânica surgiu na década de 1960, mediante o reconhecimento de que as práticas da agricultura tradicional com o uso de compostos quí- micos poderiam gerar consequências na saúde da po- pulação e no meio ambiente (IFOAM, 2001). Em 1992, quando houve o avanço do sistema orgâni- co no Brasil, não se abordava a justiça social de cada sistema produtivo. Hoje, a agricultura orgânica busca envolver as plantas, os solos e as condições climáticas na produção de alimentos sadios, com características e sabor originais e que atendam o consumidor de forma socialmente justa, economicamente viável e ambien- talmente correta (PENTEADO, 2000). Em 1972, em Versalhes, França, foi fundada a International Federation on Organic Agriculture (IFOAM), primeira organização mundial criada para apoiar a agricultura orgânica, unindo mais de 750 organizações-membro de 116 países. A IFOAM ofe- rece a possibilidade de troca de informações entre entidades associadas, a difusão de novas técnicas, além de certificação e harmonização internacional, levando maior garantia para o mercado de produ- tos orgânicos. A primeira empresa certificadora de produtos orgânicos credenciada na IFOAM foi a Farm Verified Organic (FVO), dos Estados Unidos, nos anos 1980. A FVO segue suas atividades em 11 países de quatro continentes: África, América, Ásia e Europa (IFOAM, 2001). No Brasil, o Instituto Biodinâmico (IBD), de Botucatu, em São Paulo, foi criado em 1982 com o objetivo de im- plementar o ensino e a pesquisa e certificar os produ- tos orgânicos. O IBD é o maior certificador da América Latina e o único certificador brasileiro de produtos or- gânicos com credenciamento na IFOAM (IBD, 2005). Segundo o IBD (2019), em menos de uma década, o nú- mero de produtores e unidades de produção de orgâ- nicos registrados no Brasil triplicou (Figura 2). No ano de 2010 existiam 5.406 unidades de produção e 22.064 Jordan, E.N.; Gadda, T.M.C. 108 RBCIAMB | v.55 | n.1 | mar 2020 | 103-121 - ISSN 2176-9478 em 2018, variação de 300%. Já o número de produtores teve crescimento de 200%, o qual foi impulsionado pelo interesse do mercado consumidor em alimentos saudá- veis e sem contaminantes, passando de 5.934 produto- res registrados no ano de 2012 para 17.730 em 2019. Conforme define o Ministério da Agricultura (BRASIL, 2018), o produtor orgânico deve fazer parte do Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos (CNAPO). Para isso, o produtor pode optar pela certificação por meio de um dos três mecanismos disponíveis: • certificação por auditoria, na qual é concedido o selo SisORG por uma certificadora privada ou públi- ca credenciada no Ministério da Agricultura; • controle social na venda direta, em que se possi- bilita a certificação dos produtos orgânicos para agricultores familiares, que passam a fazer parte do (CNAPO); • sistema participativo de garantia, que se caracteri- za pela responsabilidade coletiva dos membros do sistema, que podem ser produtores, consumidores, técnicos e demais interessados. Neste artigo tratamos os produtos orgânicos indepen- dentemente do tipo de certificação. O avanço dos produtos orgânicos aconteceu prin- cipalmente a partir de 28 de maio de 2009, com a Instrução Normativa no 19 — Mecanismo de Controle e Informação da Qualidade Orgânica — , definida pelo governo federal, o que contribuiu para as nego- ciações com o mercado externo. Não há dados para analisar como os compradores nacionais e estrangei- ros avaliam a Instrução Normativa. Segundo os agen- tes do setor, isso mostra as dificuldades de aumen- tar a produção dos orgânicos, bem como o efeito de coordenação e comercialização (IBGE, 2006). O Brasil lançou em 20 de agosto de 2012, no decreto 7794, a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (PNAPO), visando atender à necessidade de se produzir alimentos saudáveis conservando os recursos naturais e promovendo o desenvolvimen- to rural sustentável. A Portaria Interministerial nº 1, de 3 de maio de 2016, instituiu o Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (PLANAPO) para o período de 2016 a 2019. O PLANAPO, conhecido como Brasil Ecológico, é destinado a implementar progra- mas e ações indutoras da transição agroecológica, que contribuam para o desenvolvimento sustentável e possibilitem a melhoria da qualidade de vida da po- pulação. O plano tem 194 iniciativas, com 30 metas e seis eixos estratégicos: • conhecimento; • terra e território; Número de produtores e unidades de produção registradas no Brasil Número de produtores Unidades de produção 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 5. 40 6 5. 93 4 6. 71 9 10 .1 94 11 .4 78 14 .2 22 17 .4 51 17 .4 73 11 .0 63 10 .0 64 13 .2 32 13 .4 82 15 .5 90 20 .0 50 17 .7 3022 .0 64 8. 06 4 Fonte: adaptada de Brasil (2018). Figura 2 – Número de produtores e unidades de produção registradas no Brasil. Impactos dos teleacoplamentos urbanos das frutas orgânicas certificadas 109 RBCIAMB | v.55 | n.1 | mar 2020 | 103-121 - ISSN 2176-9478 • sociobiodiversidade; • uso e conservação de recursos naturais; • produção; • comercialização e consumo. Os intuitos do plano é a articulação e o diálogo com esta- dos e municípios para estabelecer o planejamento, a in- tegração, o fortalecimento, a implementação e a amplia- ção das políticas setoriais locais de incentivo a sistemas de produção orgânica e de base agroecológica (BRASIL, 2016). Agricultura orgânica no Brasil e no mundo A produção de alimentos orgânicos ainda é pouco explo- rada, apesar do crescimento dos últimos anos. Estima- se que a venda de orgânicos represente parcela de no máximo 4% do total de alimentos vendidos. Essa produ- ção representa hoje, no mundo, 7,5% do total das terras agrícolas, totalizando 69,8 milhões de hectares entre os anos de 2016 e 2017, conforme Tabela 1. De acordo com a IFOAM (2017), o Brasil está com 1.136.857,00 ha de área plantada com de orgânicos, isto corresponde a 0,4% da área global e 0,75% da área local, apresentou crescimento de 30% entre 2011 e 2015, e conta com 15030 produtores. Quanto aos produtores, eles são divididos em dois gru- pos. O primeiro e maior grupo é representado por pe- quenos agricultores (85%) ligados a associações, agri- cultura familiar, cooperativas e grupos de movimentos sociais. Os agricultores desse primeiro grupo produzem 70% de todos os alimentos orgânicos certificados em áreas de até 20 ha. O segundo grupo (15%) é formado por médios (áreas acima de 20 ha até 100 ha) e gran- des (áreas acima de 100 ha) produtores rurais, priva- dos e independentes. Segundo o censo agrícola (IBGE, 2017), os estabelecimentos entre cinco a dez hectares correspondem a lavouras orgânicas permanentes, e nos estabelecimentos de um a dois hectares prevale- cem a horticultura e floricultura orgânicas. O plantio de frutas orgânicas, segundo o IBD (2005), está distribuído pelo Brasil em 16 estados da Federação. A certificação pelo IBD engloba todos os estados das regiões Sudeste, Sul e Nordeste, exceto o estado de Alagoas. Na Região Nordeste sobressai o estado da Bahia, com 18 fruteiras certificadas. Na Região Sudeste, destacam-se São Paulo e Minas Gerais, respectivamente com 19 e 16 fruteiras certificadas. Na Região Sul, os es- tados do Paraná e de Santa Catarina apresentam maior expressão para a diversificação da fruticultura orgânica. Tabela 1 – Área atual plantada com orgânicos. Área atual plantada com orgânicos Região Área orgânico (ha) (%) Global (%) Local (%) Crescimento 2016 - 2017 Número de produtores Africa 2.056.571,00 3 0,2 14,1 815.070 Asia 6.116.834,00 9 0,4 24,9 1.144.263 Europa 14.558.246,00 21 2,9 7,6 397.509 America Latina 8.000.888,00 11 1,1 7,0 455.749 America do Norte 3.223.057,00 5 0,8 3,0 19.017 Oceania 35.894.365,00 51 8,5 31,3 26.750 Mundo 69.845.243,00 100 1,4 20,0 2.858.358 Fonte: adaptada de: FiBL;IFOAM (2020). Jordan, E.N.; Gadda, T.M.C. 110 RBCIAMB | v.55 | n.1 | mar 2020 | 103-121 - ISSN 2176-9478 Os orgânicos no Paraná A Região Sul ocupa o primeiro lugar em número de unidades produtivas orgânicas (UPOs) cadastradas no CNAPO, com 5.083 unidades, totalizando 34,63% das UPOs do Brasil (Figura 3). Conforme o censo agrope- cuário (IBGE, 2006), o Paraná, por meio de cooperati- vas agropecuárias, sociedades e sindicatos rurais, des- taca-se no desenvolvimento da agricultura orgânica. O estado é inclusive reconhecido internacionalmente como grande produtor e exportador de alimentos or- gânicos. Atualmente, o Paraná ocupa a primeira colo- cação no ranking nacional em quantidade de UPOs, contando com 2.068 produtores cadastrados, o que representa 14,09% do total do Brasil (BRASIL, 2018). A agricultura orgânica é mais praticada em pequenas propriedades do estado, totalizando 82% de estabele- cimentos de caráter familiar, que representam 28% da área de plantação de orgânicos. O Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR, 2007) destaca que outra característica da atividade no Paraná é a organização da sociedade civil. Por exem- plo, o Conselho Estadual de Desenvolvimento Rural e Agricultura Familiar (CEDRAF) instituiu a Câmara Setorial de Agricultura Orgânica e Agroecologia, que agrega entidades governamentais e da sociedade civil organizada, propondo ações voltadas ao desen- volvimento da agroecologia e da rede de produção orgânica. A câmera setorial constitui espaço de ca- ráter pluricultural e de debate acerca das questões mais relevantes para o setor de orgânicos no estado do Paraná. Mesmo com a diversificação da economia, os negócios da agricultura orgânica têm sido funda- mentais para o estado. As características que definem as condições edafo- climáticas do Paraná permitem o cultivo de mais de 30 espécies de frutas comerciais, fator importante para a diversificação dos sistemas produtivos. Banana, laranja, melancia, tangerina e uva totalizam 88% do sistema produtivo do estado e o cultivo de frutas pode compreender 93,1% considerando-se o abacate, o caqui, a maçã, o maracujá e o pêssego. A atividade envolve 30.000 fruticultores, em área cultivada de 70,7 mil hectares, com produção de 1,7 milhões de toneladas, e movimenta 1,2 bilhões de reais por ano (SEAB, 2011). As cinco grandes regiões do Paraná definidas pelo IBGE (1989) e seus principais produtos orgânicos são: metropolitana e litoral (frutas, hortaliças e plantas medicinais); oeste (café, hortaliças, leite, milho e suínos); sudoeste (aves, hortaliças, leite e soja); norte e noroeste (açúcar mascavo, café, fru- tas, hortaliças, mandioca, melado e soja) e centro- -sul (feijão, hortaliças, mate, mel e plantas medici- nais). Os principais agentes de comercialização são: associações de produtores; empresas processadoras e distribuidoras; varejistas; entidades de apoio e as- sessoria; assentamentos; associações de produtores e empresas; atacadistas; feiras e processadoras; or- ganizações não governamentais (ONGs) e prefeitu- ras (IAPAR, 2007). A região metropolitana de Curitiba (RMC), juntamente com o litoral do Paraná, é responsável por 25% do to- tal de frutas orgânicas comercializadas no estado. Já os munícipios das regiões norte e oeste do Paraná repre- sentam 50% do comércio das frutas orgânicas. Os 25% restantes provêm de outros estados, sendo Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo os de maior ex- pressão. Desses 25%, Santa Catarina representa 15%, principalmente com produtos como kiwi, maçã e mara- cujá orgânicos. O Rio Grande do Sul é responsável por 5%, com o Ecocitrus. São Paulo representa os outros (%) Número de UPOs Centro-Oeste Sudeste Sul Re gi ão 0 2.000 4.000 6.000 8.000 10.000 12.000 14.000 16.000 Sul Nordeste Sudeste Norte Centro- Oeste TOTAL 34,63 31,23 21,04 8,79 4,31 100 5.083 4.584 3.088 1.290 632 14.677 Fonte: adaptada de Brasil (2017). Figura 3 – Número de unidades produtivas de orgânicos (UPOs) cadastradas por região do Brasil. Impactos dos teleacoplamentos urbanos das frutas orgânicas certificadas 111 RBCIAMB | v.55 | n.1 | mar 2020 | 103-121 - ISSN 2176-9478 5%, sendo laranja, manga, tangerina e morgote orgâni- cos os produtos mais comercializados. O noroeste do estado do Paraná também está fortalecendo a produ- ção e o comércio de frutas orgânicas (IAPAR, 2007). A preocupação atual das pessoas com a saúde e com questões ambientais, como as mudanças climáticas, desperta o senso ecológico e promove a expansão do sistema de produção orgânico em virtude do menor impacto ambiental. Assim, o segmento de alimentos orgânicos tende a se fortalecer. No caso do estado do Paraná, a agricultura orgânica, que surgiu como alternativa, pois 86% das propriedades rurais têm área inferior a 50 hectares, hoje é considerada por muitos como necessidade. Dessa forma, é importan- te incentivar atividades que permitam obter maior rentabilidade por área, mais apoio com relação à as- sistência técnica, mais pesquisas e também métodos alternativos de controle de pragas e doenças (IAPAR, 2007). O papel de Curitiba na promoção dos produtos orgânicos No decorrer dos últimos 40 anos, várias foram as ini- ciativas que impulsionaram Curitiba a formar um mer- cado consumidor de produtos orgânicos e ao mesmo tempo promover direta ou indiretamente a expansão e organização da produção orgânica no estado do Paraná, por meio de processos decisórios e de forma- ção de conhecimento ancorado em instituições com sede na capital paranaense. Em 1981 foi realizado o 1o Encontro Nacional de Agricultura Alternativa (EBAA), composto de estudantes e professores do curso de Agronomia da Universidade Federal do Paraná (PARANÁ, 2011). Segundo Paschoal (1995), o termo agricultura alternativa (AA) foi adota- do na Holanda em 1977. Foi uma denominação dada para um conjunto de movimentos alternativos à agri- cultura tradicional (JESUS, 1987). Entre 1983 e 1984, com a intenção de aproximar produ- tores e consumidores de produtos originados da AA, foi fundada a Cooperativa de Consumidores e Produtores Integrais (COOPERA) (PARANÁ, 2011). Já em 1985, os princípios filosóficos da agricultura orgânica foram for- talecidos após o 1º Congresso Brasileiro de Agricultura Biodinâmica, que permitiu unir diversos setores não governamentais com governamentais e de produtores (PARANÁ, 2011). Em 1989, Curitiba destacou-se com a criação da Feira Verde de Produtos Orgânicos, cujo propósito era a venda direta de produtos orgânicos ao consumi- dor final. A iniciativa contou com financiamento da Secretária da Agricultura e do Abastecimento (SEAB) e do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (EMATER), reunindo inicialmente 15 famílias de agricultores de diversos municípios da região metropolitana para venda em oito bancas (PARANÁ, 2011). Em 1991, o Grupo de Estudos de Agricultura Ecológica (GEAE) criou o Instituto Verde Vida de Desenvolvimento Rural (IVV), visando desenvolver políticas públicas e prestar assessoria técnica a projetos em agricultura orgânica no Paraná. No mesmo ano, agricultores da Feira Verde e lideranças reuniram-se na prefeitura de Quatro Barras, apoiados pelo EMATER, para articu- lar o processo e a organização da agricultura orgânica na RMC. Assim, foi criada a Associação da Agricultura Orgânica do Paraná (AOPA), com objetivo de criar linhas de crédito para comercialização dos produtos orgânicos (PARANÁ, 2011). Em 1995, a Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento de Curitiba (SMAB) reuniu 30 famílias de agricultores e deslocou a Feira Verde para dentro do Passeio Público, com 10 barracas que funcionavam aos sábados pela manhã (PARANÁ, 2011). No período de 1997 a 1998, foi realizado em Curitiba o II Seminário Nacional da Agricultura Orgânica, em que instituições governamentais e sociedade civil criaram o Conselho Estadual de Agricultura Orgânica do Paraná (CEAO) (IAPAR, 2007). Em 2005, a Feira Verde passou a ser denominada de Feira Orgânica e hoje funciona em 14 bairros de Curitiba, nos períodos da manhã, tarde e noite, em diferentes dias da semana (IAPAR, 2007). Além das feiras orgânicas, o consumidor em Curitiba conta com o Mercado Municipal, considerado ponto turístico importante da cidade, que dispõe do primeiro setor de orgânicos em um mercado municipal no Brasil. Jordan, E.N.; Gadda, T.M.C. 112 RBCIAMB | v.55 | n.1 | mar 2020 | 103-121 - ISSN 2176-9478 O consumidor de produtos orgânicos Segundo Naspetti e Zanoli (2005), as percepções dos consumidores de orgânico variam de acordo com o país. O Quadro 1, baseado em Sylvander et al. (2005) e Darolt (2005), apresenta os principais motivos para a compra de orgânicos segundo os consumidores em paí- ses da Europa em comparação com os do Brasil. O Quadro 1 mostra que a tendência dos consumidores de orgânicos é semelhante entre diferentes países. No Brasil, a preocupação com a saúde e a saúde da família está em pri- meiro lugar e vincula-se à segurança dos alimentos (ausên- cia de agentes químicos e contaminação por agrotóxicos). O sabor, o cheiro e o frescor relacionados às qualidades organolépticas do alimento e os cuidados com o meio am- biente aparecem em segundo lugar, os quais impulsionam as vendas. Em terceiro lugar, o que complementa e motiva a compra de orgânicos é o estilo e filosofia de vida. O fato da razão principal para a compra de orgânicos no Brasil ser a saúde é confirmada por Darolt (2005). Com base no autor, pode-se observar no Quadro 2 que há antigos e novos consumidores de orgânicos. Enquanto os novos consumidores de produtos orgânicos costu- mam ter bom nível de consciência sobre a saúde, os mais Quadro 1 – Principais motivos para a compra de orgânicos pelos consumidores em países da Europa e Brasil. Países Motivos para compra de orgânicos Alemanha Saúde própria e das crianças Apoio aos agricultores e às lojas de orgânicos Melhor sabor dos alimentos Áustria Saúde Responsabilidade com a alimentação das crianças Contribuição para o desenvolvimento regional Dinamarca e Finlândia Estilo de vida, proteção ambiental Saúde própria Contribuição para um mundo melhor, consciência, bem-estar animal França e Itália Saúde Melhor sabor dos alimentos Respeito à vida Inglaterra Saúde Apoio à agricultura local e comércio justo Proteção ao meio ambiente Suiça Melhor sabor dos alimentos Saúde Preocupação com o meio ambiente, bem- estar animal, remuneração dos agricultores Brasil Saúde própria e da família Segurança alimentar (menos agrotóxicos) Filosofia de vida Fonte: Adaptada: Sylvander et al. (2005), Darolt (2005). Quadro 2 – Características dos consumidores de produtos orgânicos no Brasil Características Novo Consumidor Antigo Consumidor Ato de ir à compra de produtos orgânicos Ocasional Regular (Fidelidade) Tempo de consumo Menos de 5 anos Mais de 5 anos Preferência de local de compra Supermercados Feiras e lojas Preferência suplementar (disposição para pagar mais) Até 15% Até 30% Qualidade percebida pelo consumidor Saúde e segurança alimentar (menos agrotóxico) Saúde, preocupação com o meio ambiente, qualidade de vida Limitantes para a compra Preço, falta de informação Procedência (origem do produto) Valores Comprometido Consciente Fonte: Adaptado: Darolt (2005). Impactos dos teleacoplamentos urbanos das frutas orgânicas certificadas 113 RBCIAMB | v.55 | n.1 | mar 2020 | 103-121 - ISSN 2176-9478 antigos são os que mais se preocupam com a relação entre consumo e meio ambiente. Darolt (2005) também diagnostica que, apesar de o novo consumidor dizer es- tar preocupado e comprometido com a coletividade, seu comportamento em relação à frequência das compras de orgânicos evidencia desconexão entre discurso e prática. Segundo IAPAR (2007), os consumidores das feiras são semelhantes aos das lojas: são em maioria mulheres, na faixa etária entre os 35 e 50 anos, com renda de cerca de 10 salários mínimos e que normalmente pre- ferem produtos orgânicos in natura. O que os motiva a comprar orgânicos é a melhoria na qualidade de vida, considerando saúde e meio ambiente, aliada ao consu- mo consciente. Darolt (2005) relata experiências que acontecem na RMC, como visitas orientadas, que ajudam o consumi- dor de orgânicos a conhecer o produtor, o produto, o local do plantio, o beneficiamento, a comercialização e a certificação do produto, com vistas a dirimir dúvi- das e mudar atitudes do consumidor e do produtor por meio de conhecimento e diálogo. MATERIAIS E MÉTODOS A análise do teleacoplamento das frutas orgânicas cer- tificadas concentrou-se em entender principalmente os fluxos. O estudo de caso do mercado consumidor de frutas orgânicas por meio de entrevistas possibili- tou analisar o fenômeno de teleacoplamento urbano e inferir os desafios ambientais suscitados pelo consumo de alimentos orgânicos certificados de áreas próximas e distantes de Curitiba. Por limitação de dados, a análise considerou par- cialmente as questões relacionadas a envio, recebi- mento, repercussões temporais e espaciais, trans- bordamentos e relacionamentos entre os agentes. Em função da pequena quantidade de dados obtidos nas pesquisas realizadas, o item de maior relevância foi o fluxo, mas como existe interação entre todos os componentes do teleacoplamento, os agentes foram parcialmente descritos, podendo ser evidenciados numa próxima pesquisa. O método da pesquisa é qualiquantitativo, com estudo de caso, revisão bibliográfica, discussão teórica, apli- cação de questionário e busca exploratória de dados secundários publicados. Foram realizadas entrevistas com os produtores e comerciantes (permissionários) dos cinco boxes de hortifrúti do mercado de orgâ- nicos do Mercado Municipal de Curitiba. São eles: Kombitem Orgânicos (Box 506), Ceccon Orgânicos (Box 507), Espaço Orgânico (Box 508), Couve & Flor Vegetais Orgânicos (Boxes 509 e 510) e Sirius Orgânicos (Box 511). As entrevistas foram informais abertas e dirigidas e aconteceram no período de abril a julho de 2018. Um questionário foi elaborado com o objetivo de compreender o funcionamento de cada box de fru- tas orgânicas e conhecer a procedência das frutas comercializadas, as distâncias (em km) percorridas entre local de produção e de consumo, o tipo de transporte utilizado, a relação da sazonalidade das frutas com a procedência e as diferentes formas de embalagens e armazenamento. Após identificar a procedência das 20 frutas orgâni- cas comercializadas, foram listadas as quilometragens que as frutas percorrem entre a origem e o destino em Curitiba. Não foi possível obter o nome científico das espécies comercializadas visto que os comerciantes apenas usam o nome comercial das frutas. RESULTADOS DO TELEACOPLAMENTO URBANO DAS FRUTAS ORGÂNICAS CERTIFICADAS Com base nas entrevistas realizadas, foi possível iden- tificar o total de 20 frutas orgânicas comercializadas nos cinco boxes do mercado de orgânicos, bem como as distâncias percorridas no Brasil (com origem em dez estados brasileiros) ou em outros três países, como mostrado na Figura 5. Não foi possível identificar o modo de transporte das frutas desde sua origem. A sa- zonalidade também não pôde ser relacionada, uma vez que as frutas são adquiridas durante todo o ano para atender à demanda do público consumidor. Jordan, E.N.; Gadda, T.M.C. 114 RBCIAMB | v.55 | n.1 | mar 2020 | 103-121 - ISSN 2176-9478 Conforme as informações relacionadas nas Figuras 4 e 5, as frutas orgânicas comercializadas em quatro dos cinco boxes são: abacate, banana, laranja, limão, man- ga e maracujá. A laranja é transportada de três estados (PR, SC e SP), além da Itália. O limão é proveniente de dois estados (MS e PR) e da Argentina, e a manga de quatro estados (CE, PB, PR e SP). Já o kiwi e também o mirtilo vêm de São Paulo. Tanto a nectarina como o pêssego têm origem na Espanha. A uva é comercializa- da em apenas um dos boxes e vem do Rio Grande do Sul. As demais frutas são comercializadas em três dos cinco boxes. A Figura 4 apresenta a quantidade de frutas orgânicas comercializadas em cada box, bem como o número de estados e países de origem. O Box 511 destaca-se com 15 frutas orgânicas recebidas de quatro estados brasileiros e três países, totalizando sete localidades. Já o Box 509/510 recebe oito frutas orgânicas, que se deslocam de dez estados brasileiros até chegar ao mer- cado de orgânicos em Curitiba. O Box 508 comercializa nove tipos de frutas orgânicas, as quais têm como ori- gem dois países e sete estados brasileiros. O Box 506 vende 12 diferentes tipos de frutas orgânicas, as quais têm como origem apenas três regiões do Brasil. Já o Box 507 comercializa oito tipos de frutas orgânicas, to- das com origem no estado do Paraná. A Figura 5 apresenta, em ordem crescente, as distân- cias em quilômetros que as frutas orgânicas percor- rem desde sua origem até o mercado de orgânicos. As frutas vindas da Itália percorrem a maior distância, 9.883 km. As frutas que percorrem as menores distân- cias vêm do estado de Santa Catarina, cerca de 300 km de Curitiba, além daquelas que têm como origem o es- tado do Paraná. Figura 4 – Quantidade de frutas orgânicas comercializadas em cada box no mercado de orgânico e estado/país de origem. Número de estado/país de origem Q ua nti da de d e fr ut as o rg ân ic as es ta do /p aí s de o ri ge m 20 15 10 5 0 Número dos boxes 506 507 508 509/510 511 12 3 8 1 9 9 8 10 15 7 Figura 5 – Distâncias percorridas pelas frutas orgânicas, tendo como destino final a cidade de Curitiba (PR). 9.883 D is tâ nc ia (k m ) 12.000 10.000 8.000 6.000 4.000 2.000 0 SC SP RS M S ES M T BA P B CE Es pa nh a A rg en �n a It ál ia Km Estado, país de origem até Curi�ba (PR) 303 404 1.053 1.215 1.393 1.506 1.784 1.823 3.157 3.324 8.791 Impactos dos teleacoplamentos urbanos das frutas orgânicas certificadas 115 RBCIAMB | v.55 | n.1 | mar 2020 | 103-121 - ISSN 2176-9478 O Paraná destaca-se entre os estados por ser a origem de 13 dos 20 tipos de frutas orgânicas comercializadas, seguido de São Paulo, com dez tipos, e Santa Catarina, com três. Os demais estados enviam para Curitiba um ou dois tipos de frutas orgânicas. Quanto aos outros países que abastecem o mercado de orgânicos, a Argentina envia limão, maçã e pera, que per- correm 1.823 km. As frutas nectarina e pêssego são rece- bidas da Espanha e percorrem 8.791 km. A laranja, vinda da Itália, percorre 9.883 km até a chegada em Curitiba. As frutas orgânicas são compradas em caixas, quilogra- mas ou unidades e devem ter uma identificação mos- trando que estão em conformidade com a certificação orgânica. A quantidade comprada pelos vendedores depende da procura do consumidor pelo produto. Por exemplo, visando atender a seus consumidores, um dos boxes adquire entre 30 a 35 unidades de abacaxi por se- mana, que são trazidos da Paraíba. São 3.157 km per- corridos toda a semana para abastecer um box para a venda de pouco mais de três dezenas de abacaxis. As distâncias percorridas pelas frutas indicam a neces- sidade de cuidados imprescindíveis no transporte e armazenamento. Dessa forma, os meios de transporte deveriam garantir (por meio de espaços segregados ou exclusivos) que os produtos orgânicos estivessem pro- tegidos de contaminação por produtos não orgânicos. As entrevistas feitas com os vendedores de orgânicos do Mercado Municipal de Curitiba mostraram que na maioria das vezes a fruta orgânica não recebe um arma- zenamento intermediário e é transportada do produtor diretamente para o box. Isso acontece principalmente no caso de produtos que são recebidos de produtores da RMC ou de estados vizinhos, como Santa Catarina e São Paulo. Quando o produto vem de estados mais distantes ou de outros países, o vendedor desconhece os possíveis locais de armazenamento. Todas as frutas transportadas necessitam de embalagens, as quais são normalmente de papelão, com espessura determinada para manter a segurança da fruta. As caixas plásticas retornáveis quando manuseadas com cuidado tem durabilidade de até 10 anos. As caixas de madeira não são mais usadas no transporte, mas são utilizadas como apoio de produtos no próprio box. Embora as saco- las plásticas sejam oferecidas ao consumidor final, mui- tos consumidores adotam sacolas retornáveis, visando à sustentabilidade do processo. Os proprietários dos boxes desconhecem o custo das embalagens e o impacto desse custo no preço do produto. Foram identificados os impactos relacionados ao telea- coplamento das frutas orgânicas certificadas do mer- cado de orgânicos do Mercado Municipal de Curitiba, mediante análise de seus componentes: sistemas, flu- xos, agentes, causas e efeitos. Os sistemas são definidos pelos territórios produtores e pelos consumidores, os quais geram as trocas de informa- ções, que no estudo de caso das frutas orgânicas certifica- das, envolvem fluxos dentro do Brasil (de um estado para outro da Federação) e entre Brasil e Argentina, Espanha e Itália. Os agricultores, as cooperativas e as organizações que criam os selos ambientais e socioeconômicos são os agentes responsáveis em manter o fluxo e moldar as co- nexões desse sistema. As mudanças culturais, ecológicas, econômicas, políticas e tecnológicas estão interligadas e definem as causas de um teleacoplamento, influencian- do na sua dinâmica e emergência. Na situação das frutas orgânicas certificadas, o governo brasileiro libera finan- ciamentos e investe em tecnologia para os agricultores, porém nem sempre os pequenos agricultores de orgâni- cos se enquadram nessas políticas. Muitos têm dificulda- de em conseguir a certificação orgânica em função dos altos custos envolvidos. Sendo assim, os efeitos acabam dificultando a sustentabilidade ambiental das frutas orgâ- nicas certificadas que não são produzidas em Curitiba e seguem longas distâncias até chegar ao consumidor, oca- sionando, por exemplo, emissões de poluentes, consumo de energia e emissão de gases de efeito estufa. CONCLUSÃO O estudo de caso dos teleacoplamentos das frutas or- gânicas certificadas comercializadas no mercado de orgânicos do Mercado Municipal de Curitiba evidencia desafios ambientais relevantes para as políticas públicas urbanas de sustentabilidade. Os dados sugerem que mesmo os consumidores considerados mais sensíveis ambientalmente, como os consumidores de orgânicos certificados, ainda carecem de conhecimento sobre os Jordan, E.N.; Gadda, T.M.C. 116 RBCIAMB | v.55 | n.1 | mar 2020 | 103-121 - ISSN 2176-9478 impactos ambientais associados ao deslocamento des- ses produtos por longas distâncias. Por outro lado, não é disponibilizada de maneira fácil ao consumidor final a in- formação sobre a origem dos produtos orgânicos, princi- palmente quando o produto é vendido em quilograma, como são as frutas em geral, o que dificulta a compreen- são de aspectos ambientais indesejáveis vinculados aos produtos orgânicos que viajam longas distâncias. A identificação dos desafios ambientais relacionados ao teleacoplamento das frutas orgânicas certificadas sugere a necessidade de avançar para o planejamen- to e a gestão territorial alinhados às questões de es- cala espacial que os fluxos entre mercado produtor e consumidor revelam. Isso é, não basta a preocupação com os fatores ambientais apenas no local de produ- ção (garantidos pela certificação orgânica), tampouco no local do consumo (por meio, por exemplo, de há- bitos de compra com sacolas retornáveis). O estudo sugere que deve haver preocupação crescente com o deslocamento dos alimentos para os mercados consu- midores, o que envolveria conhecimento sobre meios de transporte utilizados, emissões e questões de arma- zenamento e embalagem. A expansão da agricultura orgânica certificada é desejá- vel pelos benefícios ambientais, os quais estão associa- dos à prática que não utiliza agrotóxicos e fertilizantes solúveis, organismos geneticamente modificados e ra- diações ionizantes em qualquer fase do processo de pro- dução, processamento, armazenamento, distribuição e comercialização. Entretanto, as distâncias associadas aos deslocamentos que os produtos orgânicos percorrem entre municípios, estados e países podem causar outros impactos difíceis de serem percebidos pela sua natureza, como os gases de efeito estufa associados ao transporte. Na agenda das políticas públicas urbanas de sustenta- bilidade a questão do consumo urbano deve estar me- lhor pautada, direcionando-se ao aspecto socioeconô- mico e à diminuição do deslocamento e incentivando a integração entre os diferentes segmentos da cadeia produtiva e de consumo de produtos orgânicos e a re- gionalização da produção. Isso poderá promover o au- mento da renda dos produtores e a redução da compra de frutas orgânicas em outros estados ou países, assim como o uso adequado do solo de cada região, e a po- pulação poderá contar com alimentação mais saudável e melhorar a qualidade de vida. É importante ressaltar que a relação da prática agríco- la orgânica visando à sustentabilidade urbana com a redução do impacto ambiental ainda precisa ser mais aprofundada e não existem no Brasil estudos sobre essa temática. A análise do fenômeno de teleacoplamento urbano ainda carece de literatura a respeito do consu- mo de frutas orgânicas vindas de territórios remotos que alie a sustentabilidade urbana a todo o processo. O estudo utilizando a estrutura do teleacoplamento foi adaptado para observar o teleacoplamento dentro do Brasil de um produto diferenciado e específico, que são as frutas orgânicas certificadas. Os desafios relacionados a transporte, comércio e consumo, incluindo os tipos de embalagens, foram observados e alguns dos possíveis impactos ambientais e socioeconômicos puderam ser aferidos. Por exemplo, mudanças nas políticas públicas para a sustentabilidade urbana poderiam ser executa- das por meio de melhorias na divulgação de informação sobre as distâncias percorridas pelos produtos consu- midos. O desafio está em efetivar a teoria do teleaco- plamento e colocá-la em prática para criar a verdadeira interação entre sistemas humanos e acoplados. REFERÊNCIAS AGÊNCIA NACIONAL DE ÁGUAS (ANA). Panorama da qualidade das águas superficiais do Brasil. Brasília: ANA, 2012. ALVES, B.J.R.; BODDEY, R.M.; URQUIAGA, S. The success of BNF in soybean in Brazil. Plant and Soil, v. 252, p. 1-9, 2003. Disponível em: . Acesso em: 25 maio 2019. ALVES, B.J.R.; ZOTARELLI, L.; FERNANDES, F.M.; HECKLER, J.C.; MACEDO, R.A.T.; BODDEY, R.M.; JANTALIA, C.P.; URQUIAGA, S. 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