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RBCIAMB | v.55 | n.4 | dez 2020 | 498-509 - ISSN 2176-9478
Bianca Corá
Mestre em Ciências Ambientais,
Universidade Federal de São Paulo
(Unifesp) – Diadema (SP), Brasil.
Luciana Ferreira
Leite Leirião
Mestre em Ciências Ambientais,
Unifesp – Diadema (SP), Brasil.
Simone Georges
El Khouri Miraglia
Professora doutora,
Unifesp – Diadema (SP), Brasil.
Endereço para correspondência:
Simone Georges El Khouri Miraglia –
Laboratório de Economia, Saúde
e Poluição Ambiental, Rua São
Nicolau, 210 – Centro – CEP: 09961-
400 – Diadema (SP), Brasil –
E-mail: simone.miraglia@unifesp.br
Recebido em: 14/01/2020
Aceito em: 08/05/2020
RESUMO
O estado de São Paulo apresenta a maior produção industrial do Brasil,
formando o maior Produto Interno Bruto (PIB) do país. Como consequência da
atividade industrial, diversos municípios têm apresentado elevados índices de
poluição atmosférica. O objetivo desta pesquisa foi estimar a mortalidade por
doenças cardiorrespiratórias atribuíveis à poluição do ar em municípios com
elevada industrialização do estado de São Paulo entre os anos 2008 e 2016.
Selecionaram-se 11 municípios para análise com base no consumo de energia
elétrica pelo setor industrial e pela existência de estação de monitoramento
da qualidade do ar. Com base em modelo recomendado pela Organização
Mundial da Saúde (OMS), estimou-se o número de óbitos por problemas
cardiorrespiratórios que puderam ser atribuídos à concentração de material
particulado (MP
2,5
) em cada município ao longo dos anos. Baseando-se no
valor estatístico de uma vida, realizou-se valoração econômica do impacto em
saúde. Cinco dos 11 municípios analisados pertencem à Região Metropolitana
de São Paulo (RMSP). O município cuja população é mais afetada pela
poluição é Cubatão. No entanto, em razão do grande número de habitantes,
São Paulo é o município cujo maior número de óbitos pode ser atribuído à
exposição ao poluente MP
2,5
. Considerando os resultados encontrados para os
11 municípios, 43.512 óbitos puderam ser atribuídos à poluição atmosférica
no período, o que representa prejuízo superior a US$ 48,3 bi. Esses resultados
embasam a necessidade de pesquisas e de implementação de tecnologias
mais limpas no parque industrial do estado de São Paulo.
Palavras-chave: poluição industrial; poluição atmosférica; impacto em
saúde; valoração econômica.
ABSTRACT
The State of Sao Paulo presents the highest industrialized area of Brazil,
having the biggest GNP in the country. As a result of industrial activities, many
municipalities have been presenting high levels of air pollution. The aim
of this research was to estimate the cardiorespiratory mortality caused by
air pollution in some high-industrialized cities of São Paulo State between
2008 and 2016. Eleven municipalities were selected based on the industrial
electricity consumption and on the existence of at least one air pollution
monitoring station. We used a World Health Organization model to estimate
the number of deaths that could be attributed to PM
2,5
in each municipality
through the years. Based on the statistical value of a life, we performed an
economic evaluation of health impacts. Five of the 11 municipalities belong
to the São Paulo Metropolitan Region. The municipality most affected by air
pollution was Cubatão. However, due to the large number of inhabitants,
São Paulo is the municipality whose largest number of deaths can be
attributed to exposure to PM pollutants. Considering the results found for
the 11 municipalities, 43,512 deaths could be attributed to air pollution in the
period, which represents a loss of more than US$ 48.3 billion. These results
justify the need for additional research and the implementation of cleaner
technologies in the industrial park of the state of São Paulo.
Keywords: industrial pollution; air pollution; health impact, economic valuation.
IMPACTO DA POLUIÇÃO DO AR NA SAÚDE PÚBLICA EM MUNICÍPIOS
COM ELEVADA INDUSTRIALIZAÇÃO NO ESTADO DE SÃO PAULO
IMPACT OF AIR POLLUTION ON PUBLIC HEALTH IN HIGH
INDUSTRIALIZED MUNICIPALITIES IN THE STATE OF SÃO PAULO
https://doi.org/10.5327/Z2176-947820200671
Revista Brasileira de Ciências Ambientais • Brazilian Journal of Environmental Sciences
https://orcid.org/0000-0001-9182-1354
https://orcid.org/0000-0002-4153-3511
https://orcid.org/0000-0001-9482-602X
mailto:simone.miraglia@unifesp.br
https://doi.org/10.5327/Z2176-947820200671
Poluição do ar e industrialização no estado de São Paulo
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RBCIAMB | v.55 | n.4 | dez 2020 | 498-509 - ISSN 2176-9478
INTRODUÇÃO
A partir da década de 1970, o crescimento econômico
do Brasil foi resultado do desenvolvimento industrial
com consequente aumento no consumo de energia
elétrica (CARMINATI; SCALCO, 2013). Ao longo das
décadas, tanto essa atividade industrial quanto a pro-
dução de energia se deram em detrimento da preocu-
pação com o meio ambiente (LEAL; FARIAS; ARAUJO,
2008). Além de contribuir por si só para a degradação
ambiental, a industrialização impulsionou o fenômeno
de urbanização, no qual as atividades da população
(consumo, deslocamento, geração de resíduos etc.)
também interagem de forma negativa com o meio
(LEAL; FARIAS; ARAUJO, 2008).
Em razão da sua posição geográfica e vias de escoa-
mento, o estado de São Paulo se destacou como polo
industrial do Brasil (GÓIS SOBRINHO; AZZONI, 2014).
Na década de 1970, chegou a deter 58% das indústrias
de transformação do país e, ainda hoje, possui sua
maior produção industrial, respondendo por 31,5% do
total de riquezas produzidas (SECRETARIA DE INFRAES-
TRUTURA E MEIO AMBIENTE, 2019; SEVERIAN, 2018).
Associado ao crescimento industrial, o estado teve au-
mento da sua população e o surgimento de problemas
ambientais, especialmente aqueles relacionados à po-
luição atmosférica.
A qualidade do ar no estado de São Paulo é monitora-
da por 88 pontos de monitoramento e, em relação às
partículas inaláveis com menos de 10 µm de diâmetro
(MP
10
), 92% deles indicam concentrações do poluente
acima das médias anuais recomendadas pela Organi-
zação Mundial da Saúde (OMS) (CETESB, 2018). Na Re-
gião Metropolitana de São Paulo (RMSP), descrevem-
-se consequências da poluição atmosférica em vários
aspectos da saúde, tais quais efeitos cardiopulmona-
res, baixo peso ao nascer, atendimentos hospitalares,
internações, incidência de vários tipos de câncer e
mortalidade entre crianças e idosos (BARBOSA et al.,
2015; BRAVO et al., 2016; CHIARELLI et al., 2011; COS-
TA et al., 2017; DE BRITO et al., 2014; GOMES; LUCIO;
SPYRIDES, 2013; GOUVEIA et al., 2017; GOUVEIA;
JUNGER, 2018; ROMÃO et al., 2013; YANAGI; DE AS-
SUNÇÃO; BARROZO, 2012). Com o avanço das áreas
industriais para o interior do estado, a partir da década
de 1990, efeitos deletérios à saúde associados à po-
luição atmosférica também passaram a ser descritos
em municípios como Cubatão, São José dos Campos,
Sorocaba, Campinas, Paulínia e Taubaté (AMÂNCIO;
NASCIMENTO, 2012; 2014; ANDREÃO; ALBUQUERQUE;
KUMAR, 2018; CÉSAR et al., 2016; FREITAS et al., 2013;
JASINSKI; PEREIRA; BRAGA, 2011; NARDOCCI et al.,
2013; RODRIGUES et al., 2015).
Diante da magnitude dos efeitos da poluição atmosfé-
rica na saúde, diversos estudos têm sido conduzidos
com o propósito de se estimar o custo em saúde des-
sa externalidade ambiental, explicitando o benefício
das reduções das concentrações de poluentes. Abe e
Miraglia (2016) estimaram o custo em saúde decorren-
te do excesso de poluição no município de São Paulo.
As autoras consideraram um cenário no qual o muni-
cípio estivesse nos padrões preconizados pela OMS e
evidenciaram que, nesse cenário, os custos evitados
em saúde seriam de US$ 15,1 bilhões anuais.
A fim de contribuir para o entendimento das dimen-
sões do impacto da poluição atmosférica de origem in-
dustrial na saúde pública, o presente trabalho estimou
a mortalidade por doenças cardiorrespiratórias atribuí-
veis à poluição do ar nos municípios mais industrializa-
dos do estado de São Paulo, entre os anos 2008 e 2016.
MATERIAIS E MÉTODOS
Segundo Carminati e Scalco (2013), no Brasil, a in-
tensidade da atividade industrial é intrinsecamente
relacionada ao consumo de energia elétrica. Portan-
to, realizou-se a identificação dos municípios mais
industrializados do estado de São Paulo por meio do
levantamento do consumo de energia elétrica pelo
setor industrial de acordo os Anuários Estatístisticos
Energéticos de anos-base de 2008 a 2016. Identifica-
ram-se os 15 municípios que mais consumiram ener-
gia elétrica pelo setor industrial em cada ano. A partir
dessa identificação, verificou-se quais dos municípios
detinham pelo menos uma estação de monitoramen-
to da qualidade do ar operada pelo órgão ambiental
do estado (Companhia Ambiental do Estado de São
Paulo — CETESB), com funcionamento entre os anos
de 2008 e 2016.
Corá, B.; Leirião, L.F.L.; Miraglia, S.G.K.
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Para a avaliação do impacto da poluição atmosférica no
número de óbitos por doenças cardiorrespiratórias em
cada um dos municípios, utilizou-se modelo recomen-
dado pela OMS, que adota como parâmetro de mode-
lagem o poluente material particulado de diâmetro in-
ferior a 2,5 µm (MP
2,5
). Nesse modelo, primeiramente,
calcula-se o risco relativo (RR; Tabela 1), que indica a
probabilidade de determinado desfecho em saúde em
população exposta a certa concentração do poluente.
Com base no risco relativo, calcula-se a fração de im-
pacto (FI; Tabela 1), que representa o percentual do to-
tal de óbitos que pode ser considerado consequência
da exposição ao poluente (OSTRO, 2004).
O poluente utilizado no modelo é o MP2,5, pois, segun-
do a OMS, ele é aquele que se acumula no trato res-
piratório inferior e causa prejuízos à saúde em longo
prazo. O recorte da população analisado, sugerido pelo
modelo (adultos com idade superior a 30 anos), tam-
bém é decorrente do fato de o modelo estimar os óbi-
tos na população que vem sendo exposta ao poluente
há um longo período de tempo.
O número anual de óbitos por doenças cardiorrespira-
tórias na população com mais de 30 anos em cada mu-
nicípio foi consultado na plataforma do Departamento
de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS).
Esse número, multiplicado pelo FI de cada ano e muni-
cípio, indicou o montante de óbitos atribuíveis à polui-
ção atmosférica.
Embora o modelo da OMS utilize o poluente MP2,5
como referência, a rede de monitoramento desse po-
luente é recente e ainda escassa no estado de São Pau-
lo. Seguindo também orientação da OMS, nos casos de
ausência de monitoramento do poluente MP
2,5
, utili-
zou-se fator de conversão para se estimar a concentra-
ção média anual de MP
2,5
com base na concentração
média anual de MP
10
. Esse fator de conversão foi de 0,5
(OSTRO, 2004).
No caso de municípios com mais de uma estação de
monitoramento da qualidade do ar, determinou-se a
média anual de MP
2,5
como a média das médias anuais
das estações.
Após a determinação do número de óbitos atribuí-
veis à poluição atmosférica por MP
2,5
, fez-se uma va-
loração econômica considerando o valor estatístico de
uma vida (value of a statistical life, em inglês — VSL).
Dessa forma, a cada óbito, atribuiu-se o valor de €
1.000.000 (BICKEL; FRIEDRICH, 2005). O valor total de
perdas em saúde relacionadas à poluição atmosférica
foi dado pelo produto entre o número de óbitos rela-
cionados ao MP
2,5
e o VSL (Equação 1).
Custos em saúde = Óbitos
associados à poluição X VSL
(1)
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Dezoito municípios figuraram entre os 15 com maior
consumo de energia elétrica pelo setor industrial no
estado de São Paulo entre os anos de 2008 e 2016.
Considerando a existência de pelo menos uma estação
de monitoramento da qualidade do ar, selecionaram-se
11 municípios para análise (Tabela 2). Os municípios
excluídos por não possuírem estação de monitora-
mento foram: Alumínio, Americana, Jacareí, Limeira,
Mogi das Cruzes, Pindamonhangaba e Suzano. Entre
os 11 municípios incluídos no estudo, todos apresenta-
ram concentrações médias anuais acima das recomen-
dadas pela OMS, tanto para o poluente MP
10
quanto
Desfecho em saúde
Grupo populacional
analisado
Função de risco relativo
β sugerido
pela OMS
Equação para
estimativa da FI
Óbitos por doenças
cardiorrespiratórias
Idade > 30 anos RR = [(X + 1)/(X
0
+ 1)]β 0,15515 FI = (RR-1)/RR
Tabela 1 – Parâmetros utilizados para a avaliação do impacto da poluição do ar na saúde pública dos
municípios, recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), com base em Ostro (2004).
RR: risco relativo; X: concentração anual de MP
2,5
; X
0
: concentração de MP
2,5
na qual o risco relativo seria mínimo (7,5 µg/m3, segundo Ostro,
2014); β: coeficiente de dose resposta; FI: fração de impacto.
Poluição do ar e industrialização no estado de São Paulo
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para o MP
2,5
(recomendações: 20 e 10 µg/m3, respec-
tivamente). A localização geográfica dos 11 municípios
pode ser visualizada na Figura 1.
Entre os 11 municípios analisados, cinco encontram-se
na RMSP, o que evidencia a distribuição desigual da
indústria no estado. Estima-se que só essa região de-
tenha 16% do Valor Adicionado Bruto da Indústria
nacional (GÓIS SOBRINHO; AZZONI, 2014). Além da
influência das emissões industriais, a poluição atmos-
férica na RMSP é afetada pelas emissões oriundas
de automóveis. Para o material particulado especifi-
camente, automóveis são responsáveis por 40% da
concentração atmosférica (CETESB, 2017). Entre os
veículos, destaca-se a alta contribuição dos pesados,
especialmente os mais antigos e em desacordo com a
legislação atual (LEIRIÃO; MIRAGLIA, 2019). Em muni-
cípios do oeste do estado, como Piracicaba e Sorocaba,
a poluição industrial também se soma à poluição oriun-
da de outras fontes, especialmente da queima ilegal de
biomassa (CÉSAR; CARVALHO; NASCIMENTO, 2012; CE-
TESB, 2017).
Pode-se notar que há tendência de diminuição da con-
centração de MP
10
na atmosfera nos municípios da
RMSP. No entanto, esse efeito deve-se majoritariamen-
te a políticas de redução de emissões veiculares (ABE;
MIRAGLIA, 2018; ANDRADE et al., 2017). Nos muni-
cípios do interior, não foi possível identificar melhora
na qualidade do ar durante o período analisado, mes-
mo com a legislação que, desde 2002, impõe limites
com restrição gradual da queima da cana-de-açú-
car (ROSSETTO, 2019). Em alguns anos, como 2011,
é possível notar ligeiro aumento na concentração de
material particulado em alguns municípios, o que pro-
vavelmente pode se associar a períodos de baixa umi-
dade característicos do fenômeno La Niña (ANDREÃO;
ALBUQUERQUE; KUMAR, 2018).
Município
Consumo de Energia Elétrica
(posição no anuário de 2016)
Concentração média anual de MP
10
(µg/m³)
2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016
Cubatão 3ª 61,6 48,3 59,6 66 62 63,3 68,6 61 49
Guarulhos 5ª 50 42 36 36 33 29 31 30 29,5
Jundiaí 8ª 24 24 31 31 29 26 30 26 25
Mauá 13ª 38 32 37 37 35 35 37 30 30
Paulínia 14ª 42,5 31,5 41 41 35,5 35 39,5 32,5 35
Piracicaba 6ª 40 33 46 46 41,5 32 42,5 34,5 33,5
Santo André 4ª 30 34 35 35 35,5 33 36 31 30
São Bernardo
do Campo
7ª 44 38 40 40 35 37 36 26 25
São José
dos Campos
* 23 21 26 26 23 22 30 22 23
São Paulo 2ª 38,5 33,4 34,6 36,4 35,6 32,1 34,3 29,4 28,5
Sorocaba 12ª 36 28 32 34 32 36 39 28 25
Tabela 2 – Municípios selecionados para análise do impacto da poluição atmosférica na saúde pública. Também são
apresentadas informações relacionadas ao consumo de energia elétrica pelo setor industrial no ano de 2016 e a concentração
média anual de material particulado (MP
10
) no município entre 2008 e 2016. Os municípios que figuraram entre os 15 que
mais consumiram energia elétrica pelo setor industrial em 2016, mas que não possuem estação de monitoramento da
qualidade do ar, são: Alumínio (1ª), Suzano (9ª), Limeira (10ª), Pindamonhangaba (11ª) e Jacareí (15ª).
*O município não figura entre os 15 municípios que mais consumiram energia elétrica pelo setor industrial no ano de 2016, no entanto apareceu
entre os 15 municípios em anos anteriores.
Corá, B.; Leirião, L.F.L.; Miraglia, S.G.K.
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Por não possuírem monitoramento para o poluente MP
2,5
,
os municípios de Cubatão, Jundiaí, Mauá, Paulínia, Santo
André e Sorocaba tiveram a concentração média anual
desse poluente estimada com base na concentração
do MP
10
. Embora os testes realizados nas estações que
possuem monitoramento dos poluentes MP
10
e MP
2,5
re-
velem que o fator de conversão de 0,5 resulta em concen-
trações de MP
2,5
próximas àquelas mensuradas, deve-se
destacar a necessidade de monitoramento do poluente
MP
2,5
em todos os municípios. Também é importante res-
saltar a necessidade de monitoramento nos sete muni-
cípios excluídos da análise, pois, por figurarem entre os
mais industrializados, potencialmente possuem altos ín-
dices de poluição e grande parte da população afetada.
O cálculo do risco relativo apresentou maior valor para
o município de Cubatão em todos os anos (variação
de 1,18 a 1,24), evidenciando que esse é o município
cuja população mais sofre os efeitos da poluição at-
mosférica. Os menores valores de risco relativo foram
encontrados para São José dos Campos, também em
todos os anos (variação de 1,04 a 1,10).
Desde a década de 1970, o município de Cubatão é re-
conhecido internacionalmente pelos altos índices de po-
luição (ALONSO; GODINHO, 1992). Dada a sua topogra-
fia acidentada, condições meteorológicas desfavoráveis
à dispersão de poluentes e elevada emissão industrial,
que se concentra especialmente na região denominada
Vila Parisi, o município sistematicamente apresenta ul-
trapassagens dos níveis de qualidade do ar estipulados
pela legislação estadual (CETESB, 2019; VIEIRA-FILHO;
LEHMANN; FORNARO, 2015). Em 2008, o programa
de recuperação ambiental de Cubatão completou 25
anos e, em relação a 1983, ocorreu redução de 98,9%
da poluição, mesmo com aumento da produção indus-
trial (CIESP, 2008). Ainda assim, as altas concentrações
de MP10 evidenciam o potencial poluidor das indústrias
do município, que concentram atividades nos setores
de petroquímica, siderurgia e fertilizantes (CIESP, 2014).
Desde a década de 1990, diversos estudos já associaram
a poluição do ar em Cubatão com desfechos em saúde
relacionados a problemas cardiorrespiratórios (JASINSKI;
PEREIRA; BRAGA, 2011; NARDOCCI et al., 2013; TAYRA;
RIBEIRO; NARDOCCI, 2012).
Em São José dos Campos, os valores de risco relativo
inferiores em relação aos demais municípios são con-
sequência de concentrações anuais médias de material
Figura 1 – Mapa do estado de São Paulo com destaque em vermelho nos 11 municípios
analisados no presente estudo. No canto inferior esquerdo, mapa da América do Sul com destaque
para o estado de São Paulo. Imagem elaborada pelas autoras no software QGIS 2.18.20.
Legenda:
Área de estudo
7800000
7700000
7600000
7500000
7400000
7300000
7200000
-300000 -200000 -100000 0 100000 200000 300000 400000 500000 600000
Demais municípios do
estado de São Paulo
Poluição do ar e industrialização no estado de São Paulo
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particulado próximas às recomendadas pela OMS. Ain-
da assim, estudos anteriores já relacionaram as con-
centrações desse poluente no município com a ocor-
rência de acidente vascular cerebral e com internações
em decorrência de asma em crianças (AMÂNCIO;
NASCIMENTO, 2012; 2014). Neste trabalho, a presença
de MP
2,5
na atmosfera de São José dos Campos pode
ser relacionada a 627 óbitos por problemas cardiovas-
culares na população com mais de 30 anos (Tabela 3).
A aplicação da fração de impacto aos óbitos por causas car-
diorrespiratórias na população com mais de 30 anos indi-
cou que, entre 2008 e 2016, 43.512 pessoas faleceram em
decorrência da exposição ao MP
2,5
(Tabela 3). O município
de São Paulo concentrou 70,8% dessas mortes. O ano com
maior número de óbitos foi 2011 e o com menor, 2015.
O elevado número de óbitos associados à poluição no
município de São Paulo é consequência de sua gran-
de população. Mesmo que a cidade tenha apresenta-
do valores de risco relativo intermediários em relação
às demais, o elevado número de habitantes maximiza
o impacto da poluição atmosférica na saúde pública.
Em contrapartida, o município de Paulínia, em nove dos
10 anos analisados, apresentou valores de risco relati-
vo entre os cinco maiores, mas, por ter população in-
ferior aos demais (82.146 habitantes), revelou impacto
em saúde pequeno em números absolutos. Na Figura 2,
é possível visualizar o número de óbitos relacionados à
poluição atmosférica de forma relativa à população total
do município. Ainda analisando-se a figura, nota-se clara
relação positiva entre o número de óbitos decorrentes
da poluição e a concentração de MP2,5 no município.
Os resultados da valoração econômica indicam que
os óbitos em decorrência da poluição atmosférica nos
11 municípios analisados resultaram em perdas su-
periores a € 40 bi (Tabela 4). Apesar das diversas crí-
ticas à atribuição de valor monetário à vida humana,
técnicas de valoração econômica costumam ser utili-
zadas em estudos epidemiológicos a fim de justificar
investimentos na mitigação da poluição. Neste estudo,
optou-se por utilizar um valor definido com base em
Óbitos em decorrência da poluição atmosférica
2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 Total
São Paulo 3.761,72 3.293,62 3.450,18 3.772,52 3.566,01 3.328,98 3.628,97 3.033,42 3.013,31 30.848,73
Guarulhos 471,72 415,93 365,24 376,85 339,7 289,87 325,35 321,08 331,62 3.237,36
Santo André 205,86 251,13 286,46 260,22 246,19 246,88 264,37 233,85 230,16 2.225,11
São Bernardo
do Campo
229,76 217,99 242,37 231,14 203,85 221,01 203,38 141,58 141,39 1.832,48
Sorocaba 149,78 114,77 139,64 167,09 147,39 188,48 198,72 146,56 118,12 1.370,56
Mauá 111,86 101,01 133,41 122,17 107,38 112,72 124,1 94,29 101,58 1.008,51
Piracicaba 109,68 86,67 104,56 124,17 111,47 92,35 110,08 89,74 88,5 917,22
Jundiaí 68,05 67,86 101,09 116,04 104,01 91,38 114,19 90,04 89,73 842,38
São José
dos Campos
58,53 47,77 66,26 81,1 61,02 59,06 102,51 67,23 83,73 627,22
Cubatão 46,45 35,77 50,5 53,4 49,44 53,12 57,86 56,81 47,94 451,3
Paulínia 15,11 11,98 16,96 19,3 16,86 15,57 21,2 16,84 17,27 151,1
Totais 5.228,5 4.644,5 4.956,7 5.324 4.953,3 4.699,4 5.150,7 4.291,4 4.363,4 43.512
Tabela 3 – Número de óbitos por causas cardiorrespiratórias na população
com mais de30 anos em decorrência da exposição ao material particulado (MP
2,5
).
Corá, B.; Leirião, L.F.L.; Miraglia, S.G.K.
504
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Figura 2 – Gráfico ilustrando a relação entre os óbitos decorrentes da poluição atmosférica
a cada100 mil habitantes e a concentração de material particulado (MP
2,5
) no ano de 2016.
45
40
35
30
25
20
0 5 10 15
Concentração de MP
2,5
em 2016 (μg/m3)
20 25
Cubatão
Santo André
São Paulo
Guarulhos
Piracicaba
Paulínia
Mauá
Jundiaí
Sorocaba
São Bernardo do Campo
São José dos Campos
15
10
5
Ó
bi
to
s
as
so
ci
ad
os
à
p
ol
ui
çã
o
at
m
os
fé
ri
ca
a
c
ad
a
10
0.
00
0
ha
bi
ta
nt
es
Óbitos relacionados
ao MP2,5 no período
Custos em saúde da
poluição atmosférica (bilhões)
São Paulo 30.848,73 € 30,84873
Guarulhos 3.237,36 € 3,23736
Santo André 2.225,11 € 2,22511
São Bernardo do Campo 1.832,48 € 1,83248
Sorocaba 1.370,56 € 1,37056
Mauá 1.008,51 € 1,00851
Piracicaba 917,22 € 0,91722
Jundiaí 842,38 € 0,84238
São José dos Campos 627,22 € 0,62722
Cubatão 451,3 € 0,4513
Paulínia 151,1 € 0,1511
Totais 43.512 € 43,512
Tabela 4 – Resultados da valoração econômica dos efeitos da
poluição atmosférica na saúde da população dos municípios analisados.
MP: material particulado.
Poluição do ar e industrialização no estado de São Paulo
505
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estudo europeu, por não existir consenso sobre valor
semelhante no Brasil. O resultado alcançado (€ 43,5 bi
ou US$ 48,3 bi) possui a mesma ordem de grande-
za de resultados que utilizam técnicas semelhantes,
como a do valor de um ano de vida (value of a statis-
tical year, do inglês). Apenas na RMSP, por exemplo,
a poluição oriunda de veículos em desacordo com os
padrões atuais de emissões já foi relacionada com per-
das de US$ 4 bi em dois anos, e o custo da poluição no
município de São Paulo já foi estimado em US$ 15 bi
(ABE; MIRAGLIA, 2016; LEIRIÃO; MIRAGLIA, 2019).
Em Diadema, município vizinho a São Paulo com ape-
nas 380 mil habitantes, esses custos chegam a US$ 527
mi, e os efeitos da poluição são percebidos pela popu-
lação (GUIMARÃES; ROSÁRIO; RIZZO, 2019; SILVA; ABE;
MIRAGLIA, 2017).
A valoração dos prejuízos à saúde decorrentes da po-
luição atmosférica por meio da atribuição de um valor
à vida pode ser considerada subestimada. Meira et al.
(2020) estimaram os custos da poluição na cidade do
Recife (PE) como parte dos gastos associados à veloci-
dade desenvolvida por veículos. Segundo os autores,
além dos custos relacionados à mortalidade, existem
também aqueles relacionados a admissões hospitala-
res e à redução de produtividade em razão das faltas
de funcionários decorrentes dos problemas de saúde
(MEIRA et al., 2020). Entre 2000 e 2007, estimou-se
que só os custos do absenteísmo relacionado a pro-
blemas de saúde decorrentes da poluição atmosférica
tenha ultrapassado os US$ 6 bi no município de São
Paulo (RODRIGUES-SILVA et al., 2012).
Os resultados encontrados no presente trabalho incor-
poram evidências do caráter poluidor das indústrias e
seus efeitos deletérios na saúde. Os quatro municípios
que apresentam os maiores números de óbitos a cada
100 mil habitantes em decorrência da poluição atmos-
férica (Figura 2; Cubatão, Santo André, Guarulhos e São
Paulo) são aqueles que mais consomem energia elétrica
pelo setor industrial (Tabela 2). Isso indica possível re-
lação positiva entre a instalação de indústrias e a mor-
talidade como consequência da poluição atmosférica.
Nos Estados Unidos, pode-se constatar relação seme-
lhante ao se verificar que a instalação de indústrias do
ramo da construção e da manufatura se relaciona posi-
tivamente com o número de internações (RHEE, 2018).
A incorporação de aspectos geográficos nesse tipo de
análise também levou à observação de que, na Espanha,
a probabilidade de se desenvolverem diversos tipos de
câncer é diretamente relacionada com a distância entre
a residência do indivíduo e áreas industriais (FERNÁN-
DEZ-NAVARRO et al., 2017; GARCÍA-PÉREZ et al., 2015).
Para além da análise do impacto local, é necessário in-
corporar à discussão da poluição industrial a questão da
poluição transfronteiriça, que se dá seja pelo transporte
atmosférico de poluentes, seja pelas demandas de con-
sumo de determinadas regiões do mundo que geram
poluição atmosférica em outras regiões. Estudo recen-
te demonstrou que 12% do total de óbitos prematuros
relacionados à poluição por MP
2,5
no mundo ocorreram
em decorrência do transporte de poluentes de regiões
diferentes daquelas onde os óbitos ocorreram (ZHANG
et al., 2017). Outros 22% estariam associados à produ-
ção de bens em uma região, que são consumidos em
outras (ZHANG et al., 2017). No Brasil, pouco se sabe so-
bre a poluição transfronteriça, embora já se tenha iden-
tificado que parte da poluição gerada no polo industrial
de Cubatão seja transportada para a RMSP (SANCHEZ
CCOYLLO; SILVA DIAS; ANDRADE, 2000). Em relação à
demanda de bens, segundo a Confederação Nacional da
Indústria (2018), o estado de São Paulo é responsável
por 37,4% das exportações industriais do Brasil, o que
revela que grande parte da poluição atmosférica gerada
no estado é decorrente de demandas externas.
A visão globalizada da poluição atmosférica revela a
necessidade de se tratar a poluição do ar oriunda das
indústrias com cooperações regionais ou, até mesmo,
leis ambientais de aspecto global (ABAS et al., 2019).
No âmbito local, destaca-se a necessidade de fiscali-
zação e de legislações mais rigorosas para implemen-
tação e operação das indústrias, pois, mesmo quando
estas estão de acordo com os padrões estabelecidos
atualmente, ainda é possível que os índices de poluição
sejam elevados (SILVA; VIEIRA, 2018).
CONCLUSÃO
Por meio de um modelo epidemiológico recomenda-
do pela OMS e da ferramenta de valoração econômica
ambiental, neste trabalho, estimou-se o impacto em
saúde decorrente da exposição ao MP
2,5
em municípios
Corá, B.; Leirião, L.F.L.; Miraglia, S.G.K.
506
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com elevados níveis de industrialização no estado de
São Paulo. Aquele cuja população é mais afetada pela
poluição é Cubatão. No entanto, em razão do grande
número de habitantes, São Paulo é a cidade cujo maior
número de óbitos pode ser atribuído à exposição ao
poluente MP
2,5
. As perdas econômicas atribuíveis ao
impacto na saúde nos 11 municípios analisados em pe-
ríodo de nove anos foi de US$ 48,3 bi, o que justifica
investimentos em pesquisa e implementação de tecno-
logias mais limpas no parque industrial do estado.
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