RBCIAMB | n.45 | set 2017 | 71-85 71 Gabriela Godinho de Almeida Bióloga e Mestra em Ecologia e Recursos Naturais pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Rogério Hartung Toppa Biólogo e Doutor em Ecologia e Recursos Naturais pela UFSCar. Professor adjunto do Departamento de Ciências Ambientais e do Programa de Pós-Graduação em Sustentabilidade na Gestão Ambiental da UFSCar. Andréia De Fiori Bióloga e Doutora em Ecologia e Recursos Naturais pela UFSCar. Endereço para correspondência: Gabriela Godinho de Almeida – Rua Zico Sorares, 497 – Centro – 18150-000 – Ibiúna (SP), Brasil – E-mail: gabriela.galmeida91@gmail.com Recebido: 28/04/2016 Aceito: 02/07/2017 RESUMO A criação de áreas legalmente protegidas visa conservar ambientes naturais e garantir que atividades humanas ocorram de maneira sustentável. Entretanto, sua efetividade depende da contextualização e participação das comunidades locais durante o processo de criação e gestão. Isso se dá por meio de ações de Educação Ambiental que promovam a sensibilização e a conscientização, estimulando o envolvimento da população na redução dos impactos ambientais gerados. Nas escolas estaduais de Ibiúna (SP), município que compõe 62% da Área de Proteção Ambiental (APA) Itupararanga, os resultados deste estudo, obtidos por meio de entrevistas semiestruturadas com educadores e enquetes com educandos, demonstraram que, embora grande parte dos educadores tenha conhecimento sobre a APA e sua importância, essas informações atingem uma pequena parcela dos educandos. Concluímos que a introdução da APA no cotidiano escolar pode trazer contribuições pedagógicas significativas, fundamentadas nos objetivos dessa categoria de Unidade de Conservação. Palavras-chave: educação ambiental; unidades de conservação; participação popular. ABSTRACT The creation of legally protected areas aims to conserve natural environments and ensure that human activities occur in a sustainable way. However, its effectiveness depends on the contextualization and participation of local communities during the creation and management process. This is done through Environmental Education actions that promote sensitization and awareness, stimulating the population involvement in reducing the environmental impacts generated. At state schools in Ibiúna (SP), a municipality that composes 62% of Itupararanga Environmental Protection Area (APA), the results of this study, obtained through semi-structured interviews with educators and surveys with students, demonstrated that, although most educators have knowledge about the APA and its importance, this information reaches a small portion of the students. We concluded that the introduction of APA in school life can bring significant pedagogical contributions, grounded on the objectives of this protected area category. Keywords: environmental education; protected areas; popular participation. DOI: 10.5327/Z2176-947820170156 POTENCIALIDADES PEDAGÓGICAS DA ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL ITUPARARANGA: PERCEPÇÕES DE EDUCADORES E EDUCANDOS PEDAGOGICAL POTENTIALITES OF ITUPARARANGA PROTECTION AREA: PERCEPTIONS OF EDUCATORS AND STUDENTS Almeida, G.G.; Toppa, R.H.; De Fiori, A. RBCIAMB | n.45 | set 2017 | 71-85 72 INTRODUÇÃO A criação de áreas legalmente protegidas configura uma estratégia global, adotada como forma de con- servar ecossistemas naturais e/ou atributos culturais, e consiste na demarcação de um território para o qual são estabelecidos limites e dinâmicas de uso e ocu- pação específicos (MEDEIROS, 2006). Originalmente focadas na preservação de belezas naturais e da vida silvestre, as áreas protegidas apresentam atualmente um conjunto diversificado de objetivos, que incluem, além da conservação, aspectos sociais e econômicos (WATSON et al., 2014), caminhando para o estabeleci- mento de uma perspectiva que considera a integração entre os atributos ecológicos e sociais que compõem a paisagem (PALOMO et al., 2014). No cenário brasileiro, sobretudo até a década de 1960, muitas Unidades de Conservação (UC) foram estabele- cidas por lei com base em razões estéticas e políticas (SCHENINI et al., 2004; MACIEL, 2011). Entretanto, a população das comunidades locais não foi considera- da durante o processo de criação dessas UC, o que as tornou ineficientes na resolução de problemas relacio- nados aos impactos ambientais gerados por atividades antrópicas (FIORI, 2002). O estabelecimento do Novo Código Florestal Brasilei- ro, em 1965, marca o início de um período de novas discussões sobre as questões ambientais, sendo gra- dualmente estabelecidas diversas categorias de UC. Em 1989, surge a proposta para a implementação de um sistema único, definindo critérios objetivos para a criação e gestão das áreas protegidas. Essa proposta se concretiza em 2000, sendo então instituído o Sis- tema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) (RYLANDS & BRANDON, 2005; MEDEIROS, 2006). O SNUC estabelece as Unidades de Conservação de Proteção Integral (UCPI) e as Unidades de Conservação de Uso Sustentável (UCUS). As UCPI devem ser manti- das livres de alterações antrópicas, sendo permitidas apenas atividades que não envolvam consumo ou cole- ta de recursos. As UCUS devem conciliar a conservação e o uso dos recursos naturais pela população, garan- tindo que as atividades humanas ocorram de maneira sustentável. Segundo as diretrizes do SNUC, a criação, implantação e gestão de uma UC devem contar com a participação efetiva da comunidade local. Além disso, deve ser assegurada a integração da UC com suas ati- vidades econômicas e sociais, sendo promovidas con- dições para a educação, a interpretação ambiental, o turismo ecológico e a valorização econômica na região (BRASIL, 2000). As Áreas de Proteção Ambiental (APA) foram instituí- das em 1981, estabelecendo um modelo de proteção que se adequasse às áreas com ocupação humana, incluindo as urbanas (MEDEIROS, 2006). São classifi- cadas pelo SNUC como UCUS, e correspondem à cate- goria “V – Paisagem Terrestre e/ou Marinha Protegida (Protected Landscape / Seascape)” na classificação da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) (BRASIL, 2000; RYLANDS & BRANDON, 2005). A percepção da população local influencia diretamente em seu comportamento, favorecendo ou dificultando a ocorrência de ações que contribuam para o cumpri- mento dos objetivos das áreas protegidas (BENNETT, 2016). Considerando-se que tanto as premissas da sus- tentabilidade quanto a participação popular em UC, amplamente citadas pelo SNUC, dependem do esta- belecimento de relações com a comunidade local, se faz necessária a ocorrência efetiva de ações que visem conscientizar e promover a contextualização das po- pulações residentes com a área, de modo que sejam capazes de compreender sua importância ambiental e social (BENNETT & DEARDEN, 2014; CARREGOSA et al., 2015). Como um processo contínuo de formação da sociedade, por meio da reflexão crítica, essas ações despertam a necessidade de intervir na realidade para transformá-la, estimulando o envolvimento das comu- nidades em ações participativas em prol da conserva- ção ambiental e da justiça social (OAIGEN et al., 2001; LOUREIRO & SAISSE, 2014). Nesse contexto, a Educa- ção Ambiental constitui uma ferramenta essencial para a gestão de áreas protegidas, subsidiando tomadas de decisão por meio da integração dos objetivos da con- servação biológica com as necessidades da população (BENNETT & DEARDEN, 2014; ZORRILLA-PUJANA & ROSSI, 2016). No caso da APA Itupararanga, admite-se que a maior parte da população desconhece sua existência ou não compreende sua importância socioambiental, sendo reconhecida a necessidade de incentivos à Educação Ambiental. O programa de Educação Ambiental pre- visto pelo plano de manejo está integrado ao de tu- Potencialidades pedagógicas da área de proteção ambiental Itupararanga RBCIAMB | n.45 | set 2017 | 71-85 73 rismo sustentável e comunicação. Os objetivos são orientados para a sensibilização da população e divul- gação da APA em espaços formais e não formais de educação, sendo apontadas como potenciais parceiras as escolas de Ensino Fundamental e Médio da região (SÃO PAULO, 2009b). Tendo em vista o papel fundamental dos educado- res na formação de estudantes de todas as idades, por meio do contato constante, as escolas podem ser consideradas locais propícios para a realização de ações de Educação Ambiental (REIGOTA, 2009; VALDERRAMA-HERNÁNDEZ et al., 2017). Em uma UC, diversos elementos podem apresentar contribuições pedagógicas para o processo de ensino-aprendiza- gem, como os motivos pelos quais a área está pro- tegida, sua importância estética, histórica, ecológica, social e cultural, possibilitando uma abordagem que transcende os limites disciplinares (REIGOTA, 2009; SMIT et al., 2017). Além disso, a aproximação da po- pulação com a APA pode proporcionar o redescobri- mento do local onde vive por meio de um novo olhar, despertando o sentimento de pertencer a esse am- biente. O estabelecimento dos vínculos entre o ser humano e o mundo em que se encontra, a partir de uma visão desfragmentada, é essencial para a con- cretização dos propósitos da Educação Ambiental, e contribui diretamente para a ocorrência de ações par- ticipativas (SAUVÉ, 2016; VALDERRAMA-HERNÁNDEZ et al., 2017). Considerando a importância da APA Itupararanga para a Educação Ambiental em contexto regional, este tra- balho teve como objetivos: • analisar o conhecimento e a percepção dos direto- res, coordenadores pedagógicos, docentes e dis- centes de escolas públicas estaduais de Ibiúna (SP) sobre essa UC e suas potencialidades pedagógicas; • verificar a existência e/ou previsão de atividades pedagógicas envolvendo a APA Itupararanga no co- tidiano escolar; e • apontar potenciais usos pedagógicos da APA Itupa- raranga e a melhor maneira de viabilizá-los no âm- bito das escolas públicas de Ibiúna. MATERIAIS E MÉTODOS Área de estudo e contexto regional A APA Itupararanga (Figura 1) foi criada pela Lei Esta- dual no 10.100, de 1o de dezembro de 1998, e alterada pela Lei Estadual no 11.579, de 2 de dezembro de 2003. Com 93.651 hectares de área, é composta pelos mu- nicípios de Alumínio, Cotia, Ibiúna, Mairinque, Pieda- de, São Roque, Vargem Grande Paulista e Votorantim. Seu território corresponde à área da bacia hidrográfica da represa Itupararanga, denominada Alto Sorocaba, situando-se a cerca de 40 quilômetros da capital, São Paulo. A área possui importância ambiental, apresen- tando diversas nascentes e corpos hídricos e tendo 38% de seu território ocupado por vegetação nativa. Essa UC situa-se a cerca de 1.300 metros da porção norte do Parque Estadual do Jurupará, constituindo uma faixa de contínuos de vegetação em bom estado de conservação, bem como remanescentes florestais de Mata Atlântica que são importantes refúgios da fau- na (SÃO PAULO, 2009b). A represa Itupararanga foi construída pela empresa Light, tendo como objetivo inicial a geração de ener- gia elétrica. Operando a partir de 1912, passou a ser administrada em 1974 pela Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), do Grupo Votorantim, empresa à qual se destina toda a produção de energia atual. A repre- sa também provê o abastecimento público dos muni- cípios de Sorocaba e Votorantim, e é intensivamente utilizada para irrigação agrícola, além de atividades de lazer, possuindo grande importância econômica e so- cial (SÃO PAULO, 2009b). A APA Itupararanga apresenta uma série de conflitos socioambientais e pressões para a exploração de seus recursos. Os principais problemas registrados se cor- relacionam ao desmatamento das matas ciliares e ao lançamento de efluentes sem tratamento, bem como ao uso intensivo de irrigação, fertilizantes e defensi- vos nas atividades agrícolas e à pesca predatória para fins comerciais. Paralelamente, admite-se que a maior parte da população desconhece a existência da APA ou não compreende sua importância socioambiental (SÃO PAULO, 2009b; BEU et al., 2011). Almeida, G.G.; Toppa, R.H.; De Fiori, A. RBCIAMB | n.45 | set 2017 | 71-85 74 O município de Ibiúna compõe 58.206,76 hectares (62%) do território da APA Itupararanga e, juntamente com São Roque, abriga as áreas com maior presença de fragmentos e remanescentes florestais (BEU et al., 2011). A coleta de dados foi realizada em cinco escolas estaduais de Ibiúna, localizadas em diferentes regiões do município, selecionadas de acordo com a oferta de Ensino Médio, a disponibilidade em participar da pes- quisa e a localização, de modo a contemplar diferentes pontos da APA (Figura 1), sendo elas: E. E. Lurdes Penna Carmelo (Distrito do Paruru); E. E. Frederico Marcicano (Bairro Ressaca); E. E. Prof. Roque Bastos (Centro); E. E. Lino Vieira Ruivo (Bairro Piaí); e E. E. Carmo Messias (Distrito Carmo Messias). Atores da pesquisa e instrumentos de investigação Para a coleta de dados, a entrevista semiestruturada apresentou-se como um procedimento adequado, sen- do guiada por um roteiro de questões abertas, o que possibilitou certa delimitação do tema, porém permi- tindo adaptações quando necessário (DOODY & NOO- NAN, 2013). Mantida sob a forma de um diálogo contí- nuo, a entrevista semiestruturada assemelha-se a uma conversa informal, o que minimiza o constrangimento do informante, sem desviar o foco da pesquisa (ANDRÉ & LÜDKE, 1986; DUARTE, 2002). Segundo Duarte (2002), como os métodos investigati- vos envolvendo entrevistas podem ser mais demorados, cabe estabelecer critérios para a seleção dos sujeitos a Rodovias Limite municipal Hidrografia principal Represa Itupararanga Área de Proteção Ambiental Itupararanga Ferrovia Mairinque São Roque Itapevi Piedade Votorantim Sorocaba Alumínio 0 1.500 3.000 6.000 W N E S 1 2 3 5 4 m Fonte: adaptado de São Paulo (2009b). Figura 1 – Localização da Área de Proteção Ambiental Itupararanga e das escolas pesquisadas. (1) E. E. Lurdes Penna Carmelo (Distrito do Paruru), (2) E. E. Frederico Marcicano (Bairro Ressaca), (3) E. E. Prof. Roque Bastos (Centro), (4) E. E. Lino Vieira Ruivo (Bairro Piaí) e (5) E. E. Carmo Messias (Distrito Carmo Messias). Potencialidades pedagógicas da área de proteção ambiental Itupararanga RBCIAMB | n.45 | set 2017 | 71-85 75 serem entrevistados. Para a presente pesquisa, foram selecionados dois grupos de atores interatuantes: 1. educadores 2. educandos Em relação aos educadores, foram entrevistados diretores e coordenadores pedagógicos — por estarem diretamente envolvidos com as propostas pedagógicas da escola — e professores das áreas de Ciências Biológicas e Geografia. Atualmente, a Educação Ambiental nas escolas ainda está atrelada às disciplinas relacionadas à Ecologia, pois o cur- rículo pré-estabelecido dificulta sua abordagem por do- centes de outras áreas (SATO, 2002). Assim, a escolha dos professores levou em consideração o fato de lecionarem disciplinas diretamente relacionadas à temática ambiental. Foram entrevistados 20 educadores, sendo 15 mulheres e 5 homens, com idade entre 30 e 47 anos, dos quais 12 trabalham na mesma escola há 5 anos ou mais. Quatro são diretores de escola, 5 são coordenadores pedagógicos e 11 são professores que lecionam para séries do Ensino Fun- damental II (6º ao 9º ano) e Ensino Médio (1º ao 3º ano), sendo 7 professores de Ciências e Biologia e 4 de Geografia. Durante a entrevista, foram abordados os seguintes tó- picos relacionados à APA Itupararanga: • conhecimento dos educadores sobre a APA; • como obtiveram essas informações; • quais as propostas e atividades de Educação Am- biental na escola, e se envolvem a APA; • como a inserção da APA no cotidiano escolar pode contribuir para o processo de ensino-aprendiza- gem, bem como as limitações encontradas. De forma a minimizar a interferência na rotina escolar, conforme sugestão dos gestores, o levantamento de dados junto aos educandos foi realizado durante o pe- ríodo de aula com todos os estudantes de determinada classe. Assim, diante do grande número de participan- tes, foi realizada uma enquete. Participaram 180 estudantes do terceiro ano do Ensino Médio, com idade entre 16 e 18 anos, sendo 93 do gê- nero feminino e 87 do gênero masculino. A escolha por educandos do último ano do Ensino Médio levou em consideração a experiência escolar dos participantes, de modo que as respostas pudessem contemplar toda a trajetória escolar vivenciada. A enquete com os educandos iniciou-se com a apre- sentação de imagens associadas à represa Itupararan- ga, que representa um landmark, ou seja, um marco estrutural da paisagem (MAROTI et al., 2000), consi- derado um ponto de referência associado a essa UC. As imagens (Figura 2) representam áreas utilizadas para lazer (pesca recreativa, banho e prática de espor- tes aquáticos), bem como características marcantes da paisagem, como vegetação, áreas de cultivo e constru- ções residenciais. O uso de imagens favorece a evoca- ção de percepções ambientais, uma vez que o estímu- lo visual permite o resgate de conexões construídas com a paisagem a partir de experiências vivenciadas (LÓPEZ-SANTIAGO et al., 2014). Assim, buscou-se veri- A B C Fonte: A - Ibiúna (2009); B - São Paulo (2009a); C - Marcicano (2008). Figura 2 – Imagens da represa Itupararanga e ambientes associados, apresentadas aos educandos das escolas pesquisadas durante a enquete. Almeida, G.G.; Toppa, R.H.; De Fiori, A. RBCIAMB | n.45 | set 2017 | 71-85 76 ficar se haveria reconhecimento e relação de familiari- dade com o local por parte dos educandos. Em seguida, a enquete foi realizada oralmente a toda a clas- se, sendo guiada, da mesma forma que para os educado- res, por questões abertas referentes aos seguintes tópicos: • conhecimento dos educandos sobre a APA Itupararanga; • como obtiveram essas informações; • como a APA pode contribuir para o seu aprendizado. Análise dos dados Para a análise do conhecimento e da percepção do pú- blico escolar sobre a APA Itupararanga, foram conside- radas as respostas dos educadores e educandos em re- lação à existência da APA, sua importância, os motivos de sua criação, a área de abrangência e o modo como essas informações foram obtidas, sendo que, no caso dos educandos, incluiu-se também o reconhecimento das imagens da represa Itupararanga e dos ambientes associados pelos participantes. Para verificar se a APA Itupararanga está inserida no cotidiano escolar e como é abordada nos casos positi- vos, foram analisadas as narrativas dos educadores em relação às propostas e projetos de Educação Ambiental realizados nas escolas, destacando-se os principais te- mas e conceitos citados e as dificuldades encontradas para a inserção da APA. Além disso, foi registrado o nú- mero de educadores que afirmou que a APA já foi abor- dada em aulas ou projetos, bem como os que citaram intervenções do Conselho Gestor, verificando-se quais os tipos de atividades realizadas, os temas e os concei- tos correlacionados nessas intervenções. Foram consi- deradas também as narrativas de educandos que afir- maram ter obtido informações sobre a APA por meio de projetos, aulas e intervenções do Conselho Gestor que ocorreram no ambiente escolar. Com base nas entrevistas e enquetes, buscou-se veri- ficar se a inserção da APA no cotidiano escolar traria contribuições pedagógicas, tanto em relação à aborda- gem de conceitos específicos das disciplinas como em relação à sensibilização, conscientização ambiental e contextualização com a APA. Desse modo, as respostas foram analisadas, e os temas e conceitos citados foram classificados conforme as representações ambientais apresentadas por Sauvé et al. (2000 apud SATO, 2002), adaptadas por Sato (2002), que envolvem modos diver- sos e complementares de perceber o meio ambiente: 1. como natureza, que deve ser apreciada, respeitada e preservada; 2. como recurso, que deve ser gerido; 3. como problema, que deve ser resolvido; 4. como sistema, a ser compreendido; 5. como o lugar em que se vive, que deve ser conheci- do e aprimorado; 6. como biosfera, na qual se vive junto e em longo prazo; e 7. como projeto comunitário, no qual todos devem se empenhar. Buscou-se, ainda, identificar que tipo de atividade po- deria ser realizada para contemplar os temas e concei- tos citados de acordo com as sugestões de educadores e educandos. As atividades foram classificadas com base na modalidade didática envolvida e suas possíveis contribuições para o processo de ensino-aprendiza- gem, conforme Krasilchik (2008), que aponta oito prin- cipais categorias de modalidades didáticas utilizadas para o ensino formal: 1. aulas expositivas; 2. discussões; 3. demonstrações; 4. aulas práticas; 5. excursões; 6. simulações; 7. instrução individualizada; e 8. projetos. Por fim, foram pontuadas as dificuldades citadas pelos educadores para a realização das possibilidades sugeridas. Potencialidades pedagógicas da área de proteção ambiental Itupararanga RBCIAMB | n.45 | set 2017 | 71-85 77 RESULTADOS E DISCUSSÃO Conhecimento e percepção ambiental de educadores e educandos sobre a Área de Proteção Ambiental Itupararanga Com base nas respostas dos educadores, foi possível identificar que 70% (14 educadores) sabiam da existên- cia da APA e que os motivos de sua criação incluem o fato de abrigar importantes mananciais e a existência de fragmentos de mata nativa, sendo enfatizada a proteção de atributos naturais como função da UC. Porém, não foi citada a importância social da APA, não sendo men- cionado o uso sustentável desses recursos. Além disso, 6 dos 14 educadores não sabiam que a APA contempla a escola onde trabalham, enxergando-a como uma rea- lidade distante, restrita à área da represa Itupararanga. Tais resultados indicam que não há contextualização efetiva entre a APA e os educadores, que têm dela uma visão fragmentada, segundo a qual o ser humano e a natureza estão dissociados, e os vínculos entre a diversi- dade biológica e cultural não são estabelecidos (SAUVÉ, 2005; VALDERRAMA-HERNÁNDEZ et al., 2017). Sete dos 14 educadores obtiveram informações sobre a APA no ambiente escolar, com base em projetos rea- lizados pelo Conselho Gestor da APA. Os demais rece- beram informações fora do ambiente escolar, por meio de materiais informativos em geral, tanto impressos como digitais, e ações externas promovidas pelo Con- selho Gestor. Apenas os educadores das escolas Lurdes Penna Carmelo (Distrito do Paruru), Frederico Marcica- no (Bairro Ressaca) e Lino Vieira Ruivo (Bairro Piaí) afir- maram ter obtido informações no ambiente escolar, sendo que, no caso das duas primeiras, isso ocorreu há mais de cinco anos. Assim, foi possível constatar que, embora as escolas tenham sido utilizadas para a divul- gação de informações sobre a APA ao público escolar, essas intervenções se concentraram em alguns bairros, enquanto outros locais, como o centro do município e o Distrito Carmo Messias, não foram contemplados. Além disso, em certos casos, as ações foram pontuais, não sendo retomadas. No caso dos educandos, analisando-se separadamente cada escola, diferentes percepções foram registradas quanto ao reconhecimento das imagens da represa Itupararanga e dos ambientes associados. No distrito do Paruru e no bairro Ressaca, localizados nas proximi- dades da represa, todos os participantes da E.E. Lurdes Penna Carmelo e 30 de 35 da E. E. Frederico Marcica- no reconheceram as imagens, que representam o local onde vivem, sendo comuns frases como: “É perto da minha casa” ou “Passo por aí todos os dias”. Para os educandos do bairro Piaí, 25 de 30 participantes reco- nheceram as imagens, que representam, porém, um local cuja aproximação se deu por meio de palestra ou aula, com pouco ou nenhum contato direto. As escolas em que a maioria dos participantes não reconheceu as imagens e não tinha qualquer informação sobre a exis- tência da represa Itupararanga se localizam no distri- to Carmo Messias — em que nenhum dos educandos reconheceu as imagens — e no centro do município, onde apenas 5 de 45 participantes reconheceram as imagens, com a percepção de que se trata de um espa- ço de lazer para visitas ocasionais. A percepção dos educandos que conheceram a represa Itupararanga apenas por fotos, a dos que já visitaram o local e a dos que residem em suas proximidades difere. Considerando-se que a percepção ambiental se dá por meio dos diferentes sentidos humanos, educandos que conhecem o local apenas por fotos apresentadas em pa- lestra — ou que viram o ambiente pela primeira vez du- rante a enquete — têm percepção relacionada apenas à visão, com avaliação essencialmente estética. No caso dos visitantes, embora a visão seja o sentido predominante, o contato físico com o ambiente e as experiências vivencia- das — neste caso, momentos de lazer — possibilitam o desenvolvimento de sensações e lembranças associadas. Já o indivíduo que mora no local está envolvido em uma complexa relação com o ambiente, desenvolvendo senti- mento de familiaridade e afeição (TUAN, 1980). No total, 105 educandos reconheceram as imagens da represa Itupararanga, porém apenas 51 sabiam da exis- tência da APA, o equivalente a 28% do total dos 180 educandos que participaram da enquete. Dentre esses, apenas um obteve informações fora do ambiente es- colar. Os demais receberam informações em palestras realizadas na escola por iniciativa do Conselho Gestor da APA, sendo que cinco afirmaram ter obtido também informações durante as aulas. Os outros 54 educandos que reconheceram o local sabiam da existência da re- presa Itupararanga, mas não do fato de estar inserida em uma APA, assim como um participante que não re- Almeida, G.G.; Toppa, R.H.; De Fiori, A. RBCIAMB | n.45 | set 2017 | 71-85 78 conheceu o local, mas já tinha ouvido falar da represa, totalizando 31% do total. Os 41% restantes (73 educan- dos) não tinham qualquer informação sobre a APA ou a represa Itupararanga. Dos 51 educandos que possuíam algum conhecimento sobre a existência da APA Itupararanga, todos compreen- diam que apenas a represa era contemplada pela UC, desconhecendo o fato de ela abrigar também fragmen- tos de mata nativa. Nenhum deles tinha conhecimento de que a escola onde estudam ou o bairro onde moram se encontram no território de abrangência da APA, e a importância social da APA não foi citada. Desse modo, não há contextualização efetiva entre os educandos e a UC em que se encontram, predominando o entendi- mento de que a APA representa apenas um ambiente natural a ser preservado, sem que sejam feitas relações entre os atributos naturais e sociais que a compõem en- quanto paisagem (PALOMO et al., 2014). Segundo essa visão, o ser humano está dissociado do ambiente, sem o estabelecimento de vínculos que permitam aos educan- dos se sentirem parte desse meio (SAUVÉ, 2016). A Área de Proteção Ambiental Itupararanga no cotidiano escolar De acordo com as narrativas dos educadores, verificou- -se que, tanto para a elaboração das aulas como para os projetos desenvolvidos nas escolas, segue-se o currí- culo determinado pelo governo estadual, baseando-se em temas e conceitos a serem abordados ao longo do período letivo, de acordo com as diferentes séries do Ensino Fundamental e do Ensino Médio. Os projetos definidos pelos educadores consistem em atividades que utilizam estratégias didáticas diferentes das aulas expositivas, e que geralmente ocorrem fora do horá- rio das aulas de Ciências, Biologia e Geografia. Essas atividades envolvem saídas de campo e confecção de materiais, por vezes com a participação de educadores de diversas áreas e, em alguns casos, atingindo a co- munidade do entorno. Os projetos são desenvolvidos ao longo do período letivo, mas não necessariamente estimulam a resolução de problemas, como definido por Krasilchik (2008). Constatou-se que predominam os temas relacionados à gestão de recursos (tais como lixo e reciclagem e consumo de energia) e à resolução de problemas ambientais (tais como queimadas e po- luição). Ambos representam o ser humano como cau- sador de impactos negativos ao ambiente natural, mas podem ser desenvolvidos como forma de promover atitudes que contribuam para a conservação (SATO, 2002; SAUVÉ, 2005). As narrativas dos educadores, assim como relatado por Sato (2002), indicam que o atual modelo de currículo no ensino formal não permite aos professores um arran- jo flexível para a abordagem das questões ambientais, sobretudo aquelas referentes ao contexto local, dificul- tando a inserção da APA entre os temas trabalhados: “Fica difícil por causa do tempo, pois a APA não está no currículo.” “Existe um currículo pré-determinado que deve ser se- guido e não prevê este tema. O máximo que consigo é relacionar os temas previstos com o cotidiano local, mas não dá pra aprofundar conceitos relacionados es- pecificamente à APA.” Além disso, os próprios educadores são influenciados pelos paradigmas vigentes, o que dificulta o desen- volvimento de práticas que diferem da abordagem tradicional (GUIMARÃES, 2007; MEIJERS et al., 2016; ALENCAR et al., 2016). Consequentemente, prejudica- -se o tratamento de questões cotidianas que vão além da transmissão de conteúdos sobre temas específicos, os quais pouco contribuem para o desenvolvimento de ações participativas (JACOBI, 2005; REIGOTA, 2009). Dentre os 20 educadores, 15 (75%) afirmaram que a APA nunca foi abordada durante suas aulas ou em pro- jetos de Educação Ambiental desenvolvidos na escola. Onze educadores citaram alguma intervenção do Con- selho Gestor da APA, correspondendo a 55% dos entre- vistados. Entre os 180 educandos, 28% (50 participan- tes) afirmaram que a APA já foi abordada no ambiente escolar por meio de palestra promovida pelo Conselho Gestor da APA, porém apenas 5 citaram a abordagem durante as aulas, o que corresponde a 3% do total. Em relação às intervenções realizadas pelo Conselho Gestor da APA, de acordo com as narrativas de edu- cadores e educandos, constatou-se que 89% das ati- vidades citadas não abordam diretamente a APA, sua existência e importância, mas sim conceitos relaciona- dos ao meio ambiente de forma geral, principalmente temas referentes aos principais impactos observados na APA, tais como reflorestamento e mata ciliar, sa- neamento básico e descarte de resíduos. É importan- Potencialidades pedagógicas da área de proteção ambiental Itupararanga RBCIAMB | n.45 | set 2017 | 71-85 79 te que esses temas sejam discutidos com a popula- ção local, visando mudanças de atitude. Porém, sua eficácia depende diretamente da sensibilização e do estabelecimento de conexões entre as pessoas e o am- biente em que se encontram (FRANTZ & MAYER, 2014; CARREGOSA et al., 2015). De acordo com Oaigen et al. (2001), a Educação Am- biental deve constituir um processo contínuo de forma- ção da sociedade, despertando a necessidade do en- volvimento ativo de cada indivíduo. Desse modo, ações pontuais envolvendo somente educandos ou educado- res dificilmente serão eficazes. O cumprimento dos ob- jetivos da Educação Ambiental requer uma abordagem holística que vá além da transmissão de conhecimen- tos, envolvendo o contexto social e cultural do educan- do e estimulando a ação individual e coletiva relacio- nada aos problemas socioambientais (GRANIT-DGANI et al., 2016). Diante da necessidade de uma visão inte- grada entre as múltiplas áreas e o todo, principalmente partindo do contexto local para o global, os educadores devem estar cada vez mais preparados para possibili- tar aos educandos a construção de uma visão crítica durante o processo de ensino-aprendizagem (JACOBI, 2005). Desse modo, o sucesso de ações de Educação Ambiental está diretamente associado à preparação e ao treinamento dos educadores (TAVARES et al., 2016; ZORRILLA-PUJANA & ROSSI, 2016). Assim, ações de Educação Ambiental que abordem a APA com a comunidade escolar devem ser realizadas continuamente, e podem ser mais efetivas iniciando-se com um trabalho que contribua para ampliar o conhe- cimento e promover a familiarização dos educadores com a UC em que estão inseridos. Desse modo, seriam estabelecidos vínculos entre o contexto local e a APA, os quais se estenderiam aos educandos por meio de uma abordagem integrada ao cotidiano e à proposta pedagógica da escola. Possibilidades pedagógicas da Área de Proteção Ambiental Itupararanga para as escolas públicas de Ibiúna: potencialidades e limitações Todos os educadores entrevistados afirmaram que a APA pode apresentar contribuições pedagógicas para a educação formal no contexto local, e todos os educan- dos afirmaram que podem aprender com a APA. Os te- mas e conceitos citados foram classificados segundo as categorias de representações ambientais descritas por Sauvé et al. (2000 apud SATO, 2002), adaptadas por Sato (2002), conforme a Tabela 1. Constatou-se que tanto nas respostas dos educado- res como nas dos educandos predominaram as ca- tegorias “Recursos naturais que devemos gerenciar” e “Natureza que devemos apreciar e respeitar”, sen- do que a primeira categoria corresponde a 41% das respostas dos educadores e 27% das respostas dos educandos, enquanto a segunda categoria equivale a 39 e 33% das respostas dos educadores e educandos, respectivamente. Tais representações envolvem o desenvolvimento da sensibilidade em relação à natureza e o manejo de re- cursos para um futuro sustentável. As demais catego- rias, embora tenham sido pouco citadas ou não tenham aparecido nas respostas, relacionam-se diretamente aos objetivos da APA. Portanto, é de fundamental im- portância que sejam desenvolvidas no contexto em que se inserem, estimulando a ação para a resolução de problemas, o desenvolvimento de uma visão global do ambiente partindo-se do local e, sobretudo, o enrai- zamento por meio do estudo do ambiente local em que se vive e a ação associada à reflexão crítica e executa- da na forma de projetos comunitários (SAUVÉ, 2005; GUIMARÃES, 2007; REIGOTA, 2009). Três possíveis modalidades didáticas foram citadas por educadores e educandos como forma de desenvol- ver atividades para a introdução da APA no cotidiano escolar, sendo classificadas de acordo com Krasilchik (2008): aulas expositivas (aulas teóricas e palestras), excursões (saídas de campo e estudos do meio) e pro- jetos (pesquisas de coleta de dados, exposição de tra- balhos realizados por alunos e confecção de mapas da bacia hidrográfica). As aulas expositivas têm como função transmitir in- formações e introduzir um novo assunto (KRASILCHIK, 2008). Desse modo, permitem informar os estudantes a respeito da APA Itupararanga, sua importância esté- tica, histórica e ecológica e os motivos de sua criação. Para enriquecer suas contribuições, deve-se abrir es- paço para o debate com a participação de todos, consi- derando a identidade dos educandos e abordando to- Almeida, G.G.; Toppa, R.H.; De Fiori, A. RBCIAMB | n.45 | set 2017 | 71-85 80 das as dimensões desse contexto — incluindo aspectos econômicos, sociais e culturais —, estimulando o diá- logo entre educandos e entre educandos e educadores (REIGOTA, 2009; GRANIT-DGANI et al., 2016). Os projetos têm como objetivo desenvolver a iniciativa e a capacidade de decidir e agir na execução de uma ta- refa. Em geral, partem de um problema a ser investiga- do e resultam em produtos finais (KRASILCHIK, 2008). No caso dos exemplos sugeridos pelos entrevistados, os projetos teriam como produtos trabalhos escritos, painéis para exposição e mapas confeccionados com base em pesquisas sobre a APA. A APA contempla di- versas questões que podem ser abordadas por meio de Tabela 1 – Classificação e frequências relativas dos temas e conceitos citados pelos educadores e educandos das escolas de Ibiúna – SP, conforme categorias de representações ambientais propostas por Sauvé et al. (2000 apud SATO, 2002), adaptadas por Sato (2002). Representações ambientais Educadores Educandos Exemplos sugeridos Frequência relativa (%) Exemplos sugeridos Frequência relativa (%) Natureza que devemos apreciar e respeitar Preservação ambiental, do bioma, das árvores; vida aquática; rios e matas; mata ciliar; vegetação e fauna 39 Fauna e flora; preservação da área 33 Recursos naturais que devemos gerenciar Lixo e reciclagem; Consumo de água; conflitos pelo uso da água; ciclo da água; água e solo 41 Lixo e reciclagem; Água e solo 27 Problemas que devemos solucionar Degradação; poluição; queimadas; agrotóxicos 15 Poluição; extinção de espécies; urbanização 20 Sistemas que devemos compreender para as tomadas de decisão Ecologia 5 – – Meio de vida que devemos conhecer e organizar – – Relevo do local; mapa dos municípios banhados pela represa Itupararanga 20 Biosfera em que vivemos juntos em longo prazo – – – – Projeto comunitário com comprometimento – – – – Fonte: Adaptada de Sato (2002). Potencialidades pedagógicas da área de proteção ambiental Itupararanga RBCIAMB | n.45 | set 2017 | 71-85 81 projetos, incluindo aspectos ambientais e sociais, pos- sibilitando o debate e a reflexão após o levantamento de dados pelos alunos (REIGOTA, 2009). As excursões proporcionam o desenvolvimento de importantes dimensões cognitivas, incluindo expe- riências estéticas e de convivência que variam de in- divíduo para indivíduo (KRASILCHIK, 2008). As aulas de campo tornam o processo de ensino-aprendizagem mais atraente e estimulante, permitindo maior partici- pação dos educandos e instigando o redescobrimento do local onde vivem e o resgate do sentimento de per- tencimento (SAUVÉ, 2005; FALCÃO & PEREIRA, 2009). O contato com ambientes naturais é capaz de desper- tar sensações e emoções que não ocorreriam em sala de aula, fortalecendo vínculos afetivos com o meio, o que contribui para a construção de valores, compor- tamentos e responsabilidades com o ambiente (SATO, 2002; COLLADO et al., 2013; GRANIT-DGANI et al., 2016). Além disso, possibilita a construção de novos conceitos com base na realidade e a compreensão de conceitos já estudados por meio de abordagem menos fragmentada, permitindo que o aprendizado ocorra de maneira natural e integralizada a partir do contato di- reto com o objeto de estudo (LIMA & BRAGA, 2014; BARROS & ARAÚJO, 2016). No âmbito da educação formal, a implementação efe- tiva da Educação Ambiental encontra diversos obstá- culos (SATO, 2002; STANIŠIĆ & MAKSIĆ, 2014; LÓPEZ- -ALCARRIA et al., 2016). A falta de materiais didáticos, sobretudo nas escolas públicas, é um tópico importan- te, pois os livros didáticos ainda constituem a princi- pal ou única fonte de informação disponibilizada aos educadores e educandos (SATO, 2002). Isso dificulta a inclusão dos ambientes específicos de cada região e a inserção da dimensão ambiental no contexto local, li- mitando as práticas educativas a uma abordagem frag- mentada (GUIMARÃES, 2007; REIGOTA, 2009; DUARTE et al., 2013). Além disso, a defasagem na formação dos professores contribui para sua insegurança em tratar todos os aspectos inerentes à Educação Ambiental, os quais envolvem questões ecológicas, políticas e sociais, exigindo um trabalho interdisciplinar. A formação de- ficitária também inibe o desenvolvimento de ativida- des que diferem do modelo tradicional, baseado na transmissão de conhecimentos (STANIŠIĆ & MAKSIĆ, 2014; ALENCAR et al., 2016; GRANIT-DGANI et al., 2016). Deve-se considerar, ainda, a estrutura inflexível do currículo, que prioriza o tratamento de questões ambientais em determinadas séries, faixas etárias ou disciplinas, dificultando ainda mais a concretização dos propósitos da Educação Ambiental enquanto processo contínuo e capaz de gerar conhecimentos integrados e aplicáveis à resolução de problemas reais (SATO, 2002; TREAGUST et al., 2016). Em relação às dificuldades e limitações enfrentadas para a realização das atividades sugeridas, 38% dos educadores entrevistados afirmam não haver empeci- lhos para a aplicação de aulas expositivas e projetos em sala de aula envolvendo a APA Itupararanga; seguidos por 25% que citam a falta de materiais didáticos con- tendo informações específicas sobre a APA ou a falta de ferramentas de pesquisa; 19% que sentem necessi- dade de orientação e trabalho em conjunto; 12% que mencionam o currículo inflexível e a falta de tempo; e 6% que sentem necessidade de planejamento prévio. Embora a maioria dos educadores reconheça as valio- sas contribuições das excursões, poucos as realizam, pois encontram diversos obstáculos, como complica- ções para obter autorização dos pais ou responsáveis, preocupação com a segurança dos alunos, receio de não saber responder aos questionamentos sobre as características locais e problemas com o transporte (KRASILCHIK, 2008). Apesar de 20% dos educadores terem apontado a inexistência de empecilhos para a realização das excursões, os dois grandes problemas mencionados, que contemplam 35% das respostas cada, foram a falta de transporte e a falta de infraes- trutura para a recepção dos educandos nas áreas da represa Itupararanga, a qual não dispõe de um espa- ço seguro para o lazer e a Educação Ambiental, nem de monitores ou guias, o que reflete a preocupação dos educadores com a segurança dos alunos e com a falta de conhecimento sobre o local. Além disso, foram citadas a dificuldade em obter autorização dos pais ou responsáveis (5%) e a necessidade de plane- jamento prévio (5%). As respostas dos educadores em relação às dificulda- des para a realização de trabalhos de campo indicam a visão de que a APA se restringe à área da represa Itupararanga, bem como a dificuldade em desenvol- ver atividades que partam do contexto local. Tendo em vista que todas as escolas se inserem no território da APA Itupararanga, não é necessário que as aulas de campo ocorram nas proximidades da represa. As difi- Almeida, G.G.; Toppa, R.H.; De Fiori, A. RBCIAMB | n.45 | set 2017 | 71-85 82 culdades apontadas pelos educadores podem ser ame- nizadas com a realização de estudos do meio em áreas próximas à escola, o que dispensa a necessidade de transporte, minimiza o receio dos professores em não conhecer o local e a burocracia envolvida para conse- guir autorização dos responsáveis, além de resgatar o sentimento de pertencimento ao ambiente em que se inserem os educandos (CHAPANI & CAVASSAN, 1997; KRASILCHIK, 2008). Além das modalidades didáticas sugeridas pelos edu- cadores e educandos, outras atividades poderiam ser desenvolvidas para contemplar categorias de represen- tações ambientais pouco citadas, porém fundamentais para o desenvolvimento cognitivo e a reflexão crítica e para a redução de impactos ambientais por meio da participação coletiva. Dentre elas, podemos citar os es- tudos de caso e a resolução de problemas relacionados à realidade local, incluindo debates e discussões, de modo que os educandos possam compreender como as atividades que exercem localmente influem sobre a APA, e como os motivos de sua criação, seu propósi- to e a maneira como seu uso está ocorrendo afetam a comunidade. Assim, seriam estabelecidos os vínculos necessários entre aspectos socioeconômicos, políticos e ambientais, contextualizando efetivamente a popula- ção à UC (REIGOTA, 2009; GRANIT-DGANI et al., 2016). CONCLUSÕES O estabelecimento de uma UC nem sempre inclui a contextualização efetiva das comunidades locais du- rante sua criação e gestão. No caso da APA Itupara- ranga, embora as escolas tenham sido utilizadas como espaço para a divulgação de informações ao público escolar, os conhecimentos referentes à UC têm atingi- do apenas uma pequena parcela dos educandos. Entre aqueles que tinham informações sobre sua existência, predomina a visão de que a APA se restringe à área da represa Itupararanga, não havendo conhecimento do fato de que o local onde moram e as escolas onde es- tudam estão inseridas nessa UC. Entre os educadores, embora a maioria tenha conhecimento da APA e de sua área de abrangência, existe dificuldade em asso- ciar o local ocupado pelas escolas à UC, não sendo a escola e seu entorno imediato compreendidos como possíveis locais para a realização de atividades abor- dando a APA Itupararanga. Ambos os grupos de atores enfatizam a importância ecológica da UC, principalmente a preservação dos recursos hídricos, porém suas funções socioeconômi- cas, tais como turismo, abastecimento público, irriga- ção agrícola e geração de energia, não são citadas, não sendo percebida uma visão que integra as demandas humanas à conservação ambiental, considerada como premissa da sustentabilidade. Nas escolas estaduais de Ibiúna, o entorno é pouco tratado, e a APA Itupararanga é abordada pela minoria dos educadores. Os temas discutidos enfatizam a ges- tão dos recursos naturais, porém não priorizam o res- gate do sentimento de pertencimento à natureza e ao local onde os educandos vivem, bem como o estímulo a ações coletivas. Isso reflete tanto o efeito do currícu- lo inflexível quanto a insegurança dos educadores em realizar abordagens diferentes das tradicionais, que se dão por meio da transmissão de informações com base em temas previamente estabelecidos. Nas intervenções do Conselho Gestor da APA realiza- das nas escolas, destaca-se a abordagem de questões ambientais relacionadas aos principais impactos gera- dos na região com o intuito de mitigá-los. Porém, não são estabelecidas conexões entre a atividade desenvol- vida e a APA, e pouco se discute sobre a importância e os motivos da criação da UC, sobretudo seus aspectos sociais, essenciais para a eficácia dessas ações. De acordo com as narrativas de educadores e educan- dos, a inclusão da APA no cotidiano escolar pode trazer contribuições pedagógicas significativas, que envolvem o desenvolvimento de habilidades e sentimentos rela- cionados às variadas percepções de meio ambiente. Além dos temas e atividades citados, necessita-se de abordagens que incentivem a ação coletiva e a reso- lução de problemas, desenvolvendo o sentimento de pertencer ao ambiente e estabelecendo as relações necessárias entre aspectos socioeconômicos, políticos e ecológicos, essenciais para a redução de impactos ambientais e para a participação popular na UC. Tornam-se necessárias ações de Educação Ambiental que promovam a contextualização do público esco- lar com a APA Itupararanga no município de Ibiúna. Para sua efetividade, essas ações devem envolver Potencialidades pedagógicas da área de proteção ambiental Itupararanga RBCIAMB | n.45 | set 2017 | 71-85 83 fundamentalmente os educadores, promovendo sua familiarização e a compreensão de que o espaço onde as escolas estão localizadas, bem como seu entorno imediato, fazem parte do território da APA. Espera-se que isso estimule a conscientização e a sensibilização dos educandos com base em uma abordagem integra- da ao cotidiano e à proposta pedagógica da escola, por meio de diferentes modalidades didáticas, caben- do ao educador adequá-las à sua prática e à realidade em que se insere. REFERÊNCIAS ALENCAR, L. D.; ALENCAR, L. D.; BARBOSA, M. F. N.; BARBOSA, E. M. Educação ambiental no ensino público: percepção dos professores de uma escola de Campina Grande-PB. Espacios, v. 37, n. 18, 2016. Disponível em: . Acesso em: 19 jun. 2017. ANDRÉ, M. E. D. A.; LÜDKE, M. Métodos de coleta de dados: observação, entrevista e análise documental. 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